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O QUE É ENSINAR A ORALIDADE? ANÁLISE DE PROPOSIÇÕES DIDÁTICAS APRESENTADAS EM LIVROS DESTINADOS AOS ANOS INICIAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA

PID: S0102-46982018000100086 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2018
Autores: Costa-Maciel Bilro
RESUMO: Os documentos que norteiam o ensino de Língua Portuguesa incorporam a compreensão de que a oralidade é um objeto a ser ensinado e aprendido. Mas de que forma os livros didáticos asseguram a sistematização desse eixo de ensino? Nesse artigo, investigamos o repertório de gêneros orais presente em cinco coleções de livros de Língua Portuguesa, destinadas ao Ensino Fundamental. Tomamos para a análise atividades presentes em duas das cinco coleções investigadas, tratando-as de forma prevalentemente qualitativa, com emprego de elementos da técnica da análise de conteúdo categorial. O aporte teórico ancorou-se na concepção de língua enquanto interação e na compreensão da oralidade enquanto objeto de ensino-aprendizagem. As atividades analisadas evidenciaram uma proposta de ensino que possibilita aos educandos práticas de linguagem para a formação cidadã, conjuntamente ao desenvolvimento da expressão oral e da utilização da linguagem formal nas diversas práticas sociais.

O “PACTO PELA EDUCAÇÃO” E O MISTÉRIO DO “TODOS”: ESTADO SOCIAL E CONTRARREFORMA BURGUESA NO BRASIL

PID: S0102-46982018000100016 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2018
Autores: Magalhães Cruz
RESUMO: Apreender o modo como o Brasil reorganiza seu sistema de ensino ao longo da Revolução Passiva ou de redefinição dos limites de seu Estado social é compreender que a atual Contrarreforma, muito mais que produto, é processo. A análise do modo como se autoriza e legitima um partido de classe burguesa - na acepção gramsciana -, o movimento “Todos Pela Educação”, impõe o entendimento da tensão entre público e privado no campo da educação. É o que se conclui ao se cotejar as diretrizes institucionais da entidade às metas e estratégias do “Plano Nacional de Educação 2014/2024” e, em especial, aos pilares do “Pacto Pela Educação” em Goiás, como rearranjo local do repertório vocabular do grande capital internacional. Demonstrar esse transformismo é o propósito desta reflexão, que se configura como um recorte da pesquisa que procura apreender a relação entre as reformas educacionais pós anos 1990 e a organização do trabalho pedagógico em Goiás.

OS GÊNEROS TEXTUAIS EM AVALIAÇÕES DO ENADE DE LETRAS E EM CONCURSOS PÚBLICOS PARA SELEÇÃO DE PROFESSORES

PID: S0102-46982018000100109 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2018
Autores: Garcia-Reis Costa
RESUMO: Esta pesquisa objetiva analisar instrumentos de avaliação a que são submetidos os alunos formados pelo curso de Letras: duas edições do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE) e quatro provas de concursos públicos para seleção de professores de Língua Portuguesa, duas edições de concursos do estado de Minas Gerais e duas do estado do Rio de Janeiro. Na análise, foram destacados os gêneros textuais (BRONCKART, 2006; 2010) presentes nas questões, o domínio discursivo (MARCUSCHI, 2008) a que pertencem e as capacidades de linguagem (DOLZ, 2015; CRISTOVÃO e LENHARO, no prelo) por elas mobilizadas. Os resultados revelam que a diversidade textual é imperativa nas avaliações, sobretudo nas provas do ENADE e nos concursos do estado de Minas Gerais, assim como também são diversos os domínios discursivos a que pertencem os textos e as capacidades de linguagem exigidas. A partir de então, apontamos para a necessidade de os cursos de formação para a docência em Língua Portuguesa estabelecerem um diálogo com as orientações curriculares para o ensino dessa disciplina e com as demandas profissionais dos egressos do curso, considerando a configuração dos instrumentos de avaliação investigados nesta pesquisa.

OS JOVENS E A ESCRITA: PRÁTICAS ESCOLARES E EXTRAESCOLARES EM PORTUGAL

PID: S0102-46982018000100075 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2018
Autores: Cardoso Pereira Lopes Lopes
RESUMO: Apresentaremos as práticas de escrita, em contextos escolares (por injunção professoral) e extraescolares (livres), reportadas por alunos, dos 9 aos 15 anos, no Ensino Básico (EB) em Portugal, por meio de inquérito por questionário a nível nacional. Essas práticas são expressão da vasta e dinâmica relação com a escrita (re)construída pelos sujeitos. A Didática da Escrita (DE) tem salientado, justamente, a relevância de conhecer mais aprofundadamente a relação que os indivíduos (re)constroem com o ato de escrever, pois nela estão ancoradas as motivações e os fatores de afastamento e rejeição desta prática de produção verbal. Os resultados indicam maior diversidade de escritos no contexto extraescolar, contrastando com focos de atuação escritural mais preponderantes na escola, procurando atender a prioridades de ensino-aprendizagem. Emergem, contudo, elementos de conexão entre os dois contextos, que (in)formam para uma atuação didática mais favorecedora de um percurso escritural significativo para os sujeitos.

PALAVRAS DE UMA ÍNDIA VASCA: LEITURAS SOBRE O COMPROMISSO INTELECTUAL DE GABRIELA MISTRAL COM A GUERRA CIVIL ESPANHOLA

PID: S0102-46982018000100049 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2018
Autores: Sepúlveda
RESUMO: Gabriela Mistral, professora, escritora e diplomata chilena atuou como consulesa de Chile na Espanha entre os anos 1933 e 1935, etapa durante a qual desenvolveu uma intensa proximidade com o país e uma profunda identificação com a língua espanhola. Por meio da análise de cartas e da dedicatória do livro Tala (1938), entre outras fontes, tentaremos compreender como a guerra civil que afetou a este país detonou na autora memórias que marcaram sua escrita como intelectual, levando-a a se comprometer com os meninos espanhóis afetados pelo conflito e com a busca da paz. Ao mesmo tempo, trataremos de reconhecer como na produção da autora se apresentam reflexões sobre o conceito de infância, nos convidando, por exemplo, a significá-la como uma esperança transformadora para pensar algumas das experiências de tragédia e morte que se viviam no mundo.

PAULO FREIRE: OUTRAS INFÂNCIAS PARA A INFÂNCIA

PID: S0102-46982018000100094 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2018
Autores: Kohan
RESUMO: O presente texto pensa as contribuições de Paulo Freire sobre a infância. Cientes de que a infância não foi um eixo central das suas preocupações, mostramos uma contribuição singular do mestre pernambucano justamente num tópico “menor” de sua obra. Para isso estudamos a leitura que o próprio Paulo Freire oferece da sua infância em Cartas a Cristina, texto autobiográfico em que dialoga publicamente consigo mesmo. Destacaremos a imagem da infância ali presente e complementaremos esse estudo com algumas referências a outras obras. São elas: A importância do ato de ler em três artigos que se complementam; Esta escola chamada vida; Sobre educação: diálogos; Por uma pedagogia da Pergunta; À sombra desta mangueira; Pedagogia da Esperança, Pedagogia da Indignação, onde o educador pernambucano apresenta uma concepção de infância/meninice que desborda a mais tradicional ideia da infância como etapa cronológica da vida para instaurar uma ideia da infância/meninice como força da vida inclusive, ou, sobretudo, no caso de uma revolução.

PEDAGOGIA DA CRUELDADE: RACISMO E EXTERMÍNIO DA JUVENTUDE NEGRA

PID: S0102-46982018000100207 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2018
Autores: Gomes Laborne
RESUMO: A juventude negra é o foco central do artigo. Para compreendê-la buscou-se analisar a relação entre juventude, desigualdade, raça e racismo na conformação da situação de extermínio da juventude negra. O texto apresenta e discute dados estatísticos sobre homicídios da juventude negra e os interpreta à luz das discussões sobre a branquitude e o racismo. Compreendendo a violência como um fenômeno multicausal discute ainda o racismo como a macrocausa dessa situação, fruto da ideia de raça que se construiu desde os tempos coloniais no Brasil. Raça e racismo se tornaram ideias e práticas ainda mais complexas após a abolição da escravatura possibilitando a política de branqueamento. Elas fazem parte da estrutura de desigualdade vivida pela população negra brasileira. A análise também aponta o protagonismo da juventude negra na denúncia da situação de violência por ela vivida, indo além da ideia de extermínio e politizando-a como genocídio.

PERSPECTIVAS CURRICULARES SOBRE A FORMAÇÃO DO PEDAGOGO PARA A EDUCAÇÃO NÃO ESCOLAR

PID: S0102-46982018000100033 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2018
Autores: Severo
RESUMO: O artigo apresenta reflexões derivadas de um estudo curricular pautado pelo objetivo de mapear elementos demonstrativos do quadro atual de formação de pedagogos para atuação profissional em contextos de Educação Não Escolar (ENE). O estudo curricular abrangeu Projetos Pedagógicos de Cursos de Pedagogia de 20 universidades públicas brasileiras e os procedimentos analíticos se estruturaram a partir do uso da técnica de análise categorial de conteúdo. O referencial subjacente às análises baseia-se na discussão sobre o caráter epistemológico da Pedagogia e da ENE, bem como na abordagem crítica em torno dos enfoques curriculares que formam tradições do curso de Pedagogia no Brasil. Em vista dos resultados analíticos, se destacam a pouca expressividade de saberes específicos relativos à ENE na configuração curricular dos cursos de Pedagogia e, em consequência, os desafios da estruturação de percursos formativos que dialoguem melhor com demandas de novos âmbitos de inserção profissional do pedagogo.

POR ALGUMA POÉTICA NA DOCÊNCIA: A DIDÁTICA COMO CRIAÇÃO

PID: S0102-46982018000100017 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2018
Autores: Aquino Corazza Adó
RESUMO: O presente ensaio tem como desafio perspectivar teoricamente a díade didática-criação, por meio da proposição da docência como um trabalho eminentemente poético. Uma série de pensadores - Gaston Bachelard, Paul Valéry e Jacques Derrida, entre outros - é estrategicamente mobilizada a fim de sustentar a hipótese de uma imanência poética a atravessar a prática docente, desde que esta seja concebida e efetivada por escritas e leituras na esteira de traduções transcriadoras. O lastro conceitual que sustenta a argumentação consiste na acepção de tradução, legada por Haroldo de Campos, e de escrileitura, proposta por Sandra Mara Corazza. As discussões encaminham-se para a defesa de um modo de conceber o trabalho didático como um arranjo incessante de gestos que amalgamam leitura, escrita e tradução, redundando em uma espécie de canto tradutório cruzado entre alunos e professores.

POR UMA EDUCAÇÃO OBSCENA A DESFOCAR NOSSOS CORPOS DE HIPO MULHERES

PID: S0102-46982018000100029 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2018
Autores: Vasconcelos Cardoso Felix
RESUMO: Este texto se tece agenciado ao filme “Itão Kuêgü: as hiper mulheres”. Com e a partir de imagens em movimento, criou-se um percurso que extrapolou a tela, sendo possível analisar pedagogias corporais denvolvidas na produção de cenários educacionais contemporâneos. Ensaiamos uma escrita que compõe imagens obscenas tomadas aqui como hiper mulheres, a desfocar nossos corpos de hipo mulheres: corpos generificados produzidos pelas decentes e boas pedagogias, corpos vestidos e educados por muitos ensinamentos, corpos em conformidade a um ser de determinado gênero. Objetivamos problematizar alguns modos em que aprendizagens de gênero ocorrem incessantemente nos currículos, mostrando-nos como homens e mulheres devem ser e se relacionar consigo e com os outros. Nesse movimento,operamos em favor da obscenidade da educação, no sentido do que é deixado fora de cena nos espaços educacionais, recompondo neles outros corpos em desaprendizagens, corpos hiper. Argumentamos, portanto, que é preciso desconstruir e desaprender os ensinamentos hipo para experimentarmos tantas outras subjetividades hiper mulheres. Currículos poderiam acolher a novidade obscena da vida?

PORTUGAL E DÉCADA INTERNACIONAL DE AFRODESCENDENTES: A EDUCAÇÂO E OS TEMPOS DA VIOLÊNCIA COLONIAL

PID: S0102-46982018000100205 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2018
Autores: MARTINS MOURA
RESUMO: Neste texto centramo-nos na realidade de Portugal, um dos atores centrais do infame comércio transatlântico de sujeitos escravizados e dos processos coloniais que definiram o mundo moderno. A partir da realidade portuguesa, sinalizamos a urgência de convocar a história colonial e seus legados de modo a confrontar as narrativas eurocêntricas que insistem em pensar a Europa a partir de visões benignas que a retratam ingenuamente como a casa dos direitos humanos e da democracia. A partir desta análise, avaliamos o potencial impacto, em Portugal, dos pressupostos que dão corpo à Década Internacional de Afrodescendentes para confrontar e denunciar um sistema educativo que, até hoje, tem no silenciamento das questões étnico-raciais o dispositivo central de reprodução das desigualdades raciais que marcam a sociedade como um todo.

PROFESSORES E ALUNOS NO FACEBOOK: A COLABORAÇÃO COMO FORMA DE POTENCIALIZAR A AGÊNCIA

PID: S0102-46982018000100082 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2018
Autores: Cunha Junior
RESUMO: Este estudo tem como objetivo descrever como o uso de grupos no Facebook colabora para que professores e alunos se tornem agentes colaborativos. Para compreendermos como tal processo ocorre, este artigo segue os princípios da Teoria da Atividade Sócio Histórico Cultural (TASCH) (LEONTIEV, 1978; VYGOTSKY, 1987; ENGESTRÖM, 2015) e está metodologicamente baseado na Pesquisa Crítica de Colaboração (MAGALHÃES, 1998). Os dados utilizados foram coletados do feed de notícias de seis grupos no Facebook, sendo um grupo de professores e cinco grupos de professor-alunos, e de questionários, que foram respondidos pelos professores e alunos em momentos distintos. Os dados foram analisados seguindo-se os preceitos do interacionismo sócio discursivo (BRONCKART, 1999) e da análise de conversação (KERBRAT-ORECCHIONI, 2006). Os resultados das análises sugerem que os participantes apresentam uma evolução em relação à agência, e que devido ao caráter colaborativo da pesquisa, foi possível expandir as atividades além dos objetivos iniciais da pesquisa.

PROTAGONISMO DO PENSAMENTO NEGRO NO BRASIL: O LUGAR DAS MULHERES E CRIANÇAS NEGRAS NO PROJETO UNESCO

PID: S0102-46982018000100202 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2018
Autores: CRUZ
RESUMO: Este artigo apresenta uma cartografia das pesquisas que trataram sobre a condição das mulheres e crianças negras no interior dos estudos que compuseram o programa de pesquisa da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura UNESCO aplicado no Brasil conhecido por “Projeto UNESCO” sobre relações raciais, em parceria com a Revista Anhembi de São Paulo entre 1950 e 1953. Debruçar-se-á sobre as descrições da etapa paulista do referido projeto cuja orientação a cargo de Florestan Fernandes e Roger Bastide, foi organizada metodologicamente com contribuições de mulheres e homens negros que atuaram também como pesquisadoras/es por meio de depoimentos e práticas empíricas de participação conjunta na investigação. De modo específico, serão apresentadas questões relativas à condição das mulheres e crianças negras, assim pretende-se reconhecer o protagonismo de negras e negros retirando-as do ostracismo a que foram relegadas.

QUANDO A DIÁSPORA AFRICANA INTERPELA A EDUCAÇÃO: APROXIMAÇÕES ENTRE BRASIL E COLÔMBIA

PID: S0102-46982018000100209 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2018
Autores: Miranda Lozano
RESUMO: A presença africana é constitutiva do continente americano, mas permanece circunscrita a uma hierarquia racial. Esse processo, caracterizado pelo epistemicídio reverbera-se na educação escolar que integrou os processos de dominação à custa da negação culturas, línguas, narrativas. Práticas discursivas que se sustentam em dispositivos de políticas educacionais para o reconhecimento da presença negra no continente americano consistem no tema desse artigo. O conceito de diáspora oferece aporte analítico para focalizarmos esses dispositivos na prática discursiva dos movimentos negros e afrodescendentes. No primeiro tópico, abordamos, a partir dos procedimentos da tradução intercultural, as aproximações entre Brasil e Colômbia nas disputas dos movimentos negros e afrodescendentes pela educação. Em seguida, analisamos demandas desses movimentos convertidas em políticas de educação, sob a égide da diversidade. Por fim, identificamos reverberações das políticas de diversidade que permitem nomear as lógicas que estruturam a educação escolar e ampliar o repertório de entendimento do mundo.

QUANDO E COMO USAR ENTREVISTAS POR E-MAIL: REFLEXÕES COM BASE EM PESQUISA SOBRE ASSEXUALIDADE

PID: S0102-46982018000100083 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2018
Autores: OLIVEIRA VIANNA
RESUMO: Com base em pesquisa sobre assexualidade, este artigo traz reflexões sobre os limites e as possibilidades do uso de entrevistas por e-mail. Com o objetivo de alcançar pessoas autoidentificadas como assexuais - em diferentes lugares do Brasil - a investigação que deu origem ao artigo utilizou o e-mail como ferramenta metodológica. Este artigo apresenta os desafios da realização de entrevistas por e-mail diante da ausência de pistas sociais como gestos, entonação de voz e linguagem corporal. Também expõe as vantagens ao possibilitar maior alcance geográfico dos sujeitos, ao permitir a participação de pessoas que - por diferentes motivos - não concederiam entrevista presencialmente; e ao viabilizar o contato com uma autoidentificação nascida e difundida nos meios virtuais. Esses aspectos evidenciam o fortalecimento das tecnologias de informação e comunicação como instâncias socializadoras no processo de construção identitária na contemporaneidade e a contribuição do acesso à internet para o enriquecimento da pesquisa sobre assexualidade.

QUEM GIROU AS CHAVES DA INTERNACIONALIZAÇÃO DOS CURRÍCULOS NA EDUCAÇÃO BÁSICA?

PID: S0102-46982018000100104 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2018
Autores: THIESEN
RESUMO: No texto, identifico e analiso um conjunto de iniciativas de largo impacto envolvendo formação escolar, as quais, em distintos aspectos, configuram marcas do surgimento e da consequente expansão da internacionalização dos currículos nos territórios da Educação Básica em escala mundial. Exploro, ademais, as racionalidades epistêmicas, pedagógicas e políticas que mobilizam tais projetos, bem como as influências que exercem, particularmente, sobre a política curricular oficial brasileira. Trata-se de um estudo exploratório de natureza empírico-teórica que, recorrendo à literatura impressa e às bases de dados disponíveis nas redes digitais, utiliza predominantemente trabalhos já realizados em contextos internacionais como fontes primárias. Os resultados indicam que, embora os projetos sejam predominantemente de iniciativa não estatal, suas influências alcançam com força vários sistemas nacionais de educação, inclusive o do Brasil.

RACISMO E EDUCAÇÃO. UMA REVISÃO CRÍTICA

PID: S0102-46982018000100092 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2018
Autores: CASTILLO
RESUMO: Este artigo apresenta uma revisão crítica de racismo e educação. Primeiramente, analisa os diversos enfoques educativos dados ao tema, como o primeiro multiculturalismo, a educação antirracista e o multiculturalismo crítico. Posteriormente, o artigo desenvolve alguns elementos para pensar a práxis educativa, como a agência e o posicionamento dos professores, o desenvolvimento de uma consciência crítica, a necessidade de discutir temas como o privilégio branco, e advoga pela autodeterminação educativa. O texto conclui com a necessidade de uma educação para a equidade racial, onde caibam todos, que proponha alternativas que deem conta de como as pessoas conhecem, entendem e experimentam a si mesmos como sujeitos, como membros de uma comunidade e como cidadãos de uma nação.

REPOLITIZAR O SOCIAL E TOMAR DE VOLTA A LIBERDADE

PID: S0102-46982018000100113 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2018
Autores: MACEDO
RESUMO: Busco entender as articulações que tornam possível que um conjunto de demandas localizadas, trazidas à cena pelo Escola sem Partido, um grupo sem óbvia representatividade na sociedade, ganhe espaço na recente política educacional no Brasil. Em um primeiro momento, são mapeadas articulações entre o movimento, grupos religiosos conservadores e a Rede Atlas, mobilizando a teoria do discurso de Laclau e Mouffe e a noção de redes globais utilizada por Ball. Defendo que tal articulação vem contribuindo para a hegemonização das posições do ESP. Em um segundo momento, em diálogo com a leitura do neoliberalismo como economização da vida, de Brown, levanto hipóteses para entender a relevância das demandas conservadoras para a normatividade neoliberal. Com Laclau, argumento que há uma luta pela representação do povo, que põe em oposição as políticas populistas dos governos do PT e a rede constituída pela articulação entre a Rede Atlas e o Escola sem Partido.

REVISITANDO A NOÇÃO DE JUSTIÇA CURRICULAR: PROBLEMATIZAÇÕES AO PROCESSO DE SELEÇÃO DOS CONHECIMENTOS ESCOLARES

PID: S0102-46982018000100013 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2018
Autores: Silva
RESUMO: O presente artigo apresenta um estudo teórico acerca da noção de “justiça curricular”, importante conceito para pensar as relações entre justiça social e educação no âmbito dos Estudos Curriculares. Em um contexto de intensificação das desigualdades educacionais, são revisadas, conceitualmente, algumas das principais obras sobre a temática da justiça curricular, em circulação no Brasil, dimensionando-as na interface de duas racionalidades predominantes, quais sejam: a redistribuição e o reconhecimento. Inspirado nos escritos políticos de Nancy Fraser, este artigo defenderá como aspecto central para o processo de seleção dos conhecimentos escolares uma forma de justiça curricular centrada nas dimensões da redistribuição, do reconhecimento e da representação. De acordo com o estudo desenvolvido, o conceito de justiça curricular, em sua potencialidade conceitual, pode ser um instrumento coletivo que nos permita promover a defesa da justiça escolar e da qualidade social da educação.

SABERES DOCENTES: AS POLÍTICAS DE RECONHECIMENTO DE SABERES DOS PROFESSORES DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL NO BRASIL

PID: S0102-46982018000100028 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2018
Autores: Lima Cunha
Resumo: Esta comunicação objetiva discutir o desenvolvimento e implementação de políticas voltadas para o reconhecimento de saberes dos professores do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico. Inicialmente, apresentamos os marcos regulatórios do processo de Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) desses professores aprofundando-nos, por meio da análise de documentos e regulamentações, na forma como o RSC tem sido implementado em uma instituição de educação profissional de Minas Gerais. Para discutir sobre os saberes construídos no/pelo trabalho, recorremos ao aporte da ergologia, em especial aos trabalhos de Durrive e Schwartz (2007), Schwartz (1998, 2010) e Trinquet (2010). No âmbito dos saberes docentes, realizamos pesquisa bibliográfica abarcando autores, como Schön (1992), Tardif (2002), Therrien (2001), entre outros, que tratam sobre especificidade desses saberes e sua importância para a docência. Por fim, apontamos para a necessidade de se pensar como as políticas de reconhecimento de saberes docentes vêm se constituindo e quais saberes elas valorizam.
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