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A CRIAÇÃO DO MÉTODO FRANCÊS: AS DISPUTAS EM TORNO DE UM OBJETO DE ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA

PID: S0102-46982020000100124 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2020
Autores: BRUSCHI ELLER SCHNEIDER
RESUMO: Este estudo objetiva investigar o modo como o Règlement Général d’Éducation Physique, designado nacionalmente como Método Francês, foi elaborado na França. Caminha em busca de novas representações para compreender esse objeto que, na sua historicidade, foi marcado por uma filosofia eclética. Dialoga com os pressupostos da História Cultural (CERTEAU, 1994; CHARTIER, 2002) e da Micro-história (GINZBURG, 1991; REVEL, 1998) para perceber as peculiaridades que marcaram a sua constituição e as concorrências entre indivíduos e instituições. No processo de elaboração do Método Francês, destaca-se o ecletismo, um jogo articulado de forças da École de Joinville-le-Pont, para não perder sua representatividade historicamente construída na área. A instituição apropriou-se do que considerou como as melhores teses e elementos em circulação sobre a Educação Física - Método Sueco, Método Natural, Método de Demeny e os esportes ingleses -, conciliando-os com vistas à obtenção de um sistema vasto. A sua gênese permite perceber as disputas intestinas ocorridas na França para a sua circulação e sua autoridade sobre a dimensão formativa do cidadão francês relacionadas com os usos do corpo, bem como em países estrangeiros, como o Brasil.

A EDUCAÇÃO INCLUSIVA EM ESPAÇOS NÃO FORMAIS: UMA ANÁLISE DOS MUSEUS DE CIÊNCIAS BRASILEIROS

PID: S0102-46982020000100104 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2020
Autores: SCHUINDT SILVEIRA
RESUMO: A presente pesquisa foi realizada a partir da articulação entre a Educação Inclusiva e o Ensino de Ciências em espaços não formais, buscando contribuir para que se ampliem as discussões no tocante à inclusão da pessoa com deficiência nos museus de Ciências incorporando ações de acessibilidade. Tendo como objetivo identificar e analisar as dimensões da Educação Inclusiva presentes/ausentes nos museus de Ciências brasileiros, foram investigadas as concepções dos coordenadores dos museus de Ciências e dos elaboradores do “Guia de Museus e Centros de Ciências Acessíveis” por meio de uma entrevista semiestruturada. Os dados foram analisados segundo a perspectiva da Análise de Conteúdo, segundo categorias definidas à priori. Observou-se que na dimensão Física há predominância dos aspectos pertinentes ao acesso à instituição. Na dimensão Programática foram identificadas ações que buscam diminuir as barreiras provenientes da falta de formação dos monitores, o que implica diretamente na mediação. Na dimensão Comunicacional foi possível identificar a criação de materiais táteis e manipuláveis. Na observação da dimensão Atitudinal, foi possível notar que as instituições têm desenvolvido práticas de sensibilização e de conscientização. Entretanto, os resultados mostram que algumas medidas ainda estão disponíveis com restrições, ou mesmo, indisponíveis. A implementação dessas mudanças deve ocorrer a curto, médio e longo prazo, visto que não é possível sanar definitivamente, todas as necessidades dos espaços e de seus visitantes. Ressaltamos a necessidade de que pesquisas futuras se dediquem a entender se a inclusão é realmente efetiva no espaço museal e como a pessoa com deficiência participa desse processo.

A EDUCAÇÃO INFANTIL SOB A LÓGICA DO EMPREENDEDORISMO E DOS “NEGÓCIOS DE IMPACTO SOCIAL”

PID: S0102-46982020000100807 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2020
Autores: CORREA
RESUMO: A educação infantil universal é conquista recente no Brasil, alcançada em 1988 com a nova Constituição Federal. O PNE de 2014 definiu como meta a matrícula de ao menos 50% das crianças de até 3 anos em creches, reforçando a obrigatoriedade entre as de 4 e 5 anos. Todavia, segundo o INEP, em 2018, o atendimento era de 91,7% no caso da pré-escola e de 32,7% no caso das creches. É nesse cenário que o mercado tem encontrado mais um nicho para a oferta de “novos produtos”. Neste artigo, analisamos o material intitulado Empreendedorismo e negócios de impacto social para a Primeira Infância, cujo objetivo é “apoiar empreendedores interessados em desenvolver negócios de impacto para a Primeira Infância.” A análise do documento indica como a pobreza nos anos iniciais da infância vem se transformando, de modo cada vez mais evidente, em mercadoria, ainda que sob o pretexto de uma nova forma de filantropia.

A ESFINGE, A TEIA E O ENREDO: LETRAMENTO E CAMINHOS DA DEMOCRACIA NO BRASIL

PID: S0102-46982020000100283 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2020
Autores: REGINA
RESUMO: Este trabalho objetiva analisar as possibilidades do letramento para uma pedagogia cidadã. Parte-se da ideia de Educação como emancipação, associando-a ao contexto da comunicação de massa, a partir das reflexões de Adorno e Horhkeimer, mas sem desprezar a importância da cultura como instrumento de mediação na relação sujeito e mundo. Adotamos a perspectiva interdisciplinar dos Estudos Culturais, mais especificamente os estudos de Richard Hoggart, pela qual entendemos que os consumidores/espectadores - mesmo expostos aos mass media, que tendem a exercer certo controle cultural e social através do uso do discurso competente - não estão inertes, permeáveis, mas em condições de produzir respostas. Nesse sentido, vislumbra-se a centralidade de políticas educacionais que pensem o letramento como processo que engloba habilidade técnica e aspectos cognitivos, inseridos em um contexto social e cultural que envolve estruturas de poder e ideologia, conforme Brian Street.Assim, o letramento, em um programa educacional para a liberdade inspirado pelo pensamento freiriano e na perspectiva da formação cidadã concretizada pela participação e pela inclusão discursiva, afigura-se como uma possibilidade para ampliar a democracia no Brasil.

A FORMAÇÃO DE FUTUR@S PROFESSOR@S DE EDUCAÇÃO FÍSICA: REFLEXÕES SOBRE GÊNERO E SEXUALIDADE

PID: S0102-46982020000100207 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2020
Autores: VASCONCELOS FERREIRA
RESUMO: A formação inicial pode contribuir para a superação/minimização dos estereótipos e preconceitos existentes, possibilitando a construção de um olhar atento por parte de futur@s professor@s de Educação Física. Para isso, o comportamento docente precisa incentivar a reflexão e ação d@s estudantes sobre as questões de gênero e sexualidade, durante sua formação inicial, bem como zelar pela promoção da equidade. Partindo dessa preocupação, os objetivos do presente artigo são identificar e analisar as percepções de graduand@s de um curso de formação inicial de professor@s de Educação Física sobre as temáticas “gênero” e “sexualidade”. Por intermédio de uma pesquisa qualitativa, caracterizada como estudo exploratório, foram entrevistad@s 12 licenciand@s do referido curso. A partir dos resultados obtidos, foi possível observar que, embora @s graduand@s tenham apresentado algum contato com tais temáticas na educação básica e na graduação, elas apontaram fragilidades conceituais e a falta de articulação entre a teoria e a prática dessas temáticas ao longo do curso.

A FORMAÇÃO DO DOCENTE PARA OS ANOS PRIMÁRIOS EM CURSOS UNIVERSITÁRIOS NO BRASIL E NA ALEMANHA

PID: S0102-46982020000100297 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2020
Autores: VIERODEVECHI BANNELL TREVISAN
RESUMO: O artigo discute a formação do professor dos anos primários, a partir de experiências em universidades públicas, no Brasil e no estado de Norte de Vestfália, na Alemanha. Procuramos compreender a articulação entre a formação social, cultural e humana e a formação técnica e especializada do professor dessa etapa de ensino nessas universidades. Sustentada na abordagem da hermenêutica reconstrutiva, a pesquisa, realizada em 2017, desenvolve-se por meio da comparação dos cursos de formação de professores nos dois países e utiliza-se da análise documental das diretrizes legais e das propostas pedagógicas de quatro cursos de formação de professores para os anos primários (dois brasileiros e dois alemães), além de entrevistas narrativas com especialistas brasileiros e alemães das mesmas instituições. A pesquisa indica que, independente do fato de ambas as universidades terem o mesmo interesse na qualidade da profissionalização técnica, nos cursos analisados da Alemanha, essa formação recebe mais ênfase do que no Brasil. Isso reflete os imperativos econômicos que norteiam a educação naquele país e, consequentemente, a necessidade de formação técnica. Contudo, nos cursos brasileiros aos quais tivemos acesso, ganha destaque o espaço de reprodução do mundo da vida e crítica ao sistema, indispensável a uma vida mais humanizada.

A FORMAÇÃO DO PEDAGOGO EM UMA PERSPECTIVA INCLUSIVA: ANÁLISE DOCUMENTAL

PID: S0102-46982020000100226 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2020
Autores: MELO ALENCAR
RESUMO: Diante da construção de um sistema educacional baseado na pirâmide da macropolítica, os documentos normativos educacionais assumiram a posição de influenciar culturas escolares. Neste contexto, se insere uma cultura escolar que configura uma prática homogeneizadora das diferenças humanas. A Educação Inclusiva é uma área educacional que visa, antes de tudo, reconhecer a multiplicidade existente na sala de aula e, assim, proporcionar um processo educacional condizente com a singularidade de cada estudante. Perante essa problemática, este artigo visa analisar os documentos normativos que regem a Educação e a formação do profissional habilitado a atender as singularidades das pessoas que enfrentam as maiores dificuldades de aprendizagem: o pedagogo. A análise de conteúdo a que esses documentos foram submetidos se fundamenta na Teoria Crítica de Adorno e na Filosofia da Diferença de Deleuze. Por meio do estudo deleuziano, foi possível identificar um movimento de fortalecimento das práticas inclusivas conforme os documentos assumiam um caráter micropolítico.

A FOTOGRAFIA AGENCIANDO LINHAS DE VIDA NOS COTIDIANOS ESCOLARES

PID: S0102-46982020000100271 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2020
Autores: CARVALHO ROSEIRO LOURENÇO
RESUMO: O artigo objetiva pensar com crianças, junto a fotografias, a vida que insiste em transbordar em meio às vivências em uma escola pública de ensino fundamental. Diante do ataque capitalístico que sofrem os corpos em um cenário em que a vida é radicalmente empobrecida, discute a possibilidade de uma leitura fotográfica ao inverso dessa força de contenção, acreditando que a vida e a resistência antecedem as tentativas de controle. Utiliza como abordagem metodológica as redes de conversações com crianças, disparadas por fotografias, entendendo que a fotografia produz e força o deslocamento de pensamentos e encontros, pois cria superfícies vibráteis, produz reencontros de tempos e espaços, reinventa o passado e ilumina o presente, podendo suscitar uma potência e uma multiplicidade de criação de sentidos que vivem e morrem entre a intenção do fotógrafo e a imprevisibilidade-impossibilidade de uma única visão da fotografia. Conclui que as crianças buscam expressar linhas de vida que pulsam na relação de seus corpos com outros corpos e incorpóreos em seus cotidianos como um impulso para o movimento de criação.

A PRODUÇÃO CIENTÍFICA SOBRE A INTERDISCIPLINARIDADE: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

PID: S0102-46982020000100287 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2020
Autores: SANTOS COELHO FERNANDES
RESUMO: Neste artigo discute-se a interdisciplinaridade e suas concepções, métodos e obstáculos, tanto na pesquisa científica quanto no ensino superior contemporâneo, levando-se em consideração uma relevante produção existente sobre o tema. Com o intuito de redimensionar e melhor compreender o debate atual sobre a interdisciplinaridade, as ideias dos principais teóricos, publicadas nos últimos cinco anos, são analisadas, apresentando conclusões sobre as concepções e os obstáculos que se configuram, hoje, como os mais relevantes na teoria e na prática interdisciplinar. Trata-se, pois, de uma revisão integrativa, de natureza descritiva. O destaque é dado, sobretudo, à multiplicidade de saberes interdisciplinares, derivados da complexidade do ser humano, do seu pensamento, da sua natureza e do mundo hodierno. Os resultados evidenciam, portanto, o caráter polissêmico da interdisciplinaridade, reafirmando a sua natureza dinâmica e reflexiva. Os obstáculos encontrados - institucionais, relacionados aos sujeitos e epistemológicos - revelam os desafios para a sua prática. Avançar é uma necessidade para as suas múltiplas possibilidades de realizações.

A REVOLUÇÃO FRANCESA E A EDUCAÇÃO INTEGRAL NO BRASIL: DA CONCEPÇÃO AO CONCEITO

PID: S0102-46982020000100125 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2020
Autores: MACIEL BOTELHO SILVA
RESUMO: A partir de meados da primeira década dos anos 2000, intensificou-se no Brasil o debate sobre educação integral. Os partidários do “trabalho como princípio educativo” buscaram os fundamentos epistemológicos na concepção marxiana de educação; os diferentes estratos sociais do liberalismo mantiveram-se, no essencial, atrelados à relação entre educação e moral. Uns e outros, contudo, por razões ideológicas, sem explicitar a origem desses fundamentos. Este artigo tem como exato objetivo: demonstrar a origem epistemológica e política da concepção e dos conceitos de educação e de educação integral. Para tanto, utilizou-se da análise histórico-crítica (SAVIANI, 2003; MACIEL e BRAGA, 2008), metodologicamente fundada no materialismo histórico-dialético (MARX, 1983b) para perquirir a trajetória desses conceitos. Em função do método, parte-se da análise dos textos da I Internacional (MARX, 1976; BAKUNIN, 2003) para se chegar a Proudhon (2007) e, daí, por pistas que levam aos textos da Revolução Francesa (CONDORCET, 1792; LEPELLETIER, 1793) que, por sua vez, conduzem a Dewey (1979) e a Teixeira (1959). Como resultado dessa aventura, chega-se às seguintes conclusões: a partir da Revolução Francesa, as concepções de educação fundamentam-se nas dimensões intelectual, física e moral (exceto para Marx); em termos de educação pública, todas levam em consideração a formação para o trabalho, mas as liberais visam ao trabalho subalterno, enquanto que as socialistas, à emancipação. Tal diferença implica em definições antagônicas dos conceitos de educação e de educação integral.

A SOCIOLOGIA NA EDUCAÇÃO SUPERIOR: SENTIDOS PRODUZIDOS NAS NARRATIVAS DE ESTUDANTES DE ODONTOLOGIA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ

PID: S0102-46982020000100227 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2020
Autores: FURLIN
RESUMO: Este artigo integra o rol dos estudos sobre o ensino de Sociologia na Educação Superior. Tem como objetivo apreender os sentidos e a importância que os alunos da graduação em Odontologia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) atribuem à disciplina de Sociologia na sua formação profissional e relacioná-los com os discursos legais e formais do curso e com as competências da sociologia para a Educação Superior. É uma pesquisa de abordagem qualitativa. Os resultados do estudo evidenciam que a importância que os estudantes atribuem à sociologia está em consonância com as competências da disciplina e com as questões legais e formais do curso de graduação em Odontologia. Contudo, não se trata de uma reprodução de discursos, mas de sujeitos que falam de sua experiência concreta com a disciplina, de modo que os conteúdos sociológicos passam a produzir sentido para as suas vidas e para o exercício da profissão.

A TRANSMISSÃO DO CONHECIMENTO EM DEBATE: ESTARIA A PEDAGOGIA HISTÓRICO-CRÍTICA REABILITANDO O ENSINO TRADICIONAL?

PID: S0102-46982020000100241 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2020
Autores: PASQUALINI LAVOURA
RESUMO: O artigo se propõe a aprofundar o debate acerca da defesa da transmissão dos conhecimentos científicos, artísticos e filosóficos reivindicada pela pedagogia histórico-crítica no atual contexto político-cultural de obscurantismo e ataques à razão. Com base em investigação teórico-conceitual de tipo bibliográfica, explora as diferenças entre a proposição histórico-crítica e os métodos tradicionais de ensino, sustentando que o combate às pedagogias não-diretivas não outorga um movimento de reabilitação da pedagogia tradicional, marcada pela prevalência do método indutivo, pelo verbalismo e pela apreensão acrítica da relação escola-sociedade. Conclui-se que a pedagogia histórico-crítica conserva o princípio da transmissão do conhecimento para todos, mas, uma vez que baseia em outra concepção de conhecimento, realiza-se a partir de outro método e subordina-se a outra finalidade, tal princípio é requalificado, vislumbrando a práxis. Postula-se, enfim, a compreensão da transmissão de conhecimento como princípio de esfera ontológica - e não didática ou operacional - do processo educativo.

A TRÍADE DA REFORMA DO ENSINO MÉDIO BRASILEIRO: LEI Nº 13.415/2017, BNCC E DCNEM

PID: S0102-46982020000100250 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2020
Autores: NAVARRO OLIVEIRA SILVA
RESUMO: O texto discute a relação entre a Lei n.º 13.415/2017, a Base Nacional Comum Curricular - BNCC - e as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio - DCNEM. Com aporte em discussão bibliográfica e documental, analisa a reforma do ensino médio, destaca as audiências públicas, evidencia os elementos controversos na proposta para formação e expõe a vinculação dessa proposição com os organismos internacionais no direcionamento neoliberal. Como resultados, aponta que a reforma traz traços reacionários e de acentuação da desigualdade educacional que impactam a formação da juventude e o trabalho desenvolvido pela escola. É um assunto importante a ser analisado por todos os professores que visam ao desenvolvimento da educação média para a formação emancipadora da juventude brasileira, num trabalho que leve em conta a compreensão do sujeito jovem enquanto ser social.

A WEB NA RESOLUÇÃO DE DESAFIOS DE PROGRAMAÇÃO: O QUE DIZEM OS ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS SOBRE SUA EXPERIÊNCIA

PID: S0102-46982020000100110 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2020
Autores: BAGATINI BIASUZ
RESUMO: Esta pesquisa na área da educação e das novas tecnologias desdobra-se em dois caminhos investigativos: a ação do estudante e a operação do meio. A partir da experiência revelada no cenário da prática de programação da disciplina de Estrutura de Dados apoiada pela Web, que disponibiliza as soluções de programação, gera-se uma discussão sobre a questão da cópia, devido ao ambiente compelidor da Web que incrementa os processos da busca online. O texto apresenta trabalhos que discutem o plágio do código-fonte e o efeito descalibrado do próprio conhecimento promovido pelo acesso a Web. Faz-se uma discussão sobre o significado e o processo da experiência amparada em autores como Dewey (1976, 1978, 1980), Larrosa (2002, 2018), Cupani (2013) e McLuhan (1964). A análise de dados realizada através de um questionário aplicado com estudantes universitários (n=149 respostas) evidencia a experiência Web na resolução de problemas de programação. Como resultado os estudantes declaram a importância, satisfação e relevância da Web para seu estudo.

A “LEI DA MORDAÇA” NA LITERATURA CIENTÍFICA: UM ESTADO DA ARTE SOBRE O MOVIMENTO ESCOLA SEM PARTIDO

PID: S0102-46982020000100249 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2020
Autores: ROSSI PÁTARO
RESUMO: Apresentamos um recorte de pesquisa que investigou o movimento Escola sem Partido (ESP). Também conhecido como “lei da mordaça”, o ESP surgiu em reação à suposta “doutrinação ideológica” nas escolas e vem ganhando destaque desde 2015, com projetos de lei propostos em âmbito municipal, estadual e federal. O objetivo deste artigo é apresentar um estado da arte com as pesquisas a respeito do ESP no período de 2016 a 2018. Após levantamento bibliográfico, organizamos quatro categorias que agrupam a produção científica sobre o referido movimento: currículo escolar, ideologia e neutralidade, “ideologia de gênero” e implicações do ESP para docentes e discentes. A literatura científica demonstra que o ESP apresenta equívocos conceituais, silencia diferentes pontos de vista e traz, em seus pressupostos, muito da doutrinação que afirma combater.

ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES BRASILEIROS E PORTUGUESES: UM ESTUDO COMPARATIVO ENTRE OS CASOS DA UNESP E DA UMINHO

PID: S0102-46982020000100206 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2020
Autores: MARTINS CHACON ALMEIDA
RESUMO: Considerando-se a importância dos professores na identificação e estímulo dos estudantes com altas habilidades/superdotação (AH/SD), propomos investigar e comparar a estrutura e possibilidades da formação docente sobre esta temática no curso de Pedagogia da UNESP, Campus de Marília, no Brasil e o curso de Licenciatura em Educação Básica acrescido dos Mestrados em Ensino da UMinho, Campus de Gualtar, em Portugal. Os objetivos específicos são: investigar o conhecimento dos estudantes sobre AH/SD; analisar a relação de projetos de pesquisa e extensão com a formação de professores; verificar o acervo de produções sobre AH/SD dos campi. Os dados foram coletados por meio de entrevistas e consulta às bases de documentação. A produção e aquisição de materiais bibliográficos, a maneira como o assunto é abordado nas disciplinas e a possibilidade de participar de projetos de pesquisa e extensão tem relação direta com o envolvimento científico dos docentes dos cursos com as AH/SD.

ALTERNANDO PROFESSORALIDADES NO CAMPO: ENTRE O PASSADO E O PRESENTE, UM ESTAR-SENDO PROFESSOR-MONITOR EM UMA ESCOLA FAMÍLIA AGRÍCOLA

PID: S0102-46982020000100254 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2020
Autores: OLIVEIRA FREIXO
RESUMO: Este artigo apresenta narrativas (auto)biográficas de cinco monitores da área de ciências naturais de duas Escolas Famílias Agrícolas (EFA) no semiárido baiano. Por meio de suas memórias e histórias de vida, investigamos o seu tornar-se docente em alternância, referindo-nos tanto à proposta pedagógica da escola, quanto às trajetórias destes docentes, que se alternam entre o passado e o presente, e o estar-sendo professor e o estar-sendo monitor numa EFA. Estas categorias - passado, presente, professor e monitor - se alternam no processo de tornar-se docente no/do campo. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, embasada nos referenciaisda memória, (auto)biografia, história de vida e narrativas orais. Para análise das narrativas, nos apropriamos das noções de experiência, de Jorge Larrosa Bondía e de professoralidade, de Marcos Villela Pereira. As narrativas indicam que estes docentes são o que conseguem ser: seres de experiências, contextos históricos, sociais e culturais que os atravessam nesse tornar-se docente numa EFA.

AMBIÊNCIAS FORMATIVAS COMO ESPAÇOSTEMPOS DE AUTORIAS NO ENSINO SUPERIOR

PID: S0102-46982020000100270 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2020
Autores: SANTOS AMARAL
RESUMO: Este artigo constitui um recorte de uma pesquisa de doutorado, realizada na UERJ, instituição pública de nível superior, localizada no Rio de Janeiro, que visou compreender como o formador se forma no contexto da cibercultura. Nele, as autoras objetivam discutir o papel das ambiências formativas geradoras de autorias no ensino superior. Questões instigadoras, tais como: é possível pensar a formação em espaços outros que não sejam os da universidade? qual a relevância e impactos da cibercultura nos modos de “aprenderensinar”? como se desenvolve o processo de formação docente? que trajetórias formativas constituem a docência universitária? e que práticas educacionais, promovidas e mediadas na interface cidade e ciberespaço, favorecem o surgimento de autorias? são trazidas ao debate, sustentadas em reflexões, argumentos e posicionamentos acerca da formação de professores. Compreendendo a bricolagem metodológica como um caminho aberto à prática epistemológica multirreferencial (Ardoino, 1998; Macedo, 2012; Kincheloe, 2007), ancoram-se na abordagem da pesquisa com os cotidianos (Alves, 2008; Certeau, 2018; Andrade, Caldas e Alves, 2019), e dialogam com a pesquisa-formação (Josso, 2004; Santos, 2019), com o apoio de diferentes dispositivos de pesquisa, que legitimam a experiência e o acontecimento como elementos estruturantes desse processo. As autoras concluem que, nessas ambiências, a formação se revela como experiência social, política, acadêmica e afetiva, a partir de atos de currículo que fomentam as discussões e ações críticas, em rede, fazendo emergir diversas autorias.

APONTAMENTOS SOBRE A FORMAÇÃO EM REDE NO PACTO NACIONAL PELA ALFABETIZAÇÃO NA IDADE CERTA

PID: S0102-46982020000100211 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2020
Autores: MACHADO TEIXEIRA
RESUMO: Este artigo apresenta-se como desdobramento de uma pesquisa de doutorado que busca compreender, a partir da interlocução com agentes de formação que atuaram no Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC), em Minas Gerais, pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), o processo de implementação desse programa de formação docente. A partir do referido contexto, objetiva-se analisar, a partir da apropriação dos entrevistados, os limites e as possibilidades da realização dessa política pública de governo, até o ano de 2016. Para tanto, no aspecto metodológico, o desenvolvimento do estudo se articulou à abordagem qualitativa, tendo, como instrumentos para a coleta de dados, a realização de revisão bibliográfica sobre o contexto da formação docente para os anos iniciais da Educação Básica, o levantamento documental sobre o PNAIC e, também, entrevistas semiestruturadas com agentes formativos que atuaram no âmbito da UFJF. Os dados analisados permitiram compreender que a formação pelo PNAIC foi entendida como muito relevante no cenário brasileiro, com possibilidade de acarretar melhorias na alfabetização e, portanto, garantia de aprendizagem dos estudantes. Entretanto, sendo uma formação em rede, apresentou limites voltados para aspectos como problemas estruturais referentes à força das ingerências políticas nas diferentes instâncias da rede formativa; distância entre os formadores que atuaram pela UFJF e os professores alfabetizadores que atuavam nas unidades de ensino; dificuldade de viabilização da formação de rede e, ainda, referentes à atuação dos formadores, principais responsáveis por traduzirem a política formativa. Espera-se que, além de compreender os limites e as possibilidades alusivos à formação continuada implementada pelo PNAIC por meio da opinião de coordenadores e formadores entrevistados, possa-se contribuir com elementos relevantes para a revisão e a consolidação de políticas de formação docente.

APRENDER A SER CHIC: A PATINAÇÃO EM CURITIBA (1879-1916) - UMA EXPERIÊNCIA MODERNA

PID: S0102-46982020000100107 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2020
Autores: GOMES MORAES MELO
RESUMO: Este estudo tem por objetivo discutir as experiências com a patinação promovidas em Curitiba entre 1879 (data do anúncio da primeira iniciativa) e 1916 (ano em que sete espaços dedicados à diversão funcionaram simultaneamente). O intuito foi investigar sua dinâmica social, bem como os discursos de adesão a ideias de civilização e progresso que se forjaram ao seu redor, posicionamentos que apresentaram indicações de adequados usos do corpo e de adoção de bons comportamentos públicos. Basicamente, interessa responder: a) como se estruturou a prática (estratégias de oferta, responsáveis, locais, frequentadores)? b) que representações sobre ela foram veiculadas? Como fontes, foram utilizados jornais e revistas publicados na cidade no período em tela. Conclui-se que a patinação foi mobilizada como uma possibilidade de educação do público no que tange à aquisição de posturas chics, uma noção ligada a concepções de modernidade que circularam com maior intensidade na capital paranaense no momento abordado.
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