A partir da constatação do plano secundário que a atividade física ocupa nas escolas tradicionais, o artigo pretende resgatar o significado do fazer corporal no desenvolvimento infantil. Se ao lado do treinamento motor, o movimento humano for considerado como uma forma de linguagem, de manifestação afetiva e cognitiva, torna-se possível reintegrar o corpo no processo de aprendizagem e, particularmente, na apropriação da língua escrita. Mais do que garantir a sua dimensão figurativa (registro legível dos caracteres gráficos), a vivência motora assegura a formação do interlocutor, que é indispensável na expressão da escrita.
e cinco países da América Latina e do Caribe se reuniram em Santiago do Chile, entre 8 e 11 de junho deste ano, para aprovar o plano de ação do chamado Projeto Principal de Educação, correspondente aos próximos três anos. Este é o quinto encontro que se realiza no âmbito do Projeto Principal e coincide com a comemoração da primeira década do projeto. Iniciado sob os auspícios da UNESCO, seu objetivo era lograr um compromisso efetivo dos estados membros da Região para enfrentar as carências e necessidades educacionais, sintetizadas em três pontos principais: assegurar, antes do ano 2000, a educação básica de todas as crianças em idade escolar, erradicar o analfabetismo e melhorar substancialmente a qualidade e a eficiência dos sistemas educacionais.
A universidade brasileira constitui uma abstração. De que universidade concreta estamos falando? Da USP, uma universidade pública estadual, com mais de meio século de existência, que conta com um corpo docente de 5608 professores, dos quais 66% são doutores, 72% trabalham em tempo integral e que apresenta a maior produção científica do país? Ou da Universidade de Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, uma instituição privada, recentemente criada e que conta com apenas 135 professores entre os quais um doutor e nenhum professor em tempo integral? Ou, ainda, no âbito das federais: da Universidade Federal de Roraima, com 57 professores, todos em tempo integral e com apenas um doutor? Ou da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com 3790 professores e mais de mil doutores?
A partir de uma crítica sobre as relações entre as novas tecnologias e a educação o ensaio propõe uma análise estrutural e relacional das conexões entre trabalho e educação. Argumenta-se aqui que grande parte dessas pesquisas tende a apresentar um quadro demasiadamente otimista das modificações introduzidas pelas novas tecnologias no processo de trabalho, além de propor reformas educacionais baseadas num modelo liberal de oferta-demanda. Essas pesquisas são ainda criticadas por sua visão substancialista e essencialista das modificações introduzidas pelas novas tecnologias. O ensaio tenta desenvolver um quadro alternativo de análise centrado nas relações estruturais entre trabalho e educação. Uma tal análise demonstraria que as novas tecnologias na realidade deixam intocada a divisão social entre trabalho mental e trabalho manual.
Neste trabalho, discuto aspectos de teorias e pesquisas empíricas concernentes aos temas: dependência, independência, autonomia e identidade de gênero. Esta revisão do conhecimento produzido pela psicologia permite tecer considerações que apontam pressupostos, implicações, vieses e lacunas no que diz respeito à compreensão da subjetividade do homem e da mulher.
Neste estudo pretende-se investigar, através da análise de romances da Coleção Biblioteca das Moças (publicados de 1935 a 1963), quais as representações específicas de mulher e professora que são ali veiculadas. Procura-se também lidar com a literatura como um dos processos sociais de apropriação e representação de hábitos e valores capazes de engendrar um imaginário e uma identidade próprias em suas leitoras. Na tentativa de utilizar uma perspectiva teórico-metodológica de base ampla e flexível, recorre-se a abordagens interdisciplinares e plurais que caracterizam a história da cultura.
É comum, em uma primeira avaliação das lutas por acesso e melhoria da qualidade do ensino público, supormos a inexistência de discordâncias entre aqueles que delas participam. Pesquisa qualitativa com enfoque etnográfico sobre o Movimento Estadual Pró-Educação (MEPE) aponta, incorporando as relações de gênero, aproximações e divergências entre as principais protagonistas dessas lutas: professoras e mães de alunos, destacando algumas das possíveis contribuições que a visão desses segmentos distintos - nem antagônicos, nem alidados incondicionais - podem trazer para a luta pela melhoria do ensino público.
O sistema educacional brasileiro alcançou significativa expansão notadamente a partir da segunda metade deste século. Apesar disso, o Brasil ainda apresenta níveis educacionais inferiores aos de outros países com características similares, com profundas desigualdades raciais.Este artigo, utilizando os dados das PNADs - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio - de 1982 e 1988, analisa o funcionamento do sistema de ensino no contexto dos diferentes desempenhos obtidos pelos grupos raciais, bem como aborda as taxas de aprovação, reprovação e evasão da população estudantil e alguns indicadores de realização educacional.Os índices educacionais obtidos por pretos e pardos são sistematicamente inferiores aos de outros grupos raciais. Assim, constata-se que a variável raça continua representando importantes efeitos nessa etapa do ciclo de vida.
Este texto apresenta e sintetiza ampla revisão da bibliografia brasileira, produzida de 1970 a 1989, sobre o tema das relações entre educação e trabalho. O levantamento bibliográfico original arrolou várias centenas de contribuições das áreas da Antropologia, Sociologia, Economia, Política, Pedagogia e da produção técnico-profissional (das quais listam-se aqui cerca de uma centena), buscando uma aproximação teórico-metodológica. O diálogo estabelecido, em torno de eixos temáticos como família, infância e juventude, permite registrar avanços e lacunas, assim como o equacionamento dos problemas da área educacional relacionados à questão do trabalho infanto-juvenil.
Este artigo examina pontos críticos que estão na base dos descompassos que a escola vive hoje. Trata das mudanças que precisariam operar-se para se pôr em movimento condições capazes de levar a uma reversão de perspectivas para a realidade escolar. Aborda a questão do direito subjetivo à educação básica; da necessidade de se cuidar de cada escola e não de um sistema em tese; dos parâmetros éticos a serem concretizados; da necessidade de uma cultura de sucesso e não de fracasso para a escola pública e do papel da avaliação e da participação. A partir daí, propõem-se ações que possam alavancar a escola em direção de mudanças qualitativamente desejáveis.
Esta revisão da produção brasileira e latino-americana sobre formação de professores para as séries do ensino, em torno de três eixos - o perfil do professor, quem o forma, como é formado -, aponta para a necessidade de revisão das estruturas institucionais que alicerçam a formação docente. Levando em conta o quadro atual das políticas públicas no continente latino-americano, sugere-se que o papel do professor venha a sofrer certas transformações radicais. Mantendo-se as funções atuais de guia estruturante do processo ensino-aprendizagem, orientador do desenvolvimento cognitivo e social dos alunos, além de agente integrador escola/comunidade, aponta-se para a urgência de um professor criativo, calibrador da pertinência cultural da educação.
Vários estudos têm mostrado a relação existente entre desenvolvimento econômico de um país e nível de escolaridade de sua população. Países com sistema educacional eficiente e de boa qualidade formam indivíduos qualificados para integrar o mercado de trabalho com melhor produtividade. Em sistemas educacionais ineficientes, como é o caso do brasileiro, o investimento se justifica não somente pelo seu retorno econômico, como também pela melhoria de sua eficiência, o que produz, quase certamente, um retorno financeiro devido à economia obtida com essa melhoria. Os resultados aqui obtidos o confirmam.Investimentos em livro escolar, em material didático e nas condições físicas das escolas - insumos educacionais que visam a melhorar a aprendizagem dos alunos e, desta forma, estabelecer um ensino de melhor qualidade - também aumentam a eficiência do sistema, através da melhoria do fluxo dos alunos. Essa melhoria do fluxo diminui o custo para se obter um aluno formado, devido a um menor desperdício do sistema. A redução de custo mostrou-se maior que o investimento feito.
Nestas considerações procura-se, inicialmente, registrar, com base em trabalhos anteriores, como a mulher vai entrando para o magistério primário e tornando o exercício dessa profissão predominantemente feminino já na virada do século, em São Paulo. Em seguida, procura-se mostrar, a partir de relatos orais e outros documentos, como a maioria feminina não está representada nos postos de controle e de formação de novos profissionais, que continuam a ser ocupados por homens.
Discutem-se neste artigo os conceitos de modernidade e modernização no mundo contemporâneo, à luz da crítica pós-modernista e em termos de sua relevância no campo da educação.
O artigo apresenta alguns dados comparativos sobre a situação educacional de brancos e negros e discute a reação do movimento negro perante a situação dos negros do Brasil, especialmente no que se refere à identidade étnica da criança. Procura mostrar também a configuração que a valorização da identidade vai assumindo em diferentes momentos da luta, processo no qual a recuperação das raízes culturais adquire cada vez maior importância. Finalmente, o artigo comenta algumas experiências do movimento e propostas que apresentou em diferentes oportunidades, ao longo deste século, quando pôde atuar mais diretamente junto aos órgãos educacionais oficiais.
Os esforços para melhorar a qualidade do ensino público no país ressentem-se da ausência de um mapeamento mais preciso dos condicionantes da possibilidade e capacidade social e política para tanto. A partir de uma breve apresentação dos principais programas educacionais lançados nas últimas décadas (EDURURAL, Ciclo Básico, Jornada Única, CIEPs, PROFIC, CIACs), voltados principalmente às populações das periferias urbanas e zonas rurais, este artigo analisa como tais inovações foram afetadas tanto pelo funcionamento de variáveis endógenas ao próprio sistema educacional, como por características que marcam a gestão da coisa pública no Brasil - instabilidade e ambigüidades políticas -, encaminhando, como contraproposta, mecanismos de avaliação e de informação da sociedade civil, para que esta exerça pressão mais efetiva sobre os governos.
Nas últimas décadas tem-se observado uma mobilização mundial pela ampliação e aplicação dos direitos civis a crianças e adolescentes. O desvelamento de condições degradantes, materiais e morais, em que vivem muitas crianças e adolescentes de países ricos e pobres têm suscitado a indignação e a busca de soluções entre aqueles que defendem a construção de uma Terra onde os direitos humanos sejam extensivos a todos seus habitantes.
Uma perspectiva teórico-metodológica baseada em postulados sócio-interacionistas e usando o conceito de "papel" orienta a análise de alguns episódios interacionais de dois grupos de crianças de dois a quatro anos matriculados em creche. Tais episódios são apresentados para se discutir a evolução da coordenação de papéis no período etário estudado. Ao final, é feita uma discussão acerca das funções das interações criança-criança no desenvolvimento infantil e como a creche pode estruturar situações favorecedoras daquelas interações.
Este texto divide-se em três partes: na primeira, proponho uma comparação entre as leis e as regras, trabalhando uma comparação entre as leis e as regras, trabalhando também o estatuto das regras na teoria de Piaget e nos jogos. Na segunda parte, como discussão, faço uma análise do discurso da lei pela escola e pelos professores e de como, na minha opinião, a Psicopedagogia contribui para uma reconsideração de tais discursos. Na terceira parte, tento desenvolver o discurso da lei no próprio corpo da Psicopedagogia e procuro identificar algumas das contribuições do Construtivismo de Piaget para uma reconsideração desse discurso em favor do discurso da regra.
A distribuição desigual da população que tem acesso à escrita entre "alfabetizados" e "leitores" é colocada em questão, obrigando os sistemas educacionais de todos os países a reconsiderar o ensino da leitura ou, mais precisamente, a considerá-lo. Neste texto, o autor parte do esclarecimento da própria natureza da escrita e da leitura, bem como do estatuto do leitor, para discutir as condições para que uma criança aprenda a ler, avançando sugestões para uma política que permita a todos os escolares a apropriação da leitura com significado.