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Mentoria é uma arte, não um ofício

PID: S1981-52712021000400401 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Teixeira
Resumo: Introdução: Programas de mentoria têm se mostrado estratégias para o aprimoramento da formação dos futuros médicos, com alcance em aspectos pouco contemplados nos currículos formais. Este relato discute a experiência docente do exercício da mentoria para uma turma de graduação em Medicina, durante o período de seis anos (de 2014 a 2020). Relato de experiência: As ações da mentoria foram planejadas semestralmente, em reuniões entre mentor e mentorados. As temáticas elegíveis foram escolhidas por meio de tempestade de ideias para convergir nas principais demandas coletivas. Abordaram-se os seguintes assuntos: visão do paciente ante a interação com estudantes das profissões da saúde, futuro dos médicos recém-formados, matriz de competências essenciais para a formação do médico, entre outros. Utilizaram-se mais frequentemente as seguintes ferramentas: rodas de conversa, atividades baseadas em metodologias ativas em pequenos e grandes grupos, encontros informais com a turma, encontros individuais, e espaços formais e informais de tecnologia da informação. As ações foram realizadas, ao longo dos seis anos, pelo mesmo docente, o que permitiu a construção e consolidação do vínculo entre mentor e mentorados. Discussão: Assim, a mentoria se configurou como uma potente estratégia, conduzida com flexibilidade para permear as necessidades dos educandos, direcionando-as para o desenvolvimento individual e coletivo de profissionalismo. Entre os ganhos paralelos, destaca-se o estímulo ao desenvolvimento docente, condição que exigiu receptividade à interação e reconhecimento dos saberes dos aprendizes. Conclusão: Por meio desta experiência, foi possível compreender que a essência da mentoria está relacionada ao vínculo e ao preparo de seres humanos para lidar com seres humanos, independentemente do papel social que estejam ocupando.

Mentoria: vantagens e desafios da educação on-line durante a pandemia da Covid-19

PID: S1981-52712021000400414 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Alcântara Murta Souza Molinari-Gomes
Resumo: Introdução: A mentoria é uma importante estratégia de ensino em cursos de graduação e no treinamento profissional, especialmente no momento em que o mundo vivencia a pandemia da Covid-19. Essa estratégia possibilita aprendizado dinâmico e coletivo, ao mesmo tempo que minimiza os impactos sociais e emocionais gerados pela pandemia, sem comprometer o isolamento físico. Relato de experiência: A experiência dos alunos da UFMG com a mentoria nos formatos presencial (realizada em 2019) e virtual (durante a pandemia de 2020) demonstrou que, apesar de a modalidade virtual ter aspectos negativos, as vantagens são superiores. O aspecto mais vantajoso elencado por todos os mentorandos foi a possibilidade de discutir temas que iam além do aprendizado da medicina, como uma forma de preparação prática para a vida profissional. Discussão: A mentoria é uma estratégia singular de grande importância na educação médica. O formato misto, composto por reuniões virtuais e presenciais, foi considerado o melhor modelo para sua aplicação. Conclusão: Acreditamos que o presente relato estimulará outras instituições a adotar disciplinas no formato de mentoria, além da utilização do recurso remoto como estratégia de ensino.

Metodologias ativas de aprendizagem: práticas no ensino da Saúde Coletiva para alunos de Medicina

PID: S1981-52712021000300402 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Assunção
Resumo: Introdução: Combinados à cultura geracional dos alunos a conclamar novos desafios para as escolas médicas, estão as reformas do modelo assistencial e os novos padrões de adoecimento. Essas transformações justificaram movimentos nos anos 1990 para reorganizar o ensino médico. Paralelamente, inovações no campo educacional foram alimentadas, entre outros referenciais, na teoria sociocultural. A interseção educação, pedagogia e psicologia alimentou o reconhecimento de três dimensões do processo de aprendizagem humana: plano interpsíquico, ou seja, compartilhamento entre indivíduos; mediações de objetos e imagens, ou seja, a semiótica; e o plano intrapsíquico que é relativo à internalização do conhecimento construído. Os avanços teóricos e as tecnologias instrucionais impulsionaram a aplicação de metodologias ativas de aprendizagem, que têm sido contrastadas ao modelo tradicional da aula expositiva nas escolas médicas. Relato de experiência: Este relato apresenta experiências docentes no desenvolvimento e na aplicação de metodologias ativas de aprendizagem no ensino da Saúde Coletiva para alunos de Medicina. Discussão: Baseando-se na experiência de adequação do modelo pedagógico da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, três métodos foram discutidos: elaboração de projetos, sala de aula invertida e instrução por colegas, bem como os seus fundamentos pedagógicos. Examinaram-se a coerência entre valores da atual geração de alunos, as mudanças de paradigma na prestação dos serviços de saúde e as práticas de inovações pedagógicas combinadas ao emprego das tecnologias da informação e comunicação (TIC) nos projetos de ensino. A sala de aula invertida e a instrução por colegas apoiadas pelas TIC conferiram um novo formato à sala de aula, de maneira a tornar a aprendizagem mais significativa. Hesitações recorrentes por parte dos alunos foram interpretadas como tensões entre a passividade em que se encontram no modelo tradicional e a chamada para maior implicação quando são utilizadas as metodologias ativas de aprendizagem. Foi requerido trabalho docente intenso para fazer a transposição didática. Deficiências das habilidades comunicacionais do professor devem ser superadas. Conclusão: O uso de metodologias ativas de aprendizagem, além de coerente com a cultura dessa geração de alunos, contribui, de maneira significativa, para o desenvolvimento de competências centrais na formação do aluno de Medicina. Para o futuro próximo, serão imprescindíveis avaliação sistemática da proposta e mais recursos tecnológicos.

Modelo de oficinas de qualificação em Aprendizagem Baseada em Equipes com docentes de Medicina

PID: S1981-52712021000200221 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Albuquerque Botelho Caldato
Resumo: Introdução: A Aprendizagem Baseada em Equipes (ABE) tem se mostrado, em todo o mundo, uma ferramenta pedagógica promissora nas mais diversas realidades, ao estimular o autoaprendizado do aluno e potencializar a habilidade de trabalhar em equipe. Todavia, são escassos os estudos que envolvam a qualificação de docentes para a prática dessas atividades. Objetivo: Dessa forma, o presente estudo objetivou relatar um modelo de oficina de qualificação docente em ABE e a avaliação feita pelos participantes acerca da metodologia empregada, com docentes do curso de Medicina de uma instituição privada de ensino superior de Belém, no Pará. Método: Trata-se de uma pesquisa-ação intervencionista realizada por meio de questionários elaborados pelos próprios dos autores para avaliar a satisfação, as críticas e as recomendações dos docentes acerca das oficinas propostas. Resultados: Percebeu-se que 81,2% dos participantes atribuíram “satisfação máxima” às oficinas e os demais as classificaram como “satisfatórias”. Dessa forma, houve aprovação da técnica empregada por todos os docentes. Quando indagados sobre os pontos negativos nas oficinas, os mais citados foram: horários e dias escolhidos (18,7%); pouco tempo para estudo individual (15,6%); deslocamento, carga horária extensa e falhas no convite para inscrição nas oficinas (12,5%). Quando questionados sobre os pontos positivos, os mais citados foram: utilizar a própria ABE para ensinar ABE (93,7%); qualidade dos artigos escolhidos para estudo prévio (87,5%); e alta aplicabilidade prática (81,2%). Por fim, 93,7% dos participantes referiram se sentir confiantes para conduzir atividades de ABE em suas práticas diárias. Conclusão: Os participantes demonstraram boa aceitação e satisfação com relação à metodologia empregada nas oficinas, permitindo assim que possam aplicar essa estratégia de ensino com maior segurança e assertividade em suas rotinas diárias. Espera-se que este trabalho possa contribuir para a aprendizagem sobre essa estratégia educacional e descomplicar e tornar acessível a sua aplicação, para assim estimular docentes e instituições não familiarizados com a ABE a introduzir essa valiosa ferramenta em suas matrizes pedagógicas.

Motivação acadêmica de estudantes de Medicina: uma análise na perspectiva da Teoria da Autodeterminação

PID: S1981-52712021000200219 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Cadête Filho Peixoto Moura
Resumo: Introdução: Os princípios da Teoria da Autodeterminação são pertinentes para a educação profissional, na medida em que a diferenciação e expressão dos tipos primários de motivação têm implicações para os múltiplos desfechos da aprendizagem. Objetivo: Este estudo teve como objetivos avaliar a motivação acadêmica em estudantes do quarto ano de Medicina em duas instituições de ensino e discutir os resultados na perspectiva da Teoria da Autodeterminação. Método: Trata-se de estudo transversal e quantitativo conduzido por questionário autorrespondido contendo 18 questões sociodemográficas e a Escala de Motivação Acadêmica (EMA). A amostra foi constituída por 147 estudantes do quarto ano de Medicina de escolas com metodologias de ensino distintas: 73 estudantes da instituição A (aprendizagem baseada em problemas - ABP) e 74 estudantes da instituição B (tradicional). Conduziu-se uma análise univariada em que se utilizaram os testes t de Student, a Análise de Variância (ANOVA), o teste qui-quadrado e a correlação de Pearson. Posteriormente, fez-se uma análise de regressão linear múltipla. Resultados: Observou-se um perfil moderado de motivação intrínseca (MI) e extrínseca (ME) na amostra de estudantes, com médias de MI superiores às da ME. Níveis elevados de MI foram observados nos domínios de motivação para realização e para o saber, sendo o prazer de ampliar conhecimentos e o aumento da competência profissional os fatores que mais impactaram positivamente a motivação. Na MI, o fator com menor pontuação foi a universidade como local de prazer. A ME foi relacionada ao desejo de ter uma boa vida no futuro, incluindo remuneração. Observou-se que as variáveis sexo feminino, idade menor que 23 anos, morar sozinho, ter feito o curso todo na mesma instituição e a escola com metodologia ABP influenciaram de forma positiva na motivação. Conclusão: Os estudantes demonstraram níveis de MI superiores à da ME, com menor pontuação atribuída à universidade como local de prazer. Esse fato apresenta uma oportunidade para estudos futuros, que poderão verificar os fatores do ambiente escolar que se relacionam à motivação em aprender dos estudantes. A ME foi associada às expectativas futuras de vida. Conhecer as variáveis que caracterizam a autorregulação da aprendizagem é fundamental para embasar estratégias de ensino que contribuam para a melhoria do processo de ensino-aprendizagem.

Negociações (im)possíveis: a preceptoria e os desafios na relação entre ensino e serviço

PID: S1981-52712021000500220 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Borges Hasse Silva Machado Teixeira
Resumo: Introdução: O curso de Medicina da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) foi criado em 1954. Em 2011, ocorreu a inclusão dos estágios supervisionados em medicina geral e comunitária I e II no internato, que inseriu os estudantes na rede de serviços da atenção básica do município, processo marcado por conflitos e limitações. Visando solucionar os impasses criados, a UFTM contratou, por meio de concurso público, preceptores de medicina de família e comunidade para atuar na rede municipal. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar o arranjo institucional proposto para otimizar a relação ensino-serviço nos estágios supervisionados da área de medicina de família e comunidade, a partir da percepção de docentes e preceptores do Departamento de Saúde Coletiva que atuam na atenção primária. Método: Trata-se de estudo de caso apoiado em pesquisa documental e entrevistas realizadas com três docentes e três preceptores do curso de Medicina de uma instituição pública. Resultado: A análise temática revelou três núcleos que foram agrupados nas categorias “contexto difícil”, “desencontro de expectativas” e “fios soltos”. O “contexto difícil” exigia a negociação e o deslocamento de poder entre as instituições e seus agentes. A (con)fusão entre os papéis de docente e preceptor produziu “desencontro de expectativas”. Em “fios soltos”, a lacuna entre a universidade e a rede municipal parece intransponível e reiterada a partir do concurso. Conclusão: A realização do concurso e a contratação de preceptores não foram suficientes para superar os desafios da articulação entre a universidade e a rede municipal de saúde. A pesquisa demonstra que não existe caminho simples para a integração ensino-serviço e que a interdependência dos atores aponta para o desafio e a necessidade da construção de agendas e espaços de decisão coletivos.

Nomofobia entre discentes de medicina e sua associação com depressão, ansiedade, estresse e rendimento acadêmico

PID: S1981-52712021000300218 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Kubrusly Silva Vasconcelos Leite Santos Rocha
Resumo: Introdução: À medida que o mundo se torna cada vez mais interconectado, a adoção de tecnologia continua sendo um dos fatores definidores do progresso humano. A nomofobia representa uma condição mental causada pelo medo de ficar sem celular. Tal condição está diretamente associada à depressão, à ansiedade e ao estresse. Ainda, a nomofobia pode levar a danos cerebrais estruturais. Objetivo: O presente estudo visa conhecer o efeito da nomofobia nos estudantes de Medicina de uma faculdade privada e sua associação com depressão, ansiedade, estresse e rendimento acadêmico. Método: Trata-se de um estudo observacional de corte transversal, do qual participaram estudantes do curso de Medicina do Centro Universitário Christus. O distúrbio foi mensurado por meio do Questionário sobre Nomofobia (NMP-Q). Esse instrumento tem 20 questões, todas baseadas na escala do tipo Likert de 7 pontos, a qual foi validada para o português brasileiro. A depressão, a ansiedade e o estresse foram mensurados pelo instrumento DASS-21, uma versão simplificada da DASS. Validou-se também o questionário DASS-21 para o português brasileiro. O rendimento acadêmico foi mensurado por meio do IRA, fruto de uma complexa operação matemática que resulta em uma nota média do aluno no semestre e funciona como um índice de referência para o acompanhamento pedagógico na faculdade estudada. Além disso, estudaram-se os hábitos de uso do dispositivo. Apresentaram-se os resultados descritivos, e realizaram-se análises bivariadas de associação e correlação. Esse estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa. Resultado: Obteve-se uma amostra de 292 estudantes. Praticamente todos os alunos (99,7%) apresentaram algum grau de nomofobia, e 64,5% demonstraram nível moderado ou grave de nomofobia. Mais de 50% dos estudantes apresentaram graus superiores ao nível leve de estresse, e 19,5% e 11,2% dos estudantes manifestaram ansiedade e depressão graves ou muito graves, respectivamente. Quando se analisou a correlação dos escores no NMP-Q com os escores da DASS-21, observou-se que aumentos nessa pontuação levam à elevação do escore geral da DASS (p < 0,001) e que piores resultados na DASS-21 estão associados ao pior IRA. Conclusão: Nosso estudo sugere que a nomofobia pode provavelmente aumentar a ansiedade, o estresse e a depressão, e, como consequência, levar uma baixa do rendimento acadêmico.

Nível de conhecimento sobre suporte básico de vida entre formandos da área de saúde

PID: S1981-52712021000200214 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Pelek Ferreira Silva-Junior Müller
Resumo: Introdução: O Suporte Básico de Vida (SBV) refere-se aos procedimentos que devem ser realizados em situações de parada cardiorrespiratória ou obstrução de via aérea, e, por isso, os acadêmicos e profissionais de saúde devem estar altamente capacitados para realização. Objetivo: Determinar o nível de conhecimento sobre SBV e os fatores associados entre formandos dos cursos da área de saúde de uma universidade pública. Método: Trata-se de um estudo transversal realizado com formandos de Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Medicina e Odontologia da Universidade Estadual de Ponta Grossa. A coleta de dados foi realizada em 2019, no último mês de integralização curricular, por um pesquisador treinado com uso de questionário autoaplicado contendo dados sociodemográficas, formação profissional, autoconhecimento percebido e um instrumento validado de SBV. Houve associação entre o desfecho “conhecimento dos formandos” dicotomizado em alto (≥ 70% de acerto) ou baixo nível (< 70% de acerto) e as variáveis independentes (sociodemográficas, formação profissional e autoconhecimento percebido) e realização de regressão logística binária e multinomial (p < 0,05). Resultados: Participaram do estudo 191 formandos, sendo 85,6% do universo eleito. Um total de 30 participantes (15,7%) apresentaram alto nível de conhecimento em SBV, sendo formandos do curso de Enfermagem (n = 12) e Medicina (n = 18). Enquanto 35,3% dos formandos de Enfermagem e 46,2% de Medicina apresentaram alto nível de conhecimento sobre SBV, não houve nenhum formando de Educação Física (0,0%), Farmácia (0,0%) e Odontologia (0,0%). Na análise bruta, o baixo nível de conhecimento foi associado com menor idade (OR = 2,75; IC95%: 1,22-6,21), não se sentir seguro para realizar o SBV (OR = 3,12; IC95%: 1,38-7,01) e não ter disciplina na graduação (OR = 18,35; IC95%: 2,44-138,1). Na análise ajustada, manteve-se não ter disciplina na graduação (OR = 13,41; IC95%: 1,74-103,12). Conclusão: A maioria dos formandos apresentou baixo nível de conhecimento sobre SBV, e apenas formandos em Medicina e Enfermagem demonstraram alto nível de conhecimento. Após ajuste, não ter realizado disciplina sobre a temática foi associado ao menor conhecimento sobre SBV.

O Programa de Mentoring da PUC Minas: relato de experiência

PID: S1981-52712021000400409 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Silveira Guimarães Nunes Generoso
Resumo: Introdução: O artigo visa relatar a experiência do Programa de Mentoring do curso de Medicina da PUC Minas em Betim, em Minas Gerais, destacando algumas concepções, desafios e potencialidades do percurso de quase uma década. O ato educativo é um estímulo à emancipação do ser humano e às suas potencialidades, e os programas de mentoring representam um potente catalisador desse processo. Relato de experiência: O Programa de Mentoring da PUC Minas é uma atividade obrigatória, que oferece ao discente um espaço de acolhimento, reflexão e cuidado por meio da referência de um professor mentor. Com horas de dedicação, o mentor acompanha uma turma ao longo do curso, estabelecendo encontros regulares com a turma inteira - no início e final do semestre - e frequentes com grupos menores no decorrer do semestre. Encontros individuais acontecem conforme a demanda do acadêmico. Nos encontros, discutem-se temas referentes ao cotidiano das instituições de saúde e aos desafios enfrentados por elas, de modo a promover o desenvolvimento da identidade médica. Ao mentor cabe atentar aos impasses que se colocam no processo de formação, especialmente sobre a saúde mental dos alunos. Discussão: No percurso do Programa de Mentoring da PUC Minas, percebem-se sua consolidação na instituição, seu papel na formação dos alunos e o aprendizado dos mentores. Observa-se que não basta apenas formalizar um programa, mas também é necessário disseminar uma cultura de cuidado coerente com os princípios do projeto pedagógico do curso, as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina e as necessidades do campo da saúde coletiva. Encontra-se aí o desafio de sustentar no perfil do egresso um profissional capacitado tecnicamente e em condições de cuidar de si e daquele que acolhe. Conclusão: Com a implementação do Programa de Mentoring, percebe-se a criação, na instituição, da cultura de mentoring, refletido nas relações entre alunos e professores, possibilitando uma formação que contemple, além dos aspectos técnicos, a essência do cuidado.

O aprender a aprender na Educação Médica: reflexões a partir de aportes da Teoria Histórico-Cultural

PID: S1981-52712021000300803 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Machado Schroeder
Resumo: Introdução: O termo aprender a aprender, inicialmente desenvolvido como contraponto à Escola Tradicional, visando uma maior emancipação dos estudantes em relação à construção do conhecimento em sala de aula, assim como um incentivo à democracia e autonomia civil destes, passou a ser utilizado, de forma recorrente, como slogan neoliberal nas escolas médicas. Incorporado pelo mercado como sinônimo do termo norte-americano “do it yourself” (faça você mesmo), o conceito de aprender a aprender tornou-se significado de um construtivismo naturalista, partindo do princípio de que os estudantes constroem seus próprios conceitos, habilidades e valores de forma adequada e satisfatória. Desenvolvimento: Na Educação Médica, em especial, o termo aprender a aprender figura como proposta pedagógico-metodológica de forma recorrente. Convém salientar que a presença do termo, por si só, não deve ser concebida como danosa à Educação Médica, mas, sim, o contexto pedagógico em que se encontra inserido. Há, portanto, um esvaziamento do papel docente, enquanto regulador, da relação estabelecida entre o estudante e o mundo. Apresentamos três premissas teóricas, a partir da perspectiva histórico-cultural, para refletir e problematizar a natureza e os significados associados ao slogan “aprender a aprender”, com foco sobre a aprendizagem e o desenvolvimento do estudante, destacando a importância do médico-docente neste processo. Conclusão: Tanto a atividade de ensino como a de estudo necessitam se transformar em atividades conscientes por parte dos seus protagonistas, atentando-se à unidade criação de significado/aprendizagem conduzindo ao desenvolvimento, como princípio dialético central e como condição indispensável para o que compreendemos como desenvolvimento humano. Somente na atividade torna-se visível a universalidade do sujeito humano e a constituição da personalidade (médica). Deste modo, asseveramos que os médicos-docentes são fundamentais para que os estudantes de Medicina possam ser orientados a atuar nos termos da superação e mudança.

O ensino da prática médica no internato em tempo de pandemia: aprendizados e impactos emocionais

PID: S1981-52712021000500211 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Andrade Coelho Bachur Bezerra Almeida Branco
Resumo: Introdução: Diante da pandemia ocasionada pelo vírus Sars-CoV-2, diversos profissionais da saúde depararam-se com novos desafios. Estudantes internos de Medicina também se encontram imersos nesse cenário e foram afetados no desempenho de seus papéis. Consiste este trabalho na observação dos aspectos físicos e psíquicos dos estudantes de Medicina que estão no período do internato nessa conjuntura. Objetivo: Desse modo, objetivou-se identificar os aprendizados e os impactos emocionais que os internos estão vivenciando no início de suas inserções no Sistema Único de Saúde diante da pandemia. Método: Para tanto, realizou-se uma análise qualitativa das narrativas de 37 internos de Medicina da Universidade Estadual do Ceará (23 do sexo masculino e 14 do sexo feminino), com média de idade de 25,5 anos, que responderam a um questionário eletrônico que lhes fora enviado como estratégia para auxiliar a coordenação do curso a organizar o internato no contexto pandêmico. Resultado: A relação dos internos com preceptores de Medicina foi destacada como causadora de sofrimento psíquico e carente de aprendizado antes e durante a pandemia. Observou-se a presença constante de sentimentos ambivalentes. Muitos dos internos de Medicina desejavam ajudar reconhecendo a importância de sua contribuição neste momento complexo da saúde no país. Todavia, alguns se sentiam inseguros com a situação crítica decorrente da pandemia, com receios acerca da segurança pessoal e familiar dos internos. Uma das razões pontuada foi a escassez de equipamentos de proteção individual (EPI). Conclusão: Vários internos ressaltaram o interesse em continuar o internato, e, por isso, é fundamental que os EPI estejam disponíveis para uso dos alunos. Diante do contexto de pandemia ou não, é imprescindível que o relacionamento entre preceptores e internos seja mais pedagógico e proporcione aprendizado aos estudantes. A apresentação desta experiência pode servir como recurso para a compreensão de cenários semelhantes, auxiliando a iluminar as relações do internato de Medicina que precisam passar por melhorias contínuas, quer em tempos de pandemia ou não, para favorecer a busca contínua por uma formação acadêmica de qualidade.

O ensino do exame de fundo de olho: vivências e percepções de estudantes de medicina

PID: S1981-52712021000200223 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Oliveira Domingues Almeida Sobrinho Argentino Silva Ferreira Júnior
Resumo: Introdução: O ensino médico vem passando por transformações nas últimas décadas. Objetivos educacionais tendem a se alterar com os avanços tecnológicos recentes, em especial na área de tecnologias de informação. Objetivo: Esta pesquisa aborda o exame do fundo de olho explorando e analisando as dificuldades dos estudantes de Medicina na execução desse componente do exame clínico e busca propor diretrizes para seu ensino na graduação médica. Métodos: Trata-se de uma pesquisa qualitativa com técnicas de observação direta e entrevistas com análise de conteúdo em uma população de estudantes do internato da Universidade do Estado do Pará (Uepa), na cidade de Marabá. Na avaliação de conteúdo utilizaram-se recursos do programa livre de análise de texto Iramuteq. Resultados: Dos 21 estudantes voluntários participantes da pesquisa, apenas dois relataram experiência anterior com oftalmoscópio direto (9,52%) e um aluno havia participado de campanha com uso de dispositivo portátil para registro da imagem do fundo de olho (4,8%). As atividades da pesquisa incluiram discussão de casos clínicos, realização de oftalmoscopias diretas em pacientes voluntários e análise de retinografias. Na análise dos textos correspondentes às entrevistas foram categorizadas quatro classes geradas pelo programa Iramuteq, realçando-se o valor da integração de teoria e prática no depoimento dos alunos. Conclusão: Programas de treinamento com integração de teoria e prática e valendo-se de princípios de aprendizagem significativa podem contribuir para prover competência ao estudante de Medicina para o exame de fundo de olho, adequando-se ao surgimento de novas tecnologias.

O impacto da mentoria no desenvolvimento pessoal e profissional de diferentes turmas

PID: S1981-52712021000400420 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Vargens Wollmann Yamada Herzog Pinto Zelmanowicz
Resumo: Introdução: O programa de mentoria da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) teve início em 2016, sendo ofertado de maneira eletiva. Seus objetivos são: orientação para o futuro profissional, apoio institucional formal, suporte emocional e compartilhamento de experiências durante a formação médica. Relato de experiência: Os encontros foram conduzidos de modo não diretivo com temáticas predefinidas - escolhidas pelo mentor e pelos alunos. Os assuntos abordam tanto o desenvolvimento profissional do estudante quanto o pessoal, assim como a saúde mental dele. Vivência profissional, currículos formais e informais, sobrecarga e rendimento acadêmico foram alguns dos tópicos principais. Por meio dos relatos, foi possível perceber que os grupos reduzidos permitiram àqueles alunos que não se sentiam confortáveis para desenvolver algum assunto no currículo formal pudessem abrir-se e discutir temas relacionados ao curso. Discussão: Notou-se uma mudança na postura de alguns alunos diante do curso e de momentos de lazer, valorizando tempo com a família, exercício físico e hobbies. Os encontros permitiram elucidar dúvidas sobre residência e carreira médica, assim como ajudaram os alunos a se reconectar com o curso. Conclusão: O programa de mentoria da UFCSPA mostrou-se efetivo ao oportunizar reflexão sobre as vivências pessoais e o projeto profissional, e estimular a autonomia do pensamento crítico.

O significado do feedback: um olhar de estudantes de medicina

PID: S1981-52712021000300228 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Pricinote Pereira Costa Fernandes
Resumo: Introdução: O processo ensino-aprendizagem em saúde envolve um binômio: por um lado, o ensino (o docente e a instituição) e, por outro, o aluno e sua capacidade de interagir adequadamente nesse contexto. Assim como o ensinar demanda competências específicas, o aprender também exige dos alunos a capacidade de dominar as habilidades necessárias à aprendizagem. O feedback também deve ser entendido nesse sentido. Apesar de o feedback ser um tema frequente na literatura, poucas pesquisas abordam o seu significado e impacto na perspectiva dos discentes. Além disso, existe uma lacuna entre a literatura e a prática sobre o seu poder real no processo de ensino-aprendizagem. Objetivo: Este estudo objetivou avaliar a compreensão de feedback por alunos de cursos de Medicina. Método: Trata-se de uma pesquisa qualitativa com enfoque descritivo e exploratório, na modalidade de estudo de caso, com a utilização da técnica de grupo focal na coleta de dados e análise de conteúdo temática. Os participantes foram discentes do quarto ano ou oitavo período de três faculdades de Medicina localizadas no estado de Goiás. Resultado: As seguintes categorias emergiram: compreensão de feedback, frequência do feedback recebido, impacto dele no processo de ensino-aprendizagem e percepção sobre o feedback recebido. Os alunos compreenderam parcialmente o conceito de feedback, mas não reconheceram o feedback interno. Foi relatada uma baixa frequência de feedback e de sua relação com o professor, a disciplina e o tempo no curso relacionado ao tipo de currículo. Mesmo assim, os estudantes reconheceram os pontos impactantes do feedback no processo de ensino-aprendizagem, estando receptivos ao feedback efetivo. Conclusão: Embora conhecessem apenas parcialmente o significado de feedback e o vivenciassem de forma irregular, os estudantes de Medicina reconheceram o impacto dessa ferramenta no processo ensino-aprendizagem. Num contexto de alunos capacitados em conhecer sobre seu próprio conhecimento, verdadeiramente os emponderando no processo de ensino-aprendizagem, eles desenvolverão uma prática reflexiva constante de gerar o feedback interno, possibilitando que o impacto real do feedback no processo de ensino-aprendizado possa ser observado na prática conforme descrito na literatura.

O uso de metodologias ativas de ensino-aprendizagem em pediatria: uma revisão narrativa

PID: S1981-52712021000200301 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Faria Amaral
Resumo: Introdução: O modelo tradicional de ensino médico possui uma ideia biocêntrica dos problemas de saúde, hipervalorizando os aspectos biológicos do paciente, sem considerar os demais aspectos envolvidos no processo saúde-doença. Esse método é centrado no professor, e o aluno atua como receptor passivo do conhecimento. Em contrapartida, nas metodologias ativas, o estudante possui papel ativo no processo de ensino-aprendizagem, construindo um conhecimento crítico e reflexivo. Objetivo: Este estudo teve como objetivos analisar a importância das metodologias ativas no ensino de Pediatria I do curso de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e propor adaptações que permitam a aplicação dessas metodologias no período de ensino remoto emergencial (ERE). Método: Trata-se de uma revisão narrativa, com dados obtidos de forma independente pelos autores, por meio de busca abrangente e não sistemática no PubMed e na SciELO. Primeiro, realizaram-se a busca e a análise de dados das principais metodologias ativas, e, posteriormente, os achados foram aplicados à disciplina de Pediatria I do curso de Medicina da UFMG, incluindo suas adaptações para a implementação no ERE. Resultados: Analisaram-se a problematização, a aprendizagem baseada em problemas e o fishbowl como recursos didáticos das metodologias ativas. Esses métodos reforçam a curiosidade, a autonomia, a motivação e as capacidades crítica e reflexiva do aluno. Ademais, promovem integração entre teoria e prática, incentivo do trabalho em equipe e estímulo para o estudante se conscientizar sobre os problemas sociais existentes. Conclusão: Assim, o uso das metodologias ativas no ensino em Pediatria I possibilita alcançar os objetivos da disciplina, tanto no modo presencial quanto no ERE, e atingir as expectativas das diretrizes brasileiras sobre a formação médica.

O uso de tecnologias de informação e comunicação por estudantes de medicina

PID: S1981-52712021000500209 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Pereira Santos Caldas
Resumo: Introdução: O tema central deste estudo é a avaliação do uso de tecnologias de informação e comunicação (TIC) pelos discentes do curso de Medicina, uma vez que, nos dias atuais, tal relação tornou-se indissociável da formação e da prática médica. Objetivo: Este estudo teve como objetivo caracterizar o perfil de utilização de TIC entre os acadêmicos, de modo a identificar quais são as mais adotadas, os possíveis estímulos e as principais barreiras ao seu uso. Método: Foi realizado um estudo observacional e transversal por meio da aplicação de um formulário eletrônico, do qual participaram discentes do primeiro ao 12º período da graduação. Resultado: Entre os 216 participantes, notou-se uma predominância do sexo feminino (60,6%), na faixa etária entre 20 e 24 anos (65,3%) e com renda familiar inferior a três salários mínimos (36,1%). O principal dispositivo utilizado pelos participantes foi o smartphone (68,1%). Quanto às TIC, os estudantes apontaram preferência por aplicativos de mensagens de texto (99,5%) e navegadores de internet (96,8%), enquanto aplicativos de medicamentos (48,1%) e calculadoras especializadas (31%) foram significativamente menos utilizados. De acordo com participantes do estudo, a possibilidade de comunicação a distância é o principal benefício das TIC. Com relação aos possíveis problemas, predominou o quesito segurança. Conclusão: O uso das tecnologias pelos acadêmicos é bastante frequente e variado, porém há a necessidade de treinamento deliberado de docentes e discentes para maior aproveitamento das tecnologias disponíveis.

OSCE 3D: uma ferramenta virtual de avaliação de habilidades clínicas para tempos de pandemia de coronavírus

PID: S1981-52712021000200220 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Faria Perdigão Marçal Kubrusly Peixoto Peixoto Junior
Resumo: Introdução: Em tempos de pandemia em que a “estratégia de bloqueio” tem sido adotada, é imprescindível a utilização de inovações utilizando recursos tecnológicos como a criação de instrumentos que possam substituir os métodos tradicionais de ensino-aprendizagem na formação dos profissionais de saúde. Objetivo: o objetivo deste estudo foi desenvolver e avaliar a usabilidade de um sistema computacional de simulação interativa realista utilizando tecnologia de imagem tridimensional e realidade virtual com ferramentas computacionais de acesso livre disponíveis na web. Métodos: o desenvolvimento de um protótipo (OSCE 3D) baseou-se nas etapas utilizadas para a construção de um software de simulação de um “Serious Game”. Foi utilizada a versão de acesso livre da plataforma Unity Editor 3D (Unity Technologies, versão 2018) para o desenvolvimento de jogos educacionais, software GNU Image Manipulation Program (GIMP, versão 2.10.12), Blender (versão 2.79) e MakeHuman (versão 1.1 .1) para criar texturas e modelos de construção de ambientes 3D. Uma fase experimental para avaliação da usabilidade foi realizada por meio de um questionário baseado na Escala de Usabilidade de Sistema. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição e todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Resultados: um total de 39 alunos de graduação do 6º semestre de uma universidade privada do Nordeste do Brasil participaram voluntariamente da avaliação do OSCE 3D. A avaliação de usabilidade resultou em pontuação média de 75,4 com margem de erro de 3,2, sendo esta considerada uma boa usabilidade de acordo com a literatura. Conclusões: este trabalho permitiu o desenvolvimento de um protótipo de baixo custo, utilizando um sistema de simulação realista tridimensional para avaliação de habilidades clínicas. Este produto, ainda em fase de protótipo, apresentou boa usabilidade.

Os efeitos do mindfulness na percepção dos estudantes de medicina de uma universidade brasileira

PID: S1981-52712021000200201 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Silveira Fabrizzi Hamilko Stefanello Santos
Resumo: Introdução: Sob a perspectiva do cuidado em saúde do estudante, o bem-estar mental desempenha forte influência na qualidade de vida e, consequentemente, na performance acadêmica e profissional. Programas baseados na atenção plena focam o desenvolvimento de habilidades de gerenciamento de estresse, sendo estratégias eficazes para melhorar o manejo da saúde mental. Ademais, esses programas se mostram reproduzíveis e com a característica de serem realizados em grupo. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar a percepção sobre um programa de prática meditativa oferecido a estudantes de Medicina com o enfoque nas estratégias apreendidas a partir dessa experiência. Método: Este estudo foi realizado na Universidade Federal do Paraná, por meio da aplicação de um protocolo preexistente de mindfulness adaptado para a realidade dos estudantes de graduação. Trata-se de um estudo de metodologia qualitativa que avaliou os impactos trazidos pela meditação e as implicações efetivas na vida dos participantes do programa. Resultados: Significativas mudanças foram relatadas pelos participantes, como um autocuidado maior, melhora na organização pessoal e maior compreensão de suas emoções. Apontaram a estratégia como ponto de apoio importante para enfrentamento das dificuldades diárias que encontravam no curso. Tais aspectos perduraram nos discursos dos participantes mesmo após seis meses da intervenção. Apesar dessa melhora, os alunos não incorporaram a meditação em si como um hábito diário. Conclusões: Na perspectiva de uma abordagem em grupo, além dos efeitos positivos, a prática se mostrou barata e de fácil reprodução. Por se tratar de uma prática com diversos protocolos estabelecidos e bem estudados, poderia se tornar uma inestimável ferramenta de apoio à saúde mental dos estudantes.

PalliComp: um instrumento para avaliar a aquisição de competências em cuidados paliativos

PID: S1981-52712021000300204 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Guirro Perini Siqueira
Resumo: Introdução: Os cuidados paliativos fazem parte da atividade profissional do médico generalista e devem ser ensinados durante a graduação. A European Association for Palliative Care descreveu as dez competências centrais em cuidados paliativos, e é necessário avaliar a aquisição delas durante a graduação dos profissionais de saúde. Não existiam instrumentos para avaliar a aquisição das competências. Objetivo: Este estudo teve como objetivos desenvolver e validar um instrumento denominado PalliComp para avaliar a aquisição de competências em cuidados paliativos entre estudantes de Medicina. Método: Trata-se de estudo transversal de validação de instrumento de pesquisa, em que os autores desenvolveram 30 afirmativas baseadas nas competências e as submeteram à avaliação de médicos especialistas e docentes brasileiros por meio de etapas da metodologia Delphi, com critérios previamente estabelecidos (qualidade da redação, adequação do conteúdo à competência e qualidade geral do item). Os especialistas atribuíram notas e puderam apontar correções para cada item. A aprovação ocorreria quando as notas médias ultrapassassem 70%. Após a aprovação, aplicou-se o instrumento em uma amostra de estudantes de Medicina matriculados no oitavo semestre. Com vistas à validação, os dados foram avaliados por meio dos testes esfericidade de Bartlett, Kaiser-Meyer-Olkin (KMO) e coeficiente de alfa de Cronbach. Resultado: Dos 33 médicos especialistas e docentes localizados no país, 24 aceitaram participar da avaliação do conteúdo. A aprovação ocorreu na quarta rodada da metodologia Delphi. Das 30 afirmativas inicialmente desenvolvidas, restaram 24 na versão final do instrumento. Dos 80 estudantes matriculados, 71 responderam ao PalliComp. O estudo estatístico mostrou que se tratava de uma matriz de identidade com correlação adequada (teste de Bartlett p < 0,001), padrões de correlação relativamente compactos e pouco dispersos (KMO = 0,63), e consistência interna (coeficiente alfa de Cronbach = 0,73). Conclusão: Foi possível desenvolver e validar o instrumento PalliComp para avaliar a aquisição de competências em cuidados paliativos entre os estudantes de Medicina.

Pandemia: vivências de médicos da atenção primária à saúde e de mestrandos em Saúde da Família

PID: S1981-52712021000200213 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Correia Taveira Silva Machado Azevedo Souza
Resumo: Introdução: A Covid-19 trouxe uma série de desafios para o Sistema Único de Saúde. Na atenção primária à saúde (APS), tais desafios se somam aos já existentes. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar a vivência de enfrentamento da pandemia de Covid-19 entre médicos do Programa Mais Médicos Brasil, mestrandos em Saúde da Família e atuantes na APS. Método: Trata-se de estudo qualitativo envolvendo oito médicos da APS de Alagoas que cursam o Mestrado Profissional em Saúde da Família (PROFSAÚDE). Foram elaboradas cinco questões, cujas respostas foram analisadas com base na teoria de Análise de Conteúdo. Resultado: Observaram-se três categorias e quatro subcategorias: categoria 1 - “Processo de estudo e de trabalho” (subcategoria 1.1 - “Características do PROFSAÚDE” - e subcategoria 1.2 - “Estratégias pessoais desenvolvidas”), categoria 2 - “Desafios no gerenciamento da vida” (subcategoria 2.1 - “Mudanças no cotidiano” - e subcategoria 2.2 - “Impacto nas emoções”) e categoria 3 - “Crescimento pessoal e profissional”. Conclusão: Em tempos de pandemia, os profissionais médicos vivenciam situações complexas e dinâmicas em razão de um duplo e acumulativo processo - o trabalho na APS e a condição de mestrando. Apesar de todas as dificuldades enfrentadas, o mestrado possibilitou o aprimoramento das habilidades em lidar com situações críticas.
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