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Estudantes de Medicina no enfrentamento da pandemia da Covid-19 no Brasil: reflexões éticas

PID: S1981-52712021000100802 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Freitas Arruda Arruda Feitosa
Resumo: Introdução: Durante pandemias, as incertezas e a falta de evidências permitem que cada país conduza sua resposta da maneira que convencionar mais correta. Esse cenário abre oportunidade também para que medidas sejam aprovadas sem a devida análise ética, pela urgência implicada. Com isso, o objetivo deste estudo é promover uma abordagem hermenêutica das propostas do governo federal do Brasil para a inserção de estudantes de Medicina no combate à coronavirus disease 2019 (Covid-19) a partir de uma perspectiva ética. Desenvolvimento: As resoluções governamentais, publicadas no Diário Oficial da União, foram debatidas à luz da Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos (DUBDH) e do Código de Ética do Estudante de Medicina (CEEM), porque aquela pauta a discussão em uma bioética plural, multi, inter e transdisciplinar e este traz orientações destinadas ao grupo populacional estudado. Para melhor estruturar a discussão, as principais medidas foram subdivididas em três seções: “Sobre a avaliação de risco”; “Sobre a participação dos alunos do quinto e sexto anos”; “Sobre a antecipação de colação de grau”. Na primeira, propôs-se a elaboração de alternativas para sua participação de modo remoto ou sem contato direto com os pacientes, a fim de garantir a integridade dos estudantes e maximizar os efeitos positivos com o mínimo de prejuízos. Em seguida, avaliaram-se a prevista obrigatoriedade de adesão dos alunos dos últimos anos do curso de graduação e a possibilidade de substituição da carga horária do estágio curricular obrigatório pela participação na ação estratégica “O Brasil Conta Comigo”. Por último, questionaram-se a antecipação de formatura e a garantia de que os recém-graduados possuam os conhecimentos e a perícia necessários à profissão médica. Conclusões: Para o combate eficaz à doença, é necessária uma estruturação coletiva das ações adotadas, beneficiando-se das capacidades que os estudantes já oferecem, com respeito às suas limitações, vulnerabilidades e liberdades. Deve-se ressaltar que quaisquer decisões éticas no contexto da medicina e das futuras gerações de profissionais podem ter repercussões inquantificáveis para esses indivíduos, seus pacientes e suas comunidades, devendo-se ter a garantia de que os benefícios serão os melhores e maiores possíveis.

Eureka: um programa de mentoria de alunos de Medicina com engajamento e alta adesão

PID: S1981-52712021000400419 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Secchi Vieira
Resumo: Introdução: A mentoria vem sendo utilizada como instrumento para o desenvolvimento profissional e pessoal de estudantes de medicina. Relatamos a evolução do grupo de mentoria de alunos de graduação em medicina da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), que perdura por longo tempo, com excelente aderência e amplo aproveitamento, e satisfação dos participantes com o processo. Relato de experiência: O programa de mentoria de alunos de medicina da UFGD se iniciou no quinto ano de existência do curso, encontrando-se em contínua atividade por mais de 15 anos. Há três anos, tornou-se projeto de extensão universitária. São realizadas discussões semanais sobre assuntos práticos, morais e éticos relacionados à profissão médica. Os participantes são mentorados por tempo variável, eventualmente até alguns anos após a graduação. A atividade é voluntária para mentora e mentorados. Muito raramente ocorrem faltas aos encontros, e semanalmente os participantes escrevem sobre suas reflexões advindas das sessões de mentoria, recebendo respostas individuais. Também assumem as responsabilidades pela realização operacional das reuniões e pela indicação de novos participantes. Sessões adicionais de mentoria individual são frequentes. Discussão: Programas de mentoria pequenos ou informais, se bem executados, podem ser bem-sucedidos, obtendo resultados positivos significativos, sem custo para as instituições. Os alunos que participam do programa Eureka sentem-se acolhidos e atendidos em suas necessidades de orientação, e se mostram comprometidos e satisfeitos com o processo. Não observamos nesse grupo problemas de assiduidade, de engajamento, nem de falta de feedback. Conclusão: O programa Eureka, com regras de funcionamento claras e constantes, mentoria adequada e alunos bem selecionados, constitui eficiente ferramenta em nossa universidade, contribuindo, assim, para a formação de estudantes e médicos mais motivados, preparados, realizados e úteis à sociedade.

Expansão de vagas e qualidade dos cursos de Medicina no Brasil: “Em que pé estamos?”

PID: S1981-52712021000200205 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Santos Júnior Misael Trindade Filho Wyszomirska Santos Costa
Resumo: Introdução: A educação médica no Brasil vem enfrentando um importante processo de expansão. Essa realidade foi fortemente influenciada por programas e políticas educacionais implementados principalmente nas últimas décadas. Objetivo: O estudo teve como objetivo traçar um panorama da formação e da avaliação dos cursos de graduação em Medicina no contexto nacional. Método: Foi realizada uma pesquisa documental e descritiva, de abordagem quantitativa. O levantamento de dados ocorreu por meio de dados provenientes da Sistemática de Avaliação Nacional da Educação Superior do Ministério da Educação disponibilizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, órgão que coordena e gerencia dados relativos aos processos de regulação, avaliação e supervisão da educação superior no sistema federal de educação. Foram analisados 20 anos de oferta de cursos de Medicina no Brasil (2000-2019). Resultados: No período em estudo, o número de escolas médicas apresentou um crescimento de 214,9%. No total, analisaram-se 337 cursos de graduação em Medicina em atividade vinculados a instituições de ensino superior públicas (35%) e privadas (65%), perfazendo 34.585 vagas anuais ofertadas. Os cursos estão distribuídos nas 27 unidades federativas brasileiras, com maior e menor concentração de vagas e escolas médicas nas Regiões Sudeste e Norte, respectivamente. A média nacional do número de vagas/ano foi de 1.280,9 vagas/ano e da razão vagas/habitantes foi de 16,5 vagas/100 mil habitantes. A maioria dos cursos obteve conceito três nos indicadores de qualidade propostos pelo Ministério da Educação. Conclusão: O ensino da Medicina no Brasil vem passando por importante processo de expansão, e este é fundamentalmente privado e mal distribuído pelo país, e apresenta indicadores de qualidade mínimos para manutenção do seu funcionamento.

Experiência da rápida implementação de serviço pioneiro em telessaúde durante a crise da Covid-19

PID: S1981-52712021000100402 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Freitas Fialho Prado
Resumo: Introdução: Com base em portaria nacional que regulamenta e operacionaliza a telemedicina como uma das medidas de enfrentamento da emergência de saúde pública decorrente da epidemia de Covid-19, firmou-se uma parceria entre a universidade federal e a gestão municipal para a rápida implementação do serviço de telessaúde para Covid-19. Relato de Experiência: Trata-se de relato de experiência do processo de implementação do serviço de telessaúde específico para Covid-19, uma parceria entre academia e serviço. Discussão: O processo de implementação requer dimensionamento da equipe, espaço físico e recursos tecnológicos, treinamento e capacitação contínua da equipe para alinhamento das ações, pactuação e articulação do fluxograma de teleatendimento e telemonitoramento com a rede de saúde local em todos os níveis de atenção, divulgação do serviço para a população, atenção a aspectos éticos e critérios de emissão de documentos, com destaque à apropriação da equipe quanto à abordagem clínica na teleconsulta e no telemonitoramento. Conclusão: A experiência de implementação do serviço Telessaúde Covid em 27 dias relatada neste artigo é passível de replicação por outros municípios como medida de contingenciamento da Covid-19. No relato, destacam-se o número expressivo de atendimentos após dois meses de funcionamento, a missão social da universidade pública e a articulação dela com o sistema de saúde local.

Experiência de estudantes com a literatura na formação médica

PID: S1981-52712021000200209 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Mega Bueno Menegaço Guilhen Pio Vernasque
Resumo: Introdução: As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) de 2014 para o curso de Medicina trazem o ensino das humanidades, entre elas a literatura, como forma de superar o modelo biomédico. A literatura pode fortalecer a compaixão, com o olhar para a alteridade. Parte-se de um currículo organizado por metodologias ativas de ensino-aprendizagem. Objetivo: Este estudo teve como objetivo compreender as experiências dos estudantes de uma faculdade do interior paulista que tiveram contato com textos literários no início da graduação, elaborando um modelo representativo da experiência. Método: Trata-se de pesquisa qualitativa, orientada pela Teoria Fundamentada nos Dados (TFD). A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas semi-estruturadas, com estudantes, sorteados, de todas as séries do curso de Medicina, tendo como critério para inclusão a participação em grupos conduzidos por professora que fez uso de literatura como estratégia educacional. Houve realização de 12 entrevistas, transcritas e codificadas. A amostragem se deu por saturação teórica. Resultados: Foram geradas as seguintes categorias: 1. “Importância da literatura e das artes em geral na formação médica, visando ao rompimento do modelo biomédico e à potencialização tanto da empatia quanto da humanização do cuidado na relação médico-paciente”; 2. “Refletindo sobre o uso de ferramentas artísticas para o aprendizado de conteúdos técnicos/práticos da medicina, assim como para proporcionar a mudança de habilidades e conhecimentos psicossociais”; 3. “Refletindo acerca de uma possível sistematização curricular considerando as metodologias ativas e outras formas artísticas, e comparando grupos/séries da graduação que tiveram ou não contato com essas ferramentas”; 4. “Possibilitando a lembrança dos contos ou das discussões fomentados nos primeiros anos da graduação, associando ao interesse pessoal do estudante pela atividade e promovendo a integração dos conhecimentos adquiridos na prática médica”. A partir das categorias, foi possível elaborar o modelo representativo da experiência que remete à satisfação dos estudantes com a literatura na formação médica, potencializando a humanização do cuidado, porém sinaliza-se a necessidade de homogeneização curricular para organização da atividade e oportunidade da aprendizagem para outros estudantes. Conclusões: O modelo compreende a noção de que a literatura potencializa a humanização da atenção e é capaz de romper com o modelo biomédico. A potencialidade do estudo tem seu alcance na proposição de estratégias à comunidade e gestão acadêmica, para fortalecimento da humanização na perspectiva curricular da formação médica.

Experiência de mentoria na residência médica: desafios e vivências

PID: S1981-52712021000300401 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Lopes Filho Azevedo Augusto Silveira Costa Alves
Resumo: Introdução: A residência médica representa um momento desafiador, com elevado nível de exigência e necessidade de desenvolvimento de inúmeras competências pessoais e profissionais. Com base nisso, implantou-se, em abril de 2019, um programa de mentoria inédito para 30 residentes de clínica médica, buscando oferecer suporte pessoal e estimular desenvolvimento profissional. Relato de experiência: O programa de mentoria foi estruturado em abril de 2019, com 30 residentes de clínica médica e seis mentores com experiência em preceptoria clínica. Com duração de 11 meses, o programa abordou temas não usualmente discutidos na formação desses especialistas, como profissionalismo, empatia, burnout e qualidade de vida, gestão de tempo, gestão de conflitos e role-model. Os encontros ocorriam mensalmente, com local definido pelo grupo. Após o fim da atividade, foi realizada pesquisa de opinião utilizando questionário padronizado com respostas em escala Likert para avaliação de relevância dos temas discutidos e impacto na prática dos médicos residentes. Obtiveram-se 90% de respostas, nas quais se destacou a relevância dos temas burnout e qualidade de vida e empatia. Dos residentes, 96,3% afirmaram que as discussões mudaram a forma deles de pensar e agir profissionalmente. Destacaram que o mentoring “abria a mente acerca de diversidade de opiniões, permitindo crescimento pessoal e profissional” e que “Gerir o tempo, conflitos, burnout estão presentes no nosso dia a dia e também fazem parte da medicina que praticamos”, pontuando dificuldade de consenso entre os membros do grupo para definição do horário e dia a ser realizada a reunião. A atividade demonstrou avaliação positiva dos mentorados. Discussão: Na formação de um médico residente, o programa de mentoria melhora a autoconfiança e promove um impacto positivo na carreira profissional apesar das dificuldades enfrentadas. A mentoria funciona ainda como suporte psicossocial, pois cria-se um livre acesso entre residente e preceptor, o que culmina, na nossa avaliação, em uma excelente relação entre mentores e mentorados. Conclusão: No Ceará, o programa de mentoring para os residentes de clínica médica foi inédito. Houve efeito positivo, em que temas importantes foram discutidos com mais profundidade, com maior crescimento pessoal e profissional. Os autores sugerem que o mentoring seja mantido e incluído como atividade essencial no currículo dos programas de residência médica.

Experiência no ensino de patologia em tempos de pandemia

PID: S1981-52712021000500403 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Pereira Bernardi Pozzan
Resumo: Introdução: A patologia é uma disciplina básica que exerce o link entre ciclos básicos e clínico-cirúrgicos. A partir do início de 2020, com a pandemia provocada pela síndrome respiratória aguda grave do coronavírus 2 (severe acute respiratory syndrome coronavirus 2 - Sars-CoV-2) e a implantação do ensino remoto emergencial (ERE), o curso de patologia em nossa instituição sofreu alterações e adaptações. O presente trabalho tem como objetivos relatar as atividades desenvolvidas em nossa faculdade para o ensino da patologia geral, dentro do contexto do ERE, e discutir como parte dessas estratégias poderá ser incorporada após o término da pandemia. Relato de experiência: Para o ensino das alterações macroscópicas, utilizamos discussões com peças cirúrgicas filmadas, enquanto as alterações microscópicas foram desenvolvidas no chamado “Projeto Atlas”. Discussão: Nosso projeto foi bem dinâmico com grande aceitação por parte dos alunos que tiveram atitudes mais proativas, principalmente em relação ao estudo dos casos de microscopia. As estratégias também se prestaram muito bem como forma de avaliação formativa. Conclusão: Muitas das estratégias que têm sido desenvolvidas por diferentes grupos de professores neste momento da pandemia trouxeram alternativas muito interessantes que devem ser incorporadas ao curso mesmo quando ele voltar a ser presencial. Peças filmadas contemplaram o estudo da macroscopia durante esse período de restrições e podem ser incorporadas à rotina presencial, intercalando com as técnicas utilizadas anteriormente. Já o “Projeto Atlas” foi uma experiência positiva, ressaltando o papel do aluno como protagonista do seu processo de ensino/aprendizagem e o trabalho em pequenos grupos como pontos principais.

Fatores associados à escolha da segunda especialidade entre concluintes da residência em clínica médica

PID: S1981-52712021000500208 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Alves Leite Filgueira
Resumo: Introdução: Após a residência em clínica médica, a maioria dos concluintes opta por se submeter a um novo processo seletivo para obter uma segunda especialidade. O fenômeno da especialização precoce é incentivado já na graduação. Apesar disso, a demanda por médicos generalistas está em crescimento. Objetivo: Este estudo teve como objetivo investigar os fatores que levam o clínico recém-formado a realizar uma nova residência. Método: Trata-se de um estudo transversal que analisou as respostas dos concluintes do Programa de Residência Médica em Clínica Médica (PRM-CM) realizado em 2020 no estado de Pernambuco. Os concluintes do PRM-CM, por meio de um questionário disponibilizado de forma on-line pelo Google Forms, responderam a perguntas sobre aspectos sociais, a graduação, a residência médica e intenções para a carreira futura. Resultado: Dos 104 participantes possíveis, houve 81 respostas (77,88%). Desse total final, 66,67% eram do sexo feminino, 69,14% tinham se graduado em universidades públicas, e 50,62% já haviam iniciado o PRM-CM logo após a graduação. Quanto à escolha de especialidade, 51,85% responderam ter decidido no segundo ano de residência, e 80,25% afirmaram ter se submetido ao processo seletivo para a segunda especialidade logo após o PRM-CM. A carreira mais escolhida foi cardiologia (20%). Os fatores mais associados à escolha de especialidade foram, de acordo com as médias na escala de Likert, “trabalho em ambiente ambulatorial”, “acompanhamento de pacientes por longo período” e “mais contato com pacientes”. Conclusão: Até onde se pôde investigar na literatura, este é o primeiro estudo brasileiro a abordar as escolhas de especialidade após o PRM-CM. Foi possível identificar os motivos mais importantes para escolher uma segunda especialidade entre os concluintes desse PRM em Pernambuco, em 2020. Mais estudos são necessários para tecer correlações entre os fatores de escolha com a especialidade escolhida.

Fatores associados à intenção de carreira na atenção primária à saúde entre estudantes de Medicina

PID: S1981-52712021000300209 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Miranda Santos Pertile Costa Caldeira Barbosa
Resumo: Introdução: A reorganização da assistência à saúde a partir da criação do Sistema Único de Saúde (SUS) tem sido orientada por uma proposta de expansão e fortalecimento da atenção primária à saúde (APS). Nesse cenário, a escassez de profissionais capacitados é considerado um dos principais desafios para a consolidação da APS. Dentre as possibilidades de carreira após a conclusão da graduação, a maioria dos médicos optam por buscar especialidades focais para atuar em outros níveis de atenção. Objetivo: Assim, este artigo, de natureza quantitativa, se propõe a analisar a prevalência e os fatores associados ao interesse de estudantes de Medicina em seguir carreira na APS. Método: Foi realizado um estudo transversal, com estudantes de Medicina dos dois últimos anos do curso, em quatro escolas médicas do estado de Minas Gerais, no Brasil. Participaram 524 estudantes que responderam a um questionário autoaplicado, elaborado pelos autores, com questões que incluíam os perfis sociodemográfico e econômico do estudante, a interação com a APS ao longo curso, a intenção de carreira e o desejo de cursar Residência em Medicina de Família e Comunidade (RMFC). Resultado: Os resultados evidenciaram que 26,3% dos entrevistados referiram interesse em seguir carreira na APS, percentual mais alto que o registrado em estudos anteriores. Quanto ao fato de a APS ser uma opção de trabalho temporária, 79,3% dos participantes referiram que pretendem atuar nesse campo após o término da graduação. Dez por cento dos estudantes informaram que pretendem cursar RMFC. Entre os fatores associados à intenção de atuar na APS, destaca-se a vivência de uma experiência exitosa na APS ao longo da graduação. Conclusão: Os resultados devem ser considerados por gestores da área da saúde e da educação médica, fomentando estratégias que propiciem experiências exitosas na APS, com maior incentivo à integração ensino-serviço e à inserção de estudantes, ao longo da graduação, em uma rede de APS fortalecida. Iniciativas como ampliação de carga horária na APS durante a graduação, aumento do número de professores especialistas em MFC e qualificação da rede de saúde dos municípios onde essas instituições de ensino superior estão inseridas podem ser potentes no sentido de aumentar o interesse dos formandos de atuar na APS.

Fatores associados à qualidade de vida dos estudantes de medicina no interior do Nordeste brasileiro

PID: S1981-52712021000300222 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Santos Segundo Barreto Santos Azevedo Sousa
Resumo: Introdução: A atual política de interiorização da educação médica mundial e a aplicação de métodos ativos, bem como a falta de consenso sobre os fatores associados à qualidade de vida dos estudantes de Medicina, são conhecidos temas de discussão na literatura médica. Objetivo: Tendo em vista a escassez de análise sobre o assunto, este estudo teve como objetivo avaliar a qualidade de vida entre os estudantes de Medicina de uma universidade do interior do Nordeste brasileiro. Método: Trata-se de um estudo transversal, desenvolvido de março a maio de 2018. Utilizou-se o questionário WHOQOL-bref para avaliar a qualidade de vida, e os dados foram relacionados a características sociodemográficas, dados antropométricos e estilo de vida. Analisaram-se os dados por meio de estatística descritiva, e, em seguida, fez-se a análise bivariada com teste para comparação das médias dos escores, a fim de identificar possíveis variáveis associadas aos domínios investigados. Realizou-se regressão logística binária para identificar possíveis fatores associados à pior qualidade de vida nos domínios investigados. A análise estatística estimou IC 95% e valor de p < 0,05. Resultado: O presente estudo caracterizou a qualidade de vida dos estudantes de Medicina e identificou como principais fatores associados à má qualidade de vida: ser do sexo feminino, cursar anos pré-clínicos, ser fumante, ter peso normal classificado pelo índice de massa corporal e apresentar uma avaliação negativa da própria saúde e da qualidade de vida. Os resultados também evidenciaram que a maioria dos estudantes apresentou uma avaliação negativa nos domínios físico, psicológico e meio ambiente, em contraste com o domínio relações sociais, ao qual a maioria atribuiu uma avaliação positiva. Conclusão: Os achados permitem discutir acerca de medidas voltadas a lidar com fatores que prejudicam a qualidade de vida de alunos de escolas de Medicina em regiões remotas e rurais.

Fatores por trás do burnout crescente em estudantes de medicina. Os critérios são tão importantes?

PID: S1981-52712021000200203 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Vale Paiva Medeiros Gomes Bezerra Bachur Castro
Resumo: Introdução: A saúde mental dos estudantes de medicina tem sido uma preocupação para a comunidade científica, especialmente como resultado da epidemia de comorbidades mentais que se tornaram comuns entre os vários grupos sociais da sociedade moderna. Objetivos: Este estudo teve como objetivos avaliar a prevalência de burnout em estudantes do primeiro ao quarto ano de um curso de Medicina e comparar as diferentes classificações de critério diagnóstico da síndrome. Métodos: Um total de 511 estudantes de três universidades brasileiras responderam a dois instrumentos validados para avaliar burnout e qualidade de vida, e a um questionário elaborado pelos autores para avaliar dados sociodemográficos e hábitos. Resultados: Houve prevalência de 31,1% de burnout tridimensional, 37% de burnout bidimensional e 44,8% de burnout unidimensional. Constatou-se um maior nível de exaustão no grupo com burnout bidimensional, em comparação ao grupo unidimensional, e verificou-se um maior nível de cinismo naqueles com burnout tridimensional, em comparação ao bidimensional. As variáveis que apresentaram correlação com a síndrome foram as mesmas nos três critérios analisados. Os domínios psicológico e físico foram os mais afetados na qualidade de vida dos escolares com burnout. A exaustão emocional foi a dimensão que apresentou correlações mais fortes com três dos quatro domínios analisados no instrumento WHOQOL-BREF. Conclusão: Observaram-se prejuízos nas diversas áreas relacionadas à qualidade de vida dos alunos. Questionamos se o uso do Maslach Burnout Inventory, por meio da abordagem tridimensional, realmente é o critério ideal a ser utilizado na triagem do burnout.

Fluxo do esgotamento: interrogando o processo de produção do tempo/cansaço no internato médico

PID: S1981-52712021000100207 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Oliveira Hasse Teixeira
Resumo: Introdução: A síndrome de burnout causa repercussão com impactos individuais, sociais e econômicos. A tríade que representa a síndrome acomete milhões de trabalhadores pelo mundo, incluindo os trabalhadores da área da saúde e, entre eles, os médicos. Pesquisas apontam um incremento das taxas de burnout entre médicos e residentes, mas pouco se fala sobre a síndrome em estudantes de Medicina. Objetivo: Ao observarmos o adoecimento constante de estudantes, identificamos a necessidade de compreender mecanismos que possam ser considerados disparadores. Assim, investigamos a percepção dos estudantes de Medicina que cursam o estágio supervisionado sobre a síndrome de burnout e a autoidentificação dos sintomas. Método: Realizamos pesquisa qualitativa do tipo estudo de caso utilizando grupo focal como ferramenta metodológica. Participaram desta pesquisa 22 internos divididos em três grupos focais. As falas foram analisadas segundo a análise de conteúdo. Resultados: Dessas análises e de suas inferências, delinearam-se quatro categorias: “(Con)fusão de papéis: o processo de deixar de ser estudante”; “Uma síndrome (in)visível: a banalização do sofrimento”; “Tornar-se médico: forjado no sofrimento”; “(Des)identificação: efeitos de um processo nada fácil”. Conclusão: Os estudantes desconheciam a síndrome e não foram capazes de reconhecer os sintomas dela durante a formação. O achado significativo apontou para a sobrecarga relacionada à falta de tempo e como esta gera um processo de sofrimento nos estudantes. Acredita-se, portanto, que o processo de ensino precisa ser repensado para que os estudantes possam, de fato, aprender e apreender todos os significados que a universidade tem potencialmente a lhes oferecer.

Formação humanística em medicina por meio da dança em hospital: percepções de alunos

PID: S1981-52712021000100211 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Lisboa Ciccone Kadekaru Rios
Resumo: Introdução: a humanização está relacionada à empatia, acolhimento, e comunicação efetiva, fazendo parte da formação médica. Pela sua natureza, a humanização requer métodos que mobilizem afetos e estimulem pensamento crítico, justificando o uso das artes como ferramenta de ensino. Vasta literatura mostra os benefícios das artes no ensino médico, entretanto ainda há poucos estudos sobre a dança, objeto deste artigo, em que apresentamos uma pesquisa conduzida por estudantes de medicina, cujo objetivo foi investigar a dança em hospital no ensino de humanização, na perspectiva dos estudantes. Método: desenhou-se uma pesquisa qualitativa do tipo pesquisa-ação, na qual alunos de medicina executaram coreografias para pacientes, acompanhantes e funcionários em três diferentes enfermarias do hospital-escola. A ação consistiu em ciclos contínuos de planejamento das intervenções, realização, observação, reflexão e replanejamento das ações subsequentes, de forma sistematizada e controlada pelas pesquisadoras. A produção de dados se deu por observação direta, narrativas e grupo focal. Os dados foram analisados pelos métodos de análise de conteúdo e temática. Resultados: durante três meses, 17 alunas e 7 alunos entre 18 e 24 anos de idade realizaram a ação, produzindo dados posteriormente classificados em 3 categorias temáticas: 1. Dimensão do afeto: conteúdos de caráter emocional do aluno; 2. Dimensão do cuidado: conteúdos sobre cuidar do paciente; 3. Dimensão da dança: conteúdos sobre dança na formação humanista em medicina. Na triangulação das técnicas, verificou-se que alegria, ansiedade, e percepção da dança como instrumento de criação de vínculo foram expressivas. A vivência da mudança dos lugares socialmente marcados para o estudante e o paciente fez com que o aluno enfrentasse e superasse sentimentos diversos. A dança permitiu o refinamento do olhar e da capacidade de compreender o outro, levando em conta perspectivas convergentes ou divergentes às suas próprias convicções. Por outro lado, os alunos vivenciaram ansiedade e alegria de um encontro consigo mesmo, percebendo a dança como atividade prazerosa e promotora da humanização. Conclusão: A dança no hospital provocou vivências e reflexões que estimularam o autoconhecimento, favoreceram a relação estudante-paciente, trouxeram elementos para entender o uso da dança em medicina, especialmente para o ensino da empatia e do cuidado humanizado.

Formação médica na atenção primária à saúde: percepção de estudantes

PID: S1981-52712021000300206 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Fassina Mendes Pezzato
Resumo: Introdução: A implantação das Diretrizes Curriculares Nacionais da graduação em Medicina de 2001 e 2014 provocou movimentos de mudanças na formação médica proporcionadas pela integração ensino-serviço na atenção primária à saúde (APS) desde os anos iniciais do curso e colocou em análise uma formação que se propõe ser generalista, crítica e reflexiva. Objetivo: Este estudo teve como objetivo identificar as contribuições que a interação ensino-serviço pode oferecer para a produção de um espaço de aprendizagem significativa, tendo como cenário uma unidade de saúde da família. Método: Trata-se de estudo de abordagem qualitativa com realização de rodas de conversas, nas quais participaram estudantes do primeiro, terceiro e quinto períodos do curso de Medicina, a fim de analisar as impressões deles do início, meio e término da disciplina. Foi utilizada a análise de conteúdo para a sistematização e avaliação dos dados obtidos. Resultado: Os ciclos pedagógicos foram considerados como oportunidades de aprendizagem, os portfólios reflexivos não atenderam aos objetivos de avaliação formativa, e a inserção nas práticas possibilitou conhecer as especificidades e a complementaridade das profissões, além da importância do trabalho em equipe. A visita domiciliar (VD) foi valorizada, no entanto carece de objetivos claros a fim de que cumpra seu papel de desenvolver a habilidade comunicacional, o acolhimento das demandas e a responsabilização do cuidado. Conclusão: A inserção precoce de estudantes da graduação em Medicina na atenção primária oportuniza experiências de aprendizagem significativa e potencializa o uso articulado e processual de ferramentas como a VD e o portfólio. Embora as políticas favoreçam a integração ensino-serviço-comunidade, provocar movimentos instituintes nos modelos hegemonicamente consolidados, colocando a APS na centralidade do processo, ainda é um grande desafio a ser enfrentado.

Four Corners: uma estratégia educacional para o ensino de infectologia para estudantes de Medicina

PID: S1981-52712021000300403 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Henriques Almeida Gryschek Avelino-Silva
Resumo: Introdução: Uma extensa literatura demonstra os benefícios do ensino ativo na educação médica e a necessidade de atualização das metodologias de ensino. As estratégias de aprendizagem ativa consolidam o conhecimento teórico e estimulam as habilidades conceituais do aluno. No entanto, reformar a prática pedagógica é desafiador. Existem diversas estratégias de aprendizagem ativa que sugerem uma adaptação do formato de entrega do conteúdo, de modo a adequá-las a diversos contextos. Neste artigo, discutimos a experiência da aplicação da técnica Four Corners no ensino de doenças infecciosas em nossa instituição. Relato de experiência: A estratégia Four Corners foi implementada da seguinte maneira: 1. preparação: os estudantes recebem material de estudo para análise prévia; 2. preparação da sala: cada um dos quatro cantos recebe cartelas com os casos clínicos escolhidos; 3. divisão de tarefas: as tarefas são divididas entre os estudantes; 4. atividade: os estudantes leem e discutem cada um dos casos propostos com mínima interferência do moderador; 5. finalização: discussão final com todos os participantes liderados pelo moderador. A duração de toda a tarefa varia de duas horas e meia a três horas. Discussão: O processo educacional emerge da experiência do aprendiz. Muitos professores do ensino superior acreditam que promovem o pensamento crítico por meio do ensino ativo em suas aulas, entretanto a porcentagem dos que aplicam essas técnicas ainda é baixa. Existe uma ampla variedade de técnicas ativas de ensino, e muitas delas se adaptam a diferentes cenários. A técnica Four Corners é uma estratégia de aprendizagem ativa que promove debate e troca de conceitos entre os estudantes. Conclusão: Este relato de experiência descreve uma estratégia de aprendizagem ativa para o ensino de doenças infecciosas para estudantes de Medicina. O aprimoramento da educação médica passa por entender o papel do professor como mediador do processo de aprendizagem. Propor novas estratégias de ensino é desafiador e requer ajustes frequentes. A estratégia Four Corners melhora o envolvimento do aluno com o processo de aprendizagem e é eficiente para compreender um conteúdo teórico extenso em um tempo de discussão relativamente curto.

Graduação antecipada do curso de medicina durante a pandemia de COVID-19: avaliação preliminar

PID: S1981-52712021000200212 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Almeida Weihermann Marques Fachin Fraiz Pimentel
Resumo: Introdução: O atual surto do novo coronavírus ou Sars-CoV-2, causador da Covid-19, foi relatado pela primeira vez à Organização Mundial da Saúde, pela China, em 31 de dezembro de 2019, sendo declarada pandemia em 11 de março de 2020. Quanto ao espectro clínico da infecção pelo Sars-CoV-2, ele é amplo, variando de quadro assintomático, doença leve do trato respiratório superior, a pneumonia viral grave com insuficiência respiratória e morte. Com uma chance de apresentação clínica grave próxima a 25%, a infecção pelo Sars-CoV-2 pode levar à sobrecarga dos serviços de saúde e aumentar a demanda tanto por recursos materiais como humanos. Para aumentar a disponibilidade de profissionais da área da saúde envolvidos diretamente no atendimento durante a pandemia, o Ministério da Educação autorizou a antecipação da formatura para estudantes de várias áreas da saúde, incluindo Medicina. Objetivo: O objetivo do presente artigo é realizar uma avaliação preliminar do impacto da antecipação da graduação para os formandos de Medicina durante a pandemia de Covid-19. Método: Trata-se de estudo observacional e transversal realizado por meio da aplicação de questionário com 13 perguntas: em cinco, utilizou-se escala Likert de avaliação; em seis, adotou-se o formato de múltipla escolha; e duas foram descritivas. O questionário foi enviado, via Formulário Google, a alunos de Medicina das universidades de Curitiba, no Paraná, formados no primeiro semestre de 2020, que anteciparam a outorga de grau em razão da pandemia de Covid-19. Resultados: Responderam ao questionário 113 formandos, dos quais 101 relataram que já atuam como médicos. Destes, 63,36% afirmaram que estão trabalhando diretamente no atendimento de casos de Covid-19. Sobre a importância da antecipação da outorga de grau, a maioria dos participantes concorda totalmente ou concorda, e apenas três participantes discordam totalmente. Mais da metade dos entrevistados não se sentem prejudicados com a antecipação da outorga de grau. Contudo, 43,3% acreditam que deixaram de adquirir informações importantes em sua formação. Por fim, quanto ao fato de trabalharem na pandemia, 79,6% consideram importante a atuação de médicos recém-formados no combate à Covid-19. Conclusão: Este estudo mostra que, a princípio, os esforços para a antecipação de formatura foram bem-sucedidos, já que os novos médicos estão contribuindo para aliviar a pressão imposta pela falta de profissionais e promover um melhor cuidado aos pacientes durante a pandemia.

Gênero, sexualidade e educação médica: vivências em uma escola federal que utiliza metodologias ativas de aprendizagem

PID: S1981-52712021000500222 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Oliveira Aquilante Moretti-Pires Sampaio
Resumo: Introdução: A sexualidade se caracteriza como dispositivo de poder, e a medicina tem importante papel como uma das principais instituições de ação. A educação médica tende a ratificar o discurso heteronormativo e diagnosticar os padrões desviantes como patologia. Pauta-se na categorização binária dos indivíduos como implicação de sua sexualidade. O curso de Medicina investigado assume a proposta metodológica da espiral construtivista, que procura garantir o protagonismo dos estudantes, assim como dialoga com seus conhecimentos prévios, apostando no conceito de aprendizagem significativa. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar as experiências dos estudantes no desenvolvimento do perfil de competência relacionado a gênero e sexualidade durante o curso de Medicina. Método: Trata-se de pesquisa qualitativa utilizando grupos focais com estudantes do sexto ano do curso. Resultado: O estudo aponta para a percepção dos estudantes sobre a importância das metodologias ativas, bem como sobre a inserção precoce nos campos de prática. No entanto, a temática sobre gênero e sexualidade precisa estar proposta no elenco de disparadores para o uso da espiral construtivista. Conclusão: As metodologias ativas de ensino-aprendizagem podem se configurar como estratégia contra-hegemônica ante o dispositivo da sexualidade na garantia de biopoder, na medida em que haja reorientação desses conteúdos no currículo.

Hermenêutica ontológica aplicada à semiologia médica: por que os discentes de Medicina devem estudar Heidegger

PID: S1981-52712021000200802 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Takeuchi
Resumo: Introdução: Devido à complexidade da atual abordagem médica, várias áreas temáticas que não lhe são específicas devem ser de seu entendimento, como a hermenêutica. Durante os últimos séculos, essa linha filosófica participou de diversas mudanças de paradigmas, os quais só puderam ser de fato superados a partir do século XX, principalmente com a obra Ser e tempo, de Martin Heidegger. Desenvolvimento: Foi realizado um ensaio acerca de algumas implicações da obra Ser e tempo para as práticas de ensino-aprendizagem semiológica. Nota-se que o entendimento fenomenológico pode contribuir para ensino-aprendizagem para além dos domínios cognitivos ao abordar: o que é semiologia, o que é a fala, como a antropologia interage com a medicina, o que é “empatia” e de como lidar com a “morte”. Destaca-se o potencial dessa abordagem para o fornecimento de perspectivas propriamente mais humanas, o que, na prática médica, deve ser transmitido nas atividades de ensino-aprendizagem. Conclusão: Apesar de não prover resoluções, tal discussão aponta o campo da hermenêutica fenomenológica como de possível interesse para o desenvolvimento profissional.

Implantação de mentoria on-line em uma faculdade de medicina durante a pandemia da Covid-19

PID: S1981-52712021000400422 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Serra Bteshe Bedirian Belz Franco Oliveira
Resumo: Introdução: Com a interrupção das aulas presenciais nas escolas médicas ocasionada pela pandemia da doença pelo novo coronavírus, verificou-se que os alunos ingressantes no primeiro ano de Medicina de uma faculdade pública brasileira apresentavam maior vulnerabilidade social e psicológica devido aos vínculos pouco consolidados com colegas e com o ambiente acadêmico. Observou-se que os fatores de estresse relacionados às adaptações ao contexto universitário se intensificaram, tornando essa turma prioritária para o desenvolvimento de intervenções emergenciais de suporte e acolhimento. Este trabalho relata um projeto-piloto de mentoria entre professores e alunos em ambiente virtual, visando à sua posterior institucionalização como atividade regular. Descreve etapas de implantação, desenvolvimento, resultados iniciais e perspectivas. Relato de experiência: Foi desenvolvida uma mentoria on-line entre alunos e professores, em que utilizou a dinâmica de grupos de reflexão como estratégia metodológica. Por meio de redes sociais e reuniões on-line, alunos e professores foram convidados a participar do projeto, que contou com seis docentes, um preceptor e 29 alunos, além da equipe coordenadora. Realizou-se uma capacitação on-line de professores com conteúdos teóricos e simulações, objetivando delimitar o papel deles, os objetivos, o enquadre e as especificidades de uma mentoria remota. A avaliação final da atividade foi feita por professores e alunos. Discussão: As medidas de distanciamento social evidenciaram a necessidade de oferecer oportunidades de aprendizagem e de convívio mediadas por plataformas digitais. Comprovou-se a adesão de alunos e professores à mentoria na modalidade on-line, e observou-se a sua potencialidade para fomentar uma relação aluno-professor baseada na troca de ideias, reflexão e suporte social. Constatou-se também um incremento da motivação para a adesão ao curso. Conclusão: A mentoria on-line proporcionou benefícios aos participantes, corroborando resultados de experiências no modelo tradicional presencial, e instigou a realização de pesquisas que aprofundem a investigação sobre a sua eficácia e relevância para a formação médica.

Implantação de um programa de mentoria remoto para estudantes de Medicina em tempo de pandemia

PID: S1981-52712021000400412 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Mazutti Roncati Martins
Resumo: Introdução: Programas de mentoria são necessários para apoio ao estudante de Medicina e podem ter diversos objetivos, dependendo das instituições que os implementam, embora ainda não sejam uma realidade na maioria das universidades. Durante a pandemia da Covid-19, encontros presenciais foram impedidos, o que dificultou ainda mais a manutenção desses programas, apesar de ser um dos momentos de maior necessidade emocional para os alunos. Ajustaram-se as aulas, e os encontros foram transformados em remotos, e, dessa forma, a mentoria on-line passou a ser uma realidade. Relato de experiência: Apoiado pelo Núcleo de Apoio Psicopedagógico dos Estudantes de Medicina (Napem), foi estruturado um programa de mentoria em pequenos grupos, formados por docentes, discentes mais experientes (comentores) e mentorados (alunos do primeiro ao terceiro ano) com reuniões realizadas de forma remota, o que permitiu a participação dos estudantes, a interação com eles e o acolhimento desse público. As reuniões aconteceram entre junho e dezembro de 2020. O programa contou com a participação de 13 mentores, 94 alunos mentorados e 24 comentores. O programa teve uma sessão de treinamento com mentores e comentores, que foi conduzida pela psicóloga do Napem para alinhamento de expectativas e orientações. As discussões nos grupos focaram dificuldades na vida acadêmica, profissional e pessoal. Discussão: O modelo remoto de mentoria apresenta como pontos fortes a maior flexibilidade para mentores e mentorados, a facilidade de participação de ambos e a manutenção da conexão do grupo, pois os encontros são facilitados pela tecnologia, visto que não houve nenhuma desistência. Como ponto fraco dessa experiência, citamos a falta de análises quantitativas e qualitativas do programa utilizando, por exemplo, entrevistas ou questionários de forma científica para avaliar melhor os resultados. Conclusão: A mentoria remota é útil e deve ser incluída como uma possibilidade de legado permanente para os cursos de Medicina, pois os encontros mostraram-se relevantes para mentores e mentorados, e mantiveram-se com alta adesão durante todo o programa.
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