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Redes de pesca e a criação de vídeo: em tela a educação na nefropatia diabética

PID: S1981-52712021000500402 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Farias Cáceres Kohl Mossmann Dallazen Pontalti
Resumo: Introdução: As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como diabetes e hipertensão, são responsáveis por dois terços das mortes no mundo, sendo a nefropatia diabética (ND) a principal causa de doença renal crônica. O letramento em saúde (LS) constitui um dos determinantes sociais da saúde. Para orientação e ampliação de conhecimento dos pacientes e das equipes envolvidas no cuidado de pessoas com DCNT, e para uma melhor abordagem das complicações crônicas do diabetes e da hipertensão, foi proposta a elaboração de objetos de aprendizagem (OA). Relato de experiência: O presente trabalho envolveu a construção de um vídeo educacional por um grupo de cinco alunos durante as atividades acadêmicas do curso de Medicina em 2019. Esses alunos propuseram uma questão norteadora em relação à ND a partir de um material teórico. A questão escolhida foi: “Qual é o nível de entendimento dos pacientes com nefropatia diabética em relação à própria doença?”. Elaboraram um questionário sobre diabetes e hipertensão e suas complicações, o qual foi respondido por pacientes com diabetes atendidos no ambulatório especializado, buscando atender à problemática proposta. Extraíram uma síntese, a partir da análise das respostas, das possíveis lacunas em relação ao entendimento sobre as doenças. A partir disso, produziram um roteiro e atribuíram uma explicação médica a tais lacunas. O vídeo foi construído com base em uma analogia com redes de pesca e composto por narrativas, textos, áudios e imagens. Ao final, apresentaram o vídeo aos docentes e discentes em sala de aula. Discussão: Para que se possa caracterizar o vídeo como um OA, ele precisa se configurar como componente educacional, autossuficiente, passível de reusabilidade e com possibilidade de combinação com outros OA, formando novos objetos educacionais. Conclusão: O material educativo construído pode ser caracterizado como um OA. Tal material pontua aspectos da evolução da ND, bem como traz orientações médicas preconizadas para a doença, podendo ser usado em discussões em grupo ou em ações isoladas, visto que apresenta informações sucintas e embasadas em literatura. Está em curso o processo de validação do vídeo para uso nos serviços de saúde.

Reflexões sobre a quarentena: uma estratégia de acolhimento de discentes em um grupo de mentoring

PID: S1981-52712021000400418 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Rocha Falcão Lima Carvalho Higino Diniz
Resumo: Introdução: Notícias sobre a pandemia de Covid-19 chegam constantemente via meios de comunicação, e, rapidamente, há elevada sobrecarga de informações e inseguranças cotidianas. Para os estudantes de Medicina, essas mudanças podem ter efeito ainda mais significativo, pois já apresentam certo grau de adoecimento e queda da qualidade de vida pelo estresse acadêmico. Nessas situações, estratégias de reflexão, fala e escuta ativa podem ser úteis para a saúde mental. Relato de experiência: Este relato apresenta, de forma descritiva, a análise reflexiva da percepção discente sobre facilidades e adversidades vivenciadas durante o distanciamento social proporcionado pela pandemia de Covid-19, bem como avalia de que modo a participação na mentoria interferiu nesse processo. Os estudantes responderam a um questionário de seis perguntas abertas sobre as experiências e a saúde mental deles. Esse questionário teve como objetivos refletir sobre o momento e compreendê-lo para melhorar a condução dos encontros do mentoring e minimizar um eventual impacto negativo na saúde mental dos discentes. Após a anuência dos participantes, por meio do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, as respostas foram analisadas em anonimato e coletivamente pelos próprios estudantes, de forma categorial temática, encontrando os núcleos de sentido a partir da leitura do corpus textual para identificação das unidades de análises. Discussão: Houve 12 respondentes, o que representa uma taxa de resposta de 92,3% dos estudantes aos quais foi enviado o questionário, no qual apontaram o impacto da pandemia na saúde mental, fizeram uma reflexão interior, indicaram os mecanismos adaptativos e apresentaram os aspectos da mentoria que a tornaram um ambiente seguro e de suporte. Conclusão: A análise revelou que muitos discentes estão enfrentando dificuldades de adaptação, sobretudo quanto à saúde mental, como instabilidade emocional, revolta e frustração. Todavia, relataram-se positividade, desenvolvimento de hobbies e aumento do autoconhecimento e da comunicação com familiares. Apesar das limitações dos encontros remotos, não houve prejuízos de aproveitamento do programa e alcance de seus objetivos.

Registro Clínico Baseado em Problemas como instrumento para desenvolver competências em programa de residência médica

PID: S1981-52712021000200202 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Sales Barros Filho Oliveira
Resumo: Introdução: As competências relevantes ao ensino médico atual são divididas em sete dimensões: cognitiva, técnica, contextual, integrativa, afetiva, relacional e hábitos da mente. No presente estudo, um instrumento de aprendizagem nomeado Registro Clínico Baseado em Problemas (RBP), composto por uma lista de problemas on-line dos pacientes com suas respectivas investigações e intervenções, foi desenvolvido e aplicado em um programa de residência médica em clínica médica. Objetivo: Este estudo teve como objetivo investigar a percepção dos médicos residentes e preceptores sobre a utilização do RBP no processo ensino-aprendizagem e no desenvolvimento de competências em suas várias dimensões. Método: Participaram do estudo 21 residentes e oito preceptores de uma enfermaria de clínica médica, distribuídos em três grupos focais, em que dialogaram sobre a utilização do RBP no serviço. Para a interpretação da fala dos participantes, utilizou-se a análise de conteúdo de Bardin. Resultados: Na percepção dos residentes, o RBP influenciou na organização do conhecimento e na motivação dentro da dimensão cognitiva. A dimensão integrativa foi a mais citada pelos participantes, visto que o RBP levou à reflexão e à estruturação do raciocínio por problemas, atuando positivamente na organização do conhecimento e na definição dos problemas mais relevantes. Na dimensão contextual, não houve consenso entre os residentes sobre o impacto na solicitação racional de exames, e os preceptores relacionaram a falta de impacto do RBP à falta de feedback. Na dimensão relacional, preceptores e residentes relataram que o RBP trabalhou a síntese e organização do pensamento. No discurso dos residentes, o RBP influenciou os hábitos da mente relacionados à capacidade do médico de autoavaliação e reflexão sobre sua prática. Conclusão: O RBP atuou como instrumento de aprendizagem, principalmente por estar associado a fatores psicopedagógicos relacionados à facilitação da aprendizagem. As dimensões de competências cognitiva, integrativa, contextual, relacional e hábitos da mente foram desenvolvidas pelo RBP. A visão dos residentes e preceptores sobre a relevância do RBP para a aprendizagem de competências foi divergente. As dimensões cognitiva, integrativa e hábitos da mente tiveram maior diferença entre os participantes. Para que o RBP gere um aprendizado mais eficaz, os preceptores precisam interagir mais com o instrumento e realizar regularmente o feedback com os residentes.

Representações sociais da aprendizagem autodirigida entre médicos da atenção primária à saúde

PID: S1981-52712021000300221 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Reis Rocha Savassi Sampaio Caldeira
Resumo: Introdução: Em um cenário de grande disponibilidade de informações, a produção de conhecimento científico em medicina tem sido cada dia mais acelerada. A forma como o profissional médico percebe e dirige sua aquisição de conhecimento ainda carece de estudos nacionais, particularmente em tempos de internet de fácil acesso. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar as representações sociais de médicos atuantes em equipes da atenção primária à saúde (APS) sobre aprendizagem autodirigida. Método: Trata-se de um estudo quali-quantitativo fundamentado na Teoria das Representações Sociais de Moscovici com abordagem estrutural da Teoria do Núcleo Central de Abric, realizado em três municípios de Minas Gerais, no Brasil. Realizaram-se entrevistas semiestruturadas sobre o tema que foram gravadas e transcritas. As palavras evocadas livremente que surgiram do indutor “autoaprendizagem médica” foram analisadas com auxílio do software EVOC® por meio do quadro das quatro casas; e o software CHIC® analisou a similaridade. Para as falas dos participantes, realizou-se a análise de conteúdo. Resultado: Efetuaram-se 50 entrevistas, e as palavras evocadas livremente, que possivelmente compõem o núcleo central das representações, foram “conhecimento”, “dedicação”, “estudo”, “leitura”, “necessidade”, tendo como contraste “pesquisa” e “livro”. Conclusão: Os resultados demonstraram que as características do aprendiz e a prática como lócus de aprendizagem em contraposição à teoria, o qual está associado à barreira do tempo, definem o conteúdo central da representação social dos médicos participantes. Nesse contexto estudado, a APS reforça sua importância como cenário da autoaprendizagem médica.

Salas de Conversa: atividade integrativa de mentoria no contexto da Covid-19

PID: S1981-52712021000400417 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Melo Xavier Sena Torres Pinto Junior Sousa
Resumo: Introdução: O Programa de Mentoria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) busca promover o desenvolvimento pessoal e profissional do aluno durante seu período acadêmico. Por meio do método da escuta e do diálogo entre mentores e mentorados, a atividade de mentoria propicia o desenvolvimento da empatia e de outras habilidades emocionais importantes para uma prática médica humanizada e o bom convívio profissional. Busca também trazer para reflexão temas relativos à ética médica, à inserção do médico na comunidade, entre outros. Dentro dessa proposta, no contexto da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), o programa passou a desenvolver, além dos encontros on-line regulares, uma atividade integrativa intitulada “Salas de Conversa”. Relato de experiência: Entre junho e dezembro de 2020, realizaram-se, mensalmente, seis salas de conversa com temas diversos. Os encontros ocorreram em salas virtuais e contaram com a participação de todos os grupos de mentoria e mentores cadastrados no programa, além de convidados que estiveram à frente das discussões. Discussão: O retorno positivo de discentes e docentes mostrou o potencial dessa modalidade de interação de complementar os encontros já desenvolvidos no Programa de Mentoria. A interação virtual apresentou entraves por limitações tecnológicas, todos contornados em tempo hábil, sem prejuízo dessa nova forma de experiência. Conclusão: As Salas de Conversa mostraram-se eficazes na superação das dificuldades de interação impostas pelo distanciamento físico da pandemia de Covid-19. Essa atividade abordou temáticas atuais e pertinentes não apenas à vida do estudante de Medicina, mas também à vida em sociedade, de modo a contribuir tanto para a formação médica quanto para a formação pessoal dos alunos e professores.

Saúde mental de acadêmicos de medicina: estudo longitudinal

PID: S1981-52712021000300231 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Barbosa-Medeiros Caldeira
Resumo: Introdução: Poucos estudos avaliam de forma longitudinal a saúde mental e qualidade de vida de estudantes de medicina. Objetivo: Este estudo teve o objetivo de comparar os escores dos sintomas de transtornos psiquiátricos em acadêmicos de medicina ao longo de três anos da graduação, discutindo o contexto da saúde mental dos estudantes longitudinalmente durante o processo de formação. Método: Trata-se de um estudo longitudinal iniciado em 2015, com estudantes que estavam frequentando o 1º e o 7º períodos de graduação de três escolas médicas do norte de Minas Gerais. As mesmas turmas também foram abordadas nos anos seguintes, quando estavam no 3º e 9º, e no 5º e 11º períodos. Foram avaliados os sintomas depressivos, nível de sonolência diurna, nível de saúde geral, dimensões da Síndrome de Burnout, e qualidade de vida. Utilizou-se o teste não-paramétrico de Kruskal Wallis para comparar os três anos da graduação. Resultados: Dos 248 acadêmicos matriculados nos períodos selecionados, participaram 162 em 2015, 209 em 2016 e 221 em 2017. Para as turmas iniciantes, os escores do Questionário de Saúde Geral, que indica a presença de Transtornos Mentais Comuns, aumentaram entre 2015 e 2017. No mesmo período, houve aumento dos escores da dimensão descrença e redução significativa nos escores da dimensão eficácia profissional, do Maslach Burnout Inventory, denotando piora na saúde mental para esse grupo. Entre as turmas avaliadas a partir do meio do curso, observa-se aumento significativo nos escores do Questionário de Saúde Geral e na dimensão exaustão emocional do Maslach Burnout Inventory. A sonolência diurna excessiva apresentou oscilações durante os períodos. Conclusões: Os resultados refletem um agravamento na saúde mental destes estudantes ao longo do curso, especialmente entre o ano de 2015 e 2017, em relação a Transtornos Mentais Comuns e esgotamento profissional. Este resultado chama a atenção para a necessidade de se adotar estratégias que levem o estudante a lidar com os fatores estressantes inerentes ao curso, como o incentivo ao esporte, suporte psicológico, e a reorganização da estrutura curricular do curso, com períodos livres destinados a lazer.

Saúde mental em concursos de residência médica: implicações das Diretrizes Nacionais Curriculares de 2014

PID: S1981-52712021000300208 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Melara Gomedi Figueiredo
Resumo: Introdução: Devido à importância da saúde mental (SM) na prática médica, as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina (DCN) de 2014 estabeleceram a valorização desse tema. Embora as provas de residência médica (RM) devam ser influenciadas por essa diretriz, desconhecia-se se elas estavam de acordo com as mudanças. Objetivo: Este trabalho teve como objetivo avaliar se as diretrizes determinadas pelo Ministério da Saúde têm sido seguidas, buscando a devida valorização do tema SM. Método: Realizou-se uma pesquisa documental, sobre como a SM vem sendo abordada nos concursos de RM, na modalidade acesso direto, antes e depois da publicação das DCN. Para isso, selecionaram-se, por conveniência, nove instituições do Sul e Sudeste do Brasil, delimitando-se um período de dez anos para análise. Dois investigadores realizaram a seleção e análise das provas e das questões. Decisões em casos de discordância foram feitas a partir da avaliação de um terceiro investigador (juiz). Após esse processo, categorizaram-se as questões em subtemas, e tabularam-se os dados em uma planilha, analisada descritivamente com distribuições percentuais para variáveis qualitativas e medidas de tendência central. Resultado: Os conteúdos de SM corresponderam a 3,8% das provas. Não foi constatado crescimento na porcentagem de questões consequente à publicação das DCN. Verificou-se o predomínio das questões com essa temática nas áreas de clínica médica e de saúde coletiva (n = 129/n = 109), contrapondo-se à cirurgia geral (n = 0). Houve uma superioridade do subtema “psicofarmacologia” (n = 102). Conclusão: Como visto, no que tange à SM, as DCN não alcançaram ainda os concursos de RM. O enfoque da SM dado às questões das instituições analisadas permanece com uma visão biologicista.

Serviços de apoio à saúde mental do estudante de Medicina: uma revisão sistemática

PID: S1981-52712021000200302 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Morais Silva Versiani Silva Moura
Resumo: Introdução: Considerando a alta prevalência de problemas de saúde mental entre estudantes de Medicina, as instituições que formam profissionais médicos têm o compromisso ético de se preocupar com a promoção da saúde mental de seu corpo discente, oferecendo serviços de apoio e desenvolvendo estratégias de prevenção. Objetivo: Esta revisão tem como objetivo identificar publicações científicas sobre serviços de assistência oferecidos aos estudantes de Medicina nas instituições de ensino superior do Brasil, bem como informações sobre os profissionais que os compõem, o público-alvo atendido e os tipos de intervenção mais utilizados. Método: Trata-se de revisão sistemática de literatura, orientada pelas diretrizes do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analysis (PRISMA). Foi realizada busca por estudos nas bases de dados SciELO, PubMed/Medline, Lilacs, ERIC, The Cochrane Library e Catálogo de Teses e Dissertações da Capes, sem delimitação de tempo, publicados até agosto de 2020. Em seguida, duas revisoras, de forma independente, selecionaram os estudos e extraíram os dados pertinentes para a construção desta revisão. Resultado: Foram incluídos 16 estudos. Os serviços de apoio identificados atuam por meio de estratégias diversas com o objetivo comum de promoção da saúde mental do estudante. As intervenções mais encontradas nesses serviços são atendimento psicoterápico breve, atendimento psiquiátrico, orientação psicopedagógica e programas de mentoring. A maioria dos serviços foi implementada para atender estudantes de Medicina, e alguns ampliaram seu alcance a discentes de outros cursos de graduação. Em relação aos profissionais que compõem esses serviços, encontramos equipes multiprofissionais que variam em número e categorias profissionais envolvidas. Conclusão: Os serviços de apoio destinados ao estudante de Medicina no Brasil apresentam diferenças tanto quanto à forma de atuação dentro das instituições como quanto aos profissionais envolvidos. Verificou-se que as publicações sobre esses serviços são escassas quando comparadas ao número de instituições que oferecem o curso de graduação em Medicina no Brasil. A fim de ampliar e consolidar ações voltadas para a promoção da saúde mental do estudante de Medicina dentro das instituições de ensino superior brasileiras, mais pesquisas sobre essa temática são necessárias.

Significados de mentoria na formação em saúde no Brasil: uma revisão integrativa

PID: S1981-52712021000400301 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Costa Batista Soares Batista
Resumo: Introdução: A mentoria, na formação em saúde, implica relações interpessoais entre mentor(a) e mentorado(a), nas quais o(a) parceiro(a) mais experiente acolhe, oferece suporte, desafia e favorece uma visão mais ampliada da própria jornada do(a) estudante. Objetivos: Este estudo teve como objetivos realizar uma revisão integrativa de artigos brasileiros sobre mentoria em saúde e analisar e apreender os significados dessa atividade presentes nessas publicações. Método: A questão foi elaborada entre outubro de 2020 e janeiro de 2021, e delinearam-se as estratégias de busca e os critérios de inclusão e exclusão. O processo ocorreu via Portal de Periódicos Capes, contemplando as bases de dados Lilacs, Medline, SciELO e Scopus. Para as bases de vocabulário controlado, foram utilizados os descritores (inglês/português): mentoring, combinado isoladamente com education, mentors e faculty. Para a base de palavras-chave, utilizaram-se as mesmas combinações, substituindo-se education por health education. Resultados: A busca revelou 878 artigos, dos quais se selecionaram 12 como corpus da revisão. Os autores são docentes e discentes inseridos nas experiências. O periódico Revista Brasileira de Educação Médica é o principal veículo dos manuscritos selecionados. Evidenciam registros descritivo-analíticos de percursos históricos das experiências e as percepções e vivências no cotidiano delas. Há centralidade na abordagem qualitativa de pesquisa. Os significados de mentoria perpassam aspectos relacionados a docentes e estudantes no processo formativo da graduação, envolvendo cuidado, encontros, diálogos e vínculo. A análise das atividades de mentoria permite configurar questões relativas às interações mentor(a)-mentorandos(as) em contextos acadêmicos da área de saúde, com grande ênfase na educação médica. Conclusão: O desenvolvimento desta revisão integrativa permite sinalizar a mentoria como uma possibilidade de criação de um novo habitus na paisagem acadêmica. Na constituição desse habitus, os estudos enfatizam as relações de cuidado e humanização, resgatando a relação mestre(a) e discípulo(a) comprometida com a promoção e o desenvolvimento integral dos(as) estudantes.

Simulador para o treinamento da técnica do reflexo vermelho em recém-nascidos

PID: S1981-52712021000100210 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Dias Kadosaki Souza David Caldas Chaves
Resumo: Introdução: O Teste do Reflexo Vermelho (TRV) consiste em visualizar o reflexo que a luz causa na retina ao passar pela pupila. Dessa forma, o TRV tria patologias que levam à cegueira e pode reduzir o impacto social e econômico das famílias e do governo. O ensino por meio de simuladores permite que estudantes e profissionais de saúde adquiram e melhorem as habilidades clínicas. Objetivos: Este estudo teve como objetivos desenvolver um manequim de baixo custo, impresso em 3D e baseado na plataforma Arduino, para o treinamento do TRV em recém-nascidos e avaliar a eficácia educacional desse exame. Métodos: Um manequim do TRV foi apresentado a sete juízes especialistas - seis pediatras e um oftalmologista - que avaliaram a aplicabilidade do teste na aprendizagem médica. Para isso, utilizaram a escala Likert de 14 itens de 5 pontos. Posteriormente, 40 participantes participaram de um curso: 33 estudantes de Medicina, cinco residentes em pediatria, uma enfermeira e um médico generalista. Dividiram-se aleatoriamente os participantes em dois grupos: controle (GC) e experimental (GE). Cada grupo foi composto por 20 participantes. Submeteu-se o GC ao ensino convencional em pacientes reais. O GE passou por quatro etapas: 1. fundamentação teórica, 2. manipulação do simulador, 3. prática clínica simulada e 4. avaliação nos pacientes reais. No GC, adotaram-se os seguintes passos: 1. fundamentação teórica, 2. treinamento direto em pacientes reais e 3. avaliação em pacientes reais. Após a intervenção de cada grupo, os dois grupos foram avaliados quanto à aprendizagem em 40 recém-nascidos da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, em Belém, no Pará. Resultados: Na avaliação dos juízes em relação aos itens positivos para o simulador (design, similaridade, interesse, relevância, conteúdo, memorização, didática, reminiscência anterior, compreensão e aplicação), 49,2% afirmaram que concordavam fortemente e 44,4% mencionaram apenas que concordavam. Nas questões negativas (dificuldade de entendimento, sobrecarga de informação, abstração, dificuldade de manuseio e clareza de operação), 40,0% discordaram fortemente e 57,1% discordaram. Os juízes concordaram em 94,9% a favor do uso do simulador na educação médica. Porém, comparando os dois grupos de estudantes, em relação ao tempo de exame, os resultados não mostraram diferença estatisticamente significante (p = 0,29). Conclusão: O manequim mostrou aplicabilidade na aprendizagem do TRV, com a vantagem de realizar o exame sem que o paciente real fosse incomodado.

Simulação de polimedicação e percepções sobre farmacoterapia em estudantes de universidade no Ceará: estudo-piloto

PID: S1981-52712021000300217 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Bezerra Pereira Sarubbi Viana Júnior Quidute
Resumo: Introdução: Com a prevalência de pacientes polimedicados, é essencial que estes sejam manejados com aliança terapêutica efetiva e tratamentos factíveis e seguros. A empatia com o paciente é indispensável, e a falta de experiência dos prescritores pode impedir esse vínculo. Objetivo: O presente estudo simula um regime polimedicamentoso com acadêmicos de Medicina, para promover reflexões sobre as dificuldades vivenciadas pelos pacientes. Método: É estudo prospectivo em grupo único e não cego. Participaram estudantes de Medicina dos semestres 5 a 7, internos e residentes da nossa instituição, que seguiram regime placebo por sete dias. Antes e depois do período, os voluntários responderam a questionários de percepções sobre aderência medicamentosa e concordância terapêutica. Resultado: Participaram 28 voluntários, dos quais 27 (96,4%) esqueceram-se de utilizar pelo menos uma medicação durante o período. Dos graduandos, 28,57% referiram interrupção do uso de pelo menos uma. Do grupo de internos e residentes, essa porcentagem foi de 71,43%. Houve mais perdas de dose do que o previsto pelos participantes. Seguindo posologias realistas, levotiroxina sódica, inibidor de enzima conversora da angiotensina e metformina foram os fármacos referidos como de maior dificuldade. Do total de participantes, 96% afirmaram com veemência que o tratamento acordado entre médico e paciente deve se correlacionar com a boa aderência terapêutica. Conclusão: A compreensão sobre os fatores que influenciam na aderência e em seus manejos é indispensável na capacitação do médico, bem como o bom vínculo entre médico e paciente. O ensino dessas habilidades é necessário. São necessários estudos adicionais, a fim de alcançar mais graduandos e ressaltar a relevância de simulações no ensino médico.

Simulação na educação médica: processo de construção de pacientes padronizados para comunicação de más notícias

PID: S1981-52712021000500214 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Quint Pereira Isquierdo Miranda Guirro
Resumo: Introdução: Comunicação de más notícias refere-se às informações médicas que rompem de maneira adversa e negativa as expectativas de um paciente. Trata-se de um momento delicado da relação médico-paciente. O role playing com pacientes padronizados (PP) é uma alternativa para o ensino da comunicação, porém é desafiador construir roteiros e cenários semelhantes com a realidade, especialmente quando não se dispõe de atores profissionais. Objetivo: Este estudo teve como objetivo descrever a construção de PP a partir da experiência dos estudantes para o treinamento da comunicação com outros discentes de Medicina. Método: Estudantes de Medicina participaram voluntariamente da formação teatral e se dedicaram à construção de PP, com supervisão de docentes médicos e de atrizes, para oficinas de comunicação de más notícias. Para a construção dos PP, criaram-se diagnósticos médicos desfavoráveis, e estabeleceram-se os seguintes tópicos: perfil emocional, historicidade, instruções, progressões e possíveis desfechos, objetivos primário e secundário, e elementos facilitadores das cenas. Ensaiou-se exaustivamente para que os PP apresentassem a mesma reação em diferentes atitudes nas simulações. A participação nas oficinas foi aberta aos estudantes de Medicina interessados. Aferiu-se a qualidade das cenas pela sensação de realidade proporcionada aos participantes das oficinas. Resultado: Dez estudantes com idades entre 19 e 26 anos, de diferentes semestres, participaram do treinamento, do desenvolvimento de PP e das oficinas de simulação. Desenvolveram-se quatro cenas: Mariana recebeu diagnóstico de HIV e revelou violência sexual (60 cenas), Caroline e Marcelo receberam diagnóstico de câncer e necessidade de cirurgia (53 cenas), Thaís recebeu diagnóstico de insensibilidade androgênica e presença de gônadas masculinas (31 cenas), e Roger ou Rosana recebeu diagnóstico de retinose pigmentar e cegueira progressiva (22 cenas). Todos os PP proporcionaram sensação de realidade aos diferentes participantes das oficinas. Conclusão: Foi possível construir PP com estudantes de Medicina, apoiados por docentes, com a finalidade de participação em oficinas de comunicação de más notícias para outros discentes de Medicina que apontaram, em sua maioria, sensação de realidade com as cenas. Os estudantes atores se engajaram no processo e desenvolveram habilidades de comunicação e de empatia, características necessárias para a prática médica.

Sintomas de ansiedade e depressão entre estudantes de medicina: estudo de prevalência e fatores associados

PID: S1981-52712021000100215 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Sacramento Anjos Barbosa Tavares Dias
Resumo: Introdução: Os transtornos mentais comuns (TMC) implicam sofrimento psíquico e interferem nas atividades diárias, nos relacionamentos interpessoais e na qualidade de vida. Estima-se que os TMC atinjam de 9% a 12% da população mundial e de 12% a 15% da brasileira em todas as faixas etárias. Dentre os diferentes grupos sociais, os estudantes universitários possuem maior vulnerabilidade para desenvolver transtornos de ansiedade e depressão. Objetivo: Diante disso, este estudo se propôs a estimar a prevalência e os fatores associados a sintomas de ansiedade e depressão em estudantes de Medicina de uma capital do Nordeste brasileiro. Métodos: Trata-se de um estudo de prevalência, com uma amostra probabilística dos 1.339 alunos que frequentavam regularmente os 12 semestres do curso de Medicina em janeiro de 2018. Os dados foram coletados por meio da aplicação de questionário socioeconômico, comportamental e demográfico e dos Inventários de Ansiedade e de Depressão de Beck. Utilizou-se o teste de qui-quadrado para verificação de diferenças entre sintomas de ansiedade e depressão e variáveis socioeconômicas e comportamentais e as prevalências (total e por nível de gravidade) e a razão de prevalência (RP) bruta e ajustada como medida de associação. A análise de tendência linear foi empregada para verificar a existência de relação entre sintomas de ansiedade e depressão e semestres do curso. As variáveis que apresentaram RP bruta com p < 0,20 foram incorporadas na análise multivaridada, no modelo de regressão de Poisson robusto, para determinação da RP ajustada. Resultados: Quanto à prevalência de sintomas, constatou-se o seguinte: 30,8% para ansiedade e 36,0% para depressão. A RP bruta e ajustada para sintomas de ansiedade teve associação estatisticamente significante para sexo, idade e orientação sexual. A RP bruta e ajustada para sintomas de depressão teve associação estatisticamente significante para sexo, raça/cor da pele e orientação sexual. As análises de correlação entre os semestres do curso e a presença de sintomas de ansiedade e depressão indicaram fraco coeficiente de determinação, caráter descendente e sem significância estatística. Conclusões: Por se tratar de um estudo de prevalência, esta investigação não possibilita conclusões sobre causalidade. Estudos de acompanhamento adicionais são necessários para elucidar o curso da ansiedade e depressão ao longo dos semestres letivos.

Software educacional: simulador de ventilação mecânica e seus efeitos hemodinâmicos

PID: S1981-52712021000500223 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Campos Junior Moraes
Resumo: Introdução: O manejo adequado da ventilação mecânica (VM) é considerado de alta complexidade, e o uso de um simulador permite a aquisição de habilidades em ambiente seguro. Objetivo: O presente trabalho desenvolveu um software que simula o manejo da VM e sua interação cardiopulmonar. Método: Na elaboração do software, utilizou-se a Web Hipertext Markup Language (HTML) versão 5. Um engenheiro de software avaliou a qualidade técnica do simulador, e o conteúdo foi avaliado por especialistas da área, com o uso de instrumento de percepção com escala de Likert de concordância de cinco pontos. Resultado: O simulador desenvolvido disponibilizou referências teóricas, escolha de situações clínicas, alteração de parâmetros de ventilação, monitorização de mecânica ventilatória e hemodinâmica, gasometria arterial e animações. A qualidade foi aprovada pelo engenheiro de software. Na avaliação do conteúdo por especialistas, a média geral dos pontos de Likert (L) e concordância (Co) para as assertivas foram: para “disponível para aluno on-line” (L = 4,29 e Co = 85,7%), para “disponível para aluno extraclasse” (L = 4,856 e Co = 100%), para “estimular o raciocínio” (L = 5 e Co = 100%), para “excesso de conteúdo” (L = 3,14 e Co = 28,6%) e para “fácil de usar” (L = 3,43 e Co = 71,4%). O índice de validade do conteúdo médio foi igual a 0,86. Corrigiram-se os erros encontrados pelos especialistas. A concordância para disponibilidade do simulador para aluno exigiu melhora da ajuda nos parâmetros de ventilação, nas condutas não VM, dois níveis de dificuldade e diminuição da poluição visual. Conclusão: Os especialistas consideraram esse simulador como uma ferramenta facilitadora para o ensino da interação cardiopulmonar na VM.

Telemedicina nas instituições de longa permanência para idosos como social accountability no contexto da Covid-19

PID: S1981-52712021000100401 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Bertasso Guerra Pereira Nakazato Delatore Anbar Neto Spadacio
Resumo: Introdução: A Organização Mundial da Saúde definiu a obrigatoriedade do direcionamento das atividades de educação, pesquisa e serviços para atender às preocupações prioritárias de saúde como responsabilidade social das escolas médicas. Considerando a emergência em saúde pública em decorrência da Covid-19, decidiu-se utilizar a telemedicina e implementar o ensino remoto para continuar a programação curricular e prestar apoio à gestão municipal a partir do pressuposto da social accountability. Relato de experiência: A dois meses do fim da graduação, discentes de Medicina acompanharam as 43 instituições de longa permanência para idosos (Ilpis) - públicas e privadas - do município de São José do Rio Preto com o intuito de monitorar residentes e funcionários em relação à Covid-19. Por meio de ligações diárias para as Ilpis, eles solicitaram ao representante de cada unidade, geralmente enfermeiro responsável, ou ao proprietário do estabelecimento informações sobre os principais sintomas da Covid-19 detectados nos moradores e funcionários das instituições. Cotidianamente, essas informações eram registradas numa plataforma on-line, na planilha de organização do trabalho, e depois relatadas para a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e discutidas com o professor responsável pela mentoria. Um plano de contingência para a Covid-19 foi elaborado pela equipe, autorizado pela SMS e repassado às Ilpis, para orientá-las durante a pandemia. Discussão: A Covid-19 apontou as fragilidades, as limitações e a capacidade de adaptação do sistema educacional de saúde, o que possibilitou o aprimoramento da formação dos novos médicos. Durante o monitoramento, os discentes encontraram diversos desafios: dificuldade no contato telefônico com algumas Ilpis, informações omitidas ou fornecidas de forma equivocada pelos funcionários e atrasos na comunicação de casos suspeitos. Contudo, o contato diário permitiu reconhecer as Ilpis que se apresentavam mais adequadas e as que necessitavam de investigação e orientação, criando vínculo com as Ilpis. Conclusão: Durante a pandemia, foi possível realizar ações na lógica da social accountability, evidenciando que o teleatendimento é uma ferramenta que, ao mesmo tempo que mantém os internos nos cenários de práticas, presta assistência à comunidade e à gestão municipal durante a pandemia.

Telessaúde como ferramenta na formação médica durante a pandemia da COVID-19: relato de experiência

PID: S1981-52712021000300406 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Massucato Ribeiro Pessalacia Neves Stolte-Rodrigues
Resumo: Introdução: A pandemia da Covid-19 interrompeu e desafiou a estrutura tradicional da educação médica, fundamentada no ensino presencial, e, como medida de apoio aos esforços dos órgãos governamentais para a redução dos riscos de disseminação da doença, tornaram-se necessários o distanciamento do atendimento médico/paciente e o aumento da oferta de serviços de telessaúde pelos sistemas de saúde. No Brasil, o modelo de telessaúde busca melhorar a qualidade do atendimento da atenção primária à saúde (APS), integrando ensino e serviço por meio de atividades de teleducação e teleassistência, tais como a teleconsultoria, a Segunda Opinião Formativa (SOF), a teleducação e o telediagnóstico. Assim, este artigo relata a experiência de estudantes de Medicina em ações de telessaúde durante a pandemia da Covid-19 no Brasil, buscando esclarecer as contribuições e limitações dessa experiência no processo ensino-aprendizado no contexto da formação médica. Relato de experiência: A participação no projeto permitiu a vivência de diversas atividades de telessaúde sob a supervisão e orientação de docentes da área de saúde, além da produção de materiais informativos e educativos. As atividades propostas permitiram o aprimoramento do raciocínio clínico por meio da medicina baseada em evidências (MBE), principalmente no auxílio a teleconsultorias e perguntas frequentes. Discussão: O uso de tecnologias tornou-se indispensável durante a pandemia, e, dentro desse cenário, um projeto de telessaúde mostrou-se como uma estratégia importante e eficaz para educação permanente entre profissionais e educação em saúde para a comunidade, evitando aglomerações e prevenindo a disseminação do vírus. Além disso, as ações de forma remota, como teleconsultorias, resoluções de perguntas frequentes e teleducação, mostraram ser uma estratégia importante de acesso à saúde não somente em tempos de pandemia. Conclusão: Nossa experiência possibilitou fomentar o senso crítico e disseminar conteúdo de forma segura, técnica e baseada em evidências. O exercício do raciocínio clínico nos levou a uma experiência de grande valia e a crer que a inclusão da prática de telessaúde pode trazer ganhos importantes à grade curricular dos cursos de Medicina.

Tradução e adaptação transcultural do instrumento de avaliação do profissionalismo P-MEX para uso em médicos residentes

PID: S1981-52712021000100220 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Holdefer Sena Naghettini Pereira
Resumo: Introdução: Profissionalismo médico refere-se a vários atributos, valores, comportamentos, responsabilidades e compromissos dos médicos com os pacientes e com a sociedade. O profissionalismo é traduzido, hoje, como uma nova competência agregada ao conjunto de habilidades médicas, devendo ser demonstrada, ensinada e avaliada durante a formação desses profissionais. O Professionalism Mini-Evaluation Exercise (P-MEX) é um instrumento de avaliação do profissionalismo médico criado no Canadá, em 2006, e já validado para uso em alguns países, mostrando evidências de validade, confiabilidade e reprodutibilidade dos resultados nesses lugares. Objetivo: O objetivo deste estudo foi desenvolver uma versão do instrumento em língua portuguesa e adaptada transculturalmente para uso no Brasil. Método: A tradução e a adaptação transcultural foram realizadas seguindo as diretrizes da International Test Commission (ITC) - segunda versão 2017. Adotaram-se as seguintes etapas: tradução para o português por dois médicos brasileiros fluentes na língua inglesa, revisão da tradução por um comitê revisor, retrotradução por dois professores de inglês procedentes de países de língua inglesa, revisão da retrotradução por um comitê revisor, aprovação da retrotradução pelo autor original do questionário e, por último, aplicação da versão consenso final do instrumento ao público-alvo da pesquisa para avaliar a clareza, compreensão e aceitabilidade. Resultados: A versão final em português foi considerada adequada e utilizada como definitiva, constituindo a versão final em português do P-MEX. Todo o processo realizado seguindo guias internacionais classicamente utilizados, inclusive a aprovação final do autor do instrumento original, reitera que a nova versão adaptada do questionário tem validade de conteúdo correspondente ao original. Conclusão: Diante da lacuna de instrumentos para medir o profissionalismo médico no Brasil, realizaram-se a tradução e a adaptação transcultural do P-MEX para uso no país, podendo ser utilizado para estimular uma prática profissional mais adequada para os pacientes e a sociedade.

Tradução, adaptação transcultural e validação da Escala de Exposição às Humanidades em estudantes de medicina

PID: S1981-52712021000500221 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Vieira Carvalho Toledo Júnior Moura
Resumo: Introdução: As humanidades estão associadas à melhora de qualidades pessoais dos estudantes de Medicina. Não existem, até o momento, instrumentos de investigação que quantifiquem a exposição dos estudantes de Medicina às humanidades, e a disponibilidade de questionário com essas características, em português do Brasil, permite planejar e implementar estratégias e políticas educacionais que abordem esse tema. Objetivo: Este estudo teve como objetivos realizar a tradução e adaptação transcultural do Humanities Score (Life Experiences + Attitudes), determinar sua validade e confiabilidade, e identificar o perfil de exposição às humanidades da população estudada. Método: A versão original do questionário, em inglês, foi traduzida conforme preconizado na literatura, com adição ao instrumento de algumas atividades no campo das humanidades, por sugestão dos autores do instrumento original. O instrumento traduzido foi submetido ao pré-teste, com 31 estudantes de Medicina, para a validação semântica, e, a seguir, a versão final foi aplicada a 258 discentes. A análise fatorial exploratória foi aplicada para avaliar o instrumento, e utilizou-se o alfa de Cronbach para avaliar a consistência interna. Resultados: O questionário final foi aplicado aos alunos para verificação do seu perfil de exposição às humanidades. Realizou-se análise estatística, e a versão final do instrumento denominado Escala de Exposição às Humanidades (EEH) constituiu-se de 17 itens com respostas do tipo Likert com cinco opções, cujo coeficiente alfa de Cronbach foi 0,689. A média de escore de exposição dos estudantes foi de 1,72 ± 0,37, sendo influenciada por período em curso, realização de atividades sociais voluntárias, participação em grupos religiosos, prática de meditação e participação em atividades políticas. Observou-se ainda que as variáveis sexo feminino, exercício de atividades relacionadas com humanidades antes do curso e participar de cultos religiosos influenciaram positivamente na opinião sobre a importância atribuída às humanidades no currículo médico. Conclusão: A EEH demonstrou estrutura e conteúdo confiáveis, permitindo correlacionar o comportamento dos alunos quanto à exposição às humanidades e a importância que atribuem à sua presença no currículo. Trata-se do primeiro instrumento que busca mensurar o índice de exposição às humanidades no Brasil, sendo necessários, entretanto, estudos adicionais para aprimorar a validação do instrumento.

Treinamento de intubação orotraqueal na pandemia por coronavírus: aplicação da Prática Deliberada em Ciclos Rápidos

PID: S1981-52712021000300203 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: André Oliveira Gouvêa Fernandes Jerônimo Campos
Resumo: Introdução: A pandemia por coronavírus revelou a necessidade de intubação orotraqueal de forma segura não apenas para o paciente, mas igualmente para os profissionais envolvidos no procedimento. Para isso, treinamentos e revisões de técnicas se tornam necessários. Objetivo: Este artigo tem por objetivos propor a aplicação da estratégia de Prática Deliberada em Ciclos Rápidos (PDCR) para treinamento de anestesiologistas na intubação orotraqueal em pessoas confirmadas ou suspeitas com Covid-19 e apresentar um guia para aplicação dessa estratégia nessa conjuntura. Método: Trata-se de estudo metodológico que apresenta aspectos teóricos e operacionais para a aplicação da PDCR e um guia de aplicação construído a partir da busca de evidências publicadas em periódicos e recomendações oficiais divulgadas pelos órgãos vinculados à área da saúde brasileira e internacional. Resultado: Os principais aspectos teóricos relatados são concernentes aos três princípios que baseiam a PDCR: maximização do tempo em prática deliberada, feedback direcionado e segurança psicológica explícita. Quanto aos aspectos operacionais, destaca-se que o treinamento deve ser realizado com o máximo de seis pessoas. Deve-se interromper o erro, fornecer um feedback prescritivo e pedir que a tarefa seja realizada novamente até atingir a maestria. Quanto às especificidades técnicas do procedimento, apresenta-se um guia de aplicação da PDCR com a sequência para o adequado manuseio de vias aéreas de pacientes hipoxêmicos suspeitos e positivos para Covid-19. Conclusão: A estratégia instrucional estudada mostra ser propícia a treinar com maestria os profissionais que realizarão o procedimento de intubação orotraqueal no enfrentamento das formas graves da Covid-19, visando minimizar o risco de contaminação.

Um programa de mentoria para estudantes de Medicina de uma universidade do Centro-Oeste brasileiro

PID: S1981-52712021000400405 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2021
Autores: Brondani Santos Oliveira Anunciação Garcia-Zapata Pereira
Resumo: Introdução: Neste artigo, fazemos um relato de experiência da implantação e do funcionamento de um programa de mentoria aplicado a estudantes de graduação do curso de Medicina de uma universidade do Centro-Oeste brasileiro. É consenso que a pressão dos cursos de Medicina provoca sobrecarga emocional e afeta negativamente os estudantes, e é preciso que medidas de apoio sejam implementadas. Relato de experiência: O programa de mentoria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás teve um processo de construção lógico. Foi criado no início de 2015, pelo reconhecimento da necessidade da instituição em apoiar os acadêmicos durante sua graduação, fato evidenciado a partir do atendimento psicológico ao aluno e de uma pesquisa in loco. Os seguintes aspectos-chave caracterizam o programa: é oferecido como uma disciplina eletiva, pode ser feito até cinco vezes e,além de um encontro mensal com o mentor, o estudante escolhe as oficinas de que deseja participar, diversificando assim sua formação. Após 12 semestres de funcionamento, sintetizamos neste artigo uma parte de nossos resultados e algumas reflexões sobre o que queremos para o futuro do programa. Discussão: A implementação da mentoria e suas adequações foram resultados de pesquisa, capacitação, discussões dos docentes e avaliação periódica pelos mentorados. As mudanças procuraram atender às expectativas e sugestões dos estudantes, objetivando atrair a atenção e satisfazer aos anseios dos discentes. Ao longo dos 12 semestres de funcionamento do programa, o interesse dos alunos pela matrícula na disciplina cresceu, com forte avaliação positiva, especialmente pela livre escolha e diversidade de oficinas, e pelo envolvimento do tutor. Conclusão: As instituições de ensino devem estimular a criação de programas de mentoria. O programa relatado neste artigo tem tido boa aceitação por parte dos alunos e nos aponta bons resultados.
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