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Grundtvig e as escolas populares da Dinamarca: interlocuções com Paulo Freire e contribuições à Educação de Jovens e Adultos no Brasil

PID: S0104-40602021000100451 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2021
Authors: Pierro Haddad
RESUMO Fruto de pesquisa cujo objetivo foi contribuir para a ampliação de referências teóricas no campo da Educação Popular de Jovens e Adultos no Brasil, o artigo expõe de modo sintético a biografia e as principais ideias pedagógicas do pastor, historiador e filósofo dinamarquês Nicolaj Frederik Severin Grundtvig (1783-1872), cujo pensamento educacional inovador deu origem ao movimento das escolas populares de adultos nos países escandinavos na segunda metade do século XIX. Para situar as obras e o pensamento educacional do autor, e compreender sua influência no surgimento do movimento das escolas populares na Dinamarca, o ensaio descreve o contexto das relações internacionais (conflitos bélicos e redefinição de fronteiras) e de mudanças socioeconômicas e políticas pelas quais o país passou entre os séculos XVIII e XIX, com destaque para a reforma agrária, a emergência social do campesinato e a transição da monarquia absolutista ao regime parlamentar. O estudo assinala as principais características das escolas populares e aborda brevemente as fases pelas quais esse movimento educativo passou até os dias atuais, registrando sua institucionalização nas leis dinamarquesas e nas políticas de educação de adultos do país. Resguardando a singularidade dos contextos históricos e de formação intelectual (que explicam as distintas concepções de povo e de cultura popular), o artigo identifica convergências entre o pensamento do autor dinamarquês e as ideias pedagógicas de Paulo Freire, apoiadas nas respectivas versões do humanismo cristão. Sublinha a similitude das críticas que os autores dirigem à escola tradicional e a ênfase depositada por ambos no diálogo como mediação de uma educação para o esclarecimento e a participação social.

Habilidades do século XXI: relações entre criatividade e competências socioemocionais em estudantes brasileiros

PID: S0104-40602021000101106 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2021
Authors: Nakano Primi Alves
RESUMO No contexto educacional, cada vez mais, uma série de habilidades, além das cognitivas, vêm sendo valorizadas. Dentre elas, os construtos de criatividade e competências socioemocionais, foco do estudo. Tendo como objetivo investigar a relação entre os dois construtos, a amostra foi composta por 362 estudantes do 3o(n = 168) e 5o ano (n = 194) do Ensino Fundamental, idades entre 8 e 15 anos (M = 10,3 anos; DP = 1,33), sendo 180 do gênero feminino, provenientes de 13 diferentes escolas públicas municipais localizadas no estado de Pernambuco, Brasil. Os estudantes responderam dois testes de criatividade (figural e verbal) e um instrumento que avalia seis competências socioemocionais (abertura a novas experiências, conscienciosidade, extroversão, amabilidade, lócus de controle externo e neuroticismo). Os resultados apontaram para a existência de correlações positivas significativas entre a criatividade figural e quatro das competências socioemocionais (conscienciosidade, amabilidade, abertura a experiências e lócus de controle externo) e da criatividade verbal com duas dimensões socioemocionais (conscienciosidade e amabilidade). Ainda que os construtos tenham apresentado alguma comunalidade, a importância de se estimular ambos no contexto educacional se faz presente, dados os resultados positivos que têm sido relacionados a essas habilidades, consideradas essenciais no século XXI.

História e memória do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Paraná (1975-2020)

PID: S0104-40602021000100401 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2021
Authors: Bencostta Campos Machado Júnior
RESUMO Este ensaio trata de um registro de memória que se soma às celebrações dos 45 anos de funcionamento do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da Universidade Federal do Paraná (Brasil). Trata-se, portanto, de uma narrativa escrita a seis mãos, cujo objetivo é narrar e promover uma reflexão sobre os momentos importantes que marcaram profundamente a experiência histórica e a contribuição acadêmica que este Programa de Pós-Graduação acumulou ao longo de quatro décadas e meia na formação de mestres e doutores em Educação. Para compor a trama de dados sobre a história do PPGE, foi feita uma revisão de documentos como: os relatórios anuais (1975-2020), as atas de reunião do colegiado e os textos já publicados sobre a trajetória do Programa. A narrativa, feita por professores que atuam no PPGE, buscou descrever três períodos definidos a partir de uma cronologia marcada pelas fases de criação, consolidação e prospecção do Programa. A partir desta revisão histórica, foi possível destacar elementos que permitem compreender a história do PPGE nos contextos nacional e regional resguardando suas singularidades, bem como apontar linhas e tendências para sua futura evolução.

Histórias e narrativas de si: memórias de docentes que atuaram numa escola rural no norte do Rio Grande do Sul (1964-1985)

PID: S0104-40602021000100156 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2021
Authors: Pasinato Fritsch
RESUMO O artigo tem por objetivo analisar as memórias de docentes rurais, que atuaram na Escola Aníbal Magni, na comunidade de Arroio Grande, no pequeno município de Selbach, localizado no norte do Rio Grande do Sul, Brasil, entre 1964 e 1985, em plena Ditadura Civil-Militar. A pesquisa tem a Memória como pressuposto teórico e utiliza a metodologia da História Oral. A memória assume papel decisivo, visto que, além de ser um dispositivo da História, ela é, por primazia humana, uma propriedade de preservar certas informações. Para constituir este estudo, usando a entrevista como estratégica metodológica, ouvimos dez professores que ofereceram sua história de vida envolvendo-se tanto na temática foco, memórias docentes, como também naquilo que a envolve: o próprio existir. As memórias permitem uma visibilidade ao cotidiano escolar, seus espaços e tempos, visibilizando marcas das escolas rurais no contexto da Ditadura Civil-Militar. A proporção mais colaborativa presente nas comunidades rurais é citada pelos docentes, representada pelas celebrações, festividades e relações sociais mais coletivas.

Identidades masculinas, expressão corporal e educação física na França entre 1967 e 1985

PID: S0104-40602021000100604 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2021
Authors: Iffrig Saint-Martin
RESUMO No coração da França dos anos 1970, momento marcado por uma onda de convulsões ideológicas e culturais, a expressão corporal constitui uma experiência inovadora e única na Educação Física diante da hegemonia do esporte na área. Através de sua abordagem desregulamentada, pessoal e emancipatória, a expressão corporal marca uma ruptura na gestão do corpo das crianças em idade escolar. Por meio dela, os alunos tiveram acesso a novas práticas envolvendo o sensível e o expressivo. Essa concepção de Educação Física também afetou a representação da identidade masculina desse período. Dominante, corajoso, autoritário e principalmente reproduzido pelo ensino do esporte, o ideal masculino foi então redefinido e questionado. Ao denunciar o caráter reprodutivo e desigual do esporte, os promotores da expressão corporal masculina objetivam não apenas dessacralizar o modelo patriarcal, mas também buscar a emergência de um novo ideal masculino, voltado para mais emancipação e realização pessoal. Além disso, os autores notam o surgimento de novas masculinidades que eles qualificaram como subordinadas ou mesmo marginalizadas, e que encontram no ensino da expressão corporal um terreno inédito de predileção. A análise exaustiva de periódicos profissionais (Cahiers du GREC, Revue Esprit, Revue EP.S) e as entrevistas de vários atores da expressão corporal (em particular JB. Bonange) tornam possível destacar uma predominância das relações de classe social sobre as de gênero, na medida em que a expressão corporal surge principalmente na França em círculos privilegiados como as universidades, e não consegue disseminar nos círculos populares, locais de resistência de uma masculinidade hegemônica tradicional.

Indicadores para avaliação das políticas públicas de Educação Ambiental nas escolas: uma análise à luz do ciclo de políticas e da teoria da atuação

PID: S0104-40602021000100803 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2021
Authors: Vieira Morais Campos
RESUMO O artigo apresenta a análise do processo de aplicação de uma Matriz de Indicadores para a avaliação de políticas públicas de Educação Ambiental nas escolas. Para isso, o estudo se fundamenta no ciclo de políticas (BALL; BOWE, 1992) e na teoria da atuação (BALL; MAGUIRE; BRAUN, 2016). Argumenta-se que a abordagem conceitual do ciclo de políticas e a teoria da atuação deram significado ao instrumento de avaliação construído pelos e para os atores do contexto da prática. Assim também auxiliaram na compreensão das interrelações entre as dimensões contextuais da teoria da atuação e a Matriz de Indicadores de Educação Ambiental construída por diversos sujeitos da política. A interpretação e a análise dos dados gerados a partir da aplicação da Matriz de Indicadores em contextos escolares, com a participação das professoras, apontam que as dimensões que a estruturam tomam sentido quando integradas entre si e relacionadas a contextos apropriadamente situados. Assim, o instrumento demonstra sua relevância, em especial para a etapa de avaliação no ciclo de políticas.

Infância e Educação Científica: perspectivas para aprendizagem docente

PID: S0104-40602021000100145 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2021
Authors: Voltarelli Lopes
RESUMO Este artigo aborda a relação entre a formação de professores e a importância da Educação Científica na Educação Infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental, de forma a trazer indicativos para a aprendizagem inicial docente no trabalho com as crianças. Para tanto se recorreu às narrativas dos estudantes do curso de Pedagogia de uma universidade pública brasileira, que após realizarem visitas a campo para observar a prática pedagógica de professores puderam ampliar as perspectivas acerca do ensino de Ciências atrelado às especificidades da infância. Ficou evidente a necessidade de atividades sensoriais e lúdicas pautadas na experimentação, com visitas e passeios externos como fundamentais para o ensino de Ciências para as crianças, bem como ficou claro que os sentimentos de participação e pertença atrelados à formação cidadã na Educação Científica favorecem a aprendizagem das crianças para desvelar os fenômenos do mundo de forma crítica e reflexiva.

Inovações educacionais no tempo presente e rupturas no paradigma moderno: uma análise das pesquisas educacionais da Universidade de Genebra

PID: S0104-40602021000100147 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2021
Authors: Rossi
RESUMO Os anos de 1990 têm se configurado como de deslocamento no modo de se pensar e de se organizar o trabalho escolar e a formação de professores. As mudanças estão associadas ao diagnóstico de que a escola está com dificuldade em manter um nível desejável de aprendizagem e que falha no papel de ensinar de forma eficaz a todos. Esse contexto de crise é, também, de processos de mudanças. Este estudo trata de inovações no campo do trabalho escolar e da formação de professores, a partir da produção e da experiência de pesquisadores do Laboratoire de Recherche Innovation, Formation, Éducation (LIFE) da Universidade de Genebra na Suíça. De cunho exploratório e qualitativo e utilizando a metodologia de análise de conteúdo proposta por Bardin (1977), esta investigação foi guiada pelo questionamento: Do que tratam as produções do LIFE quando discutem a inovação das práticas pedagógicas e da formação de professores? Embora toda inovação envolva algum grau de dificuldade e de resistência, nem todas possuem o mesmo grau de reação, uma vez que podem operar em níveis de mudanças mais ou menos complexos. Enquanto há inovações que desejam tocar nas estruturas que definem a cultura da organização das instituições escolares, como o tempo e o espaço que estruturam o seu trabalho, outras operam no plano do próprio trabalho, como as metodologias e os materiais didáticos.

Inteligência Artificial e formação danificada: aprendizagem profunda e ética rasa entre professores e alunos

PID: S0104-40602021000100153 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2021
Authors: Zuin
RESUMO Em tempos de conexão ininterrupta, consolida-se o denominado capitalismo de vigilância. Nesse estágio do modo de produção capitalista, o capital é produzido e reproduzido por meio do controle dos grandes dados (big data), que são obtidos através dos dispositivos de vigilância presentes tanto nos softwares algorítmicos, quanto nas câmeras de reconhecimento facial. Nesse contexto, insere-se o objetivo deste artigo: refletir sobre a forma como a utilização de dispositivos de decisão diretiva (directive decision devices), fundamentados nos princípios da Inteligência Artificial (IA), pode fazer com que um sistema de vigilância prevaleça entre professores e alunos, em detrimento de relações eticamente elaboradas entre ambos. Conclui- se que a chamada aprendizagem profunda, algoritmicamente produzida, deve ser repensada nos termos da revitalização da formação (Bildung), que questiona a pretensão de tal aprendizagem fomentar procedimentos éticos entre professores e alunos pautados num sistema de premiação e punição decorrente da vigilância digital ubíqua.

Jogos ao ar livre nas escolas primárias de Metz (1919-1932)

PID: S0104-40602021000100607 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2021
Authors: Grün
RESUMO Os jogos escolares ao ar livre organizados pela cidade de Metz entre 1919 e 1932 representam uma experiência original. Criados sob o regime do Reichsland em 1903, eles continuaram presentes mesmo após a Primeira Guerra Mundial, depois que Metz voltou a ser parte do território francês. Organizados por professores primários voluntários, atividades físicas ou esportivas eram ofertadas aos alunos, fora do horário escolar. A ambição era desenvolver a saúde dos estudantes num quadro menos restritivo do que o proporcionado pela ginástica escolar obrigatória, mantendo-os com isso afastados das tentações da rua. Nesses jogos ao ar livre não havia uma distinção de sexo e nem uma diferenciação confessional (católicos, protestantes e laicos). Para isso, foram criados vários locais de atividade, sempre ao ar livre. As ações escolhidas eram na maioria das vezes os jogos tradicionais, mas também podiam ser cultura física, atividades esportivas, passeios, banhos ao ar livre. De 1919 a 1932, várias centenas de alunos e alunas de Metz se beneficiaram de uma educação física moral e higiênica. Isso ocorreu em um quadro menos estrito do que o existente no interior da escola, sob a direção de professores primários que utilizavam de pedagogias mais ativas e menos tradicionais do que as praticadas no contexto escolar.

Jovens negras no Ensino Médio público e privado: leituras interseccionais sobre suas vivências e percepções do racismo

PID: S0104-40602021000100163 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2021
Authors: Cintra Weller
RESUMO Com base em uma análise comparada e interseccional dos discursos de jovens negras no Ensino Médio em uma escola pública e uma escola particular no Distrito Federal, o presente artigo analisa como o racismo e a discriminação se articulam na construção das relações sociais dentro e fora da escola. A pesquisa empírica contou com a realização de grupos de discussão e a abordagem interseccional foi usada como ferramenta teórica e analítica para compreender como os eixos raça, gênero e classe moldaram as experiências de racismo e discriminação dentro e fora da escola. Concluímos que a discriminação e o racismo afetam negativamente jovens negras de classes sociais diferentes, bem como suas relações sociais. Acreditamos que a educação e a escola têm papel representativo, tanto no sentido da omissão, permitindo a reprodução destes processos, como da tomada de posição, quando aciona mecanismos para a punição e reeducação de indivíduos que mantêm atitudes ou discursos racistas e/ou quando fomenta práticas que visam o antirracismo. Ressaltamos o potencial transformador da educação e das ferramentas educativas que corroborem as práticas antirracistas no contexto escolar.

Juventudes, educação, política e violência: uma entrevista com Regina Novaes

PID: S0104-40602021000100502 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2021
Authors: Oliveira Lacerda Novaes
RESUMO Regina Novaes é professora visitante da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), no Programa de Pós-Graduação em Educação. Foi professora do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde orientou pesquisas de iniciação científica, dissertações de Mestrado e teses de Doutorado. A Dra. Regina tem se dedicado às pesquisas nos seguintes temas: movimentos sociais, juventude, religião, cultura, cidadania e violência. Nesta entrevista, concedida aos professores Victor e Miriam, a professora Regina discute temas importantes para o campo de pesquisa na área de juventudes, bem como apresenta pistas para as discussões sobre políticas públicas para as juventudes contemporâneas. Ela afirma que o Estatuto da Juventude expressa consensos e conflitos entre os diferentes atores que colaboraram com sua promulgação, sejam eles políticos, agentes sociais, pesquisadores, movimentos sociais e os próprios jovens.

Linguagem acadêmica e educação: um campo de disputas e de consolidação da hegemonia

PID: S0104-40602021000100160 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2021
Authors: Schlesener
RESUMO Este artigo retoma alguns aspectos de escritos críticos: a pergunta sobre a linguagem e seu significado político e pedagógico é importante a partir do entendimento de que a linguagem, na leitura crítica, tem uma dimensão política e metafórica e, como tal, traduzível, viabilizando a relação dos saberes entre si e destes com o real vivido. Ao mesmo tempo, por sua dimensão política, torna-se um instrumento importante de consolidação da hegemonia. A linguagem é um elemento vital neste processo e as Universidades, no seu interior e no exercício da linguagem acadêmica, têm a incumbência fundamental de nutrir o processo hegemônico por meio da atividade dos intelectuais e de sua formação para funções na estrutura produtiva, política e cultural, no sentido da preservação da ordem social. A educação torna-se mediadora no movimento de superação do horizonte ideológico dominante na medida em que possibilita o acesso ao contexto de formação, ao questionamento e renovação da linguagem.

Mal de arquivo - Um desafio para a filosofia da educação?

PID: S0104-40602021000100124 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2021
Authors: Trevisan Azevedo Rosa
RESUMO A partir da reflexão extraída do livro “Mal de arquivo: uma impressão freudiana”, de Jaques Derrida, o artigo pretende investigar as consequências da metáfora de “mal de arquivo” para o campo da filosofia da educação. Por intermédio da crença de que a tradição do reprimido se inscreve na ideia de arquivo, procura potencializar o termo para interpretar alguns problemas existentes no campo da relação entre filosofia e educação. Especialmente, dirige o olhar para a forma como surge o discurso da filosofia, bem como a dinâmica cultural que persiste em seguir certas orientações, sua autoridade e a sua genealogia bastante presente no âmbito acadêmico contemporâneo. A desconstrução da metafísica se soma ao trabalho da psicanálise, fazendo o proibido aflorar à consciência, e, portanto, ao nível literal da escritura. E assim, o acontecimento da compreensão pode auxiliar a desmobilizar a compulsão à repetição que se instaurou no arquivo.

Memoriais e narrativas na formação de educadores da saúde: escritas de si, acompanhamento e mediação biográfica

PID: S0104-40602021000100203 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2021
Authors: Reis Souza
RESUMO As narrativas de educadores da saúde configuram-se como dispositivo que favorece a compreensão de aprendizagens experienciais no espaço formativo da Pós-Graduação em Educação na Saúde. Seu contexto de inserção são as Residências em Saúde, espaços de formação que integram o ensino e os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil. Ancorados em princípios da pesquisa (auto)biográfica e na utilização de memoriais, objetiva-se discutir questões relacionadas ao processo de acompanhamento, suas interfaces com as escritas de si e as disposições de investigação-formação mobilizadas pela escrita de memoriais de três educadores no campo da formação em saúde, na condição de preceptores no Programa de Residências da Fundação Estatal Saúde da Família (FESF-SUS) na Bahia. As experiências de cuidado e de educação em equipes multiprofissionais são colocadas em reflexão nos memoriais de formação de educadores da saúde como processo de mediação do vivido e das relações entre formador e formandos, por meio das narrativas de experiências, com ênfase no desenvolvimento pessoal e profissional no contexto da formação em saúde.

Memória, identidade e docência: recordações-referência de professores iniciantes na educação superior

PID: S0104-40602021000100212 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2021
Authors: Soares Guimarães
RESUMO Este trabalho objetiva analisar recordações-referência de três professores em início de carreira na educação superior, por meio da pesquisa (auto)biográfica. Para tanto, empregou-se uma entrevista narrativa com questionamentos sobre a história de vida, a formação escolar, o percurso acadêmico e o desenvolvimento profissional. Os aspectos salientados por eles no estudo demonstraram elementos significativos na escolha pela profissão e a constituição da aprendizagem docente. Diante das recordações-referência, evidenciou-se que as marcas e imagens da docência advêm de um repertório da própria história de vida desses sujeitos. Tais reminiscências são carregadas de sentimentos positivos e alegres configurados pela influência familiar na referida escolha, por trajetórias com os antigos mestres, além das brincadeiras e dos processos de inserção/iniciação à docência na universidade. A aprendizagem nessa área não aconteceu de maneira neutralizada, mas sim tecida pelos percursos formativos vividos pelos professores em suas histórias de vida e pelos caminhos profissionais na manutenção ou superação de crenças e valores sobre a profissão docente. Ademais, visualizaram-se as subjetividades que permeiam a construção da identidade dos docentes, ou seja, como se constituíram na profissão e nos diversos contextos históricos de formação.

Na escuta de estudantes-professoras: entre memórias e miudezas, retratos de formação estética

PID: S0104-40602021000100216 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2021
Authors: Ostetto Folque
RESUMO A formação estética docente, relacionada a processos, experiências e repertórios que contribuem para alargar a sensibilidade e ampliar as possibilidades de interpretação e de atuação no mundo, é o foco do presente artigo, resultado de investigação realizada com professoras em formação inicial. Situado no campo teórico-metodológico das abordagens autobiográficas, o estudo articulou fundamentos de uma pedagogia da autonomia e práticas artísticas. O trabalho com múltiplas linguagens sustentou os saberes-fazeres de encontros-ateliê, principal dispositivo de geração de dados biográficos, arquitetado para perscrutar a questão: O que marca a educação das sensibilidades de professoras em formação inicial? Caracterizado como espaço para o exercício de rememorar e tecer narrativas de processos formativos, nos encontros-ateliê fez-se uso de artefatos artístico-expressivos, até chegar à escrita narrativa. Os percursos visibilizados indicam que: a formação estética vai sendo tecida, desde a infância, com miudezas, com fios não apenas da arte, mas sobretudo da/na natureza; as experiências estéticas, que conectam sensibilidade e cognição, fazem-se com a presença de figuras de ligação que ajudam a ampliar sentidos e significar a vida pelo afeto. Um aspecto da metodologia também foi ressaltado: a forma e o conteúdo dos encontros-ateliê, apoiando a escuta de professoras em formação por meio de fazeres artísticos-artesanais-corporais, além de validar um singular dispositivo para a pesquisa autobiográfica, legitimam um instrumento de formação que propicia mais do que um conhecimento de si, a prática de si.

Na trilha da educação norte-rio-grandense: a emergência das práticas escoteiras na cidade do Natal no início do século XX

PID: S0104-40602021000100608 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2021
Authors: Leandro
RESUMO Este artigo tem por objetivo analisar a emergência do escotismo na cidade do Natal-RN no início do século XX, problematizando como este tipo de educação, pensada por Baden-Powell para a realidade de jovens ingleses, foi recepcionada pela elite e autoridades políticas locais. Para percorrer a trilha deixada pela educação escoteira no estado do Rio Grande do Norte, nos apropriamos dos pressupostos teórico-metodológicos da Nova História Cultural e privilegiamos como fontes leis, mensagens de governos, jornais, correspondências e fotografias, ancorados nas considerações teóricas de Sirinelli (2003) sobre o conceito de intelectual, que nos possibilitou pensar as figuras dos fundadores do escotismo natalense e suas redes de sociabilidades. O trabalho constatou que a emergência do escotismo na cidade do Natal foi fruto da iniciativa de intelectuais, cujas redes de sociabilidades foram determinantes para a implantação e consolidação desse modelo de educação no estado.

Narrativa, experiência e formação: o diálogo com as crianças na constituição de tornar-se professora

PID: S0104-40602021000100204 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2021
Authors: Scramingnon
RESUMO Este artigo, fruto de uma pesquisa de doutorado, toma como objeto de estudo as narrativas de uma professora da Educação Infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental de uma instituição pública municipal, e tem como objetivo discutir a constituição da docência como processo que se dá na relação com as crianças. A estratégia metodológica, sustentada no diálogo com Walter Benjamin (1994; 1995; 2006) e Martin Buber (2003; 2009; 2012), foi de analisar as narrativas da trajetória da professora no cotidiano escolar em seu diálogo com as crianças. O caderno com os registros dessas conversas converte-se, dessa forma, em empiria de pesquisa. Assim, as narrativas biográficas são compreendidas enquanto metodologia de pesquisa e de formação (JOSSO, 2004). As análises destacam: as crianças como depoentes privilegiados de sua condição, e que nos dão pistas sobre as relações que estabelecem com os professores na escola, indicando possibilidades outras para o desenvolvimento da prática pedagógica; a docência como processo inacabado, aberta a construções e desconstruções; as narrativas biográficas como caminho para a constituição de uma identidade profissional; a importância de espaços e tempos garantidos na escola para que os professores produzam seus registros, considerando-os como possibilidade de pensar o trabalho. Nesse sentido, como experiência, a pesquisa e o texto narrativo são acontecimentos do presente.

Narrativas compartilhadas na formação da professora iniciante

PID: S0104-40602021000100123 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2021
Authors: Simas
RESUMO O objetivo do presente artigo é revelar como ocorreu o processo de interlocução entre uma professora iniciante e um grupo de profissionais da educação, através de narrativas que a primeira escrevia sobre a própria prática pedagógica e enviava a esse grupo. A professora iniciante era também a pesquisadora que investigava como se constituía docente nessa fase da carreira. As narrativas sobre a própria prática e a narrativa da pesquisa eram ampliadas pelas narrativas dos sujeitos com quem a professora convivia no cotidiano escolar e no grupo de interlocutoras, por isso a pesquisa tem um cunho auto/hetero/biográfico. A metodologia narrativa de pesquisa em educação, em diálogo com os aportes da filosofia bakhtiniana, foi a utilizada para compreender esse processo interlocutivo. A materialidade a ser interpretada foi composta pelas narrativas da professora e do grupo de interlocutoras. Revelou-se que os movimentos de narrar e de compartilhar esses escritos potencializaram excedentes de visão de si, das relações e dos acontecimentos, já que ela se colocava num outro espaço e num outro tempo no momento da escrita, construindo outras compreensões para o já vivido, bem como memórias de futuro relativas à docência. Os atos de narrar a própria prática e compartilhar essas narrativas se mostraram potentes no processo formativo de professoras iniciantes na carreira docente.
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