Para se conhecer a realidade do uso de preposições pelos candidatos ao vestibular (1976), na área biomédica em São Paulo, tomou-se a decisão de se proceder a um fichamento rigoroso das ocorrências. Foram usadas fichas de 18 x 6 polegadas onde, além da numeração, foram registrados: o tipo de preposição ou locução; a página da ocorrência; a posição de preposição quanto à categorias gramaticais, antecedentes e conseqüentes; a classe a que pertence o fato registrado; o assunto específico de cada ficha.
O trabalho que teve como objeto o verbo prende-se basicamente a dois itens estabelecidos como objetivos fundamentais da pesquisa: a) fornecer ao ensino médio elementos para diagnóstico de suas falhas e para localização mais exata de suas deficiências, de que são reflexo as deficiências dos alunos que ele forma; b) fornecer ou ensino médio material de reflexão no tocante ao ensino da língua portuguesa.
Foi realizado um estudo-piloto para investigar a validade de constructo de vários instrumentos elaborados para medir a percepção que as crianças têm de seus modelos familiares (pais e irmãos) e auto-conceito, em dimensões tais como: poder social, desvelo, atividade e valoração. O artigo apresenta os resultados desse estudo, analisando o tipo de informação que pode ser obtido com cada instrumento. Os resultados indicam tendências significativas na percepção das crianças, que devem ser exploradas em pesquisas futuras.
Neste trabalho, Archibald Callaway, com sua longa experiência no tocante ao desemprego de jovens nos países em vias de desenvolvimento, dá uma nova visão ao quadro quando afirma que a solução não repousa tão somente, ou talvez nem mesmo primariamente, na educação. Como propriedades, pois, aparecem as importantes - ou mesmo drásticas - modificações na marcha da economia. Quer isso dizer que o planejador econômico tem que fazer seu planejamento a longo prazo com um olho voltado para o crescimento do PNB e o outro para as conseqüências de seus planos sobre o emprego e desemprego e, através deles, sobre a educação; os ajustes entre todos esses fatores devem ser recíprocos.
Nas últimas três décadas, impérios desmoronaram-se sob o choque de uma guerra mundial bem como sob a pressão de povos vassalos que sustentavam suas aspirações nacionalistas. Na esteira de desintegração das estruturas das antigas potências emergiram as novas nações da Ásia, África e do Novo Mundo, envolvendo mudanças fundamentais nas identidades e lealdades de grupos, e trocando os antigos e conhecidos laços de união tribal ou comunal por novos e estranhos símbolos de nacionalidades. Mas a consecução da independência política não criava ipso facto uma nação: os novos chefes nacionalistas apenas herdavam o arcabouço para ela. E, a partir disso, sua tarefa seria fortalecer a arcabouço e construir uma nação, reunindo os diferentes grupos tribais e as minorias étnicas na reconstrução de uma sociedade nacional.
Neste trabalho, o termo Educacional refere-se a atividades organizadas que promovem a aprendizagem , ou que estão envolvidas na construção de situações de aprendizagem.Autores de trabalhos sobre política de desenvolvimento tem dispensado muita atenção aos efeitos da educação e do planejamento educacional sobre o desenvolvimento sobre efeitos da política de desenvolvimento sobre os processos e responsabilidades do planejamento educacional.
Em seu artigo Inocência em Educação, Benjamin Bloom (1972) lista sete problemas educacionais, a respeito doa quais os educadores têm sido inocentes, na medida em que tem, sistematicamente: a) ou ignorado as evidências acumuladas através de pesquisas preocupadas com a rescoberta de relações causais; b) ou insistido em coletar evidências, através de pesquisas limitadas à descoberta de relações meramente associativas.
Tal como no espaço devotado pelos jornais ao assunto, nos últimos anos o interesse popular e o foco de atenção dor organismos encarregados da organização do sistema educacional brasileiro se voltaram para dois temas: a profissionalização do ensino securitário e a transformação e expansão do ensino universitário. Neste ensaio, tentaremos mostrar que esses dois problemas estão nitidamente interligados e que a estratégia de ação efetivamente adotado no segundo é incompatível com p objetivo do primeiro, em muitos casos neutralizando-se as próprias estratégias utilizadas. Mais especificamente, a estratégia de transformação do ensino universitário torna inviáveis as propostas de profissionalização do ensino secundário.
A TV-E do Maranhão é descrita como uma experiência bem sucedida, operando desde 1969 no Nordeste do Brasil. A primeira parte deste documento contém informações de contexto e uma descrição da história e peculiaridades do sistema, como também de suas características inovadoras. A TV-E do Maranhão proporciona ensino para 12.000 alunos nas quatro últimas séries da educação fundamental (5ª a 8ª séries) e sua filosofia de ensino inclui dinâmica de grupo, aulas televisadas e ensino dirigido. A idéia e o plano foram idealizados e implementados por educadores locais, com quase nenhuma assistência externa. Os resultados educacionais são aqui discutidos em termos de efetividade interna e externa, o que leva a conclusões positivas sobre o seu sucesso. A última parte analisa o processo de institucionalização que acompanhou a experiência. Como se esperava, depois de atingir o seu ponto alto em 1972, essa experiência começou a perder sua criatividade inicial. Entretanto, a liderança assumida por um grupo selecionado de seus membros permitiu à TV-E sobreviver e crescer. Como inovação, a TV-E não logrou expandir-se para outros níveis educacionais no Maranhão. A maior ameaça a esses seis anos de experiência é a necessidade de sua expansão horizontal, e as condições de sobrevivência só podem ser encontradas se a direção for capaz de, simultaneamente, solucionar os vários problemas da instituição, tanto internos como externos.
Ainda como estudante, Dante Moreira Leite empreendeu suas primeiras pesquisas sobre literatura infantil (1950 a e 1950 b). Nestes trabalhos, pioneiros em nosso meio, analisa valores, preconceitos em nosso meio, analisa valores, preconceitos e estereótipos transmitidos por livros de leitura da escola primária. Depois de abandonar provisoriamente o tema, dedicando-se principalmente ao estudo do caráter nacional, volta a interessar-se pela literatura infantil no fim da década de 50. Agora, sua contribuição não se restringe apenas ao estudo empírico de novos livros didáticos, mas tenta compreender como a leitura e outros meios de comunicação poderiam influir do desenvolvimento da criança (Memorial, p. 5). E em sua tentativa, esmiúça o significado da literatura infantil, contribuindo tenazmente para a eliminação da idéia preconcebida, oriunda da psicologia ingênua e compartilhada em parte por educadores, de que existe uma conexão linear entre o conteúdo dos meios de comunicação e o comportamento dos leitores infantis e juvenis.
O objetivo deste estudo foi verificar em que medida o jovem que provém de um lugar de grau de urbanização mais alto tem maior chance de ser candidato a ingresso num curso superior e, uma vez candidato, de conseguir melhor desempenho nas provas a que se submete no vestibular. Trabalhou-se com uma amostra de candidatos, em 1975, ao exame vestibular unificado para a área biológica e com dados demográficos do Censo de 1970 e 1960 relativos aos municípios desse Estado. Considerou-se a influência de outras variáveis, como nível socioeconômico e carreira escolhida pelo candidato, e industrialização e distância à Capital do município de origem do candidato. Os resultados mostram que: quanto maior o grau de urbanização, maior a busca de ensino superior e, com menor intensidade, melhor o êxito nas provas do vestibular; que essa relação independe do nível de atendimento escolar em nível de 2º ciclo nos municípios; que a industrialização atua no mesmo sentido e concomitantemente à urbanização; que a super-urbanização e a super-industrialização (observadas tipicamente na zona metropolitana do Estado) atuam em sentido inverso. O autor sugere que esses resultados se explicam pela natureza urbana dos objetivos, instrumental e recursos humanos do sistema educacional.
Este artigo focaliza a participação da mulher brasileira na força de trabalho, como uma manifestação das mudanças no papel da mulher na sociedade atual. O trabalho analisa algumas relações entre a educação, a classe social e outros fatores e a participação da mulher nas atividades econômicas das diversas regiões geo-econômicas brasileiras, utilizando-se de dados do Censo Demográfico Brasileiro de 1970.
Como etapa preliminar de pesquisa sobre os modelos de papéis sexuais veiculados pela escola, fez-se uma análise das diferenças de escolaridade entre os sexos. Os dados analisados são referentes ao Brasil e ao Estado de São Paulo para a década de 70, coletados por diversas instituições (IBGE, SEEC-MEC, Departamentos de Estatística, etc.). A população escolar e escolarizada foi estudada através dos seguintes itens: 1) Alfabetização; 2) População escolarizada; 3) Rendimento escolar; 3.1) conclusões de curso; 3.2) aprovação e reprovação; 3.3) atraso de escolaridade. A análise dos dados permitiu chegar-se às seguintes conclusões: 1) A população feminina apresenta índice de escolaridade inferior à população masculina (alfabetização, taxa de escolaridade): 1.1) a diferença entre homens e mulheres tende a diminuir através dos anos (comparação intercensal); 1.2) a diferença entre homens e mulheres tende a diminuir para as coortes mais jovens (comparação intracensal); 2) A população feminina apresenta melhor rendimento escolar; 2.1) menor taxa de reprovação; 2.2) maior taxa de conclusões de curso; 2.3) maior concordância entre a série escolar freqüentada e a idade.
A partir da década de 60, pesquisadores de várias nacionalidades têm procurado descrever e compreender o conteúdo de livros para crianças e adolescentes. Tais estudos, realizados por educadores, psicólogos e sociólogos, empregando técnicas mais ou menos sofisticadas de análise de contudo, podem ser agrupados em dois conjuntos. O primeiro utiliza o livro infanto-juvenil quase um pretexto para o conhecimento da sociedade (ou grupo social) que o produziu: seu conteúdo, simplificado, exemplar, tipificando por ser dirigido a crianças, permite ao pesquisador extrair valores, modelos e ideologias prevalentes no momento da criação. Neste primeiro grupo podem ser incluídos, por exemplo, os trabalhadores de Bleton (1963), Chombart de Lauwe (1972), McClelland (1961), Socriano (1972) e outros.
Não faz muito tempo, coisa de dez anos atrás, comumente se referia a saúde e a outras serviços sociais como elementos não produtivos de um plano de desenvolvimento. Se solicitassem aos planejadores aos planejadores econômicos sua opinião sincera, a maioria teria respondido que a educação, por exemplo, conquanto seja indubitavelmente desejável para os indivíduos e uma obrigação da qual os políticos não podem eximir-se, desvia simplesmente recursos de projetos mais importantes que, que deixasse que prosseguissem, poderiam proporcionar o dinheiro com o qual se construíram mais tarde as escolas. Alguns de espírito mais tolerante que outros, fazem discriminação entre educação como investimento, através da qual o estudante aprende algo de utilidade prática na economia, e a educação de consumo, a qual inclui a maioria das artes e humanidades e considerável parcela de ciência pura.
A discussão das contribuições potenciais ou efetivas da ciência ao ensino pode ser feita de uma pluralidade de pontos de vista, conforme a ciência que se pretenda enfocar (economia, psicologia, sociologia etc.) ou conforme se encare o ensino do ponto de vista do processo, do agente, ou da disponibilidade de recursos técnicos. No presente trabalho, vamos colocar-nos na perspectiva daqueles que acreditam que: 1) o ensino, na nossa realidade, é um processo de natureza decisório-executiva, exercido basicamente pelo professor; 2) a qualidade desse processo depende diretamente das contribuições da Psicologia e da Sociologia, enquanto ciências da educação; 3) essas contribuições - para serem efetivas - precisam ser comunicadas ao professor, seja através de programas de treinamento, seja através de publicações técnicas.
A Seção de Treinamento da Secretaria de Educação do Município de São Paulo planejou e executou no ano de 1973 um programa de cursos para professores de 1ª série, 1º grau das escolas municipais. Este artigo descreve a avaliação desse treinamento que compreendeu: a) uma avaliação de expectativas do pessoal da rede para confronto com o plano da Seção em termos de objetivos e formas de execução; b) uma avaliação do processo de treinamento propriamente dito compreendendo aspectos cognitivos e de opinião; c) questionário de acompanhamento no ano posterior ao treinamento. Houve ganhos positivos quanto aos conhecimentos adquiridos, embora muito desiguais conforme a área de conteúdo, e mudanças no planejamento do professor no ano seguinte utilizando-se desses conhecimentos.
O presente artigo descreve a avaliação do 7º curso de formação de assistentes pedagógicos realizado pela Seção de Treinamento de Pessoal da Secretaria de Educação do Município de São Paulo. Esta avaliação abrangeu: 1) o aspecto cognitivo, através da aplicação de uma prova objetiva, em pré e pós-teste, na 1ª etapa do treinamento, e de um teste referenciado em critério ao final da 2ª etapa; 2) o levantamento de opiniões e auto-avaliação através de escalas apropriadas; 3) aspectos da percepção da função, através da técnica Q. usando-se como instrumento a PF-AP (Gatti et al, 1972, 1974) e comparando dois momentos: um, ao final da 1ª etapa (momento "teórico") e outro, nove meses mais tarde (momento "prático"). Detectou-se um bom índice de ganho na área cognitiva, satisfação e adequação quanto a diversos aspectos do curso e com o desempenho pessoal, e uma mudança na percepção da função nos dois momentos testados.
O objetivo da presente pesquisa é delinear a concepção que os Psicólogos Escolares têm de seu papel profissional, quando integram uma equipe formada por outros técnicos (Orientador Pedagógico e Orientador Educacional).Nossa hipótese é a de que existe um consenso entre os Psicólogos Escolares sobre a função preventiva que devem exercer, atuando sobretudo junto ao professor quando em serviço. Os dados de caracterização dos sujeitos da amostra foram levantados através de um questionário informativo. O instrumento usado para análise da concepção do papel profissional foi uma escala Q não estruturada, constando de 70 afirmações sobre atividades de um serviço de Psicologia Escolar. Os dados receberam tratamento conforme a rotina da metodologia Q. Submetidos a análise, esses dados permitiram não só confirmar a hipótese formulada, como detectar a existência de uma concepção alternativa do papel de Psicólogo Escolar, enquanto "facilitador na solução de problemas escolares".
Autores: Goldberg Baptista Barretto Menezes Arruda
A pesquisa se propôs a analisar o conteúdo discriminativo ou não das concepções descritivas e normativas acerca do papel da mulher na família, na política e no trabalho, bem como alguns de seus determinantes. Os sujeitos constituíram uma amostra de 582 vestibulandos de ambos os sexos que,em 1968, se preparavam para ingressar na Universidade. Eles representavam 6% da totalidade dos alunos de 31 "cursinhos vestibulares" em funcionamento na cidade de São Paulo. O instrumento aplicado foi um questionário com 59 itens. As estatísticas empregadas para análise e interpretação dos dados incluíram o teste de qui-quadrado, além de "cluster analysis". Os resultados permitiram afirmar que: a) as concepções descritivas acerca do papel de mulher, mantidas por nossos vestibulandos são predominantemente tradicionais ("aprioristas"); b) as concepções normativas são predominantemente tradicionais no que respeita ao papel profissional da mulher e modernas (não discriminativas) no que respeita ao papel familiar e político; c) há uma relação entre concepções normativas acerca do papel profissional e político da mulher; d) sexo e origem socioeconômica foram as variáveis mais significativamente associadas às concepções do papel social da mulher. As mulheres mostraram-se consistentemente mais "modernas" que os homens. À medida que se passou do nível socioeconômico alto ao baixo, diminuiu a proporção de respostas "modernas", na amostra global. Tais resultados apontam a necessidade de programas educacionais capazes de modificar e impedir a reprodução de concepções discriminativas do papel feminino já que estas podem funcionar como obstáculos ideológicos a uma política de desmarginalização sócio-econômica e cultural da mulher brasileira.