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A didática nos cursos de formação de professores: nota introdutória

PID: S0102-25551993000100011 | Journal: Revista da Faculdade de Educação (0102-2555) | Year: 1993
Authors: Bueno
Os trabalhos aqui reunidos foram elaborados por professores da área de Didática da FEUSP, com o propósito de oferecer uma contribuição ao debate em torno da especificidade da disciplina e seu papel na formação de professores, a partir da atuação que têm nos cursos de Graduação - Pedagogia e Licenciatura - e de Pós-graduação.

A natureza do trabalho pedagógico

PID: S0102-25551993000100009 | Journal: Revista da Faculdade de Educação (0102-2555) | Year: 1993
Authors: Paro
A consideração a respeito do trabalho pedagógico precisa ter presente, preliminarmente, o próprio conceito de trabalho humano “em geral”. Se, como faz Marx, consideramos o trabalho como “uma atividade adequada a um fim”, estamos supondo o trabalho como característica essencialmente humana, como o que identifica o homem e o diferencia do restante da natureza. Isto porque só ele é capaz de estabelecer objetivos, calcados em valores, e buscar sua concretização. Neste sentido, é também o trabalho que empresta ao homem sua característica histórica. O meramente natural não tem história. Quando consideramos uma espécie animal, por exemplo, no período de cem anos, constatamos não ter havido mudança. O animal é o mesmo no decorrer do tempo porque está preso a sua necessidade (ou “necessariedade”) natural. Isto porque conceituamos o animal em sua finitude natural.

Algumas noções sobre a fenomenologia para o pesquisador em Educação

PID: S0102-25551993000100006 | Journal: Revista da Faculdade de Educação (0102-2555) | Year: 1993
Authors: Masini
O artigo destaca alguns pontos do enfoque fenomenológico, particularmente importantes para o pesquisador em Educação, na medida em que permitem uma melhor compreensão do ser humano.

As formas de manifestação do Direito Educacional

PID: S0102-25551993000200002 | Journal: Revista da Faculdade de Educação (0102-2555) | Year: 1993
Authors: Boaventura
A enumeração das fontes do Direito Educacional da Constituição, passando pelas leis, resoluções e pareceres dos Conselhos de Educação, até alcançar a jusrisprudência administrativa e dos tribunais, forma todo o conjunto de normas que rege o funcionamento dos sistemas educacionais e permite classificá-las hierarquicamente com o objetivo de sistematização.

Crítica e compreensão da vida cotidiana

PID: S0102-25551993000100010 | Journal: Revista da Faculdade de Educação (0102-2555) | Year: 1993
Authors: Tacussel
A vida cotidiana tem sido objeto de um número considerável de pesquisas desde o início do século XX. Não é possível oferecer aqui uma recensão das obras, mesmo se exemplares, que têm explorado um campo por definição inesgotável. As distinções estabelecidas entre disciplinas científicas não são de molde a permitir uma ordenação desta diversidade de trabalhos. Mais do que as especializações universitárias, são as maneiras de se escrever a cotidianidade, de refletir a partir dela, que especificam a natureza dos trabalhos. Não há grandes obras do pensamento que não se tenham ocupado das questões cotidianas da existência e podemos considerá-las muito legitimamente, quanto à sua envergadura sociológica, na medida em que percorrem os comportamentos do ser social nos limites de seu destino coletivo.

Didática e a formação de professor de 3º grau

PID: S0102-25551993000100014 | Journal: Revista da Faculdade de Educação (0102-2555) | Year: 1993
Authors: Masetto
O ensino superior no Brasil destina-se à formação de profissionais nas diversas áreas de conhecimento: médicos, advogados, cientistas, sociólogos, economistas, pedagogos, psicólogos, assistentes sociais, administradores, professores de 1º e 2º graus, fonoaudiólogos, etc. Esta formação se realiza através dos cursos de graduação e pós-graduação, de pesquisa gerando novo conhecimento e de difusão do mesmo para a comunidade maior através principalmente da prestação de serviço profissional competente. Tal trabalho de formação exige do professor nele engajado conhecimentos, habilidades e atitudes específicas para ensinar.

El Qujote em la escuela

PID: S0102-25551993000100002 | Journal: Revista da Faculdade de Educação (0102-2555) | Year: 1993
Authors: Ortega y Gasset
A propósito de la Real Orden que impone La lectura Del Quijote em todas lãs escuelas primarias, escribe em La Libertad Antonio Zozaya: “El Quijote no es lectura para párvulos ni para adolescentes... Em La esculea no hacen falta Don Quijote ni Hamlet”. Desde que aprecio La Real Orden mencionada esperaba yo que alguien se resolviese a decir primero, com El fin de apresurarme a repetirlo yo el segundo. La razón por La cual esperaba Cortés a que alguien se me adelantase no importa mucho, aunque podría em poças palabras expresarse aí: los que están condenados a pensar en muchas cosas de distinta suerte que sus convencinos, a ser de outra opinión, a ser heterodoxos, deben economizar cuanto puedan esta su heterodoxia, para que no se tache de afán lo que es más bien uma desdicha. Es seguro que la Real Orden quijotesca parecerá excelente a casi todo El mundo. Como a mi me parece em muchos sentidos um desatino, me complace cargar La responsabilidad de esta opinión sobre los ombros respetables de Antonio Zozaya, escritor tan mesurado y reflexivo, de quien lãs ideas suelen presentarse avanzando noblemente sobre um fondo de elevada filosofia.

Leis Orgânicas e Educação em vinte municípios paulistas

PID: S0102-25551993000200007 | Journal: Revista da Faculdade de Educação (0102-2555) | Year: 1993
Authors: Oliveira Catani
O presente trabalho dedica-se ao exame de uma série de temas educacionais presentes em duas dezenas de Leis Orgânicas de municípios paulistas, integrando pesquisa mais ampla, que pretende dar conta da educação nas Leis Orgânicas dos 625 municípios do Estado de São Paulo. Equacionamos as seguintes temáticas para serem analisadas: o financiamento da educação, a concepção de gestão do sistema de ensino e da unidade escolar, o ensino superior, as indicações curriculares, bem como outras modalidades de ensino.

Manifesto in memoriam do IESAE/FGV

PID: S0102-25551993000200009 | Journal: Revista da Faculdade de Educação (0102-2555) | Year: 1993
Authors:
Em junho de 1990, através da portaria nº 24, a Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, imbuída do ideário neoliberal e da “modernidade colorida”, de uma só vez, extinguiu oito órgãos e, dentre eles, o Instituto de Estudos Avançados em Educação (IE-SAE) que completava 20 anos. Instituto reconhecido pelos Comitês científicos do CNPq e pelas avaliações da CAPES do Ministério da Educação como Programa de excelência. Incorporando o discurso da modernidade, da qualidade e da produtividade sem definir qual modernidade, que qualidade, e produtividade para quem, a FGV sequer levou em consideração tais aspectos. O IESAE contava com 106 alunos regulamente matriculados. Não por acaso foram extintos os órgãos que tinham uma ligação mais direta com as áreas sociais.

O falar divino e o falar humano em Tomás de Aquino

PID: S0102-25551993000100003 | Journal: Revista da Faculdade de Educação (0102-2555) | Year: 1993
Authors: Lauand
O artigo discute decisivos conceitos de Tomás de Aquino relativos à fala. Em Tomás, tais realidades transcendem o plano meramente acústico, para lançar-nos no âmago de discussões sobre a realidade como um todo: o ser, o conhecimento, a educação. Apresenta o opúsculo de Tomás: <i>Sobre a diferença entre a palavra divina e a humana</i>.

O professor: retratos através de textos constitucionais

PID: S0102-25551993000200001 | Journal: Revista da Faculdade de Educação (0102-2555) | Year: 1993
Authors: Cury
O artigo procura analisar a figura do professor a partir de uma série de textos legais brasileiros - Constituições Federais, Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e Constituições Estaduais de 1989.

Para que ler Ortega? (Uma introdução a El Quijote em La escuela).

PID: S0102-25551993000100001 | Journal: Revista da Faculdade de Educação (0102-2555) | Year: 1993
Authors: Horta
Poderíamos caracterizar o filósofo como aquele que faz questão daquilo que faz. Como uma criança nas fases dos porquês, dos para quês e dos comos, vive instalado num enorme ponto de interrogação. Ortega y Gasset, quem sabe devido à dupla interrogação no espanhol, tenha vivido radicalmente esta condição. De fato, iniciava muitas de suas atividades indagando qual a razão de estarem “gastando” aquele tempo - que na vida é sempre tempo único e insubstituível - naquela aula de metafísica, naquela palestra de bi-centenário, ou naquele estudo de certa personalidade. Ortega não aceitava a divinização da cultura; e, por essa razão, investiu boa parte de sua vida em luta contra o classicismo - contra o que gostava de chamar a “beataria” da cultura. Não aceitava que a vida fosse subordinada à cultura, mas que, pelo contrário, esta é que haveria de se justificar perante a vida.

Práticas eugênicas, medicina social e família no Brasil republicano

PID: S0102-25551993000100007 | Journal: Revista da Faculdade de Educação (0102-2555) | Year: 1993
Authors: Vilhena
Nos inícios do século XX, o desenvolvimento urbano-industrial e a chegada de grandes levas de imigrantes transformaram a vida dos habitantes de cidades como Rio de Janeiro e São Paulo. Para sanitaristas e eugenistas era preciso lutar contra os chamados “venenos sociais” trazidos com a desorganização do espaço urbano e, para tanto, iniciaram um verdadeira “cruzada eugênica”. Inscritas nos quadros da medicina social, essa campanha ganha amplitude a partir de 1930 e seu sentido deve ser compreendido no âmbito da elaboração de uma política familiar pelo governo de Getúlio Vargas. Uma das medidas de “eugenização” da sociedade brasileira seria o estabelecimento do exame pré-nupcial obrigatório, para garantir a formação da família com prole sadia. A Igreja Católica opunha-se a estas e outras medidas, como o controle dos nascimentos, por entenderem que se constituíam em impedimentos à evolução natural das famílias. Para os eugenistas, as escolas seriam espaços essenciais para o desenvolvimento de uma “mentalidade eugênica”. O exército, outra instância do poder, se auto-considerava fator preponderante ma “eugenização” do organismo social, porque tratava da saúde, da forma física e incutia bons hábitos de higiene nos seus soldados.

Questões de teorias de ensino: uma perspectiva para a didática no curso de pedagogia

PID: S0102-25551993000100012 | Journal: Revista da Faculdade de Educação (0102-2555) | Year: 1993
Authors: Bueno Catani Garrido Chamlian
O texto aqui apresentado expõe uma perspectiva para o tratamento da disciplina Didática, traduzida na nova organização curricular do curso de Pedagogia da Faculdade de Educação da USP. Além disso, explicita algumas das razões que sustentam a alternativa de desdobramento da Didática na direção da análise das produções sobre ensino. A prática pedagógica envolve inúmeras dimensões que não são redutíveis a análises de caráter particularizado, influenciadas seja pela ótica da filosofia, sociologia ou psicologia por mais fecundas que essas contribuições possam ser. Essa multidimensionalidade está a exigir um trabalho abrangente de esclarecimento e conceituação.

Sobre a definição

PID: S0102-25551993000100005 | Journal: Revista da Faculdade de Educação (0102-2555) | Year: 1993
Authors: Sayeg
O problema da definição lexicográfica é abordado e é comentada a influência que sobre o assunto exerceu uma concepção de análise do significado desenvolvida pelos filósofos de Port-Royal. O tema é discutido a partir das idéias de Wittgenstein, inicialmente no Tractatus Logico-Philosophicus, onde se sustenta uma forma de análise do significado, de modo que uma definição precisa e exaustiva é possível. Sua posição muda nas Investigações Filosóficas e o significado não é necessariamente precioso, mas é determinado pela “forma de vida”. As considerações feitas são usadas para examinar os experimentos de Luria sob nova luz. Discutem-se também as descobertas de E. Rosch sobre conceitos e o pensamento complexivo de Vygotsky.

Sobre a diferença entre a palavra divina e a humana

PID: S0102-25551993000100004 | Journal: Revista da Faculdade de Educação (0102-2555) | Year: 1993
Authors: Aquino
1. Para entender o vocábulo “palavra”, é preciso saber que, como diz Aristóteles, aquilo que é expresso com a voz é signo do que há nas potências da alma. 2. Ora, é usual que na Sagrada Escritura se atribuam os nomes dos signos às realidades significadas, e, reciprocamente, como quando se diz: “A pedra, porém, era Cristo” (I Cor 10, 4). 3. Segue-se, pois, necessariamente, que se chame também “palavra” àquilo que está presente interiormente na nossa alma e que exteriormente é significado pela voz mediante a palavra. 4. Não tem a menor importância para esta nossa discussão se o nome “palavra” é mais adequado à realidade exterior, proferida pela voz, ou ao próprio conceito interior da alma. É, no entanto, evidente que o conceito interior na alma precede a palavra proferida vocalmente e é como que sua causa. 5. Se, pois, quisermos saber o que é essa “palavra interior” (o conceito) em nossa alma, examinemos o que significa a palavra proferida exteriormente pela voz.

Sobre o ensino de filosofia

PID: S0102-25551993000100008 | Journal: Revista da Faculdade de Educação (0102-2555) | Year: 1993
Authors: Favaretto
O artigo discute o ensino de Filosofia e seus valores específicos no currículo, voltados para o desenvolvimento das “condições de inteligibilidade” mais do que para “programas”.

Sociedade, educação e história: representações de professores sobre qualidade de ensino: um estudo comparativo

PID: S0102-25551993000200004 | Journal: Revista da Faculdade de Educação (0102-2555) | Year: 1993
Authors: Nadai
O artigo analisa a visão que o professor de História tem do ensino que pratica. Discutem-se os resultados nesse sentido, a partir de questionários aplicados a professores de História nas cidades de São Paulo e de Rio Branco (Acre), incidindo sobre quatro temas: o dos entraves ao trabalho docente; o das prioridades selecionadas para a busca de uma melhoria do ensino; o dos aspectos negativos na prática quotidiana e, por fim, o da caracterização de um ensino de História de qualidade.

A evolução do ensino da didática

PID: S0102-25551992000200008 | Journal: Revista da Faculdade de Educação (0102-2555) | Year: 1992
Authors: André
Presente trabalho procura, na primeira parte caracterizar o ensino de didática tomando como ponto de referência a evolução da Área de Métodos e Técnicas de Ensino do Programa de Pós-Graduação em Educação da PUC-RJ nos seus 20 anos de existência (1969-1989). Na segunda parte tenta identificar o movimento de busca de definição do objeto da didática que aparece ao longo dos quatro seminários “A Didática em Questão”. Finalmente apresenta algumas tendências e perspectivas do momento atual da didática.

A gestão democrática da escola na visão do centro do professorado paulista

PID: S0102-25551992000100003 | Journal: Revista da Faculdade de Educação (0102-2555) | Year: 1992
Authors: Carvalho
Este artigo analisa o material publicado no Jornal do Professor, órgão do Centro do Professorado Paulista, entre 1982 e 1988, a respeito da democratização da gestão pública, especialmente através do Conselho de Escola Deliberativo, utilizando o conceito de representação, proposto pó Lefebvre (1983).
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