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Crenças e práticas educativas de mães de crianças com desenvolvimento atípico

PID: S0104-40602016000100049 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2016
Authors: Minetto Löhr
Resumo O desenvolvimento humano atípico interfere no processo de aprendizado da criança que o apresenta, sendo que os pais têm importante papel no sentido de estimular o desenvolvimento dos filhos. Porém, o envolvimento paterno sofre influência das crenças que os pais têm sobre o desenvolvimento dos filhos. Para avaliá-las, Suizzo (2002) construiu a Escala de Crenças Parentais e Práticas de Cuidado (E-CPPC). Assim, na presente pesquisa foi realizada uma pesquisa descritiva e transversal, utilizando o E-CPPC com 75 mães de crianças com diagnóstico de deficiência intelectual, das quais 41 sem fenótipo (grupo que abrangeu, dentre outros, crianças com Transtorno do Espectro Autista), cuja deficiência intelectual foi percebida nos primeiros anos de vida, e 34 mães de crianças com Síndrome de Down, identificada quando do nascimento. Das crianças com Síndrome de Down, 94,11% frequentavam escola especial e este percentual baixou para 80,48% nas crianças sem fenótipo. As mães dos dois agrupamentos apontaram em primeiro lugar a dimensão Apresentação Apropriada do bebê, envolvendo aqui a valorização de cuidados básicos, vindo a seguir: Estimulação; Responsividade/vínculo; Disciplina. Na análise de pares de dimensões do E-CPPC foi percebido que somente no par de dimensões Apresentação-Responsividade/vínculo houve diferença entre os grupos, sendo positiva e com significância estatística nas crianças com Síndrome de Down e não apresentando relação significativa no outro grupo. Poder contar com rede de apoio o quanto antes surge como sugestão importante aos dois grupos.

Crianças e adolescentes com problemas emocionais e comportamentais têm necessidade de políticas de inclusão escolar?

PID: S0104-40602016000100079 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2016
Authors: Gauy
Resumo Este trabalho teve o objetivo de avaliar o perfil de crianças encaminhadas para serviços de saúde mental e discutir o impacto dos problemas funcionais apresentados em escolares, que podem estar sendo negligenciados pelas políticas públicas brasileiras. Os dados de 160 escolares, de ambos os sexos, foram coletados em três serviços médicos de saúde mental com os respectivos cuidadores, a partir de dois instrumentos: ficha de identificação para caracterizar os participantes, os cuidadores, o perfil sociodemográfico, o responsável pelo encaminhamento e a queixa; e Inventário dos Comportamentos para Crianças e Adolescentes entre 6 e 18 anos (CBCL6/18 anos). Os dados obtidos evidenciam uma alta demanda devido a dificuldades emocionais/comportamentais, combinadas com dificuldades de aprendizagem, de relacionamento e na vida diária, denominadas pelo Ministério da Educação (MEC) como transtornos funcionais, não atendidas pelas políticas de Ensino Especial, encaminhadas por postos de saúde e médicos, e não prioritariamente pela escola, encaminhador padrão. Exceto pelo encaminhamento, os dados são consistentes com a literatura, que aponta uma alta incidência dessas dificuldades em crianças e adolescentes, geradores de barreiras acadêmicas e de problemas de alto impacto ao longo da vida acadêmica e pessoal. A esse respeito, modelos de intervenções baseadas em escola têm de forma crescente ampliado o conceito de inclusão e apontado alternativas promissoras de aliança entre escola e serviços de saúde mental, o que pode vir a inspirar futuras políticas públicas na área.

Cultura popular e educação popular: expressões da proposta freireana para um sistema de educação

PID: S0104-40602016000300089 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2016
Authors: Brandão Fagundes
Resumo Este artigo discute a proposta de cultura e educação popular, desenvolvida a partir dos anos 1960, por Paulo Freire, como possibilidade de articular e fundamentar sua proposta e/ou sistema de educação, contemplando da alfabetização à universidade. A proposta reúne elementos com forte suficiência para pensar a educação para além da concepção dita tradicional, em que a "informação cultural" em suas múltiplas expressões e a educação eram, ou ainda são, utilizadas como recursos pedagógicos para transferir a setores populares conhecimentos eruditos, carregados da lógica dominante. Os movimentos emergentes dos anos 1960, em que a cultura e a educação são rediscutidas em diálogo com a cultura popular, sonhavam tornarem-se meios para efetuar uma comunicação biunívoca, de efeito conscientizador. Para tal, tomam como referência os valores da cultura de grupos e comunidades populares como elementos próprios de reflexão coletiva sobre as condições de vida e o significado dos símbolos do povo; seguidos da reflexão coletiva que consubstanciasse o pensamento do povo de um sentido humano e crítico, que os movimentos de cultura popular reconheciam terem sido perdidos, ao traduzir-se em termos de "cultura de massas". Assim, importa empreender a recuperação dos valores do povo como aporte do novo modo de compreender o mundo, saber vivê-lo e transformá-lo. Nessa perspectiva, problematizamos possibilidades de transição da dita concepção tradicional para uma educação transformadora ou humanizadora, que abarque da alfabetização à universidade popular.

Culturas digitais e tecnologias móveis na educação

PID: S0104-40602016000100277 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2016
Authors: Lucena
Resumo O século XX foi marcado pela inserção das tecnologias da informação e comunicação (TIC) conectadas em rede, em diferentes setores sociais. Agora, no século XXI, vivenciamos, de forma mais intensa, o uso das tecnologias móveis e de redes sociodigitais que nos colocam em constante interação com (ciber)espaços sociotécnicos. Nesses espaços, a comunicação ocorre em lugares não fixos, registrando fatos e informações no instante em que eles acontecem. Os jovens são os que mais utilizam esta forma de comunicação, tornando-a uma marca, um habitus dessa geração que se caracteriza, dentre outros fatores, pela intensa imersão nas culturas digitais. São jovens que já não aceitam mais formas convencionais de ensinar e aprender, pois aprenderam, com as tecnologias e as redes, a interagir, a produzir e a publicar. Estes são alguns dos desafios que temos para a educação, principalmente para a formação inicial dos docentes, futuros professores, que realizam estágio supervisionado nas escolas do Ensino Fundamental. Para compreender estes desafios e encontrar possíveis caminhos, o Grupo de Pesquisa em Educação e Culturas Digitais (ECult) / Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), vinculado à Universidade Federal de Sergipe (UFS), tem desenvolvido pesquisas que discutem esta temática. Porém, torna-se necessário ampliar a realização de pesquisas com este tema em outros Programas de Pós-Graduação em Educação.

Desafios do modelo de prática por ressonância colaborativa na formação inicial dos docentes

PID: S0104-40602016000400199 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2016
Authors: Rodríguez Zidán Grilli
RESUMO Neste artigo são analisados e comparados dois modelos de prática docente para a formação de professores do ensino médio implementados no Uruguai: o modelo histórico, baseado em um trabalho individual, com pouca supervisão pedagógica, e o modelo por ressonância colaborativa. O método de investigação foi misto e do tipo concorrente, articulando estratégias metodológicas qualitativas e quantitativas. Foi aplicada uma entrevista a uma amostra não probabilística de 197 casos (122 estudantes praticantes da carreira docente e 75 professores de centros de práticas), bem como entrevistas em profundidade com 13 informantes qualificados. Depois de revisar e comparar diferentes estudos intencionais e da realização da análise das evidências coletadas, foi concluído que o modelo denominado "ressonância colaborativa" é uma alternativa eficaz para orientar mudanças significativas na formação de futuros docentes do ensino médio. A implementação desta modalidade é um importante desafio de gestão institucional e é um passo importante no longo caminho para o fortalecimento da qualidade da formação de professores do ensino médio.

Desenvolvimento de habilidades metatextuais e sua expressão na produção de textos de opinião

PID: S0104-40602016000400087 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2016
Authors: Pinheiro Guimarães
RESUMO O artigo apresenta e discute dados do aprimoramento da capacidade de escrita a partir da reflexão sobre a aprendizagem das especificidades próprias da linguagem argumentativa. Realizou-se uma pesquisa de intervenção para o desenvolvimento da capacidade de gestão consciente do uso de marcas linguísticas da argumentação (operadores argumentativos e organizacionais). A escrita dos participantes do estudo - 18 alunos do 5º ano do ensino fundamental de uma escola pública - foi analisada considerando-se dois aspectos: a) A relação entre os conhecimentos linguísticos relativos à coerência e à coesão e o aperfeiçoamento da escrita; b) A apropriação das especificidades tipológicas concernentes à escrita argumentativa. O estudo revelou que a decisão de usar os elementos constitutivos de um texto de opinião (argumento, contra-argumento, resposta) não é o único fator que orienta as produções textuais. Um importante fator evidenciado nas etapas de produção está relacionado ao tema e à forma como ele é apresentado aos participantes. Assim, verificou-se que o texto é mais bem desenvolvido quando o tema proposto possibilita a criação de um espaço de negociação de divergências na produção textual. Entretanto, a realização de intervenções didático-pedagógicas possibilitou que os estudantes refletissem sobre os elementos da "estrutura argumentativa", o que resultou em um aumento de suas habilidades metatextuais e, consequentemente, maior capacidade no que se refere à produção deste gênero de texto.

Desenvolvimento de um modelo de Intervenção Baseado em Rotinas da Primeira Infância

PID: S0104-40602016000100141 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2016
Authors: Hughes-Scholes Gavidia-Payne
Resumo A literatura recomenda que a Intervenção Precoce na Infância (IPI) seja inserida dentro das rotinas diárias que ocorrem no ambiente natural. No entanto, poucas pesquisas examinaram a implementação de modelos de IPI com base em rotinas. O objetivo deste trabalho foi descrever o desenvolvimento de uma intervenção precoce na infância baseado num modelo de rotinas (RBECI). O modelo RBECI consiste em quatro componentes principais: a) Entrevistas Baseadas em Rotinas (RBI); b) metas de participação; c) visitas domiciliares; e d) consultas à comunidade. Evidência empírica de suporte para cada componente do modelo é fornecida, e os resultados de uma avaliação preliminar da implementação do modelo são discutidos. São necessárias mais pesquisas e avaliações dos processos envolvidos na implementação do modelo por profissionais de IPI e seu impacto sobre as crianças e as famílias.

Diálogo-confrontação de saberes e negociação cultural: eixos das pedagogias da educação popular: uma construção a partir do sul

PID: S0104-40602016000300037 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2016
Authors: Jiménez
Resumo O desenvolvimento da educação popular da nossa América ocorre a partir do início do século XIX, quando Simón Rodríguez propõe ao Conselho de Caracas implementar essa proposta na educação. Quando esses registros são revistos, se descobre que uma proposta pedagógica sempre tem acompanhado a dinâmica da sua construção e este texto pretende mostrar isso em seus marcos principais (repúblicas emergentes, universidades populares, escolas de educação, pedagogias da libertação), o que permite mostrar a vitalidade que é invisível, mas está presente neles. Hoje, quando a educação popular é proposta como uma aposta para toda a sociedade e a todas e todos os educadores, este texto nos mostra como esse arcabouço pedagógico reflete na proposta atual, fundada no diálogo, no confronto de saberes e na negociação cultural, tornando possível a prática de um exercício educativo que integra intraculturalidade, interculturalidade e transculturalidade e que produz o que é normal para continuar apostando na transformação dos mundos, reconhecendo que somos humanamente diferentes, culturalmente diversos e ainda continuamos a viver em sociedades profundamente desiguais.

Ensino de Filosofia: método e recepção filosófica em Agnes Heller

PID: S0104-40602016000400279 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2016
Authors: Horn Mendes
RESUMO Este artigo apresenta, problematiza e analisa alguns pressupostos do método de recepção filosófica de Agnes Heller presentes em sua obra A Filosofia Radical. O conceito de recepção filosófica ocupa lugar central na análise. Mostra que não é possível pensar em educação filosófica senão a partir de uma epistemologia de referência circunscrita por um modus operandi filosófico. Daí decorre que só é possível conferir identidade e legitimidade à filosofia quando se reconhece e se estabelece uma "territorialidade epistemológica". Essa territorialidade se expressa por meio do estatuto de conhecimento propriamente filosófico, mas que se afirma como saber filosófico radical na medida em que não separa o conhecimento das condições humano-sociais de quem o tornou possível. Mais do que um conjunto de argumentos lógicos intelectivamente ordenados, conhecer com radicalidade tem a ver com atitude, com posicionamento que não separa o pensar do agir e da vida. A utopia racional, o carecimento, a atitude, a objetivação filosófica, são algumas das noções conceituais que possibilitam instituir e dar identidade ao Método filosófico, do modo como ele é compreendido e justificado por Heller.

Ensino de língua materna: dificuldades e necessidades formativas apontadas por professores na Educação Fundamental

PID: S0104-40602016000200261 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2016
Authors: Parisotto Rinaldi
Resumo Há muitos desafios postos ao professor para o ensino de língua materna na perspectiva da alfabetização e do letramento como práticas sociais. No caso específico do município de Presidente Prudente, torna-se essencial compreender como ocorre o processo de formação continuada dos professores atuantes nos anos iniciais do Ensino Fundamental para que sejam pensadas ações formativas, tanto no âmbito do sistema municipal quanto nas escolas, que enfatizem o ensino de língua materna. Nesse sentido, este artigo objetiva refletir sobre a formação do professor dos anos iniciais do Ensino Fundamental, a partir das dificuldades e das necessidades formativas apresentadas pelos docentes com relação ao ensino de língua materna. Trata-se de uma pesquisa de base qualitativa, financiada pelo CNPq, por meio da qual analisamos os dados referentes a 22 escolas vinculadas à Secretaria de Educação do município, no que diz respeito às respostas dos professores emitidas por meio de questionários. Para este artigo, estabelecemos um recorte com o intuito de apresentar os dados relativos às respostas a duas questões dentre as que compuseram o questionário respondido pelos professores: uma referente às dificuldades que enfrentam para o ensino de língua materna e outra que diz respeito às necessidades formativas para este ensino. O que os participantes da pesquisa apontam como principais dificuldades relacionadas ao ensino de língua materna comparecem também no que evidenciam como necessidades formativas.

Ensino superior nas páginas do Diário dos Campos (1947-1950)

PID: S0104-40602016000300273 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2016
Authors: Campos Souza
Resumo Este artigo tem como objeto as discussões sobre ensino superior publicadas no jornal Diário dos Campos, no período entre 1947 e 1950, privilegiando uma análise do texto Precisamos de um ensino superior, escrito por Mario Lima Santos (1947), das matérias que trataram do momento de criação da Comissão Pró-Faculdade de Filosofia de Ponta Grossa, que resultou na autorização de funcionamento da instituição (1948-1949), e das críticas ao grupo político do Partido Social Democrático, que utilizou a fundação da Faculdade de Filosofia como mote eleitoral (1950). Apoia-se no Diário dos Campos e na História Intelectual para reconstituir a atmosfera cultural de Ponta Grossa e a atuação da comunidade intelectual e política no processo que resultou na organização do ensino superior na cidade, sem desconsiderar o movimento intelectual brasileiro que preconizava a expansão do sistema universitário e acreditava na força da formação acadêmica para preparação de profissionais com conhecimento especializado e de elites intelectuais para assumir as funções diretivas nas diferentes esferas do mundo social.

Família, dificuldades no aprendizado e problemas de comportamento em escolares

PID: S0104-40602016000100123 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2016
Authors: Marturano Elias
Resumo Nos anos escolares, família e escola são contextos em que se engendram mecanismos de risco e proteção para trajetórias favoráveis ou não de desenvolvimento das crianças. Dificuldades adaptativas precoces, expressas em altos níveis de problemas emocionais e/ou comportamentais, têm sido associadas a trajetórias desfavoráveis. O presente estudo objetivou testar um modelo de predição de problemas de comportamento em escolares, tendo como preditores variáveis de apoio ao desenvolvimento e adversidade no contexto familiar, bem como a presença da queixa escolar, sinalizando adversidade no contexto escolar. Participaram 60 crianças, de 7 a 11 anos, e suas mães, recrutadas em escola pública de Ensino Fundamental e em clínica-escola de psicologia. Os instrumentos utilizados foram Matrizes Progressivas Coloridas de Raven, Inventário de Comportamento da Infância e Adolescência (CBCL), Inventário de Recursos do Ambiente Familiar (RAF), subescala Vida Familiar, da Escala de Eventos Adversos (EEA). A coleta ocorreu na clínica e na escola. Os dados foram analisados por meio de regressão linear múltipla, verificando-se o poder explicativo das variáveis ambientais sobre os desfechos comportamentais. Os resultados apontaram a adversidade escolar como principal preditor de problemas de atenção, problemas sociais e comportamento agressivo. A adversidade familiar foi associada a problemas internalizantes e externalizantes. Duas modalidades de apoio familiar (rotina regular no dia a dia e atividades de lazer no tempo livre) parecem implicadas na atenuação dos problemas de comportamento. Destaca-se que esses são recursos passíveis de intervenção.

Formação de professores e formação humana: não é só necessária, mas possível

PID: S0104-40602016000300107 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2016
Authors: Nicolodi Silva
Resumo O texto a seguir dialoga sobre a experiência vivenciada e integrada entre estudantes de uma turma do Curso de Licenciatura em Ciências e de uma turma do 9° ano do ensino fundamental no litoral paranaense. Compreendendo a importância de buscar a ruptura epistemológica com o paradigma educacional dominante, buscou-se por novos sentidos e maneiras de fazer e fazer-se na docência. Em docência compartilhada, via aprendizagem por projetos e, especialmente, apoiados na pedagogia freireana, os autores apresentam suas percepções sobre os processos de mediação na formação de professores e na formação humana. Apontam como principais aprendizados: a necessidade de intervenção nos espaços formativos; o reconhecimento do contexto local para a ressignificação de conceitos e valores; a garantia de espaços de escuta e de fala; e, sobretudo, o cuidado afetivo com o outro.

Formação de professores e prática pedagógica na perspectiva freireana

PID: S0104-40602016000300127 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2016
Authors: Santiago Batista Neto
Resumo O artigo aborda as contribuições de Paulo Freire para a formação de professores/as e a prática pedagógica a partir da categoria diálogo. A prática pedagógica ganha centralidade como categoria de análise e como atividade formadora, tratada numa perspectiva institucional e plural, enquanto que a prática pedagógica docente se constitui em uma das suas traduções. A dimensão relacional é destacada como característica e base do pensamento freireano, bem como explicação das relações ensino-pesquisa, docência-discência, sujeitos da educação-contexto socioeducacional.

Gerar "comportamentos inclusivos" como uma ferramenta para operacionalizar a inclusão

PID: S0104-40602016000100097 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2016
Authors: Casado Díaz
Resumo Este artigo procura analisar um campo emergente nos novos projetos psicopedagógicos a partir do ponto de vista inclusivo. A incerteza e as rápidas mudanças que ocorrem na sociedade em geral e na educação, em especial durante esta era pós-moderna da chamada quarta revolução, desencadearam uma urgente readaptação do comportamento docente tanto nos sistemas de garantia da qualidade como na prática diária, a partir do novo modelo inclusivo da psicologia positiva; cuja ideia principal subjacente é simplesmente permitir um comportamento verdadeiramente inclusivo a partir da ação docente voluntária, e, assim, evitar o consequente sofrimento pessoal e sociolaboral.

Gestão escolar, situações de conflito e violência: campo de tensão em escolas públicas

PID: S0104-40602016000100157 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2016
Authors: Martins Machado
Resumo Este artigo tem o objetivo de apreender o que pensam diretores escolares sobre situações de conflito e violência, por meio de um estudo qualitativo realizado com 43 diretores de escolas da rede estadual de ensino de São Paulo, unidades que estão inseridas no Sistema de Proteção Escolar, programa implementado pela Secretaria de Estado da Educação de São Paulo desde 2010. Compõe pesquisa mais ampla que busca analisar a relevância que o tema das situações de conflito vem logrando no campo das políticas públicas de educação. Como conclusão, o estudo aponta para a existência de número significativo de respostas cautelosas e contraditórias, o que pode indicar que os diretores não se sentem preparados para enfrentar os desafios postos pelas situações de conflito; para a não oferta de formação continuada condizente com a necessidade de construção do conhecimento sobre a legislação que envolve adolescentes e jovens em situações de conflito; para a ausência significativa de respostas dos diretores nas questões referentes às ações que foram adotadas em situações de conflito e violência, porém, quando estas são citadas se referem a chamar a família, os responsáveis ou os próprios alunos; a acionar órgãos colegiados escolares; à realização de palestras e projetos alternativos; a mobilizar a equipe de gestão e os Professores Mediadores Comunitários. Os recursos externos como órgãos de segurança e rede de apoio são acionados quando os recursos anteriores foram esgotados.

Inclusão excludente e utopia digital: a formação docente no Programa Um Computador por Aluno

PID: S0104-40602016000300205 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2016
Authors: Echalar Peixoto
Resumo Este artigo discute as questões que emergiram em uma pesquisa sobre a formação de professores para a inclusão digital via ambiente escolar no contexto do Programa Um Computador por Aluno no estado de Goiás. Estas questões são abordadas através da convergência de dois eixos temáticos: 1) a formação de professores e a 2) inclusão digital via ambiente escolar, com base em princípios do materialismo histórico-dialético. A contradição e a alienação são utilizadas para colocar em questão o conceito de inclusão digital e para demonstrar que o modelo formativo docente teve como pressupostos básicos a fragmentação e a hierarquização, baseando-se em uma racionalidade instrumental.

Individualismo e comunidade profissional nos estabelecimentos escolares na Espanha: limitações e possibilidades

PID: S0104-40602016000400181 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2016
Authors: Bolivar Bolívar-Ruano
RESUMO Quando os profissionais compartilham seu saber fazer prático sobre as aprendizagens dos estudantes, como mostra esta pesquisa, isto impacta na qualidade da educação. Não obstante, nos estabelecimentos escolares espanhóis domina uma cultura de solipsismo docente, falta de trabalho em equipe, como foi documentado por esta investigação e pelos relatórios internacionais (Teaching and Learning International Survey - TALIS). Para diagnosticar os graus de cultura de aprendizagem compartilhada adaptamos e validamos um dos melhores instrumentos existentes (o questionário Professional Learning Community Assessment-Revised - PLCA-R) e o aplicamos a uma amostra representativa na Andaluzia. Selecionamos alguns dos resultados relacionados a esta questão. Finalmente discutimos os resultados e assinalamos implicações e linhas de ação para reconstruir as escolas como comunidades profissionais de aprendizagem.

Literacia científica: leitura e produção de textos científicos

PID: S0104-40602016000400143 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2016
Authors: Morais Kolinsky
RESUMO Após discussão do termo e do conceito de literacia, da sua história e do seu contexto sociocultural, são referidas as condições da aprendizagem da leitura e da escrita no sistema alfabético e distinguidos diferentes tipos de "letrado". É apresentado o subconceito de literacia científica, esboçada a sua história e discutida a sua ambiguidade, concluindo que ele deve incluir tanto a produção escrita da ciência como o conhecimento e compreensão que as pessoas têm desta. É analisada e comentada a parte de leitura e de produção de texto na atividade científica, assim como a relação íntima entre leitura e escrita de texto, e são considerados os hábitos e as exigências das publicações. São ilustrados os baixos níveis da "consciência científica" na população, inclusive na estudantil, e do ensino da ciência na escola, é recomendada a leitura precoce de artigos científicos e considerada favoravelmente a tendência atual à aproximação e em certos casos integração das literacias científica e literária. O estado da literacia (mais precisamente da capacidade de leitura) no contexto da globalização capitalista neoliberal e no Brasil em particular são considerados como travões à generalização da literacia científica. Enfim, é defendida a importância da ciência experimental da cognição e da linguagem e de uma maior orientação do ensino para o desenvolvimento das capacidades de "inteligência fluida".

Literacia histórica e história transformativa

PID: S0104-40602016000200107 | Journal: Educar em Revista (0104-4060) | Year: 2016
Authors: Lee
Resumo A Educação Histórica, como a própria história, é uma conquista precária; é vulnerável a agendas políticas e educacionais que procuram mesclá-la com outras partes do currículo ou reduzi-la a um veículo para a cidadania ou valores comuns patrióticos. Se tivermos a expectativa de nos engajarmos em uma discussão séria na Educação Histórica em face destes desafios, devemos evitar lemas polares como "tradicional versus progressista", "centrado na criança versus centrado na matéria" e "habilidades versus conteúdo", que têm produzido muita confusão na literatura. Em particular, deve-se evitar falar de competências, com a sua infeliz concessão de licenças a convenientes e tolos currículos genéricos. A história é uma forma pública de conhecimento e o desenvolvimento de uma tradição metacognitiva, com as suas próprias normas e critérios. Há evidências que sugerem que a história é contraintuitiva e que entendê-la envolve a alteração ou até mesmo o abandono de ideias cotidianas que tornam o conhecimento do passado impossível. Consequentemente o ensino de história envolve o desenvolvimento de um aparato conceitual de segunda ordem que permite que a história siga em frente, em vez de imobilizá-la e, ao fazê-lo, abre a perspectiva de mudança de uma visão cotidiana da natureza e do estado do conhecimento do passado para uma de conhecimento histórico. Isto nos permite dar conta do que significa saber um pouco de história - um provisório conceito de literacia histórica - como um aprendizado de uma compreensão disciplinar da história, como a aquisição das disposições que derivam e impulsionam essa compreensão histórica e como o desenvolvimento de uma imagem do passado, que permite que os alunos se orientem no tempo. Existem pesquisas para informar o debate sobre o primeiro componente, mas há pouco disponível para o segundo. Há um interesse atual considerável no terceiro componente, mas o debate centrou-se sobre a questão perene da "ignorância" das crianças, em vez de reconhecer que o problema é encontrar maneiras de permitir que os alunos adquiram passados ​históricos utilizáveis que não são histórias fixas. A obtenção de literacia histórica potencialmente transforma a visão de mundo de crianças (e de adultos) e permite ações até então - literalmente - inconcebíveis para eles. Entender a importância disto para o ensino da história significa abandonar hábitos de pensar com base em um presente instantâneo, em que uma forma de apartheid temporal separa o passado do presente e do futuro. Significa, também, desencaixotar as formas em que a história pode transformar como vemos o mundo. Tais transformações podem ser dramáticas em longas extensões ou mais localizadas e específicas. Elas podem mudar a forma como vemos oportunidades e constrangimentos políticos ou sociais, a nossa própria identidade ou dos outros, a nossa percepção das feridas e fardos que herdamos e a adequação das explicações das principais características do nosso mundo. Elas podem sugerir revisões constrangedoras do nosso entendimento e expectativas de como o mundo humano funciona. E elas podem nos ajudar a conhecer melhor o que não dizer. Literacia histórica envolve tratar o passado como uma ecologia temporal interconectada capaz de suportar uma gama indefinida de histórias, não apenas algo que usamos para contar a história que melhor se adapte aos nossos objetivos e desejos imediatos. Como outras formas públicas de conhecimento, a história é uma tradição metacognitiva que as pessoas têm lutado longa e duramente para desenvolver e ser capaz de praticar. É uma conquista frágil, a ser tratada com respeito e cuidado nas escolas.
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