O estudo centrou-se na análise de documentos oficiais que versam sobre avaliação do desempenho docente emitidos pelo Ministério de Educação e Ciência de Portugal no período de 2009 a 2012. Parte-se do pressuposto de que tais documentos respondem a uma política oficial de avaliação docente de cunho somativo e meritocrático, cujos padrões de desempenho revelam uma política nacional de controle, orientação, monitoramento, supervisão do trabalho dos professores que se reflete na profissionalização docente.
Estudo derivado da pesquisa Avaliando valores em escolares e seus professores: uma proposta de construção de uma escala, desenvolvida pela Fundação Carlos Chagas. Pretende avaliar a identidade profissional de professores relacionada aos valores que estabelecem como prioritários. A metodologia envolve um questionário de valores e um questionário de perfil aplicados em aproximadamente 300 professores em exercício, do ensino fundamental (segundo ciclo) e ensino médio, em escolas públicas e privadas de São Paulo, para avaliar qual é o nível de presença e adesão aos valores de justiça, respeito, solidariedade e convivência democrática, para com isso envolver as variáveis identitárias dos professores e propor caminhos de intervenção. Os resultados apontam para professores com nível de adesão a valores correspondentes ao estágio pós-convencional da teoria kohlberguiana, possivelmente demonstrando que os valores são constructos centrais no exercício da sua profissão.
O artigo discute as repercussões e as tensões geradas pelas avaliações externas em escolas municipais da Baixada Fluminense - RJ. A pesquisa se concentra na problemática do acesso, análise e compreensão dos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação, bem como de seus impactos nos sistemas e nas escolas. As análises preliminares, coletadas por entrevistas, apontam para a identificação de impactos na organização escolar e no trabalho pedagógico docente com características neotecnicistas, gerencialistas e reguladoras, o que é visto como preocupante. Apesar de nossa análise crítica, as avaliações externas também podem se revestir de possibilidades ancoradas no conceito de qualidade negociada.
Nosso objetivo é contribuir com o debate acerca dos processos de avaliação na educação infantil, tema pouco presente em nossa produção acadêmica. Entendemos que é necessário avançarmos na discussão do processo de avaliação interna às instituições. Recorremos a pesquisas e documentos nacionais que enfocam a avaliação na primeira etapa da educação básica, bem como apresentamos dados do processo avaliativo em uma instituição de educação infantil em Belo Horizonte. Concluímos que, nos momentos de avaliação, as práticas educativas das professoras tornam-se ainda mais visíveis, assim como suas concepções a respeito das crianças. O desafio permanece no sentido de continuarmos esse debate com base em um referencial que nos ajude a construir formas de avaliação que, de fato, orientem práticas educativas que respeitem a criança como sujeito de direitos.
Os objetivos dessa pesquisa foram: 1) analisar as concepções de avaliação dos alunos do ensino superior; 2) adaptar e validar o questionário Students’ Conceptions of Assessment (SCoA); 3) investigar as definições de avaliação dos alunos; 4) analisar como as concepções de avaliação predizem as definições de avaliação dos alunos; 5) analisar diferenças nas concepções de avaliação dos alunos pertencentes a uma Instituição de Ensino Superior pública e a uma privada. Utilizamos a teoria da aprendizagem autorregulada e métodos quantitativos e qualitativos.
Neste artigo aborda-se a implantação de sistemas municipais de avaliação em quatro municípios paulistas. São destacados elementos da avaliação de sistema que evidenciam sua articulação com a valorização da qualidade do ensino em diferentes concepções. Os resultados obtidos pelas redes que compõem o escopo do estudo e os contornos de seus sistemas próprios de avaliação são realçados para demonstrar possíveis incrementos na qualidade do ensino. Por fim, conclui-se que a avaliação externa, concebida como um processo amplo que envolve escolhas técnicas, políticas e ideológicas, é um importante instrumento para o acompanhamento de alunos e escolas e a tomada de decisões. Porém, além de se enfatizar a necessidade de novos estudos em face das tendências constatadas, recomenda-se cautela para afastar eventuais efeitos negativos, como transferência de responsabilidades e comprometimento da qualidade de seus próprios resultados.
A violência é um problema endêmico no Brasil, em suas mais distintas formas. Nas escolas, essa realidade não é diferente, sendo o bullying uma das expressões de violência que mais têm chamado a atenção nos últimos anos. Este artigo descreve e analisa a frequência e a intensidade de ocorrência de práticas de bullying em escolas do ensino básico do Estado de São Paulo e explora, por meio de modelos de regressão logística, a associação entre o bullying e as características contextuais e o desempenho acadêmico dos alunos. Para isso, utiliza dados do questionário de fatores contextuais e dos testes de Língua Portuguesa e Matemática aplicados aos alunos na edição de 2009 do Sistema de Avaliação de Rendimento do Estado de São Paulo. O trabalho aponta a existência de um número considerável de vítimas de práticas intensas de bullying no Estado de São Paulo e identifica um conjunto de características dos alunos, que estão fortemente associadas a uma maior vulnerabilidade a essas práticas.
Compreender e avaliar a dimensão que tomam os mecanismos psicológicos atuantes em ações de uma violência específica como o bullying pode contribuir para a discussão das intervenções educacionais que promovam a formação moral desejada pelas instituições de ensino. A pesquisa atual objetivou relacionar tal forma de violência chamada bullying às representações de si e ainda às formas pelas quais os sujeitos se autorregulam em situações hipotéticas que apresentem o problema, constatando assim seus engajamentos ou desengajamentos morais. Os procedimentos realizados para verificar a presença dessas relações apontam que sujeitos cujas representações de si são individualistas também se apresentam mais desengajados moralmente e mais propensos a serem autores em situações de bullying, mostrando assim que mais do que um problema social, as questões de convivência devem ser tratadas do ponto de vista moral.
O objetivo deste trabalho é investigar os juízos a respeito da virtude generosidade ou justiça de professores da educação infantil e compará-los com os das crianças. Foram entrevistados 26 professores e 90 crianças de 4, 5 e 6 anos de idade desse nível de ensino. O instrumento utilizado foi um dilema moral em que a protagonista da história teria de optar entre dar um prêmio para a criança que fez o desenho mais bonito (justiça) ou para a criança que estava triste (generosidade). Os resultados indicam que a justiça é a virtude mais valorizada pelas professoras e que já é valorizada pelas crianças, podendo ser uma necessidade para elas. E a generosidade é mais valorizada pelas crianças do que pelas professoras.
O objetivo deste artigo é apresentar os resultados de uma pesquisa sobre o efeito-professorÐ no desempenho acadêmico de alunos do Curso Técnico em Segurança Pública da Polícia Militar de Minas Gerais, cujo alvo é formar soldados, ou seja, os profissionais que se encontram na base da atuação policial. Os dados foram organizados segundo as notas dos alunos nas diferentes disciplinas, por turma. Foram agrupadas as turmas com o mesmo professor para a mesma disciplina. Comparadas posteriormente, foi possível evidenciar o efeito-professor analisando-se o coeficiente de variação da média e do desvio-padrão das notas finais das turmas para cada disciplina. Com base na identificação de disciplinas com maior coeficiente de variação, partiu-se para a análise de regressão linear múltipla, o que nos permitiu a verificação direta da existência do efeito-professor, sendo possível saber qual deles teria feito diferença no desempenho de seus alunos.
O Programa Bolsa Família objetiva a transferência de renda condicionada do governo federal que vincula o recebimento do benefício à frequência escolar mínima de crianças e jovens (6-17 anos). O artigo analisa os efeitos dessa condicionalidade nos indicadores escolares em população de beneficiários residentes em Campinas (SP), tomando por base informações do Censo 2010 e comparando indicadores educacionais do grupo de beneficiários do programa e de um grupo de controle. Os resultados mostram que a condicionalidade relacionada à educação é positiva no incremento da frequência escolar dos beneficiários e em termos da adequação idade/curso. Verifica-se, ao término do período de frequência escolar exigido pelo programa, queda abrupta nos números relativos à frequência e adequação idade/curso entre os beneficiários. Ao final, são apresentados desafios suscitados pelos dados relativos a um dos objetivos do programa: combater a transmissão intergeracional da pobreza com a frequência escolar.
Este artigo tem como objetivo apresentar e discutir os principais resultados de uma pesquisa que buscou compreender o processo de formação docente de alunos de Pedagogia participantes do Programa Bolsa Alfabetização. Para tal, buscou-se analisar como esses alunos reconfiguram o agir do professor-regente nos/pelos relatos reflexivos que eles produzem no âmbito do programa. Os pressupostos teórico-metodológicos que orientam as análises são do interacionismo sociodiscursivo. Os resultados apontam a necessidade de ampliação da formação do alfabetizador para os estudos de didática das línguas, que aborda a análise das práticas de sala de aula privilegiando as formas de adequação do ensino às capacidades dos alunos, às interações, às tarefas realizadas, aos objetos efetivamente ensinados na aula, e às ferramentas/instrumentos de ensino.
O bullying é um fenômeno que tem despertado interesse educacional e social e uma definição precisa para identificar seus componentes. O uso de autoinformes e heteroinformes é a forma predominante de avaliação, mas existem outras. A constatação das relações de maus-tratos nos espaços virtuais torna necessária a exploração desses cenários para medir suas peculiaridades, o impacto emocional que ocasionam e os valores que acabam colocando em jogo. A avaliação precisa levar em consideração o peso dos componentes que interagem nas dinâmicas individuais e grupais e que fazem surgir, manter e/ou mudar ou eliminar as condutas de assédio. Temos exigido uma mudança nesse sentido para melhorar a intervenção. A funcionalidade da avaliação do bullying consiste não só na explicação externa ou contextual da frequência e do modo como acontece, mas também na identificação das raízes que o fundamentam e o motivam. Assim, não erraremos o objeto educativo da intervenção.
A finalidade deste estudo é avaliar o efeito do plano de amostragem por conglomerados na estimação do coeficiente H que desempenha papel importante tanto na construção quanto na avaliação de uma Escala de Mokken. Para tal, considerou-se a população de referência formada pelos alunos que frequentavam o 9° ano do Ensino Fundamental, na rede pública, em área urbana do estado do Rio de Janeiro que participaram da Prova Brasil 2007. As respostas a um conjunto de 10 itens dicotomizados que mensuram o capital econômico da família dos alunos foram usadas no cálculo de H. Foram selecionadas 2.000 amostras independentes dessa população de referência sob dois planos amostrais: amostragem por conglomerados em único estágio e amostragem aleatória simples. O estudo aponta o efeito significativo da amostragem por conglomerados na estimação do coeficiente H.
A investigação sobre aprendizagem tem incorporado medidas relacionadas com programas educacionais, gestão escolar e formação de professores, incluídas parcerias entre gestores públicos e instituições não governamentais, como é o caso do Programa Multicurso Matemática da Fundação Roberto Marinho. Para conhecer a contribuição do Programa, contou-se com avaliação externa que compreendeu: diagnóstico inicial, processo e resultados. Desenvolveu-se uma aná- lise a partir de observações dos atores envolvidos, questionários contextuais e verificação da proficiência dos alunos em Matemática. A proficiência foi estimada utilizando-se a Teoria de Resposta ao Item Paramétrica, compatibilizando escalas com o Sistema de Avaliação da Educação Básica. Observou-se progresso nas médias de proficiência, mudanças nas perspectivas metodológicas dos professores, na dinâmica de planejamento e na reflexão sobre práticas escolares.
O objetivo desta pesquisa é identificar e compreender, com base em um estudo comparativo entre o estágio proposto pelo Programa Bolsa Alfabetização e os estágios supervisionados do curso de Pedagogia, aspectos que favoreçam a construção de uma relação mais adequada entre universidades e escolas públicas. Diante da perspectiva de conhecer esses elementos, optou-se pela análise do conteúdo de entrevistas. Com o estudo da problemática proposta, discute-se o conceito de estágio no curso de Pedagogia e apontam-se elementos para o estabelecimento de canais de comunicação mais eficazes entre a universidade e a escola de educação básica.
A revisão de literatura no campo das políticas públicas e, particularmente, no que diz respeito às políticas educacionais, indica a necessidade de aprofundamento do debate em torno de aspectos teóricos e metodológicos presentes na produção de pesquisas. Assim, este artigo discute, primeiramente, questões sinalizadas por estudiosos sobre origens e problemas na construção do campo disciplinar das políticas públicas para em seguida apontar elementos convergentes em balanços de literatura realizados por pesquisadores da educação, que há algum tempo assinalam fragilidades e potencialidades de estudos nessa área do conhecimento. Finalmente, discute-se que parte das pesquisas não consegue superar, ainda, o dilema da ausência de articulação entre as diferentes dimensões que compõem a análise das políticas educacionais.
O trabalho apresenta um recorte do processo de autoavaliação institucional de uma universidade confessional e comunitária que teve como sujeitos os membros do corpo técnico-administrativo. O objetivo é valorizar esse segmento, promovendo o conhecimento sobre ele e destacando o entrelaçamento entre as dimensões pedagógica e política da autoavaliação institucional. Aqui são resumidos os procedimentos metodológicos adotados e os resultados da consulta de caráter quanti-qualitativo que teve a participação voluntária de 79% dos funcionários técnico-administrativos. Na avaliação realizada, os funcionários mostraram compreender a natureza de seu local de trabalho, mas privilegiaram itens relativos à carreira, gestão e clima organizacionais.
Objetivou-se neste trabalho mapear os gêneros discursivos que constituíram o teste do 5º ano do Saeb e da Prova Brasil, de 2007, para analisar se o privilégio de determinados gêneros discursivos em detrimento de outros pode contribuir para a reprodução e manutenção de relações assimétricas de poder. Assim, para tratar dos conceitos de gênero discursivo e análise do discurso crítica, postulados básicos que orientam este trabalho, foram utilizadas as reflexões de Bakhtin, Marcuschi, Fairclough, Resende e Ramalho e Thompson. Para a coleta e análise dos dados, foi adotada a abordagem qualitativa recorrendo-se à análise documental. Os resultados da pesquisa mostraram que os gêneros mais recorrentes foram o conto e a história em quadrinhos, que pertencem a um mesmo domínio discursivo, o ficcional. Desta forma, ao priorizar alguns gêneros essa avaliação pode contribuir para que concepções hegemônicas sejam reproduzidas e mantidas, à medida que legitima determinados gêneros e, consequentemente, os discursos produzidos por eles.
Este estudo tem como objetivo estimar as propriedades da Escala de percepção de professores dos comportamentos agressivos de crianças na escola. A pesquisa foi realizada em uma instituição socioeducativa em duas fases. Na primeira, participaram diferentes educadoras que preencheram a escala quanto a cada criança e adolescente que frequentava a instituição (N=100). Na segunda, as crianças e os adolescentes com as maiores ou as menores pontuações na escala supracitada (n=60) responderam à Children’s Action Tendency Scale, que investiga estratégias de resolução de conflitos. Os resultados demonstraram a adequada confiabilidade da escala de percepção. No entanto, indicaram que a avaliação das educadoras não correspondeu à forma como as crianças e adolescentes julgaram os conflitos hipotéticos, uma vez que os meninos foram avaliados como mais agressivos que as meninas na escala de percepção.