Este trabalho identifica as características dos jardins de infância e escolas maternais criados no fim do período imperial e início da República (l875 a 1930) em São Paulo e especifica os objetivos e funções da educação infantil.
O tema deste ensaio é a especificidade do objeto da pesquisa em educação, cujo trato envolve meditações teóricas e testemunhos da prática cotidiana. Está claro que este tratamento do tema irrompe, em grande parte, de minhas experiências de pesquisador solitário e de orientador em mais de duas dezenas de trabalhos acadêmicos, distribuídos entre dissertação de mestrado e teses de doutorado, muitos deles publicados em livros. É certo que o tratamento do tema recebe influência das atividades do pesquisador desacompanhado, que sustentou suas próprias pesquisas (mestrado, doutorado, livre-docência, livros, artigos), assim como ainda traz influência da participação em muitas bancas examinadoras de estudos da mais variada natureza. E tal não seria, se fosse possível extirpar anos e anos de pesquisa universitária.
Debate-se a crise da universidade brasileira e o papel da administração nesse processo. A visão racional da administração universitária é considerada como um dos fatores constitutivos da crise. Discutem-se teórica e criticamente os conceitos de racionalidade, irracionalidade, crise e ambigüidade e propõe-se uma revisão desses conceitos, susceptíveis de serem adotados pela administração universitária. Algumas questões poderão se beneficiar da revisão teórica efetuada: as abordagens macro e micro da administração; a participação no processo decisório e a democratização; e a compatibilização da diversidade com a integração. O trabalho conclui apontando ser possível edificar um modelo de administração universitária que, adotando uma visão revista da racionalidade, possa ser parte integrante da superação da crise.
Intrigante e desafiador é o texto de Sérgio Luna, no qual procura demonstrar que existe um falso conflito entre tendências metodológicas. Com muita pertinência, denuncia uma série de atitudes levianas que se instalam no meio acadêmico e que contribuem para a desqualificação da produção docente e discente.
Este artigo retraça a evolução da preocupação de estudiosos brasileiros com a discriminação racial tal como aparece em produções didáticas e paradidáticas destinadas à infância e à adolescência, e propõe um início de debate sobre as políticas públicas concernentes à questão.
As mulheres representam mais da população brasileira, e 52% do eleitorado. Apesar do crescimento de sua participação na força de trabalho, apenas 20, 6% atingem a faixa de dois salários mínimos e 46% não possuem vínculo empregatício, situação que se acentua na área de serviços, onde 75% não possuem carteira assinada, excluídas, portanto dos benefícios sociais de seu trabalho.
Baseado nas representações de trabalhadores da Grande São Paulo, o artigo investiga o processo de encarreiramento profissional de homens e mulheres das classes subalternas, discutindo suas aspirações, movimento ascensional e busca de qualificação profissional. O exame das contradições em seus projetos à luz das determinações do mercado leva ao questionamento da valorização do trabalho autônomo versus assalariamento, assim como da própria condição de classe de um operariado embalado na quimera da sociedade igualitária que acena com a possibilidade de ascensão. O artigo insere-se na preocupação do autor em contribuir para o redirecionamento da Orientação Profissional.
A expressão já é gasta: “escola de periferia”. Um bairro com precárias condições de saneamento e transporte, moradias pobres, um trecho favela. Uma população predominante de migrantes, que trabalham em sua maioria na cidade de São Paulo. Uma escola estadual localizada no alto do morro, divisa com outro bairro, considerado de “classe média” por seus moradores.
O estudo das relações de gênero tem hoje legitimidade inquestionável. O exame do papel desempenhado pelo movimento social das mulheres, no processo de diferenciação da nova área temática, suscita a interrogação a respeito do porquê da Universidade não ter se constituído num dos campos de batalha prioritários para as pesquisadoras feministas, e remete para a discussão da natureza híbrida do feminismo brasileiro.
Este texto faz parte de um conjunto de artigos arrolados sob o título Diagnósticos: Análise de Dados e do Sistema Escolar. O tema se desenvolveu, inicialmente, através da apresentação e discussão de dados coletados pelas Fundações IBGE e SEADE sobre instrução da população negra residindo no Estado e na Grande São Paulo. Tratou-se, também, tanto no desenrolar das comunicações, quanto nos debates de questões metodológicas e ideológicas relativas à coleta de informações sobre a cor nos Censos Demográficos e em outras pesquisas oficiais sobre a população brasileira. Num segundo momento, expositores e debatedores avançaram na análise sobre os mecanismos discriminatórios que afetam o alunado negro presentes no sistema educacional, seja a nível organizacional, seja a nível curricular.
A creche comunitária é uma forma de organização para a guarda e o cuidado da criança pequena que surge no final dos anos 70, em diferentes bairros da região industrial de Belo Horizonte (Minas Gerais) e municípios adjacentes, como fruto da luta e da solidariedade de grupos de mulheres aí residentes. Da formulação dos estatutos, do aluguel de um imóvel ao pleno funcionamento das creches contava-se apenas com os recursos da comunidade: trabalho voluntário, contribuições das famílias usuárias, doações, promoções de bazares, festinhas, rifas etc.
Este texto faz parte de um conjunto de artigos arrolados sob o título Processo de Socialização da Criança e Formação da Identidade. Os textos agrupados em torno deste tema - estudos de caráter abrangente ou pesquisas que enfocam realidades específicas - abordam diversas questões envolvidas na compreensão da socialização e da formação de identidade da população negra brasileira. Resgatar, recuperar, fortalecer, dar visibilidade a uma identidade ambígua, negada, enfraquecida por um país que formula e executa "uma política histórica de assimilação do diferente, do outro" foram falas freqüentemente emitidas por expositores e debatedores. Por outro lado, as falas permitem que se apreenda, também, a extensão das iniciativas da raça negra no intuito de afirmação de sua identidade étnico-cultural. Tais iniciativas serão retomadas em outros temas, principalmente no que diz respeito a suas interfaces com o sistema formal de ensino.
Este texto faz parte de um conjunto de artigos arrolados sob o título Livro Didático: Análises e Propostas.A discriminação contra a raça negra produzida e veiculada pelos livros didáticos constituiu o tema central deste painel. Foram apresentados e discutidos resultados de pesquisa, revisão da bibliografia nacional sobre o assunto, sugestões para transformação dos conteúdos, bem como relatos de iniciativas visando a sensibilização de produtores e usuários quanto ao racismo contido nos materiais didáticos. Durante o debate foram levantadas questões controversas - Qual a importância efetiva do livro didático na produção e manutenção do racismo? Os livros não estariam retratando apenas a situação de inferioridade social vivida pela população negra? - além de se destacar o papel do(a) professor(a) como medador(a) no circuito produção-recepção do livro didático.
Este trabalho procurou reunir num quadro coerente e sistemático, dados, informações e reflexões sobre a educação de negros que, devido a ausência de estudos específicos sobre o tema, aparecem dispersos na extensa bibliografia sobre o negro brasileiro. Estes dados foram discutidos e organizados sob os seguintes tópicos: A educação no contexto teórico dos trabalhos sobre o negro brasileiro; Dados de interesse sobre a educação do negro; Fatores que interferem na escolarização do negro; Conseqüências da escolarização do negro; Resistências e perspectivas.
Respondendo a uma indagação sobre como via o papel do intelectual em seus dias, Foucault certa vez afirmou: “Durante muito tempo o intelectual dito `de esquerda` tomou a palavra e viu reconhecido o seu direito de falar enquanto dono de verdade e de justiça. As pessoas o ouviam, ou ele pretendia se fazer ouvir como representante do universal (...) há muitos anos que não se pede mais ao intelectual que desempenhe este papel.
O artigo trata de forma sucinta o desenvolvimento das concepções pedagógicas no Brasil. O período abordado vai de 1889 a 1986, ou seja, toda a República. São mencionadas a Pedagogia Tradicional, a Pedagogia Nova, a Pedagogia Libertária, a Pedagogia Socialista, a Pedagogia Libertadora, a Pedagogia Tecnicista, as Pedagogias Não-Diretivas, as Teorias Crítico-Reprodutivistas e a Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos (Pedagogia Histórico-Crítico).
Este texto faz parte de um conjunto de artigos arrolados sob o título Processo de Socialização da Criança e Formação da Identidade. Os textos agrupados em torno deste tema - estudos de caráter abrangente ou pesquisas que enfocam realidades específicas - abordam diversas questões envolvidas na compreensão da socialização e da formação de identidade da população negra brasileira. Resgatar, recuperar, fortalecer, dar visibilidade a uma identidade ambígua, negada, enfraquecida por um país que formula e executa "uma política histórica de assimilação do diferente, do outro" foram falas freqüentemente emitidas por expositores e debatedores. Por outro lado, as falas permitem que se apreenda, também, a extensão das iniciativas da raça negra no intuito de afirmação de sua identidade étnico-cultural. Tais iniciativas serão retomadas em outros temas, principalmente no que diz respeito a suas interfaces com o sistema formal de ensino.
Este texto pode ser definido como um exercício de transbordamento. Nele, o caminho (o meu caminho) impregna a escrita numa tentativa desajeitada e provisória de recriar o que me é dado, de forjar o que sofro. Há doze anos venho trabalhando como professora e pesquisadora em História da Educação Brasileira e pareceu-me oportuno colocar no papel o que sinto e penso na relação cotidiana que estabeleço com companheiros de trabalho, alunos e os documentos que tenho tido oportunidade de manusear nos arquivos e bibliotecas públicas.
O fenômeno creche caracteriza-se por uma complexidade de fatores diversos, que incluem componentes ideológicos, históricos, psicológicos, econômicos, políticos e sociais, permanecendo como pano de fundo o papel que tem sido confiado à mulher na guarda e educação de seu filho.
Este texto faz parte de um conjunto de artigos arrolados sob o título Livro Didático: Análises e Propostas.A discriminação contra a raça negra produzida e veiculada pelos livros didáticos constituiu o tema central deste painel. Foram apresentados e discutidos resultados de pesquisa, revisão da bibliografia nacional sobre o assunto, sugestões para transformação dos conteúdos, bem como relatos de iniciativas visando a sensibilização de produtores e usuários quanto ao racismo contido nos materiais didáticos. Durante o debate foram levantadas questões controversas - Qual a importância efetiva do livro didático na produção e manutenção do racismo? Os livros não estariam retratando apenas a situação de inferioridade social vivida pela população negra? - além de se destacar o papel do(a) professor(a) como medador(a) no circuito produção-recepção do livro didático.