Tentarei, nas páginas que se seguem, analisar algumas condições que parecem necessárias para o bom êxito do planejamento educacional. Ao fazê-lo, ocupar-me-ei, em grande parte, das condições que, por natureza, são essencialmente não-técnicas. Isto é, somente de passagem atenderemos para o mecanismo e as técnicas do processo de planejamento e para sua avaliação. Ao contrário, daremos ênfase as condições políticas e administrativas que tendem a tornar mais difícil a tarefa do planejador educacional e mais complexa a elaboração, implementação e avaliação dos planos educacionais.
Não creio ser possível arrolar, em uma palestra, as contribuições da psicologia contemporânea para a compreensão do papel da mulher, mesmo que seja somente para dar uma visão geral da área, pois estas contribuições são inúmeras e seria muito difícil selecionar os tópicos de maior importância. A não ser que me detivesse na enumeração das diferenças psicológicas encontradas entre os dois sexos; os dados descritivos da psicologia diferencial constituem um conjunto significativo de contribuições em termos de retrato psicológico dos dois sexos. No entanto, considerando-se que a psicologia científica interessam postulados explicativos e não dados descritivos puros, parece-me que a simples enumeração de características psicológicas diferenciais não é a melhor abordagem.
O planejamento educacional constitui uma atividade multidisciplinar. Nele se recorre a administradores, educadores, pedagogos, economistas, sociólogos, estatísticos e a muitas outras categorias de especialistas, O êxito, o realismo e o valor de um plano educacional repousam, em grande parte, nas equipes que o preparam. Nessas equipes, o economista deve compreender a linguagem do pedagogo, o administrador precisa seguir o raciocínio do economista se que apoiar ou, ao contrário, se quer rejeitar sua argumentação e suas conclusões.
A finalidade do presente trabalho é verificar os efeitos da insuficiência nutricional na capacidade cognitiva de crianças pré-escolares, provenientes de famílias de baixo nível socioeconômico. Numa amostra de N.S.E. baixo da cidade de São Paulo, verificou-se que o grupo de crianças com alto risco de desnutrição pregressa apresentava deficits de realização nas áreas de Funções Psiconeurológicas, Conceitos Básicos, Linguagem e Operações Cognitivas. Em um grupo de N.S.E. baixo de Brasília, os resultados indicaram que as crianças desnutridas atuais têm realização semelhante àquela das crianças com peso normal para a idade. No entanto, o grupo com sinais de desnutrição pregressa obteve, no Instrumento Cognitivo, resultados significativamente inferiores, inclusive aos níveis alcançados pelo grupo com desnutrição atual.
Problema: A questão da estabilidade da classificação dos candidatos ao ensino superior pelo concurso vestibular tem muita importância para os candidatos e para as universidades. Uma vez que os exames vestibulares são mais exames de desempenho que de habilidades, existem muitos fatores que podem mudar os resultados e a classificação dos candidatos de uma aplicação do exame à outra. Método: Esta pesquisa analisou a fidedignidade teste-reteste do concurso vestibular do CESCEM. Usando os resultados dos candidatos que fizeram os exames nos anos de 1972 e 1973, uma análise de correlação momento-produto de Pearson relacionou os resultados de um ano com o ano seguinte. Resultados e conclusões: Dados preliminares indicam que a média desta estimativa da fidedignidade dos sete subtestes do exame chega acerca de 0,70. Estes dados estabelecem uma estabilidade alta do exame do CESCEM, indicando que fatores consistentes operam nos resultados dos candidatos apesar das influências fortuitas e manipuláveis.
Este trabalho relata dois estudos realizados na Colômbia sobre estereótipos de papéis sexuais. No primeiro, uma tradução do questionário usado por Rosenkrantz foi aplicada a alunos e alunas de 2º grau e universidade e a pais e mães de estudantes. O segundo pesquisou o desenvolvimento de estereótipos de papéis sexuais em meninos e meninas de 10 a14 anos, de 3 grupos com situações familiares diversas: um vivendo com os pais naturais, um que havia ingressado recentemente em uma instituição governamental para crianças sem pais e outro vivendo em lares adotivos. Um instrumento foi especialmente construído e validado para esta pesquisa. Os dois estudos demonstraram que em termos gerais os colombianos são semelhantes a outros grupos na percepção de papéis sexuais, apresentando, ao mesmo, algumas diferenças sugestivas.
Todos nós temos esperança de que esta conferência da ONU represente um marco na história da mudança de atitudes que tem sido tão prejudiciais ao plano desenvolvimento da mulher como pessoa. O impacto de uma conferência como esta é certamente muito mais limitado do que gostaríamos que fosse, mas podemos ter certeza de que o preconceito e a discriminação contra as mulheres não serão mais consideradas socialmente respeitáveis como foram por tanto tempo Entretanto, se queremos ir além, se estamos interessados em mudanças reais nas atitudes profundamente resistentes, tanto de homens como de mulheres, se não estamos meramente usando a causa das mulheres como argumento numa luta de poder que se reduz a mera busca do poder pelo poder, se o nosso objetivo é mais amplo, precisamos ir além das declarações de princípio e começar a pensar nas formas pelas quais esses objetivos possam ser atingidos. Já chegamos a um estágio em que percebemos não haver uma resposta simples para os grandes problemas que enfrentamos, e boas intenções certamente não serão suficientes.
Esta pesquisa visou a caracterizar crianças culturalmente marginalizadas, de 4 a 6 anos de idade, dos Parques Infantis do Município de São Paulo. O planejamento foi feito com miras a fornecer, aos organizadores do currículo para a pré-escola, elementos que lhes possibilitem um trabalho embasado numa realidade existente. Para conseguir esta caracterização, foram elaborados instrumentos, especialmente o Instrumento Cognitivo, que abarca operações, conceitos, conhecimentos e habilidades indispensáveis à criança antes de sua entrada na escola. Como para a organização de um currículo, não basta o conhecimento da capacitação e das informações possuídas, o planejamento desta pesquisa previu também um amplo levantamento sobre as condições de vida destas crianças e de suas famílias. Foram verificados, paralelamente, comportamentos e atitudes capazes de alterar a capacidade de aprendizagem das crianças.
O presente trabalho analisa a situação da mulher no ensino superior brasileiro e seu desempenho nos exames vestibulares. Tomando como referência a notável expansão desse grau de ensino nos últimos anos, as autoras examinam como evoluiu a participação da mulher nos diferentes cursos universitários, e fazem uma análise das escolhas de carreiras pelas vestibulandas. Realizam ainda estudo do desempenho dos vestibulandos de São Paulo e Rio de Janeiro, com especial atenção à variável sexo, e sugerem linhas de pesquisa que possibilitem aprofundar aspectos relativos à escolha vocacional e ao desempenho acadêmico da mulher.
Parto do pressuposto de que não precisamos salientar a importância e as tremendas potencialidades criadas pela revolução educacional gerada pelo uso do computador, e que ainda mal se inicia. A versatilidade e a flexibilidade do computador, possibilitando verdadeira individualização da instrução, e a variedade de seus usos no planejamento educacional são amplamente conhecidas e já foram muito bem analisados. Acredito que, se a implantação do uso de computadores em educação encontra resistências, estas se originam menos na ignorância das vantagens desse instrumento, do que no receio de que ele constitua ameaça a interesses pessoais, por parte de indivíduos que preferem utilizar sua posição de poder para auto-preservação e manutenção do status quo. Estes indivíduos oferecerão renhida oposição não só ao computador, mas a qualquer tendência da educação contemporânea que a faça depender menos de suas decisões individuais arbitrárias. Clamarão contra a assim chamada massificação do ensino, e se reusarão a ouvir quem quer que apresente idéias inovadoras.
O presente trabalho constitui uma revisão dos estudos de observação da interação professor-aluno. A partir do conceito de competência do professor, defende a validade da observação da interação em sala de aula como metologia de pesquisa e avaliação do ensino. No estabelecimento do estado teórico do desenvolvimento dessa área de estudos, faz um histórico dos trabalhos mais significativos e levanta os principais problemas conceituais e metodológicos que os estudiosos da interaçãoo professor-aluno têm enfrentado. Conclui apontando algumas perspectivas para a investigação da validade empírica dos métodos de observação da interação em sala de aula.
Educadores e estudiosos que se preocupam com o papel que a educação pode desempenhar para a melhoria das condições sociais e culturais em que vivem os seres humanos têm apontado com freqüência como o sistema de ensino reproduz a ajuda a manter as desigualdades existentes na sociedade. Gostaria de falar um pouco de um aspecto desse problema que tem sido relegado a segundo plano, ou apenas mencionado de passagem: o de como a educação escolar transmite e reforça padrões de comportamento sexual culturalmente estereotipados, reproduzindo, dessa forma, as desigualdades de condições e de oportunidades que existem entre homens e mulheres na nossa sociedade, quase sempre com prejuízo destas últimas.
Neste trabalho, discute-se até que ponto é possível identificar no interior de uma população de nível socioeconômico baixo, um grupo "marginal" e um "integrado". Para isso selecionou-se, a partir de amostras utilizadas em outras duas pesquisas sobre "Marginalização Cultural" (uma delas relatada neste número), dois grupos polares de 20 famílias cada: um que seria o "mais integrado" e outro o "mais marginal". Procurou-se então verificar em que medida os dados disponíveis sobre os estilos de socialização adotados por cada grupo confirmam ou não os modelos explicativos mais comumente encontrados na literatura.
O trabalho consiste na análise de cerca de 550 relatos feitos por professores primários da periferia da cidade de São Paulo, sobre dificuldades encontradas na sala de aula. As dificuldades são de natureza didático-pedagógica ou se referem a problemas de comportamento do aluno. O estudo evidencia os conflitos provenientes da confrontação de dois modos de vida urbanos: o representado pela escola, por intermédio de seu professor, um indivíduo pertencente às camadas médias da população, e o vivenciado pelos alunos, provenientes em sua maioria, das camadas populares. São analisados alguns dos recursos utilizados pela instituição escolar para a transmissão de valores, expectativas e aspirações peculiares a determinados grupos ou classes sociais.
Em vez de fazer uma rápida revisão das contribuições antropológicas mais recentes, prefiro retornar ao primeiro antropólogo a se ocupar, de uma perspectiva tanto histórica como estrutural, da condição social da mulher. Estou pensando em Lewis Morgan e sua obra A Sociedade Antiga que, como todos sabem, serviu de base para Engels na sua obra A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado. Quero sugerir que, a luz da teoria da História proposta por estes dois autores, tentemos repensar algumas questões básicas. Acredito que qualquer solução que se queira das a condição da mulher pressupõe, em primeiro lugar, uma compreensão das suas determinações historicamente específicas. Em síntese, o que Morgan sugeria era que, em última instância, é o grau de desenvolvimento das artes de subsistência que determina as formas de família em cujo âmbito se definem as funções e prerrogativas sociais do homem e da mulher.
O presente estudo pretende mostrar a existência de formalismo no sistema educacional brasileiro pela comprovação das hipóteses de que existe significativa discrepância entre os dispositivos legais e sua implementação nas escolas, e que essa discrepância é maior nas comunidades menos urbanizadas e nas escolas públicas. São estudadas a qualificação do diretor, a qualificação do corpo docente, a situação do pessoal técnico, o funcionamento dos serviços escolares e as condições das instalações e do material de ensino para testar as hipóteses propostas, cuja validade se confirma com elevado nível de probabilidade. O estudo se realizou com amostra de escolas secundárias do Estado do Rio Grande do Sul. O artigo descreve, também, a situação geral dos recursos humanos, técnicos e materiais a serviço das escolas secundárias do Rio Grande do Sul.
Esta pesquisa teve como objetivo verificar se as expectativas que mães de crianças de 4 a 6 anos de idade têm a respeito do futuro de seus filhos são influenciadas pelo sexo da criança. Procurou-se verificar também se isto ocorre de forma diferente conforme a camada social considerada. Para tanto foram analisadas as respostas obtidas através de entrevistas realizadas durante o ano de 1974 com 90 mães de nível socioeconômico médio e 90 de nível baixo em São Paulo e 90 mães de Ceilândia, D.F. A análise dos dados demonstra que as diferenças nas expectativas educacionais se acentuam conforme se passe da população de nível médio para a de nível baixo. Também foram encontradas diferenças entre as expectativas de realidade e o que as mães desejam idealmente para os filhos. Quanto às expectativas ocupacionais, verificou-se que elas também se diferenciam conforme o sexo da criança, sendo que existe uma maior flexibilidade na escolha de profissões para as meninas na amostra de nível médio.
Neste trabalho é analisada a descontinuidade apresentada pelo conceito de cultura e a dinamização que deve ser atribuída a este termo para que tenha utilidade como referencial teórico útil à compreensão de realidade urbana.
Um estudo que se proponha fornecer elementos jurídicos para debates sobre a situação da mulher deve partir, a nosso ver, da exposição do direito positivo. Sabendo-se quais interpretadas e aplicados pelos tribunais e que tipo de contribuição a doutrina oferece para essa interpretação e conseqüente aplicação, ter-se-á uma idéia do que sucede na sociedade a respeito da mulher, quanto à experiência jurídica de um ramo do Direito.
Para compreender a atitude das trabalhadoras brasileiras para com o seu papel na sociedade, especialmente sua consciência profissional, é necessário considerar três aspectos mais importantes: o nível econômico do país, a maneira pela qual o mercado de trabalho absorve a força de trabalho feminina e a atitude da família, amigos e parentes relativas às carreiras profissionais femininas. Neste artigo, os dados foram analisados relativamente a este último aspecto, por meio de: a) aceitação - pela própria trabalhadora, pelos membros da família, parentes e amigos, de ambos os sexos - das carreiras profissionais das mulheres; b) divisão de trabalho dentro da família; c) tomada de decisão pelo homem e pela mulher na vida familiar. Revelou-se que a sociedade conserva como femininos os papéis e trabalho doméstico; que as mulheres são ostensivamente, ou não, desencorajadas pela família, especialmente pelos membros masculinos. Pela valorização do papel doméstico da mulher a sociedade utiliza o seu trabalho doméstico sem pagá-la e conserva a mulher ideologicamente fora do mercado de trabalho.