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A SALA DE AULA REVISITADA: A INOVAÇÃO DOS ESPAÇOS EDUCACIONAIS A PARTIR DE UMA ABORDAGEM DA COMUNICAÇÃO

PID: S0102-46982021000100702 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: GUTIÉRREZ
RESUMO: Nas últimas duas décadas, houve um crescente interesse na questão dos espaços educacionais, devido a projetos empíricos que vêm ganhando espaço e têm sido adotados em diversas instituições de ensino em todo o mundo. No entanto, há poucas contribuições que podem ser subtraídas do campo comunicativo ao examinar os fundamentos teóricos conceituais deste tema. Este texto é uma revisão crítica dos estudos dos espaços educacionais, com o objetivo de incorporar alguns elementos de comunicação ao debate acadêmico e, assim, fortalecer os marcos interpretativos desse fenômeno. A metodologia proposta é a análise documental com enfoque nos discursos e na observação de quatro projetos relacionados à inovação em sala de aula. Principalmente, nota-se que estão sendo feitos esforços para mudar o modelo comunicativo unidirecional ou análogo - metaforicamente falando - que prevalece nas salas de aula convencionais, além de fomentar espaços principalmente ligados à cultura digital expressa nos modos de interação e apropriação dos jovens. Nesse sentido, a comunicação educacional foi capaz de proporcionar amplas conceituações para enriquecer a pesquisa sobre espaços educacionais.

ABANDONO DOCENTE NA REDE MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DO RIO DE JANEIRO

PID: S0102-46982021000100155 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: CARRASQUEIRA KOSLINSKI
RESUMO: A retenção de professores é um desafio enfrentado por diversas redes educacionais no mundo inteiro, e tem impactos para os sistemas escolares, para escolas e para os alunos. Este artigo teve por objetivo investigar os fatores associados ao abandono docente na rede municipal do Rio de Janeiro. Utilizou bases de dados provenientes da Secretaria Municipal do Rio de Janeiro (SME-RJ) e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) que permitiram acompanhar, entre 2012 e 2016, a trajetória de 3594 professores que tomaram posse entre 2009 e 2011. As análises utilizaram modelos de regressões logísticas para estimar a probabilidade de o professor abandonar a rede. Os resultados indicam que professores mais jovens e com maior nível de escolaridade apresentam maior probabilidade de abandonar a rede. Além disso, o perfil do alunado, a experiência de mudar de escola e as pressões de uma política de responsabilização escolar, que vigorava no período em que a pesquisa foi realizada, também se mostraram fatores associados à probabilidade do docente abandonar a rede.

AFETO/COGNIÇÃO SOCIAL SITUADA/CULTURAS/LINGUAGENS EM USO (ACCL) COMO UNIDADE DE ANÁLISE DO DESENVOLVIMENTO HUMANO

PID: S0102-46982021000100164 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: GOMES NEVES
RESUMO: ste artigo tece uma discussão teórico-metodológica acerca da compreensão do desenvolvimento cultural de bebês e crianças pequenas por meio do Método da Unidade de Análise do ponto de vista da Teoria Histórico-cultural em diálogo com a Etnografia em Educação. Este diálogo, em que uma abordagem interroga e amplia a outra, possibilitou a construção de uma síntese de interpretação das salas de atividades como uma totalidade indivisível - a unidade de análise [afeto/cognição social situada/culturas/linguagens em uso] (ACCL). Partimos do pressuposto de que os afetos são a essência do humano, que deles deriva nossa cognição, nossa capacidade de conhecer o que se produz como culturas, pela mediação semiótica, pelas linguagens em uso, em situações sociais de desenvolvimento. É fundamental dizer que esses conceitos atuam dialeticamente, uns se opondo aos outros e, ao mesmo tempo, constituindo uns aos outros. Somente com base em uma lógica dialética que admite contradições internas entre a objetivação e a apropriação individual das culturas é que essa unidade de análise pôde ser pensada e colocada em prática em nossas pesquisas. Dessa forma, nosso foco está em compreender o que afeta os bebês e as crianças pequenas no sentido de se criar algo novo em seu desenvolvimento, considerando que a linguagem da pessoa humana não se constitui apenas na oralidade, mas também em outras manifestações, como nos gestos, nas expressões faciais, na movimentação corporal, dentre outros. Assim, bebês e crianças pequenas possuem corpos que falam, que sentem, que pensam, que brincam produzindo sentidos para o mundo.

ANTROPOLOGIA E EDUCAÇÃO ESCOLAR: A EDUCAÇÃO INDÍGENA, O COMBATE À MISOGINIA, À LGBTTFOBIA E À DISCRIMINAÇÃO CONTRA A CULTURA AFRO-BRASILEIRA

PID: S0102-46982021000100134 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: FREITAS
RESUMO: O artigo enfoca algumas contribuições da Antropologia para quatro aspectos da educação escolar: a educação escolar indígena, a discriminação contra as mulheres, contra pessoas LGBTT e o preconceito contra práticas culturais e tradições religiosas afro-brasileiras. No que diz respeito à metodologia, foi utilizada a revisão teórica sobre esses temas na interface da Antropologia com a Educação. Aqui o termo escola é entendido como a principal manifestação da educação formal no Ocidente e a partir do conceito de campo educacional, isto é, a partir de suas estruturações históricas, sociais, políticas, econômicas e, notadamente, culturais, perspectiva com a qual a Antropologia pode contribuir bastante. Um dos postulados antropológicos mais importantes para a Educação Escolar é que, ao contrário do que geralmente se acredita no senso comum, o comportamento humano não depende tanto da natureza, mas decorre, sobretudo, da aprendizagem em contextos coletivos. O principal intuito desta contribuição teórica é demonstrar alguns impasses na relação entre escola, campo educacional e cultura brasileira e o quanto a escola ainda não está preparada para o reconhecimento e o acolhimento da diferença e da diversidade. No texto, advoga-se que a Antropologia se volte mais para a educação escolar e que especialmente uma de suas aplicações práticas, a Pedagogia, se abra mais a contribuições do campo antropológico como vem fazendo em relação à Sociologia e à Psicologia, por exemplo.

APOIO AO DOCENTE EM INÍCIO DE CARREIRA: IMPACTOS NA INDUÇÃO PROFISSIONAL DE PROFESSORES DO PROGRAMA RESIDÊNCIA DOCENTE DO COLÉGIO PEDRO II

PID: S0102-46982021000100807 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: RABELO MONTEIRO
RESUMO: O objetivo da presente pesquisa é analisar a ação de indução profissional em docentes recém-formados, com foco no diálogo entre instituição de formação e escola, relacionando a ação com os seus resultados. Abordagens quantitativas, qualitativas e narrativas foram usadas para investigar docentes dos anos iniciais do ensino fundamental e da educação infantil que participam de um programa que auxilia a indução profissional de professores recém formados, a saber: o programa piloto Residência Docente do Colégio Pedro II, na cidade do Rio de Janeiro/Brasil. Analisamos o impacto desse Programa na indução profissional por meio da aplicação de questionários e entrevistas focados: Investigou-se particularmente as dificuldades encontradas durante a prática pedagógica; o papel dos professores orientadores regentes (da escola básica, do Colégio Pedro II) e dos supervisores docentes do Programa e a influência deste no início da atuação profissional e nos locais onde trabalham. Por fim, esta investigação visa dar visibilidade a políticas de apoio a professores iniciantes para que possam se desenvolver profissionalmente e, até mesmo, diminuir sua desmotivação e o eventual abandono da docência, bem como contribuir para ampliar as poucas experiências existentes nessa área, no Brasil.

APRENDER A HABITAR A ARQUITETURA ESCOLAR DA NOVA ORDEM URBANA (DISTRITO FEDERAL, MÉXICO, 1932)

PID: S0102-46982021000100705 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: ORTEGA
Resumo: Em 1932, a equipe de técnicos liderada pelo arquiteto funcionalista Juan O´Gorman desenvolveu um projeto de arquitetura escolar para os bairros populares do Distrito Federal (México). Uma dessas escolas, a Escola Primária Emiliano Zapata (atualmente reconhecida como monumento artístico nacional), foi construída em um bairro fundado no norte da Cidade do México como parte de uma estratégia de expansão urbana promovida por empresários e pelo governo mexicano. Seus construtores pensaram que o prédio da escola era o meio de transformar as classes populares da sociedade mexicana e promover uma ordem urbana moderna. A arquitetura funcionalista da escola gerasse discussões acaloradas entre engenheiros e arquitetos sobre o impacto desse tipo de construção na paisagem urbana e no gosto de seus habitantes. No entanto, seus promotores garantiram que, eventualmente, as classes populares aprenderiam a habitar os novos edifícios da escola e superariam o analfabetismo e a insalubridade que afetavam seus corpos e mentes.

APRENDIZAGEM BASEADA EM PROBLEMAS: UMA EXPERIÊNCIA NO ENSINO FUNDAMENTAL

PID: S0102-46982021000100114 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: BOROCHOVICIUS TASSONI
RESUMO: A Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) é um método de ensino e aprendizagem que busca o desenvolvimento de conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais por meio de trabalhos colaborativos. O método pode ser aplicado em diferentes áreas do saber, e há prevalência de sua aplicação no Ensino Superior, com escassas pesquisas aplicadas ao Ensino Fundamental. Sobre o papel do professor, alguns autores defendem o docente como mediador importante na aprendizagem e outros lhe conferem um papel de coadjuvante. A ABP contribui para o desenvolvimento do pensamento crítico e reflexivo, promovendo uma aprendizagem significativa. Apresenta-se uma pesquisa qualitativa do tipo colaborativa, com o objetivo de identificar as mudanças na relação ensino e aprendizagem com a aplicação da ABP na disciplina de História do Ensino Fundamental de uma escola pública do interior de São Paulo. Os resultados mostraram que a ABP permite maior aproximação do professor com os alunos, potencializando a aprendizagem.

AUTISMO NA ADOLESCÊNCIA UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA

PID: S0102-46982021000100163 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: SERBAI PRIOTTO
RESUMO: O transtorno do espectro autista (TEA) é considerado um distúrbio do neurodesenvolvimento, caracterizado pela dificuldade de relacionamento interpessoal. Cerca de 1% da população é diagnosticada com esse transtorno em algum nível. A presente revisão investiga como se caracterizam, entre os anos de 2015 e 2020, as publicações científicas nacionais e internacionais de língua espanhola e portuguesa sobre o transtorno do espectro autista na adolescência. Adota metodologia qualitativa com revisão integrativa de literatura nas bases de dados virtuais BVS, Scielo, Lilacs, Medline e PubMed, utilizando os descritores “transtorno do espectro autista”, “autismo”, “transtorno autístico”, “adolescência” e “adolescente”. Delimita os artigos com ênfase no comportamento e inteligência de adolescentes autistas. Tem como resultado nove artigos identificados, sistematizados e analisados. Conclui que existem diferentes olhares sobre o autismo na adolescência e como ponto comum a preocupação com os aspectos relacionados ao comportamento, as habilidades de comunicação e a autonomia.

BALANÇO DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA SOBRE A POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA (2010-2020)

PID: S0102-46982021000100162 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: RIBEIRO SILVA MARTÍNEZ
RESUMO: A partir da publicação da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (PNEEPEI) no ano de 2008, verificou-se a expansão do setor público no que se refere à oferta de serviços educacionais aos alunos público-alvo da Educação Especial (PAEE), baseando-se na necessidade do estabelecimento de sistemas educacionais inclusivos. Nesse sentido, o lócus da oferta da Educação Especial deveria ser o Atendimento Educacional Especializado oferecido nas escolas regulares, intensificando o investimento de recursos públicos na implementação desses espaços. Porém, no ano de 2017, iniciou-se uma série de discussões com o objetivo de promover a revisão e atualização da PNEEPEI, sob o argumento de que pesquisadores e grupos de pesquisa apontavam diversas críticas com relação à chamada política de educação inclusiva. A minuta com a proposta de atualização divulgada em 2018 estabelecia a possibilidade da oferta de serviços educacionais aos alunos PAEE em classes e escolas especiais, historicamente gerenciadas por instituições privado-assistenciais no País. Destarte, com base na realização de um balanço da produção científica publicado por pesquisadores da área entre os anos de 2010 e 2020, busca-se identificar as principais críticas, positivas e negativas, conferidas à PNEEPEI que possam justificar a necessidade da atualização proposta pelo Ministério da Educação (MEC). Para tal, foram utilizados os descritores “política nacional” e “educação especial” nos portais de busca de Periódicos da CAPES, no portal Scielo e no Google Acadêmico, sendo então selecionados e analisados 20 trabalhos que indicavam contemplar o objetivo aventado pelo presente artigo. A partir das análises realizadas, identificou-se que, na literatura científica, as críticas negativas foram parcialmente incorporadas ao novo texto da política divulgado em setembro de 2020, ao mesmo tempo que as críticas positivas com relação à PNEEPEI foram ignoradas no novo documento.

BUROCRACIA DE RUA E POLÍTICAS PÚBLICAS: ANALISANDO A IMPLEMENTAÇÃO DE POLÍTICAS EDUCACIONAIS SOB A PERSPECTIVA DAS ESCOLAS E PROFESSORES

PID: S0102-46982021000100110 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: OLIVEIRA PEIXOTO
RESUMO Este artigo analisa a implementação de políticas educacionais e os papéis dos profissionais da escola considerando a teoria da burocracia de rua (LIPSKY, 1980). Este estudo parte do pressuposto de que as reformas educacionais elegem as escolas como centros de planejamento e gestão, responsabilizando-as, a elas e aos profissionais que nela atuam, por novas atribuições motivadas pela melhoria da autonomia, além da descentralização administrativa e educacional. Nestes contextos, marcados pelo crescente empoderamento das escolas, o poder discricionário dos seus profissionais (professores, diretores, coordenadores, entre outros) é um elemento fundamental para compreender a disponibilidade e implementação dos programas e a sua capacidade de influenciar ou modificar a formulação de políticas educacionais em nível local. Essa perspectiva enfatiza a importância de se considerar aqueles mais próximos das ações decorrentes dessas políticas, ou seja, os atores que veem o processo de baixo para cima por estarem na extremidade inferior. Segundo Lipsky (1980), são os chamados agentes de políticas locais ou agentes públicos de rua. Quanto às escolas, entendemos que para fazer cumprir uma determinada política, fatores como influência interpessoal, compromissos e negociações informais são tão importantes quanto processos e regulamentos formais. Por fim, este estudo busca comprovar os impactos e contornos assumidos pelas mudanças na dinâmica escolar em termos de tradução das políticas educacionais locais.

CONTRIBUIÇÕES DO TRABALHO SOCIAL COLOMBIANO À EDUCAÇÃO POPULAR COM IDOSOS(AS) NA AMAZÔNIA BRASILEIRA

PID: S0102-46982021000100113 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: PÉREZ MOTA NETO
RESUMO: Este artigo é resultado de uma Investigação-Ação Participativa realizada durante um estágio profissional de Serviço Social da Universidad Nacional de Colombia nas atividades pedagógicas do Núcleo de Educação Popular Paulo Freire da Universidade do Estado do Pará em uma Instituição de longa permanência para idosos (ILPI) na cidade de Belém-Brasil. Tem como objetivo refletir criticamente e socializar os aportes teórico-metodológicos que se realizaram a partir do Serviço Social Colombiano à Educação Popular com Idosos(as) na cidade de Belém-Brasil. Para tanto, expõem-se as metodologias e técnicas participativas (a cartografia social e a árvore de problemas) como um diálogo transdisciplinar entre o Serviço Social Colombiano e a Educação Popular, que permite que se formem cenários de conscientização popular com pessoas da terceira idade de Belém. Os resultados atualizam o debate sobre a Educação Popular e a Investigação-Ação Participativa, evidenciando sua vigência junto a um segmento populacional pouco investigado nos estudos educacionais, os idosos tutelados pelo Estado.

DA ARTE DA CORTE À DIALÉTICA DO AMOR: A COMPLEMENTARIEDADE FORMATIVA ENTRE OS AMANTES DO SABER

PID: S0102-46982021000100145 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: DALBOSCO PAGOTTO-EUZEBIO
RESUMO: O ensaio trata da ideia de Eros formativo presente no Banquete, de Platão, a partir da interpretação feita por Michel Foucault no segundo volume de sua História da sexualidade: o uso dos prazeres. Primeiro, busca-se reconstruir a arquitetônica da investigação foucaultiana acerca dos aphrodisia, que se desdobra em dietética, econômica e erótica, localizando a dialética do amor no interior da erótica. Na sequência, discute-se o aspecto formativo do Banquete, destacando, especialmente, a reciprocidade entre erasta (o amante) e erômeno (o amado), e assumindo que a guinada ontológica da dialética do amor aponta diretamente para a dimensão ético-formativa do Eros, de acordo com o argumento do diálogo. O Eros relacionado à beleza individual e particular (ou seja, como contingente e empírico) só pode ser superado pela perspectiva universal do amor quando for permitido a um (o erasta) assumir a posição do outro (o erômeno) e vice-versa.

DAS RUAS PARA OS CURRÍCULOS: PRECURSORES SOCIAIS E JURÍDICOS DAS LEIS 10.639/03 E 11.645/08

PID: S0102-46982021000100144 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: SÁ
RESUMO: O objetivo deste artigo é investigar os percursos sociais e jurídicos das leis federais brasileiras nº 10.639/03 e nº 11.645/08 - que tornaram obrigatório o ensino de conteúdos referentes à História e à Cultura afro-brasileira e indígena brasileira em toda a educação básica -, com base na premissa de que políticas dessa natureza alinham-se a um processo de descolonização do sistema educacional. Para tanto, revisamos, comparativamente, discursos e ações da militância negra e indígena no campo da educação, de modo a compreender as motivações e os eventos que antecederam a promulgação de ambas as leis. Nossas conclusões apontam que, a despeito das particularidades das demandas de cada militância - haja vista os esforços do movimento indígena para se desvencilhar da educação ofertada pelo sistema oficial de ensino, enquanto que a população negra, ao contrário, lutava para ter acesso igualitário a esse mesmo sistema -, as duas medidas resultam, em maior ou menor grau, de denúncias e de questionamentos acerca da matriz e/ou do legado colonial que marca, historicamente, os currículos e as escolas brasileiras.

DE QUE CRISE SE TRATA NA ADOLESCÊNCIA CONTEMPORÂNEA? ALGUMAS CONSIDERAÇÕES PSICANALÍTICAS E EDUCACIONAIS

PID: S0102-46982021000100146 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: ANACLETO FONSECA
RESUMO: Tributária da discursividade contemporânea, a adolescência pode ser entendida como efeito de uma produção política e social que demarca uma diferença com o infantil. Recorrendo ao arcabouço psicanalítico freudo-lacaniano, o presente artigo apresenta um debate teórico em torno do tema da crise da adolescência a partir da perspectiva dos estudos psicanalíticos no campo da educação. Para tanto, destaca a mudança de posição frente ao sexual como uma marca da transição pela qual passa o adolescente com consequências no laço social. Demonstramos que o caráter crítico da experiência adolescente não se restringe a alterações biológicas e individuais; antes, diz respeito a como essa experiência estruturante da constituição psíquica é significada pelo discurso social contemporâneo, levando muitas vezes a impasses e sofrimentos psíquicos. Deslocando a questão da adolescência de um âmbito individual e como simples consequência de uma fase da vida determinada por mudanças orgânicas, apontamos que a noção de crise desvela algo que diz respeito ao educar no mundo moderno e às consequências do tecnocientificismo como uma resposta que oblitera a responsabilidade dos adultos no endereçamento da palavra aos adolescentes, o que engendra uma nova forma de justificacionismo: o tecnocientificismo. Dentro deste cenário, interessa-nos destacar que a errância adolescente em busca de novas significações subjetivas pode encontrar no território escolar um espaço para ser experimentada sem que, apressadamente, seja capturada em um sentido fechado e frequentemente excludente. A ideia freudiana da impossibilidade própria ao ato de educar aponta para uma posição ética em face do desafio da modernidade no que diz ao que está em causa na experiência escolar.

DESAFIOS DA PERMANÊNCIA ESTUDANTIL UNIVERSITÁRIA: UM ESTUDO SOBRE A TRAJETÓRIA DE ESTUDANTES ATENDIDOS POR PROGRAMAS DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL

PID: S0102-46982021000100143 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: GANAM PINEZI
RESUMO: O presente artigo discute a permanência estudantil no ensino superior público brasileiro a partir de um estudo realizado na Universidade Federal de São Paulo. No estudo realizado, buscou-se compreender como um grupo de estudantes universitários atendidos por programas de assistência estudantil constrói sua trajetória acadêmica, considerando a origem socioeconômica assimétrica. Foi analisada, neste artigo, parte dos dados de entrevistas em profundidade realizadas nesta pesquisa. Observa-se que a trajetória de estudantes provenientes de classes sociais diferentes das que tradicionalmente ocuparam a universidade pública convive com contradições que tornam sua permanência na universidade um desafio constante. Elementos do mundo material, ligados à subsistência financeira, e simbólicos, ligados à percepção de pertencimento, indicam que a passagem pela universidade pública não garante, em si, mudanças na forma como esses estudantes são percebidos a partir do “lugar” social, embora essas percepções não impeçam que estudantes ultrapassem as barreiras simbólicas de discriminação e exclusão e busquem formas de equiparação à condição standart do estudante universitário.

DIREITOS HUMANOS E JUSTIÇA RESTAURATIVA NAS ESCOLAS: O QUE PENSAM OS PROFESSORES?

PID: S0102-46982021000100152 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: PEREIRA GUIMARÃES
RESUMO: O presente artigo tem por objetivo conhecer o lugar que os direitos humanos e a justiça restaurativa têm na história oral de professores que trabalham na rede estadual da cidade de Campinas-SP. Entende-se que a mediação de conflitos depende do modo como os processos restaurativos são acolhidos, planejados e executados. Assim, a partir da história oral de vida desses professores, busca-se neste artigo identificar, nas suas narrativas, como foi realizado o uso da justiça restaurativa no contexto escolar. Autores como Foucault, Larrosa, Veiga-Neto, e Pignatelli ajudaram a problematizar as narrativas dos professores envolvendo as práticas restaurativas, reconhecendo nelas predisposições subjetivas que, sendo exercidas com base nos dispositivos de controle, retroalimentam neste lócus a mesma violência que pretendem arrefecer. Entende-se ser necessário encorajar a agência docente, no sentido de estimular entre os educadores uma reflexão permanente, com vistas a transformar rotinas escolares e a refletir sobre o que pode ser feito nas circunstâncias nas quais atuam, cotidianamente.

DISPOSITIVOS FORMATIVOS NAS LICENCIATURAS: ANÁLISE DE EXPERIÊNCIAS BRASILEIRAS À LUZ DA LITERATURA FRANCÓFONA

PID: S0102-46982021000100803 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: TARTUCE DAVIS ALMEIDA
RESUMO: Muito se discute, do ponto de vista teórico, a formação inicial de professores, a despeito de se saber pouco do que se passa no âmbito das licenciaturas brasileiras. Com base em resultados inéditos de pesquisa anterior, aqui ampliados e aprofundados, o objetivo deste artigo é duplo: (a) analisar e divulgar as propostas pedagógicas voltadas à formação inicial docente nos países francófonos, importante grupo de referência no Brasil, e (b) verificar como - e com quais configurações - aspectos afeitos a essa literatura aparecem no país. Para tanto, recorreu-se às experiências vencedoras do Prêmio Professor Rubens Murillo Marques (PPRMM), que valoriza o formador de professores e divulga as experiências que contribuem para aprendizagem da docência. Os resultados indicam que, apesar dos entraves de ordem macro, há também iniciativas pontuais que conseguem promover a unidade entre teoria e prática, ao favorecer a aproximação do licenciando com a escola em outros momentos do curso que não apenas nas disciplinas de estágio. Com isso, os futuros professores aprendem a utilizar as teorias disponibilizadas nas universidades no contexto de escolas de educação básica, refletindo, analisando e questionando os dispositivos que utilizam, à luz dos resultados esperados e obtidos.

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO DISCURSO PUBLICITÁRIO: LEGALIZAÇÃO DA MODALIDADE NO BRASIL E SUAS REPRESENTAÇÕES EM COMERCIAIS DA INICIATIVA PRIVADA

PID: S0102-46982021000100132 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: GONÇALVES COSTA
RESUMO: O objetivo final deste trabalho é a análise de regularidades discursivas presentes em comerciais a respeito da Educação a Distância (EaD), levando-se em conta o processo de formalização legal da modalidade no Brasil. Para tanto, selecionamos a campanha “Histórias Inspiradoras”, composta por cinco vídeos e produzida pela Universidade do Norte do Paraná (Unopar) - Instituição de Ensino Superior (IES) de iniciativa privada que possui mais de 300 mil alunos espalhados pelo país. Antes do processo analítico, feito com contribuições da Análise do Discurso (AD) francesa, exploramos aspectos históricos e políticos ligados à formalização e expansão da modalidade no Brasil, bem como sua relação com a educação superior. Como conclusão, compreendemos que, na busca por um número de alunos cada vez mais volumoso, nem sempre os discursos são fiéis aos ideais iniciais apontados para a regulamentação da EaD, vinculados à democratização do acesso à educação superior, e passam a explorar trajetos discursivos como o da facilidade de obtenção de um diploma de graduação.

EDUCAÇÃO E ESPORTE: ANALISANDO O TEMPO ESCOLAR DO ESTUDANTE-ATLETA DE FUTEBOL

PID: S0102-46982021000100109 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: ROCHA MELO COSTA SOARES
RESUMO: O artigo analisa o Tempo de Permanência na Escola (TPE) dos estudantes-atletas de futebol a partir da adaptação do modelo de cálculo proposto por Neri (2009). A variável tempo nos serviu para verificar o investimento do estudante-atleta na dupla carreira esportiva. Realizamos a pesquisa com 62 estudantes-atletas residentes no alojamento de um tradicional clube de futebol do Rio de Janeiro, cuja faixa etária está entre 14 e 17 anos. Para o levantamento de dados, foi utilizado um questionário estruturado e, para a análise, o modelo metodológico para o cálculo do TPE de estudantes-atletas. Observamos que estudos na área da educação e da educação física insinuam que o tempo de dedicação aos treinamentos esportivos concorrem com o tempo escolar e o prejudicam. Os resultados do nosso estudo sugerem que o problema da redução do TPE dos estudantes-atletas é provocado pelo descumprimento e pela flexibilização das normas escolares por parte da própria instituição escolar.

EDUCAÇÃO E PANDEMIA: OUTRAS OU REFINADAS FORMAS DE EXCLUSÃO

PID: S0102-46982021000100401 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: ASSIS
RESUMO: O objetivo do artigo é problematizar discursos proferidos por professores e estudantes no âmbito dos órgãos de gestão democrática educacionais públicos, enfatizando aspectos excludentes que tendem a destacar perspectivas de inovação, proatividade e/ou sucesso. Recorre-se à argumentação conceitual, de forma a explorar as categorias analíticas que emergiram desse processo especulativo, quais sejam: necessidade, tranquilidade e facilidade. A categoria discursiva de “necessidade” é sustentada tanto a partir de discursos individualistas, como “preciso me formar”, quanto coletivistas: “importante fazer o que for possível”. Já a categoria de “tranquilidade” vem acompanhada de um discurso que pressupõe familiaridade com as ferramentas e o modelo remoto: “é intuitivo”; “é só usar”; “sempre existiu a plataforma, todos deveriam usar e saber usar”. E, por fim, a categoria da “facilidade” se pauta na generalização sem conhecimento de causa, traduzida em frases como: “mas todo mundo tem um celular hoje em dia”. Conclui-se questionando a validade dos argumentos ao exasperarem fatores de exclusão em lugar de mitigá-los.
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