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Uma proposta de leitura de poesia a partir do acervo do PNBE

PID: S0104-40602014000200007 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2014
Autores: Alves
RESUMO Pesquisas realizadas ao longo das três últimas décadas revelam que o trabalho com o poema no nível médio de ensino segue um padrão historicista que pouco contribui para a formação de leitores. Por outro lado, experimentos realizados em diferentes séries do ensino básico, lançando mão de uma metodologia de viés interacionista, têm como resultado um envolvimento efetivo do jovem leitor na construção dos sentidos do poema. Neste artigo, apresentaremos e discutiremos uma pesquisa voltada para o ensino de literatura no nível médio, bem como o resultado de um levantamento sobre o impacto do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) no ensino de literatura em cinco escolas públicas de Campina Grande, Paraíba. Serão observados os possíveis usos do acervo deste importante programa de socialização de obras literárias no trabalho com o texto literário. Por fim, será apresentada uma proposta de abordagem de um dos livros de poemas selecionados para o acervo do PNBE - 2013. O intuito é, a partir de um diagnóstico das pesquisas sobre o trabalho com o poema e do aproveitamento (ou não) do acervo do PNBE no ensino médio, apontar algumas perspectivas metodológicas de trabalho com a poesia, privilegiando o diálogo texto-leitor. Fundamentamo-nos, sobretudo, nas contribuições acerca da Estética da Recepção, apostando em novas propostas metodológicas para o trabalho com o texto literário em sala de aula, notadamente o poema.

Universalização da educação superior no Brasil: contrapontos e possibilidades

PID: S0104-40602014000100015 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2014
Autores: Lima
O processo de universalização da Educação Superior no Brasil, mesmo em face das políticas públicas da contemporaneidade marcadas pela influência internacional, apresenta inúmeras fragilidades, dentre as quais a não problematização inclusão-exclusão, as diferenças de classe social. O presente estudo, de cunho exploratório, que utiliza as contribuições de Habermas, Mészáros, Adorno e Horkheimer e Karel Kosik para a construção de um quadro analítico, embora não tenha especificamente “a universidade” ou “políticas de ações afirmativas” como seu principal objeto de preocupação, faz com que suas contribuições se tornem significativas à medida que lançamos um outro olhar sobre as questões sociais que não podem e não devem conformarem-se ou sucumbirem à lógica pré-determinada do capital.

“Eu desisto?” Paredes vivas na cidade: conflitos sociais em cartazes produzidos ao longo da década de 1980, no Brasil

PID: S0104-40602014000100011 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2014
Autores: Oliveira
O trabalho foca um conjunto de cartazes produzido com o fito de mobilizar a sociedade brasileira em prol de demandas sufocadas durante o período ditatorial, que não foi um epifenômeno de uma tradição de recorrente violência. Com a reorganização da sociedade civil ao longo da década de 1980, a chamada década perdida, diferentes agentes coletivos se mobilizaram para dar visibilidade aos seus anseios. Privilegiando a imagem expressa em cartazes, a propaganda destes grupos e, em alguns casos, mesmo do Estado, buscava destacar o advento de um novo tempo, no qual antigas e novas reivindicações poderiam ser finalmente contempladas, desde que a população se organizasse para tal fim. Para além do panfleto político escrito e direto, os cartazes representaram na história uma possibilidade de captar o observador pela imagem, pela cor, pelo traço que, às vezes combinados com o texto, desenvolveriam sua sensibilidade para uma problemática específica. Muitas daquelas reivindicações que compuseram a agenda política do fim da ditadura e dos primeiros anos da volta à democracia, ainda hoje, quase 40 anos depois, continuam a ser objeto da mobilização popular. Isso atesta o quanto, a despeito dos horrores promovidos pela ditadura civil-militar que pontificou neste país entre 1964 e 1985, elites, governos e parcelas da sociedade brasileira relutam em resolver questões tão prementes quanto básicas, tais como a reforma agrária, a violência contra as minorias, a perversa concentração de renda, o corporativismo, a corrupção entre tantas outras mazelas. Assim, procurando fazer dialogar texto e imagem, passado e presente, o trabalho recupera a pergunta feita pela Graúna, de Henfil: haveria alguma esperança?

A arquitetura escolar como objeto de pesquisa em História da Educação

PID: S0104-40602013000300010 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2013
Autores: Dórea
Uma das ideias norteadoras desta pesquisa consiste em encarar a organização do espaço na escola como um dos movimentos que permitem recuperar a história dos estabelecimentos de ensino, possibilitando uma nova leitura dessa ambiência escolar, leitura em que se procura identificar os fatores - políticos, sociais, culturais e econômicos - que interferem na formulação e na execução das políticas educacionais que deram origem aos atuais espaços escolares. No rastro de uma trajetória acadêmica marcada pela intimidade com as questões relacionadas ao espaço escolar, discute-se o papel da organização do espaço na história da escola, destacando a atuação do educador Anísio Teixeira, em três momentos distintos, onde teve a oportunidade de implementar reformas e medidas educacionais que valorizavam o planejamento das edificações escolares: na Bahia (1924-1928), no Distrito Federal (Rio de Janeiro, 1931-1935) e como Secretário de Educação e Saúde do Estado da Bahia (1947-1951). Em síntese, eleger o espaço escolar como objeto de estudo configura-se como uma possibilidade de diálogo entre a Arquitetura e a Educação, ambas responsáveis pela organização e ocupação do espaço físico da escola, bem como com a sua utilização, além de tudo, como espaços educativos.

A educação nos anais da Constituinte Republicana do Estado do Paraná- 1892

PID: S0104-40602013000300013 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2013
Autores: Machado Cury
Este trabalho analisa, com ênfase na questão da educação, o debate constituinte que precedeu a aprovação da Constituição Estadual do Estado do Paraná de 1892, que se desdobrou em um conjunto de leis com o intuito de traçar as políticas educacionais. Na leitura dos anais do Congresso Constituinte, no qual se reuniram 31 deputados, por um período de três meses, eleitos por dois partidos - Partido Republicano e Partido União Republicana -, a posição dos parlamentares ficou claramente definida no que se refere à educação. A educação pública foi tratada com atenção pelos constituintes, embora o texto final recebesse um único artigo, no qual se enfatizava a necessidade de sua gratuidade. Defendia-se que o ensino primário seria gratuito e generalizado, tornando-se tarefa dos pais a obrigatoriedade de oferecer aos filhos a educação. Os deputados não questionavam a importância da educação primária na formação para a cidadania, alertavam, contudo, sobre as dificuldades das finanças do estado em cumprir seus compromissos e despesas, propondo, para tanto, a cobrança de impostos específicos para esse fim. Temas como gratuidade, obrigatoriedade, laicidade, ampliação do número de escolas, liberdade de ensino, ensino em língua nacional provocavam acalorados debates. O debate constituinte foi analisado em sua complexidade e pautado nas relações emanadas da sociedade civil em suas especificidades locais, tomando-se como referência o movimento nacional de defesa da escola pública primária.

A lousa de uso escolar: traços da história de uma tecnologia da escola moderna

PID: S0104-40602013000300008 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2013
Autores: Barra
O trabalho que segue é fruto de um estudo que se inscreve no universo da cultura material escolar, sendo a metodologia empregada a de natureza bibliográfica, com vistas a destacar a história de um suporte técnico-material de relevância das práticas escolares da escola moderna, a lousa de uso escolar. Concentra-se no espaço temporal dado pelo século XIX, por ser este o cenário que dará visibilidade ao esforço de difusão das primeiras práticas escolares de ensino. Parte da hipótese de que a relação entre material e método pode traduzir concepções de ensino, conferindo centralidade à lousa como a tecnologia que, inscrita no conjunto das práticas escolares, resultará na constituição e consolidação do modelo escolar da transmissão simultânea de ensino.

A relação família e escola em um contexto de escolarização do aluno com deficiência: reflexões desde uma abordagem sociológica figuracional

PID: S0104-40602013000300018 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2013
Autores: Celio Sobrinho Alves
Neste texto refletimos sobre dilemas e perspectivas na relação família e escola. Constituíram sujeitos da pesquisa os pais e os profissionais do ensino envolvidos nas atividades de um Fórum de Famílias de alunos com deficiência organizado em uma escola pública do município de Vitória/ES. A investigação pautou-se na pesquisa-ação colaborativo-crítica e nos pressupostos da Sociologia Figuracional - elaborada por Norbert Elias. Das reflexões, destacamos que nas interdependências dos familiares dos profissionais do ensino, emergiram tensões que favoreceram, a uns e a outros, a construção de crenças mais positivas quanto à educabilidade do aluno com deficiência. Essas “novas” crenças, desde então, mobilizaram as pessoas, provocando “reagrupamentos”, aproximações, afastamentos, enfim, desenharam outras relações que, por um lado, não se baseavam unicamente na formação ou ocupação profissional, nas questões de gênero, ou ainda, nas condições econômicas das pessoas envolvidas e, por outro lado, colocavam em movimento a balança de poder da relação família e escola. Observamos que, pouco a pouco, ao longo da trajetória do Fórum de Famílias de Alunos com Deficiência, as crenças dos profissionais do ensino relativas à inclusão escolar e as expectativas dos familiares acerca da escolarização de seus filhos concorreram para a produção de outros referentes de poder que, então, passavam a explicar os sentimentos de pertencimento e de empoderamento e também de inclusão, de escolarização, de aprendizagem e de deficiência.

A sociedade do espetáculo e a reconfiguração da autoridade pedagógica

PID: S0104-40602013000400012 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2013
Autores: Zuin
Na atual sociedade do espetáculo, há um novo imperativo categórico: fazer propaganda de si próprio se transforma na condição da autoconservação. Em meio à universalização das telas e das câmeras, presentes em praticamente todas as relações sociais, destacou-se o caso do colégio Rio Branco, onde 107 alunos foram suspensos por terem se rebelado contra a instalação de câmeras nas salas de aula. Diante deste caso, tem-se como objetivo neste artigo refletir criticamente sobre as novas configurações do significado do conceito de autoridade pedagógica na sociedade na qual todas as relações tendem a se espetacularizar. É nesta sociedade que também as imagens dos professores e alunos se convertem em fetiches audiovisuais que se eternizam por meio das redes sociais, fato este que fomenta a propagação do chamado panóptico atemporal.

A violência da escola na voz de futuros professores: uma probabilidade da produção da cultura da violência em ambientes escolares?

PID: S0104-40602013000300019 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2013
Autores: Silva
O objetivo desta pesquisa é mostrar os tipos de violência cometidos por professores que foram testemunhados e/ou vivenciados por futuros professores durante sua história de escolarização. Trata-se de uma pesquisa quanti-qualitativa cuja forma é descritivo-analítica. A coleta, organização e análise de dados foram procedidas por meio da Análise de Conteúdo (BARDIN, 1977). A conceituação foi triangulada a partir de Bernard Charlot, Pierre Bourdieu e do Relatório do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV/USP) (CARDIA, 2012). Os sujeitos são 12 alunos que, em 2011, cursavam a licenciatura em Pedagogia na Faculdade de Ciências e Letras - Campus de Araraquara - Universidade Estadual Paulista (UNESP). A grande maioria do grupo de sujeitos afirmou ter testemunhado ou vivenciado violência por parte de professores durante sua formação básica. Segundo esses sujeitos, os tipos de violência mais recorrentes são de natureza simbólica. Eles frequentaram, não igualmente, o sistema público de ensino e o sistema privado. A violência, sobretudo simbólica, ocorreu nos dois sistemas de ensino. Portanto, trata-se de um fenômeno que atinge diferentes frações de classes. Levando em conta que os sujeitos deste estudo são futuros professores, estabeleceu-se relação com a noção de “ciclo de abusos” e “produção da cultura da violência”, tendo em vista o futuro exercício docente do grupo em questão. Busca-se, aqui, compreender a complexidade do fenômeno da violência em meio escolar e não estabelecer um jogo entre culpados e inocentes. Tampouco estabelecer estigmas indissociáveis, ou não, sobre a violência da escola.

As gentis patrícias: identidades e imagens femininas na primeira metade do século XX (1920/1940)

PID: S0104-40602013000200012 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2013
Autores: Almeida
O artigo realiza uma releitura de algumas obras publicadas na primeira metade do século XX, dedicadas e dirigidas principalmente às jovens brasileiras, numa intencionalidade explícita de orientar suas atitudes e normas de conduta numa sociedade que se desejava progressista e esclarecida. Nestas são ressaltadas as várias qualidades femininas necessárias para o cuidado com o lar e a função materna, a educação necessária para cumprir com esse objetivo, assim como alguns posicionamentos quanto à sua inserção no espaço público. Mesclam-se conselhos, orientações, advertências, tudo composto para se moldar uma imagética que definia a identidade feminina voltada à domesticidade e por decorrência ao papel subalterno que era desejado para as mulheres na hierarquia social do período. O agrupamento dessas obras se deu pelo critério cronológico dado serem esparsas e de difícil acesso.

As licenciaturas na atualidade: nova crise?

PID: S0104-40602013000400005 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2013
Autores: Aranha Souza
Este artigo visa situar o debate atual sobre a crise nas licenciaturas, pontuando algumas circunstâncias históricas tanto de afirmação e ampliação da escola como locus privilegiado do ensino no mundo moderno quanto da emergência do sentimento de que ela não cumpriu a promessa de formar cidadãos autônomos, livres e iguais em direitos. Exemplifica essa crise com dados apurados pela Pró- Reitoria de Graduação (PROGRAD) e pelo Colegiado Especial de Licenciaturas da Universidade Federal Minas Gerais (UFMG) sobre a relação candidato/vaga nos seus últimos 15 vestibulares. Esses dados apontam para um contínuo esvaziamento dos cursos de licenciatura, tanto no que se refere aos vestibulares quanto aos que se formam, mas optam por ocupações mais vantajosas economicamente. Isso traz questões relevantes para se pensar tanto a formação inicial quanto a formação continuada de professores, uma vez que, em decorrência das vertiginosas mudanças na vida social contemporânea, há um descompasso entre os processos de formação e a emergência de novas demandas para as quais o corpo docente parece sempre estar despreparado para assumir.

Catequizadores de índios, educadores de colonos, soldados de Cristo: formação de professores e ação pedagógica dos jesuítas no Brasil, de 1549 a 1759, à luz do Ratio Studiorum

PID: S0104-40602013000200014 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2013
Autores: Mesquida
A presença dos jesuítas no Brasil Colônia, de 1549 a 1759, marcou indelevelmente nossa educação e nossa prática pedagógica. O Ratio Studiorum, compêndio de regras de como ensinar, como aprender, como administrar uma instituição de ensino, foi responsável pela construção de um verdadeiro sistema de ensino no território nacional, pois não somente homogeneizava a prática pedagógica, como estabelecia um único método de ensino/aprendizagem. O objetivo principal da pesquisa cujo relato apresenta-se sob a forma de artigo foi analisar criticamente o Ratio Studiorum de 1599, edição em inglês de 1870, e sua repercussão na formação de professores pela Companhiade Jesus no Brasil, assim como encontrar traços da prática pedagógica dos inacianos e sua influência sobre a sociedade no período estudado. Para tanto, lançou-se mão da historiografia que tivemos acesso, em especial Leite (1938), Lacouture (1994), Franca (1952), Schimitz (1994), entre outros, e de fontes documentais de apoio, utilizando basicamente a crítica hermenêutica para a análise, a interpretação e a crítica dos dados coletados, chegando a algumas conclusões preliminares, como o fato de que a ação pedagógica dos jesuítas incorporou-se na prática pedagógica no Brasil, marcando-a indelevelmente. A pesquisa mostrou também que a educação foi escolhida como opção preferencial assumida pela Companhia de Jesus desde a sua origem, e a forma como o ensino fundado no Ratio, tendo como base teórica o tomismo-aristotélico, auxiliou a conformar a sociedade à cultura luso-europeia, baseada na ordem, na disciplina, na obediência, na autoridade, no respeito hierarquizado às regras.

Concepções de educação ambiental de professores de biologia em formação nas universidades públicas federais do Recife

PID: S0104-40602013000400014 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2013
Autores: Araújo França
A formação de professores é processo complexo e o papel de formar professores de biologia para atuar efetivamente com a Educação Ambiental (EA), em todos os níveis de ensino, impõe às universidades desafios e compromissos socioambientais complexos a serem assumidos. Tal afirmação leva-nos a perceber quão necessário é o diálogo universidade-educação ambiental na formação de profissionais que atuam em prol da sustentabilidade. Tendo isto como pressuposto, o presente trabalho teve por objetivo analisar concepções de EA de licenciandos em ciências biológicas das duas universidades públicas federais do Recife e refletir sobre as contribuições desses espaços formativos na formação de professores, pois as concepções de EA construídas na universidade têm relação direta com a prática docente exercida. Para tal, aplicamos questionários a estudantes de último período de ambos os cursos. Verificamos que há predomínio das concepções de EA como educação voltada ao meio ambiente e EA como educação para a sustentabilidade. Entretanto, encontramos também a concepção de EA como área da biologia, o que significa reduzi-la aos conceitos desta área do conhecimento e afastá-la da área educacional. Os resultados apontam para o compromisso acadêmico das universidades em garantir a EA na formação de professores e para o necessário processo de discussão e reflexão ampla sobre questões socioambientais que visem o fortalecimento das instituições e, consequentemente, a formação de professores.

Crise, Estado social e desafios do sindicalismo: breve reflexão sobre a Europa

PID: S0104-40602013000200003 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2013
Autores: Estanque
Atualmente a questão sindical encontra-se numa encruzilhada da qual dificilmente sairá sem sofrer danos profundos no seu actual modelo. Na verdade, o sindicalismo tradicional - mesmo aquele que sempre se reivindicou de sindicalismo “de classe” - vem desde há muito dando sinais de esgotamento. Considerando a Europa e todo o seu legado social, é impossível qualquer reflexão sobre este assunto sem, ao mesmo tempo, dar conta das principais linhas de mudança que ocorreram no velho continente desde as primeiras décadas do século XX, tanto no plano sociolaboral como na esfera política e da actividade do Estado. O movimento sindical europeu bateu-se pelos direitos laborais e participou nas mais intensas lutas anticapitalistas do século XIX, mas acabou tomando parte do compromisso histórico que fabricou (à sombra do Estado-providência) as “classes médias” e levou ao poder a social-democracia. Ao mesmo tempo, não conseguiu acompanhar a dinâmica que transformou o trabalho e que germinou sucessivos movimentos sociais fora do seu controlo. Desde os anos sessenta às actuais lutas contra a precariedade e os défices democráticos, passando pelos movimentos antiglobalização neoliberal e terminando nos novos activismos dos “ciberespaços”, as novas linguagens e repertórios que mais mobilizaram a juventude em diferentes gerações foram, ou são, experiências relativamente laterais às estruturas sindicais e suas lideranças. Será que a intensidade da actual crise e a sua pressão esmagadora sobre o mundo do trabalho - e as classes médias europeias - fará despertar os sindicatos e retirá-los do colete de forças burocrático em que se deixaram enredar? Partindo desta realidade, o presente texto pretende traçar um balanço crítico do sindicalismo mundial e questionar os desafios que hoje se lhe colocam.

Cultura mundial y mundos de significado culturalmente específicos

PID: S0104-40602013000300015 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2013
Autores: Schriewer
Cultura mundial não é - sobretudo em um título de um ensaio - um conceito de alcance modesto e tampouco necessita de elaborados conteúdos teóricos. Portanto, requer alguns esclarecimentos prévios. Nesse sentido, iniciarei este artigo com um delineamento do conceito de “cultura mundial”, bem como do horizonte teórico de que ele tem feito parte. Trata-se de um marco teórico que procura compreender e explicar os processos do crescente entrelaçamento das relações de comunicação e intercâmbio que estão acontecendo em nível mundial em quase todos os âmbitos sociais, econômicos e científico-tecnológicos. Na segunda parte, apresentarei algumas linhas de investigação da sociologia e da educação comparadas, cujos resultados apontam em uma direção oposta às teses desenvolvidas pelos teóricos da “cultura mundial”. Na sequência, utilizarei na terceira parte o conceito alternativo de “mundos de significado culturalmente específicos”, e na quarta e última parte, abordarei brevemente o atual debate entre as teorias “da convergência” e “da divergência” ao levantar algumas expectativas de uma conceituação que a partir de seu poder explicativo tem potencial para superar esses pontos de vista opostos.

Cultura, material escolar e formação de professores: como disciplinar o corpo- imagens e textos

PID: S0104-40602013000300011 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2013
Autores: Corrêa
A cultura material encerra em seu interior concepções educativas por meio de prescrições escolares que indicam o que e como ensinar. Nesta perspectiva é analisada a revista de Educação Física, organizada pelo órgão do Centro Militar de Educação Física do Rio de Janeiro, de periodicidade mensal e editada entre os anos de 1932 a 1939. Essa revista foi usada no processo de formação de professores no Curso Normal de Educação Física. Suas edições estão situadas no período de criação desse curso em Curitiba, por meio da fundação da escola de Educação Física e Desportos do Paraná. Aborda-se em particular o curso normal de educação física cursado em dois anos em Escolas Normais destinadas à formação de professores primários, onde o professor obteria o diploma de normalista especializado em educação física. O propósito deste trabalho é analisar o conteúdo dessas revistas para apreender a concepção de educação física nelas contida em consonância com os ideais do período no qual elas são produzidas e entram em circulação. Para tanto, se procede a uma apreciação interpretativa que aponta para um entendimento disciplinar de cunho moral de formação que deveria ser disseminada pelos docentes nos estabelecimentos de ensino primário.

Das mãos para as mentes. Protocolos de civilidade em um jornal escolar/SC (1945-1952)

PID: S0104-40602013000300009 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2013
Autores: Cunha
Pétalas Infantil era um jornal escolar redigido manualmente por meninas de 7 a 10 anos do então curso primário de um colégio religioso feminino em Florianópolis/Santa Catarina (SC) - Colégio Coração de Jesus - no período compreendido entre 1946 a 1952. Nessa publicação que circulava mensalmente entre elas próprias e suas famílias, as alunas davam notícias sobre o cotidiano escolar, possivelmente com aval do próprio Colégio. De posse desse material (66 exemplares do jornal) considerado ordinário, o estudo centrou sua atenção nos artigos, comentários e sugestões de leitura que expressavam protocolos de civilidade através de mensagens de orientação e regras de conduta pessoal, escolar e cívica que caracterizavam uma cultura escolar do período. Procura-se destacar, pelas lentes da História da Educação e da Cultura Escrita, a importância desse material manuscrito, analisando-o como um dos integrantes da cultura material escolar e, como tal, um documento que permitirá apreender indícios de saberes e práticas escolares vigentes no período e que evidenciam tanto aspectos do funcionamento interno da própria instituição escolar quanto os propósitos civilizatórios que divulgavam pelas vias do escrito.

Debates sobre gênero na docência: o professor do sexo masculino nas séries iniciais do Rio de Janeiro-Brasil e Aveiro-Portugal

PID: S0104-40602013000200013 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2013
Autores: Rabelo
Este artigo centra-se em uma investigação sobre a figura do professor do sexo masculino que trabalha no ensino público do ensino primário, onde averiguamos os motivos e as consequências da escolha profissional destes docentes que se enveredam por uma área tipicamente associada com o feminino. Analisando questionários e entrevistas com estes professores são identificadas nas suas narrativas as questões que marcaram a opção pela docência fazendo um estudo comparativo entre duas regiões: Rio de Janeiro/ Brasil e Aveiro/Portugal. A presença de professores do sexo masculino na docência do ensino primário é uma forma de inserir as questões de gênero na educação e demonstrar que o homem também pode escolher essa atividade. Promove-se, então, discussões centradas nas representações de gênero que rondam o campo profissional da docência, neste artigo focadas mais nos resultados dos questionários.

Do sentido de Scurrere à aposta no futuro: elementos de aproximação entre currículo e prospecção

PID: S0104-40602013000400015 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2013
Autores: Thiesen
O presente texto, resultado de um exercício teórico construído no âmbito dos objetos de pesquisa do autor, propõe revelar alguns elementos de aproximação entre as disciplinas/campos de currículo e prospecção. Parte-se da hipótese de que ambos se ocupam de alguns objetos comuns, na medida em que discutem trajetórias, projetos formativos, teleologicidade, futuro, aposta etc. Para sustentar sua hipótese, o autor assume que as políticas educacionais e curriculares da sociedade capitalista vêm convertendo-se em forte instrumento estratégico geralmente focado em torno de dois grandes objetivos: atender a demandas do presente e antecipar fatos portadores de futuro visando-se alcançar cenários desejados em médio e longo prazo. Nesse sentido, currículo e prospecção encontram-se na medida em que ambos trabalham com a ideia de um telos, ou seja, em “apostas” sobre a construção de futuros possíveis. Para evidenciar elementos que ilustrem a aproximação das referidas disciplinas/campos, elencam-se algumas políticas educativas e curriculares atuais, destacando-se, sobretudo, os referenciais que indicam a presença de elementos de prospecção.

Educação, classe, gênero e voto no Brasil imperial: Lei Saraiva - 1881

PID: S0104-40602013000400011 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2013
Autores: Ferraro
Este trabalho trata da reforma eleitoral de introdução do voto direto no Brasil, conhecida como Lei Saraiva (1881), quase no final do Império. Focaliza duas questões que se entrecruzam: a de como os liberais brasileiros se posicionaram acerca do acesso da classe trabalhadora, dos analfabetos e das mulheres ao voto; e aquela do uso que os parlamentares liberais brasileiros fizeram das ideias do liberal inglês John Stuart Mill no encaminhamento da mencionada reforma. Na perspectiva teórico-metodológica da História Social ou da Sociologia Histórica e tendo como base os debates travados na Câmara dos Deputados, como registrados nos Anais (1879-1880), e textos filosófico-políticos do referido liberal inglês, este estudo mostra como os parlamentares brasileiros: a) radicalizaram o critério econômico de Stuart Mill, endurecendo os mecanismos de comprovação da renda mínima (censo) para votar; b) incorporaram na nova Lei o critério milliano de exclusão dos analfabetos do direito de voto, num país com mais de 80% de analfabetos, carente de escolas e sem obrigatoriedade escolar ainda; e c) ignoraram a proposta do autor inglês de extensão do direito de voto às mulheres. Mostra ainda que o resultado da reforma foi um enorme retrocesso em termos de participação política popular, sem o prometido avanço na escolarização.
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