O objetivo do estudo foi o de verificar se as escolhas de carreira universitária por parte dos vestibulandos na área do CESCEM refletem concepções discriminativas do papel profissional da mulher, e de que dependem tais concepções. Os dados foram obtidos principalmente através das respostas de uma amostra de 10% dos candidatos de ambos os sexos a um questionário, no ato de inscrição aos exames vestibulares do CESCEM, em 1974. Dados subsidiários foram obtidos solicitando-se de 100 alunos de ambos os sexos, matriculados em "cursinhos" vestibulares, que respondessem a dois questionários construídos para fins deste estudo. Os resultados indicaram que as carreiras do CESCEM podem ser classificadas em masculinas e femininas e que está ocorrendo uma progressiva feminização de algumas delas. O estudo não permite afirmar categoricamente que as carreiras femininas sejam de menor prestígio e remuneração, embora exista uma tendência nesse sentido. Poucas diferenças significativas foram observadas nas expectativas de ingresso e nas motivações de escolha dos candidatos em função das variáveis sexo e nível socioeconômico.
Reconhece-se agora, universalmente, a educação como uma forma de investimento em criaturas humanas, que produz benefícios de ordem econômica e contribui para a futura riqueza do país ao aumentar-lhe a capacidade produtiva do povo. Pode-se, portanto, justificar em parte as despesas com educação em termos de sua contribuição potencial para o crescimento econômico. Isso, porém, suscita muitas questões. Como a educação se compara com outras formas de investimento nacionais? Que contribui mais para o futuro crescimento econômico, o investimento em capital humano ou capital físico? Todas as formas de educação são igualmente produtivas? É a educação uma forma lucrativa de investimento para o indivíduo e também para a sociedade? Se é, os alunos ou suas famílias levam isso em consideração ao fazer suas escolhas educacionais e ocupacionais?
Este trabalho investigou os possíveis efeitos de fatores sociológicos no comportamento verbal de crianças em sala de aula. A população constituiu-se de crianças que, em 1973, cursavam a quarta série do ensino fundamental, em Salvador, Bahia. O plano de pesquisa consistiu em observação direta (durante todo o período de aula) e entrevista individual com uma amostra aleatória da população (n = 97). De modo geral, os resultados confirmaram as hipóteses levantadas, segundo as quais o nível educacional dos pais, o tipo de escola que freqüentam, o tamanho da família e a exposição aos meios de comunicação de massa afetam significativamente o comportamento verbal das crianças; em outras palavras, evidenciam teórica e empiricamente o efeito do status socioeconômico sobre o comportamento verbal.
Área de menor tradição em pesquisa, comparativamente a outras áreas do conhecimento, a pesquisa educacional foi, em boa medida ainda é, predominantemente histórica e filosófica, fragmentária e pouco relevante, incapaz de fornecer aos administradores e aos responsáveis pela política educacional os elementos de diagnóstico, de acompanhamento e de avaliação indispensáveis para o bem orientar as intervenções no sistema educativo. Por outro lado, os administradores e os responsáveis pela política educacional usualmente não se preocupavam em fundamentar suas decisões na pesquisa educacional, como se fossem dotados do dom adivinhatório ou recebem, por meio da revelação divina, os conhecimentos de que necessitavam para orientar suas decisões.
Depois de pelo menos 5.000 anos de educação dos jovens em casa, nas escolas e no trabalho, os educadores freqüentemente se queixam de que quase nada é realmente conhecido sobre o processo educativo. A queixa se torna uma racionalização das falhas da educação e uma desculpa para a rápida adoção (e para a igualmente rápida rejeição) de novas panacéias educacionais. Muitos educadores parecem vangloriar-se de se encontrarem num estado de inocência no tocante a educação. Em grande contrate com os educadores profissionais há o grande número de jornalistas, reformadores e maníacos que estão positivamente seguros de possuir o verdadeiro remédio para nossos males educacionais. A maioria deles é ouvida nos meios de comunicação de massa. Os reformadores mais persistentes tem pouca dificuldade em conseguir recursos para demonstrar sua panacéia, e em reunir uma hoste de educadores que seguem seus rastos durante alguns anos. As bibliotecas e porões de nossas escolas ainda armazenam os esquecidos restos dos modismos e fórmulas que foram adquiridos porque prometiam resolver nosso problemas educacionais
Este estudo investiga as relações entre alguns fatores de natureza social e educacional e o desenvolvimento da auto-estima do jovem e analisa a associação entre auto-estima e desempenho em exames vestibulares.A amostra é constituída de 113 candidatos que prestaram o vestibular do CESCEM. Aescala usada para a medida de auto-estima foi a de Rosemberg. Entre os fatores que, por hipótese, estariam associados à auto-estima, foram poucos os que apresentaram correlações significativas. As autoras discutem várias explicações possíveis e salientam que as associações entre auto-estima e outras variáveis talvez sejam mais intensas em etapas anteriores da vida do sujeito.
Ressaltando a importância do atendimento pré-escolar, o Secretário da Educação, José Bonifácio Coutinho Nogueira, levou a Brasília, para o Encontro Nacional de Secretários de Educação, plano para o atendimento pré-escolar no Estado, baseado em pesquisa realizada pela Fundação Carlos Chagas, no qual se enfatiza a inclusão do desenvolvimento dessa área do ensino, como um dos principais objetivos da estratégia educativa, recomendada por experiências feitas em diversos países.
O artigo apresenta uma revisão de estudos empíricos realizados sobre a fidedignidade e a validade das provas de dissertação utilizada como instrumento de medida da capacidade de expressão escrita.
São comparados os resultados de questões de múltipla escolha com os de questões de resposta livre de provas aplicadas em um curso de Física Geral. As questões comparadas envolveram diferentes níveis de comportamento e foram elaboradas com base em objetivos previamente definidos. Da análise dos dados obtidos no presente trabalho, concluímos que, essencialmente, não há diferença entre avaliar por múltipla escolha e avaliar por resposta livre.
A experiência brasileira no setor de Pós-Graduação é recente. Na área de Educação, a maioria dos cursos não tem cinco anos de duração. Não obstante isso, as iniciativas tomadas já oferecem suficiente ponto de apoio para se perceber mais claramente os rumos desejáveis, os obstáculos a remover e as deficiências a serem sanadas. É nesse contexto, com pleno conhecimento da situação - que foi possível através do estudo do PNPG (Plano Nacional de Pós-Graduação) e análise dos dados disponíveis referentes a cada um dos cursos existentes - que se planejou a criação de mais um Programa de Mestrado em Educação para entrar em funcionamento em março de 1978, na Universidade Federal de São Carlos.
Neste trabalho tentamos apreender a situação em que se encontra a pesquisa sobre educação no Brasil, a partir da análise de temas e sumários de projetos em andamento ou concluídos a partir de 1970, do exame de estudos publicados na revista Cadernos de Pesquisa e de informações sobre trabalhos que se realizam em instituições localizadas na cidade de São Paulo, obtidas diretamente de pesquisadores.
Pretendo, neste trabalho, apresentar as produções de Dante Moreira Leite mais diretamente ligadas ao campo de educação. Em seguida, e com base nessas produções, pretendo ressaltar o modo como trabalhou o temário educacional que escolheu. As produções são bastante diversificadas, mostrando que não se interessou por uma ou outra das questões do amplo campo pedagógico. Se, em determinado momento, discorreu sobre questões mais abrangentes como a da situação do ensino no Brasil, nos seus diversos graus escolares, ou como a das relações interpessoais e a escola, noutros momentos escolheu para estudo questões menos amplas como classes experimentais, medida do aproveitamento escolar, e também questões como criatividade, percepção na sala de aula.
Nossa tentativa de caracterização do planejamento educacional não deverá resultar em nenhuma definição conclusiva do termo. Não acreditamos ser possível tal tarefa no estado atual dos estudos teóricos de planejamento, nem pensamos que ela seja necessária para os objetivos a que nos propomos. Na verdade, muitos autores produziram definições mais ou menos precisas de planejamento e algumas delas serão por nós citados ao longo desse esforço de caracterização do conceito. No entanto, tais definições não conseguem dar conta, exaustivamente, de todo o significado da palavra planejamento. Nem cremos que assim o pretendam. A sua principal contribuição teórica éa apresentação de algumas características básicas do conceito.
Nunca sentimos tanta falta do Professor Dante como o início das aulas deste ano letivo. Essa agitação, esse ar festivo da entrada dos cursos, era o seu ambiente. Ele era um professor nato para quem ensinar como respirar. O seu tipo de aula, na qual ele melhor se realizava, era aula informal, próximo do aluno. Sentava-se à beira da mesa e discutia todas as objeções, levava a sério todas as dúvidas e gostava de responder, as vezes, como seu mestre, Heider: Não sei. Ato de profunda honestidade e exemplo dessa modéstia que tornava Dante Moreira um homem tão encantador.
Convidado a falar sobre a obra de Dante Moreira Leite no seu compromisso entre a psicologia e a literatura - ou entre a cultura brasileira e a psicologia? - coloco-me numa dupla posição: afetiva e intelectual. Aliás, são posições harmônicas, talvez convenha dizer posição harmoniosamente ideal. É sem dúvida a razão fundamental que me levou a aceitar o honroso convite do Prof. Dr. Arrigo Angelini, Diretor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, nesta homenagem à memória, ou melhor, à presença de quem se recolheu ao convívio físico com todos nós.
O Presente trabalho procura retratar a postura crítica de Dante Moreira Leite face a preconceitos e ideologias. Aborda um aspecto fundamental de sua obra, que é o esforço sistemático de demonstrar que ambos são visões deformadas da realidade social, carregadas de valores subjetivos e culturais. Ele postula, por exemplo, que as teorias que defendem a existência de características psicológicas típicas de um povo ou raça são explicáveis pelo contexto político, social e econômico em que se desenvolvem, na medida em que refletem, sob forma aparente de uma descrição objetiva, valores, interesses e motivações pessoais dos autores e do grupo a que pertencem.
Após o relativo fracasso de diversos programas de educação compensatória, como o projeto Heas-start, associados a nomes tais como Deutsch, Bereiter, Engelman, ..., é um verdadeiro alívio, para os de espírito liberal, dispor de outro método de ataque às desigualdades da educação com que se defrontam. Apoiado por um amplo conjunto de provas experimentais seguras, o ensino por competência promete reduzir em grande medida a variação nas diferenças individuais de rendimento escolar, ao mesmo tempo em que elevará 90por cento dos estudantes acima do nível de competência em relação a qualquer conjunto específico de objetivos de ensino. Tal proposta é evidentemente atraente para países em desenvolvimento; de fato, a Coréia do Sul já implantou em ampla escala uma versão ligeiramente modificada do ensino por competência.
Procurou-se verificar a existência de estereótipos sexuais nas percepções de pais e mães em relação a comportamentos e atitudes de seus filhos. O instrumento utilizado foi uma escala tipo Likert (5 pontos) com vinte e quatro itens. A maioria dos itens foram retirados do Sex-Role Questionnaire desenvolvido por Irge K. Broverman e colaboradores (1972) e referiam-se a comportamentos e atitudes consideradas típicos de cada sexo. Os resultados mostraram que pais e mães têm percepções diferentes de meninos e meninas nos itens relativos a características de ser prestativo, ter interesse pela vida familiar ou por aventuras fora de casa, e a comportamentos de liderança, dependência, competição e agressividade. Em geral, há maior estereotipia sexual nas percepções dos pais do que nas das mães.
Um conjunto de 161 provas de dissertação, elaboradas por candidatos ao Concurso Vestibular (1975), foi corrigido independentemente por quatro professores, segundo procedimentos padronizados. A análise da variância das notas mostrou diferença significativa entre os professores. A fidedignidade das notas não foi satisfatória para um examinador, mas a combinação de quatro notas mostrou alta fidedignidade.
Dentro do plano de pesquisa proposto com o objetivo de verificar problemas lingüísticos apresentados pelos candidatos ao vestibular - área biológica - ficamos incumbida da parte referente aos pronomes demonstrativos, indefinidos e interrogativos. Tínhamos de examinar a freqüência e distribuição dessas formas, através do fichamento das ocorrências num corpus de 693 redações para, em tapas seguintes, classificar e analisar os dados obtidos.