Observa-se, em relação aos estudos sobre a escola, a mesma insatisfação que levou muitos a enveredar pela experiência da pesquisa chamada de “participante”, em outras áreas. Quando se trata de educação, essa tendência revela um interesse especial, dada a dimensão educativa inerente às experiências de pesquisa participante
A presente pesquisa é parte do projeto "Introdução da Tecnologia Educacional no Brasil". Consiste na análise da atuação do Logos II no Piauí, procurando verificar os elementos mais significativos assim como os principais problemas encontrados na implantação do Projeto naquele Estado. A pesquisa, que se caracterizou como um estudo avaliativo, utilizou como principais fontes de informação a equipe de coordenação regional do Piauí, 5 orientadores e supervisores docentes, 772 professores-cursistas, além de dados de observação e de análise de documentos. Os resultados de estudo indicaram que os professores-cursistas e os supervisores consideram o uso de módulos instrucionais uma estratégia efetiva para o treinamento de professores leigos da área rural já que possibilita a titulação dos professores sem que estes tenham que deixar seu trabalho. Outro aspecto apontado como positivo foi a possibilidade de aplicação imediata do treinamento na sala de aula. A pesquisa, no entanto, levanta várias questões quanto à relevância social dos objetivos do Projeto, quanto à sua adequação à situação concreta do professor e quanto ao seu atendimento à diversidade regional da clientela.
Nossa intenção nesse debate as funções da pré-escola, é tentar escobar uma articulação entre o que a Educação Pré-Escola oferece num determinado contexto político, social e econômico e as expectativas das famílias das classes populares que efetivamente têm acesso a ela. Para chegarmos a essa questão, vamos percorrer uma breve compreensão histórica do papel que a Educação Pré-Escola tem assumindo nos países em desenvolvimento.
Os objetivos deste estudo descritivo, baseado nos dados publicados pelo Censo de 1980, são os seguintes: (a) descrever o mais fielmente quanto possível o aspecto quantitativo das redes particular e pública de ensino... (b) identificar as regiões sócio-econômicas que lideram as estatísticas...(c) comparar o crescimento de rede de ensino com o crescimento da clientela destinadas aos diferentes níveis...(d) oferecer recomendações para a tomada de decisão bem informada em matéria educacional.
O objetivo deste artigo é analisar as diversas legislações e diretrizes políticas que surgiram em relação à educação pré-escolar no Brasil, nas duas últimas décadas. Com base em dados estatísticos mais recentes confrontamos o discurso oficial com as formas de sua viabilização. Embora o discurso oficial em relação à necessidade do atendimento seja claro e enfático, as formas de sua viabilização continuam modestas. A partir da análise aqui desenvolvida enfatiza-se a busca de alternativas de atendimento que respondam às necessidades internas do país. Isto só será possível na medida que se ampliem os canais de participação da sociedade civil. Finalmente, assinalamos a necessidade de se formular uma política educacional baseada fundamentalmente em informações sobre as características da criança brasileira e não em pesquisas realizadas em países onde o contexto social é bastante diferente do contexto social brasileiro.
Em junho de 1982, uma equipe de pesquisadoras da Fundação Carlos Chagas, em colaboração com uma equipe técnica da Prefeitura Municipal de Piracicaba, realizou um Encontro para Profissionais de Creche, que durante 3 dias, reuniu 43 pajens e 8 técnicas trabalhando em creches no Estado de São Paulo.
Em junho de 1982, uma equipe de pesquisadoras da Fundação Carlos Chagas, em colaboração com uma equipe técnica da Prefeitura Municipal de Piracicaba, realizou um Encontro para Profissionais de Creche, que durante 3 dias, reuniu 43 pajens e 8 técnicas trabalhando em creches no Estado de São Paulo. Este trabalho constituiu, na verdade, um desdobramento do Encontro Nacional sobre Creches que havíamos organizado, na própria Fundação Carlos Chagas, em setembro de 1981 e que contou com a presença de participantes do todo o Brasil, representando diferentes experiências profissionais, comunitárias e de movimentos de reivindicação. As informações e os depoimentos aí apresentados evidenciaram a existência nas creches de uma situação na convergência de muitas pressões: a de pajem.
Adotando uma postura teórica em que a educação é pensada como uma prática determinada no interior de relações entre classes sociais, o artigo visa levantar algumas questões sobre a formação profissional de trabalhadores rurais. Na base da reflexão estão os elementos levantados por uma pesquisa realizada na região canavieira de Campos, Rio de Janeiro. Nesta região, para manter elevada a taxa de exploração dos trabalhadores assalariados, os usineiros e fazendeiros impõem relações e condições de trabalho que não só aumentam o ritmo e a intensidade do trabalho, mas também segmentam os trabalhadores, permitindo um conjunto variado de práticas de "roubo" dos direitos dos trabalhadores. Neste contexto, as propostas de formação profissional são, antes de mais nada, um discurso desarticulado das questões centrais do trabalho e vida dos trabalhadores e de seus interesses como classe, constituindo-se em instrumento institucional complementar de sua dominação e subjugação por usineiros e fazendeiros. Existe, no entanto, uma questão educacional para os trabalhadores, que reside na elaboração do saber adquirido no trabalho e na vida, saber de classe em confronto à classe dos patrões.
O tema “A pesquisa educacional no Brasil” é suficientemente amplo para tornar, no mínimo, ingênua qualquer tentativa de esgotá-lo em umas poucas horas. Sendo assim vou limitar-me a colocar algumas idéias que expressam meu modo de entender certos problemas relativos à pesquisa educacional entre nós. Com isto, pretendo estimular nosso debate, e contribuir para um processo de reflexão a respeito da nossa prática de pesquisadores, o qual, espero, terá se iniciado antes deste nosso encontro e se prolongará para além dele, complementando com outras informações e pontos de vista diferente dos que adoto.
O artigo discute as características do ensino elementar no contexto rural do Nordeste, contrapondo-as à proposta de descentralização do ensino. A partir de uma descrição geral sobre o modo de organização e funcionamento da rede de ensino elementar, em 1981, no interior dos estados do Ceará, Pernambuco e Piauí, coloca-se em questão a autonomia econômica e política dos Estados e Municípios para interferir na qualidade do ensino que é oferecido à população. São discutidas também as possibilidades efetivas de participação da comunidade na direção de seus interesses, tal como recomendam as novas propostas educacionais voltadas para o meio rural.
O artigo retoma a discussão sobre a relação escola-trabalho utilizando como referência a Lei 7.044/82 que extingue a 5.692/71 a nível de 2º grau. O trabalho visa esboçar um caminho para o aproveitamento positivo da nova lei no que diz respeito a revisões curriculares para o 2º grau.
O crescimento quantitativo da escola básica transformou muito as condições de trabalho do professor. O sistema burocratizou-se, e as relações sociais de trabalho dentro da escola mudaram de natureza. Hoje, o magistério de 1º grau constitui uma prática ordenada e racionalizada pelas instâncias técnicas e administrativas do sistema de ensino. O professor deixou de ser um artesão autônomo diante das decisões sobre o que ensinar e como transmitir e avaliar o que ensina.
Neste artigo procuramos, de forma resumida, promover uma rápida caracterização das práticas e serviços educativos realizados por entidades e agências ligadas ao sindicalismo urbano em São Paulo, no período de 1960 a 1978. Para tal adotamos uma periodização que privilegia os seguintes momentos: início dos anos 60, 1964 a 1974 e período posterior a1975. No primeiro período as práticas de educação sindical foram desenvolvidas principalmente por agências externas ao movimento sindical, controladas pelo governo; voltavam-se, ora para os dirigentes sindicais, ora para os associados. A educação oferecida aos dirigentes era utilizada como um instrumento de perpetuação da estrutura sindical controlada pelo Estado. Ao mesmo tempo os cursos oferecidos aos associados tinham o caráter de suplência em relação ao ensino público oficial. No período imediatamente posterior a 1964 observaram-se poucas alterações nas propostas de educação sindical. Na verdade aumentam os cursos de caráter supletivo oferecidos aos associados. Mas, no período de 1970 a 1974 começam a ser criados, como parte do movimento de resistência ao golpe de 64, os cursos de capacitação sindical de iniciativa própria dos sindicatos mais avançados. Tais cursos têm por objetivo servir a uma prática mais congruente com o movimento sindical que procura organizar os trabalhadores. No período de 75 esboça-se uma tendência no sentido de diminuição de ofertas de cursos de suplência e incremento de cursos, palestras, seminários.
Neste trabalho são discutidos os dados referentes ao desempenho escolar de alunos da zona rural dos três estados (Ceará, Piauí e Pernambuco) que fazem parte do projeto de avaliação do Programa de Expansão e Melhoria do Ensino no Meio Rural do Nordeste (Edurural). A amostra abrangia alunos de 2ª e 4ª série que freqüentavam escolas que pertenciam a municípios atingidos ou não pelos insumos do projeto. Para avaliar a qualidade do ensino oferecido pela escola rural foram elaboradas provas que abrangiam conteúdos mínimos nas áreas de Português e Matemática e que já deveriam ter sido dominados por todos os alunos ao final de cada uma das séries escolhidas. Os resultados mostraram que o desempenho geral dos alunos ficou muito aquém do mínimo esperado tanto na 2ª como na 4ª série, nas duas disciplinas avaliadas. A situação, em Matemática foi ainda mais crítica do que aquela obtida em Português. A discussão dos resultados acima, sem desconsiderar o impacto das variáveis de natureza sócio-econômico-político-cultural, centra-se na figura do professor da zona rural, sua formação e atuação profissional.
Este estudo foi realizado com a finalidade de oferecer à Universidade Federal do Rio Grande do Norte e outras instituições de formação de professores, elementos básicos para o planejamento educacional, no que se refere àà formação atualização do professor de Matemática. De forma específica, pretendeu-se avaliar o estágio de prática de Ensino do Curso de Licenciatura Plena de Matemática da UFRN, a partir da percepção dos seus egressos.
Este artigo relata uma pesquisa sobre sexualidade feminina realizada em um bairro da periferia de São Paulo, com um grupo de mulheres participantes de um clube de mães. A metodologia adotada foi a da pesquisa participante, aqui considerada como um mecanismo de integração entre compromisso feminista e prática acadêmica. O trabalho descreve também no processo de elaboração de folhetos de educação sexual, construídos em colaboração com as participantes e devolvidos a elas ao final da pesquisa.
A idéia de regionalização do livro didático não é recente, e sua discussão se dá em variados contextos. Em alguns casos, como no discurso e nos pareceres do Conselho Federal de Educação (CFE), ela tem a ver sobretudo com a adaptação dos currículos às variações regionais Noutros contextos, a questão é abordada quer a partir de um ângulo ideológico (a dominação do centro-sul sobre os demais estados), psico-sociológico (o universo vocabular conhecido como ponto de partida para a conscientização), lingüístico, psico-linguístico (a questão do dialeto padrão, os linguajares locais, etc.), no processo de elaboração de materiais didáticos.
Este artigo analisa os resultados de onze trabalhos de revisão de pesquisa internacionais realizados por encomenda do Banco Mundial e do IDRC (Institute of Development and Research Center) de Ottawa, Canadá. Descreve a evolução de tendências da pesquisa, apontando problemas metodológicos esculturais. Examina os achados quanto a recursos e processos escolares, quanto a aspectos do professor, estado nutricional dos alunos e retenção da alfabetização. Foi constatada convergência entre os achados de pesquisa no Brasil e os das revisões internacionais em geral. Considera que a pesquisa educacional de ponta vive um momento de revalorização dos fatores intra-escolares encarados em perspectiva contextualizada. A inadequação da escola à realidade da clientela é um dos pontos recorrentes nos achados do Brasil e das revisões internacionais.
Neste 2º semestre de 83, minhas aulas na PUC são às 5° feiras. Por isso, hoje, a presença da Secretária aqui representa a ausência da professora lá. Se começo com esta observação até um pouco incômoda é porque ela traz presente a minha condição de professora. Considero que só desempenharei a contento a pesada tarefa que ora assumo, se não perder de vista, em nenhum momento, o fato de que antes de tudo sou uma professora e uma educadora. Neste sentido é para mim um privilégio receber este cargo das mãos de um educador. Quero aproveitar o momento para expressar ao Prof. Jair de Moraes Neves o meu maior respeito, se ele me permite como companheiro de profissão, apesar das divergências de posturas que possam existir entre nós, e das críticas que, talvez, eu tenha necessidade de fazer à administração que se encerra.
Durante os dias 3 e 4 de dezembro de 1982, realizou-se no Instituto Latino Americano de Desenvolvimento Econômico e Social (ILDES) um seminário sobre Educação Sindical no Brasil. Para que o leitor tenha um quadro de como está sendo entendida a questão da Educação Sindical hoje, e as dificuldades de implantação de programas desta natureza no momento, reproduzimos um resumo do seminário, extraído da gravação dos depoimentos e debates.