O artigo apresenta reflexões sobre potencialidades das relações entre políticas educativas, ações intersetoriais e desenvolvimento local. Recorreu à pesquisa bibliográfica sobre princípios, fundamentos e pressupostos de propostas e programas socioeducacionais, que buscam realizar tais articulações. Concluiu que há, nos discursos dos autores consultados, argumentos fortes e auspiciosos quanto ao potencial de inovações sociais e educacionais nessas relações. Contudo, a realização de tais expectativas depende de condições e possibilidades não isentas de conflitos e contradições, pois pressupõem por em contraposição diferentes pontos de vista e estratégias sociais, nem sempre voltadas para o mesmo horizonte de transformações sociais.
Este artigo trabalha o conceito de alteridade, fazendo uma correlação entre Psicanálise e Educação. Para ambas as disciplinas deve estar colocada, como condição, a diferença do outro como semelhante; a inscrição do Outro, que marca um processo particular de inserção na cultura; e do outro radical e inapreensível. Entre elas vamos identificar um certo modo de produção do sujeito que passa necessariamente pela relação com o outro, mas que não se faz sem obstáculos. Quais são os paradoxos da alteridade? É nossa pergunta que conduz a pensarmos a relação do sujeito a três registros da alteridade.
O objetivo deste artigo é investigar a concepção de democracia e educação desenvolvida por John Dewey e Paulo Freire. Leitor da obra de Dewey, Freire teve contato também com o debate das ideias deste pensador no Brasil, sobretudo através dos trabalhos de A. Teixeira e L. Filho. Estudar como o pensamento deweyano ecoa na obra freireana ajuda a compreender a sua maneira original de tecer seus conceitos. Freire leva adiante a ideia deweyana de democracia como forma de vida guiada pelo pensamento reflexivo. Ele viu no diálogo problematizador e gerador dos sentidos da ação transformadora da situação social e histórica um processo educacional que pode conscientizar, humanizar, libertar e, assim, superar a opressão que também é historicamente criada pelo próprio homem.
A cada dia fica mais difícil distinguir a administração pública da privada. Valores capitalistas são naturalizados para todas as esferas da vida humana. Modelos e políticas da gestão de empresas voltadas para o lucro têm sido cada vez mais importados para a administração pública brasileira principalmente a partir de 1995, com a Reforma Gerencial do Estado. No rastro dessas importações, diversos estados e municípios brasileiros já utilizam a remuneração variável por desempenho para gerir professores. Em que medida a remuneração variável por desempenho, aplicada a professores, pode construir novas subjetividades, funcionando como instrumento de controle e de culpabilização desses mesmos docentes? Esta é a indagação que norteia este artigo.
O presente artigo apresenta uma discussão sobre a representação do feio em livros infantis alinhados com concepções multiculturalistas sobre a diferença. Para tanto, são analisados oito livros brasileiros escritos entre 2008 e 2010. Tomando como fundamento teórico o vasto campo dos Estudos Culturais, o texto prioriza a apresentação da teoria estética de Tomás de Aquino como exemplo de sistema teórico-conceitual que, embora situado historicamente, continua atuando sobre a produção de identidades e subjetividades até os dias de hoje. Uma das principais conclusões é que o multiculturalismo está atuando fortemente sobre a forma como são representadas as diferenças em livros infantis contemporâneos.
Neste trabalho, ao analisar a resposta de Piaget às críticas de Vygotsky, procuramos salientar convergências e divergências teóricas básicas colocadas pelo primeiro em relação ao segundo. Para isso, num primeiro momento, analisamos os esclarecimentos de Piaget sobre a realidade do fenômeno psicológico do egocentrismo cognitivo e linguístico; num segundo momento, analisamos as relações entre as noções científicas e espontâneas na criança. Num terceiro momento, analisamos a posição diferenciada de Piaget sobre os mecanismos que explicam o desenvolvimento e progresso do conhecimento. Concluímos que, na resposta de Piaget a Vygotsky, existe clara diferenciação do seu sistema teórico.
Este artigo examina, critica e amplia os fundamentos ontológicos, epistemológicos, éticos e políticos da teoria da educação libertadora de Paulo Freire; também situa o legado de Freire dentro da aplicação global de suas ideias em um amplo espectro de contextos educacionais. O texto defende historicidade e práxis como características essenciais da natureza humana, expõe os problemas das noções de identidades autênticas e constrói um entendimento historicizado da produção de conhecimento. O artigo defende que a educação libertadora deve estar baseada em uma ética sem presunção acoplada a uma política de não-violência militante.
O artigo trata da recepção da obra de Richard Rorty no campo da Educação, com ênfase na interpretação realizada pela pedagogia marxista brasileira. Apresenta a descrição que essa tradição opera do neopragmatismo rortiano bem como a sugestão com vistas a evitar os ceticismos (epistemológico, ético e político) que ela afirma derivar da filosofia do autor norte-americano. Analisa se as críticas a ele dirigidas se sustentam quando cotejadas com outra leitura de sua obra, menos indisposta e cética. A redescrição realizada indica os limites e as insuficiências da descrição a que se opôs.
O texto se propõe a analisar as possibilidades oferecidas pela pragmática linguística na qualificação de leitores, tanto de textos convencionais, quanto das novas formas textuais que os meios de comunicação oferecem. O público-alvo são os formadores de leitores, bem como todos os interessados em aperfeiçoar-se no ato de ler, em sentido amplo. Sob o ponto de vista teórico, utilizaram-se os aportes da pragmática linguística austiniana e de algumas ferramentas advindas da fenomenologia, sobretudo na forma praticada na pós-modernidade, sem se desviar do escopo do artigo, que é a formação de leitores.
En este escrito nos ocuparemos del tratamiento social de las diferencias y sus resonancias singulares en tres direcciones: a) la importância en el devenir de la sexualidad infantil del encuentro con la diferencia entre los cuerpos como percepción clave en la configuración de teorías sexuales infantiles y sus repercusiones cuando las mismas no cuentan con soporte colectivo de tramitación; b) la tendencia a la patologización y medicalización de la infancia ante la falta de escenarios de consideración de dichas teorías; c) alternativas clínico sociales para intentar resistir a la devastación subjetiva de las nuevas generaciones.
Discorre sobre o conceito do estranho na arte, na antropologia e na psicanálise, a fim de analisar as injunções poético político pedagógicas do estranho no âmbito da educação. Toma como problemática a relação entre o eu e o outro na sociedade contemporânea, mais especificamente, na manifestação do estranho - o qual refere tanto um sentimento quanto uma representação - nos espaços formativos - supostamente familiares ou de familiarização. Trata, portanto, da alteridade, tomada como forma de visibilidade e relação do mesmo com o outro. O estudo propõe pensar o ensino como forma de estranhamento.
O presente artigo pretende analisar a forma como os professores de Educação Física se percepcionam enquanto docentes. É um estudo que coloca a ênfase na percepção dos sujeitos em questões relativas à construção da sua identidade docente. Situando-nos num quadro de um paradigma não positivista, recorremos a uma metodologia de cariz qualitativo. O estudo centrou-se num grupo de quinze professores com formações iniciais distintas da área da Educação Física realizadas nas instituições mais marcantes de Portugal. Concluímos que os professores, independentemente da escola de formação, se definem como exigentes, disciplinadores e metódicos. Verificámos, ainda, que há concepções e actuações diferentes no âmbito do ensino da Educação Física.
A autoridade do professor e a função da escola são discutidas a partir das proposições de Giorgio Agamben sobre o homem contemporâneo; do conceito de Hannah Arendt sobre responsabilidade coletiva; e das ideias de Karl Marx sobre o fenômeno da alienação. O alheamento social e político, típico da contemporaneidade, que desafia os educadores; a irresponsabilidade dos adultos diante das novas gerações que provocam o professor e as demandas da realidade brasileira atual que desafiam a escola, são problematizadas no sentido de afirmar a autoridade do professor como aspecto decisivo da função social da escola no combate responsável a todas as formas de indiferença e de alienação.
Este artigo discutirá como as diversas polêmicas sobre a qualidade dos livros didáticos veiculadas pela imprensa nos últimos anos demonstram a supervalorização deste instrumento didático/pedagógico em nossa cultura escolar. Este status alcançado nas representações sociais pelos livros didáticos é resultado de uma complexa trajetória histórica, uma significativa relevância econômica, e de contornos ideológicos e políticos, sobretudo no período republicano brasileiro. Por fim, debaterá como a consagração deste material parece ofuscar outras discussões como as reais condições de trabalho, formação e aprendizado de professores e alunos brasileiros do ensino básico.
O objetivo deste artigo é discutir a questão do método e da metodologia desenvolvidos na produção acadêmica sobre os professores(as) dos Programas de Pós-Graduação em Educação da Região Centro-Oeste, período 1995 a 2009. As atividades já realizadas abrangem levantamento da produção, leitura integral dos trabalhos, fichamento e análise. Elegeu se as seguintes categorias de análise: tema, referencial teórico, método, metodologia, tipo de pesquisa, concepções de educação e de professor. Os resultados demonstram as dificuldades na busca do posicionamento conceitual e aprimoramento metódico e metodológico da produção. Apontam para a necessidade de maior rigor teórico metodológico, o que implica na clareza da intencionalidade metódica, das escolhas ontológicas e gnosiológicas dos pesquisadores.
O presente artigo busca contextualizar alguns elementos da teoria da história de Jörn Rüsen, a partir de uma discussão maior entre a modernidade e a pós-modernidade. Neste sentido, seu pensamento fora relacionado como resposta aos desafios que o século XX trouxe à historiografia. Em especial, às influências metodológicas dos Annales, o caráter autorreferencial da linguagem, oriundo da virada linguística, e as micro-histórias, que podem ser apresentadas como contra-histórias do passado, nas palavras de Rüsen. Buscou-se, deste modo, abrir caminhos na compreensão de sua defesa do caráter científico da história, de sua valorização do método, assim como, de sua teoria de que a história está diretamente ligada ao cotidiano do historiador. Neste sentido, a partir destes acontecimentos internos a história enquanto ciência, o artigo também se propõe a apontar em que medida estas questões são refletidas na teoria da história de Rüsen, em especial na dimensão referente ao ensino da história e didática da história.
O artigo discute aspectos relacionados à produção de textos dirigidos a professores da Educação Básica, focalizando a função-autor nesse processo. No contexto educacional atual, os autores desses textos desempenham importante papel, à medida que sua atuação integra-se a processos de legitimação de certos discursos e de novas modalidades de formação docente. Esses pesquisadores acadêmicos se deparam com novos desafios, entre eles o de escrever para os professores da escola. O estudo cujos dados são apresentados neste artigo foi realizado sob uma abordagem qualitativa, a partir de análise documental e de entrevistas, tendo por referencial empírico um programa especial de formação superior de professores em serviço.
O artigo começa analisando a trajetória da taxa de alfabetização no Brasil através das sucessivas gerações presentes nos censos 2000 e 1950, buscando colocar em evidência tanto o estado e como a dinâmica das desigualdades quanto à alfabetização na perspectiva de sua relação cruzada com campo-cidade e gênero. Busca, então, elementos teóricos de inteligibilidade dessas desigualdades. Os resultados obtidos são: o latifúndio é o principal determinante estrutural do analfabetismo no campo; o analfabetismo está tornando-se numericamente um problema predominantemente urbano; a histórica superioridade masculina quanto à alfabetização e escolarização está cedendo lugar a uma crescente superioridade feminina, tanto no campo como na cidade.
Ao contextualizar no sistema educacional a homogeneização das vivências de seus sujeitos, que desvaloriza suas particularidades, este artigo problematiza as manifestações das singularidades das crianças pequenas em momentos de brincadeira. Objetivou-se compreender como tais manifestações ocorrem, considerando a singularidade das crianças pequenas em suas brincadeiras, compreendendo a diversidade do seu repertório cultural, identificando seus aspectos particulares e suas significações nesses momentos. Realizaram-se observações participantes com um grupo de dezenove crianças com quatro anos de idade, durante oito encontros. Os registros de diário de campo permitiram a análise das vivências das crianças, assim como a manifestação de diversos elementos singulares durante as brincadeiras, as quais são intimamente associadas ao contexto social em que os sujeitos estão inseridos.
Este artigo faz uma reflexão sobre a questão do processo de avaliação institucional nas instituições brasileiras de ensino superior, tendo como base a teoria psicanalítica e como particular enfoque, a resistência dos atores-sujeitos ao processo e à implantação da cultura de avaliação. Por meio da teoria dos discursos de Jacques Lacan foi possível refletir a respeito dos impasses da avaliação institucional no contexto universitário brasileiro e pensar em propostas frente aos fenômenos sociais a ela relacionados.