☰ Menu
Educ@

Busca por Índice

Filtro por título, resumo, autor, periódico e ano

Total: 41435 | Página 603 de 2072
0 resultados selecionados

Pelo buraco da fechadura - estudo etnográfico de um grupo de mentoria na escola médica

PID: S1981-52712021000400204 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Spina Bellodi
Resumo: Introdução: Programas de mentoria vêm sendo reconhecidos por seus benefícios e estão sendo implementados em muitas escolas médicas. No entanto, poucos estudos têm enfocado a compreensão da relação de mentoria em si. Como a relação de mentoria se desenvolve, em tempo real, no cotidiano de uma escola médica? Objetivo: Neste estudo, buscamos observar as interações entre uma mentora e seu grupo de alunos de diferentes anos em seu ambiente natural. Método: Utilizando uma metodologia qualitativa etnográfica, um grupo de mentoria foi acompanhado por meio de observação participante durante um ano. Ao final do período de observação, realizou-se um grupo focal para validar as notas de campo. A análise temática de conteúdo orientou nossa organização e interpretação dos dados. Resultado: Não é simples para um grupo de mentoria, composto por alunos de diferentes anos de graduação, reunir-se regularmente e com tempo suficiente para a atividade. Nesse contexto, o mentor é sempre desafiado a estabelecer conexões entre diferentes temas e experiências para dar sentido à experiência do grupo como um todo. Por sua vez, a diversidade do grupo permite discussões estimulantes e ricas sobre o curso, a vida pessoal dos participantes e o futuro profissional. Os alunos veteranos têm um papel fundamental na dinâmica do grupo ao compartilharem suas vivências e motivarem os alunos iniciantes a seguir em frente. Conclusão: Manter um grupo de mentoria em uma escola médica é uma tarefa complexa e desafiadora. Mentores precisam ser motivados, ter certas características pessoais e receber apoio para essa função. Grupos heterogêneos com alunos de diferentes anos potencializam o desenvolvimento e o suporte entre os integrantes, aliviando as angústias da formação médica. No entanto, a estrutura e a dinâmica do curso de Medicina dificultam muitas vezes o envolvimento dos alunos, impedindo o acesso deles aos efeitos positivos da mentoria.

Percepção de pacientes sobre a comunicação de médicos clínicos e cirurgiões em hospital universitário

PID: S1981-52712021000200207 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Perez Oliveira Ortiz Peña Job Gianini
Resumo: Introdução: A maneira de transmitir informações é essencial na relação médico-paciente, pois a boa comunicação reduz queixas por práticas inadequadas e preocupações dos pacientes, e melhora a adesão aos tratamentos e a recuperação da saúde. Porém, não são raras as insatisfações dos pacientes sobre esse assunto. Objetivo: O objetivo deste trabalho foi avaliar a percepção dos pacientes internados em um complexo hospitalar sobre a comunicação de médicos clínicos e cirurgiões durante o período de internação. Método: Trata-se de estudo transversal, descritivo e analítico, do tipo inquérito, com aplicação de um questionário com perguntas sobre a comunicação geral do médico. O instrumento foi construído pelos pesquisadores e respondido por 120 pacientes adultos. A amostra foi definida por conveniência, estratificada por clínica médica e cirúrgica. Realizaram-se análises de frequência e estatística dos resultados encontrados. Resultados: Dos 120 pacientes, 53,33% (n = 64) foram internados na clínica cirúrgica e 46,67% (n = 56) na clínica médica. Desse total, 57,5% (n = 69) tinham escolaridade que variava de ensino médio a superior. Os pacientes relataram respostas mais negativas do que positivas em questões referentes a: informações sobre os efeitos colaterais dos medicamentos (66%), orientações de procedimentos pós-cirúrgicos (68,75%) e informações sobre promoção e prevenção da saúde no ambiente hospitalar (63,33%). A clínica cirúrgica teve proporções de respostas positivas significativamente menores para: “O médico disse o nome dele” (p < 0,01; OR bruta 0,33; IC95% 0,15-0,76); “O paciente foi informado sobre como será seu tratamento” (p = 0,02; OR bruta 0,38; IC95% 0,17-0,87); e “O paciente foi informado sobre a necessidade de realizar exames” (p = 0,02; OR bruta 0,40; IC95% 0,18-0,90), que se mantiveram significativas após o ajuste por determinados fatores intervenientes. Não se observaram diferenças significativas para as demais questões. Na análise da questão “Que nota você daria para a comunicação geral do médico? ”, verificou-se valor significativamente maior (p = 0,007) para a clínica médica (média 4,46 ± 0,76) quando comparada à clínica cirúrgica (média 4 ± 1,19). Conclusão: A comunicação médico-paciente apresentou déficits significativos. Por isso, é necessário que as escolas médicas ofereçam para os discentes o desenvolvimento dessa competência. Além disso, para uma generalização adequada dos resultados encontrados, novos estudos precisam ser realizados em níveis diferentes do cuidado médico.

Percepção e desempenho de estudantes em relação ao uso das ferramentas on-line Socrative e Kahoot! na disciplina de Urologia

PID: S1981-52712021000500226 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Oliveira Meyer Neumaier Ströher Silva Loesch
Resumo: Introdução: As metodologias ativas são ferramentas que visam ao engajamento dos estudantes no processo de aprendizado. Por meio delas, o aluno é confrontado com situações-problema e, para resolvê-las, necessita participar ativamente na construção da solução. O Socrative® e o Kahoot!® são ferramentas que podem ser usadas para auxiliar na demanda crescente por novos métodos de ensino. Objetivo: Este estudo teve como objetivos comparar a pontuação obtida pelos alunos da disciplina de Urologia em pré-testes aplicados com as ferramentas Socrative® e Kahoot! ® e analisar a percepção deles após exposição aos aplicativos. Método: O estudo, de caráter comparativo, foi realizado a partir da inserção dos aplicativos Socrative® e Kahoot! ® na disciplina de Urologia no curso de Medicina. A amostra foi composta por duas turmas, totalizando 193 estudantes. Cada uma delas foi dividida em seis grupos, separados em dois horários distintos, que semanalmente revezavam o uso das ferramentas. Utilizaram-se as metodologias no formato de pré-teste durante as sessões de discussão de casos clínicos, visando à comparação entre as notas obtidas pelos graduandos entre os aplicativos. Quanto à percepção dos alunos, ao término da disciplina, eles responderam a um questionário de percepção em relação a cada plataforma. Os dados foram analisados estatisticamente com o programa SPSS Statistics v. 20.0. Utilizaram-se o teste não paramétrico de Wilcoxon e o teste de qui-quadrado. Valores de p < 0,05 indicaram significância estatística. Resultado: O Socrative® obteve melhores resultados quanto ao número de acertos e em relação à satisfação dos graduandos. Dentre seis temas abordados nos pré-testes, dois apresentaram pontuação superior com o Socrative® (p = 0,017 e p = 0,042). Quanto ao questionário de percepção, o Socrative® obteve nota média de 1,8 ponto superior ao Kahoot! ® (escala entre 0 e 10), e encontrou-se significância estatística em sete das oito questões avaliadas. Conclusão: A ferramenta Socrative® apresentou melhores notas e se mostrou mais satisfatória aos alunos em comparação ao Kahoot! ®.

Percepções de docentes e discentes sobre feedback em estágios práticos no curso de medicina

PID: S1981-52712021000300212 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Stagini Peres
Resumo: Introdução: No ensino médico, feedback - ou devolutiva - é um dos componentes principais da avaliação formativa. Feedback pode ser definido como transmissão de uma informação quando se observam os estudantes em ação, a fim de propiciar melhorias para aquisição de competências médicas que compõem o profissionalismo médico. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar se há dificuldades de transmissão e recepção de feedback pelos preceptores e estudantes durante os estágios práticos do curso de Medicina. Método: Este estudo de delineamento misto qualitativo/ quantitativo envolveu todos os discentes que concluíram os estágios no período de março de 2018 a agosto de 2019 (n = 50), assim como todos os preceptores responsáveis pelos estágios práticos (n = 9) da Universidade Municipal de São Caetano do Sul. O conhecimento sobre feedback, na visão dos discentes e preceptores, foi avaliado por meio de questionários adaptados com perguntas categóricas e abertas. Utilizaram-se análise descritiva nos dados quantitativos e técnica de conteúdo nos dados qualitativos. Resultado: Os preceptores relataram que os objetivos de fornecer feedback são: apontamento de melhoria, reflexão crítica e oportunidade de adequações. Por sua vez, os estudantes relataram: esclarecimento de dúvidas, planejamento de melhorias e conhecimento de pontos positivos. Metade dos preceptores afirmou fornecer feedback, porém os estudantes gostariam de recebê-lo de forma mais contínua. Os estudantes desejam que o feedback seja construtivo e feito em local privado. Metade dos preceptores tem dificuldade em dar feedback negativo, porém 60% dos estudantes relataram lidar bem com críticas. Conclusão: Os preceptores afirmaram ter conhecimento dos objetivos do feedback. Porém, eles têm dificuldades para transmiti-lo, principalmente quando envolve críticas para correções de comportamentos ou atitudes. Os estudantes aceitam críticas e requerem que o feedback seja transmitido com mais frequência nos estágios práticos. Há a necessidade de melhorar o processo de fornecer e receber feedback.

Percepções de médicos residentes em clínica médica em relação ao atendimento de pacientes psiquiátricos

PID: S1981-52712021000200224 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Santana Rodrigues
Resumo: Introdução: Os transtornos mentais são responsáveis pela segregação de pacientes em diversas culturas e momentos históricos globalmente. A evolução das neurociências, tecnologias e avanços na esfera psicossocial não têm sido suficientes para mudar este paradigma. Muitas pessoas ainda temem ter relações sociais com alguém com transtorno psiquiátrico, apesar dos avanços científicos e dos esforços para reduzir o preconceito nas últimas décadas. Objetivo: Este estudo teve como objetivos avaliar a formação em saúde mental na graduação oferecida a médicos residentes de clínica médica e analisar os sentimentos, as percepções e os estigmas deles ante a assistência a pacientes com transtornos mentais. Método: Trata-se de um estudo com abordagens qualitativas e quantitativas, de natureza descritiva e transversal. Participaram 32 residentes de clínica médica, e, para comparação, os questionários foram respondidos por oito residentes de psiquiatria. Aplicaram-se dois instrumentos: um para a caracterização do perfil sociodemográfico dos participantes e o questionário de atribuição (AQ-26B). Os dados qualitativos foram obtidos por meio de grupo focal com 14 residentes, e empregou-se a análise de conteúdo para categorização. As categorias de maior frequência foram ilustradas com diagramas de Pareto. Resultado: Como os residentes de clínica demonstraram maiores índices de estigma em aspectos como medo e intolerância, intuiu-se que há lacunas na formação em saúde mental, baixa percepção de responsabilidade do cuidado, além de dificuldade em legitimar as queixas e exibir sentimentos negativos. Conclusão: Concluiu-se pela necessidade de intervenções educacionais que fomentem a diminuição do estigma e a busca de capacitação para o cuidado integral e empático de pessoas com transtornos mentais.

Perfil e trajetória dos egressos de programas de residência das áreas básicas: um corte transversal

PID: S1981-52712021000100221 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Lima Lima Andrade Castro Fernandes
Resumo: Introdução: A residência médica é reconhecida como o “padrão ouro” para a formação de especialistas. O estudo do perfil dos egressos da residência médica é importante para identificar potencialidades e fragilidades da especialização. Objetivo: Este estudo teve como objetivo conhecer o perfil e a satisfação profissional dos egressos dos programas de residência das áreas básicas de um hospital-escola do Nordeste. Método: Trata-se de estudo de corte transversal que utilizou a plataforma eletrônica Survey. Incluíram-se residentes das áreas básicas que concluíram o programa no período de 2013 a 2017. O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido foi enviado com o formulário. Realizaram-se análises descritivas das variáveis, e os dados foram apresentados em frequências absoluta e relativa. O trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética do IMIP. Resultados: Dentre os 194 egressos, tivemos a adesão de 79 (40,72%). Com relação aos participantes do estudo: 73,4% eram do gênero feminino e 60,8% já estavam casados. Destacamos que 55,7% informaram que tinham uma renda mensal de dez a 20 salários mínimos. Dos egressos, 54 (68,4%) tinham cursado graduação em instituição de ensino superior privada. Sobre a pós-graduação stricto sensu, 19 egressos (21,7%) tinham mestrado. Sobre a atuação profissional, 93,7% exercem a especialidade e 54 (68,4%) trabalham no estado onde cursaram o programa. Em relação ao serviço público, 64,6% são vinculados ao Sistema Único de Saúde do estado de Pernambuco. Sobre a quantidade de horas de trabalho semanais, 43% trabalham entre 40 e 60 horas. Cerca de 75% dos egressos afirmaram que cursariam o programa novamente na instituição e declararam que a realização da residência facilitou a vida profissional deles. Conclusão: A monitoração periódica de egressos de programa de residência é um instrumento útil para avaliação do programa e permite monitoramento das intervenções implementadas, viabilizando inclusive a obtenção de informações que ajudem no planejamento de novos programas.

Prevalência de empatia, ansiedade e depressão, e sua associação entre si e com gênero e especialidade almejada em estudantes de medicina

PID: S1981-52712021000300229 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Brunfentrinker Gomig Grosseman
Resumo: Introdução: A empatia e a saúde mental são fundamentais para o autocuidado e desempenho do estudante de medicina e seu cuidado dos pacientes. Objetivo: Avaliar a prevalência e associação entre empatia, ansiedade e depressão, e com gênero, especialidade almejada e período do curso em estudantes de medicina. Método: Estudo transversal com 405 de 543 estudantes (74,6%) de semestres ímpares e do 12º semestre do curso de medicina de duas universidades do Sul do Brasil. Os dados foram coletados com questionário autoaplicado contendo idade, sexo, semestre do curso, especialidade almejada, Escala Jefferson de Empatia (JSE) e Inventários de Ansiedade e de Depressão de Beck (BAI e BDI). Os dados foram analisados com estatística descritiva, testes t-Student, Chi-quadrado e ANOVA bidirecional entre grupos. O nível de significância admitido foi de p < 0,05. Resultados: A média da JSE foi de 120,2 (DP = 10,6) [116,9 (DP = 11,0) em homens e 123,4 (DP = 9,2) em mulheres, p = 0,000] e maior entre estudantes que almejavam áreas médicas voltadas a pessoas [123,1 (DP = 10,1)] do que entre os que almejavam áreas voltadas a técnicas e procedimentos [(118,5 (DP = 11,2)], p = 0,003. Não houve diferença por período do curso. As médias de ansiedade e depressão foram, respectivamente, de 16,2 (DP = 11,3) e 11,9 (DP = 9,0) [13,1 (DP = 10,3) e 9,9 (DP = 8,3) em homens, e 19,1 (DP = 11,4) e 13,8 (DP = 9,4) em mulheres, p = 0,000 para ambas]. A prevalência de ansiedade moderada e alta foi de 33,8%, e, incluindo-se ansiedade leve, de 59%. A prevalência de disforia (BDI = 16 - 20) e depressão (BDI > 20) foi de 26,4%, e de 11,9% para ideação suicida. A ansiedade grave associou-se à subescala Walking in patient’s shoes da JSE, mais relacionada ao estresse empático. Conclusões: A empatia é alta, estável ao longo do curso nas instituições estudadas e maior entre mulheres e estudantes que almejam especialidades voltadas a pessoas. A prevalência de ansiedade e depressão é alta e maior nas mulheres. A ansiedade grave se associou à subescala “colocar-se no lugar do paciente” da JSE.

Prevalência do consumo de substâncias psicoativas entre estudantes de medicina no interior do Nordeste brasileiro

PID: S1981-52712021000500216 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Siebra Queiroz Lucena Maia Nogueira Junior Lima
Resumo: Introdução: No contexto da formação em Medicina, muitos estudantes buscam alívio e equilíbrio emocional por meio do uso de substâncias psicoativas. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar o consumo de substâncias psicoativas entre os acadêmicos de Medicina da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) com o intuito de contribuir para a formulação de atividades de prevenção. Método: A pesquisa possui corte transversal e abordagem quantitativa e descritiva. Aplicaram-se questionários padronizados entre outubro e dezembro de 2020 para discentes do primeiro ano e do internato. Analisaram-se variáveis de natureza categórica por meio de frequências e percentuais, e a relação entre essas variáveis foi realizada pelo teste qui-quadrado ou exato de Fisher. As associações e comparações, em relação aos períodos, foram consideradas significativas no caso de p-valor < 0,05. Resultado: A prevalência do uso de substâncias psicoativas na vida foi de 81,7% (n = 107). O consumo de tabaco e Cannabis foi significativamente maior em mulheres em relação aos homens: p = 0,019 e p = 0,05, respectivamente. Além disso, 48,4% dos discentes que têm insônia, 85,7% dos que relataram possuir dependência e 39% dos que acreditam que cursar Medicina é fator precipitante de consumo fazem uso de ansiolíticos, sedativos e hipnóticos: p = 0,025, p = 0,004 e p = 0,01, respectivamente. Conclusão: Observaram-se um elevado uso de substâncias psicoativas entre os estudantes de Medicina da UERN e a manutenção do perfil de uso ao longo dos períodos do curso com a presença de achados atípicos que divergiram de outros trabalhos, evidenciando a heterogeneidade das populações estudantis médicas, o que aponta para a necessidade de mais estudos para ampliação e análise dos resultados encontrados.

Prevalência do transtorno de ansiedade generalizada e do risco de suicídio em estudantes de medicina

PID: S1981-52712021000200206 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Trindade Júnior Sousa Carreira
Resumo: Introdução: O transtorno de ansiedade generalizada (TAG) é uma patologia comum da modernidade. Além disso, o Brasil figura entre um dos países da América Latina com o maior aumento do número de suicídios. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a prevalência de TAG e risco de suicídio e a associação entre eles em estudantes de Medicina de Belém, no Pará. Métodos: O estudo observacional, transversal e quantitativo teve como sujeitos da pesquisa graduandos do curso de Medicina que estavam matriculados no primeiro, terceiro e quinto anos na Universidade do Estado do Pará, totalizando 159. Utilizaram-se questionário de autoria dos pesquisadores e o Mini International Neurophsychiatric Interview, sendo a análise estatística feita com o software BioEstat® 5.3. Resultados: Dos 159 estudantes, 52 (32,7%) apresentaram TAG; e 48 (30,2%), risco de suicídio, dos quais 18 tiveram risco leve (11,3%); 17, risco moderado (10,7%); e 13, risco elevado (8,2%). Dos alunos, 46,7% e 50%, respectivamente do primeiro e terceiro anos, apresentaram risco elevado de suicídio, fato que pode estar associado com a pressão do vestibular e do início do ciclo clínico. Dos alunos do quinto ano com risco de suicídio, somente 21,7% apresentaram risco elevado. Conclusão: Percebe-se uma importante taxa de TAG e de risco de suicídio entre os estudantes de Medicina, o que precisa ser investigado e trabalhado para minimizar os impactos desses transtornos nos discentes.

Programa de Mentoria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alfenas: relato de experiência

PID: S1981-52712021000400421 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Couto Vieira Mulati Bressan
Resumo: Introdução: O Programa de Mentoria do curso de Medicina da Universidade Federal de Alfenas (Unifal) foi inspirado em programas de mentoring implantados em escolas médicas brasileiras desde a década de 1990, reconhecendo que a formação do futuro médico é marcada por intenso estresse acadêmico e emocional. Relato de experiência: O Programa de Mentoria tem papel preventivo e de suporte para o desenvolvimento pessoal e profissional dos estudantes de Medicina. As ações visam acompanhar o estudante longitudinalmente para proporcionar momentos de reflexão, tomada de consciência e desenvolvimento de competências para enfrentar os meios acadêmico, social e profissional. O mentor provê ao estudante uma figura-modelo que atua como suporte para auxiliá-lo nas vicissitudes do processo de ser médico. Discussão: Segundo os participantes, o Programa de Mentoria permite troca de experiências, aprendizagem e reflexão sobre temas relevantes da profissão e da vida acadêmica, atendendo às exigências das Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Medicina para uma formação geral, humanista, crítica, reflexiva e ética. Conclusão: O Programa de Mentoria é exemplo de intervenção possível para prevenção de doenças e promoção da saúde durante a formação médica e contribui para o desenvolvimento de habilidades nos contextos pessoal e profissional.

Projeto de ensino como apoio ao telemonitoramento dos casos de Covid-19

PID: S1981-52712021000100403 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Silveira Costa França Pereira Lomonaco Leal Junior
Resumo: Introdução: Em janeiro de 2020, a OMS reconheceu a pandemia do novo coronavírus no mundo, chegando os casos ao Brasil em fevereiro e ao Acre em março. Uma das respostas para enfrentamento da pandemia no estado foi o telemonitoramento dos casos suspeitos e confirmados de Covid-19, que se viabilizou a partir da parceria entre o Núcleo Telessaúde Acre, as Secretarias de Saúde e os cursos Medicina da Universidade Federal do Acre (Ufac) e do Centro Universitário Uninorte. O objetivo do artigo é relatar a experiência do projeto de ensino de apoio ao telemonitoramento dos casos de covid-19 em Rio Branco. Relato de experiência: O telemonitoramento tem sido realizado por uma equipe composta de 210 alunos de Medicina dos últimos períodos do curso e por um grupo de oito professores. Atenta às necessidades de fortalecimento das ações de enfrentamento do novo coronavírus, a Pró-Reitoria de Graduação da Ufac lançou um edital para projetos de ensino que pudessem cumprir esse papel social por meio da sistematização de conhecimentos sobre o tema. Discussão: A partir daí, o projeto foi executado através de reuniões virtuais sistemáticas da equipe executora do telemonitoramento pela plataforma Zoom, com discussões dos casos acompanhados, de rodas de conversa com especialistas sobre temas clínicos específicos, apresentação de artigos, discussão de dados epidemiológicos e aulas expositivas sobre a Covid-19. Além disso, têm sido articulados trabalhos de conclusão de curso a partir dos dados trabalhados na estratégia. Conclusão: Apesar do desafio que é trabalhar a partir do ensino remoto, o projeto tem contribuído de maneira substancial para o aprofundamento dos conhecimentos sobre a pandemia de Covid-19 e para o acompanhamento dos casos em Rio Branco.

Promovendo equidade de gênero nas especialidades cirúrgicas: experiência de programa de mentoria na América Latina

PID: S1981-52712021000400402 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Nascimento Niquen-Jimenez Campos Ribeiro Gois
Resumo: Introdução: Cirurgia global é uma área que advoga por melhores desfechos e equidade para todos que demandam assistência cirúrgica, anestésica e obstétrica. No Brasil, embora as mulheres componham 46,6% da demografia médica em 2020, inequidades de gênero persistem nas especialidades cirúrgicas. O objetivo deste artigo é relatar a experiência do programa de mentoria do Gender Equity Initiative in Global Surgery como mecanismo de promoção de equidade de gênero. Relato de experiência: O programa almeja capacitar, empoderar e amplificar vozes de minorias de gênero, sendo voluntário e sem fins lucrativos. Baseia-se na criação de pequenos grupos heterogêneos, com diferentes graus de experiência acadêmica e pessoal. As inscrições ocorrem por formulário on-line, com perguntas relacionadas à identidade, a interesses e expectativas dos aplicantes, sendo os grupos organizados de acordo com essas informações. Os mentores são selecionados com base em: nível de treinamento, especialidade, identidade de gênero e expectativas. Realizam-se três acompanhamentos por preenchimento de questionário pelos participantes. Discussão: A necessidade de programas como este durante a pandemia é evidente, mostrando-se como uma iniciativa positiva para desenvolver estratégias de enfrentamento dos desafios vivenciados. Este relato fornece uma visão geral de como um programa de mentoria pode contribuir para que mais estudantes de Medicina sejam incentivados a seguir carreiras em cirurgia, anestesia e obstetrícia, de modo a promover equidade de gênero para além da perspectiva binária, e discute as principais dificuldades em se estabelecerem programas como esse na América Latina. Conclusão: É preciso reforçar que não basta apenas dar suporte a mulheres (cis e trans) e pessoas de gênero não binário, mas também educar a sociedade para compreender identidades de gênero além da perspectiva binária, reconhecendo os impactos nas relações de trabalho e perspectivas de carreira, especialmente dentro do campo cirúrgico.

Promoção da saúde e redução de vulnerabilidades por meio da prática da atividade física

PID: S1981-52712021000200402 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Borges Vieira Campos Machado Raimondi
Resumo: Introdução: Diante da pandemia da Covid-19, os(as) estudantes de Medicina tornaram-se ainda mais fragilizados(as) e vulnerabilizados(as) pelo contexto de isolamento social, uma vez que tiveram suas rotinas alteradas. Assim, a Associação Atlética Acadêmica Marcel Resende Davi (AAAMRD), visando cumprir com a sua responsabilidade social de promoção da saúde, buscou incentivar a prática desportiva ao valorizar esse hábito em prol do bem-estar físico e mental dos(as) estudantes. Desse modo, este artigo objetiva relatar a experiência da atlética com a realização de um desafio esportivo virtual entre suas equipes. Relato de experiência: O desafio foi elaborado e executado remotamente para 112 atletas de 14 equipes esportivas. Nos grupos de WhatsApp®, particulares de cada time, os(as) atletas deveriam enviar mídias dos exercícios físicos realizados e contabilizá-los em uma lista. Ressalta-se que foram disponibilizados treinos nas redes sociais da atlética, em parceria com profissional capacitado, como forma de proporcionar treinos seguros. Ao final das 11 semanas de desafio, as três melhores equipes foram premiadas. Aplicou-se também um formulário de feedback para verificar a efetividade da ação. Discussão: A tecnologia, importante aliada na organização do desafio, permitiu que a promoção da saúde ocorresse remotamente, respeitando o distanciamento social. Ao estimular a constância de treinos, a atlética contribuiu para a manutenção de parte da rotina dos(as) graduandos(as), prejudicada pelo contexto pandêmico. Além disso, o espírito de coletividade e a interação entre os(as) atletas dentro dos grupos contribuíram para que esse distanciamento não fosse total, formando uma rede de apoio ao compartilharem também seus medos, inseguranças e saudades. Conclusão: Os resultados alcançados com o desafio e os feedbacks positivos confirmaram a efetividade da promoção da saúde proposta pela AAAMRD. Ademais, em conformidade com as Diretrizes Curriculares Nacionais e apesar do momento adverso, a instituição mostrou-se presente na formação pessoal e profissional dos(as) estudantes.

Prontuário Eletrônico do Paciente na educação médica: percepções de docentes e preceptores

PID: S1981-52712021000500215 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Rangel Struchiner Salles
Resumo: Introdução: A implantação do Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) em unidades hospitalares de ensino tem proporcionado a integração do uso de tecnologia de informação em saúde (TIS) na educação médica e na prática clínica. Objetivo: Este estudo analisou a percepção de professores e preceptores-médicos, de uma universidade pública, sobre a integração do uso do PEP nas atividades práticas curriculares. Método: Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com seis professores e quatro preceptores de um curso de Medicina. O estudo adotou como categorias de análise os domínios de competências e os resultados de aprendizagem com o uso do PEP, identificados e aprimorados por um estudo multicêntrico inglês: saúde digital, acesso e geração de dados, comunicação, trabalho multiprofissional e acompanhamento e monitoramento. Adotou-se ainda a categoria “questões pedagógicas” para estimular a reflexão dos sujeitos da pesquisa sobre suas práticas pedagógicas com o PEP. Para análise dos dados, utilizou-se análise temática de conteúdo. Resultado: O estudo apontou que os professores e preceptores identificaram a necessidade de orientação formal para que os discentes utilizem TIS no seu desenvolvimento educacional e profissional, na preservação do sigilo e da confidencialidade das informações, e no atendimento ao paciente. Para os sujeitos da pesquisa, o uso de sistemas de suporte à decisão associados ao PEP contribui para o processo de ensino-aprendizagem, além de possibilitar maior visibilidade das informações dos demais profissionais de saúde e o acompanhamento da história clínica dos pacientes pelos discentes. O PEP é uma ferramenta assistencial que tem potencial para promover o uso de metodologias ativas, pois contextualiza o ensino, permite autonomia e autoria aos discentes e os instiga na busca por conhecimento. Conclusão: A integração curricular de TIS tem sido apontada como um caminho para o desenvolvimento de competências e habilidades clínicas dos discentes, quando estiverem utilizando o PEP nas unidades de prática clínica.

Práticas integrativas e complementares em saúde: interesse da comunidade acadêmica e os desafios do ensino médico

PID: S1981-52712021000500225 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Gurgel Jessé Silva Alencar Jordán Daniel
Resumo: Introdução: As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) abrangem recursos terapêuticos de sistemas médicos complexos de diversas racionalidades médicas. Esse campo de práticas vem ganhando maior visibilidade nos últimos tempos com o aumento da procura por cuidados em saúde que priorizem a abordagem integral do ser humano, estimulando os próprios profissionais de saúde a buscar uma melhor formação. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar o interesse, o grau de conhecimento e a atitude de discentes e docentes do curso de Medicina pelas PICS e os desafios para seu ensino efetivo. Método: Trata-se de um estudo transversal, descritivo e com abordagem quantitativa, realizado com 214 indivíduos, sendo 21 docentes e 193 discentes do primeiro ao décimo segundo período do curso de Medicina de uma instituição de ensino de saúde de Recife, em Pernambuco. Utilizou-se um questionário em formato on-line que avaliou os sujeitos pesquisados quanto às fontes de aprendizado e ao nível de interesse sobre o tema. Adotou-se também a versão em português do instrumento Integrative Medicine Attitude Questionnaire (IMAQ). Os dados foram submetidos à análise estatística descritiva (frequência e porcentagem), com o auxílio dos softwares R versão 3.4.3. e LibreOffice. Resultado: Dentre os participantes do estudo, 57,14% dos docentes e 35,42% dos discentes afirmaram conhecer a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), e 85,71% dos docentes e 91,7% dos discentes consideraram as PICS fundamentais para o SUS. A maioria considerou o ensino das PICS importante para a graduação (90,48% dos docentes e 89,58% dos discentes). As práticas mais conhecidas foram a ioga, a fitoterapia e a MTC/acupuntura, e as que despertaram maior interesse para aprendizado foram a ioga e a MTC/acupuntura. Conclusão: Um número elevado de discentes e docentes nunca teve contato com as PICS. No entanto, a maioria tem disposição em recomendar para pacientes e familiares, bem como vontade em aprender sobre o tema. Dessa forma, recomenda-se que mais trabalhos sejam realizados sobre a temática e que isso possa corroborar a sua inclusão na base curricular dos cursos de saúde.

Qualidade do sono dos estudantes de medicina de uma faculdade do sul de Minas Gerais

PID: S1981-52712021000500218 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Medeiros Roma Matos
Resumo: Introdução: O sono é um estado fisiológico que se dá de forma cíclica em grande quantidade de seres vivos do reino animal, tendo sido analisados comportamentos de repouso e atividade, que compõem um ciclo vigília-sono. Na universidade, os acadêmicos de Medicina se deparam com falta de tempo e com exaustão, visto que o curso possui carga horária integral, fato que faz com que os graduandos deixem as atividades básicas cada vez mais para o final do dia, o que os leva a desenvolver distúrbios do sono. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar a qualidade de sono e a incidência de distúrbio de sono em estudantes de Medicina. Método: A pesquisa foi realizada individualmente com os estudantes de Medicina de uma faculdade do sul de Minas Gerais, via plataforma Google Forms, em que eles responderam a dois questionários autoaplicáveis. O primeiro englobava perguntas sobre gênero e ano de graduação, e o segundo, denominado Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh, avaliou a qualidade de sono. Foram utilizados os programas Bioestat 5 e Excel 365 para a análise estatística. Resultado: A análise do estudo demonstrou distúrbio de sono em 20,5% dos estudantes e qualidade subjetiva de sono ruim ou muito ruim em 40,2% dos discentes. Conclusão: Por meio da presente pesquisa, observou-se que a qualidade de sono dos estudantes de Medicina é inferior à da população geral, estando diretamente relacionada à progressão do curso. Foi concluído que os estudantes deste estudo têm, além disso, em média, menos horas de sono que o restante dos brasileiros.

Qualidade do sono e sonolência diurna em estudantes universitários: prevalência e associação com determinantes sociais

PID: S1981-52712021000200225 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Araújo Lopes Azevedo Dantas Souza
Resumo: Introdução: As alterações no ciclo sono/vigília (CSV) dos jovens universitários podem acarretar consequências na saúde física, psíquica e social. Além disso, alguns comportamentos adotados nessa fase podem estar associados a comprometimento do CSV. Objetivo: Portanto, este estudo tem por objetivo identificar quais fatores dos determinantes sociais da saúde (DSS) estão associados à má qualidade do sono e à sonolência diurna excessiva (SDE) de universitários. Método: Trata-se de um estudo transversal que incluiu 298 universitários, com idade entre 18 e 35 anos, 73,2% dos estudantes do sexo feminino do interior do Rio Grande do Norte, Brasil. Os dados foram coletados a partir dos seguintes questionários: A Saúde e o Sono, Questionário de Cronotipo de Munique, Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh e Escala de Sonolência de Epworth. Para avaliar a associação dos DSS com a má qualidade de sono e a SDE, realizou-se a regressão de Poisson com variância robusta. Resultado: A prevalência da má qualidade do sono e de SDE nos universitários foi de 79,2% e 51,3%, respectivamente. Entre os determinantes intermediários da saúde, observou-se maior razão de prevalência de má qualidade de sono nos estudantes que apresentaram problema de saúde no último mês (18,4%), fumavam (23,5%) e faziam uso de bebidas estimulantes próximo ao horário de dormir (25,8%), e naqueles que usavam eletrônicos antes do horário de dormir durante a semana (18,4%), quando comparados aos que não adotam esses comportamentos. Com relação à SDE, os estudantes que justificaram o horário de dormir na semana e de acordar no fim de semana por causa da demanda acadêmica apresentaram 27% e 34%, respectivamente, de menor prevalência de SDE do que o grupo que não adota esses comportamentos. Conclusão: As altas prevalências de má qualidade do sono e de SDE observadas nos universitários foram decorrentes de fatores biológicos e, em sua maioria, de fatores comportamentais.

Raciocínio clínico: percepções e práticas de estudantes de medicina

PID: S1981-52712021000100218 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Landim Moreno-Neto Soares
Resumo: Introdução: Em tempos de ameaças constantes ao financiamento destinado à manutenção do Sistema Único de Saúde (SUS), faz-se necessário debruçar o olhar sobre a prática médica, sobretudo no que tange ao alto custo que o emprego desnecessário de exames complementares ocasiona à saúde pública. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar as percepções sobre o raciocínio clínico (RC) e as respectivas práticas entre estudantes de Medicina (EM) de uma universidade pública do Nordeste brasileiro. Métodos: Trata-se de pesquisa qualitativa realizada com 12 EM. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas semiestruturadas com gravação de áudio. A análise de dados foi realizada por meio da técnica de análise de conteúdo, modalidade análise temática. Resultados: A maioria dos EM compreendeu o RC como sinônimo de raciocínio diagnóstico, pois os discentes o praticavam como uma junção da utilização de dados da anamnese, do exame físico e de exames complementares, e realizavam raciocínio terapêutico como base em aspectos como diagnóstico do paciente, sintomatologia, comorbidades, alergia e adesão terapêutica. Além disso, os EM demonstraram conhecimento teórico-conceitual superficial sobre o tema. Conclusão: As percepções e práticas dos EM sobre o RC revelaram aspectos relevantes do contexto prático do internado na referida universidade, os quais podem subsidiar novas discussões e oportunizar a realização de outras pesquisas sobre o tema.

Realidade ou simulação? Análise do desempenho de estudantes de Medicina em avaliações práticas distintas

PID: S1981-52712021000100206 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Cassiano Passeri Lutaif
Resumo: Introdução: Avaliar habilidades clínicas é um desafio no curso médico. A heterogeneidade na escolha dos pacientes somada à falta de critérios objetivos resultou em mudança metodológica para utilização do Objective Structured Clinical Examination (OSCE). Objetivo: O objetivo deste estudo foi identificar se o OSCE resulta em distribuição de frequência de notas de desempenho de padrão gaussiano em comparação ao modelo tradicional. Método: Analisaram-se as notas de 239 estudantes da disciplina de Semiologia e Propedêutica de um curso de Medicina entre 2016 (modelo tradicional) e 2017 (OSCE) pelos testesKolmogorov-Smirnovbidimensional e t de Student para verificar a correlação delas com o coeficiente de rendimento (CR). Resultados: As notas da prova no modelo tradicional (p < 0,0001; KS = 0,1881) estão mais distantes da normalidade do que as da prova do modelo OSCE (p = 0,0010; KS = 0,1134) e são mais correlatas com o CR (p < 0,0001; r = 0,45) do que no modelo OSCE (p = 0,31; r = 0,06). Conclusão: O OSCE pode proporcionar informações mais fidedignas sobre o desempenho do estudante em estágios práticos do curso médico.

Receptividade à participação de estudantes em consultas ginecológicas: motivos das pacientes e suas avaliações da comunicação interpessoal dos aprendizes

PID: S1981-52712021000100213 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Sobral Wanderley
Resumo: Objetivo: Este estudo teve como objetivo apurar a expectativa de que o juízo sobre a comunicação interpessoal de estudantes de Medicina em consultas prévias teria impacto nos motivos das pacientes para consentir ou dissentir sua presença e, portanto, na receptividade final quanto à participação de aprendizes numa consulta ginecológica. Métodos: Dados de questionário foram compilados por entrevista com 469 pacientes ambulatoriais do Hospital Universitário de Brasília. Construíram-se escalas para medir a avaliação das pacientes sobre a comunicação interpessoal de estudantes, bem como seus motivos para permitir ou não a presença de aprendizes. Utilizaram-se testes t para estabelecer as diferenças entre pacientes com e sem experiência prévia de envolvimento de estudante nos escores das escalas de motivos, realizaram-se análises de contingência para avaliar a associação entre esses grupos de mulheres e adotou-se um índice de sua receptividade à participação de estudantes na consulta. Ademais, foram realizadas análises de correlação para verificar as inter-relações entre as escalas e os níveis de associação dessas medidas com o índice de receptividade como desfecho. Resultados: As pacientes experientes quando comparadas às inexperientes exibiram receptividade significativamente mais ampla à participação de estudantes (qui-quadrado = 20,49, df = 3, p < 0,001; V de Cramer = 209, p < 0,001). Essa maior receptividade correlacionou-se positivamente (rho = 0,314, p < 0,001) com a motivação das pacientes para consentimento e negativamente (rho = -454, p < 0,001) com sua motivação para dissentimento da presença de estudantes numa consulta futura. A motivação para consentir foi significativamente maior entre as pacientes experientes (M = 4,58, DP = 0,55, n = 408) em comparação com as inexperientes (M = 4,31, DP = 0,68, n = 61), e o oposto ocorreu na motivação para dissentir (M = 2,35, DP = 0,94 versus M = 2,70, DP = 1,02). Essas diferenças denotaram efeito de tamanho pequeno da experiência com estudante na consulta. Significantemente, a avaliação das pacientes experientes sobre a comunicação interpessoal estudantil em consultas prévias correlacionou-se positivamente (rho = 0,236, p < 0,001, n = 408) com sua motivação para consentimento, ao passo que se correlacionou negativamente (rho = -208, p < 0,001) com sua motivação para dissentimento da presença de estudante. Conclusão: Os achados têm implicações para o papel das pacientes na educação ginecológica de estudantes de Medicina e para a qualificação dos aprendizes na entrevista clínica e, portanto, para o benefício da saúde da mulher.
Reportar erro A