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A (In)Visibilidade de Pessoas com Deficiência Visual nas Ciências Exatas e Naturais: Percepções e Perspectivas

PID: S1413-65382021000100329 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: BONFIM MÓL PINHEIRO
RESUMO: Neste estudo, de abordagem qualitativa, buscamos aduzir elementos relacionados à (in)visibilidade de pessoas com deficiência visual em cursos de Ciências Exatas e Naturais. A invisibilidade nesses cursos, temática pouco explorada até então, constitui uma barreira a ser superada para garantir o ingresso e a permanência desse público. Assim sendo, dialogamos com oito pessoas com deficiência visual em differentes níveis do Ensino Superior, com formações diversas, de variadas regiões do Brasil, para relatar, por meio de entrevistas semiestruturadas, suas percepções e perspectivas. Os dados foram analisados de acordo com pressupostos da análise de conteúdo de Bardin. Estabelecemos quatro categorias de análise que se inter-relacionam: "marcas do capacitismo nas Ciências Exatas e Naturais", "escolha do curso", "adaptação e acessibilidade", "o papel do professor e aspectos formativos". Concluímos que a ausência de pessoas com deficiência visual nesses cursos mais tem a ver com as formas como essa condição é tratada do que com alguma inaptidão imputada à perda de visão.

A Constituição do Público-Alvo na Política de Educação Especial Brasileira: Movimentos e Disputas no Interior do Estado Integral

PID: S1413-65382021000100200 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: GARCIA BARCELOS
RESUMO: Este trabalho objetiva evidenciar os movimentos políticos e sua participação na constituição do público-alvo das políticas de Educação Especial no Brasil. Com os pressupostos do materialismo histórico dialético, compreendem-se a política como relação de forças. Analisaram-se fontes documentais que demarcaram mudanças relativas ao público-alvo, bem como literatura acadêmica. Apoiadas no conceito de Estado Integral, verificam-se que as instituições privadas e assistenciais, como aparelhos privados, marcaram posição nas definições das políticas de Educação Especial. Ressaltam-se a criação de dois tipos de movimento: de e para pessoas que demandam políticas públicas de Educação Especial - o primeiro representado por instituições privadas e assistenciais; e o segundo, formado pelos próprios sujeitos com condições específicas, cada qual com demandas particulares. Constataram-se que a participação dos movimentos na constituição do público-alvo da Educação Especial acontece em níveis diferentes, com os movimentos de e para pessoas com deficiências adotando a estratégia de participação em cargos públicos na esfera do aparelho de Estado para que seus interesses sejam incorporados às políticas educacionais, evidenciando a articulação das organizações da sociedade civil como elemento constituidor do Estado Integral. Por fim, destacam-se a forma de atuação política fragmentária dos movimentos com vistas a demandas específicas.

Abordagens de Psicoterapia para Pessoas com Deficiência: Revisão da Literatura

PID: S1413-65382021000100403 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: SEVERO SANTOS SEVERO PEREIRA OLIVEIRA MONTEIRO BASTOS LASKOSKI HAUCK
RESUMO: Quinze por cento da população mundial apresenta algum tipo de deficiência. Isso pode ser caracterizado por vários tipos de condições, cada uma com sua complexidade específica. Assim sendo, esta revisão da literatura objetiva identificar recentes estudos científicos, no quinquênio 2014-2019, que descrevem cuidados psicoterapêuticos com pessoas com deficiência. Foram consultados: PubMed, EMBASE, Web of Science, PsycINFO (APA), BVS (Bireme/LILACS) e SciELO. Encontrou-se um total de 1.330 artigos. Após dois processos de seleção, 26 pesquisas corresponderam aos critérios de inclusão. A metodologia de pesquisa predominante foi ensaio clínico randomizado, seguido por estudos de caso e estudos descritivos/qualitativos. Pessoas com deficiência intelectual e/ou física, deficiência visual e/ou auditiva e autismo foram as populações mais estudadas. As técnicas comportamentais prevalecem nos estudos incluídos, com menor incidência de técnicas psicodinâmicas. A psicoterapia favorece inclusive o enfrentamento de situações adversas impostas na vida de qualquer ser humano. Pessoas com deficiência também podem apresentar necessidades psicoterápicas, uma vez que, na realidade de suas vidas, incluem complexidades além de sua deficiência. Existem fortes evidências para o uso da psicoterapia como recurso eficaz para a elaboração terapêutica de problemas relacionados à saúde, à educação e à vida social de pessoas com deficiência, independentemente do tipo de intervenção psicoterápica.

Acessibilidade Linguística de Surdos no Ensino Superior: Reflexões Sobre o Curso de Letras Libras/Língua Portuguesa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte

PID: S1413-65382021000100314 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: PAIVA MELO
RESUMO: Este trabalho teve como objetivo conhecer quais ações concernentes à acessibilidade linguística da Pessoa Surda foram implementadas pelo Curso de Letras Libras/Língua Portuguesa (CLLLP) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A construção deste estudo ocorreu com base nos dados elaborados durante a pesquisa de Mestrado intitulada Estudantes Surdos no Ensino Superior: reflexões sobre a inclusão no curso de Letras-Libras/Língua Portuguesa da UFRN. Mais especificamente, empenhamos esforços em lançar um olhar para a categoria "acessibilidade linguística" que foi construída a partir de uma entrevista em Libras com sete estudantes surdos do curso. Para tanto, entremeamos as ações voltadas à acessibilidade linguística dos surdos envolvendo o curso de LLLP com os discursos desses sujeitos. Desse modo, orientamos nossas discussões teóricas considerando as raízes históricas da Educação de Surdos, dos Estudos Surdos, da Políticas Linguísticas e dos Estudos Culturais. Finalmente, observamos a importância de considerar as devolutivas dos surdos acerca das ações promovidas pelo CLLLP para oportunizar a efetivação do direito linguístico da Pessoa Surda em todos os espaços da universidade. E, ainda, da necessidade de um movimento de reflexão constante para o engendramento de estratégias institucionais que contribuam para o enfrentamento dos desafios de implementação da acessibilidade linguística e, por conseguinte, assegurem o acesso e a permanência com qualidade do Surdo no Ensino Superior.

Actitud del Profesorado Universitario Hacia la Inclusión Educativa: una Revisión Sistemática

PID: S1413-65382021000100409 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: PAZ-MALDONADO FLORES-GIRÓN
RESUMEN La actitud docente es determinante cuando se pretenden desarrollar espacios educativos inclusivos y atender a la diversidad. El objetivo de la presente revisión sistemática es analizar los estudios efectuados sobre la actitud del profesorado universitario hacia la inclusión educativa. Se incluyeron 15 artículos los cuales evidencian que en España se han realizado una mayor cantidad de investigaciones acerca del tema. Además, la perspectiva de inclusión planteada considera principalmente al alumnado en situación de discapacidad. También, se revela que el profesorado no está preparado para generar una enseñanza inclusiva. Referente a las actitudes, las investigaciones muestran hallazgos negativos y una resistencia por la implementación de adaptaciones curriculares. Los principales desafíos se encuentran relacionados con la preparación docente y la motivación por la constante capacitación. En conclusión, es necesario que los programas de formación de profesores consideren la inclusión educativa como una dimensión esencial que posibilite a los docentes exteriorizar actitudes positivas durante el quehacer pedagógico en las instituciones de Educación Superior.

Adaptação de um Programa de Ensino de Consciência Fonológica para Crianças com Paralisia Cerebral

PID: S1413-65382021000100310 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: FERREIRA BANDINI BANDINI
RESUMO: Neste trabalho, propôs-se a adaptar um instrumento para ensinar consciência fonológica (CF) a crianças com Paralisia Cerebral (PC). PC consiste em um grupo de desordens do movimento e da postura, que pode estar associado a déficits cognitivos, de interação e de linguagem, comprometendo a independência funcional do indivíduo, tanto na modalidade oral quanto na escrita. A literatura afirma que, vocabulário, memória fonológica e CF são consideradas habilidades preditoras e necessárias à aquisição e ao desempenho em leitura e escrita. Participaram do estudo três crianças com diagnóstico de PC e dois juízes especialistas. O estudo foi dividido em quatro etapas: a) análise e adaptação do instrumento Alfabetização: Método Fônico; b) análise de juízes especialistas; c) estudo piloto com pré e pós teste de CF e leitura; e d) versão final do instrumento. Foram adaptadas 63 atividades, levando em consideração o perfil da população, a análise dos juízes e a aplicação a um grupo clínico. Os participantes conseguiram compreender e executar o treino em 26 das 33 atividades. Todos mostraram melhora nos escores quando comparados pré e pós testes. Diante disso, o instrumento mostrou-se adequado à população após a adaptação e mostrou-se fiel ao ensino proposto pelo instrumento original.

Análise de Publicações Relacionando Altas Habilidades/ Superdotação, Criatividade e Bilinguismo nas Bases de Dados Scielo, Scopus e Web of Science

PID: S1413-65382021000100350 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: FERREIRA CHACON CAPELLINI
RESUMO: Neste artigo, propôs-se a realizar uma busca em uma base de dados nacional (SciELO) e em duas internacionais (Scopus e Web of Science) a fim de investigar possíveis conexões entre os temas altas habilidades/superdotação (AH/SD), criatividade e bilinguismo, uma vez que o interesse pelos três unitermos vêm crescendo. Na verificação realizada em 2020, a partir de diferentes combinações desses unitermos, tanto em Língua Portuguesa como Inglesa, nenhum trabalho que relacionava os três tópicos foi encontrado, mas obtiveram-se dez artigos que abordavam a conexão entre dois deles. A conexão entre AH/SD e bilinguismo foi a temática mais recorrente, com seis estudos. A maior parte desses achados investigou a forma de avaliar e trabalhar com alunos com AH/SD bilíngues inseridos em diferentes realidades, havendo a crítica dos autores às avaliações e aos testes padronizados que não se preocupavam em englobar diferenças culturais e linguísticas nesses instrumentos. Os quatro outros artigos abordaram criatividade e bilinguismo, tendo como foco a comparação de diferentes medidas de criatividade entre crianças bilíngues e monolíngues. Por meio dos dados obtidos nos textos, houve ganho mais significativo em diferentes medidas de criatividade às crianças bilíngues. A partir da análise dos achados, verificou-se a pouca produção relacionando as temáticas apresentadas, mesmo limitando-se a busca à conexão de apenas dois dos unitermos citados. Assim, sugerem-se novos estudos em ambientes bilíngues com foco em estudantes público-alvo da Educação Especial, especificamente aqueles com AH/SD. Recomenda-se, também, o desenvolvimento da criatividade nesse contexto e a divulgação de mais pesquisas empíricas para que novos trabalhos possam ser replicados.

Atendimento Educacional Especializado nos Institutos Federais: Reflexões sobre a Atuação do Professor de Educação Especial

PID: S1413-65382021000100319 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: ZERBATO VILARONGA SANTOS
RESUMO: Os Institutos Federais de Educação têm como objetivo promover o desenvolvimento de ações que garantam a inclusão social das pessoas com deficiência e em vulnerabilidade social. Assim sendo, as matrículas de estudantes Público-Alvo da Educação Especial (PAEE) propuseram novos desafios, tanto na Educação Básica de nível médio quanto no ensino técnico e tecnológico. Dessa forma, este artigo teve como objetivo geral discutir a atuação do professor de Educação Especial no contexto educacional dos Institutos Federais. Como objetivos específicos, pontuou-se: analisar documentos normativos que tratavam da atuação desse professor na Educação Básica de nível médio técnico e tecnológico e refletir sobre a atuação do professor de Educação Especial, de modo a traçar um paralelo entre um estudo de caso e os documentos normativos existentes. Trata-se de uma pesquisa documental, de abordagem qualitativa. Foram levantados os documentos normativos que se referiam ao papel da Educação Especial e analisados relatórios que retratavam da atuação de uma professora de Educação Especial em um dos campi do Instituto Federal Baiano. Os resultados apontaram que o Atendimento Educacional Especializado e a garantia do Educador Especial é prevista para a Educação Básica, porém essa é a realidade de um número pequeno de Institutos Federais. Destacou-se a relevância do trabalho especializado para escolarização dos estudantes PAEE e a parceria com outros profissionais no apoio dos estudantes com necessidades específicas. Concluiu-se que a presença do profissional de Educação Especial é indispensável na construção de ações em conjunto de curto, médio e longo prazo que possibilitem participação e aprendizagem dos estudantes PAEE.

Atitudes Sociais de Agentes Educacionais em Relação à Inclusão e à Formação em Análise do Comportamento Aplicada

PID: S1413-65382021000100322 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: BENITEZ PAULINO OLIVEIRA JR. DOMENICONI OMOTE
RESUMO: As atitudes sociais dos agentes educacionais podem influenciar o desenvolvimento de práticas inclusivas no contexto escolar. Considerando os principais desafios da inclusão escolar de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na rede regular de ensino, esta pesquisa teve como objetivo avaliar atitudes sociais de agentes educacionais formais e informais em relação à inclusão antes e após um programa de formação em Educação Especial e Inclusiva fundamentado na Análise do Comportamento Aplicada. Participaram 52 agentes educacionais. O programa foi composto por encontros de discussões teóricas, atividades práticas e leitura dirigida sobre Educação Especial e Inclusiva e sobre estratégias analítico-comportamentais para intervenção. As atitudes sociais em relação à inclusão foram mensuradas por meio da Escala Likert de Atitudes Sociais em relação à inclusão antes e após a formação. O teste de Wilcoxon apontou diferença estatisticamente significante entre os escores do pré-teste e pós-teste (p = 0,003). Foram discutidas as implicações do programa formativo proposto sobre as possibilidades de desenvolvimento de um ambiente escolar inclusivo, uma vez que essa capacitação resultou em atitudes sociais mais favoráveis dos cursistas em relação à inclusão.

Atitudes Sociais de Professores em Relação à Inclusão: Formação e Mudança

PID: S1413-65382021000100202 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: VIEIRA OMOTE
RESUMO: Como todo ser humano, os professores constroem concepções, atitudes sociais, representações, crenças e expectativas em relação ao mundo e às pessoas ao seu redor. No contexto de sala de aula, esses elementos referem-se aos seus alunos e ao seu desempenho escolar. O trabalho docente pode ser influenciado por diversas variáveis. É propósito deste ensaio teórico examinar, especificamente, as atitudes sociais em relação à inclusão e às possíveis intervenções para modificá-las. São discutidas eventuais conexões entre as atitudes sociais em relação à inclusão e às variáveis sociodemográficas dos professores, como gênero, idade, área de formação, área de atuação, contato prévio com estudantes público-alvo da Educação Especial, sentimento de autoeficácia, entre outras. Ademais, são abordados os efeitos de algumas variáveis ambientais e de alguns aspectos relacionados aos próprios alunos. Propõem-se que, para além do treinamento técnico, a capacitação docente aborde aspectos atitudinais e interacionais. O domínio de conhecimentos especializados e a competência no uso de diferentes recursos avançados são relevantes, mas a sua eficiência na construção da Educação Inclusiva depende do contexto sociopsicológico criado por professores genuinamente favoráveis à inclusão.

Autoria de Jogos Digitais por Crianças com e sem Deficiências na Sala de Aula Regular

PID: S1413-65382021000100344 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: ALVES HOSTINS MAGAGNIN
RESUMO Este artigo tem como propósito avaliar o processo de construção colaborativa de jogo digital por crianças com e sem deficiências em contexto de educação regular. Trata-se de uma pesquisa aplicada e qualitativa, cujos referenciais teórico-metodológicos se embasam na abordagem histórico-cultural de Vigotski sobre atividade criativa de alunos com deficiência intelectual, no Design-Based Research (DBR), que alia a pesquisa em educação aos problemas vivenciados na prática por meio da colaboração entre participantes e pesquisadores, e no framework de criação de jogos digitais por crianças. Participaram da pesquisa 25 crianças, dentre elas três com deficiência intelectual, do 4º ano do Ensino Fundamental de uma escola municipal no Brasil. A pesquisa interdisciplinar alia Educação, Design e Engenharia da Computação em um processo de criação que emprega técnicas pedagógicas e de design de jogos, compartilhamento de ideias e colaboração entre crianças do Ensino Fundamental e acadêmicos do Ensino Superior. Como resultado, obteve-se um jogo digital de autoria e de idealização coletiva dos estudantes, na definição de personagens, cenários, mecânicas de jogos e narrativas. Tais resultados conferem o protagonismo das crianças no processo de criação, a aprendizagem de crianças com deficiência, a integração academia-escola e a viabilidade da aplicação do framework em contextos de educação regular e inclusivos.

Avaliação da Consciência Querológica de Crianças Surdas Portuguesas: o Iacq-Lgp

PID: S1413-65382021000100304 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: PRATAS CORREIA SANTOS
RESUMO: A avaliação da língua gestual Portuguesa (LGP) exige maior atenção à consciência querológica, dada a sua relevância na aprendizagem da língua. No âmbito nacional, constata-se a inexistência de instrumentos avaliativos da consciência querológica, pelo que o objetivo deste artigo é apresentar o Instrumento de Avaliação da Consciência Querológica (IACQ-LGP) e a análise das suas propriedades métricas. O instrumento (constituído por 5 subtestes) foi aplicado a 23 participantes entre os 5 e 12 anos (9.09±1.92), 17 do género masculino (73,9%) e 6 do género feminino (26,1%). Os índices da validade de conteúdo (IVC>.71), acordo universal (>.94) e média (>.94) apontaram a relevância dos itens. A proporção de acordo (.82 e 1) indiciou o forte consenso entre peritos, bem como os valores de Kappa de Cohen (k>.84). A fiabilidade foi confirmada pela consistência interna (.78<α<.82) e correlações moderadas a fortes ao nível da estabilidade temporal, pela técnica teste-reteste (.37<r<.73), exceção ao que avalia a discriminação de pares mínimos. A validade de constructo, analisada pelas intercorrelações entre domínios apontou correlações fracas a moderadas (.12≥r.≤84), e a análise fatorial exploratória a multidimensionalidade do constructo. O IACQ-LGP parece ser um instrumento fiável e válido para avaliar a consciência querológica. Conclusões e recomendações serão apresentadas.

Avaliação das Contribuições da Consciência Fonológica no Desenvolvimento da Escrita de um Aluno com Deficiência Intelectual no 1º Ano do Ensino Fundamental I

PID: S1413-65382021000100331 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: SILVA CAVALCANTE
RESUMO: Este artigo teve como objetivo investigar os avanços de um aluno com deficiência intelectual do 1° ano do Ensino Fundamental I, no decorrer de avaliações realizadas antes, durante e após um processo de intervenção com atividades que envolveram habilidades de consciência fonológica para o desenvolvimento da escrita. Buscou-se fazer uso dos preceitos da perspectiva sociohistórica, como também de autores contemporâneos que vêm se debruçando sobre estudos acerca da consciência fonológica e do desenvolvimento da leitura e escrita escolares. Participou deste estudo uma criança com deficiência intelectual de uma escola da Rede Municipal de Recife, Pernambuco. Foram realizadas oito avaliações diagnósticas durante o processo de intervenção, sendo possível perceber avanços na escrita da criança, a qual começou a internalizar os aspectos abstratos dessa atividade. Notou-se, ainda, uma reciprocidade entre a aquisição da escrita e o desenvolvimento da consciência fonológica.

Brincar e Contar Histórias com Crianças com Transtorno do Espectro Autista: Mediação do Adulto

PID: S1413-65382021000100312 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: DELIBERATO ADURENS ROCHA
RESUMO: O objetivo deste estudo foi descrever a mediação do adulto e as habilidades comunicativas de duas crianças com Transtorno do Espectro Autista, em situações lúdicas, por meio da narração de histórias. As atividades foram realizadas em um Centro Especializado em Reabilitação de uma cidade do interior do estado de São Paulo. Foram selecionadas duas crianças do gênero masculino com 2 anos e 9 meses e 3 anos e 3 meses de idade. Os dados foram coletados durante seis meses, por meio de atividades semanais com as famílias e profissionais da saúde, seguindo um programa de intervenção com histórias. As atividades foram filmadas e registradas por meio do diário de campo. As categorias e as subcategorias foram identificadas após a transcrição dos vídeos e incorporação dos registros do diário de campo em um texto único organizado em sequência temporal das atividades. As categorias e as subcategorias identificadas em relação aos objetivos deste estudo foram: a) mediação do adulto: modelação, questionamento e entonação da voz do adulto interlocutor, uso de sistemas suplementares e alternativos de comunicação: sistema tangível, sistema pictográfico e mediação combinada; b) habilidades de expressão: expressão verbal e vocal, expressão não verbal e vocal, expressão não verbal e não vocal, expressões combinadas. Os resultados ilustraram a importância da mediação do adulto na atividade da narração de histórias como um instrumento para o acesso à linguagem e às habilidades comunicativas das crianças envolvidas durante o processo de mediação.

Coeficiente de Progressão da Fluência de Leitura no Acompanhamento de Escolares do Ensino Fundamental I

PID: S1413-65382021000100308 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: PEREIRA ALVES MARTINS-REIS CELESTE
RESUMO: A fluência de leitura é tida como uma meta no desenvolvimento da leitura oral e pode, de forma mais rápida e objetiva, indicar a evolução do desempenho dos estudantes. A Base Nacional Comum Curricular do Brasil prevê que, entre o 3º e 5º ano do Ensino Fundamental, o escolar deve ler de forma autônoma e fluente com textualidade adequada. Assim sendo, o objetivo deste estudo é verificar se a fluência leitora pode ser utilizada como um indicador de competência com o avanço do ano letivo para os estudantes do Ensino Fundamental I. Trata-se de um estudo observacional, longitudinal e descritivo. Participaram 36 crianças matriculadas do 3º ao 5º ano do Ensino Fundamental, sendo 18 do público-alvo da Educação Especial ou contemplados pela política no Distrito Federal, Brasil. A fluência de leitura textual foi avaliada com intervalo de cinco meses com as variáveis Taxa de leitura e Acurácia. A comparação intergrupo demonstrou resultados superiores para o Grupo de Controle em ambas a variáveis, já a intragrupo indicou evolução estatisticamente significante somente para o Grupo de Interesse. Foi desenvolvido o Coeficiente de Progressão, cujos resultados mostraram evolução nas medidas de fluência de leitura. Assim, a fluência de leitura parece ser um indicador de competência de leitura para a Educação Especial.

Comunicação Alternativa para Alunos com Autismo na Escola: uma Revisão da Literatura

PID: S1413-65382021000100405 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: NUNES BARBOSA NUNES
RESUMO: Estudos meta-analíticos e descritivos conduzidos nas últimas décadas têm demonstrado a efetividade da Comunicação Alternativa e Ampliada (CAA) para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A maior parte dessas investigações tem focado, contudo, na efetividade clínica da CAA sem atentar para os aspectos pragmáticos da comunicação assistida em contextos não estruturados, como a escola. O objetivo desta investigação foi ampliar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, o acervo de pesquisas tratadas em revisões anteriores e, assim, analisar os contextos em que a CAA foi utilizada com educandos com TEA na escola regular. Para isso, foi realizada uma busca no portal de periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e no catálogo eletrônico de teses e dissertações dessa mesma agência com termos previamente definidos. As oito pesquisas encontradas, publicadas entre 2015 e 2018, incluíram participantes entre 3 e 12 anos de idade que utilizavam sistemas assistidos de comunicação, sendo predominantes as pranchas/álbuns de CAA ou pictogramas avulsos. Todos os estudos foram conduzidos na sala de aula regular e/ou nas Salas de Recursos Multifuncionais, mas dois deles incluíram o ambiente domiciliar. A despeito do uso da CAA em contextos naturais envolver interlocutores conhecidos, foram identificadas lacunas em aspectos pragmáticos da comunicação dos educandos. Observou-se a predominância da comunicação imperativa, a qual focava primordialmente nos comportamentos pragmáticos de solicitação. Embora limitações tenham sido identificadas, os estudos revelaram resultados positivos sobre o uso da CAA para alunos com TEA.

Comunicação Aumentativa e Alternativa e Habilidades de Linguagem de Crianças com Paralisia Cerebral: uma Revisão Sistemática

PID: S1413-65382021000100400 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: MIRANDA SILVEIRA RECH VIDOR
RESUMO: O objetivo deste artigo foi identificar quais os sistemas de comunicação aumentativa e alternativa interferem nas habilidades de linguagem de crianças com paralisia cerebral. A questão norteadora foi: Quais os métodos de comunicação aumentativa e alternativa interferem nas habilidades de linguagem de crianças com paralisia cerebral? A população foi delimitada como crianças com diagnóstico médico de paralisia cerebral. Considerou-se comunicação aumentativa e/ou alternativa como intervenção. Habilidades comunicativas foram consideradas o desfecho. Foram selecionados artigos nas bases Medline, The Cochrane Central Register of Controlled Trials e EMBASE e em bases secundárias, por meio dos termos "Cerebral Palsy" e "Infant" e "Communication Aids for Disabled" e "Language Development". Os termos foram incluídos com seus entretermos e na língua indicada e requerida por cada base de dados. Não houve restrição de idioma, independentemente do ano de publicação até abril de 2019, que apresentassem, no título, resumo ou corpo do artigo, relação com o objetivo da pesquisa e os critérios de elegibilidade. Após a extração dos dados, as medidas foram transformadas em percentagem e descritas em uma síntese qualitativa. Foram encontrados 427 artigos nas bases de dados, sendo incluídos, após análises, seis artigos. As pranchas manuais foram as mais utilizadas pelos estudos encontrados, apesar de suas construções serem realizadas por meio de sistema simbólico computadorizado. Em todos os estudos encontrados, foram identificadas melhoras das habilidades comunicativas das crianças, independentemente do recurso e do modo de acesso utilizados. Todos os métodos de comunicação aumentativa e/ou alternativa utilizados nos estudos, apresentaram benefícios para as habilidades comunicativas de crianças com paralisia cerebral

Concepções sobre Deficiência Importam?

PID: S1413-65382021000100326 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: TORRES CRUZ CABRAL
RESUMO: A literatura indica que, em relação à deficiência, a concepção pode influenciar diretamente sobre as atitudes. Assim, este estudo objetivou analisar as concepções de deficiência de profissionais que atuam nas redes de serviços de prevenção e proteção à violência. Especificamente, objetivou-se verificar se há influência dos contextos, de oportunidades de formação e de atuação profissional na (des)construção de concepções de deficiência. Trata-se de uma pesquisa com delineamento multicaso, de caráter experimental, com análise quantitativa e qualitativa. Participaram da pesquisa 97 profissionais de quatro municípios do Estado de São Paulo, que responderam à Escala de Concepções de Deficiência (teste e reteste). A análise dos resultados indicou que: a) as concepções de deficiência divergem significativamente entre os municípios; b) as categorias profissionais não influenciam, necessariamente, sobre a concepção; c) há maior concordância com a concepção social da deficiência e menor concordância com a concepção metafísica, quando a análise não relaciona os participantes aos seus respectivos municípios. Assim sendo, identificar concepções de deficiência importa na medida em que as redes de prevenção e de proteção à violência precisam atravessar o processo de (des)construção das concepções, as quais podem potencializar ou minimizar atitudes discriminatórias frente a pessoas com deficiências.

Construção e Validação do Questionário de Comportamentos Típicos na Perturbação do Espetro do Autismo

PID: S1413-65382021000100346 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: BRÍGIDO RODRIGUES SANTOS
RESUMO A identificação do perfil comportamental nas perturbações do neurodesenvolvimento deve ser apoiada por instrumentos válidos que auxiliem a escolha e a monitorização da intervenção e da alocação de recursos. Com a mudança de critérios de diagnóstico da Perturbação do Espetro do Autismo (PEA), surgiu a necessidade de construir um questionário que permitisse inventariar os comportamentos descritos. Assim sendo, este estudo teve como objetivo desenvolver e avaliar as propriedades psicométricas do Questionário dos Comportamentos Típicos da PEA (QCT-PEA). A validade de conteúdo do QCT-PEA, analisada por dez especialistas, foi comprovada pelos Índices de Validade de Conteúdo (IVC), com valores superiores a .95 e pela proporção de acordo, Cohen kappa (.82>k< 1). O QCT-PEA foi aplicado a 75 crianças com PEA (9.67±1.29). Na análise da fiabilidade, os comportamentos típicos totais da PEA e os dois domínios apresentaram valores que atestam a consistência interna (α>.88). Para a validade de constructo, os coeficientes de correlação de Pearson apontaram para correlações fracas a fortes (.26>rho<.92), tal como expectável. A estrutura do questionário parece apontar para um modelo bi-dimensional com duas dimensões correspondentes aos domínios previamente estabelecidos pelo Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-5): Comunicação Social e Interação Social, e Padrões Restritos e Repetitivos de comportamentos, interesses e atividades, explicando 69.5% da variância total. Os resultados parecem demonstrar que o QCT-PEA poderá ser um instrumento a ter em conta na investigação e na utilização da prática clínica, de forma a compreender o perfil comportamental da criança com PEA e planear a intervenção que possibilitará um melhor comportamento adaptativo.

Correlações entre a Participação Ocupacional, Independência e Cognição em Adultos com Deficiência Física

PID: S1413-65382021000100316 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: CRUZ PARKINSON CARRIJO COSTA FACHIN-MARTINS MANZINI PFEIFER
RESUMO: A participação ocupacional é uma questão crucial para a atenção à pessoa com deficiência e caracteriza-se pelo grau de participação de uma pessoa em várias ocupações, tais como as de autocuidado, trabalho, escola, lazer, dentre outras. O objetivo deste estudo foi, assim, verificar se a participação ocupacional avaliada pelo Model of Human Occupation Screening Tool (MOHOST Brasil) apresenta correlações com as medidas de independência funcional e de cognição em adultos com deficiências. Foram avaliadas 41 pessoas com deficiência física usando o MOHOST Brasil, a Medida de Independência Funcional (MIF) e o Mini Exame do Estado Mental (MEEM). A subescala motora da MIF apresentou correlação moderada com o fator de habilidades motoras MOHOST (r 0,586 p = 0,001). O item "Linguagem e práxis" do MEEM apresentou correlação moderada com o fator "habilidades de processo" do MOHOST (r 0,573 p = 0,001). As correlações entre o MOHOST e a MIF e entre o MOHOST e o MEEM mostram que há relação entre as dimensões de participação, desempenho e habilidades, confirmando que o MOHOST é útil para avaliar a participação ocupacional de pessoas com deficiências físicas. Conclui-se também que o MOHOST pode fornecer dados que possam contribuir para o planejamento de intervenções que estimulem a participação ocupacional em diferentes papéis no âmbito da Terapia Ocupacional e na sua inferface com a Educação Especial.
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