Este artigo trata de analisar os modos de representação do sujeito no campo da educação, a partir das marcas de enunciação assinaladas na produção gráfica das crianças, entendendo esses processos como formas possíveis de subjetivação. As questões suscitadas nesta discussão, partem num primeiro momento, da recorrência a historiadores gregos, tal como nos coloca Hartog especificamente a respeito de Heródoto e Tucídides, em seu livro intitulado O espelho de Heródoto, para os quais o olho e o ouvido caracterizam-se como os elementos chaves dos processos de representação e enunciação; num segundo momento, busco relacionar esses elementos ao trabalho da criança em processo de alfabetização, relativo à fabricação e à construção mítica do si mesmo para poder conquistar uma possibilidade de enunciação, tomando a produção gráfica da criança como instrumento e forma de representação.
O trabalho analisa - a partir de uma pesquisa de campo sobre a relação entre escolaridade e inserção profissional- a questão do desemprego e da construção de um imaginário social, que tem como base a concepção da necessidade da educação formal como solução para a conquista e manutenção do emprego, num mercado de trabalho altamente competitivo.
O artigo se situa no âmbito de uma justificação ética da educação. Discute a atualidade da estética, especialmente da estetização do mundo da vida para a ética, diante da perda de força persuasiva das explicações metafísicas. Apresenta os recentes modos de aproximação entre ética e estética e problematiza as possibilidades da experiência estética atuar sobre a sensibilidade moral.
Este estudo apresenta algumas reflexões sobre as relações entre a experiência na cidade, sob a perspectiva espanhola das “cidades educadoras”, e a realidade escolar, mais especificamente os processos de ensino e aprendizagem do teatro. Busca-se fornecer elementos para destacar a emergência e a relevância de novos espaços educativos, para compreender a contribuição do teatro no desenvolvimento de crianças e jovens de todas as idades, independentemente das suas condições sociais e culturais, e para repensar o papel das instituições de ensino e de outras redes que tecem a malha social e cultural da cidade, frente aos desafios da educação contemporânea.
Este artigo pretende abordar a relação entre gênero, artes visuais e educação, destacando a importância do tema e a sua quase ausência nas pesquisas sobre arte e educação no Brasil. Neste sentido, o objetivo do artigo é situar a discussão sobre o tema a partir das publicações existentes, além de lançar novas questões e apresentar autores que possam alimentar novas pesquisas na área. Com um foco especial para a formação docente em arte, o trabalho apresenta algumas abordagens e problematizações possíveis que podem nos fazer olhar a partir de outros pontos de vista para a docência em arte: o mito da genialidade artística e a “professora criativa” e relações possíveis entre gênero, docência em arte e poder.
En el mundo psicológico y educativo se utilizan de modo relativamente impreciso las categorías de teoría implícita y representación social, el propósito de este artículo es presentar sistemáticamente el significado de cada una distinguiendo: la estructura y función de dichas categorías, la especificidad de su "carácter implícito", sus vinculaciones con el conocimiento científico, como así también, los procedimientos y estrategias metodológicas empleadas en su indagación. Posteriormente, y como consecuencia de este análisis, se establece una comparación crítica entre ambos conceptos, subrayando diferencialmente el origen individual y social de cada uno. Finalmente, se sitúan los rasgos antes identificados en el entramado conceptual de los programas de investigación y se proponen algunas condiciones para un diálogo posible.
O artigo aborda a cidade como possibilidade educadora, reforçando o papel da leitura de imagens na escola. A partir da cidade de Antônio Prado, RS, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o texto propõe a leitura da cidade em que a criança e o adolescente vivem como via de acesso para compreender e preservar não só o patrimônio público, mas a vida, visando à construção de um futuro menos predatório, mais crítico, sensível e amoroso. Nesta discussão, também é abordada a concepção de cidade desde Atenas e como se dá, na atualidade, a relação dos corpos humanos com os espaços urbanos, através de ações cotidianas como o morar, o caminhar e o conversar.
O artigo trata da possibilidade de uma relação entre o Movimento Modernista e o surgimento das universidades no Brasil, nos anos de 1930, em decorrência de um espírito de inovação que se autoconstruiu a partir da Semana de Arte Moderna de 22. O enfrentamento das velhas estruturas nas artes canalizou transformações também nas áreas política, social e educacional do País. Com base no exame do Pré-Modernismo e do Modernismo o artigo argumenta que a Universidade Brasileira nasce antropofágica, vivendo a dialética da construção-desconstrução de valores e percepções que lhe deram identidade e forma. Defende a idéia de uma universidade que, se auto-reformando, para falar com o mundo, atinge as mais inovadoras fronteiras do conhecimento universal, sem perder o enraizamento da cultura do País, mantendo suas especificidades e a qualidade de suas diferenças.
Neste artigo, interrogo aquilo que habitualmente pensamos ser o corpo - um fenômeno puramente biológico - e chamo a atenção para a existência de outros discursos e práticas sociais que circulam e se correlacionam na trama social, transformando e fabricando o corpo. Para tanto, estabeleço conexões com os estudos de Michel Foucault e de autores vinculados ao campo dos Estudos Culturais nas versões pós-estruturalistas. Num primeiro momento, abordo a questão do conhecimento e dos "objetos" associados às disciplinas acadêmicas como invenções - a fim de chamar a atenção para os efeitos das estratégias vinculadas ao campo biológico para o estudo do corpo humano na educação escolarizada. A seguir, trato do corpo como inscrição de acontecimentos cotidianos, vistos como falsos ou silenciados pela biologia, com a finalidade de questionar o papel dominante das práticas e das matérias escolarizadas.
Para problematizar concepções polarizadas na redução do sensível ou na exacerbação do racional que orientam ações educativas em artes plásticas, este ensaio propõe uma experiência de pensamento que faça emergir as contradições e ambigüidades da tensão filosófica, em torno das noções de imagem pictórica e imaginação poética a partir do antigo legado cultural de interdição ao olhar que se distrai com a variedade do mundo. Entre a sacralização ou a condenação filosófica que permanece e o que a dimensão ficcional da arte projeta à educação, podemos afirmar a imaginação poética como dinâmica de um pensamento proteiforme, que encontra sua força quando faz o corpo transfigurar a realidade para plasmar ações na convivência mundana.
A fim de tornar mais precisos alguns dos conceitos que fundamentam a pedagogia teatral, o presente artigo aborda as noções de theater game, dramatic play e jeu dramatique, partindo da origem desses conceitos, de seus princípios básicos e de autores que trataram dessas questões. A repercussão dessas diferentes práticas no Brasil aponta para uma diferenciação. Enquanto processos baseados nos theater games e no jeu dramatique se valem da linguagem teatral como princípio norteador, as práticas da vertente do dramatic play negam o interesse da arte teatral como fundamento de uma pedagogia para crianças e jovens, apoiando-se no faz-de-conta infantil e na noção de dramatização.
A reflexão sobre o estatuto da significação na experiência estética conduz a rechaçar a concepção herdada da tradição que consiste em opor a sensação à cognição. No quadro da semiótica, a tentativa de ultrapassar essa visão dualista não supõe a invenção de uma nova problemática “do sensível”, vista como oposta à “do inteligível”, mas exige um esforço para tornar a própria semiótica mais sensível. Com esse objetivo, explora-se as pistas abertas pela última obra de A.J. Greimas, Da imperfeição. À concepção da experiência estética como encontro providencial e efêmero é contraposta a idéia de uma aprendizagem do sentido estésico dos objetos mediante processos graduais de ajuste às qualidades sensíveis dos elementos com os quais o sujeito interage, quer se trate de obras de arte, de outros sujeitos, ou ainda das coisas mais ordinárias que compõem o meio ambiente da vida cotidiana.
Este artigo trata, primeiramente, das concepções sobre a natureza procedural da experiência musical, apresentadas pela "Nova Filosofia da Educação Musical" (NFEM), nascidas da crítica à "Filosofia da Educação Musical" (FEM). Em seguida, a discussão tensiona as dimensões que constituem o modelo multi dimensional da NFEM e questiona a preponderância à atividade de fazer musical, como única natureza da experiência com música. Argumento que a Educação Musical (EM) deve pensar em termos de múltiplas naturezas da experiência musical e, contra uma polarização artificial e improdutiva entre o ouvir e o fazer musicais, gerada pela disputa entre a FEM E a NFEM.
Este artigo examina algumas relações entre as linguagens visual e sonora em um texto sincrético criado e exibido, a partir dos anos 90, na mídia televisiva; e as significações que as crianças conferiram a tal produção. Busca enfocar o sincretismo presente num desenho animado, analisando como um mesmo conteúdo se mostra na interação de diferentes linguagens. O entendimento desta criação híbrida é complexo e envolve considerar tanto as informações presentes no texto como as competências de leitura das crianças. A discussão fundamenta-se nas contribuições da teoria semiótica desenvolvida por Algirdas Julien Greimas, em especial, nos estudos do Centro de Pesquisas Sociossemióticas sobre leitura de produções sincréticas contemporâneas, tanto da mídia como da arte.
O principal objetivo deste artigo é mostrar a relevância de compreender a estrutura da comunicação do texto visual. As diferentes posições dos sujeitos da enunciação (o enunciador e o enunciatário) constituem a principal chave para analisar como o texto visual faz ver o que ele mostra. Os arranjos das relações interativas entre o enunciador e o enunciatário assumem formas de contrato entre essas duas figuras do discurso. Como resultado dessas formas, o sentido é experienciado, assim como é racionalizado. Intercomunicantes e guardando entre si relações de complementaridade, esses modos de construção do sentido nos levaram ao estabelecimento de correlações entre regimes de interação e regimes de sentido. A abordagem semiótica dessas correlações oferece um modelo teórico e metodológico para descrever e interpretar os textos visuais.