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Contexto familiar e cumprimento da condicionalidade de frequência escolar no Programa Bolsa Família no Ceará

PID: S0104-40602017000500055 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2017
Autores: Abreu Aquino
RESUMO O objetivo desta pesquisa é identificar quais características das famílias dos beneficiários do Programa Bolsa Família (PBF) exercem influência significativa sobre a probabilidade de a condicionalidade de frequência escolar ser cumprida ou não. Um banco de dados apropriado para análise quantitativa foi preparado a partir dos dados de 341 entrevistas semiestruturadas realizadas no estado do Ceará em 2016. Nossos resultados indicam que o cumprimento ou não da condicionalidade depende, principalmente, do engajamento das mães dos beneficiários nas atividades escolares dos filhos; o que, por sua vez, depende da escolaridade das mães e de seu interesse pelos estudos dos filhos.

Coordenadoras pedagógicas e diversidade: entre percursos formativos e práticas na escola básica

PID: S0104-40602017000300087 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2017
Autores: Coelho Silva
RESUMO O artigo apresenta práticas que conformam a formação e a atuação de coordenadoras pedagógicas de cinco escolas da periferia do município de Belém, estado do Pará, tendo por base as novas diretrizes curriculares nacionais para a formação inicial e continuada dos profissionais do magistério da Educação Básica, de 1 de julho de 2015. Nossa intenção é analisar como o percurso formativo desses profissionais (des)favorece práticas pedagógicas atentas aos “sentidos de diversidade e desigualdade”. Analisaremos os processos formativos e as práticas pedagógicas das coordenadoras atuantes em escolas públicas de Ensino Fundamental e Médio, tendo a compreensão de que a interferência de técnicos pedagógicos sobre os procedimentos teóricos e metodológicos é decisiva para a condução do trabalho pedagógico de uma instituição escolar, uma vez que estes profissionais figuram entre os que atuam na definição de políticas educacionais internas. Entre as conclusões realizadas, constatamos, por meio de documentos escritos e orais, o descompasso entre a formação para uma escola ideal e o parco conhecimento das relações contextuais de desigualdades, afetando estruturalmente as práticas pedagógicas.

De que hoje padecem os professores da Educação Básica?

PID: S0104-40602017000200071 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2017
Autores: Pereira
RESUMO O artigo constrói um espectro possível que entremeia os territórios da educação e da saúde no que tange ao mal-estar docente de hoje. Trata-se de algo muito alardeado, mas nunca profunda ou suficientemente esclarecido sobre o padecimento psíquico de professores que se dizem cada vez mais deprimidos, estressados, esgotados, angustiados, hipermedicalizados, em pânico ou desistentes. Com base na psicanálise, mas sem hermetismos conceituais, o texto desce aos detalhes e revela as forças desse mal-estar: a inibição do professor de se colocar à prova, sua coragem moral invertida e o recuo de seu desejo. Passa-se a compreender não apenas o que docentes narraram sobre suas vidas e práticas, mas também o quanto o aspecto genealógico, o narcisismo e a ausência de saberes podem estar contribuindo para manter uma “zona de depressão moral”, em que certos profissionais produzem o pior para si mesmos. E o que fazer? Através da “pesquisa-intervenção de orientação clínica”, metodologia empregada para o trabalho, mostramos aos formadores e aos gestores educacionais dispositivos possíveis para que a palavra seja liberada, o sintoma seja destravado e a responsabilidade de cada um seja politizada.

De “mortos-vivos” a “não-mortos”: pensamento mágico, violência e insurgência nos protestos atuais

PID: S0104-40602017000200117 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2017
Autores: Arreguy
RESUMO O presente ensaio parte da ideia de que certa juventude apolítica, os mortos-vivos alienados pelo consumo, tenham ressurgido das trevas como “não-mortos”, indignados em movimentos sociais que se alastraram na última década como forma de reação à exploração e usurpação entranhada no Estado. Contudo, a violência objetiva do capital ainda permanece invisibilizada. Critica-se a “passagem ao ato violento” com base no “pensamento mágico” de que se possa derrubar o sistema com estratégias que não sejam coletivamente estruturadas. A juventude insurgente acaba sendo punida, tornando-se foco de repressão com base na criminalização da “violência subjetiva”. Do movimento blackblock ao movimento de ocupação das escolas, os jovens indignados vêm construindo novas formas críticas de romper com a lógica punitiva a que estão submetidos.

Desigualdade escolar e vulnerabilidade social no território

PID: S0104-40602017000500071 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2017
Autores: Ribeiro Vóvio
RESUMO Este texto discute resultados de pesquisas sobre a influência da vulnerabilidade social nos territórios das grandes cidades na produção da desigualdade escolar, realizadas em duas metrópoles brasileiras. Tais pesquisas têm recorrido à literatura da Cepal, da Sociologia da educação francesa e norte-americana na busca de referências para lidar com um fenômeno recentemente transformado em problema de pesquisa. As pesquisas evidenciam que a vulnerabilidade social do território interfere nas oportunidades educacionais. Detectaram mecanismos capazes de produzir vínculos entre vulnerabilidade social do território e produção da desigualdade escolar, tais como relações de interdependência competitiva entre escolas, falta de investimento do Estado na Educação Infantil, representações sociais desfavoráveis às populações residentes nessas áreas das cidades e falta de equipamentos públicos nos territórios vulneráveis. Os estudos mostraram que os contornos das políticas educacionais podem fomentar a desigualdade escolar em territórios vulneráveis: professores, com mais experiência e formação, migram para escolas de territórios menos vulneráveis devido à legislação dos concursos de remoção; alunos com menor capital sociocultural, cujos pais ignoram o tipo de capital social valorizado pela escola, que desconhecem seus direitos e que residem em territórios estigmatizados, como favelas, podem ser preteridos em momentos de matrícula, dificultando seu acesso à escola. Em atos de expulsão de alunos, esses estigmas podem contribuir para a decisão, uma vez que escolas parecem buscar alunos mais adaptados a um ambiente escolar menos conturbado.

Em busca de novas explicações sobre a relação entre educação e desigualdade: o caso da Universidade Tecnológica de Nezahualcóyotl

PID: S0104-40602017000500149 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2017
Autores: Flores-Crespo
RESUMO Ao explicar a relação entre a desigualdade e a educação sob as perspectivas funcionalistas, corre-se o risco de deixar de debater a forma como os indivíduos atuam no interior das estruturas sociais. Esse a1rtigo, portanto, se propõe a utilizar a perspectiva das capacidades humanas de Amartya Sen para explicar a relação entre desigualdade e educação superior no México. Para este estudo, foi escolhida a Universidade Tecnológica de Nezahualcóyotl (UTN), cujos egressos adquirem um tipo de capacidade (ou liberdade) que lhes permita recriar continuamente, até certo ponto, as formações sociais em que se inserem e atuam. Essa ação constitui um primeiro passo para a redução da desigualdade. No entanto, à medida que os jovens intervêm em seu mundo e traçam suas próprias rotas de desenvolvimento pessoal e profissional com o propósito de alcançar maior bem-estar, as oportunidades sociais e econômicas se restringem. Tal fato traz como consequência a divisão de um grupo de profissionais com aspirações similares, mas com níveis econômicos diversos, surgindo, assim, um novo tipo de desigualdade. Os estudantes, com um nível de renda mais alto, cumprem com maior facilidade suas aspirações quando comparados aos jovens que enfrentam limitações econômicas. Ainda que a UTN contribua de maneira substancial para a redução da desigualdade de capacidades, é necessário prestar atenção ao âmbito institucional, político e econômico que rodeia esta universidade para ampliar o entendimento da desigualdade dentro do campo educativo.

Escala de Motivação Docente: desenvolvimento e validação

PID: S0104-40602017000400201 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2017
Autores: Davoglio Santos
RESUMO Este estudo teve por objetivo analisar evidências psicométricas de validade e confiabilidade da Escala de Motivação Docente (EMD), que visa explorar a motivação autodeterminada de professores. A EMD foi desenvolvida fundamentando-se nos pressupostos da Self-Determination Theory (SDT), que aborda a motivação autodeterminada como um processo intrínseco, sujeita a influências sociocontextuais a partir das necessidades psicológicas básicas de autonomia, competência e pertencimento. Após a análise de conteúdo e da semântica dos itens e o teste piloto, a versão preliminar da EMD foi aplicada em 398 professores universitários brasileiros. Os resultados exploratórios levaram ao refinamento da EMD, ficando a versão final composta por 24 itens, pontuados em uma escala do tipo Likert, distribuídos em cinco dimensões: Performance, Desenvolvimento, Prática Docente, Formação Continuada e Inserção Institucional. A análise fatorial confirmatória evidenciou índices de ajustes adequados, confirmando o modelo estrutural proposto. Ainda que incipientes, esses resultados são consistentes para evidenciar a validade de construto da EMD, apontando perspectivas para a sua utilização em avaliação motivacional docente. Recomenda-se, contudo, a continuidade de estudos de validação que corroborem com os atuais achados e os ampliem.

Formação continuada de professores: construindo possibilidades para o ensino do atletismo na Educação Física escolar

PID: S0104-40602017000400183 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2017
Autores: Gemente Matthiesen
RESUMO Esta pesquisa teve como objetivo oferecer um curso de formação continuada de professores, direcionado ao desenvolvimento do atletismo na Educação Física escolar, verificando suas contribuições para a prática pedagógica dos participantes. Para o desenvolvimento da pesquisa, realizamos um curso de formação continuada de professores com a participação de 21 professores de Educação Física da rede municipal de Educação de Goiânia. De natureza qualitativa, com elementos de pesquisa-ação, esta pesquisa utilizou diferentes técnicas para o levantamento de dados, tais como entrevistas, questionário, gravação e diário de campo. Os resultados revelaram que o curso de formação continuada proporcionou aos professores a troca de experiências; a construção de conhecimentos que contribuíram para a superação das dificuldades no trato das provas do atletismo abordadas no curso; a interferência direta na escola durante o processo de formação continuada; a elevação da autoestima dos professores; atendeu às necessidades dos professores; estimulou a criatividade para o desenvolvimento de novas práticas; e aproximou a universidade da escola. Com base nos resultados, reforçamos a importância da formação continuada para a construção de novos conhecimentos; ressaltamos a importância da aproximação entre a universidade e a escola, de modo a possibilitar a reflexão, discussão, construção e divulgação de novos conhecimentos relacionados ao atletismo para que os professores possam superar as dificuldades, desenvolvendo práticas pedagógicas que contemplem o atletismo de forma mais completa e aprofundada.

Impactos da gestão de aulas baseadas em problemas verbais de Matemática sobre a aprendizagem

PID: S0104-40602017000200231 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2017
Autores: Souza
RESUMO Este artigo apresenta potenciais êxitos e constrangimentos apresentados em aulas baseadas em problemas verbais escritos de Matemática impactando sobre a aprendizagem de alunos do oitavo ano do ensino fundamental português. Os problemas foram propostos por futuros professores em meio ao estágio supervisionado na Universidade de Lisboa. Os dados emergiram de estratos da interação/intervenção de um professor-orientador com três estagiárias sobre as gestões de suas aulas baseadas em problemas verbais escritos de Matemática. Foram identificados êxitos tais como associar figuras geométricas às respectivas expressões algébricas e conduzir as explicações por questionamentos diretos sobre o tema e constrangimentos como confusões conceituais matemáticas, comandos escritos sem sentido para os alunos, termos sem a devida contextualização para o contexto matemático. A investigação contou com apoio teórico de autores e pesquisadores sobre a resolução de problemas, a compreensão de textos de enunciados de problemas de Matemática e a formação na/da prática docente.

Impasses atuais da relação educativa: o fracasso escolar, uma janela aberta sobre nossa contemporaneidade

PID: S0104-40602017000200103 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2017
Autores: Pirone
RESUMO Partindo de uma abordagem psicanalítica no campo da educação, este artigo quer fazer emergir “um outro discurso” em relação ao fracasso escolar, em francês dito décrochage scolaire, com base na análise do material resultante de uma pesquisa realizada pela equipe Clinique de l’éducation et de la formation (CLEF-CIRCEFT), entre 2013 e 2016, na Île de France. O cruzamento entre as questões que emergem do discurso dos sujeitos encontrados nos diversos campos, alunos e profissionais, e a resposta institucional ao que se tornou um “fenômeno”, parece assinalar um tipo de fracasso do encontro entre adultos e adolescentes. O artigo propõe então a leitura dos processos de fracasso escolar como uma manifestação dos novos impasses, aos quais a relação educativa em nossa contemporaneidade deve fazer face.

Memórias de uma educação clandestina: comunistas brasileiros e escolas políticas na União Soviética na década de 1950

PID: S0104-40602017000700193 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2017
Autores: Silveira Moretti
RESUMO O artigo situa-se no contexto de diversificação de temas e fontes da História da Educação e visa compreender quais foram as memórias produzidas por comunistas brasileiros sobre a educação vivida na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) em períodos que estiveram na clandestinidade e/ou na ilegalidade. Para isso, realizamos análise de conteúdo de fontes autobiográficas e de entrevista. Argumentamos por uma história da educação dos comunistas brasileiros, à medida que apresentamos as relações do internacionalismo político dos partidos comunistas com a educação política comum de seus quadros. Em seguida, identificamos as “escolas” de formação que aconteciam na URSS, apresentando algumas memórias de Jacob Gorender, Manoel Jover Teles, Hércules Correa e Osvaldo Peralva, sujeitos que militaram no PCB (Partido Comunista Brasileiro) e que, na década de 1950, integraram “redes de escolas políticas”. Entende-se que havia uma complexa rede de educação organizada na clandestinidade e que os cursos realizados no Brasil tinham um caráter preparatório para diferentes atividades dos militantes no território nacional e/ou funcionavam como processos seletivos para ingresso em cursos de formação realizados na URSS. Estes aliavam diferentes conhecimentos teóricos e práticos, visando à preparação de “militantes profissionais” para a condução dos partidos e da revolução.

Nacionalismo e regionalismo em dois inquéritos sobre o ensino superior brasileiro nos anos 1920

PID: S0104-40602017000400035 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2017
Autores: Bontempi Jr.
RESUMO O artigo aborda dois inquéritos lançados nos anos 1920, organizados pelo jornal O Estado de S. Paulo (OESP), em 1926, e pela Associação Brasileira de Educação (ABE), em 1929, que tratam do ensino superior brasileiro. Em ambos, os respondentes refletiram sobre a possibilidade de criação de universidades no Brasil, suas finalidades e as formas que deveriam tomar. Partindo da hipótese de que os usos das noções de “elite” indiciam os significados políticos associados à formação de centros de alta cultura, investigou-se a que correntes de pensamento político se atam aos diagnósticos e às proposições formulados nos respectivos inquéritos. Concluiu-se que o inquérito da Associação Brasileira de Educação foi orientado pelo pensamento nacionalista de Alberto Torres e vislumbrou a criação de uma universidade nacional, enquanto o inquérito de 1926, na parte dedicada ao ensino secundário e superior, baseou-se no regionalismo de Júlio de Mesquita Filho, projetando a fundação de uma universidade paulista.

O silêncio de grupos específicos de crianças em pesquisas

PID: S0104-40602017000200215 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2017
Autores: Prado
RESUMO Temos assistido, pouco a pouco, a ampliação do espaço outorgado à voz das crianças em pesquisas das ciências sociais e humanas, embora historicamente elas tenham tido seu direito de falar negado, por serem vistas como incompetentes para julgar e informar adequadamente. O artigo discute como a perspectiva delas vem sendo incorporada na pesquisa brasileira, dando especial ênfase à caracterização das crianças envolvidas. Analisou-se 179 artigos de antropologia, educação, psicologia e sociologia que relatam pesquisas com crianças, publicados entre 2000 e 2012, em periódicos classificados como A1 ou A2, pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Crianças pequenas, que vivem na zona rural e/ou nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste permanecem silenciadas. São ausências com importantes repercussões teóricas e políticas.

Pesquisas na internet: uma análise das competências digitais de estudantes precoces e/ou com comportamento dotado

PID: S0104-40602017000700227 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2017
Autores: Pedro Chacon
RESUMO Com a disseminação das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC) e a facilidade de acesso à internet, não podemos ignorar que os estudantes de hoje estão imersos em uma cultura digital, marcada pela interatividade e por um fluxo corrente de informações. Pensando nas habilidades destes estudantes em buscar, selecionar e compartilhar informações, é possível refletir e investigar a maneira como os estudantes precoces e/ou com comportamento dotado (PCD) relacionam-se com as TDIC e o grande volume de informações disponíveis na internet. Nessa perspectiva, é necessário identificar as habilidades que são específicas destes estudantes, e aquelas que são comuns a todos os nativos digitais para que possamos orientá-los e ajudá-los a desenvolver competências digitais. O objetivo deste estudo é verificar se estudantes com e sem PCD apresentam competências digitais relacionadas ao tratamento da informação. Trata-se de estudo comparativo entre estudantes PCD e estudantes de desenvolvimento padrão que frequentam o ensino fundamental. Com base nos resultados encontrados, observamos que a maioria dos estudantes, de ambos os grupos, não apresentaram preocupações com as fontes de pesquisas utilizadas e exploraram de maneira insuficiente os recursos disponibilizados pelos sites de pesquisa. Ressaltamos que a busca de informações é umas das habilidades mais básicas dentro da competência digital, visto que uma pesquisa bem realizada leva a fontes mais seguras de pesquisa, revelando uma maior confiabilidade para a informação encontrada.

Pobreza e desigualdades educacionais: uma análise com base nos Planos Nacionais de Educação e nos Planos Plurianuais Federais

PID: S0104-40602017000500131 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2017
Autores: Garcia Hillesheim
RESUMO As desigualdades educacionais constituem grave problema na sociedade brasileira e estão relacionadas à estrutura socioeconômica do país, sendo a pobreza sua expressão mais explícita. Por sua natureza, os instrumentos de planejamento e gestão do Estado apresentam as propostas para a administração do país, dentre elas as que visam enfrentar as desigualdades sociais e educacionais e a pobreza. No artigo, os autores problematizam como esses temas são apresentados nos Planos Nacionais de Educação (PNEs), de 2001-2010 e 2014-2024, e quais proposições são vislumbradas para o seu enfrentamento. Numa análise comparativa, procuram traçar relação entre as proposições consignadas nos PNEs e as constantes nos três Planos Plurianuais (PPAs) federais no período de 2004 a 2015. O PNE é o instrumento que define as diretrizes e as metas para a gestão e financiamento da educação. O PPA tem a função de organizar e viabilizar a ação pública por meio de diretrizes, objetivos e metas que devem balizar a elaboração das Leis Orçamentárias Anuais (LOA). A pesquisa em desenvolvimento evidencia que, nos períodos aludidos, os PNEs e os PPAs caracterizaram-se por formalmente apresentar propostas de ampliação das políticas sociais voltadas para o combate à pobreza e à diminuição das desigualdades sociais e educacionais, a partir de diversos programas sociais, especialmente do Programa Bolsa Família. Os temas, conceitos e ações encontrados nos instrumentos de gestão analisados são problematizados à luz de referenciais da teoria social crítica.

Política educacional, pobreza e educação: retrato do atendimento aos estudantes beneficiários do Programa Bolsa Família no Paraná

PID: S0104-40602017000500113 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2017
Autores: Silveira Schneider
RESUMO Este artigo apresenta uma leitura inicial sobre como estão distribuídos os estudantes beneficiários do Programa Bolsa Família no estado do Paraná a partir dos dados do Banco do Sistema Presença de 2014, cotejados com o Censo Escolar do mesmo ano. Para a construção de um mapeamento sobre as condições de oferta escolar, considerou-se as condições que têm sido asseguradas aos estudantes, tomando-se, em especial, informações quanto às condições de trabalho docente (contrato de trabalho e formação docente) e às condições de infraestrutura da escola (biblioteca, internet, banda larga, laboratório de informática e quadra de esporte). O objetivo é problematizar as condições de equidade na produção da política educacional, partindo-se do pressuposto de que o enfrentamento das desigualdades educacionais no Brasil implica reconhecimento de que a população pobre está na escola pública e de que o trabalho escolar tem implicações objetivas para a construção de uma experiência inclusiva e de qualidade para o percurso escolar desta população.

Professoras e rainhas do lar: o protagonismo feminino na imprensa periódica (1902-1940)

PID: S0104-40602017000500203 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2017
Autores: Nicolete Almeida
RESUMO Os anos iniciais do século XX contaram com uma imprensa periódica que exigia mais direitos para as mulheres, educação, instrução e o voto. Essa imprensa foi influenciada pela imprensa internacional que se veiculava no país em número suficiente e a preços acessíveis. As revistas e jornais vinham principalmente dos Estados Unidos e da Europa, que, nesse momento, se agitava em torno do feminismo e dos tempos de guerra. Os periódicos, de longa ou curta duração, esporadicamente contemplavam ideias acerca do papel das mulheres na sociedade, mas nem sempre havia unanimidade em sua ideologia e representação do protagonismo feminino. Com seu beneplácito, vieram à luz as expectativas de segmentos intelectualizados da sociedade brasileira, em especial nas maiores cidades do país, como São Paulo e Rio de Janeiro, no tocante à educação das mulheres e sua destinação para a maternidade, conjuntamente com a educação de crianças. A abordagem adotada volta-se para os conceitos da História da Educação, história das mulheres, estudos de gênero e imprensa.

Representações sociais de pobreza construídas pelos cursistas da Especialização Educação, Pobreza e Desigualdade Social realizada no Rio Grande do Norte: primeiros resultados

PID: S0104-40602017000500035 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2017
Autores: Silva Viveiros
RESUMO As representações sociais são uma modalidade de conhecimento produzido pelo senso comum que têm por função precípua a elaboração de comportamentos e a comunicação entre os indivíduos. Toda representação social é a leitura particular de um objeto, realizada por um sujeito (individual ou coletivo), a partir das crenças, valores e informações que compartilha na cultura na qual se situa. Apoiando-se nessa teoria, a presente pesquisa buscou identificar e conhecer a estrutura da representação social ou das representações sociais sobre o objeto simbólico “pobreza”, construídas pelos cursistas da Especialização em Educação, Pobreza e Desigualdade Social no estado do Rio Grande do Norte. O universo da pesquisa foi composto por 301 estudantes que responderam a um questionário de livre associação de palavras, cujos dados foram analisados com o apoio do software EVOC. Com base na abordagem do núcleo central das representações sociais, de Jean-Claude Abric, foi possível identificar a estrutura dos conteúdos representacionais compartilhados pelos sujeitos investigados. Nessa estrutura, encontra-se um sistema central composto pelos elementos “desigualdade” e “exclusão” e um periférico, composto por falta, fome, miséria, necessidade. Os resultados indicam a existência de duas representações sociais: uma de caráter ideológico, que enfatiza os aspectos macroeconômicos e políticos ou o papel da educação na produção do fenômeno, e outra que considera a pobreza como parte da realidade social, portanto, sem críticas de caráter econômico ou político.

Sociabilidades, edição, educação: o Annuário Brasileiro de Literatura como projeto educativo (1937-1944)

PID: S0104-40602017000400051 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2017
Autores: Faria Filho
RESUMO Este artigo se propõe a analisar o periódico Annuário Brasileiro de Literatura (ABL), publicado entre 1937 e 1944, como lugar de sociabilidade e órgão de educação da intelectualidade brasileira. O ABL se constituiu, no período, num dos mais importantes e influentes periódicos brasileiros. No texto, buscamos mostrar que ele fazia parte de um investimento de construção da unidade nacional, do intercâmbio entre agentes intelectuais diversos (escritores, editores, jornalistas etc.) e de um esforço para colocar o Brasil no concerto das nações civilizadas. O periódico propunha o congraçamento da intelectualidade a favor da unidade nacional, ao mesmo tempo que reafirmava que tal unidade não poderia prescindir da riqueza de nossa diversidade histórica, cultural e geográfica. Finalmente, apontamos que o ABL buscava educar e mobilizar os intelectuais sem descurar, no entanto, de um olhar sobre a educação escolar vista como uma condição, ou como um obstáculo, à ampliação do mercado editorial e, portanto, do esclarecimento da população brasileira.

Trabalho docente e educação integrada nas escolas técnicas estaduais de Pernambuco

PID: S0104-40602017000400237 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2017
Autores: Silva Silva
RESUMO Apresentamos os resultados de uma pesquisa sobre o processo de implementação do ensino médio integrado em escolas técnicas estaduais da rede de ensino de Pernambuco e as condições de trabalho docente, através de uma pesquisa de avaliação de políticas públicas. A pesquisa foi realizada através da análise documental, entrevistas semiestruturadas e aplicação de questionários, tendo como principais referências os estudos de Freitas, Nosella, Algebaile e outros. Buscamos responder ao seguinte problema: será que a perspectiva de ampliação da jornada escolar no ensino médio não significa também diminuição das condições efetivas de trabalho do professor em relação ao processo de ensino/aprendizagem na perspectiva de uma intensificação do trabalho docente? Concluímos que a ampliação da jornada escolar, no ensino médio das escolas estaduais de Pernambuco, vem acontecendo com a intensificação do trabalho docente, através da pressão por resultados e da perspectiva gerencial adotada. Nas experiências analisadas, a ênfase no reforço escolar, a intensificação do tempo de trabalho e do estudo em sala de aula e o sentimento de encarceramento de docentes e discentes significam um processo de precarização do trabalho docente e da própria escola.
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