Analistas da pesquisa educacional no Brasil afirmam que teríamos passado de uma época em que predominava a estocastofilia à outra em que o sentimento dominante é a estocastofobia. Do fetichismo dos números teríamos passado à aversão ao processamento de dados. Predominam atualmente as insatisfações com o uso inadequado da estatística e apontar-lhe as deficiências seria apenas “chover no molhado” e agradar ouvidos “qualitativistas”.
O texto procura realizar uma crítica das ciências da educação, sugerindo que estas ainda não formam um corpo homogêneo, ou seja, não integram uma teoria geral da educação. O artigo identifica nas ciências da educação três componentes: a explicação, a normatividade e a utopia. Examinando cada um deles e suas interrelações, o autor sugere caminhos para o desenvolvimento de uma teoria sobre um objeto que ele vê como fundamentalmente aberto.
Nesta comunicação tem-se como questão central a especificidade das relações entre trabalho e educação na formação profissional, tomando-se como referência a prática pedagógica do SENAI. O trabalho, não enquanto elemento fundamental que define o devir humano, mas enquanto trabalho assalariado, definido pelas relações capitalistas de produção, constitui a base da relação educação e trabalho na formação profissional. Sob esta base, erige-se o conceito ideológico de trabalho. As relações máquina-aprendiz, instrutor-aprendiz e o conjunto de relações de aprendizagem buscam, pelas mãos, fabricar a cabeça do homem fabril.
O fracasso escolar seletivo das camadas pobres da população requer explicações de ordem social, econômica e cultural. No entanto, para evitar um determinismo mecânico destes fatores, é necessário analisar também o que acontece na escola e a contribuição da criança para o processo de apropriação do conhecimento escolar. Adotando o enfoque piagetiano, este projeto analisou a contribuição da criança para a aprendizagem da matemática através da: (a) análise das relações entre o conhecimento escolar e o desenvolvimento cognitivo da criança; (b) caracterização do desenvolvimento cognitivo e da aprendizagem escolar das crianças destinadas ao fracasso; e (c) comparação sistemática inter-classes para detectar diferenças na contribuição da criança para a aprendizagem escolar em função de sua origem social. Constatou-se que: (a) a aprendizagem da matemática está relacionada ao nível de desenvolvimento cognitivo independentemente da origem social da criança; (b) ao iniciar a instrução matemática, as crianças de camadas sociais diversas encontram-se em níveis de desenvolvimento cognitivo comparáveis; e (c) a aprendizagem de matemática não é significativamente diferente em crianças de camadas sociais diversas, embora os índices de reprovação em matemática difiram marcadamente. Os resultados refutam explicações cognitivas para o fracasso escolar seletivo das camadas pobres e apontam a necessidade de pesquisas sobre o que acontece na sala de aula para melhor esclarecimento do problema.
Nosso propósito foi desenvolver um estudo com vistas a responder às seguintes perguntas: 1. Qual o problema de comportamento mais freqüente entre os alunos de primeira a quarta série? 2. Quais as diferenças entre alunos do sexo masculino e feminino quanto à prevalência e tipos de problemas de comportamento apresentados? 3. Que problemas seriam mais freqüentes entre alunos provenientes de dois locais um de nível sócio-econômico médio e o outro baixo?
O artigo discute o resultado de algumas provas realizadas com 25 alunos de 1º série de uma escola municipal localizada na periferia de Curitiba, no início do ano letivo de 1981. Segundo Piaget, as 3 noções investigadas - conservação de quantidades numéricas, quantificação da inclusão e seriação - desempenham importante papel na construção da idéia de número pela criança e, portanto, possuem significado pedagógico na iniciação em Matemática. Os resultados das provas revelam que foram constatadas situações evolutivas diversas para cada noção, não estando as crianças preparadas para o início dos cálculos numéricos, de acordo com a teoria piagetiana.
O artigo baseia-se em estudo realizado com adultos moradores de uma favela na cidade de São Paulo, com o objetivo de obter dados descritivos sobre processos de raciocínio e de solução de problemas em situações de vida cotidiana e sobre as relações entre esses processos e o desempenho em testes de inteligência e em situações escolares. Os dados obtidos mostraram a ação recíproca de dois aspectos complementares das capacidades cognitivas: a diferença no desempenho médio de diferentes grupos sociais e as diferenças individuais existentes no interior de grupos sociais homogêneos.
Aplicação de Lei de Bradford em estudo bibliométrico dos periódicos brasileiros produtores de artigos na área da Educação, apresentando-se núcleo de periódicos mais produtivos, relações de periódicos por produtividade e ordem alfabética incluindo seus dados essenciais tais como data de início de publicação, abreviatura oficial no SIBE, órgão responsável pela edição, periodicidade, endereço completo.
Relatam-se dois estudos realizados com universitários, numa tentativa de coletar informações sobre o processo ensino-aprendizagem. No primeiro deles, 30 sujeitos (GE) foram submetidos às técnicas de ensino fundamentadas em Piaget, enquanto que com 22 outros (GC) manteve-se o curso costumeiro. Foram dados pré e pós testes, em duas formas: uma prova teste e outra dissertação. Dois resultados mereceram destaque e direcionaram o estudo II: a) na prova dissertativa os grupos não se diferenciaram, enquanto que na prova teste ocorreu o inverso; b) as avaliações feitas durante o processo ensino-aprendizagem do GE não se correlacionaram com o pós-teste. No segundo estudo foram analisadas respostas de 11 sujeitos, que tentaram explicar esses resultados. Os dados possibilitaram explicar o processo pelo qual os alunos passaram como descontínuo, no qual variáveis tais como vida escolar, solicitação de professores, tipo de exigência de professores, necessidade de aprovação na disciplina, entre outros, determinam muito mais o rendimento escolar do que as técnicas utilizadas.
A pesquisa analisou o desenvolvimento de 190 crianças, durante seus primeiros meses de vida, relacionando-o com as condições de vida e os arranjos domiciliares na família. O trabalho das mães, a migração recente, a composição do orçamento familiar, as famílias nucleares ou ampliadas, são fatores analisados em função do estado nutricional constatado nas crianças. Os resultados apontam para as condições de sobrevivência mais favoráveis entre as famílias ampliadas.
O estudo de caso realizado em 1981 no Piauí como parte da avaliação do Programa de Expansão e Melhoria do Ensino Rural - EDURURAL - financiado pelo MEC/BIRD, teve como principal escopo oferecer subsídios para uma apreciação acerca da qualidade da escolarização oferecida às crianças da área. A qualidade do ensino foi dimensionada através da natureza dos conteúdos ministrados em sala de aula, dos métodos empregados, dos recursos materiais e didáticos disponíveis, do preparo do professor e de suas condições de trabalho, da estrutura e funcionamento da escola e das condições de vida dos alunos. O pressuposto é de que tais fatores interferem decisivamente na probabilidade de sucesso ou fracasso do aluno na escola. Foi possível traçar a trajetória política do programa, desde a definição de suas prioridades até as relações da agência municipal com a esfera estadual e local, no que diz respeito às formas de atuação e de vínculo empregatício.
As estatísticas oficiais do estado de Mato Grosso relativas ao ensino de 1º grau apresentam um quadro geral precário quanto ao rendimento escolar, evasão escolar e absorção da população em idade escolar. No entanto, trata-se de dados globais, trabalhados em termos de médias sociais sem qualquer diferenciação com relação à origem socioeconômica dos alunos. O presente estudo constitui um primeiro passo no sentido de superar esta limitação das estatísticas oficiais. A rede escolar do municíípio de Cuiabá foi dividida em três grandes categorias: estadual, municipal e particular. Os dados mostram ser a produtividade da escola particular bastante superior à da rede pública, sendo a menor a da rede municipal. Foram levantados alguns dados sobre a composição social das escolas públicas e este estudo se constitui num ponto de partida para um programa de pesquisa atualmente em desenvolvimento na periferia urbana de Cuiabá, capital do estado de Mato Grosso.
O artigo discute a relação entre a escola e trabalho, procurando mostrar a diferença existente entre a preparação para o trabalho e o adestramento técnico. Discute-se igualmente o irrealismo da proposta legal no que diz respeito à tentativa de equiparação formal do 2º grau ao ensino técnico. Recorre-se a dados censitários atualizados que concentram a possibilidade de desvendar distorções entre as intenções manifestas na lei e a democratização e profissionalização a nível de 2º grau. Os resultados mais significativos indicam uma inadequada distribuição de escolas de 2º grau e uma existência bastante precária de modalidades de cursos profissionalizantes. O que, em última instância, além de contrair as expectativas dos alunos, tende a agravar anomalias existentes, via saturação de mercado pela oferta pouco diversificada de opções de capacitação profissional a nível médio.
Nos últimos tempos, fomos vítimas de um critério homogeneizador que invadiu compulsivamente o país e tomou conta do cenário educacional o da regionalização. Este, entretanto, não pode ser um critério aprioristicamente estabelecido para determinar excelência e adequabilidade de qualquer material didático. Ao contrário, pode até mostrar-se frágil, quando os meios de comunicação de massa estão invadindo tanto as nossas vidas. Fomos sempre um país efeito a modismo e, neste momento, propomos a passagem da centralização sufocante para a regionalização exagerada, sem nenhuma ou com muito pouca capacidade de crítica.
Esta pesquisa, que se constituiu na realização de um survey dos diretores das escolas de 2º grau do Brasil, faz parte do projeto de pesquisa internacional intitulado O Diretor da Escola Secundária numa Perspectiva Comparativa que conta com a participação de 14 países e está sediado na Universidade de Iowa, E.U.A. Os resultados obtidos neste estudo se referem à realidade brasileira, mas pelos seus objetivos de comparação internacional podem não ter abarcado questões mais específicas à própria educação brasileira. Ainda, o próprio objetivo deste Survey foi traçar apenas o perfil demográfico e profissional do diretor das escolas de 2º grau, deixando para outro estágio de pesquisa outras questões como as relativas à própria função do diretor da escola de 2º grau.
Dados secundários reunidos de fontes várias indicam a extensão do trabalho de menores no Brasil e sua incidência em diversas regiões e diferentes camadas da população. O núcleo do artigo, porém, apóia-se em informações provenientes de uma pesquisa realizada na área metropolitana de São Paulo com o propósito de investigar as condições em que se dá o emprego de menores, o modo como estes encaram a sua situação e as noções que têm a respeito de oportunidades de ascensão profissional. Entre outras constatações assinala-se que, embora cumprindo uma longa jornada na qual freqüentemente se comprimem a freqüência a curso noturno e o trabalho em emprego mal remunerado, sem cobertura previdenciária e pouco favorável ao crescimento profissional, o menor não demonstra amargura ou revolta pelo fato de precisar trabalhar. Ao contrário, parece sentir-se importante por ser capaz de contribuir para a limitada receita da família.
Com base em dados referentes aos candidatos de oito fábricas em duas capitais do Nordeste, este estudo tentou medir a contribuição da educação não-formal na obtenção de emprego no nível de operários qualificados. Os resultados sugerem que ENF tem um papel positivo, embora limitado. ENF foi, dentre os fatores considerados, o único que demonstrou um efeito significativo na "Aquisição de emprego" tendo também, junto com "recomendação" influenciado a variável "aptidão". Uma versão mais completa do modelo em que obtenção de emprego foi vista como um processo constante de três passos mostrou que educação formal e experiência de trabalho significativamente determinam o nível de posição aspirada pelo pretendente. Relacionando os resultados ao debate sobre a relação educação/mercado de trabalho, parece que certos dados do estudo estão coerentes com o modelo de socialização, mas não de acordo com as perspectivas teóricas credencialista e de capital humano.
O estudo se propôs a diagnosticar o estágio de desenvolvimento de crianças na 1ª série do 1º grau em operações relacionadas com a formação do conceito de número, bem como a avaliar o efeito das variáveis - escola freqüentada pela criança, idade e sexo - no desempenho das crianças naquelas operações. A amostra se constitui de 100 crianças entre 76e 96 meses - 50 de escola pública e 50 de escola particular; em cada grupo, 25 eram meninos e 25 meninas. Testes de enumeração, seriação e conservação de número foram utilizados como instrumentos. Considerando a amostra total, uma percentagem de crianças inferior a 50% se classificou no 3º estágio de enumeração, seriação e conservação de número, estágio este correspondente ao nível operatório. Considerando a amostra por escola, a percentagem de crianças de escola pública que se classificou no 3º estágio das três medidas foi inferior a 37%, enquanto na escola particular foi superior a 57%. A análise de variância revelou que o tipo de escola teve efeito significante sobre o desempenho das crianças em enumeração e seriação, mas não o teve sobre o desempenho em conservação. O efeito do sexo sobre o desempenho das crianças em enumeração, seriação e conservação de número também foi significante. A idade, estudada separadamente em cada escola, não teve efeito significante sobre o desempenho em nenhuma das medidas. Os dados indicam que a maioria das crianças que ingressam no 1º grau principalmente das escolas públicas, ainda não desenvolveram.
Os livros descartáveis tornaram-se o padrão típico do livro didático disponível no país, particularmente a nível de primeiro grau. Entrevistas realizadas junto a dezenas de professores revelam que mais de 90% dos livros efetivamente disponíveis nas escolas são desse tipo.
O artigo apresenta alguns elementos para o conhecimento do processo de expansão do ensino público na cidade de São Paulo, durante as décadas de 40 e 50. Tomando como ponto de partida a situação do sistema escolar na Capital e descrevendo os mecanismos que possibilitavam a disseminação de estabelecimentos de ensino elementar e secundário, o estudo ressalta a importância dos movimentos sociais urbanos observados nesse período para a conquista de novas unidades escolares. O clima político da época, caracterizado pela ascensão de formas populistas de dominação, propiciou a emergência de várias reivindicações populares articuladas por associações de moradores de bairros periféricos que exerceram papel significativo na criação e manutenção das escolas da rede pública de ensino da cidade de São Paulo.