O artigo analisa as condições históricas da elaboração, por Sigmund Freud, de uma teoria da infância, que tem na sexualidade um dos seus pontos nodais. Indica de que modos as linhas de força do dispositivo de infantilidade constituem a infância sexuada freudiana e a configuram como um dos mais poderosos modos de subjetivação infantil, vigentes no século XX. Por fim, problematiza em que medida tal forma de subjetivação ainda opera na contemporaneidade.
Este artículo propone el uso de las fotografías escolares como “analizadores” de instituciones educativas. Después de una breve discusión sobre las limitaciones de los enfoques teóricos que consideran las fotografías como contenedoras transparentes de fácil e inapelable lectura sobre sus significados, este artículo introduce la noción de las fotografías escolares como “analizadores” y discute su relación con los métodos de foto-entrevista e investigación cualitativa. La discusión conceptual se ejemplifica con el análisis de dos fotografías escolares. Para concluir este artículo analiza los aspectos claves necesarios para incorporar las fotografías desde esta perspectiva.
A questão central do artigo consiste em pensar o ensino de filosofia como experiência filosófica. Pensar em tal possibilidade de ensino na contemporaneidade é deparar-se com a problemática filosófica da experiência. Walter Benjamin dizia que fomos expropriados da experiência. Como podemos, então, pensar um ensino de filosofia que se paute na experiência de filosofar, no qual a experiência se confunda com o próprio modus operandis do ensino? Distanciando-nos dessa perspectiva, pensamos que o ensino da filosofia se dê entre o empírico e o transcendental, no indizível deleuziano. Assim, o ensino da filosofia estaria na experimentação de pensar o impensável ou como um pensar in-fante.
O presente artigo propõe uma análise da escola em sua singularidade a partir de um paradigma ético-estético sobre a Educação. Tal abordagem concebe a escola como multiplicidade, uma vez que é constituída por uma trama rizomática de olhares e paisagens. A imagem da escola-paisagens perpassa o texto em um percurso que se inicia nos conceitos de plano, território e paisagem - formulados por Deleuze e Guattari -, chegando à noção de individuação proposta por Simondon. Seus contornos mutantes delineiam-se nos movimentos do ritornelo entre os planos estriados, perceptíveis e os planos lisos, imperceptíveis. A escola, como obra de arte, torna-se um posicionamento político calcado em experiências que desacomodam e abrem os devires da Educação.
O artigo pretende discutir a metamorfose das teorias educacionais contemporâneas provocada pelo câmbio dos grandes paradigmas norteadores do conhecimento. Procura investigar as bases da reflexão pedagógica, alicerçada nas grandes sínteses do conhecimento filosófico, tomando como ponto de partida o debate travado por Jürgen Habermas com alguns filósofos contemporâneos, notadamente com Richard Rorty. A idéia é oferecer uma abordagem do modo como se constituíram historicamente os eixos aglutinadores do pensamento filosófico e suas influências em diversas concepções teóricas da educação. O artigo discute, em especial, a repercussão na formação de palavras-chave que vão delimitar novos horizontes de compreensão da cultura, possibilitando assim repensar o esquema das "tendências" e "correntes" da educação.
O presente artigo parte da proposição de uma pedagogia do conceito, segundo Deleuze e Guattari. Com base na mesma, isola-se e explora-se a idéia de que todo pensamento exige, como sua condição interna, "traços relacionais". Dos traços relacionais definidos pela pedagogia do conceito, enfatiza-se o "amigo" como personagem que caracteriza um dado pensamento. Nota-se que o conceito de amizade, em Deleuze e Guattari, está calcado numa teoria das relações de caráter empirista e pragmatista. O amigo é um personagem do pensamento de Deleuze e Guattari que permite pensar na relação entre um devir-mestre e um aluno-bumerangue como traços relacionais de uma pedagogia singular, calcada na diferença conceitual entre "saber" e "aprender".
Este artigo investiga os conceitos de tradição, experiência e narração em Walter Benjamin com face à pesquisa em educação. Walter Benjamin foi, por certo, um dos pensadores mais preocupados em conjugar num sistema filosófico a multiplicidade do conhecimento. Essa sentença pode ser verificada a partir da compreensão da relação que o autor estabelece entre a experiência (Erfahrung), a tradição e a narração. Benjamin indica, com efeito, através dessa relação, o fundo místico, misterioso, sobre o qual se funda um tipo específico de experiência que se refere (e depende) diretamente ao comunitário. É nesse sentido que se pode visualizar com maior nitidez a implicação da tradição não apenas sobre o pensamento do filósofo em questão, como também sobre algumas perguntas que se fazem em torno da própria experiência da linguagem, da história, da arte e da educação.
O artigo, fundamentado a partir do pós-estruturalismo, tem como foco os efeitos da imagem cinematográfica na constituição das identidades de gênero. Com base em resultados de pesquisa, analiso o caráter contingencial do processo de apropriação das imagens por mulheres educadoras, assim como o papel da imagem como âncora para que o sujeito pense sobre si mesmo e se modifique em relação a questões de gênero e sexualidade. Discuto por fim possibilidades de ampliação da percepção sobre questões de gênero através da introdução de mediações na leitura da imagem.
O presente texto apresenta algumas discussões realizadas em um trabalho de pesquisa inserido no campo da teorização cultural, principalmente na perspectiva dos Estudos Feministas e dos Estudos Culturais, nas vertentes que têm proposto uma aproximação crítica com o Pós-Estruturalismo. Examino como alguns discursos veiculados pelo Programa Nacional Bolsa-Escola articulam pressupostos da psicologia do desenvolvimento para interpelar mulheres como mães, representando-as como mais adequadas ao exercício de funções que visam à inclusão social. É também a elas que se dirige uma série de atribuições e prescrições específicas que se traduziriam em formas hegemônicas de cuidado, proteção, administração/gerenciamento do lar e educação dos/as filhos/as, apresentadas como próprias - ou como parte - do exercício de maternidade.
O artigo discute os resultados de uma pesquisa cujo objetivo foi conhecer o processo de desenvolvimento da compreensão estética visual de alunos, em função de uma exposição sistematizada a atividades de leitura e discussão estética durante as oito séries da Educação Fundamental, numa mesma turma, em estudo longitudinal. Compara a compreensão estética dos alunos do grupo experimental com a de alunos do grupo controle, apresentando trechos dos diálogos realizados frente às obras e às imagens. Defende a introdução da discussão estética em sala de aula, desde as séries iniciais, respeitando e valorizando as idéias e teorias intuitivas que os alunos trazem, criticando as abordagens de leitura de imagens vigentes, normalmente de cunho formalista.
O artigo aborda princípios do funcionamento de oficinas de escrita dramática. Na perspectiva de contribuir para a pedagogia teatral, enfatiza a busca de uma escrita pessoal, no quadro de um trabalho coletivo. São tratadas as relações entre o coordenador, os “escrevedores” - assim nomeados pelo autor - e o conjunto dos participantes. Destacam-se, entre os princípios apontados, o caráter lúdico da prática proposta e a atuação do coordenador, tendo em vista a apreciação dos textos pelos parceiros.
O presente estudo parte de interrogações sobre o intervalo existente entre o projeto e o trajeto em arte. A idéia que persigo diz respeito à percepção do tempo vivido durante o acontecimento da criação. Tais como pontos de passagem, este tempo refere-se ao “tempo em suspenso”, o tempo desterritorializado, que não pode ser medido ou espacializado. Há uma conexão entre os três tempos, kronos, aiôn e kairós, durante os desacertos a que nos submetemos ao aventurar-nos na experiência da criação, o que nos impõe eternos recomeços.
O texto apresenta as concepções de arte na Filosofia da Diferença e as implicações destas com a Educação. Coloca conceptos dos planos de imanência de Nietzsche e de Deleuze para traçar o solo de uma pedagogia ocupada em potencializar esteticamente a superfície da Terra. Deste modo traz Vênus, figura que expressa os efeitos insanos do amor, e a Terra, matéria que tudo absorve e de onde tudo vem, para mostrar o sentido trágico envolto na aprendizagem artística.
Este artigo desenvolve reflexões em torno das inúmeras imagens presentes nas instituições infantis e sobre o caráter pedagógico que elas assumem na educação das crianças. Trato as composições imagéticas dos espaços educativos como cenários, um dispositivo cênico-pedagógico que ultrapassa a função inicial de embelezamento das ambiências e atua como formas e fôrmas de ensinar, junto com as outras modalidades pedagógicas do currículo explícito.
O presente artigo busca detectar, a partir dos discursos de professores-doutores, pesquisadores da Faculdade de Educação da UFRJ, formas plurais e invariâncias na construção dos significados de pesquisa - tema particularmente relevante em um momento em que o papel da pesquisa tem sido colocado em questão, em projetos e políticas de formação docente. Argumentamos que a compreensão da pesquisa e de sua relevância como construções discursivas, intimamente ligadas ao pesquisador como sujeito multi cultural, pode avançar no sentido de promover a superação de narrativas-mestras e contribuir para a formação identitária plural de futuros professores e pesquisadores.
Este estudo é uma tentativa de embasar a compreensão do currículo na hermenêutica filosófica tal como a expõe Hans-Georg Gadamer. É um esforço de entender o currículo como processo interpretativo da realidade. Para alcançar esta pretensão investigativa, foi utilizado o método reconstrutivo do diálogo com alguns autores, que se ocupam tanto da prática como da teoria curricular.
Este trabalho mostra alguns caminhos percorridos e os traçados efetuados pelas pesquisas pós-criticas sobre o currículo no Brasil, divulgadas no Grupo de Trabalho (GT) de Currículo da ANPEd nos últimos dez anos. Inspirada nos trabalhos de Deleuze (1992 e 1998) e Deleuze e Guattari (1995 e 1997) o trabalho procura traçar linhas e acompanhar alguns movimentos curriculares para esboçar um mapa do currículo pós-crítico e registrar as orientações, direções e criações desses estudos. Os traçados esboçados por este estudo, portanto, têm por objetivo mostrar os mapas formados pelas pesquisas pós-críticas sobre currículo que, com base na perspectiva aqui adotada, evidenciam expansões, fraturas e aberturas nos quadros convencionalmente produzidos no campo do currículo no Brasil. Argumento que nos mapas montados por essas pesquisas existe uma criação: o currículo pós-crítico, que chamo aqui de currículo-mapa. Mostro, então, o esboço desse mapa, as linhas que foram traçadas e a potencialidade do currículo-mapa criado pelos/as pesquisadores/as do campo curricular brasileiro.
Este trabalho discute o entendimento de Agentes Comunitárias/os de Saúde de Porto Alegre (RS) sobre um conjunto de cinco anúncios televisivos de campanhas de prevenção ao HIV/AIDS, os quais tratavam, em sua maioria, de temáticas relacionadas às mulheres (empowerment feminino e negociação do sexo seguro). A análise dos dados procurou apontar, a partir dos Estudos Feministas e dos Estudos Culturais, alguns aspectos relativos à dimensão cultural e política da estratégia governamental de se valer da televisão, como uma instância pedagógica para apresentar campanhas de saúde.
La cultura visual como concepto y como campo de estudios ofrece una serie de marcos teóricos y metodológicos para repensar el papel de las representaciones visuales del presente y del pasado y las posiciones visualizadoras de los sujetos. En este artículo se exploran algunas de los acercamientos a este campo de estudio, con especial énfasis en la génesis de los problemas que plantean y sus posibles repercusiones para la construcción de una nueva narrativa sobre la educación. Narrativa en la que las discursividades hegemónicas en torno a las representaciones visuales puedan ser revisadas y reequilibradas las posicionalidades subjetivas tradicionalmente subordinadas.
Este texto descreve, discute e analisa o modo como jovens universitários, espectadores regulares e/ou eventuais de cinema, atribuem sentido aos filmes que vêem. Tendo como empiria registros escritos e videogravados de oficinas de visualização de filmes - e como referência teórico/conceitual os estudos de recepção (ER) latino-americanos e a teoria do ato de espectatura (l 'acte de spectature) desenvolvida por Martin Lefebvre -, apresentamos neste trabalho elementos e conceitos-chave para a elaboração de uma teoria da significação de imagens fílmicas.