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Paradigmas e cognições no campo da administração educacional: das políticas de avaliação à avaliação como política

PID: S1413-24782010000300005 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2010
Autores: Correia
Nas duas últimas décadas, os dispositivos e instrumentos de avaliação adquiriram uma importância crescente no campo da administração em educação. Não podendo ser dissociados do processo de erosão do Estado educador, os actuais dispositivos de avaliação não se insinuam, apenas, como dispositivos mais eficazes de regulação dado serem sustentados num conhecimento mais detalhado do campo. Neste artigo admite-se que a avaliação produz o campo que avalia e se propõe uma análise das principais tendências de constituição do campo, situadas nos níveis político, cognitivo e institucional. Na esfera política, comenta-se o processo de desqualificação do debate político contextualizado e da afirmação sem precedentes de uma definição contabilística de educação, na qual se enfatiza sobretudo o trabalho de descontextualização e a reflexão sobre a eficácia dos meios. No plano cognitivo, são debatidos os conhecimentos e desconhecimentos produzidos pela avaliação, para realçar o trabalho de coisificação dos entes educativos e das suas relações que, deste modo, são desapropriados das suas qualidades especificamente educativas. No plano institucional, são realçados tanto os processos de produção de novas figuras institucionais como os processos de redistribuição das responsabilidades sociais pelos fracassos da escolarização. Conclui-se explicitando alguns referenciais susceptíveis de configurarem um paradigma alternativo que, não sendo normativo, se preocupa com a reabilitação dos desconhecimentos produzidos pelo paradigma da avaliação, valorizando sobretudo as mediações epistemológicas, institucionais e cognitivas.

Performances da docência: compreensão das dimensões filosóficas da formação

PID: S1413-24782010000300011 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2010
Autores: Ourique
O artigo mapeia a produção sobre a temática da formação, difundida, nos anos de 2007 a 2009, no grupo de trabalho Filosofia da Educação da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisas em Educação (ANPEd). Ressaltam-se as dimensões filosóficas da formação docente, procurando entender em que direção essas pesquisas estão caminhando. A identificação de formas distintas de delinear o uso da racionalidade docente implica, decisivamente, expectativas colocadas sobre os ombros do professor e suas performances. O desafio é estabelecer vínculos comunicativos, no sentido imagético, entre as diferentes formas de compreender a formação e a racionalidade que guiam a docência nesses estudos. As reflexões sobre o fazer pedagógico alimentam, de alguma forma, a construção de imagens aglutinadoras das dimensões éticas e estéticas da formação, constituindo-se essa preocupação com a performance da docência num campo promissor para o debate sobre as confluências entre filosofia e educação.

Política educativa chilena 1965-2009: qué oculta esa trama?

PID: S1413-24782010000200008 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2010
Autores: Oliva
Aborda-se a política educativa do período 1965-2009 a partir do questionamento sobre o que ocultaria essa trama. A hipótese é de que a política educativa, excetuando-se o período do governo Allende, demonstra que essa instituição é da ordem neoliberal. São revisadas algumas antinomias, mecanismos dessa ordem que tiveram início em 1965 com a pedagogia por objetivos e a teoria do capital humano. Essa pedagogia é aprofundada na ditadura, paralelamente à ideia subsidiária do Estado, regulamentado na Constituição de 1980, ainda vigente e presente na atual Lei Geral de Educação. A municipalização, a transformação no financiamento e a perda de status de funcionário público dos professores são um legado da ditadura. Tudo isso nega o desejo democrático da atual política educativa, transformando-a em cúmplice de um sistema que gera desigualdade e fragmentação social.

Políticas educacionais contemporâneas: tecnologias, imaginários e regimes éticos

PID: S1413-24782010000300004 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2010
Autores: Garcia
Inspirado em um conjunto de estudos que problematizam o caráter global das reformas educacionais desde os anos de 1990 e nos estudos de Michel Foucault acerca do discurso e da governamentalidade, o artigo examina a racionalidade que tem pautado as atuais reformas educacionais, destacando suas principais tecnologias de governo e relações com a produção de imaginários sociais e regimes éticos dos indivíduos. A título de ilustração, apresenta enunciados dispersos em documentos oficiais produzidos no Brasil ou que apontam, de modo exógeno, para as formas de identidade e atuação desejadas para o sujeito econômico, político e educacional. Argumenta que os imaginários e os regimes do eu promovidos pelos discursos educacionais oficiais, no Brasil, têm um caráter híbrido, aliando preocupações economicistas e "cosmopolitas" a demandas locais, marcadas pela necessidade de justiça e igualdade social. Conclui que o discurso das reformas e de promoção da qualidade da educação vem sendo tomado de empréstimo para justificar o movimento de reorganização do Estado brasileiro em bases gerencialistas, não modificando substancialmente as condições de desigualdade educacional entre jovens oriundos de diferentes classes sociais.

Promoção de habilidades cognitivas e educação: um modelo de análise de programas de desenvolvimento cognitivo

PID: S1413-24782010000300013 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2010
Autores: Gonçalves
No âmbito educativo, a promoção do desenvolvimento cognitivo tem-se materializado em distintas propostas de intervenção conhecidas como programas de "ensinar a pensar" ou programas de desenvolvimento cognitivo (PDC). A partir da constatação da necessidade de uma aproximação crítica ao enquadramento conceptual e design dos referidos programas, o artigo apresenta um modelo de análise que parte do questionamento dos modelos teóricos que estão na base dos PDC. Propõe como referenciais teóricos da análise empreendida as teorias do desenvolvimento e da cognição emergentes das neurociências cognitivas e da biologia evolutiva, integradas no paradigma da complexidade, e elabora, com base nelas, um modelo de análise aplicado a um conjunto de programas seleccionados. O modelo proposto pode contribuir para repensar os programas existentes e propor novas formas de intervir neste campo em particular.

Práticas e percepções docentes e suas relações com o prestígio e clima escolar das escolas públicas do município do Rio de Janeiro

PID: S1413-24782010000300008 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2010
Autores: Brito Costa
O artigo apresenta resultados de uma pesquisa realizada em escolas públicas do município do Rio de Janeiro que investigou a percepção dos professores sobre suas práticas pedagógicas, a fim de compreender se as características referentes ao clima e prestígio escolar podem influenciar o trabalho docente realizado nas escolas. Os achados sugerem que os professores tendem a mudar suas atitudes nas escolas em função da reputação destas e das imagens que constroem acerca de seu alunado. Fatores associados à contribuição da escola em promover ou acentuar as desigualdades escolares entre os alunos foram identificados, destacando-se diferenças no critério de oferta de vagas, perfil da gestão escolar, diferenças no tratamento dos conteúdos a serem ensinados e nas formas de avaliação. O trabalho indica que há um efeito bola de neve na tendência a que as escolas se tornem ambientes relativamente homogêneos.

Sistema Nacional de Educação articulado ao Plano Nacional de Educação

PID: S1413-24782010000200013 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2010
Autores: Saviani
Versando sobre o tema central da Conferência Nacional de Educação (CONAE), realizada em Brasília de 28 de março a 1º de abril de 2010, o texto trata do conceito de Sistema Nacional de Educação em articulação com o Plano Nacional de Educação. Para tanto, após indicar os usos básicos do conceito de sistema, aborda a questão do Sistema Nacional de Educação explorando, em especial, o problema federativo para mostrar a plena compatibilidade da organização do Sistema Nacional de Educação com o regime federativo. Na sequência, aborda o significado histórico do Plano Nacional de Educação mostrando que o plano é uma exigência do sistema, uma vez que a educação sistematizada implica a ação planejada. Assim sendo, o Plano Nacional de Educação constitui o meio pelo qual se pode aferir o grau em que o Sistema Nacional de Educação está cumprindo as metas e objetivos que lhe cabe atingir.

Sobre a constituição da disciplina curricular de língua portuguesa

PID: S1413-24782010000100005 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2010
Autores: Pietri
O objetivo deste artigo foi considerar mais detalhadamente um momento do processo histórico de constituição da disciplina curricular língua portuguesa no Brasil. Na década de 1970, alterouse a organização da escolarização básica e instâncias oficiais responsáveis pelo ensino publicaram documentos que subsidiavam, teórica e metodologicamente, as mudanças curriculares propostas. Fundamentada em perspectiva discursiva, a análise de documentos produzidos no período revela características importantes a respeito dos modos de apropriação, com objetivos pedagógicos, de saberes acadêmicos sobre linguagem. A análise possibilitou também evidenciar a complexidade desse momento histórico, caracterizado pela diversidade de aspectos acadêmicos, políticos e didáticos em concorrência.

Sobre a proximidade do senso comum das pesquisas qualitativas em educação: positividade ou simples decadência?

PID: S1413-24782010000100010 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2010
Autores: Devechi Trevisan
O artigo propõe uma discussão sobre a forma de recepção das pesquisas qualitativas na educação. Procura enfrentar as acusações da ausência de rigorosidade científica, defendendo que o problema não está propriamente na concepção de pesquisa, menos ainda numa simples decadência natural de sua história. Entende que existe uma falta de compreensão que permite a apropriação dessas pesquisas de maneira nem sempre adequada às suas exigências. Questiona, assim, o empobrecimento da sua experiência no campo educativo, compreendendo a importância do quantitativo nas abordagens em suas diferentes configurações. A título de provocação, enuncia algumas proposições com o intuito de diminuir a possibilidade de que tais pesquisas sejam avaliadas como formas prosaicas de produção do conhecimento no contexto educativo.

Titulação escolar, condição de “elite” e posição social

PID: S1413-24782010000100004 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2010
Autores: Coradini
O artigo tem como objetivo a apresentação de resultados do exame das relações entre titulação universitária, ocupação profissional e posição social no Brasil das últimas décadas. Utilizando como fonte de dados empíricos os microdados dos censos, é confrontada a titulação universitária com os destinos ocupacionais e o rendimento do trabalho principal. Conforme a hipótese geral, como os usos sociais da titulação universitária se inscrevem numa diversidade de mercados e de relações diferenciadas com a estrutura de poder, por um lado ocorre o crescimento da proporção daqueles que têm alguma ocupação de "elite", por outro, a forte polivalência nos usos da titulação universitária resulta também na grande quantidade dos que exercem alguma ocupação com rendimento inferior ao daqueles da categoria ocupacional correspondente ao título. A área de conhecimento tem pouca importância para tanto, ao contrário das possibilidades de usos da titulação em alguma função de comando ou abaixo da respectiva categoria profissional.

Um currículo de masculinidades nos estádios de futebol

PID: S1413-24782010000200010 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2010
Autores: Bandeira
O artigo procura analisar diferentes masculinidades nos estádios de futebol e ver de que forma elas se hierarquizam, mostrando como as ações dos torcedores, seus cânticos, suas vestimentas e faixas estão envolvidos nas construções das masculinidades desses sujeitos. Os estádios exercem uma pedagogia: aprende-se quando gritar, quando calar, o que gritar, o que calar, o que e como sentir... Argumentase que o conceito de currículo construído nos estádios de futebol pode ser pensado como práticas que os sujeitos são reiteradamente convidados a fazer. Essas práticas são sistematizadas no artigo em quatro eixos: raça, garra e luta; violência e socialização; um amor de macho; masculinidades subalternas.

Uma análise acerca do boicote dos estudantes aos exames de avaliação da educação superior

PID: S1413-24782010000100003 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2010
Autores: Leitão Moriconi Abrão Silva
O artigo analisa o fenômeno denominado boicote aos exames que compõem o sistema de avaliação do ensino superior no Brasil, dando ênfase ao Exame Nacional de Avaliação do Desempenho do Estudante (ENADE). Evidencia a magnitude do fenômeno, ao longo do tempo, entre as instituições públicas e privadas, por tipo de boicote. A análise econométrica realizada tomou como base os dados do último triênio de avaliação do ENADE, identificando as variáveis que mais afetaram a decisão do aluno em adotar esse comportamento, assim como permitindo traçar um perfil do estudante que aderiu ao fenômeno. Como principal conclusão, o estudo mostra que o boicote, quando analisado de uma forma geral, não se mostra significativo, uma vez que o percentual de ocorrência nunca foi superior a 3,5%; quando analisado por curso, porém, a incidência desse fenômeno apresentou grandes variações. O presente artigo também apresenta algumas possíveis motivações para esse comportamento, entre elas, a insatisfação do aluno com o curso ou com a instituição.

Uma genealogia dos impressos para o ensino da escrita no Brasil no século XIX

PID: S1413-24782010000200005 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2010
Autores: Frade
O objetivo deste artigo é caracterizar e compreender diferentes modelos e formatos de livros escolares ou de outros impressos para ensinar os princípios da escrita, utilizados na Província de Minas Gerais e no Brasil a partir do início do século XIX. Anterior a uma produção escolar mais autoral de livros para ensinar a ler, encontramos menções sobre o uso de abecedários, cartas do ABC e silabários. Na ausência de materiais conservados, buscaram-se indícios de como eles se apresentavam e eram utilizados em fontes primárias (correspondências, relatórios, mapas de desempenho) produzidas na Província de Minas Gerais, desde 1823. Com essas fontes, problematizamos o uso de tabelas, tábuas e cartas. Outro conjunto de fontes analisado é constituído por quatro livros brasileiros e um livro traduzido para o português, cujos títulos continham as denominações silabário, abecedário e cartas de ABC. A investigação baseia-se não só nos campos da história da leitura e do livro (Roger Chartier), que abordam as formas dos textos, dos impressos e de seus usos, mas também nos estudos da história da alfabetização e da educação, no mesmo período. Para uma análise comparativa, fontes secundárias francesas ajudam a compreender a forma e os usos de tabelas, abecedários e silabários.

"Discutir educação é discutir trabalho docente": o trabalho docente segundo dirigentes da Confederación de Trabajadores de la Educación de la República Argentina (CTERA)

PID: S1413-24782009000200007 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2009
Autores: Ferreira
Inserido nos debates a respeito da dicotomia entre "proletarização" e "profissionalidade" do trabalho docente, o texto destaca significados oferecidos por dirigentes da CTERA aos conceitos de "trabalhador em educação" e de "profissional docente". Os dados foram obtidos por meio de entrevistas semiestruturadas, realizadas com um homem e duas mulheres. O referencial sustenta-se em análises que interpretam a gênese da ocupação como forma de compreender sua atual configuração; o processo de trabalho docente; e a importância do gênero para tecer as representações existentes sobre a ocupação. Os resultados indicam que, na elaboração dos sindicalistas, não há contradição entre ser trabalhador e buscar a profissionalidade. A defesa da identidade de trabalhador em educação articula a luta contra a retirada de direitos trabalhistas e o papel protagonista do professorado no desenvolvimento de projetos educacionais.

A implementação dos ciclos de formação em Porto Alegre: para além de uma discussão do espaço-tempo escolar

PID: S1413-24782009000100005 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2009
Autores: Fetzner
O artigo propõe a reflexão sobre as condições em que os ciclos de formação foram implementados na rede municipal de ensino de Porto Alegre. Situam-se as relações entre sociedade e cultura escolar; apresenta-se a gênese do conceito de ciclos, com referência nos estudos de Vygotsky e Wallon; retomam-se algumas propostas educacionais consideradas inéditos viáveis na educação brasileira, tais como a escola primária integral e a educação popular; e, ao final, apresentam-se algumas situações específicas de Porto Alegre em relação a outras propostas de ciclos contemporâneas. O conceito de cultura escolar é o foco na análise das práticas e indica a transição de processos escolares conservadores para processos democratizantes.

A inclusão escolar do ponto de vista dos professores: o processo de constituição de um discurso

PID: S1413-24782009000100010 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2009
Autores: Anjos Andrade Pereira
O artigo analisa, nas falas dos professores da rede pública, as referências à inclusão de alunos com deficiência. Tais falas foram coletadas em entrevistas não-estruturadas, interpretadas seguindo os princípios da análise de discurso e organizadas em três grupos de sentido: concepções de base, o lugar de si e o lugar do outro. Aparece, no discurso, uma naturalização das temáticas da deficiência e da normalidade. O falante descreve-se como parte do processo inclusivo, mesmo relatando sentimentos como impotência, frustração e despreparo. Essa participação limita-se à sala de aula, evidenciando certa passividade com relação às carências da educação. Distingue-se do restante o mundo onde o professor tem função de direção (a sala de aula). As relações entre governo, pais, atendimento especializado e a ação pedagógica aparecem fragmentadas. Os fatores apontados como desfavoráveis à inclusão são naturalizados. Essa distinção entre o mundo pedagógico e o restante reforça uma concepção de inclusão como produto acabado, naturalizando-a e separando o processo inclusivo das relações entre inclusão e exclusão.

A organização do ensino fundamental em ciclos: algumas questões

PID: S1413-24782009000100004 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2009
Autores: Alavarse
No artigo são problematizados alguns aspectos associados à organização do ensino fundamental em ciclos, a partir de iniciativas em redes públicas de ensino e da literatura relativa à temática. A implantação dos ciclos, com diferenças de várias ordens, intensificou-se com a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) de 1996 e é apresentada como uma alternativa à seriação e ao fracasso escolar, especialmente quanto às altas taxas de reprovação e ao baixo aproveitamento dos alunos brasileiros, sendo também acompanhada de fortes resistências e polêmicas. Da perspectiva da democratização da escola, enfocam-se os desafios da igualdade de resultados, como aprofundamento da igualdade de oportunidades, o que compreende o tensionamento da seriação e da repetência escolar como expediente pedagógico, com destaque para os objetivos escolares e as implicações pedagógicas que os ciclos imporiam. Contudo, se os ciclos não podem ser associados à queda de qualidade do ensino, pondera-se que, apesar de seu enorme potencial democrático, ainda não foram atingidos os objetivos preconizados com sua adoção.

A organização escolar em ciclos e a questão da igualdade substantiva

PID: S1413-24782009000100003 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2009
Autores: Miranda
O artigo discute alguns fundamentos das propostas da organização escolar em ciclos e suas implicações, a partir da compreensão de que a proposta de ciclos precisa agregar novo sentido de escola ao critério de não-retenção para afirmar sua distinção perante propostas de progressão continuada. Pergunta: se a escola deve mudar, quais são os princípios que orientam essa mudança na perspectiva da escola de ciclos? O entendimento é de que o debate acerca dessas políticas nem sempre apresenta claramente o conjunto de princípios que as fundamenta. Propõe uma discussão inicial acerca da pertinência de aludir à psicologia como sua principal referência, passando à questão considerada mais determinante: a compreensão dos sentidos atribuídos à educação escolar contemporânea, em que se insere o embate entre o discurso liberal da igualdade, com suas variantes atuais em defesa das diferenças, e o princípio da igualdade substantiva. Aborda a tendência à redefinição ou mesmo à supressão do princípio de igualdade, o que se expressa predominantemente: a) pela proposição de um "liberalismo igualitário", que tende a substituir igualdade por equidade, e b) pela defesa de um princípio da diversidade como crítica ao preceito da igualdade. Em contraposição a essas perspectivas, ressalta a igualdade substantiva (Mészáros) como um princípio orientador geral no enfrentamento das desigualdades sociais. O artigo indica, assim, a importância de investigar como as propostas de ciclos se situam em relação a esse embate.

A participação da sociedade civil brasileira na educação de jovens e adultos e na CONFINTEA VI

PID: S1413-24782009000200013 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2009
Autores: Haddad
Este artigo tem por objetivo discutir a participação da sociedade civil no contexto da VI CONFINTEA e as questões trazidas no seu processo preparatório. Para tanto, história como veio se dando esta participação ao longo da história recente do Brasil, em diálogo com a constituição das políticas públicas em educação de jovens e adultos (EJA), discutindo a relação entre o poder público e a sociedade civil. Retoma o processo preparatório relativo à V CONFINTEA, ocorrida em 1997, em Hamburgo, na Alemanha, e a consequente formação dos fóruns estaduais de educação de jovens e adultos e dos encontros nacionais desses fóruns, os Enejas, conformando um modo particular de participação.

A pesquisa do professor da educação básica em questão

PID: S1413-24782009000300005 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2009
Autores: Lüdke Cruz Boing
O texto discute a pesquisa do professor com autores que veem nela alguma possibilidade de acontecer. Dentre os autores trabalhados, destacam-se: Stenhouse, Elliott, Huberman, Geraldi, Fiorentini, Cochran-Smith, Lytle, Anderson, Herr, André, Lüdke, Cruz, Zeichner, Diniz-Pereira, Nofke, Tardif e Zourhlal. Para servir de instrumento à pesquisa, foram selecionados dois trabalhos de professores que foram apresentados no XII Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino (ENDIPE, 2004) e dois outros no II Seminário Internacional de Pesquisa em Educação Matemática (SIPEM, 2003). Os quatro textos foram enviados a 12 juízes, escolhidos em diferentes instâncias, dentre profissionais bem preparados em suas respectivas áreas de formação, com vasta experiência de pesquisa e intensa produção, além de interessados e sensibilizados com a formação de professores, inclusive no que se refere à sua pesquisa. A partir dos pareceres desses avaliadores, são apresentados alguns resultados teórico-metodológicos e práticos que podem enriquecer o debate sobre os limites e possibilidades da pesquisa dos professores.
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