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Cuidados paliativos: conhecimento dos formandos de Medicina de uma instituição de ensino superior de Goiás

PID: S1981-52712021000500207 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Costa Fonseca Santos Paulino Carvalho Vieira
Resumo: Introdução: Os cuidados paliativos (CP) consistem na assistência multidisciplinar e holística ao paciente para melhoria de sua qualidade de vida e de seus parentes, por meio da prevenção e do alívio de enfermidades, de modo a amenizar seus aspectos físicos, sociais, psicológicos e espirituais. Ressalta-se a crescente necessidade de CP, posto que, com o envelhecimento populacional e o aumento da prevalência de doenças crônicas não transmissíveis, há, no mundo, milhões de pessoas que necessitam de CP por ano, das quais apenas 14% recebem esses cuidados até o final da vida. Objetivo: Este estudo teve como objetivo verificar o conhecimento dos formandos de Medicina de 2020 de uma instituição de ensino superior do interior de Goiás acerca dos CP. Método: Este trabalho foi feito por meio de um estudo descritivo, transversal e de natureza quantitativa, no qual se utilizou o Questionário Geral sobre Cuidados Paliativos (QGCP), com adaptações e perguntas objetivas. Aplicou-se o QGCP de forma on-line. O universo amostral foi constituído por 74 formandos. As participações foram de caráter voluntário e, exclusivamente, para fins científicos, respaldando as recomendações éticas de anonimato e confidencialidade. Resultado: Notou-se que a maioria dos participantes considerou os CP como “importantes” ou “muito importantes”, embora uma minoria deles tenha se interessado em realizar alguma formação específica nessa área em sua prática clínica. Além disso, apesar de apenas uma questão do questionário aplicado ter apresentado mais de 50% de erro, inferindo que os participantes demonstram um certo conhecimento em CP, 86,5% (n = 64) dos avaliados não consideraram seu conhecimento acerca de CP como “apropriado” ou “muito apropriado”. Conclusão: Os resultados revelam que, embora os acadêmicos reconheçam a importância dos CP, o desconhecimento acerca da sua filosofia e de seus princípios e a insegurança quanto às condutas a serem prescritas destacam a necessidade de uma educação permanente sobre o assunto. Esses achados corroboram estudos nacionais e internacionais que afirmam a necessidade da disseminação do conhecimento sobre a filosofia e os princípios dos CP.

Cuidados paliativos: inserção do ensino nas escolas médicas do Brasil

PID: S1981-52712021000200204 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Castro Taquette Marques
Resumo: Introdução: Abordagem em cuidados paliativos (CP) é uma modalidade assistencial recomendada pela Organização Mundial da Saúde. O sofrimento e o processo de morrer estão presentes no cotidiano da prática clínica, acometendo pessoas portadoras de doenças ameaçadoras à vida. Entretanto, o currículo predominante das escolas médicas brasileiras não inclui o ensino de CP. Objetivos: Este estudo teve como objetivos conhecer os cursos de Medicina brasileiros que incluem CP em sua grade curricular e verificar de que forma estes vêm sendo ministrados. Métodos: Trata-se de estudo descritivo e exploratório realizado por meio da busca de cursos de Medicina com disciplinas de CP nos sítios virtuais oficiais das instituições de ensino superior, no período de agosto a dezembro de 2018, e da análise das ementas disponíveis nas matrizes curriculares, no que diz respeito ao período oferecido, à carga horária, ao cenário e ao tipo de disciplina, se eletiva ou obrigatória. Resultados: Das 315 escolas de Medicina cadastradas no Ministério da Educação, apenas 44 cursos de Medicina (14%) dispõem de disciplina de CP. Esses cursos estão distribuídos em 11 estados brasileiros, 52% estão na Região Sudeste, 25% na Região Nordeste, 18% na Região Sul, 5% na Região Centro-Oeste, e nenhum na Região Norte. A modalidade predominante do tipo de disciplina foi obrigatória em 61% das escolas. Em relação à natureza, 57% são entidades privadas, percentual semelhante ao total de escolas médicas brasileiras. A disciplina ocorre no terceiro e quarto anos do curso, na maioria das instituições, e a carga horária mediana foi 46,9 horas. O cenário predominantemente é a sala de aula, e algumas instituições proporcionam a integração ensino-serviço-comunidade e prática médica. Os conteúdos programáticos são variados, incluindo tanatologia, geriatria, senescência e finitude, humanização, bioética, dor, oncologia e doenças crônicas. Conclusão: O ensino de CP no Brasil é escasso, o que representa uma barreira à formação de médicos em consonância com as recomendações das entidades internacionais, das Diretrizes Curriculares Nacional e de marcos legais no âmbito do SUS. Fazem-se necessários investimentos das entidades médicas e dos organismos governamentais para a ampliação do ensino de CP e a consequente qualificação da formação médica.

Da assistência à docência: narrativas de médicos sobre os múltiplos caminhos que os tornaram preceptores

PID: S1981-52712021000100203 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Oliveira Oliveira Fonseca
Resumo: Introdução: O internato de medicina é o estágio da formação em que o acadêmico põe em prática tudo o que aprendeu durante o ciclo básico, teórico. Nesse momento da graduação, os estudantes são supervisionados por profissionais médicos - os preceptores. Na maioria das vezes, esses preceptores se incorporam ao corpo docente da universidade por exercerem assistência profissional no local onde a prática ocorre, sem que haja capacitação ou orientação pedagógica prévia. Objetivo: Este estudo teve como objetivo identificar os múltiplos caminhos que levam os médicos a atuar como preceptores do internato de medicina. Método: Aplicou-se um questionário aos preceptores de Medicina, no qual uma pergunta aberta buscava, na narrativa desses sujeitos, entender como se efetivou o convite para a preceptoria. Resultado: É possível observar como são múltiplos e dissonantes os caminhos que levam esses profissionais à docência. Conclusão: Os resultados corroboram a importância de oferecer capacitação pedagógica adequada que valorize o preceptor de Medicina, profissional cuja atuação é central na formação dos futuros médicos.

Das salas de autopsias e microscopias para a vida: mentoria informal em um programa de residência médica de patologia

PID: S1981-52712021000400407 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Santana Ferreira
Resumo: Introdução: Além de demorada, a mentoria em Medicina ocorre em vários níveis e é complexa, pois pode incluir várias combinações de ensino, prática clínica, atendimento ao paciente e pesquisa. Relato de experiência: Trata-se de um relato de experiência individual de uma mentorada em um programa de residência médica em patologia do Hospital Universitário Getúlio Vargas, de Manaus, no Amazonas. Descrevem-se os benefícios individuais e coletivos de uma mentoria fora de um programa formal, orientada pelo discernimento e pela maturidade de relacionamento entre mentor e mentorada. Discussão: Discentes de programa de residência médica podem se beneficiar sobremaneira, pessoal e profissionalmente, de mentorias bem conduzidas. Conclusão: No relacionamento de mentoria, são imprescindíveis qualidades como respeito mútuo, discernimento e abnegação, para que o mentorado cresça e desenvolva uma identidade profissional independente, ainda que atrelada à relação de mentoria, e amadurecida, em seu pleno desenvolvimento, a fim de que ele seja um novo mentor e novos alunos sejam beneficiados.

Desafios bioéticos na formação médica: uma perspectiva teleológica e axiológica

PID: S1981-52712021000100801 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Petry Biasoli
Resumo: Introdução: Os valores humanos e as virtudes éticas que norteiam a ação médica na sociedade contemporânea são um tema deveras importante, contudo pouco tematizado e enfatizado no processo de formação dos futuros médicos. Objetivo: Dada a suma complexidade do assunto para a formação profissional integral, haja vista a medicina ser uma ciência sobretudo humana que alia técnica e conhecimento ao bem-estar das pessoas, faz-se necessário problematizar quais os principais desafios bioéticos na formação médica sob uma perspectiva teleológica e axiológica. Métodos: Por meio de um artigo de reflexão, far-se-á uma análise sistemático-crítica conceitual das principais virtudes e dos principais valores debatidos e refletidos na tradição ética ocidental mediante cotejamento bibliográfico à luz do atual estado da arte do processo formativo médico. Resultado: A preocupação didático-pedagógica com valores e virtudes ético-morais, tais como caráter, amor, liberdade, respeito, responsabilidade, compaixão, paciência, humildade, fortaleza, prudência, justiça e coragem, entre outros, não está sendo privilegiada no ensino médico. Há um déficit nessa dimensão, dificultando o amadurecimento e a aprendizagem de práticas ético-morais indispensáveis em nosso tempo. Conclusão: O atual estágio do exercício da profissão médica, imersa num paradigma tecnicista, requer, cada vez mais, profissionais com uma formação humanista e não apenas tecnopragmática. Os desafios advindos de uma sociedade multifacetada, em constante evolução, exigem que as universidades e faculdades médicas enfoquem, precipuamente, as dimensões axiológicas e ético-morais na formação.

Desafios da pandemia para a mentoria: o papel dos mentores juniores e das redes sociais

PID: S1981-52712021000400415 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Albuquerque Silva Duarte Oliveira Silva Medeiros Júnior Viegas Moreira
Resumo: Introdução: A aprovação no curso de Medicina traz consigo a euforia e, por vezes, associa-se a grandes mudanças no dia a dia dos alunos. Essas mudanças estão relacionadas a momentos de medo, sofrimento e adaptação. Os programas de mentoria surgem como espaços importantes de cuidado que oferecem acolhimento e suporte às vivências dos alunos, de modo a contribuir para o desenvolvimento pessoal e acadêmico deles. Relato de experiência: Diante da necessidade de adaptar o ensino presencial ao modelo remoto, em detrimento da pandemia de Covid-19, o programa de mentoria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte investiu na realização de atividades on-line, protagonizadas por monitores denominados mentores juniores. Essas atividades se valeram do potencial das mídias sociais, por meio das plataformas de videoconferência, além de interações nas redes sociais, para realizar os encontros e promover a manutenção do vínculo, bem como proporcionar um espaço de acolhimento e integração entre estudantes e mentores. Discussão: A partir da realização de atividades remotas, alunos e mentores mostraram-se muito participativos e satisfeitos. A atuação dos mentores juniores na elaboração dessas atividades virtuais foi um importante diferencial, possibilitando o engajamento dos mais tímidos e daqueles que tinham dificuldade em cumprir os horários presenciais. Conclusão: Mediante a observação no desenvolvimento das atividades do programa e com base na avaliação dos alunos e mentores sobre o desempenho da mentoria no semestre remoto, considera-se que é de grande valia investir no potencial das mídias sociais para impulsionar as reuniões dos grupos de mentoria, garantir a manutenção do acolhimento e suporte aos alunos, bem como para estreitar os vínculos entre os participantes. Sob esse prisma, é necessário considerar a possibilidade de adotar um modelo misto no aperfeiçoamento do programa de mentoria.

Desafios para o aprendizado de neurorradiologia na graduação médica: análise do ponto de vista discente

PID: S1981-52712021000100214 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Feitosa Costa Neto Gregório Limas Silva Jucá
Resumo: Introdução: O ensino da neurorradiologia na graduação médica deve ser encarado como uma ferramenta de integração para o estudo interdisciplinar de radiologia, anatomia e neurologia. Na prática, percebe-se uma limitação dos alunos em adquirir tais conhecimentos, seja pela “neurofobia”, seja pela falta de conhecimentos anatômico-radiológicos prévios e também pela carência de materiais didáticos integrados direcionados para a graduação. Contudo, há poucos trabalhos relatando as dificuldades encontradas pelos alunos no aprendizado de neurorradiologia . Objetivo: Avaliar a percepção dos estudantes de medicina sobre as dificuldades do aprendizado em neurorradiologia. Método: Estudo quantitativo, realizado com estudantes de medicina matriculados no segundo e no sétimo semestres de uma universidade de Fortaleza. Os dados foram obtidos por meio de questionário estruturado com 12 questões de respostas sim ou não. As questões versaram sobre as possíveis dificuldades encontradas para aquisição do conhecimento neurorradiológico, dentre elas: à carência de material didático direcionado, à falta de integração com a neurologia, à necessidade de conhecimentos básicos radiológicos e anatômicos, ao volume de assunto, e às limitações das metodologias ativas e tradicionais. Resultados: Foram analisados 181 questionários. Grande parte discente refere como dificuldade a necessidade de ter conhecimentos básicos prévios de radiologia (80,1%); de neuroanatomia (77,5%); e de correlacionar radiologia e neuroanatomia (70,9%). Quando comparados os grupos do 2o semestre e do 7o semestre, houve uma tendência maior a apontar a ausência de conhecimento prático de neurologia pelos alunos do 2o semestre como um fator de maior dificuldade para o aprendizado de neurorradiologia (82,6% versus 67,4%, com p<0,0018). Quando perguntados sobre a utilidade da criação de um e-Book direcionado para a graduação para o aprendizado de neurorradiologia, 85,6% dos alunos responderam afirmativamente; no caso de um aplicativo, 92,3% concordaram. Quanto à correlação entre a neurorradiologia e a prática médica, 98,3% responderam que é um conhecimento útil e necessário. Conclusão: Na opinião dos estudantes, os conhecimentos prévios de neuroanatomia e de neurologia clínica são importantes para o aprendizado de neurorradiologia. A elaboração de um material como e-book ou aplicativo com foco em integrar o ensino dessas disciplinas é considerada uma boa alternativa para facilitar a compreensão da neurorradiologia.

Desenvolvimento de competência moral na formação médica

PID: S1981-52712021000500801 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Gontijo
Resumo: Introdução: A prática da medicina requer competência moral, além de competências técnicas. Na formação médica, os docentes são corresponsáveis por apresentar os valores intrínsecos aos direitos humanos e mediar o desenvolvimento de atitudes, motivação e práticas, além de servirem como modelos aos jovens aprendizes. Desenvolvimento: Educar em valores não significa que os professores podem escolher aqueles a serem seguidos pelos alunos. A competência moral compreendida como a capacidade de julgar e tomar decisões segundo princípios internos é uma habilidade, mais do que uma simples atitude, que pode e deve ser construída ao longo da vida. Assim, a educação/formação moral deve ser entendida como um processo que conduz o sujeito à reflexão sobre situações cotidianas, envolvendo dilemas morais. O futuro profissional tem a oportunidade de se sensibilizar para considerar a singularidade de cada situação diante de decisões e avaliações, bem como se responsabilizar pelas escolhas feitas e pelas suas consequências. Para o desenvolvimento da competência moral nos processos formativos, os professores devem ampliar, para além da transmissão de informações, a reflexão sobre o compromisso social e ético e buscar a formação de cidadãos autônomos, críticos e participativos. Acreditar que apenas o exemplo do professor é capaz de promover o desenvolvimento moral restringe a questão aos seus aspectos afetivos, pois, assim, não se vislumbram os aspectos cognitivos da formação moral e o pensamento crítico para o favorecimento da abordagem e condução de conflitos morais ao longo da vida acadêmica e profissional. Conclusão: Os valores morais necessitam deixar de serem impostos por agentes externos e converterem-se em diretrizes internas, legitimadas pela própria pessoa e, portanto, desenvolvidas por meio de uma reflexão crítica, responsável, autônoma e criativa de cada sujeito. Mais do que aprender teorias ou discutir os grandes filósofos, os alunos devem ser capazes de despertar em si mesmos sentimentos e atitudes que os levem a valorizar convicções humanistas e humanitárias, e adotar comportamentos justos e empáticos como elementos essenciais da boa prática médica, de modo que se tornem moralmente competentes.

Desenvolvimento de um programa de mentoria por pares estudantis: um relato de experiência

PID: S1981-52712021000400406 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Kaji Gazzi Schimitd Silva Zöllner
Resumo: Introdução: A transição do colégio para a universidade configura-se como um período de profundas mudanças, seja no âmbito acadêmico, social, pessoal ou familiar. Nesse processo, responsabilidades são adquiridas, fazendo com que essa transição possa ser marcada por inúmeras incertezas. Nesse sentido, o projeto “Mentorias: conectando estudantes”, elaborado pela IFMSA Brazil FMT na Universidade de Taubaté, objetiva fornecer aos calouros o suporte necessário para tornar essa experiência mais gratificante. Relato de experiência: A primeira edição do projeto foi desenvolvida ao longo de cinco meses durante o ano de 2020, organizada em quatro fases: 1. construção do material teórico para os mentores; 2. pesquisa e seleção de calouros e veteranos interessados em participar do projeto; 3. gravação das capacitações on-line para os mentores; 4. determinação da dupla mentor-pupilo e desenvolvimento da mentoria com posterior coleta e análise de feedback. Dessa forma, contemplou estudantes de Medicina, a partir do terceiro período, que atuaram como mentores, abordando, em reuniões remotas semanais, durante dois meses, os quatro pilares do projeto: acadêmico, pesquisa, desenvolvimento pessoal e extensão, com os seus respectivos pupilos (acadêmicos do primeiro e segundo períodos). Discussão: O sistema de mentoria vertical por pares estudantis tem se mostrado uma estratégia promissora no preparo e na recepção dos alunos para a vida acadêmica e profissional, uma vez observado que o vínculo gerado entre calouro e veterano favorece o engajamento dos alunos recém-ingressantes com as atividades e oportunidades dentro da IES. Conclusão: O objetivo deste relato é demonstrar, da perspectiva da equipe idealizadora, a experiência de realização do projeto, ao longo da sua primeira edição e incentivar a criação de programas e projetos em outras IES voltados para o acolhimento do calouro por “veteranos” de uma forma mais holística. Os resultados obtidos foram benéficos, tanto para mentores quanto para pupilos, para o fortalecimento do vínculo criado e do engajamento em atividades acadêmicas.

Desenvolvimento docente pós-COVID-19: mudanças ou troca de cenário?

PID: S1981-52712021000300801 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Dias Ferreira
Resumo: Introdução: O mundo tem milhões de infectados pelo SARS-CoV-2, e o desfio permanece em 2021, com a vacinação e o aparecimento das novas cepas. Este é um texto sobre reflexões de como a pandemia está mobilizando as escolas médicas e se as mudanças induzidas pela emergência sanitária nos paradigmas pedagógicos serão revertidas em mudanças culturais. Desenvolvimento: A experiência de confinamento tem sido emocionalmente rica, entremeada por desafios, mergulhos pedagógicos reflexivos e muito trabalho. Analisamos o confronto entre a pandemia e as escolas médicas, com ênfase nos questionamentos a respeito das adaptações e se serão revertidas em mudanças culturais. O desenvolvimento docente não tem sido priorizado nas instituições de educação médica, e a troca do presencial para o remoto não garante mudanças. Conclusão: O docente tem papel nuclear na formação de médicos com competência, ética e humanidade. É necessário avançar, para além do brilho da hiperconectividade, com a instalação de um fórum permanente sobre desenvolvimento docente.

Desenvolvimento e validação de conteúdo de instrumento para avaliação das competências na residência em cirurgia pediátrica

PID: S1981-52712021000300216 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Almeida Ribeiro Coelho
Resumo: Introdução: Uma adequada formação na residência em cirurgia pediátrica deve avaliar e acompanhar constantemente o desenvolvimento de competências e, para isso, necessita de um instrumento específico como ferramenta de avaliação. Objetivo: Este estudo tem como objetivo apresentar um instrumento de avaliação nos moldes do “Milestone Project” com base nas competências determinadas pela Associação Brasileira de Cirurgia Pediátrica, para uso nos programas de residência médica em cirurgia pediátrica no Brasil. Método: Adotaram-se as seguintes etapas: desenvolvimento do instrumento, qualificação de um grupo de especialistas e avaliação do instrumento por cirurgiões pediatras brasileiros, a fim de validar e quantificar a aceitação do instrumento quanto à fidedignidade, confiabilidade, aplicabilidade, reprodutibilidade, relevância dos temas abordados e adequação dos pontos de vista técnico e teórico. Resultados: O instrumento inicial possuía quatro competências gerais e 13 subcompetências específicas, com cinco níveis de avaliação. Quatro experts realizaram a qualificação que gerou 44 adaptações, finalizando o instrumento com quatro competências gerais subdividias em dez subcompetências, com cinco níveis avaliativos. Sequentemente, o instrumento foi avaliado pelo Grupo Brasileiro de Cirurgia Pediátrica e pelo Grupo Brasileiro de Urologia Pediátrica. Houve 40 respostas de especialistas, 2.394 respostas positivas dos 50 itens. O instrumento teve aceitação de 91,2% e foi considerado aplicável (96,7%), reprodutível (93,3), relevante (96%), tecnicamente adequado (93,6%), teoricamente adequado (93,3%), confiável (85,5%) e fidedigno (79,8%). Conclusão: Esse instrumento nos moldes do “Milestone Project” foi validado por cirurgiões pediatras e considerado aplicável, reprodutível, relevante, adequado, sob os pontos de vista técnico e teórico, confiável e fidedigno.

Disponibilidade para educação interprofissional em cursos orientados por métodos ativos de ensino-aprendizagem

PID: S1981-52712021000300224 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Barbosa Sampaio Appenzeller
Resumo: Introdução: A educação interprofissional (EIP) desenvolve competências colaborativas, aprimora a segurança do paciente e melhora a qualidade da atenção à saúde. A disponibilidade para aprendizagem compartilhada relaciona-se diretamente com a EIP. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar a disponibilidade dos estudantes para a EIP, de acordo com os ciclos e cursos. Método: Trata-se de estudo transversal, descritivo, de abordagem quantitativa. Utilizou-se a Readiness for Interprofessional Learning Scale (RIPLS) via formulário eletrônico. Os testes Mann-Whitney e qui-quadrado foram utilizados para analisar respectivamente variáveis contínuas e categóricas. Nas análises para verificar as diferenças nas pontuações dos fatores 1. trabalho em equipe e colaboração (TEC), 2. identidade profissional (IP) e 3. atenção à saúde centrada no paciente (ACP), além da pontuação global da RIPLS, os cursos e ciclos foram comparados por meio do teste Kruskal-Wallis. Resultado: Participaram do estudo 506 estudantes, com taxa de respostas de 32,6%, dos cursos de Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Nutrição, Odontologia e Terapia Ocupacional de uma universidade pública brasileira. As pontuações dos fatores 1, 2 e 3 e a pontuação global da RIPLS não apresentaram diferenças entre os sexos. Os estudantes do curso de Farmácia apresentaram menor disponibilidade para o fator 3 (ACP) quando comparados com os alunos de Enfermagem, Fisioterapia, Medicina, Odontologia e Terapia Ocupacional (p = 0,007). Os discentes de Fonoaudiologia e Nutrição apresentaram menor pontuação no mesmo fator em comparação com os de Odontologia e Terapia Ocupacional (p = 0,007). Os estudantes de Farmácia (p = 0,004) e Medicina (p = 0,016) foram menos propícios a obter maior pontuação no fator 1 (TEC), enquanto os de Terapia Ocupacional obtiveram maior chance para maior disponibilidade no mesmo fator (p = 0,024). No fator 2 (IP), os estudantes do quinto ciclo foram menos propensos a atitudes positivas (p = 0,046). Observou-se que os estudantes de Terapia Ocupacional apresentaram atitude mais favorável para a EIP expressa tanto no fator 3 (p = 0,034) quanto na pontuação global (p = 0,027), enquanto os alunos do curso de Farmácia apresentaram menor chance para melhor disponibilidade no fator 3 (p = 0,003) e na pontuação global (p = 0,003). Conclusão: Considerando a relevância da EIP no processo de reorientação da formação de profissionais de saúde para a construção da integralidade do cuidado e alinhamento com o Sistema Único de Saúde, este estudo pretende contribuir para a reflexão acerca das diferenças na disponibilidade para EIP entre cursos de graduação na área da saúde.

Educação médica: linha do tempo e panorama da pós-graduação stricto sensu no Brasil

PID: S1981-52712021000100225 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Piotto Calabró
Resumo: Introdução: O presente trabalho apresenta uma sucinta retrospectiva da pós-graduação stricto sensu brasileira e elucida o atual panorama quantitativo das subáreas avaliativas da área de medicina. Objetivo: Este estudo teve como objetivo esboçar um panorama crítico da pós-graduação médica. Método: O método, aqui utilizado, contempla uma revisão das normativas que conduziram a formação da pós-graduação stricto sensu brasileira e uma categorização e análise estatística de dados fornecidos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, complementados por informações da Plataforma Sucupira e do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, com recorte das áreas avaliativas da medicina e atenção a elas. Resultado: Como resultado, observou-se que, em junho de 2019, o Brasil atingiu 4.590 programas de pós-graduação, sendo 262 distribuídos nas áreas avaliativas da medicina. A partir desse quantitativo, apresentam-se uma tabela, dois quadros, uma figura e sete gráficos que demostram diferentes aspectos do Sistema Nacional de Pós-Graduação. Conclusão: Em conclusão, no que se refere ao Sistema Nacional de Pós-Graduação, descrevem-se, como ponto forte, a expansão e o crescimento da pós-graduação, e indicam-se, como ponto frágil, os traços de assimetrias regionais. Em face das subáreas da medicina, são evidenciadas as características de cada área avaliativa, incluindo relações entre modalidades, níveis e conceitos dos programas de pós-graduação. Por fim, fica a perspectiva de que, além do número de programas de pós-graduação e de seus respectivos conceitos, um panorama qualitativo deve considerar indicadores como produção científica e impacto social, temas a serem abordados em estudos futuros, utilizando-se dados e as ferramentas metodológicas específicas.

Educação remota na continuidade da formação médica em tempos de pandemia: viabilidade e percepções

PID: S1981-52712021000100222 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Silva Faustino Oliveira Sobrinho Silva
Resumo: Introdução: Com a interrupção das atividades educacionais das universidades por causa da pandemia da Covid-19, formas de ensino virtuais, como a educação remota (ER), passaram a ser debatidas no meio acadêmico. No entanto, faz-se necessária uma avaliação criteriosa da ER antes de sua aplicação visando à qualidade do ensino. Objetivo: Assim, o objetivo deste estudo foi avaliar a viabilidade da implantação da ER para discentes de um curso de Medicina. Método: Aplicou-se um formulário on-line no qual constavam questões sobre aspectos demográficos e socioeconômicos, sobre acesso às tecnologias digitais e uma pergunta subjetiva relacionada ao uso da ER. Os dados quantitativos foram comparados pelos testes Kruskal-Wallis e Mann-Whitney com p < 0,05. Analisaram-se os dados qualitativos por meio do método de Classificação Hierárquica Descendente, e houve ainda uma análise pós-fatorial. Resultados: O perfil socioeconômico de 266 participantes foi variado, sendo a maioria dos discentes brasileiros do sexo masculino, adultos jovens, cor da pele parda e renda familiar média elevada. Todos relataram ter acesso à energia elétrica, mas não à água encanada, à coleta pública de lixo e ao esgotamento sanitário. Todos possuíam pelo menos um equipamento eletrônico para acesso à internet, mas com variação no tipo e na velocidade da conexão. Um total de 80,8% dos discentes avaliou como viável a implantação da ER para o seguimento do curso. No entanto, 8,65% dos discentes afirmaram que os equipamentos e a internet disponíveis não permitiriam o acompanhamento das atividades on-line. Foi observada uma correlação significativa entre a velocidade de acesso à internet e a renda familiar média, a cor da pele e o local da residência (p < 0,05), bem como entre possuir equipamentos adequados à ER e a renda familiar média (p < 0,05). A análise da pergunta objetiva revelou seis categorias: a necessidade de organização dos procedimentos e o anseio pela volta à normalidade; custos e benefícios da ER; planejamento e garantia da acessibilidade de todos os estudantes à internet de qualidade; acreditar que a realização da ER não é a solução para o problema; capacitação de professores e acadêmicos para o uso das plataformas digitais; e o querer realizar a ER; surgindo uma variedade de opiniões, visões e realidades pelos discentes. Conclusão: Apenas o seguimento da ER, sem garantia de acesso para todos os discentes, é insuficiente e necessita da intervenção dos gestores para não haver prejuízo na aprendizagem daqueles menos favorecidos.

Efeitos de maus-tratos nas escolas médicas: como avaliar? Uma revisão breve

PID: S1981-52712021000300301 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Barbanti Oliveira Pelloso Carvalho
Resumo: Introdução: A ocorrência de abusos, assédio e maus-tratos sofridos pelos estudantes de Medicina é um fenômeno generalizado e não um problema limitado a certos países ou escolas específicas. Tal comportamento durante o treinamento médico cria ambientes hostis de aprendizagem, induz estresse e sintomas depressivos, e prejudica o desempenho acadêmico e o atendimento aos pacientes. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar a metodologia utilizada em pesquisas recentes para descrever as consequências de maus-tratos na vida e no desempenho do estudante de Medicina. Método: Realizou-se uma breve revisão da literatura indexada em seis bases de dados internacionais (PubMed, Scopus, Web of Science, SciELO, PsycINFO e Cochrane Library), em que se categorizaram os descritores em dois grupos: um com os diversos tipos de violência e o outro com a população pesquisada. Resultado: Selecionou-se um total de 20 artigos para este estudo, e todos eles basearam sua metodologia de pesquisa na aplicação de questionários, escalas e/ou entrevistas. Os pontos fortes e fracos das metodologias empregadas nos artigos selecionados foram discutidos, e sugeriu-se o uso da simulação como uma alternativa metodológica. Conclusão: Esta revisão reforça que episódios de maus-tratos entre estudantes de Medicina ainda permanecem frequentes ao longo do tempo e que estão intimamente relacionados com prejuízo na saúde mental e no desempenho do estudante. Os autores recomendam nova abordagem metodológica para que se possam coletar dados relacionados aos efeitos advindos de um ambiente de aprendizagem hostil.

Elaboração de Atividades Profissionais Confiáveis (APCs) em ginecologia e obstetrícia para a graduação médica

PID: S1981-52712021000500201 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Novellino Coelho
Resumo: Introdução: Este artigo traz “Atividades Profissionais Confiáveis” (APCs) na área de ginecologia e obstetrícia elaboradas para a graduação médica a fim de sustentar o processo de ensino-aprendizagem. Objetivo: O objetivo é que o egresso seja competente para atender aos requisitos mínimos necessários ao estudante nesta área. Método: Neste estudo, as APCs foram criadas com base num molde internacional já utilizado e validadas pela técnica Delphi. A estruturação das APCs foi baseada na literatura internacional: “Principais atividades profissionais confiáveis (APCs) para acesso à Residência Médica: Guia para Elaboradores de Currículos” da Associação Americana de Faculdades Médicas (AAMC). O conteúdo dos temas para elaboração de cada APC foi baseado na publicação “Pilares da Obstetrícia e Ginecologia” oriundo da ação conjunta do Conselho de Acreditação de Educação Médica na Graduação (ACGME), Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia (ACOG) e pelo Conselho Americano de Ginecologia e Obstetrícia (ABOG). Resultados: Foram elaboradas treze APCs com temas para o ensino da referida área durante a graduação. Para cada APC, uma lista de verificação foi elaborada de forma a orientar o avaliador e o estudante quanto à execução das tarefas definidas nas APCs. Conclusão: As APCs com as listas de verificação trazem uma proposta inovadora no ensino da ginecologia e obstetrícia na graduação médica, uma vez que facilitam e operacionalizam o aprendizado, o desenvolvimento e a observação da aquisição dos conhecimentos, habilidades e atitudes exigidos na execução de cada tema na área, auxiliando, assim, a formação de um profissional competente. Ao final do curso de medicina, a capacidade de realização de todas as APCs identifica um egresso competente em ginecologia e obstetrícia naquilo que concerne ao médico generalista.

Ensinar competências não técnicas para atendimentos de emergência: percepções de professores médicos

PID: S1981-52712021000100209 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Rey Pereira Rosa Oliveira Fava Lima
Resumo: Introdução: As situações de emergência requerem ações e decisões rápidas por parte do médico, que deve articular competências técnicas, como o conhecimento e as habilidades clínicas, para o diagnóstico, e não técnicas, como a liderança e o trabalho em equipe, para proporcionar a assistência segura. Objetivo: Este estudo teve como objetivo conhecer as percepções dos professores médicos sobre o ensino das competências não técnicas para o atendimento de situações de emergência, no contexto de um curso de graduação em Medicina. Método: Trata-se de pesquisa de abordagem qualitativa, exploratória e descritiva, desenvolvida com 24 professores médicos de um curso de Medicina em fase de implantação. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas, com uso de roteiro semiestruturado, gravadas em áudio, com o consentimento dos participantes. Para análise dos dados, utilizou-se análise temática. Resultados: A análise das entrevistas possibilitou a construção de dois temas: “Ensinar urgência e emergência: uma reprodução de procedimentos” e “A transição de racionalidades no ensino das competências não técnicas para atendimentos de emergência”, com os subtemas, “Competência não técnica: por mais que eu ensine você não vai aprender” e “É possível desenvolver as competências não técnicas”. Conclusões: No grupo estudado, sobressai a visão tecnicista, em que se enfatiza o ensino técnico-procedimental para assistência às situações de emergência. Entretanto, coexistem diferentes concepções de ensinar e aprender, indicando uma transição de racionalidades que perpassa o entendimento dos professores. Ressalta-se a necessidade de propostas de desenvolvimento permanente do corpo docente que possibilitem repensar criticamente as concepções de aprendizagem no campo das emergências, sobretudo no âmbito dos novos cursos de graduação em Medicina.

Escolha da medicina como profissão e perspectiva laboral dos estudantes

PID: S1981-52712021000500213 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Kamijo Lima Pereira Bonamigo
Resumo: Introdução: A medicina é uma profissão de prestígio, e, por isso, embora a concorrência para a admissão seja acirrada e os estudos exijam dedicação e sacrifícios, todos os anos milhares de jovens enfrentam o desafio de se tornarem médicos. Objetivo: Este estudo teve como objetivo descrever as razões pelas quais os acadêmicos de um curso de Medicina escolheram a medicina como profissão e suas preocupações quanto à perspectiva laboral. Método: Trata-se de uma pesquisa quantitativa, descritiva e documental, realizada por meio da aplicação de questionário com questões sociodemográficas e específicas. Resultado: Destacou-se elevada percentagem do gênero feminino, com 63,31% dos participantes. As principais razões de escolha da medicina como profissão foram altruísmo (71,75%), estabilidade financeira (59,42%) e realização pessoal (58,77%). Entretanto, houve diminuição da preferência pelo altruísmo durante o internato (p < 0,01). A maior preocupação após a formação foi “realizar um bom trabalho/ser um bom profissional” (79,87%), e, em relação ao “mercado de trabalho” e à “desvalorização da profissão”, verificou-se aumento da preocupação durante o internato (p < 0,001). A maioria (91,92%) manifestou a intenção de tornar-se médico especialista, sendo mais desejada a especialidade ginecologia e obstetrícia. Em relação à forma de trabalho, 51,3% apontaram que gostariam de trabalhar como profissionais autônomos, 55,52% manifestaram o desejo de ter um emprego público ou particular, e 7,92% mencionaram a atuação como profissionais liberais. A maior dificuldade esperada na profissão foi a concorrência (57,70%), e o requisito mais importante para o exercício profissional foi a “medicina como meio para ser útil ou ajudar pessoas” (98,38%). Sobre os sentimentos experimentados como estudante, os níveis de ansiedade, estresse e sensação de sobrecarga foram elevados, respectivamente 80,52%, 79,55% e 73,38%. Conclusão: No início do curso, existe uma visão mais idealizada da medicina, e, no desenvolver das fases, conforme ocorre o contato com a prática médica, os acadêmicos percebem melhor as dificuldades e aumentam suas preocupações, sobretudo com o mercado de trabalho e a desvalorização da profissão, provocando, em alguns, a diminuição dos ideais humanísticos que motivaram a escolha da profissão, aspecto a ser valorizado pelas escolas de Medicina durante o ensino.

Espiritualidade dos estudantes de Medicina: associações com empatia e atitude na relação médico-paciente

PID: S1981-52712021000200211 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Lacombe Valadares Catani Mendonça Paro Morales
Resumo: Introdução: Na atualidade, considera-se relevante e oportuno estudar os fatores que contribuem para a melhoria das relações interpessoais no contexto da assistência ao paciente e da educação médica. Compreender os preditores em relação à empatia e à atitude do interno de Medicina e do jovem médico é tema em destaque na formação dos profissionais de saúde, no desempenho acadêmico e profissional. A espiritualidade tem sido apontada como tema importante tanto pelos pacientes como pelos estudantes de Medicina, porém ainda pouco abordada nas escolas médicas. Objetivo: O estudo propõe verificar a associação entre o bem-estar relacionado à espiritualidade, à religiosidade e às crenças pessoais do interno e residente de Medicina e a empatia e a atitude na relação médico-paciente. Métodos: Trata-se de um estudo observacional, transversal, de abordagem quantitativa. O questionário WHOQOL-espiritualidade, religiosidade e crenças pessoais, a Escala Jefferson de Empatia e a Escala de Orientação Médico-Paciente foram autoaplicados por 64 estudantes dos últimos anos do curso e 50 residentes de Medicina. Realizaram-se estatística descritiva, correlação de Pearson e regressão linear stepwise para análise dos dados. Resultados: Foram encontradas correlações significativas (p < 0,05), variando de fracas (r = 0,10) a moderadas (r = 0,39). O escore final do WHOQOL-SRPB apresentou efeito sobre o escore global de empatia (R2 = 0,12; p < 0,00; β = 0,35; VIF = 1,00). Sentido da vida apresentou efeito sobre o escore global da atitude centrada no paciente (R2 = 0,14; p < 0,00; β = 0,38; VIF = 1,00). Conclusão: A espiritualidade, a religiosidade e as crenças pessoais foram associadas à atitude centrada no paciente e à empatia dos internos e residentes de Medicina. Em geral, o bem-estar relacionado à espiritualidade foi preditor da empatia, e o sentido da vida, preditor da atitude centrada no paciente. Esses resultados implicam a necessidade de se considerar o bem-estar relacionado à espiritualidade na formação dos internos e residentes para uma melhor qualidade da relação médico-paciente.

Estratégias pedagógicas na educação médica ante os desafios da Covid-19: uma revisão de escopo

PID: S1981-52712021000100302 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Moretti-Pires Campos Tesser Junior Oliveira Junior Turatti Oliveira
Resumo: Introdução: Os desafios à continuidade do processo ensino-aprendizagem universitário ante as medidas de combate à pandemia da Covid-19 tornaram mais importante o debate sobre o uso de tecnologias de informação e comunicação (TIC) no ensino médico. Diversas estratégias foram empregadas no mundo por docentes para a continuidade das atividades pedagógicas. Objetivo: Este estudo teve como objetivo investigar as estratégias e os usos de TIC no ensino médico ante a pandemia de Covid-19. Método: Examinaram-se sistematicamente cinco bases de dados, nas quais se empregaram as expressões e os termos “covid-19”, “ensino médico”, “educação superior” e “estudantes” em português, inglês e espanhol, o que resultou em 321 citações iniciais, com 18 referências finais após a aplicação de critérios de inclusão e exclusão. Resultado: Quatro temas-chave foram identificados na literatura: 1. “Desafios para o ensino médico anteriores à Covid-19”; 2. “Desafios na migração para o ensino a distância”; 3. “Estratégias para a superação de desafios relacionadas ao ambiente de aprendizagem virtual”; e 4. “Estratégias para a superação de desafios relacionadas às avaliações”. Conclusão: No contexto da pandemia de Covid-19, o emprego de TIC no ensino médico se mostrou importantíssimo, pois se encontraram quatro estratégias, entre as quais se destacaram o aprimoramento em áreas em que as TIC já eram utilizadas, a migração de algumas áreas mais articuladas e experiências em disciplinas clínicas e procedurais. Também houve preocupação sobre os impactos do uso de TIC em substituição da presença de estudantes nos ambientes de aprendizagem médicos.
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