Na educação, as políticas de responsabilização costumam gerar polêmica, sobretudo quando fundamentadas em medidas que criam consequências significativas para os professores e suas escolas. Em existência no Brasil por mais de uma década, o pagamento de bonificação anual à equipe escolar com base no nível de desempenho médio dos alunos em avaliações externas é o exemplo mais difundido no nosso meio de política de responsabilização high stakes. Entre as diversas críticas ao uso desse tipo de incentivo, encontra-se o temor que a política leve a desigualdades sistêmicas ainda maiores por incentivar os melhores professores a procurarem as escolas com alunos de nível socioeconômico mais alto. O artigo mostra que as consequências das políticas de incentivos dependem do seu desenho, e que com metodologias apropriadas é possível combater as desigualdades sociais do sistema.
O artigo procura desvelar concepções e valores envolvidos no ato de avaliar e sua interface com a ideia de medida, tomando como referência alguns estudos disponíveis na literatura educacional sobre a Teoria da Resposta ao Item, a fim de verificar suas potencialidades e limites. Investigou-se a Teoria da Resposta ao Item sob o prisma de três relevantes pressupostos epistemológicos do modelo: unidimensionalidade, independência local e qualidade e adequação dos itens. Algumas questões podem ser levantadas com base nesta análise dos postulados: “Como garantir a unidimensionalidade quando todo comportamento humano é altamente complexo e multideterminado?”; “E elaborar questões de provas totalmente independentes?”; “É possível construir e manter um banco de itens calibrados e adequados?”. Esses são importantes desafios para a concretização da teoria e a confiabilidade.
O trabalho de investigação que desenvolvemos centrou-se nas representações sociais dos valores dos estudantes universitários em Portugal. Para testar a questão da tolerância vs discriminação, especialmente o traço de discriminação flagrante, colocamos os estudantes perante uma listagem de indivíduos pertencentes a grupos minoritários que, por caraterísticas diversas, poderiam ser alvo de intolerância e ostracismo social, e perguntámos quais destes indivíduos os universitários não queriam como vizinhos. Adicionalmente, inquirimos quais os comportamentos e atitudes sociais os jovens consideravam condenáveis ou aceitáveis. Procurámos também medir as percepções dos estudantes quanto à aceitação ou não aceitação desses comportamentos pela sociedade. Comparamos de seguida os dados obtidos com os recolhidos pelo European Values Survey (2008) junto de uma amostra representativa da população portuguesa e procuramos captar divergências e convergências.
Promover a educação requer a garantia de um ambiente com condições para que a aprendizagem possa ocorrer. É importante proporcionar um ambiente físico, aqui denominado infraestrutura escolar, que estimule e viabilize o aprendizado, além de favorecer as interações humanas. Este artigo apresenta uma escala de infraestrutura escolar que foi construída utilizando como ferramenta a Teoria de Resposta ao Item e baseando-se em informações referentes às escolas obtidas no Censo Escolar da Educação Básica 2011. Foram estabelecidas quatro categorias: Elementar, Básica, Adequada e Avançada. Com base na escala, foi feita uma análise comparativa da infraestrutura escolar por região do país e por dependência administrativa. Acreditamos que os resultados obtidos podem ser úteis para orientar as políticas públicas de educação e para fundamentar estudos futuros sobre o impacto das condições materiais das escolas na qualidade do ensino.
Na educação a distância (EaD), a avaliação precisa ainda enfrentar outros desafios, além daqueles normalmente encontrados no processo de ensino-aprendizagem, devido às características peculiares dessa modalidade. Neste trabalho, são comparados os instrumentos de avaliação utilizados na EaD com aqueles empregados na presencial, por meio de questionários distribuídos pelas redes sociais e por contatos pessoais. Foi feita uma breve revisão da literatura sobre avaliação educacional, educação a distância e avaliação na educação a distância. Observou-se que alguns instrumentos usados na área são inovadores, entretanto ainda é significativa a presença dos mais tradicionais. Grande parte dos pesquisados acredita que a avaliação na EaD contribui para o aprendizado significativo dos estudantes e que a obrigatoriedade da avaliação presencial prevista na lei brasileira colabora para dar maior credibilidade ao curso.
O artigo inicia-se com a perspectiva do acompanhamento longitudinal da evolução da aprendizagem dos alunos através do Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do Estado do Ceará (Spaece), aplicada anualmente a todos os alunos do Ensino Médio (EM). Como metodologia, foi adotado o estudo longitudinal amostral dos resultados do Spaece no período 2008-2009, quando em 2008 foram utilizadas as médias de proficiência de Língua Portuguesa e Matemática do 1º ano do EM e em 2009, as médias do 2º ano do EM. Na oportunidade, são apresentadas as habilidades que os alunos dominam e/ou deveriam dominar nas disciplinas avaliadas, bem como o crescimento longitudinal de uma série para outra e o necessário para o 3º ano do EM no ano 2010, para que este aluno conclua o ano no nível desejado; gráficos com a evolução do percentual de acertos nos descritores avaliados no período em estudo. Após análise, verifica-se quanto os professores precisam se apropriar destes resultados e utilizá-los como ferramenta pedagógica para nortear ações estratégicas eficazes em sua prática docente.
Ao objetivo deste trabalho é mostrar a aplicação da metodologia descrita por meio de macro do SAS®, usando as provas do Saeb 2005 aplicadas a estudantes da 3ª série do ensino médio. Além da análise dos dados do Saeb, foi utilizado um conjunto de dados simulado a partir de duas provas com graus de dificuldade diferentes. Observou-se, principalmente no estudo de simulação, que os resultados obtidos pelo escore podem gerar conclusões erradas a respeito do item.
Esse trabalho analisou os resultados do Programa de Avaliação da Alfabetização nos anos de 2006 e 2010 e a evolução das desigualdades regionais entre escolas e entre os alunos da rede pública de Minas Gerais. Seus resultados indicam que no período estudado os alunos aumentaram consideravelmente sua alfabetização. Porém esse resultado representa uma média das proficiências dos estudantes e não leva em conta como estes se distribuem, deixando de lado, portanto, as desigualdades entre as regiões, as escolas e os próprios alunos. Com o objetivo de apontar tais diferenças, este trabalho analisou a evolução dos níveis de proficiência entre as regiões, entre os estudantes e entre as escolas. Os resultados demonstraram que ocorreu uma diminuição da desigualdade entre as regiões de Minas e entre os alunos, mas a diferença entre as escolas aumentou.
Este artigo tem por objetivo explorar relações entre qualidade do Ensino Público no Fundamental II, a partir do Ideb 2009, e características dos municípios. Sua finalidade principal consiste em apreender tanto regularidades que marcam as desigualdades regionais e educacionais quanto os casos que rompem com essas regularidades. A análise indica três importantes resultados: (i) que as metrópoles apresentam indicadores negativos, o que reforça a hipótese de um efeito-metrópole sobre as desigualdades educacionais; (ii) que, no Nordeste, os resultados mais críticos parecem se concentrar na faixa litorânea e (iii) os municípios de alguns estados do Nordeste, especialmente os do Ceará, fogem ao padrão negativo da região, o que exige estudos aprofundados para compreensão de seus condicionantes socioeducacionais.
O presente texto apresenta uma reflexão sobre as possibilidades de efetivação da avaliação formativa, nos programas online de formação continuada de educadores. Para tanto, inicia com a tematização de conceitos relativos às abordagens de avaliação de aprendizagem, situando-as como decorrentes das diversas concepções de conhecimento. Prossegue, caracterizando a avaliação formativa e considerando sobre os dispositivos dos ambientes virtuais de aprendizagem que podem contribuir com a efetivação da avaliação formativa, no âmbito dos programas online de formação continuada de educadores. Finaliza, com a advertência de que, embora os dispositivos dos ambientes de rede ofereçam recursos para que se efetive a avaliação formativa, estas interfaces não se consubstanciam como elementos definidores da abordagem de avaliação da aprendizagem, nos programas online de formação continuada de educadores, mas sim a concepção educacional que os sustenta.
Este estudo, cujo objeto é o programa de formação continuada Letra e Vida, oferecido pela Secretaria Estadual de Educação de São Paulo a professores alfabetizadores entre 2003 e 2006, avaliou os impactos do Programa nos resultados de desempenho dos alunos de 1ª série em 2007, mensurados pelo Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo e nas concepções e práticas de alfabetização dos professores que dele participaram. Para o desenvolvimento do trabalho, aplicou-se o método misto, no qual se combinaram dados quantitativos e qualitativos. As análises estatísticas do estudo original contemplaram a triangulação dos resultados das análises de regressão linear múltipla, realizadas com base na comparação dos resultados de alunos de escolas com diferentes proporções de professores que participaram do curso, e de estudos baseados em árvores de decisão.
Analisar características de iniciativas de avaliação que vêm sendo implementadas, em redes municipais de ensino paulistas, é o objetivo deste artigo. Apresentam-se informações coletadas de catorze municípios por meio de entrevistas com os profissionais das Secretarias de Educação e de documentos produzidos pelas redes sobre seus sistemas de avaliação. Buscou-se identificar possíveis usos dos resultados das avaliações para a formulação e a implementação das políticas educacionais municipais e eventuais relações ou articulações com as avaliações conduzidas pelo governo federal. Evidenciou-se a tendência de adoção da avaliação, nos moldes conduzidos pelo governo federal; e identificou-se o uso do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica como um fator indutor de maior atenção aos resultados de desempenho de alunos.
Este estudo apresenta as principais modalidades de avaliação e características do professor construtivista. É discutida a importância da avaliação para orientação e planejamento do ensino e aponta a responsabilidade dos professores como avaliadores. Os principais objetivos são: identificar as concepções de professores sobre a avaliação e se essas estão sendo desenvolvidas dentro da proposta construtivista, além de diagnosticar as ideias dos alunos a respeito da avaliação. Para isso, foram aplicados, a professores e alunos, questionários que identificaram as principais ideias dos alunos sobre avaliação e verificaram que a maior parte dos professores trabalha dentro da perspectiva construtivista, mesmo sem muitos conhecimentos sobre avaliação.
A teoria de avaliação institucional vem sendo bastante estudada e sua acelerada vulgarização não tem sido acompanhada por análises críticas que captem seu significado. Regra geral é aceita e aplicada sem a apreensão e interpretação dos aspectos e valores difundidos, acabando por embasar políticas públicas de avaliação das instituições de educação superior no Brasil. O presente estudo é um esforço inicial de analisá-la criticamente; para tanto recorremos ao método da economia política, desenvolvido inicialmente por Karl Marx.
Estudos apontam que as revistas Estudos em Avaliação Educacional, editada pela Fundação Carlos Chagas, e Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação, pela Fundação Cesgranrio, constituem, no Brasil, referências fundamentais para disseminar a produção do conhecimento específico da área da avaliação da educação básica. Este trabalho objetiva mapear a produção científica publicada pela Fundação Carlos Chagas, no período desde sua criação em 1990 até 2010, isto é, 20 anos de existência. Inserida nos estudos do chamado estado da arte, soma-se aos esforços dos pesquisadores brasileiros para compreender o desenvolvimento do conhecimento científico sobre avaliação educacional. Além do mapeamento da produção científica, traça-se o perfil da revista em questão, sinalizando para o distanciamento das discussões de caráter político-ideológico da avaliação.
Este artigo apresenta as principais discussões e resultados de um projeto desenvolvido entre 2006 e 2008, sobre avaliação institucional em escola pública. Utilizando-se de um mecanismo próprio de avaliação longitudinal, construído especialmente para os fins do projeto, o trabalho mostra como é possível utilizar-se desse recurso para o conhecimento mais amplo dos problemas educacionais e escolares potencializando suas soluções. O texto ainda discute o Índice de Crescimento da Aprendizagem (ICA), um indicador muito útil no dimensionamento da evolução da aprendizagem estudantil, tornando evidente que seu uso, cotejado a medidas de contexto, pode auxiliar a compreender de maneira ainda mais profunda as causas dos problemas estudantis.
A ênfase em avaliação educacional tem sido a tônica das políticas educacionais contemporâneas, com vistas a subsidiar ações de planejamento e monitoramento dos sistemas educacionais. Em sintonia com esse movimento, a partir de 2007, o Ceará intensificou esforços e investimentos na ampliação do Spaece, que passou a ser realizado anualmente de forma censitária e universal. Com efeito, a realização deste ensaio objetiva analisar a política de avaliação educacional implementada pelo Estado no período de 2007 a 2010, as principais ações desenvolvidas, os resultados produzidos, a forma de comunicação e utilização de tal política. Os resultados revelam uma tendência de melhoria no desempenho dos alunos em todas as séries e disciplinas avaliadas, mostrando-se mais acentuada nos anos iniciais, ou seja, nos 2º e 5º anos, e com menor intensidade nos anos finais.
O objetivo deste trabalho é apresentar uma revisão de estudos sobre as concepções de avaliação de alunos universitários brasileiros, divididos em quatro grupos, segundo os quais a avaliação: 1) melhora o ensino e a aprendizagem; 2) tem um impacto emocionalmente positivo nos alunos; 3) é irrelevante porque é injusta ou ruim; e 4) torna os alunos responsáveis. Dentre os principais resultados destacam-se: uma gama extensa de concepções de avaliação nas experiências e pensamentos de universitários brasileiros, incluindo a consciência de responsabilização do aluno e da escola, melhora e irrelevância; a concepção dominante parece ser uma reação emocional negativa (irrelevância) com relação à responsabilização do aluno.
Este trabalho trata de uma pesquisa que propõe a construção de um corpus de escrita infantil, composto de dados da Avaliação Diagnóstica da Alfabetização no Estado do Espírito Santo - Paebes Alfa. Trata-se de uma avaliação sistêmica e em larga escala, da avaliação na área de alfabetização, leitura e escrita, de caráter longitudinal, aplicada a alunos dos três primeiros anos do ensino fundamental, em duas edições por ano (avaliações de Entrada e Saída), ao longo do período de 2008-2011. Os dados que comporão o corpus citado se referem às aplicações de 2010 e 2011. Também, esses dados são relativos a quatro tipos de itens de escrita do Paebes Alfa, os quais focalizam habilidades de uso da página; escrita de palavras; escrita de frases; escrita de textos. Essa pesquisa pretende contribuir, de forma significativa, para a compreensão do papel de itens de escrita em avaliações externas à escola, bem como para um maior entendimento sobre o processo de aquisição da escrita. Por meio da construção do corpus, poderão ser investigados aspectos dessa aquisição, como os percursos empreendidos pelos alunos em relação à escrita de palavras e o domínio de habilidades de uso da página.
Este artigo discute os fatores que interferem na institucionalização da avaliação da educação superior como um campo de forças. Analisa, também, o documento oficial que serviu de base para que as Instituições de Ensino Superior (IES) deflagrassem o processo de implementação da avaliação institucional proposta pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes). Por meio de uma pesquisa de campo, realizada em duas IES do Estado de Minas Gerais, envolvendo dirigentes, docentes e discentes, buscou-se compreender o processo de construção, execução e utilização dos resultados da autoavaliação institucional AAI pela comunidade acadêmica. Nesse artigo o foco será em relação à avaliação docente, destacando que alguns aspectos relativos à docência estão sendo alterados após o resultado da AAI. Podemos concluir que, na IES privada, os resultados da AAI impactuam de forma mais incisiva no aspecto relacionamento professor X aluno e, na IES pública, o impacto foi na alteração da condução da aula.