O presente trabalho analisa a queda no desempenho escolar das crianças brasileiras observada no Saeb (1995-1999). Avalia-se a hipótese de que esse pior desempenho esteja associado à mudança do perfil das crianças avaliadas, em virtude da redução nas taxas de repetência e evasão escolar, também observadas no período. O argumento defendido no presente artigo é que a forma mais apropriada para avaliar mudanças na qualidade das oportunidades educacionais oferecidas pelo sistema seria comparar diferentes gerações, ao invés de comparar o desempenho de determinadas séries em anos distintos. Quando esse procedimento é realizado, observa-se que o desempenho escolar vem melhorando entre gerações sucessivas.
A proposta da ABAVE A ABAVE é um espaço plural e democrático para o intercâmbio de experiências entre os acadêmicos e os implementadores da avaliação educacional. O que justifica a sua criação é o crescimento, nos últimos anos, do número de pessoas que lidam com a avaliação e que começam a vê-la como seu campo de atuação profissional, seja como pesquisadores ou como responsáveis pela condução das políticas de avaliação nos sistemas educacionais. Mais importante ainda, observa-se a disposição destes dois grupos de se relacionarem entre si para aprender e maximizar o potencial dos seus trabalhos a favor da melhoria da educação.
O presente texto examina problemas ligados às avaliações que abrangem um grande número de sujeitos, fazendo, inicialmente, uma discussão das várias maneiras de acesso ao ensino superior. A seguir, as avaliações sistêmicas, iniciadas na década de 90, merecem detalhadas considerações sobre questões relacionadas à análise dos dados e às metodologias estatísticas empregadas. A avaliação do SAEB - Sistema de Avaliação do Ensino Básico - é vista em toda a sua amplitude, inclusive no referente à validade conseqüencial. Para a avaliação do ENEM - Exame Nacional do Ensino Médio -, após ser examinada em relação à ausência da validade de construto, o presente trabalho oferece propostas alternativas para esse exame. Ao examinar o ENC - Exame Nacional de Cursos, o chamado “PROVÃO”, o presente texto detém-se na questão da validade de conteúdo e faz restrições ao uso da curva normal na apresentação dos resultados. Ao final, é examinado o significado da auto-avaliação e da avaliação externa.
O artigo oferece reflexões sobre aspectos da avaliação educacional e procura estimular diferentes pensares sobre a definição de uma política de avaliação do sistema educacional brasileiro. Destaca, inicialmente, a relação entre avaliação e planejamento escolar; associa a idéia de avaliação a uma efetiva política de ação e procura estimular estudos sobre as possibilidades dos testes referenciados a critério. O trabalho chama a atenção para a influência da diversidade socioeconômica e cultural nas avaliações e mostra o significado da avaliação na tomada de decisões. A questão da disseminação dos resultados é vista como ponto fundamental no impacto da avaliação sobre os sistemas educacionais. Outros aspectos relacionados à temática geral sobre “padrões e avaliação” são igualmente considerados.
O objetivo do trabalho é a investigação de desigualdade relacionada a gênero no desempenho em Matemática ao final do ensino médio brasileiro. Para isso, utilizam-se dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica - SAEB - coletados em 1999. A partir do ajuste de modelos hierárquicos lineares, identifica-se que rapazes apresentaram desempenho superior ao de moças que estudam nas mesmas escolas, em análise controlada por repetência, nível socioeconômico e trabalho simultâneo ao estudo. O resultado indica, ainda, que a diferença de desempenho relacionada com gênero varia entre escolas e que nas escolas em que o nível socioeconômico do corpo discente é mais alto e nas de bom clima acadêmico a diferença é bastante pequena, acontecendo o oposto nas escolas em que o corpo discente tem nível socioeconômico baixo e clima acadêmico desfavorável.
Em geral os sistemas de avaliação educacional mantêm um mesmo objetivo prioritário de encontrar mecanismos para melhorar a qualidade do ensino oferecido à sociedade. Além de identificar resultados da aprendizagem dos alunos, avalia-se o conjunto do sistema educacional. Dentro desse contexto o Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública (Simave) foi instituído pela Secretaria de Estado de Educação no ano de 2000. Os dados do contexto escolar mineiro que são disponibilizados pelo Simave-2002 estão agrupados hierarquicamente, ou seja, os alunos estão agrupados em turmas, que se agrupam em escolas. O presente estudo empregou modelos hierárquicos (multinível) com o objetivo de avaliar o impacto que características do professor e do ambiente em sala de aula apresentam sobre a proficiência dos alunos das 4ª séries do Ensino Fundamental que fizeram os testes de Língua Portuguesa do Simave-2002. Buscando investigar os fatores que atuam na diferenciação entre as proficiências dos alunos foram considerados os modelos com os níveis de hierarquia: aluno (nível 1) e turma (nível 2). Foi encontrada explicação para uma grande proporção da variação dos escores alcançados pelos alunos quando aspectos relativos à sala de aula são considerados na modelagem.
Este artigo relata o breve estudo que teve como objetivos, inicialmente, analisar as relações entre avaliação e aprendizagem dos conteúdos sistemáticos propostos pela escola, identificando como a forma de avaliar e/ou os procedimentos de avaliação podem influenciar no processo de desenvolvimento e aprendizagem dos alunos avaliados. Posteriormente buscou-se analisar as modalidades de avaliação implementadas no Ensino Fundamental no contexto dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs, explicitando a sua contribuição para o desenvolvimento da autonomia do sujeito. A investigação foi realizada em quatro escolas públicas do município do Rio de Janeiro e teve como principais conclusões que há um empenho indiscutível da direção para o êxito das atividades que são desenvolvidas com seriedade e respeito pela equipe de professores e embora se observe, em diferentes momentos, os entraves para a realização das propostas oficiais, já se pode reconhecer que novos rumos para o processo de avaliar se instituem progressivamente.
O presente trabalho tem por objetivo refletir sobre o sentido da avaliação, a partir de uma experiência sobre o uso de portfólio no ensino superior como uma alternativa de avaliação do processo de aprendizagem. Esta prática avaliativa deu-se junto às turmas de 1º Período de Odontologia, matriculadas na disciplina de metodologia científica, na Universidade Estácio de Sá (Rio de Janeiro), entre 2001 e 2003, envolvendo 150 alunos, em encontros semanais de 4h/a, totalizando uma carga horária de 80h/a no semestre letivo. Os resultados demonstram a apropriação das múltiplas linguagens, além da científica, própria da disciplina; a adequação da prática de leitura, escrita e pesquisa envolvendo estratégias de revisão e reflexão sobre as atividades; o constante e permanente diálogo entre o professor e aluno, aluno/aluno; a dificuldade de o estudante elaborar o portfólio demonstrativo, nitidamente reflexivo; ênfase no processo de aprender e não no resultado. Conclui-se que alguns entraves precisam ser vencidos: a mudança da concepção de avaliação como quantificação que permeia o pensamento dos alunos e professores e a inserção de outras disciplinas que possam compartilhar desta prática para a assunção de um novo lugar para a avaliação, no contexto acadêmico.
O presente artigo discute a avaliação educacional como uma das formas de acompanhamento das atividades do aluno com o objetivo de promover a sua progressão. A autora procura suprir deficiências apresentadas nos cursos de formação de professores e mostra a importância da avaliação para fins de orientação, planejamento e replanejamento do ensino, ressaltando, por outro lado, a integração da avaliação no ensino e sua importância na apreciação das diversas aprendizagens e do autodesenvolvimento dos alunos. Aponta a responsabilidade dos professores como avaliadores, ressalta a avaliação em processo e, no final, faz novas considerações sobre a relação ensino/avaliação.
Descreve-se o referencial teórico que baseou a definição dos questionários contextuais do Saeb 2001. Explicita-se a literatura considerada particularmente relevante, especificam-se os construtos privilegiados e mapeia-se o modo pelo qual os construtos privilegiados se relacionam com os itens dos questionários. Justifica-se a relevância da existência de referencial teórico tanto sob o ponto de vista da qualidade das medidas do Saeb 2001 quanto das possibilidades que se abrem para o contínuo aprimoramento dos questionários contextuais.
O projeto político-pedagógico é um dos instrumentos adotados nos esforços que visam a construção de uma nova escola pública brasileira. O projeto político-pedagógico, porém, constitui-se em uma novidade, inserida em um sistema com estrutura, processos e cultura seculares. São indispensáveis, portanto, esforços para a verificação de seus resultados concretos, como meio para a avaliação da sua capacidade de concorrer para a operação de mudanças efetivas nesse sistema. Uma investigação acadêmica realizada em 2002 em Brasília buscou esse objetivo. O presente artigo enfoca pontos da avaliação feita pelos alunos sobre a ocorrência de mudanças em suas escolas, em período posterior à implantação de seus respectivos projetos político-pedagógicos. Sobressaiu-se a capacidade do aluno em ter uma participação ativa e crítica no universo escolar, indicativa da eficácia dos projetos político-pedagógicos para contribuir com a democratização e a melhoria do desempenho e das relações nas unidades investigadas.
O texto apresenta resultados parciais de uma pesquisa que está sendo conduzida no Curso de Pedagogia para professores em exercício no início de escolarização (PIE), oferecido pela Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), em convênio com a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal. Esse curso atende, durante o ano de 2003, a 2000 professores que têm apenas o Curso de Magistério, em nível médio. Como todos os alunos do curso são também professores em exercício, optou-se pela adoção do portfólio para que eles vivenciem uma prática avaliativa que possa romper com a avaliação classificatória, seletiva e excludente e possam praticá-la com seus próprios alunos. Discutem-se as percepções dos mediadores sobre as reações dos professores-alunos quanto ao uso do portfólio, coletadas por meio da aplicação de um questionário. Apresentam-se, ao final do texto, sinalizações ainda provisórias e conclui-se que, para que o portfólio cumpra o objetivo de promover a aprendizagem do professor-aluno do PIE por meio da construção, reflexão, criatividade, parceria, auto-avaliação e autonomia, deve inserir-se no trabalho pedagógico que considere estes mesmos princípios.
Este trabalho tem por objetivo analisar a prática docente e os processos de avaliação escolar construídos pelos professores, tendo em vista a implementação da avaliação formativa. Para tanto, definiu-se como locus da pesquisa duas escolas de ensino fundamental, de 3º ciclo de formação da Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte. Essas escolas, desde 1996, assumiram o Projeto Político-Pedagógico Escola Plural, que se fundamenta numa política democrática inclusiva. A abordagem metodológica adotada caracteriza-se pelo estudo de caso, envolvendo observação participante, entrevistas semi-estruturadas, questionários, análise de documentos e realização de grupo focal. A conclusão do trabalho identificou novas práticas de avaliação de princípios formativos em processo de construção e ressaltou a formação, no cotidiano da escola, como espaço-tempo favorável ao trabalho coletivo, ao exercício da reflexão crítica da e sobre a prática docente de avaliação numa perspectiva de transformação da escola, tornando-a mais inclusiva.
Na maioria dos países, as leis sobre ensino obrigatório e trabalho do menor refletem a idéia de que o estudo e a participação econômica da criança são incompatíveis e que, portanto, as crianças em idade escolar devem ser obrigadas a freqüentar a escola e proibidas de trabalhar. No entanto, uma política diferente, que busca conciliar trabalho infantil com a educação, de forma que as crianças possam acomodar ambos em sua vida, pode, em última análise, ser mais benéfica a elas e à sociedade. O fato de haver, na prática, vários modelos para se combinar educação com trabalho sugere que essa política pode ser implementada com sucesso.
A autora registra que este texto foi motivado por um convite que lhe foi feito para participar de um Seminário de Avaliação da Pós-Graduação na USP, em dezembro de 2001, com o objetivo de debater a sistemática de auto-avaliação, em desenvolvimento, no Programa de Pós-Graduação em Educação (Currículo) da PUC/SP. A auto-avaliação, como é aqui proposta, reaparece no bojo do debate que se instalou na última década e que coloca a área de Educação frente ao dilema de “ajustar-se ao figurino” da CAPES, atendendo aos critérios das "áreas duras”, ou resistir ao modelo vigente de avaliação, procurando novas formas de organização que descortinem caminhos mais significativos e legítimos para os Programas de Pós-Graduação. Esta sistemática é apresentada como uma prática valiosa, viável, sobretudo porque se insere no cotidiano do Programa e está sendo re-significada coletivamente pelos professores e alunos deste Programa de Pós-Graduação. Tal modalidade de avaliação, compõe, ao lado da avaliação externa, um modelo interessante onde os professores e alunos assumem solidariamente a reflexão sobre as suas práticas de ensino e pesquisa, visando ao aperfeiçoamento do Programa de Pós-Graduação. O texto apresenta os fundamentos teórico-metodológicos da atual sistemática de auto-avaliação deste Programa, a partir de respostas às questões: “Como entender o processo de avaliação?” “Por que auto-avaliação?” “O que avaliar?” “Quem avalia?” e “Como avaliar?” O último tópico do artigo relata o percurso desta experiência que está sendo construída e vivenciada neste Programa de Pós-Graduação.
Este trabalho é o resultado de re-leitura dos 31 relatórios parciais que compõem ampla pesquisa realizada pelo GAME - Grupo de Avaliação e Medidas Educacionais - da Faculdade de Educação da UFMG, durante o ano de 1999 na rede municipal de Belo Horizonte, onde se desenvolve o Projeto Escola Plural. O objetivo principal da re-leitura foi identificar as repercussões das atuais políticas públicas de avaliação nas práticas pedagógicas e processos avaliativos das escolas municipais. O trabalho traz à tona o "pretendido" e o "realizado", evidenciando os desencontros das políticas entre si e os desencontros que provocaram nas práticas das escolas.
Na área de educação tem-se um acúmulo de reflexões acerca dos procedimentos e critérios que vêm sendo utilizados pela CAPES para avaliação dos Programas de Pós-Graduação. Neste texto, a autora busca resgatar análises e proposições debatidas no Brasil, a partir dos anos 80, no âmbito da área, que podem representar uma contribuição ao debate ora em curso no Fórum Nacional de Coordenadores de Programas. São sistematizadas informações oriundas de documentos resultantes de iniciativas da ANPEd e de Seminário envolvendo as universidades públicas paulistas, apresentando-se um mapeamento sucinto do conteúdo dos mesmos. A revisão elaborada subsidiou o levantamento de indagações que procuram articular as análises relativas à avaliação às tendências das políticas educacionais em curso no país, apontando o desafio de se construir indicadores de qualidade que se contraponham aos vigentes.
O artigo procura suprir uma deficiência na literatura nacional que trata de modelos estatísticos aplicados à pesquisa e, especialmente, à avaliação educacional. O uso intensivo da Teoria da Resposta ao Item apresenta dificuldades sobretudo para pessoas sem uma formação matemática mais aprofundada. Assim, nas avaliações desenvolvidas a partir dos anos 90 aparecem certas siglas e termos, como, por exemplo, DIF - Differential Item Functioning, que oferecem dificuldades para alguns educadores. O presente trabalho procura explicar, na medida do possível, sem aprofundamento matemático, o conceito de Comportamento Diferencial do Item, largamente empregado em avaliação educacional, inclusive no Brasil.
Este estudo tem como finalidade discutir o conceito de avaliação de larga escala e sua possível e necessária apropriação pelos professores como um indicador para melhoria de seu próprio trabalho pedagógico, complementando as avaliações realizadas em sala de aula. Propõe-se, ainda, a discutir a forma de construção de instrumentos de avaliação de larga escala, suas possibilidades e limites, as formas de construção de sistemas informatizados de avaliações padronizadas e de utilização dos dados coletados através de indicadores de rendimento e de questionários contextuais, bem como as formas de disseminação dos resultados. O foco ilustrativo será aquele utilizado pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica do Brasil (SAEB).
O presente artigo trata dos fatores que poderiam conter a evasão de estudantes nos mestrados em Educação no Brasil. Dada as peculiaridades dos ingressantes nesta modalidade de mestrado tais fatores podem ser levados em consideração na busca pela redução do nível de abandonos e desistências. Para uma análise mais precisa fez-se uso dos dados relativos à evasão de estudantes do mestrado em Educação da Unesp/Marília, das coortes de 1988 a 1995. Foram apontados fatores inibidores da evasão desde a seleção dos candidatos ao mestrado, passando pelo processo de orientação, financiamento, até os critérios de avaliação, com um destaque para a questão da exigência da dissertação como trabalho final.