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Ler e escrever: habilidades de escravos e forros? Comarca do Rio das Mortes, Minas Gerais, 1731-1850

PID: S1413-24782007000300008 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2007
Autores: Morais
Neste artigo busca-se analisar as relações estabelecidas entre escravos e excativos (forros) com a cultura escrita, a partir de um recorte de longa duração (1731-1750) e de um levantamento quantitativo de documentos produzidos na Comarca do Rio das Mortes, Minas Gerais. As assinaturas foram elevadas ao estatuto de fontes para inferir os graus de letramento daqueles capazes de firmar seus nomes. As capacidades autográficas foram coletadas em processos-crime e testamentos, tendo sido as chancelas originais qualificadas com o auxílio de uma escala de assinaturas. Outras fontes analisadas foram as notícias de venda ou fuga de escravos, publicadas em um periódico do Oitocentos, uma vez que alguns anúncios informavam se os escravos sabiam ler e escrever. Ao longo do período analisado, percebeu-se uma continuidade na posse das tecnologias de leitura e escrita por parte dos homens que exerciam ofícios especializados, como os alfaiates, pedreiros e carpinteiros.

Missionárias norte-americanas na educação brasileira: vestígios de sua passagem nas escolas de São Paulo no século XIX

PID: S1413-24782007000200012 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2007
Autores: Almeida
Nos anos finais do século XIX, a Província de São Paulo contava com vários estabelecimentos de ensino fundados pelos missionários norte-americanos: as escolas americanas. Essas escolas passaram a fazer parte da oferta de ensino regular num sistema escolar que tentava firmar-se na educação paulista, e chegaram mesmo a destacar-se no cenário nacional, sendo reconhecidas pelas autoridades brasileiras, colaborando na construção da cultura, da nacionalidade e da identidade do país. Ao ressaltarem a necessidade de educação para as mulheres e o magistério feminino como forma de elevação moral e espiritual, de acordo com seus preceitos religiosos, e instituírem a co-educação dos sexos, descortinaram uma nova perspectiva educacional, diferente da pregada pelos colégios católicos e até mesmo pelo ensino público, introduzindo as premissas liberais vigentes nos Estados Unidos, e que em São Paulo ainda eram vistas com certo receio pelos setores conservadores da sociedade civil e da Igreja católica.

Mídia, máquinas de imagens e práticas pedagógicas

PID: S1413-24782007000200009 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2007
Autores: Fischer
Neste trabalho, discuto, as relações entre mídia e trabalho pedagógico escolar, tratando de modos de existência contemporâneos em que práticas cotidianas se transformam, particularmente no que se refere às nossas experiências com os saberes, às formas de inscrever-nos no social, de escrever, de falar, de pensar o mundo e a nós mesmos. Tais práticas dizem respeito, basicamente, ao encantamento com as "novas tecnologias", ao excesso e acúmulo de informações, a uma cultura da imagem, à velocidade das comunicações, a novas percepções de tempo, memória e história, à miscigenação de linguagens nas diferentes máquinas de produção de imagens, entre outras. Trato de contribuições da filosofia de Bergson, Foucault e Badiou, pertinentes aos estudos sobre imagens audiovisuais, articulando-as a trabalhos sobre cinema, vídeo e televisão, como os de Dubois e Silverstone, a fim de mostrar a relevância de trazer os materiais midiáticos para o debate no interior das práticas pedagógicas contemporâneas.

Nos fios de Ariádne: cartografia da relação saúde-trabalho numa escola pública de Vitória-ES

PID: S1413-24782007000100009 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2007
Autores: Mascarello Barros
Trata-se de estudo qualitativo abordando as relações entre saúde e trabalho de professores de uma escola da rede pública na cidade de Vitória, capital do estado do Espírito Santo. Seu objetivo foi cartografar as vivências de prazer e sofrimento dos docentes, principalmente as estratégias criadas para defenderem- se das nocividades do ambiente de trabalho e produzirem saúde. Afirma a indissociabilidade entre modos de trabalhar e modos de subjetivar, e constata que a deterioração do sistema público de ensino tem produzido seus efeitos no trabalho do professorado, comprometendo a saúde desses profissionais e gerando, muitas vezes, seu afastamento das funções por meio de licenças médicas ou mesmo abandono da profissão. Procura dar visibilidade às ações que apontam para a recriação do trabalho, mesmo dentro de condições adversas.

O FUNDEF no estado do Rio de Janeiro: a óptica dos perdedores

PID: S1413-24782007000200003 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2007
Autores: Esteves
No limiar do processo de implantação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB) em todo o território nacional, uma questão impõe-se para aqueles que, como o autor desse estudo, estiveram relacionados de forma direta ao desenvolvimento do extinto Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (FUNDEF): afinal, o que representou, para as redes públicas educacionais, a implementação deste último nos cinco primeiros anos de sua vigência nacional? Tendo essa questão como norte, o presente artigo analisa os percursos de implantação e implemento do FUNDEF no contexto brasileiro e, com maior profundidade, no estado do Rio de Janeiro, privilegiando um recorte, até onde se percebeu, ainda pouco explorado, qual seja, a óptica dos municípios perdedores de recursos para o fundo, ou outsiders. Para tanto, parte-se do princípio de que o Estado brasileiro é, em sua essência, patrimonialista, estando comprometido, circunstancialmente, com a adoção de preceitos neoliberais a partir dos quais vem regulando a sociedade, por meio das políticas públicas, entre outros mecanismos. Tal combinação constituiria um dos fatores de seu posicionamento na periferia da ordem econômica globalizada, fazendo dele palco de acirradas contradições.

O papel da Igreja nos primórdios da educação dos surdos

PID: S1413-24782007000200011 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2007
Autores: Reily
O objetivo deste texto é elucidar questões históricas sobre a origem da língua de sinais, o papel da Igreja monástica na invenção do alfabeto manual e os diferentes usos dos sinais monásticos pelos religiosos e da língua de sinais pelos surdos. A partir de documentos e literatura pouco acessíveis no Brasil, busco reconstruir uma narrativa fragmentada sobre o papel dos religiosos na educação dos surdos, que aproveitaram sinais manuais criados nos mosteiros que seguiam o voto do silêncio com nova finalidade, visando a uma aplicação pedagógica. O foco é a prática dos sinais pelos religiosos na Idade Média e a investigação de como os sinais monásticos migraram para o contexto da educação dos surdos. Apesar da perda de elos documentais, os resultados deste estudo demonstram que, embora a ligação dos sinais monásticos com a língua de sinais seja tênue, os alfabetos manuais utilizados atualmente pela comunidade surda foram sistematizados durante o movimento monástico.

O pensamento complexo: desafios emergentes para a educação on-line

PID: S1413-24782007000300010 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2007
Autores: Araújo
No Brasil e no mundo os investimentos em educação on-line crescem cada dia mais. Nesse sentido, justifica a necessidade de investigações que sinalizem caminhos para práticas pedagógicas coerentes com as necessidades atuais de formação e com os princípios que articulam a relação entre o uso da tecnologia, as concepções de conhecimento e de educação implicadas nesse processo. Procurando refletir sobre essa articulação, este trabalho traz discussões acerca do pensamento complexo, dos pressupostos epistemológicos presentes nas teorias quânticas e biológicas, as quais apontam para a transformação do modelo instrucionista de aprendizagem, ao mesmo tempo em que propõem elementos para repensar a educação vigente ainda fundamentada nos princípios da ciência clássica, tão fortemente criticada pelas diversas correntes pedagógicas.

O silêncio é de ouro e a palavra é de prata?: Considerações acerca do espaço da oralidade em educação de jovens e adultos

PID: S1413-24782007000300009 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2007
Autores: Souza Mota
Este artigo objetiva estabelecer parâmetros comparativos sobre a escrita e a oralidade, com base nos estudos sociolingüísticos. Ao mesmo tempo, apresenta novas perspectivas sobre a pedagogia da oralidade em educação de jovens e adultos, vinculada às necessidades comunicativas dos alunos na sociedade contemporânea. Enfoca o diálogo, a interação verbal e a competência comunicativa como componentes essenciais da educação lingüística. Compreendendo a fala como ferramenta primordial para a expressão de pensamentos, crenças e atitudes, assim como espaço de fortalecimento de identidade e direito social na formação de cidadania, as autoras posicionam-se criticamente sobre as práticas metodológicas do ensino da oralidade nas escolas.

Os gregos nas estratégias argumentativas de John Dewey

PID: S1413-24782007000200008 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2007
Autores: Cunha Sacramento
O presente trabalho analisa as referências feitas por John Dewey à filosofia e à vida social da Grécia clássica no livro Democracia e educação, as quais são relacionadas a concepções de sociedade, conceituações filosóficas e proposições educacionais. O objetivo é elucidar o modo como Dewey apropria-se dos gregos na composição dos argumentos que dão sustentação às teses que deseja comunicar a seus leitores. Os recursos analíticos empregados baseiam-se no estudo das práticas retóricas e dialéticas desenvolvido por Perelman e Olbrechts-Tyteca em seu Tratado da argumentação: a nova retórica e na crítica da forma silogística elaborada por Toulmin no livro Os usos do argumento.

Percepções de justiça social e atitudes de estudantes pré-vestibulandos e universitários sobre as cotas para negros e pardos nas universidades públicas

PID: S1413-24782007000100003 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2007
Autores: Neves Lima
Um dado novo nas relações racializadas no Brasil nos últimos anos tem sido o das políticas de ação afirmativa para minorias étnicas. A política de cotas de acesso para negros e pardos nas universidades públicas tem gerado um intenso debate sobre questões de discriminação e de identidade racial que antes não pareciam pertinentes no país que possui a maior população negra vivendo fora da África. A fim de analisarmos a relação entre as percepções de justiça social e os posicionamentos de estudantes sobre as cotas, realizamos dois estudos em Aracaju envolvendo estudantes de dois cursinhos pré-vestibulares (um público e um privado) e estudantes de todos os cursos da Universidade Federal de Sergipe. Os resultados indicam forte rejeição às cotas, sobretudo na universidade. Pensamos que essa resistência pode indicar tanto uma recusa a uma transformação do modelo de justiça liberal, pautado no mérito individual, quanto uma resistência ao tipo de ação apenas midiática em que as cotas se estão transformando na sociedade brasileira.

Pós-graduação e pesquisa em educação no Brasil: o protagonismo da ANPEd

PID: S1413-24782007000300002 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2007
Autores: Sousa Bianchetti
Resultante de debate ocorrido, em maio de 2007, entre sócios da ANPEd com atuação destacada na criação, organização, gestão e nos rumos da associação, o artigo apresenta, a partir de uma retrospectiva histórica, algumas visões acerca do movimento da pós-graduação e da pesquisa em educação no Brasil. A ênfase recai nos encaminhamentos assumidos pela ANPEd, a partir de aspectos relacionados a sua organização interna, bem como a sua articulação com órgãos governamentais, grupos da sociedade civil e outras associações acadêmicas e científicas. Além dos resgates, a análise apresenta perspectivas para a consolidação e ampliação de iniciativas da ANPEd, no sentido de fortalecer sua atuação como indutora da melhoria da qualidade da pesquisa e da formação pós-graduada. Em especial, destaca o protagonismo da associação, como interlocutora na formulação e implementação de políticas públicas de educação.

Saberes em viagem nos manuais pedagógicos: construções da escola em Portugal e no Brasil (1870-1970)

PID: S1413-24782007000200007 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2007
Autores: Silva
O presente trabalho incorpora resultados de uma pesquisa realizada no doutorado, que examina, numa perspectiva sócio-histórico-comparada, manuais pedagógicos publicados em Portugal e no Brasil entre 1870 e 1970. O corpus é composto por 80 títulos sobre didática, pedagogia, metodologia e prática de ensino, dos quais 25 são portugueses e 55 são brasileiros. Esses livros resumiram a bibliografia educacional e explicaram aos futuros professores os vários elementos da cultura escolar, difundida em diferentes partes do mundo. O intuito é comparar referências mencionadas nas páginas dos manuais para compreender como elas foram usadas na construção das concepções sobre o magistério e conhecer, assim, modalidades de circulação e apropriação de conhecimentos produzidos em diversos lugares, épocas e áreas de saber. A história dos manuais pedagógicos aqui proposta enfatiza, portanto, os modos pelos quais esses livros colaboraram com a difusão de um modelo de escola que hoje é conhecido mundialmente.

Semicultura e educação: uma análise crítica da revista Nova Escola

PID: S1413-24782007000200010 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2007
Autores: Bueno
Em suas obras, os filósofos da teoria crítica desenvolveram reflexões muito importantes acerca da sociedade capitalista do pós-guerra, apresentando um potencial pedagógico intrínseco, especialmente por meio dos conceitos adornianos de semicultura e indústria cultural. Este trabalho pretende utilizar tais conceitos para analisar criticamente o conteúdo editorial da revista Nova Escola, da editora Abril. Como esse é um periódico de grande circulação nas escolas públicas brasileiras, essa análise poderá esclarecer a intersecção entre educação e indústria cultural, reflexão que se faz urgente quando consideramos que essa relação atualmente é condicionada pelos imperativos do Estado mínimo neoliberal.

Só de corpo presente: o silêncio tácito sobre cor e relações raciais na formação de professoras no estado do Pará

PID: S1413-24782007000100004 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2007
Autores: Coelho
O artigo mostra um dos graves problemas da educação no Brasil: o não enfrentamento da discriminação e do preconceito. Mais do que denunciar sua existência, ele analisa uma de suas matrizes: a ausência da discussão sobre raça, cor e preconceito na formação do docente no Pará. Por meio da análise da formação oferecida pelo Instituto de Educação do Estado do Pará, uma instituição secular, referência para a formação docente no estado do Pará, demonstra que boa parte das ações das professoras decorreu de uma formação que não tratou de aspectos fundamentais, como as narrativas sobre a constituição da nacionalidade brasileira. Conclui-se que, a despeito de sensíveis avanços advindos dos movimentos sociais em relação à questão racial desde a década de 1960, a formação de professores se apresenta como um fator que continua contribuindo na reprodução de estereótipos e discriminações.

Trabajo infantil e inasistencia escolar

PID: S1413-24782007000100006 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2007
Autores: Ávila
O capitalismo neoliberal generalizou a pobreza, obrigando muitas famílias a recorrer ao trabalho dos filhos para garantir sua subsistência. Pelo trabalho, as crianças abandonam a escola. Quando adultos, pela perda da educação, só conseguem ocupações que exigem menor qualificação e pelas quais recebem menores ganhos. Em conseqüência, provavelmente serão pais de novas crianças trabalhadoras, reproduzindo intergerações a pobreza. A educação é o primeiro passo para romper o círculo vicioso da pobreza; há relação entre os níveis de educação e os níveis de remuneração que as pessoas podem alcançar. O desenvolvimento baseia-se no acelerado desenvolvimento tecnológico que nada mais é que o conhecimento científico aplicado à produção. Criar conhecimento supõe educação superior, e seu fundamento está na educação básica, que é a plataforma de qualquer modelo de desenvolvimento que aspire à eqüidade. Não educar as crianças significa desperdiçar a formação do capital humano, o que trava desenvolvimento nacional. Sem educação, não haverá capital humano qualificado como motor básico da produtividade e da competitividade.

Trabalho e educação: fundamentos ontológicos e históricos

PID: S1413-24782007000100012 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2007
Autores: Saviani
Num primeiro momento, o artigo caracteriza, em suas linhas básicas, os fundamentos histórico-ontológicos da relação trabalho-educação que, nas suas origens, se manifestava na forma de plena identidade. Mostra, em seguida, como, não obstante a indissolubilidade da referida relação, se manifestou na história o fenômeno da separação entre trabalho e educação. No terceiro momento aborda o tortuoso e difícil processo de questionamento da separação e restabelecimento dos vínculos entre trabalho e educação que vem marcando a sociedade moderna. Finalmente, esboça a conformação do sistema de ensino sob a égide do trabalho como princípio educativo, concluindo com a discussão do controvertido tema da educação politécnica.

Trabalho e perspectivas de formação dos trabalhadores: para além da formação politécnica

PID: S1413-24782007000100011 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2007
Autores: Nosella
O texto, na primeira parte, critica a expressão “formação politécnica” amplamente utilizada, sobretudo na década de 1990, por educadores brasileiros marxistas. Defende-se a tese de que a linguagem humana é sempre expressão histórica reveladora de intencionalidades e interesses práticos e, portanto, instrumento essencial para a conquista da hegemonia. Nesse sentido, “formação politécnica” expressou uma posição teórica historicamente ultrapassada. Na segunda parte, o texto esclarece que a proposta marxista para a formação dos trabalhadores se encontra contida no conjunto da fórmula marxiana de “instrução intelectual, física e tecnológica”. Essa fórmula não permite eleger um ou outro elemento como sua categoria estruturante. Finalmente, é exposta a tese gramsciana sobre a escola unitária, segundo a qual a categoria antropológica da liberdade histórica de todos os homens é o fundamento unitário da própria fórmula marxiana.

Índice de desenvolvimento infantil no Brasil: uma análise regional

PID: S1413-24782007000200004 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2007
Autores: Kappel
O presente estudo, decorrente de trabalho promovido pelo UNICEF, tem por objetivo mostrar os avanços nas diferentes áreas geográficas brasileiras, com base no Índice de Desenvolvimento Infantil (IDI) de 1999 e 2004. Tal índice procura integrar, em uma única informação, dados relevantes sobre as crianças de 0 a 6 anos de idade, e sua utilização reveste-se de grande importância para a formulação e o monitoramento de políticas públicas orientadas à infância. Nesta medida, o artigo tece algumas considerações sobre a primeira infância, mostra a sua representatividade populacional e apresenta a análise comparativa dos resultados regionais do IDI e dos indicadores sobre saúde e educação que o compõem, contribuindo, assim, para descrever a situação da infância brasileira no início do século XXI.

A educação popular e a (re)construção do público. Há fogo sob as brasas?

PID: S1413-24782006000200006 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2006
Autores: Streck
O artigo busca situar a educação popular no contexto da reconstrução da esfera pública na América Latina. A partir da volta às suas origens para identificar o lugar social e os espaços pedagógicos nos quais a educação popular se originou, argumenta que um traço distintivo dela é a própria busca, no mesmo sentido em que a identidade latino-americana se constitui como esse lugar de possibilidades. Analisa a seguir algumas estratégias pedagógicas clandestinas, assim entendidas por se caracterizarem como ausência ou ocultamento, respectivamente: pedagogia da sobrevivência, da resistência e da relação. No final, retorna à imagem do labirinto para definir as perplexidades - históricas e atuais - da educação popular.

A pesquisa educacional entre conhecimentos, políticas e práticas: especificidades e desafios de uma área de saber

PID: S1413-24782006000100002 | Periódico: Revista Brasileira de Educação (1413-2478) | Ano: 2006
Autores: Charlot
Será que pode ser definida e construída uma disciplina específica, chamada educação ou ciências da educação? O autor apresenta três respostas possíveis. Primeira: os departamentos de educação não passam de um agrupamento administrativo de matérias interessadas pela educação. Segunda: esse próprio agrupamento gera uma especificidade das pesquisas, entre conhecimentos, políticas e práticas. A terceira resposta consiste em apostar em uma disciplina específica. Nessa última perspectiva, são analisados sete tipos de discursos atuais sobre educação: espontâneo, dos práticos, dos antipedagogos, da pedagogia, das ciências humanas, dos militantes e das instituições internacionais. Nesse campo já saturado de discursos, qual lugar para um discurso científico específico? Para responder a essa pergunta, o autor apresenta algumas propostas teóricas e práticas.
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