Resumo: Objetivou-se analisar e discutir permanências e rupturas na identidade da educação especial e a estreita relação entre o campo acadêmico e as políticas educacionais. Recorreu-se às contribuições de Pierre Bourdieu, especificamente os conceitos de linguagem e campo e como metodologia à análise das narrativas produzidas em publicações da Revista Brasileira de Educação Especial. Concluiu-se que a relação entre esses campos reflete a busca incessante de um conjunto de pesquisadores para precisar com maior cuidado o campo da educação especial e a coexistência temporal de perspectivas afins, distintas e antagônicas, configurando ao campo uma identidade multifacetada, refletindo o movimento contraditório da sociedade e das políticas sociais.
RESUMO: Este artigo advém de um projeto de pesquisa sobre os modelos curriculares que norteiam a formação docente, e tem como objetivo traçar o percurso histórico da formação de professores/as da Educação Básica no Brasil. São identificados três modelos nesta trajetória: modelo conteudista, modelo de transição e modelo de resistência. Os marcos regulatórios para esta formação são objeto de análise para a compreensão dos contextos históricos, culturais e sociais construídos desde a década de 1930 até 2015, em uma perspectiva de educação e formação progressistas. A pergunta inicial: quem formamos? nos leva a constatar a coabitação dos três modelos no cenário atual e a necessária valorização ao modelo de resistência por suas características históricas na busca da dialogicidade como dimensão importante de uma educação transformadora.
Resumo: O trabalho refere-se ao estado do conhecimento das produções científicas sobre sujeitos da EJA no Brasil. O problema de pesquisa foi: quais os principais fundamentos teórico-metodológicos presentes nas produções resultantes das pesquisas no campo da Educação de Jovens e Adultos no Brasil que versam sobre os sujeitos estudantes? A coleta de dados utilizou os descritores: sujeitos+EJA, identidade+EJA e sociabilidade+EJA. A análise dos 13 artigos localizados evidenciou: o caráter interdisciplinar dos estudos; a predominância de pesquisas qualitativas; a diversidade teórica que fundamenta esse campo de investigação. Diante do restrito número de publicações, percebeu-se a importância de explorar essa área de pesquisa e produção do conhecimento.
Resumo: O objetivo do texto é analisar a articulação de desigualdades decorrentes da entrada de novos sujeitos na universidade, a exemplo de classe, raça, gênero, sexualidade e deficiência. Para tal, o texto está dividido em três partes: 1) concepção de permanência estudantil como uma das dimensões de acesso, e, portanto, uma política afirmativa decorrente das políticas de acesso; 2) discussão dos conceitos correlatos de marcadores da diferença e categorias em articulação, e sua utilidade para pensar na permanência estudantil; 3) a defesa da necessidade de articular políticas de redistribuição e reconhecimento (a partir da contribuição de Nancy Fraser) na permanência estudantil.
Resumo: Argumenta-se, neste texto, que a vitalidade dos Estudos Culturais está na abertura e receptividade para promover enlaces conceituais e teóricos variados. De modo a adensar a discussão sobre o frutífero encontro entre Estudos Culturais e Educação, no presente artigo promove-se um rastreamento de pesquisas sobre natureza e, também, daquelas dedicadas às temáticas indígenas e afro-brasileiras de modo a indicar enlaces teóricos, caminhos investigativos e pontos de atenção promovidos por pesquisadores identificados com este campo articulatório. Observa-se que, como parte de um projeto ético-político mais amplo, estes estudos questionam essencialismos, fundamentalismos, eurocentrismos, racismos e acenam para possíveis formas de resistência político-acadêmica.
Resumo: O objetivo deste artigo é elucidar dois problemas radicais: o primeiro diz respeito aos obstáculos relativos ao reconhecimento da ampliação do conceito de filosofia, enquanto o segundo concerne à retomada da compreensão da natureza específica da atividade filosófica. Abordam-se os conceitos de humanidade e de filosofia em perspectiva uni-versal, bem como a originária função antropológica da docência. Essa abordagem contribui atualmente com o alargamento da liberdade no âmbito da intervenção educativa de professores de filosofia em variados níveis de ensino no Brasil e em contextos similares. Conclui-se com o ensaio de uma síntese das soluções propostas aos referidos problemas.
RESUMO: O trabalho discute as temáticas de educação e processos de ensino-aprendizagem ao longo da vida, tomando como recorte as relações raciais nos contextos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Brasil, considerando o que determina a Lei 10.639/03. Trata-se de um estudo de caráter exploratório-descritivo, com abordagem mista que associa a análise de indicadores, a pesquisa bibliográfica e a pesquisa documental, além de dados de duas experiências na EJA. Os resultados revelam que a EJA por ser constituída majoritariamente por negros e negras, pode ser entendida como uma ação afirmativa, que busca corrigir distorções e reparar injustiças históricas. Aponta como proposta pedagógica para o ensino e a aprendizagem significativa a associação entre afrobetização e letramentos de (re) existências.
Resumo: Este artigo examina como estudantes chilenos de ensino médio envolvidos em protestos estudantis demonstram e fazem uso de sua compreensão sobre política e história para informar e orientar suas próprias ações políticas. Com base em trabalho de campo realizado em 2014 em uma escola chilena de ensino médio, utilizo a análise de discurso para examinar entrevistas de estudantes como um tipo específico de trabalho social. Nestas entrevistas, defendo que os estudantes apresentavam e participavam da produção constante de marcos coerentes em que história e política estão conectadas. A compreensão de história e política dos estudantes informa e afeta uma à outra, bem como se torna significativa em sua educação em cidadania.
RESUMO: No artigo analisa-se identificação, conversão e tratamento de registros em situações combinatórias. Foram realizados dois estudos: 1) de identificação de conversões e 2) com representações intermediárias entre registros em língua natural e em expressão numérica. Confirmaram-se hipóteses de maiores dificuldades na situação de combinação e na conversão para expressão numérica. Indicou-se representações intermediárias (árvore de possibilidades ou listagem sistematizada) para o ensino da Combinatória, entretanto, trabalhar com árvores resultou em melhores desempenhos - por terem mais congruência com expressões numéricas. Recomenda-se, assim, a intermediação de representações na identificação, conversão e tratamento de situações combinatórias.
Resumo: Na Austrália (e possivelmente em muitos outros países), a participação parental na aprendizagem dos filhos é dominada por noções ocidentais de aprendizagem, educação, pedagogia e conhecimento. Discutimos a aplicação de uma antropologia crítica sob o ângulo da educação a estes discursos e recursos metodológicos dominantes, pois nos incentiva a estar no campo, despender tempo e, com reflexividade crítica, escutar e aprender. Descrevemos como trabalhamos para criar uma abordagem Aborígene-Orientada e nos embasamos em Protocolos de Pesquisa Aborígene para manter uma ênfase firme e acentuada sobre nossa prática como pesquisadoras.
Resumo: Neste artigo, buscamos analisar os sentidos de oportunidade que jovens pobres cariocas atribuem à escola e compreender se, para estes jovens, a escola e a escolarização possuem um valor no agora e/ou no depois imaginado. Participaram do estudo 51 jovens, estudantes de 9º ano do ensino fundamental, de duas escolas públicas municipais do Rio de Janeiro, com idades entre 14 a 16 anos. Foram realizados três grupos de discussão, que ocorreram no formato de oficinas. Na análise dos sentidos de oportunidade e do valor atribuído pelos jovens à escola, foram focalizadas as relações intra e intergeracionais que se estabelecem neste espaço e a relação imaginária que estes jovens têm com o que virá depois da escola.
Resumo: O presente artigo é um desdobramento de estudos sobre os conceitos de linguagem através de uma prática artística. A produção das atividades de Allan Kaprow e artistagem docente de Sandra Corazza são movimentadas a partir da filosofia de Gilles Deleuze e Félix Guattari. Desse modo, as práticas docentes visam aos seus potenciais de criação. Os mecanismos de linguagem de artista são evidenciados e postos como devires para criar zonas de aproximação e vizinhança com a educação. Com isso, um conceito de obra-aula é pensado como forma de escapar às estruturas já dadas de modelos reprodutivistas de conteúdos programados da docência.
Resumo: Problematizamos a docência no ensino remoto em tempos de pandemia. A despeito das diferenças entre ensino remoto e educação a distância (EaD), apontamos que críticas a ambos recaem sobre as dificuldades de interação entendidas como inerentes a eles. Em contraposição, argumentamos que ponderações a todo modo de ensino precisam enfatizar modelos teóricos conceituais que os sustentam. Inspirados na construção do caso em psicanálise, apresentamos narrativas acerca do ensino remoto e as analisamos a partir do conceito de transferência. Apostamos que o laço transferencial entre professor, aluno e conhecimento pode ser estabelecido no ensino remoto, considerando a escuta e a palavra como representantes da presença e da corporeidade neste contexto.
Resumo: As recentes políticas migratórias nacionais - separação de famílias migrantes na fronteira entre Estados Unidos e México, aumento no número de prisões e remoções pelo Serviço de Imigração e Controle Alfandegário dos Estados Unidos, e o banimento de viagem de muçulmanxs - levantam questões de discriminação com base em raça, etnia e religião. Este artigo examina como, durante épocas de tensão e conflito racial, imigrantxs latinxs e refugiados muçulmanos que são membros de uma organização de imigrantes jovens desafiam narrativas baseadas em déficit por meio de uma ação coletiva em um espaço educacional comunitário. Defendo que um espaço educacional comunitário (EEC) em uma grande cidade do meio-oeste dos Estados Unidos proporciona um espaço único para que a juventude imigrante transnacional construa coalizões pan-étnicas transformadoras de maneiras que abordem a disjunção cívica - o conflito entre as realidades cotidianas dos jovens e os ideais cívicos democráticos adotados por currículos e funcionários de escola - e as mensagens concorrentes de escolas, comunidades e conflitos nacionais e globais dos estudantes.
Resumo: Com base em dados de uma etnografia com duração de quarenta e dois meses acerca de redes de refugiados no Arizona, exploro a questão de jovens refugiados forjando identidades e espaços híbridos em contextos educacionais dos Estados Unidos. Ao utilizar a noção de abrir espaço (Das Gupta, 2006), demonstro como eles captam vídeos em webcam de um campo de refugiados ou música de seu país natal enquanto realizam tarefas de aula em um programa on line de recuperação de créditos ou disciplinas de Ensino Médio. Eles se envolvem naquilo que refiro como transmundificar, ou a prática de mediar identidades emergentes e encontrar seu caminho em mundos figurados (Holland; Lachicotte; Skinner; Cain, 1998) de aprendizagem de refugiado ao enfrentar práticas educacionais normativas e marginalizantes.
Resumo: No presente artigo a emergência da pandemia global é analisada como um fator que torna ainda mais visível e aguda a crise da educação. Isso ocorre porque à não presencialidade espacial dos alunos agrega-se o esvaziamento da dimensão temporal da educação. Esse esvaziamento é tratado a partir da narrativa da experiência escolar de uma adolescente. Sua interpretação e análise apontam para a necessidade de a experiência escolar propiciar a seus alunos a oportunidade de habitarem um outro mundo no tempo e no espaço por meio do acesso e da ressignificação de obras ficcionais e historiográficas nas quais a experiência de viver uma pandemia seja reconfigurada à luz do presente.
Resumo: Este artigo explora dados referentes ao desempenho das escolas municipais do Rio de Janeiro nos primeiros anos do Ensino Fundamental para apurar que medidas podem ser utilizadas para complementar os instrumentos regulatórios top down voltados para a educação, evidenciando que fatores locais exercem influência expressiva sobre a qualidade do ensino. Na cidade, escolas vizinhas apresentam resultados diametralmente opostos, apesar de serem comparáveis em termos socioeconômicos. Essa realidade sugere que instrumentos regulatórios bottom-up podem ser usados de maneira eficiente. Há, porém, uma lacuna normativa nesse sentido, com a forte prevalência de políticas públicas top-down.
Resumo: Com base nas reflexões de Wittgenstein sobre a linguagem, buscamos transpor algumas de suas afirmações terapêuticas para o campo da educação, em particular aquelas sobre as relações entre saber fazer (conhecimento prático) e o aprendizado de regras (conhecimento teórico). Suas considerações filosóficas, na minha opinião, permitem esclarecer não apenas o conceito de ‘seguir regras’ como fundamento da ação significativa e do pensamento, mas também o papel desempenhado pelas diferentes técnicas desenvolvidas nos procedimentos adotados pelos professores para que o aluno aprenda o conteúdo de suas disciplinas, apontando assim uma pedagogia que não proclama como o professor deve agir, mas, sobretudo, o que evitar.
Authors: Jardim Silva Júnior Capelo Varela Brasil Alves
RESUMO: Este estudo analisa os valores sociopolíticos dos universitários (n=605) Portugal/Brasil, mediante um Questionário sobre Valores na dimensão sociopolítica. Os resultados revelaram diferenças quanto a valores fundamentais. Constatamos indiferença/descrença política nos estudantes portugueses e brasileiros, essencialmente no respeitante às causas das desigualdades sociais. No Brasil são decorrentes da pouca sorte, preguiça e inatividade laboral e em Portugal particularizam a pouca instrução. Esta pesquisa viabiliza a implementação de programas de educação para a cidadania em contexto académico.
Resumo: O autor discute a importância do pensamento de Wittgenstein para a relativização da atitude científica na filosofia da educação, particularmente quando as ciências sociais tendem a seguir o modelo das ciências duras em suas atividades de pesquisa.