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PRÁTICAS FORMATIVAS NA FORMAÇÃO INICIAL DOCENTE: O CASO DO CONSÓRCIO DE PRÁTICA ESSENCIAL

PID: S0102-46982021000100138 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: BORN MORICONI LOUZANO
RESUMO: Este trabalho apresenta e discute as práticas formativas desenvolvidas pelo Consórcio de Prática Essencial (Core Practice Consortium - CPC), um conjunto de 12 Faculdades de Educação dos Estados Unidos que colaboram em pesquisas e iniciativas de formação de professores desde 2012. A metodologia utilizada foi uma revisão bibliográfica das produções acadêmicas das principais pesquisadoras do grupo nos últimos dez anos. Como resultado, identificou-se que a abordagem proposta pelo CPC se insere na “formação de professores centrada na prática” e busca preparar os licenciandos para desenvolver práticas consideradas essenciais para a docência na educação básica. Para tanto, os pesquisadores do consórcio identificaram práticas essenciais da docência em diferentes áreas do conhecimento - o conteúdo de ensino - e práticas formativas que se mostram efetivas no processo de ensino das práticas essenciais para futuros professores. As evidências produzidas pelo consórcio e exploradas neste trabalho podem se constituir em inspiração para as reflexões acerca de práticas formativas no contexto brasileiro.

PÓS-DEMOCRACIA E EDUCAÇÃO

PID: S0102-46982021000100142 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: PETRY
RESUMO: Apresento no artigo um estudo sobre as possibilidades educacionais num contexto “pós-democrático”. A “Pós-Democracia” repercute no Brasil pela ausência de limites aos poderes (econômico, político) que flexibiliza, mercantiliza e destrói direitos, no qual a violência perverte o espaço público invisibilizando e desumanizando os indesejáveis ao projeto neoliberal. Uma pesquisa em educação não pode negligenciar a relevância de investigar sobre o contexto em que ela acontece, ao mesmo tempo em que propõe alternativas que garantam sua especificidade. Nesse sentido, a partir da interpretação de autores fundamentais, estabeleci relações com base na plausibilidade e coerência dos argumentos em auxiliar-me na construção de respostas ao problema central. A educação, para fazer frente à “Pós-Democracia”, acontece privilegiadamente na escola, na qual os estudantes devem ter acesso à verdade e ao conhecimento (em contraposição à “Pós-verdade”), ao respeito aos limites (a verdade, o conhecimento, o mundo e os outros são limites ao narcisismo infantil e às perversões), à imposição de limites (a escola se torna um limite às injunções da família, da economia, da sociedade e da política), à introdução no “mundo” e ao aprendizado de valores democráticos.

QUACKENBOS COMO ANTÍDOTO A ORTIZ & PARDAL: O ENSINO DA GRAMÁTICA DA LÍNGUA PORTUGUESA NO PARECER DE RUY BARBOSA, 1882

PID: S0102-46982021000100160 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: WARDE OLIVEIRA
RESUMO: O objetivo deste artigo é contribuir para as já avançadas pesquisas, no Brasil, referentes ao método intuitivo. São examinados dois livros citados por Ruy Barbosa em seu Parecer de 1882 sobre o ensino primário no Município da Corte: Illustrated lessons in our lenguage; or how to speak and write correctly. Designed to teach english grammar, without technicalities, de George Payn Quackenbos, recomendado por Barbosa como antídoto a Grammatica analytica e explicativa da língua portugueza, de José Ortiz e Candido Pardal, em circulação nos anos de 1870 e 1880, especialmente nas escolas primárias do Rio de Janeiro. Sobre Grammatica analytica, destaca-se sua organização fundada no conceito de gramática como arte de escrever e falar bem, o que denota sua filiação ao modelo geral e filosófico greco-latino, portanto, seu descompasso em relação à renovação científica que vinha ocorrendo na Linguística no século XIX. Para apresentação contextuada das Illustrated lessons... - e considerando que o seu autor ainda não ganhou estudos no Brasil sobre o ensino de gramática, composição e áreas adjacentes, e sobre o método intuitivo -, o artigo situa esse livro em relação às demais publicações de Quackenbos, bem como o seu enraizamento intelectual no “enlightenment” escocês e sua declarada adesão às lições de coisas (object lessons). Com isso, verifica-se em Ruy Barbosa um grau razoavelmente alto de consistência nas críticas que enceta contra o conservadorismo linguístico presente na Instrução Primária da Corte e sua atualidade em relação aos estudos então mais recentes que dão base a novas propostas pedagógicas, ditas modernas.

REPERTÓRIO DE AÇÕES E CONFERÊNCIAS EDUCACIONAIS: INTELECTUAIS E PROJETOS EM DISPUTA PELA MODERNIDADE EDUCACIONAL (BRASIL, ANOS DE 1920)

PID: S0102-46982021000100121 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: HOELLER DAROS
RESUMO: Este texto constitui uma abordagem na área da História da Educação, tendo como fio condutor a história intelectual e cultural, procurando compreender cinco conferências educacionais ocorridas no Brasil nos anos de 1920: Conferência Interestadual do Ensino Primário (Rio de Janeiro, 1921); Congresso de Ensino Primário e Normal (Paraná, 1926); Primeiro Congresso de Instrução Primária (Minas Gerais, 1927); Primeira Conferência Estadual do Ensino Primário (Santa Catarina, 1927); Primeira Conferência Nacional de Educação, promovida por intermédio da ABE (Curitiba, 1927). A proposta considera as conferências educacionais como integrantes de um repertório compartilhado por seis intelectuais: Orestes de Oliveira Guimarães, Antonio de Sampaio Dória, Lysimaco Ferreira da Costa, Antonio de Arruda Carneiro Leão, Francisco Luís da Silva Campos e Manoel Bergström Lourenço Filho, compreendidos como representantes de projetos em disputa pela modernidade educacional, com destaque para a expansão, gratuidade e obrigatoriedade do ensino primário. Apresenta-se a seguinte questão-problema: como pensar as conferências educacionais como integrantes de um repertório que mobilizou sujeitos - intelectuais - em defesa e disputa de concepções e projetos, no intento de estabelecer em que sentidos e significados a modernidade educacional deveria estar assentada no Brasil dos anos de 1920? O percurso teórico-metodológico e as análises realizadas circundam os conceitos de moderno/modernidade, repertório, intelectuais e representação. Atingir a modernidade educacional, em relação ao Brasil, no período indicado, exigiu articulações e ações que, em tese, garantiriam o pretendido, dentre elas estavam os aspectos da expansão, gratuidade e obrigatoriedade do ensino primário.

SABERES E IDENTIDADE DOCENTE: UMA ANÁLISE EM UM CURSO DE LICENCIATURA EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS

PID: S0102-46982021000100165 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: SILVA SOARES VALLE
RESUMO: O presente artigo teve por objetivo analisar a mobilização de saberes docentes e o processo de construção da identidade docente de alunos de um curso de Licenciatura em Ciências Biológicas. Para tanto, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com seis licenciandos em fase de conclusão do referido curso. As entrevistas foram gravadas em áudio e posteriormente transcritas e analisadas por meio de uma abordagem qualitativa, utilizando-se o método hermenêutico-dialético. Por meio desta análise emergiram duas categorias, a citar: Espaços de (re)construção e mobilização de saberes e Sentir-se professor: identidades profissionais em construção. Os resultados demonstraram a construção e mobilização de uma série de saberes inerentes à profissão docente que, por sua vez, carregam traços da identidade docente dos licenciandos. Ademais, revelaram que esta identidade é mutável, construída de forma coletiva, depende do reconhecimento de outros atores sociais envolvidos neste processo para que seja assumida e está pautada principalmente em dois saberes: os disciplinares e os experienciais.

SAÚDE DO IDOSO: DISCURSOS E PRÁTICAS EDUCATIVAS NA FORMAÇÃO MÉDICA

PID: S0102-46982021000100103 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: RODRIGUES TODARO BATISTA
RESUMO: O Brasil e o mundo passam pelo fenômeno do envelhecimento populacional que, por sua vez, demanda formação adequada de profissionais para o cuidado à saúde do idoso em seus aspectos específicos. O presente artigo é resultado de pesquisa qualitativa que investigou a unidade curricular Cuidado Integral à Saúde do Idoso, ministrada no curso médico de uma universidade federal do interior de Minas Gerais. Tal curso tem a especificidade de ter sido organizado a partir das Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Medicina, publicadas em 2014, sendo que tal documento orienta o uso das metodologias ativas de ensino e inserção precoce dos estudantes em serviços da rede de saúde. A partir da observação de aulas teóricas e práticas, do registro de diário de campo e de entrevistas com alunos e professores da referida disciplina, analisamos os discursos e práticas educativas com o objetivo de identificar as relações entre as normativas da educação médica, a integração curricular, o uso do currículo por competências e das metodologias ativas no ensino da saúde do idoso. Conclui-se que há um esforço em seguir os documentos normativos, com adoção de integração curricular e metodologias ativas. No entanto, não há um rompimento radical com o ensino tradicional na medida em que a postura institucional permite a coexistência simultânea de aulas e avaliações tradicionais paralelamente às metodologias ativas e à avaliação formativa. Questiona-se a adoção das orientações das diretrizes enquanto ampliação de métodos, sem que haja uma mudança na concepção de educação que sustentaria tais métodos.

SER PROFESSOR, UMA CONSTRUÇÃO EM TRÊS ATOS: FORMAÇÃO, INDUÇÃO E DESENVOLVIMENTO NA CARREIRA

PID: S0102-46982021000100802 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: ELISANGELA DA SILVA KATIA
RESUMO: O artigo pretende refletir acerca da construção profissional do professor em três momentos, a saber: a formação inicial, a indução nos primeiros anos de exercício profissional e o desenvolvimento por meio da formação contínua. Tais marcos têm repetidamente orientado o percurso da construção da nossa identidade docente. Desse modo, o que apresentaremos é um entretecer de pesquisas realizadas no âmbito da nossa formação em três reflexões, sendo elas: um diálogo sobre a formação inicial docente no Brasil e em Portugal; uma Revisão Sistemática de Literatura sobre a indução na profissão docente e uma reflexão sobre a Formação Contínua de Professores em uma escola de tempo integral. Para a Revisão Sistemática de Literatura (RSL), apoiamo-nos em teóricos como: Nóvoa (1992; 2019); Huberman (2013), Tardif (2000) e Gatti (2010). A pesquisa é de cunho qualitativo e se insere no paradigma interpretativo que apresenta, dentre outras funções primárias, a identificação de conceitos por meio de um grupo de questões teóricas e metodológicas emergentes do processo de investigação. Para o desenvolvimento metodológico, utilizamos diferentes recursos, dentre os quais destacamos: as técnicas de análise documental, a organização de um protocolo que sintetiza os principais argumentos dos teóricos em seus textos e trouxemos à discussão os resultados oriundos da RSL. Como achados da pesquisa, destacamos a necessidade de uma estruturação de tempos e espaços para que aconteçam os encontros formativos, a fim de criarmos momentos de troca que apresentem significados teóricos e práticos na reflexão individual e coletiva do professor.

SERVIÇOS PARA ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA NAS UNIVERSIDADES: DIFICULDADES E DESAFIOS

PID: S0102-46982021000100159 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: MARTINS MELO MARTINS
RESUMO: Os estudantes com deficiência podem enfrentar inúmeros obstáculos e desafios ao acessar o Ensino Superior (ES) e tentar ter sucesso nele. Os Serviços de Apoio para Estudantes com Deficiência nas universidades desempenham um papel importante no fornecimento de apoio direto e indireto para esses estudantes. Este artigo apresenta as perspectivas dos Coordenadores dos Serviços de Apoio no que diz respeito à prestação de serviços a estudantes com esta condição, descrevendo as suas características, dificuldades e desafios. Os dados foram coletados em 62 instituições universitárias públicas do Brasil e de Portugal por meio de questionário desenvolvido para esse fim. Apesar das demandas enfrentadas pelos Serviços de Apoio para Estudantes com Deficiência, os sinais de bom progresso no apoio a estes estudantes estão aumentando. Embora os serviços desempenhem um papel importante, uma autonomia mínima e dificuldades significativas permanecem em vários domínios de gestão e intervenção. São discutidas as mudanças e adaptações necessárias no apoio a estes estudantes nas universidades, considerando as consequências significativas da inclusão e do sucesso para os estudantes com deficiência. Políticas inclusivas baseadas na equidade e igualdade de oportunidades e mais recursos são necessários para garantir os direitos de todos os estudantes no Ensino Superior.

TRABALHO DOCENTE COM VIDEOAULAS EM EaD: DIFICULDADES DE PROFESSORES E DESAFIOS PARA A FORMAÇÃO E A PROFISSÃO DOCENTE

PID: S0102-46982021000100117 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: PENTEADO COSTA
RESUMO: O artigo aborda os impactos das tecnologias digitais no trabalho docente e na relação com a ideia de docência como profissão considerando a videoaula como principal recurso educacional da docência na EaD e no ensino remoto. O objetivo é analisar teses e dissertações brasileiras que abordam questões, problemas e dificuldades enfrentados por professores no processo de produção de videoaulas para EaD. Uma revisão no BR-CAPES-BTD resultou em 11 dissertações que mostram distanciamentos entre a formação docente e a realidade de trabalho em EaD. As precariedades envolvem aspectos de linguagens (audiovisual e do professor - expressividade) e de socialização docente. Delas decorrem efeitos prejudicantes nas dimensões: pessoalidade do professor (sentimentos negativos, desconfortos, sofrimentos e mal-estar); desenvolvimento profissional docente e impacto social da docência (qualidade do ensino). Em tempos de educação digital, a produção de videoaulas é uma prática constituinte do trabalho docente que requer ser analisada e compreendida. O artigo mostra uma faceta dessa realidade da docência que tensiona a profissionalização do ensino e traz novos desafios para a formação de professores.

TRAJETÓRIAS BASILARES EM DIREÇÃO A UM MODELO DE UNIVERSIDADE EMPREENDEDORA

PID: S0102-46982021000100158 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: DAL-SOTO SOUZA BENNER
RESUMO: O fenômeno da universidade empreendedora tem sido tema de importante debate e discussão em diferentes contextos econômicos e sociais, devido à necessidade de maior interação entre universidade, indústria e governo. Em função disso, várias universidades em diversas partes do mundo têm se engajado em um processo de transformação em direção a um novo modelo organizacional, com aderência a uma universidade mais empreendedora ou inovadora. Nesse contexto, esta pesquisa tem o objetivo de analisar a trajetória percorrida pelas universidades estudadas em busca de um modelo de universidade empreendedora. Para isso, a técnica de estudo de casos múltiplos foi utilizada, tendo como campo empírico três universidades: duas no Brasil, a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), e uma na Suécia, a Lund University (LU). Os resultados mostram que as universidades pesquisadas desenvolveram trajetórias baseadas nas atividades de pesquisa, as quais contribuíram significativamente para o incremento nas relações universidade-indústria-governo. Ao mesmo tempo, os três casos estudados evidenciam a importância da relação estreita com seu entorno de atuação na implementação da terceira missão acadêmica.

TRANSFORMAÇÕES ECONÔMICAS, POLÍTICAS E SOCIAIS NA AMÉRICA DO SUL E A EDUCAÇÃO COMO ESPAÇO DE DEFINIÇÃO HEGEMÔNICA

PID: S0102-46982021000100402 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: ARRAIS NETO BEZERRA PUSTILNIK
RESUMO: Artigo de teor ensaístico, elabora a leitura das transformações sociais, políticas e econômicas acontecidas no Brasil, no quadro das mudanças gerais progressistas ocorridas na América do Sul no decurso dos anos 2000-2014. Avalia o papel e os encaminhamentos políticos tecidos pelos governos progressistas desse período e constitui a primeira análise dos processos políticos, sociais e culturais reacionários, investigando alguns de seus mecanismos institucionais na disputa de hegemonia e imposição do reacionarismo conservador. Discute o novo papel das forças emergentes dos BRICS e a realidade de retrocesso mostrado no Brasil no âmbito da nova organização mundial que a todos ameaça, tanto do ponto de vista da paz, quanto ambiental. A modo de remate, situa a educação escolar, do ensino básico ao superior, como seara da disputa fundamental - e atualmente central - para a resistência dos setores populares e progressistas, a fim de conformar um encaminhamento humanizante e crítico para a sociedade. São reflexões importantes para a resistência e a sobrevivência ante o retrocesso que está em andamento.

UMA BASE PARA A SEMIFORMAÇÃO SOCIALIZADA: A VULGARIZAÇÃO DA CRÍTICA COMO ESTRATÉGIA DE PRODUÇÃO DO CONSENSO

PID: S0102-46982021000100108 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: CHAVES
RESUMO: Considerando o empreendimento que vem ocorrendo para a implementação da Base Nacional Comum Curricular, neste artigo é proposta uma análise da sua última versão com foco específico no que é normatizado para o ensino de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental, estabelecendo relações, em um segundo plano, com a área das linguagens nessa mesma etapa da educação. A perspectiva metodológica utilizada é a análise crítica discursiva, ancorada nas relações dialéticas entre linguagem e prática social, partindo do pressuposto que, no âmbito do discurso, é possível compreender as coerções políticas e sociais. Infere-se que a política em questão opera na inserção das ideias de regeneração aparente da cultura democrática, de estimulo não à cultura radicalmente participativa, mas da socialização da pseudoparticipação, como mais uma força no progresso dos interesses das frações da burguesia e se vale de um arsenal teórico-discursivo crítico e engajado como mais uma estratégia de produção de consenso entre os professores.

UMA PROPOSTA PARA A ELABORAÇÃO DO JOGO PEDAGÓGICO A PARTIR DA CONCEPÇÃO DE ESQUEMAS CONCEITUAIS

PID: S0102-46982021000100157 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: MORAES SOARES
RESUMO: Este artigo teórico objetiva apresentar uma proposta de como o jogo pedagógico deve ser analisado e compreendido a partir da concepção de esquemas conceituais. Para tanto, os autores discutem sobre a concepção de jogos recreativos a partir da ótica de três esquemas conceituais, os esquemas: Regras, Interação Lúdica e Cultura. Posteriormente, após caracterizar o jogo pedagógico, de acordo com discussão realizada sob a luz da literatura específica, os autores apresentam e discutem em detalhes o esquema primário proposto por eles para se pensar o jogo pedagógico, o esquema Educação Formal. Por fim, apontam os autores que a proposta pode ser utilizada para se pensar e elaborar jogos pedagógicos não somente para o ensino das Ciências Naturais praticado na Educação Básica, mas em qualquer disciplina vinculada à Educação Formal.

UTOPIAS NA DOCÊNCIA EM HISTÓRIA: DIÁLOGOS COM PROFESSORES FRANCESES

PID: S0102-46982021000100161 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: PACIEVITCH
RESUMO: Este texto explora discursos de professores de histoire-géographie sobre a docência em História expressos em editoriais de duas revistas publicadas por associações docentes francesas: Historiens & Géographes e Les Clionautes (1998-2016). Problematizam-se as utopias políticas e educacionais percebidas nesses documentos, a fim de complexificar o olhar sobre os discursos que percorrem a formação de professores de História. Foram selecionados os editoriais que tratavam sobre formação de professores de História, destacando os que, de alguma maneira, expressavam utopias político-educacionais. Utopias são entendidas como narrativas fundadas em crítica ao tempo presente e que projetam futuros melhores, na esteira do Princípio Esperança de Ernst Bloch. A análise permitiu identificar diversas categoriais, sendo que, neste artigo, o foco é na didática e no papel da História no futuro dos estudantes. Dialogar com as revistas francesas, escritas por professores de histoire-géographie da educação básica, evidenciou que o foco nas utopias torna pouco importantes as dicotomias entre história e ensino. Conclui-se que, quando professores de História são provocados a falar sobre seus sonhos, perspectivas e responsabilidades profissionais, a atenção se desloca da repetição dos enunciados mais frequentes em direção a outros percursos, sempre inéditos, provocados pelos encontros com os estudantes e a história, na vida da sala de aula.

VIVER É LUTAR: PERSPECTIVAS POLÍTICAS NA COLEÇÃO DIDÁTICA PARA A ALFABETIZAÇÃO DE ADULTOS DO MOVIMENTO DE EDUCAÇÃO DE BASE

PID: S0102-46982021000100137 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: ALVES TONNETTI
RESUMO: O artigo tem como objetivo analisar conteúdos e aspectos materiais da cartilha “Viver é lutar”, publicada em 1963, que integrava a coleção didática, de mesmo nome, elaborada pelo Movimento de Educação de Base (MEB) como suporte às aulas de alfabetização de adultos no contexto das escolas radiofônicas brasileiras nos primeiros anos da década de 1960, tendo em vista o contexto político do regime ditatorial brasileiro (1964-1985) e a repressão aos movimentos sociais voltados à educação de adultos. Também foram utilizados como fontes documentais “O Conjunto Didático ‘Viver é lutar’”, relatórios produzidos pelo MEB e cartas escritas por monitores que participaram do movimento. Observa-se no material didático o esforço em trazer elementos da cultura popular sertaneja como estratégia didático-pedagógica para gerar identificação com os camponeses atendidos pelo movimento, tendo em vista ainda as diferentes tendências intelectuais e ideológicas em disputa no interior da Igreja Católica mobilizadas na construção do material, relacionadas às suas concepções política, pedagógica e religiosa, que resultaram em um modelo próprio de educação dos camponeses. Por fim, abordamos o processo de reestruturação do MEB no contexto do regime ditatorial que, de acordo com historiografia recente, se deu por meio de processos de acomodação ao regime, cuja consequência foi a reordenação de seus princípios pedagógicos e o afastamento de militantes das alas mais radicais do movimento.

À BEIRA DO CAIS: UM DIVULGADOR DAS IDEIAS DE ÉDOUARD CLAPARÈDE EM MINAS GERAIS

PID: S0102-46982021000100154 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: SANTOS MIGNOT PERDOMO
RESUMO: Tomando como ponto de partida a notícia da viagem de Édouard Claparède ao Brasil, em 1930, quando foi recepcionado por autoridades, ex-alunos e professores no porto do Rio de Janeiro, mapeamos inicialmente seus discípulos e nos detivemos no educador mineiro Francisco Lins, que ficaria esquecido na historiografia da educação. Radicado em Juiz de Fora, integrou a primeira turma do Institut Jean-Jacques Rousseau, em 1912, que à época tinha em seus quadros os professores Adolphe Ferrière, Pierre Bovet, Paul Godin, François Naville e Jules Bois. Estabeleceu contato com o educador suíço em sua primeira viagem à Europa, comissionado pela Secretaria de Agricultura de Minas Gerais, com o intuito de organizar e dirigir a representação desse estado na Exposição Internacional de Turim, em 1911. Nessa ocasião, recebeu ainda, do Secretário do Interior de Minas Gerais, a incumbência de estudar os institutos de ensino primários e profissionais da Itália, Bélgica, Suíça, França e Alemanha. Retornou ainda a Genebra, pouco antes da vinda de Édouard Claparède a nosso país. Ao regressar de sua primeira viagem de estudos, escreveu sobre educação em jornais, assumiu a reitoria do Ginásio Mineiro de Barbacena, lecionou na Escola Normal Oficial de Juiz de Fora e, em 1927, trabalhou na organização do I Congresso de Instrução Primária em Minas Gerais, quando apresentou teses. A análise da trajetória de Francisco Lins tem como horizonte ampliar a interpretação sobre o intercâmbio de ideias pedagógicas entre a Suíça e o Brasil, intercâmbio este que inspirou importantes iniciativas na educação mineira.

“O SOL DA LIBERDADE”? A INSTRUÇÃO DE ESCRAVIZADOS, LIBERTOS E INGÊNUOS (1871-1875)

PID: S0102-46982021000100149 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2021
Autores: GONDRA NASCIMENTO
RESUMO: Neste artigo, procuramos dar visibilidade aos discursos proferidos na Câmara dos Deputados e no Senado acerca da aprovação da Lei do Ventre Livre. Afinal, como a população escravizada enfrentou a nova situação e que medidas foram tomadas para abolir o que alguns consideravam como a “mais negra escravidão: a ignorância”? Para explorar esta questão, analisamos os debates presentes na elaboração, tramitação e aprovação da Lei de 28 de setembro de 1871, a chamada “Lei do Ventre Livre”, tomando por base documentação da Câmara dos Deputados e do Senado, produzida durante a gestão de João Alfredo Corrêa de Oliveira no Ministério dos Negócios do Império (1871-1975). Com este investimento, analisamos alguns aspectos relacionados ao acesso à escolarização formal ou informal de negros, escravizados, libertos e ingênuos. Para refletir a respeito dos efeitos deste projeto, consultamos impressos que circularam à época, tais como: Gazeta da Tarde, A Instrucção Pública, Illustração Brasileira e Jornal do Commercio, nos quais localizamos índices importantes a respeito dos debates e posições desta reforma no aparato legislativo e na opinião pública. Os referidos impressos também funcionaram como fontes importantes para compreender aspectos e desafios da escolarização de negros, escravizados e ingênuos no período focalizado.

HABITUS E DECOLONIALIDADE: POLÍTICAS DE COTAS NO ACESSO AO ENSINO SUPERIOR PARA DESCONSTRUÇÃO DO IMAGINÁRIO COLONIAL

PID: S0102-46982020000100121 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2020
Autores: SOUZA MOLL ANDRADE
RESUMO: Este texto constitui parte da pesquisa que analisa o perfil dos estudantes egressos de escolas públicas que ingressaram na Universidade Federal Rural de Pernambuco por intermédio da política de cotas. O objetivo é apresentar, a partir de relatos coletados através de entrevistas, esses estudantes recém-ingressantes nos dois cursos mais concorridos em 2018, seus desafios para o letramento acadêmico, que é influenciado pelo habitus, na sua trajetória escolar e as perspectivas desses jovens para a diplomação. Para tanto, seguimos uma abordagem qualitativa e realizamos uma discussão teórica sobre os conceitos de habitus, pensando na sua constituição a partir de um imaginário colonial que a política de cotas contribui para desestruturar.

UMA TAREFA PARA MAIS DE UM SÉCULO: SCHILLER E OS POTENCIAIS FORMATIVOS DA EDUCAÇÃO ESTÉTICA

PID: S0102-46982020000100118 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2020
Autores: BARONI CENCI
RESUMO: Escritas no final do século XVIII, na obra A educação estética do homem numa série de cartas, Schiller ultrapassa a discussão acerca da arte ao identificar a necessidade urgente de uma educação estética enquanto cura para os males trazidos pela modernidade. No presente artigo, procuramos reconstruir a concepção formativa que embasa a discussão presente nas Cartas, procurando demonstrar a atualidade de suas premissas educacionais. Para tanto, estudamos as concepções históricas que influenciaram a redação das Cartas, assim como os conceitos centrais que embasam a sua concepção de educação estética. Também analisamos o papel da educação estética enquanto contraponto da fragmentação e no questionamento acerca do lugar da sensibilidade na formação. Com tal estudo, esperamos evidenciar a importância da educação estética schilleriana no contexto atual ao recuperar aspectos críticos e emancipatórios da arte enquanto formação humana e projeção de uma racionalidade ampliada.

A COORDENAÇÃO FEDERATIVA DO MEC NO ÂMBITO DO PAR: SINAIS DE ARRANJOS E REGRAS DE DECISÃO PARA A GESTÃO EDUCACIONAL

PID: S0102-46982020000100220 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2020
Autores: ALMEIDA CABRAL NETO
RESUMO: O artigo busca compreender a dinâmica de compartilhamento do poder na interdependência entre os entes federados, com foco na análise do papel do MEC enquanto coordenador da política educacional relativa ao Plano de Ações Articuladas (PAR). A pesquisa é de natureza qualitativa, baseando-se em análise documental e de conteúdo de entrevistas semiestruturadas, organizada por meio de categorias temáticas, com a elaboração de rede semântica. Discute-se que o MEC atua para instituir a cultura de planejamento, prestar um atendimento unificado e induzir demandas. Em contrapartida, releva-se a existência de fragmentação das ações e de deficiências na resposta aos Municípios. Conclui-se que o MEC deve trabalhar para elevar o nível de conhecimento processual dos Municípios e resolver as fragilidades de seus próprios processos gerenciais.
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