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Narrativas de Mulheres com Deficiência Visual

PID: S1413-65382021000100317 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: PIECZKOWSKI GAVENDA
RESUMO: Este estudo objetivou conhecer a trajetória de vida de mulheres com deficiência visual em relação aos processos de acessibilidade e inclusão social. Ser uma sociedade inclusiva impõe grandes desafios, especialmente em um contexto específico: o de ser mulher com deficiência visual em tempos de impregnação da lógica neoliberal, que difunde a narrativa da competitividade e do mérito individual. O problema de pesquisa assim se constituiu: Como mulheres com deficiência visual narram suas trajetórias de vida em relação aos processos de acessibilidade e inclusão social? O estudo teve amparo em referenciais teóricos que subsidiaram a compreensão do processo histórico de exclusão/inclusão de pessoas com deficiência, mais especificamente mulheres cegas ou com baixa visão. O locus da pesquisa foi a Associação de Deficientes Visuais do Oeste de Santa Catarina (ADEVOSC), localizada em Chapecó (SC), e, por meio de entrevistas narrativas gravadas e transcritas, houve a aproximação com oito mulheres com deficiência visual. As narrativas foram organizadas em agrupamentos temáticos, considerando-se recorrência e relevância, e examinadas com base na análise do discurso com referenciais foucaultianos, especialmente a partir das noções de subjetividade e poder. O estudo evidencia que a deficiência não está apenas no sujeito que a possui, mas também nos contextos sociais que segregam, normatizam e normalizam; na falta de acessibilidade; no limitado acesso às tecnologias assistivas. Ademais, constata, também, que a convivência de mulheres com deficiência visual na ADEVOSC as fortalece como grupo e gera sentimento de pertença.

Negligência Familiar: Implicações na Aprendizagem Escolar de Estudantes com Deficiência Visual

PID: S1413-65382021000100301 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: SACCOL VIANNA PAVÃO
Resumo: No âmbito da Educação Especial, o presente artigo procurou compreender as interferências da negligência familiar no que se refere aos processos de aprendizagem de estudantes com deficiência visual. Para tanto, foi realizada uma pesquisa de natureza básica, com abordagem qualitativa. Quanto aos objetivos, o estudo caracterizou-se como exploratório descritivo. O delineamento adotado foi o estudo de caso. Foram empregados, na pesquisa, como instrumentos de produção de dados, sete atas de ocorrências escolares referentes a duas estudantes com deficiência visual e cinco entrevistas focalizadas, a saber: duas entrevistas com as estudantes, duas entrevistas com os professores de classe e uma entrevista com a educadora especial da instituição onde ocorreu a pesquisa. Estes constituíram-se o público-alvo do estudo, que aconteceu no espaço de uma escola pública do interior do Rio Grande do Sul. A análise de conteúdo foi adotada para a interpretação dos dados, apontando a existência de três categorias de análise, quais sejam: negligência familiar, aprendizagem de estudantes com Deficiência Visual e troca de guarda. Como resultado, a negligência familiar destaca-se como um fator que interfere negativa e substancialmente, não só na aprendizagem, mas, sobremaneira, nas atitudes, nas relações interpessoais e nos sentimentos dos que vivem sob essa realidade, especialmente os estudantes com deficiência visual.

O Campo Acadêmico da Educação Especial e a Utilização do Termo "Campo"

PID: S1413-65382021000100404 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: CASAGRANDE MAINARDES
RESUMO: Este estudo teve por objetivo analisar produções nacionais e em Língua Inglesa de Educação Especial que utilizam o termo "campo". Por meio de uma pesquisa bibliográfica, foram selecionados 34 trabalhos que utilizaram o termo e suas designações. Como fundamentação teórica, foram elencados os seguintes autores e temáticas: a) conceitos de campo, campo científico e universitário de Pierre Bourdieu (1974, 1975, 1989, 2003, 2004, 2011); b) conceito de institucionalização de campo (Gómez Campo & Tenti Fanfani, 1989, Suasnábar & Palamidessi, 2007) e conceito de campo acadêmico (Hey, 2008a, 2008b). Os resultados apontaram para a utilização do termo de forma ampla, diversificada e genérica. Foram elencadas cinco categorias sobre sua utilização em âmbito nacional e três em língua inglesa. Há semelhanças no uso do termo em ambas as línguas, no que tange à/ao: b) Interface entre a Educação Especial e a Educação: c) Noção de campo relacionada a conhecimento, campo de pesquisa e de produção de bens acadêmicos; d) Espaço de formação de professores na/para/da Educação Especial; e) Inexistência de uso sistematizado do termo com fundamentação teórica que INDIQUE SUA ORIGEM.

O Campo Acadêmico da Educação Especial no Brasil

PID: S1413-65382021000100313 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: CASAGRANDE MAINARDES
RESUMO: O objetivo deste trabalho foi analisar a emergência e o desenvolvimento do campo acadêmico da Educação Especial no Brasil. Por meio de uma pesquisa qualitativa, do tipo bibliográfica e documental, foram coletados dois conjuntos de dados: dados históricos e bens acadêmicos, permitindo estruturar a institucionalização do campo acadêmico da Educação Especial em três momentos distintos: a) Elementos antecedentes (de 1789 a 1962); b) Elementos constituintes (de 1962 a 1989); e c) Expansão do campo acadêmico (a partir de 1990). A análise relacional dos dados indicou que a Educação Especial se constitui como um campo acadêmico abrangente e em expansão, porém restrito para a dimensão do país. A caracterização da Educação Especial na qualidade de campo acadêmico possibilitou a sistematização de um conjunto de instâncias de institucionalização responsáveis pela produção e pela divulgação de bens acadêmicos diversos que contribuem significativamente para seu processo de consolidação. Espera-se que os agentes do campo acadêmico atuem na luta contra a invisibilidade e o menosprezo histórico às pessoas com deficiência, por uma Educação Especial Inclusiva no âmbito de uma educação pública, gratuita e de qualidade.

O Ensino de Física para Surdos: o Estado da Arte da Pesquisa em Educação

PID: S1413-65382021000100401 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: PICANÇO ANDRADE NETO GELLER
RESUMO: A Educação Especial, no Brasil e em outros lugares do mundo, ao longo de décadas, tem passado por muitas transformações, e novos paradigmas estão sendo criados, outros abandonados, porém muitas questões ainda continuam em aberto. Uma delas refere-se ao ensino na área das Ciências da Natureza para surdos. Com o objetivo de compreender como está ocorrendo o ensino em um dos importantes campos das Ciências Naturais, a Física, este artigo compôs o estado da arte de pesquisas sobre a educação de surdos, nessa área do conhecimento. Para tanto, esta pesquisa bibliográfica utilizou como suporte metodológico a análise de conteúdo de Bardin, com o intuito de identificar tendências em pesquisas que envolvam essa temática, e, como base de dados, foi usado o banco de teses e dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), e os diretórios Education Resources Information Center (ERIC), Scientific Electronic Library Online (SciELO), SciVerse Scopus e Google Acadêmico. Entretanto, foi encontrado um número pequeno de pesquisas em relação ao volume de produções acadêmicas consultadas, ressaltando que existe um grande déficit a ser sanado. Além disso, a maioria das pesquisas encontradas, apesar de apresentarem estratégias de ensino relevantes, não utilizam satisfatoriamente os diferentes níveis de representação de fenômenos físicos, algo que pode eventualmente causar obstáculos de natureza epistemológica e visões inadequadas para os modelos desses fenômenos.

Oportunidades de Aprendizaje Matemático para Estudiantes con Discapacidad Intelectual en Escuelas de Educación Especial

PID: S1413-65382021000100311 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: SATELER ULLOA GUZMÁN VEGA CORDOVA VIDELA OLAVARRÍA
RESUMEN: En los últimos años se ha ratificado el derecho a una educación de calidad e inclusiva, especialmente de personas en situación de discapacidad, y se ha puesto énfasis en una enseñanza que involucre a los estudiantes en experiencias matemáticas significativas de alta calidad. Sin embargo, son escasas las investigaciones respecto de cuáles son las oportunidades de aprendizaje (ODA) matemático que se proporcionan a estudiantes que presentan algún tipo de discapacidad intelectual. En este escenario, y con el propósito de caracterizar este tipo de oportunidades que se entregan en escuelas especiales, se realizó un estudio de casos múltiple de ocho cursos de primer ciclo básico de distintas escuelas chilenas. Para ello, se recogieron datos por medio del registro y análisis de contenido de las tareas matemáticas en soportes como cuadernos, fichas de trabajos y evaluaciones de cuatro estudiantes de cada uno de los ocho cursos de enseñanza básica que conforman este estudio. El análisis se centró en la categorización por ejes de contenidos, objetivos curriculares, habilidades matemáticas y demanda cognitiva implicadas en las tareas. Los resultados indican que las ODA se focalizan en el desarrollo de aprendizajes de primero y segundo básico, casi exclusivamente en Números y Operaciones, donde las tareas promueven el desarrollo de habilidades de mediana complejidad, y con fuerte carácter procedimental. Se concluye que los estudiantes de escuelas especiales tienen escasas oportunidades en acceder a nociones matemáticas variadas y desarrollar habilidades complejas a través de tareas ricas y desafiantes, limitando así su participación y desarrollo personal.

Perspectivas de Estudantes com Deficiências Sobre Facilitadores e Barreiras nas Universidades Públicas de Mato Grosso do Sul

PID: S1413-65382021000100321 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: DINIZ SILVA
RESUMO: O processo de reconhecimento e de participação de estudantes universitários com deficiências tem apresentado desafios que incitam discussões e investigações. Nesse sentido, este estudo teve por objetivo analisar elementos que se constituem barreiras e/ou facilitadores que, sob a perspectiva de estudantes universitários com deficiências, se apresentam em suas trajetórias de formação acadêmica nas Universidades públicas de Mato Grosso do Sul, Brasil. A pesquisa foi realizada com caráter qualitativo, de modo descritivo exploratório, e valeu-se da técnica de grupo focal. Os resultados foram organizados em eixos temáticos. Como facilitadores da inclusão dos estudantes com deficiências na Educação Superior, os participantes relataram: presença de professores de apoio, intérpretes e monitores; disponibilização de recursos materiais; ações pedagógicas; adequação de mobiliário; acessibilidade arquitetônica; relações interpessoais positivas com colegas; concepções e atitudes positivas dos docentes; funcionamento de núcleo e/ou setor de acessibilidade; e apoio dos familiares. Concomitante e paradoxalmente, foram identificadas barreiras arquitetônicas, urbanísticas, atitudinais, comunicacionais, de informação e pedagógicas. Concluiu-se que a inclusão dos estudantes com deficiências na Universidade enfrenta obstáculos significativos, mas é preciso reconhecer que avanços também podem ser observados e indicam que modificações estão acontecendo para garantir o direito de acesso, de participação, de aprendizado e de permanência desses estudantes na Educação Superior.

Perspectivas de Profissionais sobre a Comunicação Multimodal no Desenvolvimento de um Sujeito com Surdocegueira

PID: S1413-65382021000100333 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: MATA SORIANO OLIVEIRA
RESUMO: A comunicação é a base para todo o processo de ensino e aprendizagem de qualquer pessoa. Para o sujeito com surdocegueira, especialmente a de natureza congênita, é um desafio permanente que exige dos profissionais conhecimentos específicos, atuação adequada e bem fundamentada. Dessa forma, este estudo teve como objetivo identificar, na perspectiva de profissionais que atuaram com um sujeito com surdocegueira congênita, aspectos do uso de vias remanescentes simultâneas ou isoladas, para o estabelecimento da comunicação. Para tanto, considerando os princípios de uma pesquisa qualitativa do tipo descritiva, utilizou-se como procedimento de coleta de dados entrevistas semiestruturadas. As entrevistas foram transcritas na íntegra e tratadas a partir de seu conteúdo para a obtenção de subtemas que foram, posteriormente, agrupados e convertidos em categorias. Especificamente para essa análise, a categoria apresentada foi a de Comunicação Multimodal. A análise de dados permitiu identificar as perspectivas dos profissionais em relação ao uso de vias remanescentes simultâneas ou isoladas, para favorecer o estabelecimento de uma comunicação. De modo geral, observou-se que as perspectivas dos participantes estiveram relacionadas à combinação nas formas de antecipação das atividades e/ou ações por meio da utilização de diferentes vias sensoriais, com predominância dos sentidos gustativos e olfativos, enquanto o proprioceptivo e o cinestésico foram descritos em menor proporção. Além disso, os relatos indicaram tentativas de associação entre objetos concretos e sinais, buscando, assim, de acordo com os participantes, uma comunicação em nível menos elementar.

Políticas Neoliberales y Primera Infancia: una Revisión Desde el Enfoque de Derechos y la Inclusión Educativa en Chile

PID: S1413-65382021000100203 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: MUÑOZ-OYARCE
RESUMEN El artículo que a continuación se presenta es un ensayo, producto de una revisión documental, que aborda desde una perspectiva crítico-reflexiva la instalación de las políticas neoliberales y de mercado en la educación chilena, puesto que, desde su implantación con la dictadura militar sus consecuencias siguen vigentes, impactando al sistema en su conjunto. La educación es un proceso permanente que está siempre presente en la vida de los individuos, e influye en su forma de pensar, sentir y actuar, en consecuencia, la sociedad del tercer milenio demanda procesos educativos que tiendan a la consolidación de la calidad educativa, con fuerte énfasis en los principios de equidad y diversidad. En este sentido, el aula de primera infancia se enfrenta a una gran heterogeneidad social y cultural, que implica otra concepción de la organización en pre-escolar que va más allá del camino de la uniformidad y que reconoce la diferencia, considerando así la diversidad como un aspecto enriquecedor de la propia comunidad educativa. En el presente ensayo se analizan los límites y desafíos en la primera infancia, teniendo como telón de fondo el enfoque de derechos y los ingentes procesos de inclusión educativa, que procuran alcanzar una sociedad no sólo más justa y democrática, sino más respetuosa por la inclusión de todos los niños(as), desde los primeros niveles educativos.

Programa Computadorizado e Alfabetização e Abordagem Fonovisuoarticulatória para Pessoas com Deficiência Intelectual

PID: S1413-65382021000100332 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: RODRIGUES GONÇALVES
RESUMO: Pesquisas envolvendo o processo de escolarização da pessoa com Deficiência Intelectual (DI) são necessárias, visto que, em média, 45,6% das pessoas com DI são analfabetas no Brasil. Diante desse cenário, torna-se fundamental pensar no processo de alfabetização desses estudantes, especificamente em possibilidades que auxiliem práticas pedagógicas eficazes. Este artigo objetivou analisar a eficácia do Programa Computadorizado de Alfabetização de abordagem Fonovisuoarticulatória em três estudantes com DI, de 12 e 13 anos de idade, não alfabetizados que frequentavam uma escola especial. Para tanto, o estudo foi dividido em quatro etapas: I- Aplicação da avaliação de leitura e escrita; II- Aplicação do procedimento experimental, após avaliações e testes, utilizando o delineamento de Linha de Base Múltipla - a intervenção foi realizada individualmente em sessões de aproximadamente 50 minutos, três vezes por semana, durante quatro meses, e as informações foram anotadas na Folha de Registro; III- Reaplicação da avaliação de leitura e escrita; IV- Aplicação do Questionário de Validade Social. Os dados foram analisados considerando aspectos como o desempenho dos participantes, o monitoramento do processo de leitura e escrita e o número de acertos nas etapas de intervenção. Os resultados mostraram que os participantes aumentaram as respostas corretas após a introdução da intervenção com o programa quando foram apresentadas as atividades das vogais e das consoantes, uma vez que estiveram todas as sessões de intervenção acima da linha de base. O Questionário de Validade Social demonstrou a percepção da professora e da coordenadora pedagógica sobre a intervenção, relatando que puderam observar avanços dos participantes quanto ao processo de alfabetização.

Propriedades Psicométricas e Adaptação Cultural da Basic Need Satisfaction in General Scale para uma População Brasileira de Usuários de Cadeira de Rodas

PID: S1413-65382021000100338 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: WAGNER PEIXOTO OLIVEIRA
RESUMO: Este estudo teve como objetivo a adaptação cultural e a validação da Basic Need Satisfaction in General Scale (BNSG) para a sua aplicação no contexto cultural brasileiro. Participaram da pesquisa 133 pessoas com deficiência física, usuárias de cadeira de rodas. A adaptação cultural passou por um grupo focal e por um linguista da área de Letras. Os métodos estatísticos foram sistematicamente empregados para atender aos objetivos de adaptação cultural, estimativa de evidências de validade baseada no conteúdo, na estrutura interna, na relação com variável externa e na precisão para a versão brasileira da BNSG. A Análise Fatorial Exploratória indicou a adequação do modelo composto por um fator com bons indicadores de precisão, coeficiente Alpha de Cronbach igual a 0,916, e ômega de McDonald igual a 0,916. Os resultados desta pesquisa asseguram a adequação do processo de adaptação cultural da BNSG para o contexto brasileiro, resultando em uma nova ferramenta para pesquisas relacionadas a necessidades psicológicas básicas compreendidas no cenário da teoria da autodeterminação.

Práticas Educativas Inclusivas na Educação Infantil: uma Revisão Integrativa de Literatura

PID: S1413-65382021000100407 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: CARVALHO SCHMIDT
RESUMO: A Educação Inclusiva preconiza equidade de oportunidades para os alunos em todas as etapas da educação, inclusive na Educação Infantil. O conhecimento e a implementação de práticas com evidências de eficácia no cotidiano escolar podem favorecer a concretização dos princípios da Educação Inclusiva. Assim sendo, o objetivo desta revisão foi analisar, na literatura científica, práticas educativas inclusivas de dimensão processual para a Educação Infantil que apresentam indícios de efetividade e/ou eficácia na última década. Foram consultadas as bases da Biblioteca Eletrônica Científica Online (SciELO), da PsycINFO, do Education Resources Information Center (ERIC) e da Web of Science (WoS) entre 2009 e 2019, em busca de pesquisas empíricas, realizadas no contexto escolar, que descrevessem intervenções diretas com grupos de alunos e que envolvessem crianças público-alvo da Educação Especial. Dos 274 artigos extraídos, foram analisados nove após análise dos critérios de elegibilidade. Os artigos foram classificados quanto ao nível de evidência. Em seguida, as práticas com indícios de efetividade descritas nos artigos foram categorizadas como transversais, antecedentes às atividades, posteriores e realizadas durante as atividades (n=23). Apesar de as práticas analisadas parecerem relativamente simples de serem implementadas no cotidiano escolar, seu conjunto mostra a importância do planejamento, da organização e da condução das atividades escolares, de forma a promover oportunidades concretas para que crianças com alguma deficiência possam desenvolver plenamente seu potencial.

Qualidade da Coparentalidade e o Estresse em Pais de Crianças com Paralisia Cerebral

PID: S1413-65382021000100300 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: CUNHA CALDAS PONTES RAMOS SOUZA SILVA
RESUMO: O objetivo deste artigo foi verificar a associação entre a qualidade da coparentalidade e o estresse em pais de crianças com paralisia cerebral (PC). Trata-se de um estudo transversal e descritivo. Foram incluídos 81 pais de crianças com até 12 anos de idade diagnosticadas com PC. Os instrumentos utilizados foram Inventário sociodemográfico, Escala de classificação funcional motora grossa, Índice de estresse parental e Questionário de coparentalidade submetidos na Técnica de Análise de Correspondência (ANCOR). Altos níveis de estresse total estão associados a elevados índices de estresse nas subescalas sofrimento parental, interação disfuncional pai e filho e criança difícil. Os pais avaliados no Questionário de Coparentalidade com baixa cooperação foram registrados com elevados índices de estresse na subescala sofrimento parental. Os dados mostraram relação significativa entre a qualidade da coparentalidade e o nível de estresse em pais de crianças com PC.

Reconhecimento de Palavras, Fluência e Compreensão de Leitura em Alunos com Transtorno do Espectro Autista

PID: S1413-65382021000100341 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: RIBEIRO MECCA BRITO SEABRA
RESUMO Tendo em vista que o desempenho acadêmico é um dos fatores associados ao bom prognóstico no Transtorno do Espectro Autista (TEA), este estudo avaliou diferentes aspectos cognitivos da leitura em oito meninos com TEA, entre 10 e 13 anos (M=10,87; DP=1,12), de escolas públicas e privadas. Avaliou-se o reconhecimento de palavras (TCLPP II), a fluência (TFL) e a compreensão de leitura (TCCL), bem como o Quociente de Inteligência (QI) Estimado (Vocabulário e Raciocínio Matricial do WASI). Os resultados demonstram frequência maior de desempenhos abaixo da média em compreensão de leitura e maior frequência de desempenhos na média tanto no reconhecimento de palavras quanto na fluência de leitura. Em relação ao tempo nas tarefas de fluência e compreensão, houve maior frequência de classificações na média. Não houve correlação significativa entre Vocabulário do WASI e o QI com os testes de leitura. Entretanto, houve correlação positiva, significativa e de alta magnitude entre reconhecimento de palavras com os escores em fluência e compreensão. Uma tendência de magnitude moderada foi observada entre essas duas últimas variáveis. Conhecer o perfil de leitura do aluno com TEA, a partir da avaliação do reconhecimento de palavras, da fluência e da compreensão, possibilita orientar adaptações escolares, com impacto no seu desenvolvimento acadêmico e prognóstico.

Recursos de Acessibilidade e o Uso dos Dispositivos Móveis como Tecnologia Assistiva por Pessoas com Baixa Visão

PID: S1413-65382021000100335 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: BORGES MENDES
RESUMO: As dificuldades de implementação e de apropriação de recursos de Tecnologia Assistiva (TA) deriva do seu alto custo, desconforto social em utilizá-los, extravios dos dispositivos e da falta de funcionalidade em longo prazo. Paralelamente a esse contexto, diferentes possibilidades em TA vêm se popularizando entre as pessoas com deficiência visual, as quais têm sido descritas, timidamente, em pesquisas de levantamento que abordam o uso de TA por pessoas com baixa visão. Em razão da carência de conhecimento sobre a temática e a necessidade de descrever o perfil funcional e de uso dessas possibilidades, este artigo tem como objetivo caracterizar, a partir do ponto de vista dos usuários, o funcionamento e o uso de recursos de acessibilidade de smartphones e/ou tablets no cotidiano de pessoas com baixa visão. A metodologia adotada nesta investigação é de natureza descritiva, sob o delineamento de estudo de caso. Participaram do estudo 28 pessoas com baixa visão, membros de um grupo já existente no aplicativo WhatsApp. A coleta de dados aconteceu no espaço virtual desse aplicativo, individualmente, por meio de entrevista semiestruturada. Os dados foram transcritos e analisados com base na teoria fundamentada. Os resultados indicam que o uso dos recursos de acessibilidade é o principal diferencial dos smartphones e dos tablets, pois são eles os responsáveis pelo acesso independente a esses dispositivos. Eles são usados de maneira combinada, e os diferentes arranjos garantem variabilidade de opções em TA proporcionais à diversidade de necessidades do público com baixa visão.

Relação Família-Escola-Criança com Transtorno do Espectro Autista: Percepção de Pais e Professoras

PID: S1413-65382021000100323 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: CABRAL FALCKE MARIN
RESUMO: Na infância, a presença do Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode indicar um desafio para os principais ambientes de desenvolvimento da criança, tais como a família e a escola, especialmente quanto às necessidades inclusivas de socialização e aprendizagem. Nesse sentido, este estudo teve como objetivo investigar a relação entre a família e a escola no contexto da inclusão de crianças com TEA. Trata-se de uma proposta de abordagem qualitativa, de caráter exploratório e corte transversal, da qual participaram mães, pais e professoras de quatro crianças com TEA. Os participantes responderam a um questionário de dados sociodemográficos e a uma entrevista semiestruturada. A análise de conteúdo revelou preocupações, dificuldades, conquistas e perspectivas futuras no âmbito da inclusão. Tais achados são discutidos com vistas a contribuir para uma reflexão sobre a importância da relação família-escola no contexto do TEA, bem como da integração com diferentes recursos propulsores do desenvolvimento, a fim de fundamentar um trabalho colaborativo e em prol da educação inclusiva.

Sexualidade das Pessoas com Deficiência Física: uma Análise à Luz da Teoria das Representações Sociais

PID: S1413-65382021000100325 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: CARVALHO SILVA
RESUMO: Este artigo buscou responder ao seguinte questionamento: Como as pessoas transversalizam a questão do corpo nos discursos sobre a sexualidade das pessoas com deficiência e, assim, na elaboração de suas representações sociais? O objetivo principal foi discutir a sexualidade das pessoas com deficiência à luz da Teoria das Representações Sociais (TRS), utilizando fotografias, como técnica, para a identificação dessas representações. A pesquisa contou com a participação voluntária de 20 estudantes universitários (10 sem deficiência e 10 com deficiência física), de cursos das Ciências Humanas e Sociais, de uma universidade pública, distribuídos igualmente entre ambos os sexos (10 homens e 10 mulheres), com idades entre 19 e 59 anos, recrutados a partir de uma amostragem não probabilística (por conveniência) e da técnica snowball. Os dados foram obtidos a partir do questionário sociodemográfico, para a caracterização do perfil dos participantes, e da entrevista semiestruturada, na qual um dos questionamentos utilizou a foto-linguagem, que será o foco de análise deste artigo. Os dados produzidos na pesquisa foram analisados a partir do software IRAMUTEQ, ao utilizar a Classificação Hierárquica Descendente (CHD) e os dados quantitativos, pelo pacote estatístico SPSS, com o uso da estatística descritiva. Os resultados foram divididos em corpus, um referente às respostas das pessoas com deficiência física (Experiências de sexualidade na deficiência) e outro com as pessoas sem deficiência (Percepções sobre a sexualidade na deficiência). As representações sociais encontradas foram distribuídas nas seguintes temáticas: vida com deficiência e limitações; corpo com deficiência e autoimagem; relação sexual; casamento; reprodução; família.

Solidariedade Intergeracional de Avós com Netos com Deficiência: Análise Bibliométrica e de Conteúdo

PID: S1413-65382021000100302 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: HAYASHI HAYASHI REBELLATO MARTINEZ
RESUMO: Os avós, sobretudo as avós, são fontes importantes de apoio para famílias de crianças com deficiência. A presença dessas avós no contexto da vida diária propicia trocas de apoio que podem funcionar como mecanismos de proteção e promover a resiliência familiar. Nesse contexto, a Solidariedade Intergeracional (SI) colabora para o enfretamento de estressores e consequentes impactos na saúde dos indivíduos. Nesse sentido, este artigo objetiva compreender como se configura a produção científica da literatura científica nacional e internacional que aborda a SI entre avós e mães de crianças com deficiência. A pesquisa bibliográfica, exploratória-descritiva foi realizada por meio de análise bibliométrica e de conteúdo. A coleta de dados ocorreu no Portal de Periódicos Capes, mediante a utilização de expressões de busca extraídas da literatura. Após os critérios de inclusão e exclusão, foi constituído o corpus de análise (n=18). Os resultados informam maioria feminina nas produções em coautorias, no período de 1994 a 2016. Há 16 títulos editados em cinco países. Na maioria dos estudos, foram identificadas as dimensões funcional e afetiva. A partir dos desfechos dos estudos, são discutidos os seguintes subtemas: avós como fontes de apoio; atuação dos profissionais com a família, incluindo os avós; níveis de estresse e conflitos; diferenças e semelhanças entre avós de netos com ou sem deficiências; e dados culturais e universais. A presente pesquisa reforça a complexidade das relações familiares e a multidimensionalidade da SI, que é construída ao longo do tempo e atravessada pelo contexto social e cultural.

Trajetórias Educacionais de Pessoas com Surdocegueira Adquirida

PID: S1413-65382021000100347 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: LUPETINA WALTER
RESUMO Este estudo é um desdobramento de uma pesquisa de Doutorado em Educação sobre a história de vida de indivíduos com surdocegueira adquirida, conforme Lupetina (2019). O artigo tem como objetivo trazer a narrativa dos surdocegos referente à trajetória educacional vivenciada por eles. Participaram, desta pesquisa, sete surdocegos de diferentes estados brasileiros que narraram sobre as suas vidas a partir da própria percepção, trazendo o protagonismo dos surdocegos como lugar de fala. As formas de comunicação utilizadas pelos surdocegos durante as entrevistas foram: Língua Brasileira de Sinais (Libras) tátil, Libras em campo reduzido, fala ampliada, fala estando perto e Tadoma. Os resultados indicaram que, apesar de trajetórias diferentes, os relatos possuem pontos em comum, como a insistência na oralização e na leitura labial para os surdocegos que possuem resíduo visual, em vez do incentivo ao uso da Libras; a ausência de profissionais especializados e materiais adaptados; e serem os únicos surdocegos nos espaços escolares em que estudaram. O estudo conclui que o protagonismo do surdocego em pesquisas acadêmicas ainda é muito raro e que o processo de inclusão escolar tem muito a caminhar, pois são pessoas que necessitam ter voz e direitos como cidadãos.

Trajetórias de Alunos com Deficiência e as Políticas de Educação Inclusiva: da Educação Básica ao Ensino Superior

PID: S1413-65382021000100342 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2021
Autores: GUIMARÃES BORGES PETTEN
RESUMO O acesso das pessoas com deficiência à Educação Superior é relativamente recente no Brasil. A partir de 2016, com a inserção desse público na Lei de Cotas, o cenário começou a mudar. Assim sendo, o objetivo deste estudo foi analisar, a partir do Modelo Social da Deficiência, as trajetórias escolares de uma amostra de estudantes cotistas de uma instituição pública de Ensino Superior, antes do ingresso nesse nível de ensino. Após a realização de um questionário enviado a todos os estudantes com deficiência ingressantes por cotas em 2018, foram selecionados entre os respondentes, por meio de sorteio, cinco estudantes (com Deficiência Física, Visual, Auditiva, Intelectual e com Transtorno do Espectro do Autismo) para as entrevistas, que foram realizadas e analisadas a partir da metodologia da História Oral. Para tanto, foi tomado como eixo condutor o possível impacto da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, de 2008, na trajetória escolar dos estudantes ao longo da Educação Básica até seu ingresso na universidade. As narrativas dos estudantes trouxeram memórias das vivências fora e dentro da escola, com destaque para o apoio da família e de profissionais, que foi decisivo em suas histórias de vida, e para o acesso que tiveram a suportes e a recursos no ambiente escolar. Os resultados demonstraram que, embora os estudantes tivessem dificuldade em nomear de forma direta como a Política de 2008 impactou o seu percurso escolar, a possibilidade de escolarização em escola regular foi um diferencial que permitiu o acesso ao Ensino Superior.
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