Este trabalho tem como objetivo levantar aspectos do funcionamento das Associações de Pais e Mestres, na rede estadual de ensino de 1º grau, procurando verificar em que medida eles se relacionam com os processos de seletividade social que operam dentro da escola. Critérios e práticas adotadas que levam a que a composição da diretoria e a participação dos pais nas atividades das APMs se restrinjam quase sempre aos pais de melhor posição econômica na comunidade; modalidades de cobrança de taxas a mais, são examinadas com cuidado. Eles fazem parte de uma estratégia que, ao invés de colaborar no aprimoramento do processo educacional, na assistência ao escolar e na integração da família-escola-comunidade, procura antes de tudo reforçar seu papel de mera arrecadadora de recursos, com os quais a escola deverá cobrir despesas que obrigatoriamente deveriam ser do Estado.
Foi desenvolvido um estudo com o objetivo de detectar a natureza dos problemas percebidos por professores do 1º grau atuando nas escolas públicas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná considerando a freqüência com que tais problemas ocorrem, bem como o nível de aborrecimento que eles causam aos professores, considerando: (a) localização da escola (b) tempo de experiência no magistério (c) série em que leciona.
Com base em dados de pesquisa realizada pelo DIEESE sobre o perfil profissional do psicólogo, a autora discute a permanência de guetos sexuais na Universidade. Essa discussão gira em torno de três eixos: o reforço dos papéis sexuais tradicionais no interior da escola, a sexualização das ocupações no mercado de trabalho e a adaptabilidade imediata das carreiras seguidas por mulheres diante da incerteza de seu futuro profissional.
No presente artigo é realizada uma revisão avaliativa da produção de recursos humanos e da geração de conhecimentos na área da Educação. São analisadas informações sobre os programas de mestrado em educação no Brasil, bem como dados sobre pesquisas concluídas ou em andamento no período em questão.
A consciência social e política do trabalhador é formada através do processo de trabalho no interior da fábrica. Enquanto o patronato divide-o através da hierarquia salarial e da repressão administrativa, de outro lado a interdependência no processo de trabalho permite sua auto-organização.
O principal propósito desta pesquisa foi a verificação da correspondência entre as expectativas e necessidades dos alunos das escolas de 2º grau aos princípios de terminalidade geral e continuidade de estudos tais como apresentados pela doutrina da atual reforma de ensino. Adotou-se o paradigma proposto por Getzels para a abordagem da escola como sistema social onde se relacionam as dimensões normativas, representadas neste trabalho pelas expectativas dos professores e equipe técnica das escolas e a dimensão pessoal ou nível idiossincrático representada pelas expectativas e aspirações dos alunos. Envolve, portanto duas classes de fenômenos: uma a do nível no motético representado pelos papéis institucionais e outra, o nível idiossincrático representado pelas disposições de personalidade dos alunos. Todos os relacionamentos dentro do sistema (escola) estão inextricavelmente ligados à comunidade onde a escola está inserida, representada neste trabalho por empresários que em suas atividades utilizam mão-de-obra advinda das escolas de 2º grau. Os resultados obtidos nas quatro sub-populações permitem concluir pela incongruência entre as expectativas pessoais e institucionais e evidenciam que o aluno busca a escola de 2º grau basicamente como forma de realização pessoal e esta inclui a tendência acentuada à continuidade de estudos onde a terminalidade só aparece muito mais como condição para a continuidade e não como um fim em si mesmo. Trabalho desenvolvido com o apoio financeiro do INEP.
A abordagem qualitativa de pesquisa é um tópico que tem recebido atenção especial na literatura educacional recente. O volume de artigos e de publicações especiais sobre o assunto, assim como o número de trabalhos apresentados em diversas reuniões científicas nos últimos três anos, são sinais evidentes de que o tema vem ganhando crescente popularidade. Tomando por base apenas uma fonte, os trabalhos apresentados no encontro anual da AERA (American Educational Research Association) no período de 1977 a1980, Ross e Kyle (1982) conseguiram reunir 51 estudos, que de acordo com vários critérios, foram considerados estudos qualitativos. Esse número parece bastante significativo, segundo os autores, do interesse geral dos educadores pelos trabalhos de natureza qualitativa.
O presente artigo descreve características físicas e históricas de uma escola de periferia de São Paulo, situando-a no contexto social mais amplo e educacional da rede pública estadual da última década. Discutem-se dados referentes ao rendimento e trajetória escolar dos alunos, identificando nos aspectos intra-escolares (institucional, organizacional e humano) pontos de estrangulamento daqueles. Não subestimando as questões políticas envolvidas, sugerem-se estudos do cotidiano das escolas para se propor mudanças eficazes a nível interno.
A questão do acesso à escola e do seu aproveitamento por parte das classes populares tem preocupado não apenas aqueles que, de alguma forma, lidam mais diretamente com os problemas educacionais, como todos os que estão comprometidos com o processo de democratização da sociedade brasileira e com a melhoria das condições de vida material e não material dos seus trabalhadores.
Uma das questões que vem crescente desafiando os responsáveis pela política de ampliação da escola - a chamada democratização do ensino é a educação das crianças procedentes das camadas populares.
O trabalho registra alguns dados relativos ao movimento dos profissionais do ensino em São Paulo, em quatro momentos: as greves de 1963, 1978, 1979 e a eleição para a diretoria da APEOESP, em 1979. Partindo da caracterização das organizações da classe, analisa suas reivindicações nas várias etapas históricas, que apontam algumas tendências para o futuro.
Este artigo não é uma proposta metodológica, nem pretende dar a última palavra sobre o assunto, uma vez que a bibliografia existente é ampla. Pretende ser um verdadeiro convite ao debate que emerge da experiência de pesquisa na escola, passada e atual, e também das dificuldades encontradas. O autor destas notas convida a todos que trabalham neste setor a contribuir de modo a permitir, através de intercâmbio, confrontos e seminários, chegar a um verdadeiro documento metodológico.
Depois de refletir sobre as “Torcidas de nariz a Bourdieu e Passeron”, de José Carlos Durand, envio-lhe esta carta aberta com dois abjetivos. Primeiro, criticar posições por ele tomadas que me parecem equivocadas. Segundo, expor minha opinião sobre aspectos da teoria em questão.
Esse seminário realizou-se, na sede da Fundação Carlos Chagas, em São Paulo, 25 a 27 de agosto de 1980, com participação de respresentantes de universidades e de diversas outras instituições interesssadas na pesquisa, cuja relação completa encontra-se no apêndice. Com o objetivo de provocar o debate sobre alternativas metodológicas para a pesquisa educacional, o seminário organizou-se de maneira que o trabalho dos expositores tivesse a função de servir de abertura para a questão. A intenção dos textos não era a de dar uma palavra final sobre o tópico, mas de serem provocadores e polêmicos por natureza, de serem propositadamente criadores de problemas a respeito de cada um dos seguintes tópicos propostos para estímulo às discussões.
O tema aqui em debate refere-se, basicamente, à teoria da reprodução, enquanto interpretação crítica da escola, no capitalismo. Presente na maioria das reflexões sobre a escola brasileira, esta teoria já se incorporou, aceita ou negada, aos instrumentais de análise dos vários autores. O artigo de Vicent Petit, traduzido pela revista, não é novo, mas tem sido cada vez mais utilizado em leituras e cursos na universidade. Ele é discutido por José Durand, cujo texto, por sua vez, é comentado por Luiz Antonio Cunha. Agradecemos aos dois autores o espírito democrático de colaboração que tornou possível este debate.
De acordo com estimativas relativas a 1970, “cerca de 50% dos alunos das escolas primárias desertavam em condições de semi analfabetismo ou de analfabetismo potencial na maioria dos países da América Latina” (Tedesco, 1981, pag.67). Isto sem se levar em conta o contingente de crianças em idade escolar que sequer têm acesso à escola e que, portanto, já se encontram ”a priori” marginalizadas dela.
A autora faz considerações sobre as duas principais vertentes teóricas (behaviorismo e cognitivismo) em que se podem basear currículos para as primeiras séries, optando e justificando sua escolha pela corrente cognitiva. Os quatro princípios norteadores do Programa Alfa são analisados, estabelecendo-se para cada um deles sua origem teórica dentro desta posição.
Este trabalho se propõe ser um estudo comparativo dos sistemas de financiamento da educação no Brasil e nos Estados Unidos. As diferenças fundamentais entre os dois sistemas são consideradas em termos de controle, função, responsabilidade e fontes de financiamento da educação. Em termos decontrole, função e responsabilidade o sistema americano de financiamento da educação se coloca numa estrutura mais descentralizada onde existe uma relação direta entre educação e povo. O sistema brasileiro de financiamento da educação não apresenta a mesma relação democrática. Quanto às fontes de financiamento da educação, o sistema americano tem no imposto de propriedade local a sua principal fonte de receita. No sistema brasileiro a principal fonte de receita é o I.C.M., arrecadado pelos estados. Conclui-se que a diferenciação dos dois sistemas advém principalmente do desenvolvimento histórico da educação nos dois países e que seria impossível transpor para o Brasil um sistema que conta com a tradição de uma cultura autóctone.
A concepção do Ciclo Básico é analisada no contexto da reforma universitária que pretendeu introduzir um modelo burocrático nas instituições de ensino superior. Os autores analisam, de um lado, as implicações da proposta do Ciclo Básico e, de outro, as vicissitudes de sua implementação no país. Questiona-se o caráter das avaliações já realizadas, no sentido de que seria preciso interpretar os problemas detectados também em termos do significado da implantação do Ciclo Básico para a correlação de poder no interior da universidade.
O professor Tanucci em seu artigo sobre “A Pesquisa na Escola: Notas para debate”, expressa uma preocupação que se está fazendo sentir em várias partes do mundo. Após um século de desenvolvimento e de uma metodologia de pesquisa em Ciências Humanas e em Educação, chega-se, nesse caminho percorrido, a avistar a preocupação com o método mais do que com o problema a ser estudado. Isto é tão mais válido quanto mais se caminha em direção à escola tomada em seu todo; mas, especificamente, quando se investiga o trabalho do professor na execução de sua tarefa.