O objetivo do texto é discutir o tema política social a partir de dois aspectos principais. O primeiro refere-se ao trabalho como eixo central desse tipo de política. O segundo refere-se à organização da sociedade e ao seu relacionamento com o poder público para a formulação e a implementação de ações sociais. Para este fim, são discutidos inicialmente temas da história das práticas de proteção social e, em seguida, temas da política social no Brasil
A presente pesquisa teve como objetivo descrever e analisar as concepções de alfabetização atualmente transmitidas nos cursos de Habilitação para o Magistério, da rede estadual de ensino de Campinas (SP). Baseia-se no pressuposto de que as condições sociais presentes, bem como o progresso teórico observado nos últimos anos, possibilitaram a superação do modelo de alfabetização considerado tradicional, em direção a um modelo de alfabetização considerado funcional. Os dados sugerem que a maioria das alunas do 4º ano dos cursos, bem como os docentes da disciplina Conteúdos Metodológicos da Língua Portuguesa, ainda apresenta concepções que podem ser consideradas tradicionais. As exceções são apresentadas pelas respostas das alunas e professora do CEFAM, dados que são aqui discutidos.
Este estudo pretende analisar e reconstruir, a partir de uma perspectiva etnográfica, o processo de constituição da prática docente cotidiana de uma professora de uma escola pública de ensino fundamental de Barcelona, Espanha, tomando como referencial teórico os estudos sobre a vida cotidiana de Agnes Heller. Para essa construção utiliza informações provenientes de três contextos históricos: o movimento de renovação pedagógica na Catalunha, a história da escola e a história de vida da professora. A descrição da prática foi construída a partir de três dimensões: a) estruturando a situação de ensino; b) interatuando com os estudantes; c) articulando os conteúdos. Na análise de cada uma dessas dimensões, busca-se mostrar como a professora consegue romper com alguns aspectos determinantes de sua prática, identifica-se os saberes produzidos e apropriados por ela e reconstrói-se o processo de constituição desses saberes, destacando-se os elementos de continuidade e ruptura desse processo
O estudo realizado se situa na perspectiva dos "estados da arte" e focaliza a avaliação na escola de primeiro grau, enfatizando prioritariamente a avaliação na ação pedagógica. Abarca o período de 1980 a 1992 e privilegia a análise dos artigos publicados em onze revistas de âmbito nacional. Foram levantados 124 artigos. Na análise realizada utilizaram-se as seguintes categorias: tipo de trabalho, enfoque, tema principal e temas correlatos e tendências pedagógicas e/ou teorias de avaliação.
O texto propõe novo enfoque para a identificação e análise exploratórias de aspectos relacionados com processos de centralização, denconcentração e descentralização, com base na reflexão sobre a experiência em curso em países da América Latina
Buscando conhecer as condições que propiciam uma mudança efetiva nas atitudes e valores da escola, de modo que seu foco prioritário seja a aprendizagem e a formação de um aluno capaz de participar da vida econômica, política e sociocultural da sociedade contemporânea, o CENPEC, em parceriacom o UNICEF, registrou e analisou a experiência de 16 escolas brasileiras que estão buscando a melhoria da qualidade do ensino que oferecem. Dada a diversidade da realidade brasileira e dessa problemática específica, este artigo apresenta apenas um mapeamento inicial das tendências detectadas nas escolas - construção de um projeto, gestão participativa, reformulação das práticas pedagógicas - e em sua relação com o sistema mais amplo, que apontam para a reversão dos altos índices de repetência e evasão ainda persistentes em nosso sistema educacional
O objetivo deste artigo é apresentar uma leitura da nossa primeira história sistematizada da educação brasileira: Instruction Publique au Brésil - Histoire et Législation (1889), centrada no combate à libertinagem na cidade do Rio de Janeiro e na defesa de uma ampla reforma pública dos costumes na sociedade brasileira. Contudo, apesar de esse livro ser o primeiro em ordem cronológica de publicação e trabalhar com uma temática central da nossa história da educação, não se constitui em obra fundadora dessa área de conhecimento como disciplina escolar.
Este trabalho focaliza a construção conjunta de brincadeiras em crianças de 1 a 3 anos, mediante a descrição e análise de dois episódios lúdicos gravados em vídeo durante períodos de atividade livre em uma creche de periferia da cidade de São Paulo. A análise parte da concepção da criança como agente ativo de seu desenvolvimento e da interação social como componente privilegiado desse processo.
Com o objetivo de estudar a construção do conhecimento da professora sobre o ensino, o artigo trata de algumas questões teórico-metodológicas relacionadas ao estudo da construção do conhecimento de modo geral. Examina, em particular, os conceitos "saber", "conhecimento" e "representação" assim como as relações recíprocas que estabelecem. A suposição que norteia a reflexão é que a construção do conhecimento, assim como a da própria subjetividade, se dá a partir de matrizes sociais, mediadas pela cultura e pela linguagem, que chegam ao sujeito como representações. Nessa mediação a vivência e o vivido são de importância fundamental, e, no caso da professora, ganha relevância a cultura escolar, especialmente as relações que estabelece com os alunos.
Este texto discute, a partir dos depoimentos de professores, diretores, inspetoras de alunos e alunos, a representação social do adolescente e da adolescência, procurando perceber como essa representação social se insere nas relações cotidianas da escola. Os depoimentos indicam que os diversos componentes dessa representação social articulam-se em torno de um núcleo ou de uma estrutura central. A análise mostrou que a representação social do adolescente e da adolescência é compartilhada por todos os segmentos analisados, mas quando se trata de especificar os personagens em pessoas não se encontra consistência nessa representação.
Os volumes pertencentes a três coleções de livros didáticos (1ª a 4ª séries) mais distribuídos pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) no Estado do Rio de Janeiro, no ano de 1991, foram analisados com relação a seus conteúdos de Programas de Saúde. Os resultados apontam a inadequação desses livros quanto à correção dos conteúdos, metodologias utilizadas e ilustrações apresentadas, dentre outros problemas. O caráter receituário e dogmático das informações veiculadas prejudicam os objetivos dos Programas de Saúde escolares, além de incentivar preconceitos e temores infundados com relação à doença ou aos doentes. Por outro lado, não dimensionam as verdadeiras situações de risco. Tendo em vista a importância do PNLD no cenário educacional atual, são feitas algumas sugestões de melhoria dos processos de avaliação dos livros didáticos disponíveis, o que modificaria a curto e médio prazo a qualidade do Programa.
Trata-se aqui da Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior/Sindicato Nacional (ANDES), como exemplo, por setores das novas classes médias, de identidades críticas em relação à ordem estabelecida. A hipótese levantada é que instituições representativas desses setores, caso da ANDES, defendem posições corporativas por vezes contraditórias com a postura miam universal e socializante das lideranças sindicais e partidárias, especialmente nas áreas da educação, da cultura e da saúde pública.
O artigo analisa a trajetória de um conjunto de pré-escolas particulares surgidas entre meados dos anos 70 e início dos 80, na cidade de São Paulo. São apresentados e discutidos aspectos da história das pedagogias desenvolvidas nessas experiências e a sua relação com elementos relativos ao contexto político, social e cultural do período em que surgiram até meados dos anos 80. Na análise, ressalta-se o papel que nelas teve a mudança cultural que se vem processando no Brasil há cerca de três décadas e vincula-se essas pedagogias ao que, no período, era chamado de "alternativo".
Tendo como referência o marcos interpretativos assumidos pela pesquisa educacional no Brasil, nas décadas de 30 a 80, este texto procura explicitar ênfases presentes na construção do conhecimento na área de avaliação da aprendizagem. As considerações sobre o conhecimento produzido até a década de 70 apóiam-se em estudos que se voltam para a análise da evolução da pesquisa educacional no país; aquelas relativas à década de 80 têm como fonte dissertações e teses desenvolvidas em programas de pós-graduação no período.
Este é um estudo de campo que recolheu depoimentos de estudantes e professores de pós-graduação em áreas bem específicas - administração pública, em física e ciências econômicas e sociais - e permitiu observar como o campo empresarial impõe suas exigências sobre o sistema escolar. Comparam-se atitudes e comportamentos de estudantes e professores em relação à pós-graduação, colocando-se perguntas. Os resultados obtidos com as respostas mostram diferenças substantivas entre o que se chama de "pós-graduação profissional" (em administração) e "pós-graduação acadêmica" (em ciências puras e filosofia). Em conseqüência, o uso de critérios uniformes para a avaliação da produtividade escolar (número de teses e dissertações apresentadas, número e qualidade de publicações etc.) apresenta-se precário em função das particularidades de cada campo profissional.
Este trabalho questiona a exigüidade de estudos de cunho sociológico no campo específico da avaliação escolar. São analisadas algumas raras contribuições de autores estrangeiros e cotejadas as sugestões de dois autores brasileiros com os resultados de uma pesquisa sobre o tema, da qual a autora participou
Este artigo é resultado de assessoria à Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro para a elaboração de um Núcleo Curricular Básico, desenvolvido no período de 1993-4. Parte de uma reflexão sobre a discussão curricular no Brasil para assinalar os problemas das análises dicotomizadas - experiência cultural da criança x experiência cultural da humanidade, qualidade x quantidade, universal x singular etc. Propõem a necessidade de incorporar essas categorias como tensões que normalmente atravessam a teoria e a prática educacional. Com base na proposta curricular vigente no município do Rio de Janeiro, levanta uma hipótese preliminar de trabalho em torno de "conceitos-nucleares" e desenvolve um exercício de análise para testar a validade de tal hipótese.
Este artigo foi apresentado na 18º Reunião da ANPEd em Caxambu, Minas Gerais, e pretende oferecer contribuição ao debate sobre o pacto federativo, com vistas a uma distribuição mais equitativa de recursos e encargos no âmbito dos sistemas de ensino.
O autor faz neste artigo uma reflexão acerca do impacto das transformações tecnológicas nos países do Primeiro Mundo, que colocam também, para realidades como a nossa, enormes desafios.
A partir da polêmica levantada pela publicação do livro The Bell Curve nos Estados Unidos, este artigo apresenta um histórico das pregações eugênicas, retomando os enunciados eugênicos originais, desde Francis Galton, e seus pressupostos darwinianos. O artigo procura mostrar o contexto em que as idéias de "melhoramento da raça" se estabeleceram. Na Inglaterra, isso significou, sobretudo uma discriminação contra os pobres, sem vínculo direto com a cor da pele. No Brasil, a introdução do ideário eugênico pode ser localizada na literatura a partir do início deste século. Sua implementação teve como palco o ambiente educacional.