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Educação básica em Moçambique: desdobramentos de sua democratização e possibilidades futuras

PID: S0102-77352021000200104 | Periódico: Revista Educação em Questão (0102-7735) | Ano: 2021
Autores: Bene Garcia
Resumo Este artigo examina os desdobramentos da política de democratização do acesso à educação básica e a contextualiza analisando suas possibilidades futuras. A pesquisa é bibliográfica e documental. Emprega uma abordagem qualitativa com aporte teórico nas contribuições de Triviños (1987), Bauer e Gaskell (2002). Das análises feitas, percebe-se que, apesar de um início tardio da democratização do acesso à educação (com a independência nacional), dos efeitos catastróficos da guerra e das calamidades naturais que afetaram o país na década de 1980-1990, os resultados da pesquisa indicam que o acesso melhorou significativamente ao longo do tempo, tanto em termos de infraestruturas educacionais quanto em oportunidades de acesso. Constata-se que a aprovação da atual lei do Sistema Nacional de Educação - SNE (Lei n.º 18, de 28 de dezembro de 2018) possibilitará ganhos significativos relativos ao período de escolarização, pois esta prevê uma obrigatoriedade de 9 anos contra os 7, previstos nas anteriores leis do SNE, o que beneficiará o tempo de permanência na escola.

Educação em escritas de si: o diário de Helena Morley (1893-1895)

PID: S0102-77352021000200114 | Periódico: Revista Educação em Questão (0102-7735) | Ano: 2021
Autores: Silva
Resumo Neste estudo, busca-se compreender aspectos da educação formal e informal em escritas de si. Com esse propósito, utiliza-se o diário de Helena Morley como fonte e objeto privilegiado de análise. Do ponto de vista metodológico, o estudo ancora-se, por um lado, nos pressupostos dos estudos sobre escritas de si, notadamente, na perspectiva indicada por Gusdorf (1991) e Lejeune (1996); por outro, estrutura-se segundo as chaves analíticas derivadas dos conceitos de forma escolar (VINCENT, LAHIRE e THIN, 2001) e de culturas escolares (Vinão Frago, 2001). O contexto em que a narrativa se desenvolve é a cidade de Diamantina, primeiramente denominada Arraial do Tejuco, que ganhara proeminência ao longo do processo de extração de diamantes em fins do século XIX. A par de dispositivos escolares e ordenamento moral, o texto autorreferencial de Helena Morley revela nuances do país na transição do Império à República, assim como os paradoxos da escravidão.

Eleição para diretor no município de Natal: trajetória e repercussão na gestão democrática

PID: S0102-77352021000300109 | Periódico: Revista Educação em Questão (0102-7735) | Ano: 2021
Autores: Girardi Cabral Neto
Resumo Este artigo desenvolve reflexões circunstanciadas sobre o processo de eleição direta para dirigente escolar nas unidades de ensino da rede municipal de Natal, capital do Estado do Rio Grande do Norte, destacando como esse mecanismo contribui para o aprimoramento da gestão democrática. Como corpus empírico, foram utilizadas informações sistematizadas a partir de 7 (sete) entrevistas realizadas com os sujeitos históricos envolvidos nessa empreitada, cujo fulcro foram as conquistas obtidas e os limites desse processo. Conclui-se que, embora eivado por limites e contradições, o processo de escolha de dirigentes escolares contribuiu para a edificação, no cotidiano escolar, de uma certa prática democrática que foi sendo reforçada com a criação dos conselhos escolares e com a elaboração do projeto político-pedagógico.

Ensinar a ler: finalidades docentes no contexto da alfabetização

PID: S0102-77352021000100106 | Periódico: Revista Educação em Questão (0102-7735) | Ano: 2021
Autores: Sousa Costa-Maciel
Resumo Este artigo objetiva refletir a respeito das finalidades docentes para o ensino da leitura no primeiro ano do ciclo de alfabetização. A relevância de tal discussão está amparada no fato de que, mesmo em uma sociedade essencialmente grafocêntrica, a alfabetização – ensino da leitura e escrita – ainda representa um desafio para as redes de ensino do Brasil. Como opção metodológica, foi adotada uma abordagem qualitativa em que os dados foram coletados a partir de entrevista semiestruturada com quatro professoras alfabetizadoras atuantes em escolas da rede municipal do Recife. O aporte teórico está pautado nos estudos de Soares (1998, 2015, 2016); Lerner (2002); Cafiero (2005, 2010); Leal e Melo (2006), entre outros. A partir da imersão nos dados, foi observado que as docentes desenvolvem estratégias para o ensino da leitura em que as intenções primordiais consistem em favorecer aos (às) estudantes o estabelecimento de relações com os textos para aquisição de saberes escolares e extraescolares, além de proporcionarem uma formação leitora que contemple a dimensão do prazer no ato de ler.

Entre um “currículo-obsceno” e um “currículo-louco”: composições de um “currículo-menor”

PID: S0102-77352021000400103 | Periódico: Revista Educação em Questão (0102-7735) | Ano: 2021
Autores: Gurgel Maknamara Chaves
Resumo O artigo focaliza o currículo das narrativas seriadas em suas duas expressões: a de um “currículo-maior”, constituído por linhas molares, que apresenta um sistema de referência pelo qual as formas binárias nos organizam e nos produzem enquanto sujeitos serializados; e a de um “currículo-menor”, que, ao acionar o riso e as paixões alegres, compõe um traçado de linhas de fuga capazes de desterritorializar o “currículo-maior” e a modelização da subjetividade. O argumento é o de que, no currículo das narrativas seriadas, pode-se ultrapassar convenções normativas e estabelecer a abertura para a constituição de outros modos de vida, apesar das linhas de força de conformidade a certos estratos. Ao cartografar duas narrativas seriadas, evidenciamos a composição de um “currículo-obsceno”, referente à série “Fleabag”, e um “currículo-louco”, relativo à série “Crazy Ex-Girlfriend”. Concluímos que, no “currículo-menor”, o amor e o riso são vetores para a desagregação do “currículo-maior” das narrativas seriadas, capazes de rachar os estratos e inaugurar existências menores e criativas.

Formação docente no modelo realista-reflexivo: uma aproximação do contexto brasileiro

PID: S0102-77352021000200106 | Periódico: Revista Educação em Questão (0102-7735) | Ano: 2021
Autores: Rodrigues-Silva Alsina
Resumo O modelo de formação docente realista-reflexivo consiste em uma abordagem neovygotskiana de construção colaborativa dos conhecimentos descritivo e normativo em simbiose com a prática por meio da reflexão crítica cíclica e autorregulada: consideram-se as experiências e os conhecimentos prévios, o sistema de crenças e os valores dos professores. Este artigo tem o objetivo de aproximar esse modelo ao contexto brasileiro, apresentando suas principais características, etapas, ciclos reflexivos, marcas de autorregulação, guia da aprendizagem e rubrica de avaliação. Observa-se a pertinência do modelo para o país e sua potencialidade, e também precauções, para sua adoção na Educação a Distância (EaD). Conclui-se que o Brasil pode ser beneficiado com a formação de professores no prisma realista-reflexivo, sobretudo na modalidade de EaD. Esse ainda é um campo pertinente que precisa ser intensamente pesquisado e praticado.

Gênero, mulher, crime e violência: relações e tensões

PID: S0102-77352021000100109 | Periódico: Revista Educação em Questão (0102-7735) | Ano: 2021
Autores: Silva Meyer Riegel
Resumo O artigo discute e tensiona limites e possibilidades de articulação e “uso” das categorias mulher, g ênero, crime e violência no desenho teórico-metodológico de uma pesquisa sobre as relações de ênero em escolas localizadas em regiões de alta incidência de denúncia de crimes contra mulheres. A seleção das escolas se apoiou num mapeamento das ocorrências registradas numa dada Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, processo que evidenciou a necessidade de identificar e problematizar a adoção das categorias mulher, gênero, crime e violência, colocando em relevo as consideradas “endógenas” e “exógenas” frente às teorizações nas quais a pesquisa se inscreve. Esse processo demandou ainda a discussão do termo “violência de gênero” balizado neste texto pelos conceitos de gênero, violência e poder. Entre aproximações e distanciamentos, foi possível reconhecer os efeitos teórico-metodológicos de tais categorias, bem como os desafios éticos da utilização de ferramentas que produzem geografias então nomeadas e reconhecidas como “violentas”.

Hibridismo na gestão escolar: percepções dos diretores escolares da cidade de Dourados (Mato Grosso do Sul)

PID: S0102-77352021000100100 | Periódico: Revista Educação em Questão (0102-7735) | Ano: 2021
Autores: Perboni Oliveira
Resumo O artigo apresenta resultados de pesquisa que analisa as percepções de diretores escolares sobre a gestão das escolas, elegendo como foco de análise as escolas públicas da cidade de Dourados – MS, por meio de entrevistas ancoradas em abordagem qualitativa. A pesquisa aqui empreendida parte da constatação de que coexistem ao menos três fontes de influência no trabalho dos diretores escolares. Estas são identificadas a partir de referencial teórico que subsidiou a investigação: a) o patrimonialismo do qual derivam práticas clientelistas na gestão da coisa pública; b) a gestão democrática consolidada como princípio constitucional da educação pública, e c) a Nova Gestão Pública que se apresenta no campo discursivo como novo padrão de eficiência a ser adotado em todos os âmbitos da administração. Constata-se a existência de um amálgama das três fontes de influência nas percepções dos diretores sobre a gestão escolar. Localiza a presença de concepções e práticas clientelistas historicamente presentes nas instituições escolares em convivência com elementos da gestão democrática e da Nova Gestão Pública. As percepções identificadas traduzem um hibridismo das concepções, recebendo influências díspares dessas três fontes, ainda que seja perceptível uma recusa do patrimonialismo.

Interpretação educacional e as políticas inclusivas e bilíngues: contra-ações educativas de/com surdos

PID: S0102-77352021000300105 | Periódico: Revista Educação em Questão (0102-7735) | Ano: 2021
Autores: Bonfim Martins
Resumo O artigo objetiva apresentar os resultados realizados em uma pesquisa de mestrado que analisou a transposição dos discursos de verdade nas práticas cotidianas do Intérprete Educacional (IE), observados Intérprete Educacional (IE), por meio de suas narrativas, em conjunto às análises das diretrizes norteadoras nas políticas públicas de educação bilíngue para surdos, que foram implementadas pela Secretaria de Educação, nos anos iniciais do ensino fundamental, em um município do interior do estado de São Paulo. Tratou-se de uma pesquisa -descritiva, estudo de caso, de abordagem qualitativa. Os dados foram balizados pelos Estudos Surdos e pelas filosofias da diferença em Michel Foucault. Verificamos que as práticas cotidianas dos IE ainda refletem um paradoxo educacional inclusivo muito complexo: avistam-se práticas que apontam na direção de uma educação de/com surdos, portanto, alinhadas à resistência surda, e em outros momentos, veem-se práticas voltadas para uma educação para surdos, pautada na lógica do sujeito ouvinte, vinculando-se ao caráter normativo-corretivo-patológico.

Inventar o fora como um dentro e fazer da clausura uma educação

PID: S0102-77352021000400104 | Periódico: Revista Educação em Questão (0102-7735) | Ano: 2021
Autores: Silva Adó
Resumo Este texto problematiza as possibilidades inventivas envolvidas numa aula (entendida aqui como inseparável da produção de pensamento) sob as condições restritivas impostas pela pandemia causada pelo novo coronavírus. Parte do pressuposto de que para que o pensamento aconteça, é fundamental seu contato com as forças do que Deleuze (2005), Foucault (2006) e Blanchot (2011) chamaram de Fora. Por isso, o texto propõe um procedimento poético assentado numa espécie de máquina de leitura e de tradução como possibilidade de contato com tais forças. E, como base e possibilidade para essa invenção em educação, elege um tipo de leitura que falseia os materiais com que se depara e que, num certo sentido, desrespeita-os. Defende a ideia de que tal movimento, em condições de enclausuramento, só se torna possível porque o dentro é constituído pela dobra do Fora sobre si. Em tais condições, a invenção de uma aula teria, então, de virar pelo avesso essa dobra e produzir algo como uma linguagem para aquilo que ainda não sabemos.

John Dewey e Ralph W. Emerson: educação, arte e democracia

PID: S0102-77352021000200112 | Periódico: Revista Educação em Questão (0102-7735) | Ano: 2021
Autores: Silva Mercau Cunha
Resumo O artigo tem por objetivo analisar a concepção de John Dewey acerca dos intercâmbios entre educação, arte e democracia, com o propósito de sugerir caminhos para uma crítica às tendências pedagógicas da atualidade. Para cumprir essa meta, são analisadas as teses de John Dewey acerca da produção intelectual de Ralph Waldo Emerson publicadas no ensaio “Emerson, the philosopher of democracy”, de 1903. O método utilizado para esse empreendimento é a análise retórica proposta por Perelman e Olbrechts-Tyteca. Em consonância com tais teses, as ideias de Emerson são examinadas à luz Sofística, em versão oposta à assumida por Platão, com especial atenção para as noções de percepção, poder e democracia, as quais são relacionadas com os conceitos deweyanos de experiência imediata, experiência estética e experiência democrática. O artigo conclui que as reflexões de John Dewey inspiradas em Emerson sugerem que a educação na atualidade seja guiada pelo poder transformador da imaginação.

Monstros que assustam, atraem e fascinam: um mapa das linhas de constituição das infâncias queer

PID: S0102-77352021000400105 | Periódico: Revista Educação em Questão (0102-7735) | Ano: 2021
Autores: Silva Paraíso
Resumo Como vivem as crianças queer? Que infâncias são essas que, habitando o “entre”, buscam escapar de toda e qualquer definição? O que marca essas infâncias? Que modos de vida estão produzindo? Este artigo, instalando-se nas teorizações pós-críticas, faz um mapa dos rastros de infâncias que chamamos aqui de monstruosas e desenvolve o argumento de que há, na contemporaneidade, a insurgência de infâncias queer, desidentificadas dos atributos universais de gênero historicamente instituídos. Mostramos que essas infâncias são atravessadas e constituídas pelas linhas da precariedade, da estética e da política, que se movimentam para produzir, por um lado, a normalização, o controle, a disciplina, a diferenciação e, por outro lado, o escape, as resistências e a produção de outros modos de vida. Mostramos, por fim, que essas infâncias, investigadas na pesquisa que subsidia este artigo, são obrigadas a conviver com a dor, a tristeza e a exclusão desde muito cedo, mas também povoam a vida de possibilidades múltiplas, cambiantes e alegres.

No recreio: notas etnográficas sobre o adestramento do corpo e os construtos de gênero

PID: S0102-77352021000100101 | Periódico: Revista Educação em Questão (0102-7735) | Ano: 2021
Autores: Breder Weber
Resumo Este artigo propõe uma reflexão sobre um rito escolar no qual os corpos (in)dóceis de meninas e meninos podem, supostamente, se expressar com mais liberdade: o recreio. O que é o recreio, esse intervalo mágico, barulhento e alvoroçado que rompe momentaneamente um continuum feito de prescrições e proscrições? A partir de um olhar etnográfico (OLIVEIRA, 2000; GEERTZ, 1989) em uma escola municipal de Petrópolis/RJ, percebemos que o recreio também é feito de regras, nem sempre explícitas, que separam, classificam e hierarquizam, concorrendo para o trabalho incessante de adestramento dos corpos. Os jogos e brincadeiras que nele ocorrem são generificados, assim como os espaços nos quais se desenrolam. Da quadra ao pátio, a sanção normalizadora recai de formas distintas sobre os corpos de meninas e meninos, segundo o gênero da transgressão e as transgressões de gênero. Entretanto, apesar da vigilância, as crianças resistem, desviam, inventam: tensionam e deslocam as fronteiras de gênero em seus jogos, testando, de forma lúdica, outras formas de ser e de estar no mundo.

O educador no espaço das políticas de assistência social: aportes teóricos-metodológicos e éticos

PID: S0102-77352021000300100 | Periódico: Revista Educação em Questão (0102-7735) | Ano: 2021
Autores: Silva Silva Menezes
Resumo O artigo tem como objetivo oferecer um conjunto de reflexões de ordem teórico-metodológica e ética, na perspectiva do desenvolvimento humano e social, que possam subsidiar a ação dos educadores sociais que atuam no campo das políticas públicas, especificamente, das políticas de Assistência Social, no âmbito da qual tal função tem sido assumida tanto por indivíduos egressos do ensino médio quanto por profissionais oriundos dos cursos de humanidades. Parte do pressuposto de que nem sempre os sujeitos que assumem a função de educadores sociais sentem-se preparados para uma atuação qualificada junto aos beneficiários das políticas de Assistência Social. Fundamenta-se nas reflexões de diversos pensadores, bem como nos pressupostos da teoria Sócio-Histórica. A intenção é oferecer aos educadores sociais, que atuam em contexto de vulnerabilidade e exclusão, uma reflexão sistemática que possa nortear suas práticas numa ótica da competência técnica, compromisso político e sensibilidade humana.

O estágio docente como uma comunidade de prática crítica-experimental

PID: S0102-77352021000200102 | Periódico: Revista Educação em Questão (0102-7735) | Ano: 2021
Autores: Batista
Resumo Desenvolvo neste ensaio alguns argumentos que pretendem relacionar o estágio docente à concepção de comunidades de prática. Noção desenvolvida por Etienne Wenger, a comunidade de prática é pensada como um agrupamento de sujeitos que, engajados na aprendizagem do ofício pelo qual são apaixonados, reúnem-se para firmar, aperfeiçoar e manter esse compromisso. Tomando por base essa construção, argumento que alguns obstáculos históricos do estágio supervisionado de professores, em especial a desvinculação entre teoria e prática e o tímido diálogo entre universidade e escola, podem ser confrontados por intermédio do estabelecimento de uma comunidade de prática pedagógica. Contemplada por atores de diversas instituições, manteria sua unidade, devido à paixão pelo ensinar, ao desejo de aprender e à aventura de experimentar didáticas no âmbito da diferença e da tradição pedagógica. Porém, não teremos fórmulas prontas para o êxito desse processo: os parâmetros de cada comunidade teriam que ser pautados localmente e artesanalmente.

O filósofo analfabeto contra a “alma vestida” da alienação acadêmica

PID: S0102-77352021000200115 | Periódico: Revista Educação em Questão (0102-7735) | Ano: 2021
Autores: Corrêa Ferreira
Resumo Na articulação alegórica entre o “filósofo analfabeto” de Álvaro Vieira Pinto e a “alma vestida” de Fernando Pessoa, como expressão da alienação, sis-tematiza-se o estudo sobre a matriz curricular de 8 cursos de Filosofia das Uni-versidades Federais da Região Sul do Brasil. O estudo orientou-se pela análise dialética materialista, implicando na aproximação com o fenômeno, produ-ção da análise dos dados e síntese. Os documentos representam o condicio-nante que expressa a Filosofia como produto hegemônico do continente eu-ropeu, sendo uma espécie de demonstração da “alma vestida” que forma os estudantes brasileiros avessos a conhecer sua realidade. Ao longo do texto é apresentada argumentação em favor da crítica, tendo por base a totalidade em que o país está inserido. Neste sentido, se potencializa a Filosofia contra a alienação acadêmica, fundamentada, portanto, na intenção de conhecer e produzir a resolução de problemas concretos do povo do qual o estudante de Filosofia é parte.

O idoso como sujeito social na educação: pelo direito de ter voz, vez e lugar

PID: S0102-77352021000400102 | Periódico: Revista Educação em Questão (0102-7735) | Ano: 2021
Autores: Azevêdo Viana
Resumo O artigo discute o conjunto de significações do espaço escolar de sujeitos idosos que retomaram seus estudos, matriculando-se na EJA em uma escola pública em Natal, Rio Grande do Norte. Reconhece, com base em Scoralick-Lempke e Barbosa (2012), o fenômeno do prolongamento da etapa vital, resultante de processos de ampliação de direitos e avanço na qualidade de vida de parte significativa de pessoas no planeta, apresentando desafios no tocante às demandas educacionais. Entende, assim como Gonçalves (2015), que o envelhecimento é um processo multidimensional, multidirecional, gradual e irreversível. Do ponto de vista metodológico, o trabalho se estruturou no diálogo com histórias de vida, a partir de Glat (1989) e Josso (2007), analisando as significações dos sujeitos, nas quais o retorno à escola surge como um momento de reparação da negação ao direito à educação, quando infantes, e de acolhimento de suas necessidades de socialização e de partilha de experiências e aprendizados, de acordo com os seus próprios projetos de vida.

O movimento estudantil e as possibilidades de “subversão da práxis”

PID: S0102-77352021000300102 | Periódico: Revista Educação em Questão (0102-7735) | Ano: 2021
Autores: Boutin Flach
Resumo Derivado de pesquisa mais ampla, o presente texto tem por objetivo debater as contribuições do movimento estudantil para a “subversão da práxis”. As reflexões propostas são de cunho teórico, realizadas a partir de pesquisa bibliográfica e sob a luz do materialismo histórico e dialético. Para tanto, são apresentadas discussões sobre como a “subversão da práxis” se situa no contexto da luta de classes. O texto indica elementos que auxiliam na definição de movimento estudantil e como este pode contribuir para a superação da realidade social, política e econômica que fundamenta a sociedade capitalista. Por fim, destaca que a participação de jovens no movimento estudantil pode se constituir em força motriz para a “subversão da práxis”, visto que propicia experiências imprescindíveis para a compreensão da realidade vivida e, consequentemente, para a busca por um novo modo de vida que tenha a justiça social, a igualdade e a liberdade como fundamentos.

Pedagogia social e educação social

PID: S0102-77352021000100105 | Periódico: Revista Educação em Questão (0102-7735) | Ano: 2021
Autores: Pérez
Resumo Este artigo enfoca a pedagogia social, o campo científico, e a educação social, a atividade profissional. Embora a atenção oficial que ambos recebam seja muito diferente de acordo com os países, eles gozam de reconhecimento crescente na América Latina. A pedagogia tradicionalmente limitava a educação à família e à escola nos primeiros estágios da vida, mas a práxis educacional se estende por toda a vida. A educação social permite a formação permanente do indivíduo em diversas áreas: animação sociocultural, lazer e tempo livre, educação de adultos, educação especializada, etc. Ao revisar os aspectos marcantes do trabalho socioeducativo, é imprescindível fazer referência a modelos de intervenção, esquemas teóricos de alcance prático. Aqui, são revisados seis modelos de uma perspectiva flexível, aberta, dialógica e integrativa: psicodinâmico, cognitivo-comportamental, intervenção em crise, humanístico, crítico e sistêmico.

Pesquisa com crianças pequenas − questões éticas, primeiras observações e sinais de assentimento

PID: S0102-77352021000400100 | Periódico: Revista Educação em Questão (0102-7735) | Ano: 2021
Autores: Guczak Marchi
Resumo Este artigo tem por objetivo refletir sobre questões éticas em pesquisa com crianças pequenas (três a quatro anos) em um Centro de Educação Infantil), destacando os sinais de assentimento e questionamentos em relação à presença da pesquisadora no campo da investigação. Com abordagem qualitativa e aporte teórico na Sociologia da Infância, a pesquisa tinha por objetivo compreender a reprodução interpretativa de conteúdos digitais realizada pelas crianças. Na geração dos dados foram utilizadas técnicas da etnografia (observação participante, entrevista semiestruturada, diário de campo, conversas informais e oficinas de desenho e reconto de histórias. Os resultados mostram que a obtenção do assentimento das crianças é um processo complexo e em permanente negociação (FERREIRA, 2003). E que a ética na pesquisa vai muito além dos Termos de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE, estando acima de tudo alinhada com as atitudes do pesquisador em campo.
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