Este artigo analisa oito grupos focais, dos quais participaram 27 gestores escolares e 36 professores das redes municipais de ensino dos municípios vizinhos Rio de Janeiro e Duque de Caxias, no Estado do Rio de Janeiro. O objetivo é conhecer a percepção dos profissionais do ensino fundamental acerca das influências das avaliações externas no currículo escolar. Além de participar da Prova Brasil, ambos os municípios implementaram um sistema próprio de avaliação. O Rio de Janeiro tem uma política de bonificação salarial para os profissionais cujas escolas atingirem metas estabelecidas pela Prefeitura, ao passo que Duque de Caxias não promove políticas de alto impacto. Abordamos a discussão atual sobre as avaliações externas, bem como a discussão sobre o currículo nesse contexto. Ao final, problematizamos as abordagens que sugerem que as avaliações vêm constrangendo o trabalho docente e promovendo o estreitamento do currículo escolar.
Este artigo apresenta a primeira etapa do processo de construção de um sistema de monitoramento para uma rede pública de educação infantil (EI) do município do Rio de Janeiro. Partindo de concepções teóricas a respeito de avaliação e monitoramento, foram avaliadas 149 unidades escolares. A coleta de dados seguiu o modelo das escalas de avaliação de ambientes e a análise foi realizada de acordo com a Teoria Clássica das Medidas. O objetivo centrou-se em extrair aspectos relevantes para o monitoramento das políticas da EI do município em questão. A análise dos dados incluiu também a compilação de informações de diferentes fontes sobre o funcionamento da rede municipal. Foram identificadas sete dimensões para a composição do monitoramento das políticas e práticas educativas, além de aspectos que podem contribuir para a melhoria do atendimento nas unidades de ensino de EI.
Este artigo analisa os efeitos dos atos normativos da União para apoiar municípios na oferta de vagas em creches. Mostra evoluções incrementais, impacto nas matrículas (2001-2013) e variação considerável entre os estados. Identifica que parte da regulamentação federal é uma forma de coordenação federativa, como o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), e que parte são programas que contribuem na ampliação de vagas, como a Ação Brasil Carinhoso. Este artigo também aponta que a meta estabelecida pelo Plano Nacional de Educação, de atendimento de 50% das crianças em creches, está longe de ser cumprida.
Neste artigo, discutimos questões relacionadas à inserção escolar de alunos considerados pouco convencionais, procurando destacar o quanto a convivência entre colegas pode ser uma dimensão a ser considerada no trabalho educativo. Para tanto, retomamos pesquisas que focalizam os efeitos da escolarização para esses alunos. Em seguida, apresentamos dados de um estudo sobre os efeitos da convivência entre pares na escola, quando uma criança apresentava fragilidades em sua constituição como sujeito. Para realização deste trabalho, adotamos como procedimentos metodológicos o registro sistemático dos dados levantados no trabalho de campo, a prática de entrevistas e a realização de filmagens. A partir desses dados, procuramos indicar o quanto a entrada na escola pode superar a transmissão formal de conhecimentos, operando, para algumas crianças, como um fator de estruturação subjetiva.
O presente estudo investigou as evidências de validade de construto dos questionários do Saeb de 2009. Depois de um processo de tratamento de dados e análise exploratória, foram analisadas as respostas de 1.906.616 alunos do 9º ano do ensino fundamental, de 77.905 professores e de 27.292 diretores, além das informações relacionadas às 27.045 escolas de todo Brasil. Análise Fatorial foi utilizada para identificar os construtos mensurados pelos questionários. Os resultados indicaram a existência de quatro fatores no questionário de escola, seis fatores no questionário de diretor, seis fatores no questionário de professor e quatro fatores no questionário de aluno. Uma reflexão crítica é necessária para avaliar se os construtos mensurados pelos questionários do Saeb são aqueles que realmente importam em relação ao desempenho escolar.
Este artigo trata de concepções de políticas públicas e de monitoramento como instrumento para acompanhar a implementação e a execução de uma política, de um programa público ou de uma ação governamental. O propósito é subsidiar a elaboração de um sistema de monitoramento para a educação infantil a partir de reflexões sobre essa etapa da educação básica como política pública para o oferecimento de educação de qualidade para crianças de 0 a 5 anos.
Este trabalho busca contribuir com o debate sobre política de avaliação em educação infantil no Brasil a partir das últimas modificações da legislação e das normatizações federais sobre o tema, levando em conta as polêmicas em torno das práticas atuais de avaliação da primeira etapa da educação básica. É finalidade do estudo mapear e examinar a produção acadêmica brasileira dedicada a esse tema no período de 1997 a 2012. O corpus empírico da pesquisa circunscreve-se a teses e dissertações cadastradas no banco de teses da Capes e a artigos de periódicos incluídos na plataforma SciELO, no portal de periódicos da Capes e no portal Educ@.
Este artigo aborda o estudo do extinto ranking Melhores Faculdades, o primeiro no campo da educação superior brasileira, criado em 1981 e editado anualmente, por dezenove anos, pela revista masculina Playboy. Foca o funcionamento e a metodologia desse ranking a partir de uma revisão bibliográfica e documental, envolvendo artigos científicos, notícias de jornal, depoimentos de autoridades universitárias publicados em portais da internet e, sobretudo, a análise de suas edições. Partindo da contextualização teórica sobre os rankings acadêmicos, o artigo revela a metodologia adotada pelo ranking em questão, baseada principalmente nas opiniões de chefes de recursos humanos de grandes empresas e diretores dos cursos avaliados, demonstrando a predominância de um grupo de instituições da região Sudeste como responsáveis pelos cursos de melhor qualidade e acenando para, apesar das críticas, a aceitação dos rankings como referenciais de qualidade pelos gestores universitários.
Para compreender como escrevem os alunos no final da educação básica, analisou-se, na pesquisa, a redação dissertativa do vestibular com base no referencial sócio- histórico, em particular, os postulados de Bakhtin, assim como nos preceitos da linguística textual. O corpus reuniu uma amostra de 374 redações produzidas no Vestibular Fuvest-2007, que foi analisada pelos critérios da norma culta, expressividade, configuração organizacional e remissão extratextual. Os resultados revelam dificuldades de interlocução: a língua cindida entre um saber-dizer e um dever-dizer, o que fundamenta iniciativas para a reorientação do ensino da língua escrita e para a formação de professores.
O artigo analisa o fenômeno das transferências de alunos entre escolas municipais da cidade do Rio de Janeiro e suas possíveis relações com processos de segregação escolar. É utilizado um indicador para medir a segregação escolar - o Segregation Index -, em desenhos longitudinais para todas as transições do ensino fundamental. Os dados foram fornecidos pela Secretaria Municipal de Educação e o contemplam todos os alunos da rede entre 2006 e 2011. Três características dos alunos foram consideradas: cor/raça; educação dos pais; e condição de pobreza. Os resultados sugerem que: o impacto do remanejamento de alunos entre o primeiro e o segundo segmentos é desagregador, ou seja, as escolas se tornam mais misturadas em sua composição social; as transferências ao longo do segundo segmento apresentam um padrão definido e sugerem um processo constante de seleção do alunado.
Estudos sobre avaliação têm reconhecido a necessidade de melhorar as práticas de avaliação das aprendizagens dos alunos na linha dos desafios que são apresentados aos sistemas educativos, nomeadamente, na promoção de uma escola de sucesso para todos. O artigo, com foco na problemática da avaliação da aprendizagem, refere essas ideias e objetiva: dar conta dos procedimentos de avaliação das aprendizagens de alunos, seguidos por professores de duas escolas portuguesas, com resultados muito distintos nos exames nacionais; caraterizar essas práticas de avaliação; conhecer e interpretar razões e crenças que sustentam a opção por essas práticas. Os dados permitem concluir que há divergência entre os procedimentos de avaliação propostos nos documentos de gestão curricular interno às escolas e os que os professores/as utilizam, e que são realimentadas crenças de um ciclo vicioso de “testinite” no processo de avaliação de aprendizagens dos alunos.
Este texto apresenta reflexões sobre experiências de ensino com pesquisa, em curso de graduação em pedagogia de uma universidade pública. As experiências envolveram, entre outras ações, problematização da realidade e definição dos objetivos e questões de pesquisa; construção coletiva do instrumento de coleta de dados; trabalho de campo em escolas públicas; construção de relatório. A análise evidencia que assumir a pesquisa como norteadora da formação profissional implica trabalhar elementos cognitivos e afetivos/ relacionais, bem como promover mudanças de atitude dos envolvidos, em um processo de aprender a aprender e de aprender a ser pessoa e professor.
Esta pesquisa é parte de um trabalho maior que tem como objetivo a construção de uma escala para avaliar a adesão a valores morais em alunos de educação básica e seus professores, realizado na Fundação Carlos Chagas (SP). Neste texto, trata-se somente do valor de justiça. Houve comparação das respostas de 111 crianças de 10 a 13 anos e de 121 adolescentes entre 14 e 17 anos, de escolas públicas e particulares da cidade de São Paulo. Realizou-se a seleção de algumas questões de justiça distributiva, retributiva e comutativa dentre as várias utilizadas. No questionário, as alternativas oferecidas foram construídas em níveis crescentes de descentração de perspectiva social inspirados em Kohlberg. Os resultados confirmam as duas hipóteses levantadas: ocorreu uma progressão na escolha das respostas em relação aos níveis entre crianças e adolescentes e houve diferenças entre as três formas de justiça consideradas, no que se referiu ao alcance de níveis mais elevados.
O estudo analisa os objetivos e as justificativas de quatro secretarias de educação para investir em sistemas próprios de avaliação em larga escala em vez de utilizar as avaliações nacionais já disponíveis, em especial a Prova Brasil, como instrumento precípuo de sua política educacional. O foco recai sobre avaliações externas que lançam mão dos mesmos modelos adotados pelas avaliações nacionais com contornos e desenhos distintos impressos às diferentes redes de ensino investigadas, conforme o tipo de organização e política. Destacam-se as demandas que se impõem a essas avaliações, notadamente naquilo que podem conter de subsídio pedagógico volta do diretamente ao trabalho escolar.
Nesse trabalho, apresentamos uma análise do rendimento de alunos de segundo ano de escolaridade na resolução de problemas de estrutura aditiva com base nos resultados da pré-testagem dos itens que comporão a Provinha Brasil de Matemática. Foram aplicados 192 itens a 12 mil alunos de diferentes unidades da Federação. Realizamos a análise considerando algumas variáveis presentes nos problemas, tais como o tipo de contexto, a presença ou não de imagens, a magnitude dos números envolvidos e a localização dos dados no problema. Os resultados mostram que, em função da estrutura do problema, a alteração dessas variáveis provoca diferenças no índice de sucesso dos alunos.
A visibilidade pública do Exame Nacional do Ensino Médio vem aumentando consideravelmente nos últimos anos, sobretudo por meio da mídia escrita e televisiva, que enfatiza um ranqueamento de escolas no país. Essa abordagem acaba por associar o Exame a uma avaliação do ensino médio nacional e, ao mesmo tempo, das escolas individualmente. Este artigo sustenta que, contrariando os discursos governamental e midiático, esse exame, desde sua origem, está longe de uma efetiva avaliação do ensino médio como etapa de ensino, e que essa distância continuou crescendo ao longo dos anos e das mudanças introduzidas no exame. A metodologia adotada no artigo consistiu na análise do perfil dos participantes do exame no período de 1999 a 2007 que revela sua heterogeneização, com o decréscimo acentuado do número de concluintes em relação ao número cada vez maior de egressos.
O estudo objetivou investigar as concepções de avaliação da aprendizagem da forma como são percebidas por alunos e professores do curso de Nutrição de uma universidade pública do Paraná, bem como outras questões importantes referentes às práticas avaliativas. O estudo foi realizado por meio de questionários aplicados a professores e alunos, e as respostas foram agrupadas para a análise. Os resultados revelaram que a concepção de avaliação da aprendizagem para grande parte de alunos e professores foi semelhante e caracteriza-se como um instrumento para verificar o que o aluno assimilou. A prova foi o instrumento avaliativo relatado como o mais utilizado por todos os professores pesquisados, sendo geralmente associado a outros instrumentos avaliativos. Assim, enfatizam-se a necessidade e a importância de se repensar constantemente o significado da avaliação da aprendizagem, além da necessidade de capacitar continuamente professores e gestores do ensino superior, para que a avaliação realmente contribua para construção do conhecimento.
O artigo apresenta resultados de uma pesquisa que visou a compreender a operacionalização da avaliação formativa na política de avaliação da aprendizagem para a formação de professores em Angola. Coletaram-se os dados por meio de questionários a professores e alunos, entrevistas semipadronizadas a professores e observação de aulas, analisados em categorias de conteúdo e em tabelas, discutidos sob a abordagem quanti-quali. Revela-se que turmas numerosas e a falta de condições de trabalho dificultam a prática avaliativa dos professores; os participantes são desfavoráveis à política de avaliação por atribuir maior peso (60%) à prova de escola e menor peso (40%) às classificações atribuídas pelo professor; além do modelo de avaliação ser fortemente classificatório, os participantes se mostram favoráveis à avaliação formativa sempre classificatória.
Neste artigo, procuramos pôr em perspectiva os trabalhos de psicologia experimental, particularmente psicossociais, e as análises sociojurídicas recentes que tratam dos processos de julgamento de responsabilidade realizados no âmbito da avaliação das violências comuns. Investigamos as características e a significação da responsabilidade objetiva dos psicólogos e da objetivação penal dos juristas supondo que essas duas noções remetem, no contexto de segurança atual, a um aumento da vontade repressiva contra autores de atos delituosos.
Este artigo apresenta um relato de pesquisa em fase de préteste para a construção de uma escala de avaliação em valores baseada na metodologia da Teoria da Resposta ao Item (TRI) que permita verificar a presença e a força de adesão a valores morais de justiça, respeito, solidariedade e convivência democrática em crianças do 2º ciclo do ensino fundamental, jovens do ensino médio e professores de educação básica. A construção dos itens/questões fundamentou-se na teoria de Kohlberg, e sua análise e revisão, nas curvas características dos itens (CCI’s), elaboradas com base na aplicação dos procedimentos de calibração dos itens segundo a TRI. Essa revisão dispõe dos dados de respostas abertas obtidos com a aplicação dos mesmos itens, sem as respectivas alternativas, a um grupo menor de alunos e professores. Esse processo mostra quais as dificuldades para elaborar itens discriminativos e como as análises das respostas abertas ajudam na sua reformulação.