Apesar de ser considerada como uma ideia reguladora para toda a biologia, geralmente a evolução é tratada, nos livros didáticos brasileiros de biologia, como um conteúdo; assim a evolução é geralmente considerada, nestes livros, da mesma forma que qualquer outro conteúdo. Além disso, outros conteúdos, que deveriam ser considerados a partir de uma compreensão prévia do conceito de evolução, são abordados com referência apenas implícita à evolução. O objetivo deste trabalho é o de, por meio de uma análise de alguns livros didáticos de biologia do ensino médio, descrever e discutir a forma de apresentação dos conteúdos de competição e vírus, e verificar como está sendo realizada tal apresentação.
O artigo apresenta o percurso do conceito de cooperação na Epistemologia Genética ao longo dos diferentes períodos da obra piagetiana. Inicialmente, o conceito é abordado como produto de um tipo de relação social e, posteriormente, é tratado como um método de trocas sociais. O conceito nem sempre foi referido diretamente e nem recebeu a mesma atenção do autor nos diferentes períodos da sua obra. Um dos principais referenciais utilizados, complementando o próprio Piaget, foram os autores Montangero e Maurice-Naville, que destacam o conceito como um dos principais da teoria piagetiana. O artigo traz contribuições para a história e compreensão do conceito, como também permite um novo ponto de vista sobre a teoria.
Este artigo é produto de uma pesquisa exploratória em que se analisou um conjunto de ações vinculadas ao processo de regionalização da universidade e, as dinâmicas produzidas e implementadas nos espaços de regulação transnacional (incentivo à regionalização do Mercosul), nacional (Brasil e Argentina) e institucional. Buscou-se compreender as mudanças institucionais em curso e as possibilidades de construção de um pensamento social latino-americano. Foram focalizadas a análise das políticas de integração regional de educação no âmbito do Mercosul e as dinâmicas nacionais.
Este artigo visa a introduzir a relação de ajuda manual no campo da educação para a saúde. Argumentamos em favor do interesse em se integrar a dimensão humana no tratamento dos pacientes, através do tocar relacional. O leitor encontrará um inventário da questão na França e descobrirá uma abordagem de acompanhamento baseada na mediação corporal fundamentada no Sensível.
O texto apresenta e desenvolve os pressupostos teóricos da proposta pedagógica que são as oficinas de trabalho biográfico junto de pesquisadores e estudantes universitários das ciências sociais e humanidades. São revisitadas as suas diversas etapas e contextualizada a proposta no quadro mais vasto da teoria da ecologia de saberes de Boaventura de Sousa Santos em equação com a corrente actual da pesquisa biográfica tal como esta é desenvolvida no quadro da associação internacional Le Sujet dans la Cité.
O presente trabalho analisa a prática de castigos corporais nas escolas primárias da Corte, investigando-a como forma de disciplinar, constituir e consolidar uma determinada cultura escolar, aqui entendida como um conjunto de normas, posturas e condutas impostas aos jovens, como forma de se obter uma disciplinarização do corpo e do espírito. A Palmatória, foi um objeto que assim como o livro, o quadro, a pena, marcou sua presença na escola e no imaginário da sociedade sobre a escola. Ao ponto de serem retratadas na literatura da época. Analiso fontes que demonstram os rumos da discussão acerca dos castigos corporais, os limites da autoridade do professor e a intervenção da sociedade nesse debate.
O presente texto propõe-se a apresentar os modos pelos quais a noção de público é produtiva para compreender as tecnologias de poder produzidas nas interfaces entre a educação e a comunicação no capitalismo contemporâneo. Tal conceito, produzido a partir de Gabriel Tarde, potencializa o entendimento de que os múltiplos materiais midiáticos que circulam em nosso tempo produzem uma sofisticação das tecnologias de poder. Examina-se, enfim, a gestão das mentes dos sujeitos universitários como uma tecnologia de poder característica do neoliberalismo contemporâneo, tal gerenciamento não apenas encaminha modos flexíveis de relacionar-se com o conhecimento, como também posiciona os sujeitos analisados em uma intensa rede de conexões permanentes.
Como pensar as formas pelas quais se estabelecem as relações de amizade na contemporaneidade? Como contribuir para avançar o pensamento sobre a temática, dada a importância da amizade como espaço político e social? Com o objetivo de debater tais questões, foram organizados doze encontros com 122 alunos de 7ª e 8ª séries de uma escola de ensino público da região sul. A pesquisa toma como base teórica a hermenêutica de Michel Foucault, bem como seus estudos sobre ética e estética. Os resultados da pesquisa destacam a força do discurso familiar e a contribuição das dinâmicas de gênero no laço de amizade jovem. A Internet provou ser de suma importância, trazendo ao nosso estudo dados consistentes para investigar como se configuram as relações de amizade na atualidade.
Este texto tenta evocar os elementos éticos do ato de cuidar a partir de uma visão antropológica inspiradora, bem como de uma visão renovada do ser humano, tal como é representada em suas experiências pessoal e profissional. Apresentamos uma pesquisa do tipo biográfico e de inspiração fenomenológica, cuja prática permite a harmonização pedagógica entre o soma e a psique. Assim, é nosso desejo responder à seguinte questão: é possível respeitar as necessidades ontológicas e espirituais do ser humano em práticas nas quais o corpo é reverenciado à altura do mistério de sua existência encarnada?
Este artigo tenta discutir os múltiplos contextos vividos pelos estudantes de uma escola pública da periferia de Vitória - Espírito Santo. A realização da pesquisa se deu por meio de conversas e de instrumentos a partir dos quais os estudantes puderam soltar suas redes de sentidos sobre os diferentes contextos da vida e da escola. As questões levantadas pelos estudantes nos dão pistas para pensarmos a escola pública em sua dimensão curricular e política, associando vida e conhecimento. Outras questões nos movem nesta pesquisa e nos indagam sobre as formas como a escola lida com a diversidade de expectativas, principalmente esta: qual a potência da escola na vida de nossos estudantes?
Trabalhando no contexto do arco-íris sociocultural da sala de aula. Neste trabalho começa-se por discutir algumas questões epistemológicas e metodológicas que, sobretudo em contextos multiculturais, é necessário ter em consideração em processos educativos que pretendem ser significantes para os diferentes alunos. Defende-se que, em contextos de diversidade sócio-cultural, e se se pretende que as aprendizagens sejam relevantes para os alunos, o professor, para além de ser um tradutor de saberes produzidos por outros, terá de se assumir também como investigador, como produtor de conhecimento, que diversifica o processo de ensino-aprendizagem através de dispositivos de diferenciação pedagógica. Neste texto aprofundam-se e cruzam-se contributos anteriores decorrentes de trabalhos elaborados sobretudo em colaboração com Stephen R. Stoer.
A pesquisa objetivou analisar o significado sociocultural dos brinquedos artesanais vendidos em feiras livres. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, do tipo descritiva, de campo. Os Sujeitos participantes foram vendedores de brinquedos artesanais das feiras livres das cidades de Campina Grande e João Pessoa, principais no Estado da Paraíba. Utilizou-se da entrevista semiestruturada e da observação direta com registro em diário de campo. Concluiu-se que os brinquedos artesanais apresentam importantes significados para os feirantes vendedores desses objetos, principalmente no que se refere ao período de infância vivida, ao significado intergeracional somado à história cultural do brinquedo e à realidade educacional dos Sujeitos.
A intensidade das mudanças sociais em curso colocou em xeque o legado da modernidade. As verdades elaboradas pela ciência moderna têm sofrido fortes abalos. Até mesmo o modo de produzir conhecimentos é questionado nos tempos atuais. Dentre as alternativas emergentes, encontra-se a bricolagem. Os bricoleurs apelam para uma variedade de métodos, instrumentos e referenciais teóricos que lhes possibilitem acessar e tecer as interpretações de diferentes origens. Impulsionados pelos Estudos Culturais, denunciam as relações de poder que influenciam os discursos científicos postos em circulação. O presente artigo discute os pressupostos e procedimentos metodológicos e oferece um exemplo de uma pesquisa educacional inspirada na bricolagem.
A emergência de novas formas de trabalho, associada ao aumento da expectativa de vida da população, conecta-se com a perspectiva de alteração na formação educacional. Dentre outras características, a educação deixa de centrar-se nas fases precoces da vida para ser algo necessário ao longo da vida. Nessa transformação, o entendimento entre os atores sociais é condição necessária para a maior eficiência alocativa dos meios de produção. Da mesma forma, apresenta-se a possibilidade de compartilhamento dos novos ganhos de produtividade com patamar de civilidade superior ao do século 20. Formas de produção e de organização do trabalho sustentáveis requerem uma base recorrente de educação e formação profissional.
Este artigo tem por objetivo principal analisar o papel que a dinâmica demográfica poderá exercer sobre a educação da população brasileira nas próximas décadas, com enfoque nas suas tendências e nas oportunidades que dela decorrem. Para atingir este objetivo, comenta-se brevemente alguns aspectos da transição demográfica e aquilo que alguns estudiosos denominam janela de oportunidades. Em seguida, discute-se a evolução da estrutura etária brasileira, a partir da razão de dependência e suas perspectivas, enfatizando o processo de envelhecimento populacional. Posteriormente, aborda-se a evolução das matrículas e do sistema de educação no Brasil, para então discutir algumas perspectivas de desenvolvimento, tendo em vista a escolaridade.
O presente artigo tem o objetivo de argumentar que, em momento de reforma educacional, é necessário levar-se em conta os resultados de pesquisas sobre desenvolvimento cognitivo e aprendizagem dos alunos. Esta discussão é importante devido ao fato de que a estrutura e organização da escola pública atual não reflete o que nós sabemos dos processos de como a criança aprende. Os profissionais e responsáveis por implementar e organizar a escola pública não levam em consideração tais pesquisas priorizando, assim, o aspecto pedagógico em detrimento do aspecto cognitivo do sujeito. Esta separação é prejudicial à qualidade da educação pretendida. E escola está separada da vida.
Apresenta-se neste artigo o resultado de uma pesquisa sobre disposições para a ação de professores das primeiras séries do ensino fundamental que compõem suas práticas pedagógicas e se constituem em valores em estado prático. Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas com dez professoras da rede pública estadual de São Paulo, e analisados a partir dos conceitos de espaço social e campo social formulados por Pierre Bourdieu. Foi possível evidenciar que as práticas de disciplinarização e moralização dos alunos, centrais na atuação docente nesse âmbito do ensino, relacionam-se com aprendizagens referidas à origem e pertença social dos professores, e também às condições objetivas em que atuam.
Este artigo propõe a discussão sobre o uso da violência como um modo de representação de si no social, utilizado pelos jovens da atualidade. Partindo de algumas produções culturais, busca problematizar as condições sociais com as quais os jovens se encontram no laço social atual. Parte-se da noção de que a urgência em encontrar modos de se fazer representar no social, típica da adolescência, somada ao empobrecimento das condições de construção da experiência e do esvaziamento do espaço público como espaço legítimo de representação do sujeito, acabou por incrementar a dimensão das escritas violentas na adolescência e juventude de nosso tempo.
Integrando pesquisas sobre cidade, na análise de discurso, trabalhamos a relação social estabelecida em diferentes condições entre a casa e a rua e os sujeitos, seus modos de vida e processos de significação, interpretados pelo par público/privado. A intimidade, a sociabilidade, a hostilidade, a ruptura, a segregação, o equívoco, a contradição nos ocupam nessa observação. O que é sentir-se em casa? O que é ser menino de rua, ser pichador? Propomos que a forma da cidade e a forma-sujeito estão ligadas, bem como fazemos distinção entre as noções de ordem e de organização. É preciso aprender novas formas de sociabilidade que atendam as necessidades sociais.
Matemática é difícil tornou-se uma expressão naturalizada resultante de ressignificações atribuídas a fatos que marcaram a história da disciplina. O aluno reconhece este discurso que circula no senso comum e na comunidade escolar e, ao coabitar com os efeitos de sentido deste pré-construído, filia-se a ele; porém, ao interpretá-lo, acrescenta sentidos seus. O sentido dado à Matemática, que o aluno retira do interdiscurso, foi analisado através de reflexões do que ele diz. A análise permitiu perceber que as dificuldades encontradas na aprendizagem da Matemática, manifestadas na voz do aluno, mostram a adesão aos já-ditos da disciplina, bem como os deslocamentos de sentidos produzidos, atestando a heterogeneidade que lhe é constitutiva.