O artigo visa descrever e analisar como se dá, por parte dos alunos de uma escola rural do Piauí, a construção do sistema alfabético de representação da língua escrita. Valendo-se da concepção teórica de Emilia Ferreiro e utilizando procedimentos semelhantes, os resultados apontam que, para alcançar o nível alfabético, as crianças precisam de alguns anos; isso se explica não só por fatores estruturais, como também, e sobretudo, por fatores internos à própria escola rural, notadamente pelas dificuldades da professora leiga em atuar como mediadora do conhecimento na relação ensino-aprendizagem.
A tentativa de avaliar a cobertura dos estabelecimentos que atendem à criança de 0 a 6 anos no Brasil, caracterizados como creche, pré-escola ou similar, esbarra em dificuldades relativas às fontes de informação. As estatísticas pertinentes fornecidas por diversos órgãos governamentais têm em comum a conceituação imprecisa dos diferentes tipos de atendimento, diferindo na forma de coleta dos dados, universo e período abrangidos, apresentando discrepâncias que não permitem inferir senão tendências desse atendimento durante a última década.
O artigo, através de estatísticas educacionais e informações orçamentárias publicadas, descrevem e analisam a situação atual e evolução do ensino de 2º grau no Brasil. Iniciando por uma discussão metodológica sobre fontes geradoras de estatísticas educacionais e indicadores de escolaridade, o texto prossegue avaliando a cobertura/demanda para este grau de ensino, articulando-a com a política educacional brasileira (evidenciada pela expansão da matrícula e alocação de recursos aos diferentes níveis de ensino) e características da clientela (dando ênfase à sua origem sócio-econômica, condição de ocupação e à crescente participação feminina).
Este trabalho educativo junto à população rural do Estado do Espírito Santo, a Escola-Família Agrícola (EFA) acolhe alunos de 1º e 2º Graus. Funcionando como escola técnica agrícola, as EFAs foram criadas pelo Movimento Educacional e Promocional do Espírito Santo (MEPES), visando não só fixar o homem instruído no campo, minimizando o êxodo rural, mas conscientizá-lo de sua função política, tornando-o agente na história de seu grupo social. Com uma estrutura administrativa que busca ser democrática, uma metodologia de valorização da cultura da comunidade onde se instalam, as EFAs apresentam contribuições originais, como a alternância da permanência dos alunos em casa e na escola e o envolvimento dos pais. Discutem-se as realizações positivas desse projeto educativo e as contradições vivenciadas entre o ideal político-pedagógico e sua implantação na prática.
O levantamento de concepções vigentes acerca da avaliação educacional permite a discussão de seus objetivos e metodologia, assim como da necessidade de posicionamento por parte do avaliador, especialmente quando aplicada à situação específica do rendimento escolar.
O levantamento de opiniões e conhecimento de professores acerca da anticoncepção, feito entre docentes da 5ª à 8ª séries do 1º Grau da rede pública no Recife, revela alto grau de desconhecimento sobre métodos anticoncepcionais, assim como um descompasso, por parte de professores católicos, entre sua fé e os preceitos da Igreja, tradicional opositora da maioria das práticas anticoncepcionais.
O intuito do artigo é acompanhar alguns aspectos da implantação da rede educacional em São Paulo no primeiro período republicano, chamando a atenção para o fato de que, se os ideais republicanos eram amplos e dirigidos a toda a população, a política educacional adotada naquele período foi a de atendimento restrito e preferencial às populações urbanas, em detrimento das residentes em áreas rurais as quais, embora majoritárias, eram justamente aquelas consideradas, na época, como mais avessas à educação escolar.
Três modalidades ou propostas educativas interagem, com destaque, no campo da educação de adultos na América Latina nas últimas três décadas. São conhecidas, habitualmente, sob os nomes de educação popular. No Terreno da prática, por certo, os valores, padrões operacionais e objetivos dessas modalidades ou propostas podem combinar-se nos programas de ação educativa. Aqui as distinguimos, analiticamente, enquanto tipos de modalidades educativas.
Este trabalho tem por finalidade discutir introdutoriamente a importância da educação no contexto da política social. De modo geral, atribui-se relevo considerável principalmente à universalização da educação de 1° grau, embora por razões diversas, dependendo do ponto de vista que se fala em teoria, nomeadamente nos planos oficiais, de tal sorte que por vezes se tem a impressão de indisfarçável boicote, não consciente, mas disseminado nas contradições extremas que caracterizam o sistema de educação.
Este artigo discute a possível contribuição de uma prática pedagógica integradora e radical na formação, por parte dos adolescentes, de representações sociais de nível crítico. Com base nas respostas dadas por alunos e egressos de três escolas técnico-agrícolas a questões sobre problemas sociais, a autora detecta uma importante diferença: consistentemente, a maior parte das opiniões críticas foram manifestadas por respondentes provenientes da escola onde três professoras desenvolviam um trabalho pedagógico radical. Os resultados são usados para questionar a função social do ensino de 2º grau.
Este texto sumaria as questões de um estudo de caso integrado ao "Programa de Avaliação da Reforma Universitária", desenvolvido pela CAPES, visando "conhecer as reais condições nas quais se realizam as atividades de produção e disseminação do conhecimento no sistema de educação superior". Propõe-se mostrar como e por que a relação entre ensino e pesquisa, prevista em lei como indissociável, pode ser melhor compreendida enquanto elaboração de um projeto dos professores e das instituições da qual fazem parte. Através da análise do discurso de quarenta professores-pesquisadores, de áreas distintas do conhecimento (Biologia, Física, Letras e Ciências Sociais), busca-se perceber a maneira pela qual eles elaboram e explicam suas práticas cotidianas num dado contexto, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro, que só pode ser compreendida à luz das práticas sociais mais abrangentes da sociedade brasileira e da história de suas instituições de ensino superior e de pesquisa.
A escrita e a linguagem oral são sistemas de representação e comunicação complementares, diferentes em sua estrutura e funcionamento. A mais evidente e central dessas funções é a de interlocução à distância, características da escrita que supera os limites do tempo e do espaço, exigindo do escritor um jogo de pressuposições e representações para construir uma audiência imaginada.
Mudanças profundas na estrutura social dos países da América Latina acarretaram mudanças nos respectivos sistemas educacionais, na estrutura ocupacional e nos mecanismos de mobilidade social. A educação, apesar do papel-chave nessas transformações, não funcionou como agente de integração cultural. Nas sociedades latino-americanas convivem formas segmentárias com formas modernas de hierarquia social, onde as barreiras definidas pela cor da pele foram reforçadas pelos novos mecanismos de exclusão social. A extrema dependência das análises sociológicas para com a economia e a ideologia tende a negligenciar a identidade de grupos sociais e suas formas de interação social e de cultura. Apresentam-se dados sugerindo a incapacidade de intervenção da educação nas descontinuidades sócio-culturais ligadas à auto-identificação racial, apontando para a necessidade de um esforço de conhecimento por parte da sociologia da educação.
O presente texto pretende discutir a realidade da formação de professores - a Habilitação Magistério - a nível de 2º grau, seus problemas e propostas para a superação dos mesmos. Discutem-se a proposta do Centro de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério (CEFAM) nacional, a do CEFAM de São Paulo, além de sugestões para a própria habilitação. Para contextualizar melhor a problemática, foram localizadas as origens da École Normale na França e a instalação das mesmas no Brasil, até a transformação (ou destruição) delas, quando da implantação da Lei 5692/71 que cria a Habilitação-Magistério como uma das habilitações do ensino de 2º grau.
O artigo trata das funções sociais da educação de 2º Grau, no Brasil contemporâneo, tendo como referência a análise das contradições entre o desenvolvimento das forças produtivas e as relações de produção nas formações sociais capitalistas periféricas. Distinguem-se dois grupos de questões. O primeiro deles diz respeito à superação da atual posição desfavorável ocupada pelo país na divisão internacional do trabalho. Nessa perspectiva, o 2º Grau se apresenta como parte integrante da educação básica, cabendo-lhe fornecer, a todos os cidadãos brasileiros, elementos para que dominem os processos produtivos e compreendam as condições históricas da produção do conhecimento científico e tecnológico, assim como meios de acesso sistemático às humanidades e às artes. O segundo grupo de questões está relacionado ao caráter de classe da sociedade brasileira. Para fazer reverter a eventual mudança das condições do país em favor dos segmentos sociais hoje explorados e marginalizados, cabe ao 2º Grau instrumentalizar todos os cidadãos para que se tornem capazes de lutar por seus direitos e pela construção de uma sociedade igualitária.
Este artigo faz um breve inventário das principais influências teóricas sobre a organização do ensino e do currículo, desde o idealismo subjetivista e o modelo da eficiência burocrática - preponderante nas primeiras décadas do século XX - passando pelas teorias cognitivistas ou behavioristas dos anos 50, cuja ênfase às fases do desenvolvimento infantil permitiu métodos de ensino e organizações curriculares mais realistas e adequadas. Aborda ainda as teorias que, embora não se reflitam diretamente em propostas curriculares e organizativas em nossas escolas, permitem criticar e, eventualmente, reorientar essas propostas: as teorias sobre a desigualdade de oportunidades educacionais, de Coleman e Jencks; as do conflito, de Baudelot-Establet, Bourdieu-Passeron e Bowles-Gintis; e as correntes interpretativas e etnográficas, que propõem a reforma do currículo e do funcionamento interno da escola.
Reflete-se, neste trabalho, a respeito do ressurgimento, nas últimas duas décadas, do interesse pelo estudo da interaçäo criança-criança, e de suas conseqüências nas concepções sobre a criança e sobre o processo de desenvolvimento. Säo apresentadas algumas evidências no sentido de caracterizar o fenômeno interação criança-criança de acordo com a nova compreensão que a pesquisa recente vem oferecendo sobre sua natureza e seu significado funcional.
Uma revisão da literatura brasileira especializada permite identificar justificativas e motivações para a formação profissional do deficiente mental. Grande parte do discurso destina-se à persuasão de agentes públicos e privados, apontando benefícios de ordem econômica e social decorrentes da profissionalização do deficiente; raras vezes a literatura se volta para os próprios portadores de deficiência e para os benefícios reais que lhes adviriam de tal formação.
Um rápido balanço das correntes emergentes dentro da teoria e crítica literária feminista, especialmente a anglo-americana e a francesa, aponta suas vantagens e limitações, sugerindo o aprofundamento de uma visão crítica da noção de gênero para a análise literária.