Os principais conceitos da Teoria da Resposta ao Item (TRI) são, agora, apresentados pela autora e usados em avaliações educacionais realizadas no Brasil. A TRI emprega um modelo de variáveis latentes para representar a relação entre a probabilidade de um estudante responder corretamente a um item e seus traços latentes (habilidades). A Autora apresenta vários modelos, mas destaca o logístico de três parâmetros. Introduz o conceito de equalização, que possibilita a comparação do desempenho de duas ou mais populações de sujeitos, quando submetidos a diferentes testes com itens comuns. Além disso, aplica a TRI na análise dos dados obtidos pelo Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo - SARESP, nos anos de 1996 e 1997.
O estudo da autora procura analisar o problema da formação do aluno no ensino superior particular noturno e a influência que esse ensino tem sobre sua trajetória escolar e profissional. Ao escolher o ensino noturno e seu aluno, a autora contribui de forma substancial para o conhecimento de uma área pouco privilegiada da bibliografia educacional brasileira, que, infelizmente, considera o ensino noturno algo menor, freqüentada por um resíduo da população estudantil, o que reflete um pensar bastante falacioso.
A autora dedicou o seu campo de atuação educacional à avaliação, área em que atuou com inteligência, dedicação e bom senso. O seu artigo é um resgate da memória dos anos dedicados à avaliação da educação em Minas Gerais. Apesar de um projeto bastante promissor, por seus resultados significativos, foi interrompido e descontinuado, mesmo tendo criado novas expectativas por uma educação melhor, centrada na criança e preocupada com o seu futuro. O Projeto de Avaliação em Minas Gerais, experiência que foi gratificante para alunos e professores, simplesmente terminou. Paciência, talvez tenha sido, nesses novos e tristes tempos, o seu fado.
O artigo, parte da tese de doutoramento do autor, discute, segundo uma perspectiva sociológica, os efeitos decorrentes de uma política educacional desenvolvida no município de Catu, Bahia, por influência da Fundação Clemente Mariani. O trabalho procura estabelecer os efeitos sociais dessa política. Após a apresentação de aspectos da experiência e de uma descrição das estratégias da investigação, o autor mostra, entre outros aspectos, que há um grande impacto social como resultado de uma política educacional e que, nesse novo contexto, a expectativa dos pais e responsáveis com relação ao futuro dos filhos aumenta. A pesquisa mostra que, mesmo sendo de pequena duração a experiência, foi possível detectar resultados promissores, apesar de apresentar pontos que precisariam ser mais trabalhados e eliminadas áreas nebulosas.
A autora, a partir de uma análise crítica da literatura sobre avaliação da aprendizagem, especialmente no Brasil, argumenta que a supervalorização da avaliação da aprendizagem indica, no nível político e no metodológico, um viés conceitual relativamente ao fato de que planejamento, processamento do ensino-aprendizagem e avaliação da aprendizagem são elementos constituintes do processo pedagógico, os quais interagem em seus efeitos simultâneos e integrados, por intermédio de íntimas relações de reciprocidade e de complementariedade, sobre e para a ocorrência efetiva da aprendizagem para todos. E, portanto, que uma melhoria da qualidade do ensino para todos e uma conseqüente minimização de fracasso não decorrerão, primeira e principalmente, de uma “mudança de cultura avaliativa” e, sim, demandarão mais básica e abrangente mudança de cultura pedagógica.
Ao fazer uma reflexão sobre sua formação e desenvolvimento como avaliador na área de educação, o autor apresenta um depoimento, abrangendo o período de 1962-1995, em que discute a problemática da formação do avaliador no Brasil e no exterior. Fica evidente em seu texto que a avaliação não faz parte da formação dos educadores em nosso contexto educacional, que, desse modo, se voltam para a experiência que instituições norte-americanas e européias possuem nesse campo do saber.
A partir de uma bela colocação de Carl Sagan, o trabalho dos autores, passa a discutir possíveis abordagens no ensino e na avaliação da matemática na escola fundamental. Os autores discutem a problemática de uma “epistemologia de fixação”, fortemente reducionista, que influenciam muitas das atuais avaliações. Ao longo de seu trabalho defendem com bastante propriedade a tese (de Piaget) de que a matemática é um instrumento para a compreensão da realidade, sobretudo na interação entre os sujeitos e o universo.
Os autores investigaram o poder explicativo que diversas variáveis tiveram sobre o desempenho em Ciências de 23.009 candidatos ao concurso vestibular de 1998 da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. As variações de escolaridade destacaram-se como as mais importantes pois, somente elas (7 variáveis), explicaram 34, 3% da variância do desempenho, enquanto as variáveis socioeconômicos explicaram apenas 16, 6%. Tais resultados, segundo as autores da pesquisa, constituir-se-iam em evidência empírica contra os posicionamentos teóricos deterministas e reducionistas, que atribuem a algum fator (como, por exemplo, ao socioeconômico) um peso decisivo sobre o resultado no concurso vestibular.
O autor, nos últimos números de Estudos em Avaliação Educacional, dedicou-se a fixar o seu posicionamento face às coisas da avaliação, apresentando, inicialmente, alguns pontos teóricos relevantes, discutindo as várias teorias que procuram fundamentar o agir do avaliador, considerando questões de planejamento, e analisando diversos possíveis modelos em avaliação e a sua lógica. No último número (18), apresentou cinqüenta e uma teses tendo como temática a avaliação. Agora, nesse número da revista, prossegue em seus objetivos e procura demonstrar que a avaliação é um campo definido do saber humano, com um espaço próprio, características definidas e um proceder metodológico que lhe é específico.
A autora descreve e analisa os principais instrumentos nacionais, disponíveis nos últimos anos, para coleta de dados macro-sociais sobre educação infantil. A análise focaliza, especialmente, a conceituação de educação infantil e as variáveis sobre o usuário e o estabelecimento previstas nos questionários usados pelo IBGE (censos e pesquisas domiciliares). Ao final, apresenta e discute indicadores de cobertura evidenciando suas fragilidades e propondo modificações.
Ao analisar os Parâmetros Curriculares Nacionais - Língua Portuguesa, Bajard diz que a principal fonte de aprendizagem se encontra agora na prática do texto escrito e não apenas na transposição escrita da língua oral infantil. Após considerar a prática da linguagem e a leitura como construção de sentido, o autor discute novidades e aspectos importantes dos PCN.
Estudos em Avaliação Educacional nº 19, republica o magnífico ensaio de Moreira Leite, autor de uma das obras clássicas da bibliografia brasileira - Caráter Nacional Brasileiro -, cujo escrito examina a questão da aprovação automática e da adequação do currículo ao desenvolvimento do aluno. O ensaio, publicado há quarenta anos (1959), não envelheceu e continuou atual. É uma obra para ser lida, juntamente com a de Almeida Júnior, e meditada, pois ambas indicam caminhos a seguir para a solução desse problema, que, infelizmente, ainda é uma realidade na educação nacional.
O trabalho apresentado por GOERGEN, ora publicados em Estudos em Avaliação Educacional, procuram responder, inicialmente, à pergunta - O que é o pensamento científico? e fazem uma discussão aprofundada do pensamento científico na Física, na Biologia e na Química, discutindo questões epistemológicas e as implicações do ensino dessas ciências no Ensino Médio.
A autora, a partir de sua experiência como educadora, analisa os problemas relacionados com a progressão continuada, criada com base no artigo 32 -parágrafo segundo - da Lei 9394/96. A autora, com sensibilidade, esclarece a questão e desfaz mal-entendido, mostra que esse procedimento exige avaliações diárias e contínuas, complementadas por diferentes formas de recuperação para garantia do direito de aprender, que, ressalta, é um direito de todos os cidadãos.
O ensaio escrito pelo autor é uma longa reflexão sobre suas vivências e ações no campo da avaliação educacional ao longo de 33 anos, no período de 1962 a 1995. O autor refere-se à grande figura de Lee J. Cronbach, professor emérito da Universidade de Stanford (Palo Alto, Califórnia), que o levou a pensar sobre aspectos da sua multifacetada experiência. As suas considerações diferem sensivelmente das que foram oferecidas por L. Depresbíteris, pois são outras as suas experiências e diversificados os caminhos percorridos. A leitura do texto permite identificar no autor algumas influências, aliás inicialmente confessadas, entretanto, essa mesma leitura revela autonomia e um pensamento com características próprias, que traduzem um posicionamento e uma concepção sobre o processo de avaliação em suas diferentes dimensões. O autor concorda com uma das figuras mais significativas da pesquisa e da avaliação - Michael Scriven - que tudo, absolutamente tudo, possa ser avaliado, inclusive a própria avaliação, o que constitui objeto de uma área de conhecimento ainda insipiente entre nós, a meta avaliação.
As confissões da autora refletem a experiência de uma educadora preocupada com a aprendizagem de crianças e jovens; por outro lado, acusam, igualmente, cautela na apresentação dos procedimentos avaliativos para constatação dessa aprendizagem. Inicialmente, as confissões revelam momentos de sua formação e indicam autores nacionais e estrangeiros que influenciaram o seu pensamento docimológico, expondo alguns de seus posicionamentos teóricos. Depois, passam a oferecer articuladas observações visando a responder perguntas que tem apresentado a si mesma: - qual a diferença entre avaliar o ensino e avaliar a aprendizagem? o que são critérios de avaliação? qual a diferença entre teste e prova? que outros tipos de instrumentos e técnicas existem para avaliar o desempenho dos alunos? como se avaliam os resultados da avaliação da aprendizagem? A todas essas perguntas a autora responde com ponderações e ilustrações, assinalando, entretanto, que outras respostas são igualmente possíveis.
A alunos da antiga 8ª série do ensino fundamental de Minas Gerais foi solicitada dissertação envolvendo o problema do preconceito, sendo os trabalhos corrigidos por professoras com grande experiência na rede pública e privada. Um grupo de pesquisadoras também de Minas Gerais - Simões, Santos, Passos, Vianna e DoVal - analisou e pesquisou o corpus. A pesquisa mostrou que a escola em geral não está desenvolvendo certas habilidades importantes e desejáveis, além de nem sempre ser bem sucedida no desenvolvimento da capacidade de observar, comparar e generalizar. A conseqüência de tudo isso é que o aluno muitas vezes nem sempre consegue elaborar um texto que efetivamente seja seu e que não reproduza outras falas e opiniões alheias. A investigação realizada por esses educadores contém informações que refletem não apenas um caso singular, mas o drama comum a toda população estudantil brasileira em seus diferentes níveis educacionais.
Os Estudos em Avaliação Educacional, realizados pelo autor, abrangem análises sobre Tyler, Cronbach e Scriven. A avaliação é discutida, inicialmente, sob a perspectiva de Ralph W. Tyler, sendo oferecidas várias contestações ao modelo que, entretanto, ainda tem grande importância e influência. Um amplo exame sobre a prática da avaliação é feito com base em L. J. Cronbach sendo, também, examinada a lógica da avaliação a partir de M. Scriven. A questão do planejamento é examinada na discussão de Cronbach, enquanto questões metodológicas de grande relevância são vistas no exame das idéias de Scriven.