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TEMPOS DE DESMONTE DO ESTADO DE DIREITOS HUMANOS. TEMPOS DE DESMONTE DO DIREITO À EDUCAÇÃO

PID: S0102-46982025000100501 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2025
Autores: ARROYO
RESUMO: O ensaio discute o desmonte do Estado e suas políticas sociais e educacionais, especialmente no contexto da pandemia e pós-pandemia de covid-19. A análise se estrutura em torno dos seguintes pontos: estaríamos, em tempos políticos, em tensas disputas de que Estado? De um Estado seletivo de Direitos Humanos? Tempos do Estado de Direitos Humanos desmontado? Que Estado de Mercado, do Capital re-imposto? Que tradições democráticas desmontadas e que tradições autoritárias re-impostas? Que resistências por afirmar um Estado de Direitos Humanos reconhecendo que os Outros se reafirmam humanos? Resistindo a decretados como mercadorias humanas?

TRAJETÓRIAS DE ESTUDANTES EM UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA: ENTRE TRAJETOS-PROJETOS FAMILIARES, PERTENCIMENTO E INDIVIDUAÇÃO

PID: S0102-46982025000100207 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2025
Autores: CAREGNATO ROSA TERRA PEDROSO
RESUMO: Este artigo se situa na interface entre estudos sobre a composição do público estudantil da universidade e sobre as práticas de seus segmentos. Buscamos compreender a diversidade de desafios que a experiência universitária suscita para um grupo considerado privilegiado. No contexto de ampliação de oportunidades de acesso para setores populares na educação superior, o tema da escolarização das elites ilumina as dinâmicas que estruturam trajetórias universitárias. Analisamos trajetórias de estudantes de uma universidade pública da Região Sul do país, considerando renda familiar, capital cultural e percepções do trajeto-projeto familiar, da formação e da vida universitária. Caracterizamos condições socioeconômicas e formas de apropriação da herança familiar, com rupturas e ajustes em processos de individuação. Aplicamos um questionário a estudantes de graduação de diversos cursos, obtivemos 1.463 respostas válidas e classificamos os respondentes em três grupos. Realizamos entrevistas em profundidade com 10 entre 202 estudantes pertencentes a famílias com renda alta. A análise objetivou responder como estudantes que pertencem a um segmento social elevado expressam a mobilização familiar e individual em trajetos-projetos familiares e processos de individuação. Os dados indicam inclinações para perceber, posicionar-se e agir de modo convergente com relativo privilégio social e escolar, frente a outros segmentos. Os estudantes entrevistados valorizam a escolarização e evidenciam que o curso superior na universidade pública está inserido em um trajeto-projeto familiar naturalizado. Por outro lado, apresentam elementos de desacomodação em relação a valores e prescrições familiares, aproveitando experiências no ambiente da universidade, espaço público heterogêneo, para construir trajetórias singulares e produzir individuação.

TRANSFORMAÇÕES DO MOVIMENTO SECUNDARISTA NA CONSOLIDAÇÃO DA APRENDIZAGEM FLEXÍVEL ATRAVÉS DA CONTRARREFORMA DO ENSINO MÉDIO

PID: S0102-46982025000100214 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2025
Autores: PAZ ZAMBON
RESUMO: Diante do quadro de uma nova configuração do bloco político hegemônico brasileiro dada a partir do golpe institucional de 2016, novas políticas educacionais se consolidam através da Contrarreforma do Ensino Médio (Lei nº 13.415/2017). Ao analisar os antecedentes e os principais desdobramentos dessas políticas, investiga-se neste artigo seus impactos sobre a auto-organização estudantil secundarista, ao articular, em pesquisa de natureza qualitativa, material bibliográfico e empírico. Para tanto, verificou-se a literatura especializada a fim de resgatar os principais fundamentos e objetivos do Novo Ensino Médio. Na análise empírica, realizou-se entrevistas com dirigentes gaúchos de organizações juvenis de destacada intervenção junto às entidades estudantis secundaristas, na expectativa de compreender a leitura do movimento a respeito do impacto destas novas políticas sobre suas bases. Utilizando a Teoria Fundamentada, identificaram-se códigos referentes às tendências provocadas pela Contrarreforma que agravam um cenário de refluxo político-organizativo anterior, contribuindo para a significativa imobilização deste setor frente aos processos de desinvestimento na educação e degradação das condições de vida das juventudes brasileiras.

UMA REFLEXÃO CRÍTICA SOBRE A INTERVENÇÃO DA TEORIA SÓCIO-HISTÓRICO-CULTURAL

PID: S0102-46982025000100416 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2025
Autores: VIEIRA
RESUMO A resenha analisa criticamente o artigo “Ensino híbrido crítico-colaborativo: uma discussão à luz da teoria sócio-histórico-cultural” de NININ, Maria Otilia Guimarães; MAGALHÃES, Maria Cecília Camargo, posicionando-o como uma intervenção fundamental contra a visão meramente instrumental do ensino híbrido que se popularizou após a pandemia. O texto destaca como as autoras desconstroem o modelo hegemônico, que apenas reproduz práticas transmissivas com novas tecnologias, e propõem uma alternativa robusta, fundamentada na Teoria Sócio-histórico-Cultural de Vygotsky (2004). O ponto central da proposta das autoras, conforme explorado na resenha, é a colaboração crítica como motor para a criação de Zonas de Desenvolvimento Proximal (ZDP). A análise elogia a ressignificação da metodologia de “Estações de Aprendizagem”, onde a interdependência entre as tarefas cria uma necessidade autêntica de diálogo e construção coletiva do conhecimento. A resenha também aponta a potência decolonial do artigo, que conecta o currículo à realidade dos estudantes, mas levanta questões sobre os desafios de sua implementação em larga escala na educação básica, a complexidade do papel docente exigido e a necessidade de uma análise mais profunda sobre o papel político das Big Techs na educação. Conclui-se que o trabalho de Ninin e Magalhães é um manifesto que redefine o ensino híbrido como um projeto político-pedagógico. Em vez de uma solução técnica, ele se torna uma ferramenta para a formação de cidadãos críticos e para a construção de uma educação mais democrática, humanizadora e socialmente justa, oferecendo um caminho indispensável para educadores que buscam resistir à banalização da pedagogia.

MENTORING NO DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL DE PROFESSORES DE MATEMÁTICA RELACIONADO AO PLANEJAMENTO DE AULAS, INTEGRANDO TECNOLOGIAS DIGITAIS

PID: S0102-46982024000100203 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: FLÔRES DULLIUS
RESUMO: Este artigo refere-se ao mentoring no desenvolvimento profissional de professores de matemática em relação ao planejamento de suas aulas com a integração de tecnologias digitais. A pesquisa segue uma abordagem qualitativa e o contexto foi uma prática realizada com duas professoras de matemática da educação básica da rede pública. Realizamos sete encontros, um por semana e adaptamos as práticas em decorrência da pandemia de covid-19. O objetivo foi investigar como a estratégia de mentoring pode influenciar professores de matemática no planejamento de suas aulas integradas com as tecnologias digitais. Com base no estudo realizado, foi possível compreender que o mentoring auxiliou as professoras no planejamento de aulas integradas com essas tecnologias. As reflexões e discussões possibilitaram perceber a importância dos objetivos das aulas e de vinculá-los às atividades planejadas. Além disso, os professores perceberam que não discutiam os temas das aulas com os alunos, apenas ministravam as aulas de forma transmissiva.

TRÊS MUSEUS BRASILEIROS E O ATENDIMENTO ÀS ESCOLAS (1890-1934): PEDAGOGIUM, MUSEU DO IPIRANGA, MUSEU NACIONAL

PID: S0102-46982024000100290 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: BRAGHINI SILVA PIÑAS
RESUMO: Em diferentes definições sobre museu, ao longo do tempo, é possível constatar a sua função educadora, mesmo porque o ato de expor coleções tem intrínseca a intencionalidade de educar os seus visitantes. Este artigo pretende problematizar este caráter histórico-educativo dos museus de modo a evidenciar diferentes formas de relacionamento entre o museu e a escola, cujas configurações são historicamente postas em debate e, não raro, apresentam conflitos. Foi privilegiado o estudo do atendimento ao público escolar, no final do século XIX e início do século XX, em três instituições símbolos do período de expansionismo dos museus no Brasil: o Pedagogium (RJ), o Museu do Ipiranga (SP), o Museu Nacional (RJ). A pesquisa apresenta a relação entre o museu e a escola privilegiando o campo da história da educação e está amparada em estudos teóricos e ampla análise crítica dos documentos tais como: legislações pertinentes à área educacional, documentos normativos referentes aos museus, revistas científicas e de divulgação produzidas pelas próprias instituições, relatórios, requerimentos, cartas, catálogos científicos, entre outros. Viu-se que as instituições possuem práticas de atendimento ao público escolar, alinhando-se às determinações educativas e aos preceitos pedagógicos inovadores em cada um dos contextos. Também é possível apontar os limites e as práticas dos responsáveis, mediante a sua função científica ou frente aos desafios simbólicos e políticos específicos a cada uma das instituições estudadas.

A COMPETÊNCIA ARTÍSTICA DE PROFESSORES DE ARTES VISUAIS: ESTUDO DE CASO EM PONTA GROSSA (PARANÁ)

PID: S0102-46982024000100286 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: LIMA KNOBLAUCH
RESUMO: O objetivo deste trabalho é analisar a relação entre a competência artística e os procedimentos didático-metodológicos de professores de Artes Visuais do ensino fundamental II da cidade de Ponta Grossa-PR. Pretende-se refletir, sobretudo, como a apropriação artística dos professores configura a docência em arte no ensino fundamental anos finais. À maneira de Bourdieu, parte-se do pressuposto que a competência artística de professores resulta da combinação entre trajetória social, formação acadêmica e socialização profissional. O estudo de caso é exploratório, com abordagem qualitativa, e busca triangular fontes de ordem bibliográfica, documental e resultantes de aplicação de questionário, observações sistemáticas e entrevista semiestruturadas. O universo compõe-se de quatro escolas periféricas e centrais e os participantes são quatro professores licenciados em Artes Visuais lotados em turmas de 6º ao 9º ano. Constata-se que os esquemas de interpretação dos quais os professores dispõem (o que constitui sua cultura) advém de referências identitárias com a cultura de massa, mas a formação acadêmica é qualificada por uma cifra eurocêntrica que reforça uma concepção hierarquizada da arte (atribuída às tradições da grande/alta cultura). As conclusões apontam que, a despeito dos eixos norteadores para o ensino de arte no Brasil serem de base multicultural, são reservados aos procedimentos didático-metodológicos um modelo de reprodução cultural (dinâmica canônica com artistas e movimentos de expressão iconográfica tradicional europeia e norte americana) e práticas globalmente valorizadas pelo sistema de ensino (culto ao conteúdo, atividades apostiladas e avaliações com finalidade de aplicação direta a vestibulares), contrariando a própria essência artística.

A CONQUISTA DA UNIVERSIDADE: OCUPAÇÃO INDÍGENA EM TORNO DE UM TERRITÓRIO EM DISPUTA

PID: S0102-46982024000100268 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: MACHADO
RESUMO: Os povos indígenas têm reivindicado acesso e permanência no ambiente universitário. O presente artigo se propõe fazer uma análise sobre a presença de pessoas indígenas na academia, bem como compreender a forma que esses estudantes vêm conquistando esse território. Para a coleta de dados, utilizamos os números oficiais disponibilizados na Sinopse Estatística da Educação Superior do INEP, além de pesquisa in loco nos Departamentos de Controle Acadêmico das IES do estado do Amapá. Portanto, trabalhamos com os dados nacionais e procuramos contrastá-los com a realidade de indígenas que frequentam o ensino superior no Amapá-Brasil. Além disso, também recorremos à pesquisa bibliográfica para demarcar o embasamento teórico já construído a respeito do tema. No decorrer do artigo é revelado que nos últimos 12 anos, a presença de estudantes indígenas nas universidades brasileiras tem se intensificado. Os números oficiais mostram que os indígenas cada vez mais estão acessando o ensino superior, e isso tem trazido alguns desdobramentos criativos para a universidade. Um desses desdobramentos é a reflexão necessária de recriar o espaço acadêmico à luz das perspectivas e saberes indígenas. Ou seja, além da presença física na universidade (que tem sido revolucionário), também é necessário que a academia se abra para os saberes ancestrais do mundo indígena. Compreendemos nesse estudo que é essa conquista de concepção que os indígenas também reivindicam do espaço acadêmico.

A CORPORIFICAÇÃO DE ENTES QUÍMICOS EM PERFORMANCES MULTIMODAIS EM AULAS DE CIÊNCIAS

PID: S0102-46982024000100282 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores:
RESUMO: Partimos da premissa de que a representação e o conceito estão diretamente relacionados quando se trata de ensino e aprendizagem de Química. Neste artigo analisamos dois episódios de ensino nos quais foram executadas performances corporais com o objetivo de investigar os significados produzidos nas aulas em que o corpo foi empregado para representar um ente químico. Esses episódios foram extraídos dos vídeos produzidos por dois grupos de pesquisa em ensino de Química. Foram evidenciados nas análises os recursos modais empregados pelos professores durante a representação com o corpo e os possíveis significados produzidos junto aos estudantes. A análise indicou que os estudantes perceberam o comportamento do ente químico nos sujeitos que representavam os átomos e que essa corporificação apresentou affordances que auxiliaram no entendimento dos conceitos explorados durante a performance. Os dados nos levam a argumentar que o corpo e os movimentos também produzem aprendizagens. Representar um ente químico usando o corpo se mostrou uma estratégia racional e afetiva no entendimento dos conceitos, o que traz implicações para a formação de professores no sentido de superar obstáculos epistemológicos e afetivos.

A DOR NOS TEMPOS DA COVID-19: TRANSTORNO DE ADAPTAÇÃO NOS PROFESSORES DO ENSINO SUPERIOR BRASILEIRO

PID: S0102-46982024000100267 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: NASCIMENTO CORNACCHIONE GARCIA
RESUMO: Neste trabalho, são apresentados resultados de uma pesquisa longitudinal, orientada pelo objetivo de identificar como ocorreu a adaptação dos professores e seus níveis de estresse e ansiedade durante a pandemia da COVID-19. Assim, realizou-se um estudo transversal, exploratório, de campo, com abordagem quantitativa e qualitativa, em que foram utilizados três instrumentos: IADQ, para identificar o Transtorno de Adaptação; IDATE, para medir o nível de Ansiedade-Estado; e o TSI, medindo o estresse docente, além de questões sociobiográficas. Os dados coletados foram analisados por meio de estatística descritiva e regressão logística. Foi incluída, ainda, uma questão aberta, permitindo que os professores se expressassem livremente sobre seus sentimentos. Esses depoimentos foram analisados por nuvem de palavras, sendo que seis desses depoimentos resultaram na composição de um vídeo: https://youtu.be/N6q7iz09WWk. Assim, 129 professores foram acompanhados por um ano, durante a pandemia, de modo a se obter os dados, e tornando possível perceber que, aproximadamente, três em cada quatro professores da amostra passaram pelo transtorno de ajustamento durante o período de coleta, e um em cada dois apresentaram nível de ansiedade-estado alto. Nesse sentido, verificaram-se os seguintes fatores associados à probabilidade de não estarem adaptados à pandemia: ser mulher, estar casado, e a forma negativa com que percebem o cotidiano após tantas restrições e riscos. Entretanto, foram verificados fatores que puderam contribuir com o ajustamento dos professores, como: tempo de docência, percepção positiva sobre o estado de saúde física, e não utilização de substâncias, como álcool, cigarro, medicamentos e outras. Desse modo, verificou-se a vulnerabilidade psicossocial dos professores durante o período de pandemia, tornando inequívoca a necessidade de desenvolvimento de políticas públicas e privadas que contribuam com o ajustamento dessas pessoas, principalmente pensando na repercussão negativa que essa situação pode ter, inclusive, ao longo dos anos.

A EDUCAÇÃO SEXUAL NAS DIFERENTES VERSÕES DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR: DA ABERTURA AO SILENCIAMENTO EM TORNO DA TEMÁTICA

PID: S0102-46982024000100255 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: VICENTE
RESUMO: O presente estudo tem por objetivo analisar de que maneira a educação sexual se insere nas diferentes versões da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e apresentar a percepção de professores sobre contexto de narrativas e disputas que intermediaram sua construção. Trata-se de um estudo qualitativo, que teve como fonte de dados a BNCC e entrevistas semiestruturadas realizadas com oito professores que lecionam no ensino fundamental. Os dados foram produzidos por meio da técnica de Análise do Discurso, orientada pelo ciclo de políticas formulado por Stephen Ball e Richard Bowe, cujos procedimentos demonstraram que a atuação incisiva das bancadas políticas conservadoras culminou em políticas regressivas no campo da sexualidade, deixando de evidenciar dimensões importantes no documento final. Compreende-se que a omissão dessas questões nos referenciais curriculares favorece a persistência da intolerância contra a diversidade sexual e enfraquece o combate ao preconceito e discriminações arraigados em nossa sociedade.

A FORMAÇÃO CONTINUADA PEDAGÓGICA NA DOCÊNCIA DO ENSINO SUPERIOR: REFLEXÕES SOBRE O LUGAR DOS FACILITADORES NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

PID: S0102-46982024000100279 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: DRI SILVA SILVA FLORES SANTOS
RESUMO: Nas últimas décadas houve uma expansão do acesso ao ensino superior no Brasil. A grande procura por cursos de graduação a distância destaca novas formas de acesso ao ensino superior e novos arranjos institucionais dos processos de ensino e aprendizagem. No contexto da educação a distância, o trabalho pedagógico exercido por facilitadores passa a ser importante no processo de aprendizagem dos estudantes. O estudo tem como objetivo analisar as percepções dos facilitadores acerca das experiências pedagógicas vivenciadas na formação continuada de professores do ensino superior da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (UNIVESP). A pesquisa é qualitativa e empregou questionário virtual para a coleta de dados durante o primeiro semestre de 2023. Os participantes da pesquisa reconhecem a experiência de ser facilitador como algo importante na sua formação profissional, mas percebem a prática como uma tarefa ambígua devido à combinação de funções docentes e não docentes. Em relação ao curso de formação realizado pelos facilitadores, alguns entendem como uma aproximação inicial com o trabalho pedagógico. Para outros, a formação configura-se apenas como uma renda. Já, outros facilitadores concebem a formação como uma experiência pedagógica importante na carreira, mas apontam limitações. Assim, há uma complexidade da função de facilitador, e as dificuldades existentes na prática pedagógica exigem maior reconhecimento do trabalho pedagógico desses facilitadores.

A FORMAÇÃO DOCENTE: QUE LUGAR OCUPA NA INSERÇÃO DO PROFESSOR NAS ESCOLAS TÉCNICAS DA ÁREA DA SAÚDE?

PID: S0102-46982024000100228 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: CORRÊA
RESUMO: Introdução: a educação profissional técnica de nível médio (EPTNM) é muito presente na área da saúde, considerando o grande contingente de trabalhadores técnicos, todavia, há políticas frágeis quanto à formação de professores. Objetivos: 1. analisar quais são os critérios e as formas de seleção, no que se refere à exigência da formação como professor e 2. relacionar a formação de professores com alguns aspectos das relações/condições de trabalho. Metodologia: estudo com enfoque histórico-dialético, envolvendo pesquisa documental e de campo. Participaram 10 escolas que ofertam cursos técnicos da área da saúde, sendo cinco públicas e cinco privadas, no estado de São Paulo, contemplando unidades das Etecs - Centro Paula Souza, EtSUS, Senac e outras escolas da rede privada, do interior e da capital. Foi feita análise de planos de cursos, questionários on-line e entrevistas semiestruturadas com gestores e professores. Conclusões: apesar da maioria dos planos de cursos e dos gestores indicarem, prioritariamente, a seleção de docentes com licenciatura, programas especiais ou outras vias de formação pedagógica, há sempre um caráter dúbio, incerto e de extrema flexibilidade. A formação flexibilizada e fragilizada para a docência na EPTNM contribui com a naturalização e o fortalecimento dos aspectos que convergem para a precarização do trabalho, o que precisa ser contextualizado, historicamente, nas relações entre a educação e os processos mais amplos de reprodução da sociedade capitalista atualmente marcados pelo ideário neoliberal.

A PRESENÇA DE MEMES EM PROVAS DE CIÊNCIAS DA NATUREZA

PID: S0102-46982024000100213 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: LOPES LEITE
RESUMO: O presente estudo objetivou investigar como o gênero multimodal meme tem sido mobilizado em provas da área de Ciências da Natureza (Química, Física e Biologia), tendo como material de análise as provas de vestibulares tradicionais e seriados das universidades públicas estaduais e federais aplicadas nos últimos vinte anos (de 2001 a 2021), fazendo uso, para isso, da Taxonomia de Bloom Revisada. Trata-se de uma pesquisa quali-quantitativa, do tipo documental, realizada por meio de levantamento e análise dos dados. Os resultados mostram que apenas cinco memes estavam presentes nas provas analisadas e que três dos memes identificados apresentavam a dimensão do conhecimento efetivo/factual, enquanto os outros dois, por sua vez, manifestavam conhecimento conceitual. Já as dimensões dos processos cognitivos percebidas dizem respeito aos três primeiros níveis, sendo eles: lembrar (nível 1), entender (nível 2) e, por fim, aplicar (nível 3), mediante a problematização, de forma humorada. Em relação aos conteúdos abordados nos memes, quatro são da Química (ácidos e bases; características gerais do estado líquido; propriedades periódicas; ligações covalentes) e um da Biologia (citologia: organelas citoplasmáticas). Não foram encontrados memes voltados para a área da Física. O estudo relevou, também, um número incipiente de memes nos vestibulares das universidades analisadas, apontando, com isso, para a necessidade de uma maior promoção e investigação deste artefato da cultura digital

A PRIVATIZAÇÃO EXÓGENA E OS AVANÇOS DO CAPITALISMO ACADÊMICO NO BRASIL E NA ARGENTINA

PID: S0102-46982024000100235 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: BECHI ALMEIDA
RESUMO: O presente artigo tem por objetivo compreender as principais tecnologias políticas de privatização exógena da educação superior, projetadas em articulação com as orientações dos organismos internacionais de financiamento, que têm contribuído à abertura e ascensão do regime capitalista acadêmico em países como o Brasil e a Argentina. A metodologia utilizada foi a histórico-crítica. A investigação foi qualitativa, bibliográfica e documental. Para tanto, o primeiro capítulo versa sobre as transformações estruturais do capitalismo que deram sustentação ao novo modelo de governança e, concomitantemente, ao processo de privatização exógena da educação superior em âmbito global. Posteriormente, apresenta-se uma análise das reformas da educação superior, materializadas no Brasil e na Argentina, sobretudo a partir da década de 1980, que impulsionaram a racionalização/otimização dos investimentos públicos e a implementação de políticas privatistas. Por fim, busca-se compreender de que forma as políticas educacionais, implementadas no contexto das reformas neoliberais, têm contribuído à formação de um regime capitalista de conhecimento, pautado na produção de conhecimento, matéria-prima, diretamente rentável. Os resultados apontaram que as tecnologias políticas de privatização exógena da educação superior estimulam a expansão do setor privado/mercantil e o redirecionamento dos investimentos públicos em prol de pesquisas aos interesses do setor industrial/empresarial, em detrimento da “ciência aberta” (não mercantil), favorecendo o avanço e a materialização do capitalismo acadêmico em países como o Brasil e a Argentina.

A PRODUÇÃO DA NOÇÃO DE NORMALIDADE E SEUS SENTIDOS HISTÓRICOS

PID: S0102-46982024000100244 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: CORRÊA LOCKMANN
RESUMO: Este artigo é recorte de uma pesquisa mais ampla que analisou discursos da inclusão escolar, em documentos oficiais, e o modo como operam estratégias de governamento sobre os sujeitos ditos normais. Para isso, tensionar o conceito de normalidade foi fundamental à pesquisa. No presente texto, temos por objetivo apresentar como a noção de normalidade foi sendo produzida historicamente e junto a ela práticas de in/exclusão com ênfase no sujeito dito normal. Tomamos como suporte teórico os estudos realizados por Michel Foucault, Lilia Lobo e Georges Canguilhem, autores que, em suas investigações, tensionaram as noções de anormalidade e norma. Como resultados, construímos três sentidos históricos relacionados à noção de normalidade, que se encontram imbricados com os saberes produzidos ao longo de cada época: o ideal transcendental - evidenciado na Idade Média e constituído pelos saberes religiosos e/ou divinos, estando vinculado ao corpo e à conduta dos sujeitos; a normalidade científica - constituída pelos saberes científicos, entre os séculos XVI e XVIII, vinculada ao comportamento dos sujeitos e, no fim do século XVIII, também se mostrando relacionada à sua intimidade; e as normalidades diferenciais - associadas a uma ciência de Estado, aos saberes estatísticos e a uma norma flexível, que entra em operação na sociedade de seguridade. Essa noção constitui-se a partir de dois movimentos relacionados a um mesmo fenômeno: o da naturalização das diferenças. O primeiro movimento refere-se à criação e proliferação de normalidades diferenciais, e o segundo movimento concerne à aceitação, à tolerância e ao respeito à diversidade.

A TRANSFORMAÇÃO DIGITAL NA EDUCAÇÃO HÍBRIDA - O QUE ESTAMOS FAZENDO NA AMÉRICA LATINA?

PID: S0102-46982024000100242 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: NUNES MALAGRI
RESUMO: A transformação digital na educação foi fortemente impulsionada pela pandemia por covid-19 iniciada em 2020. Apesar deste evento ter gerado avanços para a adoção mais rápida de novas tecnologias, o fato é que muitos países e instituições já estavam dedicando esforços para promover esta transformação, por exemplo, com a adoção da educação híbrida. Cada região global possui características específicas que podem impactar a forma como esse processo ocorre. Nesse sentido, este estudo buscou identificar até que ponto estamos avançando na América Latina em termos de Transformação Digital e Educação Híbrida a partir da análise das publicações na base de dados Scopus. Para atingir esse objetivo foi realizada uma revisão sistemática da literatura na base de dados Scopus ao longo de um período de 15 anos, buscando assim identificar estudos anteriores à própria pandemia. A busca foi realizada sem a delimitação na América Latina e foram identificados 111 que foram submetidos à análise bibliométrica. Esta análise permitiu a identificação de apenas sete artigos que tinham o primeiro autor vinculado a uma instituição da região. Nenhum dos demais artigos, de outras regiões, pesquisou o contexto da América Latina. Esses sete artigos foram então considerados para a discussão da realidade da região. Verificou-se que o pequeno número de estudos sobre a região não permite uma compreensão efetiva de como esse processo está ocorrendo. Desta forma, identificou-se uma oportunidade para estudos futuros que abordem a realidade latino-americana.

ALFABETIZAÇÃO DE ESTUDANTES CEGOS: O QUE REVELA A PRODUÇÃO PERIÓDICA NACIONAL?

PID: S0102-46982024000100265 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: BEZERRA
RESUMO: Este artigo de revisão tem como escopo inventariar e analisar artigos científicos brasileiros sobre a alfabetização de pessoas cegas. Para tanto, foi realizada busca sistemática, por assunto, no Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Obteve-se, como corpus para análise, apenas 7 artigos científicos nacionais, publicados entre 2007 e 2022, em periódicos diferentes, sem a identificação de padrões a respeito de sua inserção, frequência e difusão bibliográficas, dos quais apenas 3 estão indexados na base Scielo. Os artigos, em suma, evidenciam a relevância do braille para aprendizagem inicial da leitura e escrita dos aprendizes cegos, mas, em termos amostrais, mobilizam dados limitados e reduzidos, sobretudo porque gerados com número pouco representativo de participantes cegos. O espaço-tempo da classe comum inclusiva ficou ausente da produção periódica localizada, que abordou, principalmente, instituições ou contextos especializados. Além disso, os cenários de pesquisa e a procedência institucional dos autores são concentrados no eixo Sudeste-Sul brasileiro, bem como persistem insuficiências teórico-metodológicas na comunicação científica das pesquisas. Por isso, recomendam-se novos e amplos estudos, que explorem as interfaces entre alfabetização e cegueira no Brasil, com a difusão de seus resultados em periódicos científicos.

ANÁLISE DAS PERCEPÇÕES DE TILS QUANTO À ATUAÇÃO NO ENSINO REMOTO EMERGENCIAL

PID: S0102-46982024000100280 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: SANSÃO CRUZ-SANTOS
RESUMO: Este artigo objetiva analisar as percepções de tradutores e intérpretes de Libras/Língua Portuguesa (TILS) quanto à atuação e aos processos tradutórios frente ao período pandêmico no Brasil. O estudo trata-se de uma pesquisa quanti-qualitativa, no qual foi confeccionado um questionário no Google Forms dirigido aos TILS atuantes no ensino remoto emergencial no Brasil. O questionário foi divulgado online nas redes sociais, em grupos de TILS, nos centros de capacitação de profissionais da educação e de atendimento às pessoas com surdez (CAS), nas federações de TILS e associações de surdos a fim de conseguirmos o maior alcance possível aos participantes alvo deste estudo. Para tanto, responderam 58 participantes ao pedido de participação no estudo. A partir dos dados analisados, verificou-se que houve transformações drásticas que refletem na atuação desses profissionais que incidem em três aspectos principais: (1) o (re)conhecimento da profissão e a formação dos TILS; (2) as transformações das atividades desempenhadas pelos TILS durante a pandemia; e (3) o lócus de trabalho no ensino remoto emergencial.

ANÁLISE SOBRE O CORPO NOS ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DO ESPORTE (CONBRACE)

PID: S0102-46982024000100287 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2024
Autores: BAPTISTA GAMA LIMA BRITO
RESUMO: O debate sobre o corpo tem sido constante em uma série de campos do conhecimento, principalmente na Educação Física. No Brasil, esse debate foi intensificado a partir dos anos de 1980, momento em que o campo da Educação Física começa a se aproximar de modo sistemático das ciências humanas. Nesse âmbito, o Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte (CBCE) e o seu principal evento, o Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte (CONBRACE), apresentaram as pesquisas dos seus participantes por meio dos Grupos de Trabalhos Temáticos (GTTs) a partir de 1997. Portanto, o objetivo desta pesquisa é analisar as concepções de corpo presentes nos anais do CONBRACE, no período de 1997 a 2017. Esta pesquisa é quanti-qualitativa por meio de análise documental, com características bibliométricas. Para compor a análise dos dados, a busca e a seleção dos textos se deram a partir da presença da palavra “corpo” no título do texto, no resumo ou nas palavras-chave das comunicações orais. Os resultados demonstram que as principais concepções de corpo estão relacionadas às de corpo cultural; corpo existencial; corpo máquina/organismo; corpo sujeito pela corporeidade; e corpo identidade/simbólico, com uma forte aproximação deste debate com as perspectivas das ciências humanas, sociais, da filosofia e das artes em todo o período investigado. Em conclusão, este estudo analisou e apresentou variadas tendências, as quais apenas a realidade e a história como critérios de verdade poderão confirmar.
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