Este texto faz parte de um conjunto de artigos arrolados sob o título Currículo: Propostas e Experiências de Implantação. As várias tentativas de implantação de Estudos Africanos - como disciplina ou tópico de disciplina - no currículo escolar foi o foco norteador das comunicações e dos debates agrupados neste tema. Assim, foram analisados os fundamentos que balizam as propostas que estão sendo implantadas, relatados os avanços e as dificuldades vividos neste processo de implantação. Observou-se uma ampliação do debate sobre o currículo que convém a uma escola não racista através da discussão sobre a produção, seleção e transmissão do conhecimento no sistema de ensino.
Este texto faz parte de um conjunto de artigos arrolados sob o título Diagnósticos: Análise de Dados e do Sistema Escolar. O tema se desenvolveu, inicialmente, através da apresentação e discussão de dados coletados pelas Fundações IBGE e SEADE sobre instrução da população negra residindo no Estado e na Grande São Paulo. Tratou-se, também, tanto no desenrolar das comunicações, quanto nos debates de questões metodológicas e ideológicas relativas à coleta de informações sobre a cor nos Censos Demográficos e em outras pesquisas oficiais sobre a população brasileira. Num segundo momento, expositores e debatedores avançaram na análise sobre os mecanismos discriminatórios que afetam o alunado negro presentes no sistema educacional, seja a nível organizacional, seja a nível curricular.
Este texto faz parte de um conjunto de artigos arrolados sob o título Currículo: Propostas e Experiências de Implantação.As várias tentativas de implantação de Estudos Africanos - como disciplina ou tópico de disciplina - no currículo escolar foi o foco norteador das comunicações e dos debates agrupados neste tema. Assim, foram analisados os fundamentos que balizam as propostas que estão sendo implantadas, relatados os avanços e as dificuldades vividos neste processo de implantação. Observou-se uma ampliação do debate sobre o currículo que convém a uma escola não racista através da discussão sobre a produção, seleção e transmissão do conhecimento no sistema de ensino.
Um exame da composição de classe ao longo das duas últimas décadas aponta para algo bastante dramático. O processo de proletarização tem tido um efeito tanto amplo quanto consistente. Dada a crise fiscal do estado, esse impacto será sentido mais diretamente entre empregados do estado, tal como o professorado. O processo de trabalho docente tem se tornado sujeito aos mesmos processos que têm levado à proletarização de muitos outros empregos. Contudo, o professorado não é constituído somente de pessoas situadas numa determinada classe. São pessoas também situadas num determinado gênero. Há uma evidente conclusão a ser tirada das análises da proletarização. Em toda categoria ocupacional, as mulheres estão mais sujeitas ao processo de proletarização que os homens. Este padrão é, naturalmente, amplamente reproduzido dentro da educação. Embora a imensa maioria do professorado nos Estados Unidos seja constituída de mulheres, a maioria dos cargos de direção nas escolas elementares é mantido por homens. Eu argumento que, a menos que vejamos as conexões entre essas duas dinâmicas - classe e gênero - não poderemos entender a história e os tentativos presentes para racionalizar a educação ou as raízes e os efeitos da proletarização sobre o próprio ato docente. É na intersecção dessas duas dinâmicas que se pode começar a deslindar algumas das razões pelas quais os procedimentos para racionalizar o trabalho docente têm se desenvolvido.
Este texto faz parte de um conjunto de artigos arrolados sob o título Diagnósticos: Análise de Dados e do Sistema Escolar. O tema se desenvolveu, inicialmente, através da apresentação e discussão de dados coletados pelas Fundações IBGE e SEADE sobre instrução da população negra residindo no Estado e na Grande São Paulo. Tratou-se, também, tanto no desenrolar das comunicações, quanto nos debates de questões metodológicas e ideológicas relativas à coleta de informações sobre a cor nos Censos Demográficos e em outras pesquisas oficiais sobre a população brasileira. Num segundo momento, expositores e debatedores avançaram na análise sobre os mecanismos discriminatórios que afetam o alunado negro presentes no sistema educacional, seja a nível organizacional, seja a nível curricular.
Este texto faz parte de um conjunto de artigos arrolados sob o título Processo de Socialização da Criança e Formação da Identidade. Os textos agrupados em torno deste tema - estudos de caráter abrangente ou pesquisas que enfocam realidades específicas - abordam diversas questões envolvidas na compreensão da socialização e da formação de identidade da população negra brasileira. Resgatar, recuperar, fortalecer, dar visibilidade a uma identidade ambígua, negada, enfraquecida por um país que formula e executa "uma política histórica de assimilação do diferente, do outro" foram falas freqüentemente emitidas por expositores e debatedores. Por outro lado, as falas permitem que se apreenda, também, a extensão das iniciativas da raça negra no intuito de afirmação de sua identidade étnico-cultural. Tais iniciativas serão retomadas em outros temas, principalmente no que diz respeito a suas interfaces com o sistema formal de ensino.
O tema da descentralização municipal, seja em termos gerais, seja referido especificamente ao terreno da educação, tem sido discutido de maneira extensa no Brasil. No mais das vezes, essa discussão está relacionada à questão do federalismo. A literatura disponível, entretanto, mostra natureza mais normativa ou prescritiva que propriamente empírica ou operacional.
Este artigo constitui um relato sobre minha experiência em uma creche direta, ou seja, totalmente sustentada pela Prefeitura do Município de São Paulo. É preciso alertar que, por uma imposição da vida, a história da prática de centenas de pessoas envolvidas nas creches do Estado de São Paulo vem se perdendo, pela falta de registro dessa experiência.
O artigo discute qual impacto do aumento significativo do número de trabalhadoras no mercado de trabalho brasileiro, e das transformações ocorridas a partir dos anos 70 taxas mais elevadas de atividades das casadas e das mães, crescimento relativamente mais acentuado da presença feminina nas ocupações burocráticas e no comércio na elaboração de políticas de públicas visando iguais oportunidades de trabalho, não discriminação no seu desempenho e condições concretas para sua realização. As mulheres participam ativamente dos debates para a elaboração da nova Constituição, encaminhando suas propostas através de canais como os Conselhos da Condição Feminina (SP) e o Nacional dos Direitos da Mulher. A revisão crítica da legislação trabalhista existente é uma etapa importante. Mas os primeiros debates mostram não haver consenso entre elas: de um lado defende-se a posição de igualdade entre trabalhadores de um e outro sexo, exceto no que diz respeito à maternidade, o que à eliminação do protecionismo contido na Lei e à manutenção apenas das normas de proteção à trabalhadora gestante. De outra parte defende-se a manutenção de critérios diferenciados para os sexos, com base no argumento de que, já que a sociedade desfavorece às mulheres, deve-lhes alguma forma de compensação.
Educação se coaduna com participação, porque é um dos canais de sua conquista. Sobretudo quando entendemos educação em contexto cultural comunitário. A cultura comunitária é a parteira da participação, porque nela se gesta a fé nas próprias potencialidades. Quem não a tem ou não a cultiva, entregou-se à sina da descaracterização histórica, que coincide com as formas de dependência e de atrelamento ao destino dos outros (Demo, 1980, 1982, 2986).
A importância de se discutir questões relativas à administração da educação pública no Brasil não se prende ao fato da proximidade da Constituinte, pois não se pode esperar da Assembléia, mais do que o fortalecimento da república constitucional de cabresto curto. É a compreensão crítica do caráter da Nova República que torna premente a identificação dos caminhos para a mudança no setor educacional, traçados pelos dirigentes nacionais, nos quais poderão trilhar muitos educadores, ou por partilharem dos ideais democráticos do governo, ou por terem se equivicado na mudança de caminho.
O artigo discute as principais questões envolvidas na definição dos direitos à educação das crianças de 0 a 6 anos no novo texto constitucional a ser elaborado. Em seguida, analisa as propostas já existentes - especialmente aquela preparada pela Comissão Provisória de Estudos Constitucionais, coordenada por Afonso Arinos - no que se refere aos direitos das crianças nesta faixa de idade.
O Interessante e oportuno artigo de Maria Helena Souza Patto, a criança marginalizada para os piagentianos brasileiros: deficiente ou não? Publicado no n. 51, de novembro de 1984, dos Cadernos de Pesquisa, provocou a elaboração deste texto, meio do qual aceitamos o desafiante convite para debater o problema, ali levantado, da caracterização cognitiva das crianças de camadas populares segundo a teoria de Jean Piaget.
A grande maioria dos atuais programas de intervenção para prevenir o atraso no desenvolvimento baseia-se em alguns pressupostos questionáveis - o de período crítico e o de privação cultural. A aceitação ou não destes pressupostos tende a ter implicações inteiramente diversas sobre as estratégias de ação daquelas pessoas envolvidas no favorecimento do desenvolvimento de crianças de baixo nível sócio-econômico. A partir de uma análise desses dois pressupostos, este trabalho procura argumentar sobre a necessidade de uma intervenção precoce, para quem ela poderia ser necessária, quando deveria ser iniciada e como deveria ser implementada.
Como tem sido feito muitas vezes a partir do início dos anos 80, quando um tema começa a acirrar os ânimos da "comunidade acadêmica", o governo opta por antecipar-se no controle das inovações. O poder público, então, investe no debate, patrocinando discussões e financiando encontros onde, com certa freqüência, são convidados a opinar justamente os questionadores da primeira hora. Com isso cumpre-se o ritual da "consulta às bases". A decisão dos grandes temas, porém, permanece exclisiva de poucos; mas, de tal maneira, as polêmicas são mantidas em panos quentes, esfria o calor da crítica. Alguns ganham tempo, outros perdem. É uma questão de onde se pões o observador a olhar.
A assim dita crise da universidade vive a polarização entre os que, de um lado, lamentam os novos tempos, interpretados como perda crescente de substância acadêmica, e, de outro lado, os que desejam introduzir na vida universitária processos democratizantes. Trata-se de uma polarização geralmente aguda, pois se passa com rigidez de uma situação de fechamento autoritário típico, para uma de escaramento já talvez populista, rumo a condições ainda não experimentadas e por isso tidas como temerária.
Tendo em vista subsidiar as discussões a respeito de uma práxis administrativa escolar voltada para a transformação social, o artigo estuda a natureza do processo de produção pedagógico que tem lugar na escola, contrastando-o com o processo de produção material e investigando até onde o modo de produzir tipicamente capitalista pode generalizar-sena escola, a ponto de dar-se aí a completa subordinação real do trabalho ao capital.
O propósito deste trabalho foi examinar a questão do aleitamento materno do ângulo de um certo favorecimento desta prática e de sua duração, em se tratando de filhos homens. O que nos orientou foi a constatação, através do exame das estatísticas vitais, de um sub-registro acentuado de óbitos e nascimentos do sexo feminino. Muito embora neste trabalho não se tenha, sempre, chegado a diferenças estatisticamente significantes no sentido da hipótese de trabalho proposta, a prevalência e o tempo médio de amamentação sistematicamente maiores para os meninos, abrem perspectivas para estudos que possam aprofundar esta questão.
A pesquisa avaliou o desempenho em leitura de crianças na 1ª e 2ª séries do 1º grau, utilizando como critérios de proficiência três variáveis: a compreensão e o emprego de conhecimentos gramaticais durante a leitura e a interpretação após a mesma. Estas variáveis definem o perfil de proficiência de um instrumento denominado, Inventário de erros na leitura (IEL), que se baseia na concepção da leitura como um processo psicolingüístico. No IEL avalia-se a proficiência, analisando os "erros" da criança na leitura oral e as estratégias de autocorreção. A amostra foi constituída por 41 sujeitos aleatoriamente selecionados: 20 da 1ª série e 21 da 2ª. De uma extensa lista de resultados relacionados com os objetivos específicos, destacam-se como mais importantes os seguinte: os sujeitos corrigiram ou tentaram corrigir espontaneamente apenas 22,6% de seus "erros"; os sujeitos corrigiram 65,55% dos "errros" que resultaram em sentenças gramaticais incorretas e somente 12% daqueles que não deturparam a estrutura gramatical; os sujeitos corrigiram 64,85% dos "erros" que resultaram em sentenças sem sentido e apenas 10,05% daqueles que não destruíram o significado; de acordo com os critérios do IEL a proficiência dos sujeitos foi considerada regular. Os resultados confirmam que a leitura é efetivamente um processo psicolingüístico e sugerem um repensar sobre as práticas metodológicas relacionadas com o ensino da mesma.
Com a publicação desta primeira versão sobre a vida e obra de Ercília Nogueira Cobra espero desencadear novos estudos e receber críticas e sugestões no sentido de ampliar e aprimorar este trabalho. Parte da pesquisa foi financiada pela Fundação Ford, 3º Concurso de dotação de bolsas de pesquisa sobre a mulher da Fundação Carlos Chagas, inclusive a minha viagem a Caxias do Sul. Quero agradecer, também, a Marlyse Meyer e Zulaiê Cobra Ribeiro pelo insentivo e a Erich Gemeinder pela generosidade, ao proporcionar-me a consulta de vasto material em sua biblioteca.