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Sobre a Participação Social da Pessoa com Deficiência Intelectual

PID: S1413-65382020000300465 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2020
Autores: FREDERICO LAPLANE
RESUMO A legislação vigente, no Brasil, reconhece as pessoas com deficiência como sujeitos de direitos e estabelece a diminuição de barreiras para que esse público possa exercer sua cidadania, porém ainda existem diversos obstáculos que dificultam esse processo. Documentos como a Constituição de 1988, a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência de 2007 e, mais recentemente, a Lei Brasileira de Inclusão de 2015 afirmam a necessidade de promover o protagonismo social das pessoas com deficiência. Entre as formas de protagonismo, as organizações das próprias pessoas com deficiência têm papel importante na defesa dos direitos. No caso da deficiência intelectual, embora existam organizações que defendem os direitos dessas pessoas, os defensores são, em sua maioria, familiares, profissionais especializados ou mesmo políticos. Nesse contexto, este estudo propõe a investigação das formas de participação social e escolar das pessoas com deficiência intelectual. A metodologia do estudo incluiu a análise de dados estatísticos públicos do Censo Demográfico Brasileiro (2010) e Censo Escolar (de 2014 a 2018), no que se refere à participação escolar e no mercado de trabalho. Foi utilizado o programa IBM SPSS Statistics para o tratamento dos dados, que foram analisados à luz da literatura especializada e da legislação vigente. O estudo revelou que, na educação, a maioria de alunos com deficiência são estudantes com deficiência intelectual. Em relação ao mercado de trabalho, dentre todas as deficiências, a deficiência intelectual apresenta menores índices de participação. A conclusão aponta para a necessidade de levar-se em consideração esse estado de coisas para ampliar e formular novas políticas de participação social.

Software mTEA: do Desenho Computacional à Aplicação por Profissionais com Estudantes com Autismo

PID: S1413-65382020000100051 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2020
Autores: SILVA SOARES BENITEZ
RESUMO: Uma forma viável de sistematização e personalização da intervenção delineada em Análise do Comportamento Aplicada (ABA), com estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), pode ser por meio de recursos computacionais. Assim sendo, este estudo teve como objetivo elaborar um ambiente digital denominado como mTEA para aplicação de programas de ensino por tentativas discretas, fundamentados na perspectiva comportamental, assim como avaliar o uso do mTEA, em relação à elaboração e à aplicação das atividades por duas profissionais com estudantes com TEA. Participaram duas profissionais e cinco crianças com TEA. O procedimento foi organizado da seguinte forma: desenvolvimento do sistema; na sequência, as duas profissionais elaboraram e aplicaram as atividades com cinco estudantes com TEA e responderam a um questionário sobre o uso do mTEA. Os resultados foram agrupados em relação ao desempenho dos estudantes com TEA nas atividades e ao uso do sistema pelas profissionais. Os resultados identificaram que o mTEA atingiu o objetivo proposto para personalizar as atividades propostas em cada currículo de ensino de cada estudante, apesar de ainda carecer de melhorias a serem implantadas futuramente.

Transtorno do Espectro Autista e Interações Escolares: Sala de Aula e Pátio

PID: S1413-65382020000100069 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2020
Autores: LEMOS NUNES SALOMÃO
RESUMO: Este estudo objetivou analisar episódios interacionais de crianças com autismo nos contextos de sala de aula e pátio, considerando seus pares e professores. Entende-se a relevância da inclusão escolar e das interações sociais específicas que ocorrem nesses contextos a partir das características neurodesenvolvimentais, sociocomunicativas e comportamentais das crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista. Para tanto, foram realizadas oito filmagens em duas escolas particulares, com quatro professoras, quatro crianças com autismo e 42 crianças com desenvolvimento típico. Os resultados foram apresentados em termos quantitativos, a partir das frequências de episódios interacionais; e qualitativos, a partir da descrição de quatro estudos de caso contendo trechos dos episódios interacionais. Apesar das variações entre os contextos, os episódios interacionais completos caracterizaram-se pelo uso de objetos e mediações diádicas dirigidas pelas professoras às crianças autistas. Sobre as interações entre os pares, destaca-se que essas trocas foram mais frequentes durante as atividades livres no contexto de sala de aula. Por fim, ressaltase o papel do estudo dos episódios interacionais para os processos de pesquisa, avaliação e intervenção na área escolar.

Transtorno do Espectro Autista e Práticas Educativas na Educação Profissional

PID: S1413-65382020000400555 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2020
Autores: VASCONCELLOS RAHME GONÇALVES
RESUMO: No contexto da educação inclusiva, esta pesquisa teve como objetivo analisar as práticas educativas adotadas na escolarização de um estudante com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Ensino Técnico Integrado (ETI). O estudo foi orientado por uma abordagem qualitativa, na modalidade estudo de caso. Para coleta de dados, realizaram-se uma pesquisa documental e entrevistas semiestruturadas com o estudante com TEA, seus pais e seus professores de uma instituição da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (RFEPCT), em Belo Horizonte, estado de Minas Gerais. Na interpretação dos dados, utilizou-se a análise de conteúdo, com o aporte teórico da educação inclusiva e da literatura sobre o TEA. Os resultados desta investigação apontam para o reduzido número de matrículas de pessoas com autismo no ETI e para a efetividade do trabalho colaborativo, em interlocução com a família, ações de apoio ao estudante, flexibilização curricular, adequações das avaliações, procedimentos didáticos e propostas de ensino específicas. Essas ações resultaram em condições mais adequadas de escolarização para o estudante com autismo, mas com desafios a serem superados, relativos às fragilidades na formação dos educadores e à necessidade de institucionalização de diretrizes e práticas educativas pautadas na diversidade humana, que ampliem as oportunidades educacionais.

Una Aproximación Teórica sobre la Educación Inclusiva en Honduras: Avances, Obstáculos y Desafíos

PID: S1413-65382020000300371 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2020
Autores: PAZ-MALDONADO
RESUMEN El siguiente artículo teórico-reflexivo tiene como objetivo analizar el panorama actual de la educación inclusiva en el sistema educativo de Honduras. La base del análisis es de tipo documental. Las fuentes revisadas son diferentes leyes nacionales, artículos e informes que permitieron evidenciar sus avances, obstáculos y desafíos. Los resultados muestran que existen múltiples elementos reguladores para favorecer el derecho a la enseñanza. Sin embargo, las diversas normativas no plantean los mecanismos específicos para atender a colectivos en condición de vulnerabilidad, ya que se considera únicamente a los estudiantes en situación de discapacidad. Por esta razón, se demanda la aprobación de políticas públicas con enfoque inclusivo para solventar vacíos legales y eliminar la brecha de exclusión en la sociedad.

Versão Portuguesa Da Medida Do Processamento Sensorial Préescola: Análise Da Consistência Interna E Homogeneidade Dos Itens Do Formulário Escola

PID: S1413-65382020000400657 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2020
Autores: REIS NEVES DIXE
RESUMO: Nos últimos anos, tem havido na literatura uma larga estimativa de prevalência de desordens do processamento sensorial. A avaliação dessas dificuldades deve fazer parte da competência dos profissionais que desenvolvem o seu trabalho com crianças que as apresentam por meio de instrumentos validados. Este estudo examina a consistência interna e homogeneidade dos itens da versão portuguesa do Sensory Processing Measure-Preschool (SPM-P). Foi aplicado o SPM-P a cem crianças entre os 2 e os 5 anos de idade que frequentavam a creche e o jardim de infância com o objetivo de determinar a sua fiabilidade e a validade. A análise da correlação de Pearson (homogeneidade dos itens) e do alfa de Cronbach (consistência interna) determinou a exclusão de quatro itens. Os valores de alfa de Cronbach para as várias dimensões (“Participação Social”, “Visão”, “Audição”, “Toque”, “Consciência Corporal”, “Equilíbrio”, “Planeamento Motor e Ideias”) oscilou entre ‹=0.742 (“Visão” e “Toque”) e ‹=0.908 (“Consciência Corporal”). Os resultados deste estudo mostram que o SPM-P é um instrumento de rastreio válido e fiável para despistar as dificuldades de processamento sensorial das crianças Portuguesas com idades compreendidas entre os 2 e os 5 anos integradas em contexto escolar.

(Re)Significações no Processo de Avaliação do Sujeito Jovem e Adulto com Deficiência Intelectual

PID: S1413-65382019000300373 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2019
Autores: ALLES CASTRO MENEZES DICKEL
RESUMO Este artigo objetiva problematizar o processo de avaliação do sujeito com Deficiência Intelectual (DI) e seus efeitos em termos de definição, de classificação e de diagnósticos produzidos sobre a DI. As discussões propostas partem de uma análise referente às diferentes abordagens presentes nos manuais da Associação Americana de Deficiência Intelectual e de Desenvolvimento (AAIDD, 2010 e AAMR, 2006) e suas (re)significações. Procuramos colocar sob tensionamento discursos utilizados para delimitar quem são os sujeitos com DI; que características os constituem; que comportamentos os caracterizam; que potencialidades em termos de aprendizagens eles possuem e que apoios necessitam no contexto educacional. Em articulação com tais análises, apresentamos os dados produzidos no projeto “As contribuições do Rio Grande do Sul para a validação da Escala de Intensidade de Suporte - SIS no Brasil”. Amparadas teoricamente nas discussões socioantropológicas propostas por Lev S. Vigotski, tomamos tais dados como elementos para a construção de uma análise que nos possibilite indicar que faz-se possível (e necessário) um olhar para a DI que não parta dos indicadores de QI, historicamente responsável pela delimitação da DI em níveis de severidade, cujas possibilidades de desenvolvimento passaram a ser antecipadamente indicadas pelos diagnósticos clínicos. Nesse sentido, entendemos que, ao deslocarmos a ênfase do diagnóstico do QI para os sistemas de apoio, passamos a perceber um sujeito produzido nas práticas culturais, cujas possibilidades de desenvolvimento e aprendizagem não são exclusivamente determinadas pelos seus aspectos biológicos, mas, sim e principalmente, pelas interações sociais que ele estabelece ao longo de seu desenvolvimento.

A Educação Especial na Formação de Professores: um Estudo sobre Cursos de Licenciatura em Pedagogia

PID: S1413-65382019000400571 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2019
Autores: PEREIRA GUIMARÃES
RESUMO Este texto apresenta resultados de uma investigação sobre a Educação Especial (EE) na formação inicial dos professores de Educação Infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental, nos cursos de licenciatura em Pedagogia ofertados pelas Universidades Federais do estado de Minas Gerais. Trata-se de uma análise documental e bibliográfica utilizando-se como principais fontes as Diretrizes legais e os Projetos Pedagógicos dos Cursos (PPC). Em 2018, identificaram-se dez cursos ativos, na modalidade presencial, nas Universidades: UNIFAL, UFJF, UFLA, UFMG, UFOP, UFSJ, UFU, FACIP/UFU, UFV e UFVJM. Constatou-se que os PPC atendiam às Diretrizes Nacionais para os Cursos Superiores de Pedagogia, aprovadas em 2006. Todos os cursos ofertavam componentes curriculares relacionados à EE, porém com uma carga horária (CH) reduzida em relação à CH total. O estudo de "Libras" figura em todos os PPC em atendimento ao Decreto nº 5.626/2005. A análise comparativa dos documentos corrobora pesquisas anteriores, a saber: Deimling (2013), Omote e Marinho (2017), Pedroso, Campos e Duarte (2013). A EE ocupa um espaço restrito nos currículos, nos objetivos, no perfil do egresso, na CH, na organização das trajetórias formativas, o que representa uma lacuna na formação inicial. Essas evidências indicam a necessária ampliação do espaço da EE nos Cursos de Pedagogia e a formação contínua dos docentes nessa área no sentido de concretizar a educação inclusiva.

A Educação de Cegos no Brasil do Século XIX: Revisitando a História

PID: S1413-65382019000200283 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2019
Autores: LEÃO SOFIATO
RESUMO: O Imperial Instituto dos Meninos Cegos foi a primeira instituição escolar fundada no Brasil, no Rio de Janeiro, voltada à educação de pessoas com deficiência visual, provendo o ensino primário, musical, profissional e alguns ramos do ensino secundário. O objetivo desta pesquisa é apresentar e analisar a estrutura organizacional do Imperial Instituto dos Meninos Cegos, fundado em 1854, que utilizava o método simultâneo de ensino e esteve sob a proteção direta do Imperador até a queda da monarquia. Para tal, este trabalho consiste em uma pesquisa documental (Gil, 2002), realizada com base em fontes primárias localizadas no Arquivo Nacional, na Biblioteca Nacional, no Almanak Laemmert e em fontes bibliográficas, tais como: Aranha (2006), Araújo (1993), Jannuzzi (2004), Mazzotta (2001), Penna (2008), Veiga (2007) e Zeni (1997, 2005). O recorte geográfico e temporal da pesquisa dá-se no Rio de Janeiro, durante a segunda metade do século XIX, momento que nasceu a primeira instituição de ensino para a pessoa com deficiência visual na capital do Império. As fontes primárias analisadas constituíram-se, principalmente, por relatórios dos gestores do Instituto e dos Ministros e dos Secretários dos Negócios do Império, responsáveis pelo acompanhamento da educação. O Imperial Instituto dos Meninos Cegos instituiu as bases para a educação dos cegos no Brasil e, apesar de dar certa autonomia e proporcionar o desenvolvimento intelectual de seus alunos, fora criticada pelo seu caráter asilar, assumido por meio de suas práticas ao longo da história.

A Formação de Professores no GT 15 - Educação Especial da ANPED (2011-2017): Entre Diálogos e (Novas) Pistas

PID: S1413-65382019000200301 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2019
Autores: AMARAL MONTEIRO
RESUMO: Este texto analisa a produção científica sobre a formação de professores no GT 15 - Educação Especial da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd) no período de 2011 a 2017. Para tanto, consultou-se o resumo das comunicações e pôsteres apresentados nas páginas das edições nacionais do evento. Os dezenove estudos encontrados foram lidos e organizados em eixos: Formação inicial, Formação continuada, Formação ao longo da vida e Análise de políticas e propostas formativas. Os apontamentos iniciais indicam o crescimento da temática no GT 15, o retorno de pesquisas sobre formação inicial e a incorporação de narrativas autobiográficas. Existe uma variedade nos procedimentos adotados nos estudos - grupo focal, entrevistas, questionários e análise documental. Nas proposições, evidencia-se que: a formação nas licenciaturas tem se dado a partir de ações localizadas; há valorização dos conhecimentos produzidos coletivamente na formação continuada; existe reconhecimento dos modos que as vivências e as condições de trabalho impactam na formação; os dizeres oficiais e as propostas formativas investem em práticas de autogestão/autoinvestimento, valorizam a formação continuada em detrimento da inicial e prestigiam um saber-fazer técnico. Considera-se a necessidade de pesquisas que abordem a formação inicial do professor que atua no Atendimento Educacional Especializado, a construção de conhecimento sobre a vivência e o processo formativo nos cursos de licenciatura e trabalhos que reflitam acerca do papel da teoria na formação continuada em Educação Especial.

A Modulação das Condutas das Pessoas com Deficiência no Contexto Educacional Brasileiro de Inclusão

PID: S1413-65382019000300421 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2019
Autores: KRAEMER THOMA
RESUMO No presente artigo, analisamos como vêm sendo operacionalizados investimentos na modulação das condutas das pessoas com deficiência pela política de inclusão escolar em curso na sociedade brasileira desde a última década do século XX. Para desenvolver essa análise, utilizamos como ferramentas analíticas as noções de governamento, a partir de Foucault (2008a, 2008b), e de modulação, conforme desenvolvida por Deleuze (2013). Ao olharmos para um conjunto de documentos legais que orientam e regulam a inclusão das pessoas com deficiência no espaço da escola comum, buscamos mostrar que as práticas operadas pelo Estado brasileiro na modulação das condutas dessas pessoas têm como objetivo constituir sujeitos capazes de investir no desenvolvimento de suas competências individuais ao longo de seu processo de formação. Pela política de inclusão escolar, organizada na arena da governamentalidade neoliberal, são utilizadas diferentes estratégias para minimizar o risco social da exclusão desses sujeitos. Assim, as ações desenvolvidas pelo Estado são organizadas em rede e articulam diferentes setores para garantir condições equânimes de acesso, participação e desenvolvimento a todos e, com isso, incrementar formas de vida participativas, autônomas e aprendizes ao longo da vida, com condutas flexíveis e capazes de adequar-se às constantes mudanças do nosso tempo.

Análise Descritiva do Tema Deficiência nos Currículos de Graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte

PID: S1413-65382019000300435 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2019
Autores: SILVA ANDRADE
RESUMO A educação pode contribuir com a inclusão de pessoas com deficiência na sociedade em pelo menos duas frentes. De um lado, é preciso garantir acesso, permanência e conclusão dessas pessoas nos sistemas de ensino. De outro, é preciso ensinar pessoas sem deficiência a conviver e lidar adequadamente com pessoas com deficiência. O desafio de formação de pessoas sem deficiência é particularmente relevante nos cursos superiores. Assim sendo, o objetivo deste trabalho é analisar as disciplinas de cursos de graduação presenciais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN que abordam o tema deficiência. Em termos metodológicos, foi realizado um estudo descritivo documental dos currículos de graduação da universidade para identificar quais disciplinas abordaram o tema deficiência entre 2008 e 2017. A análise dos tipos de deficiência e dos temas abordados em cada disciplina permitiu (1) traçar um panorama geral da formação oferecida pela UFRN sobre o tema deficiência; e (2) apresentar categorias de análise e formas de visualização de dados que servem de instrumentos para analisar a formação oferecida por instituições de Ensino Superior. Como resultados, este estudo preliminar identificou oportunidades de melhoria nos currículos de graduação da UFRN, principalmente por meio do aumento da quantidade e da diversidade de tipos de deficiência e temas abordados nos cursos. Conclui-se que análises e visualizações de informações poderiam ser realizadas com apoio de sistemas computacionais de gestão acadêmica, como o Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas - SIGAA. Estudos semelhantes podem ser um importante instrumento de avaliação durante a gestão de Ensino Superior para a formação de uma sociedade inclusiva.

As Interações Pedagógicas na Perspectiva do Ensino Colaborativo (Coensino): Diálogos com o Segundo Professor de Turma em Santa Catarina

PID: S1413-65382019000400655 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2019
Autores: BUSS GIACOMAZZO
RESUMO: Este artigo apresenta resultados de uma pesquisa que buscou analisar a percepção dos Segundos Professores sobre as interações pedagógicas que se estabelecem entre esse profissional e o professor titular na perspectiva do ensino colaborativo (Coensino). Para tanto, contextualiza-se a função do Segundo Professor de Turma e suas atribuições de acordo com os documentos legais e as políticas de inclusão em Santa Catarina. Conceitua-se o Coensino a partir das contribuições teóricas de Mendes, Vilaronga e Zerbato (2014), Vilaronga (2014), Costas e Correia (2012), França (2016), Zerbato (2014) e Mendes (2002, 2006). No contexto de uma pesquisa qualitativa, as análises recaem sobre a voz de dez Segundos Professores e os dados de uma autoavaliação pós-entrevista. Percebe-se que há ainda avanços a serem feitos em relação à inclusão de alunos com deficiência nas escolas regulares que impactam a cultura do coensino no ambiente escolar, perpassando sobre as relações pedagógicas entre os professores que atuam na mesma turma.

As Vozes das Professoras na Pedagogia Hospitalar: Descortinando Possibilidades e Enfrentamentos

PID: S1413-65382019000300403 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2019
Autores: SOUZA ROLIM
RESUMO Esta pesquisa busca conhecer o processo pedagógico educacional em um ambiente hospitalar, na atuação das professoras, considerando as especificidades de crianças em tratamento de saúde, na cidade de Palmas, estado do Tocantins, Brasil. A investigação desenvolveu-se a partir da abordagem qualitativa de cunho descritivo. Como estratégia metodológica, utilizou-se o estudo de caso; e, como técnica de coleta de dados, a entrevista semiestruturada. No desenvolvimento, a pesquisa foi construída dando voz às professoras, em um caminhar que perpassou questões relativas à regulamentação e à prática docente para o atendimento educacional à criança hospitalizada. Os resultados obtidos demonstram que a educação hospitalar oferece diferentes possibilidades educativas para o atendimento a essa criança. No campo de pesquisa, identificou-se a existência da brinquedoteca, que, em sua dinâmica, possibilita desenvolver ações ludoterapêuticas, contribuindo para amenizar o sofrimento, diminuir a ansiedade e elevar a autoestima da criança e seus familiares. Percebeu-se, ainda, a importância de pensar sobre a implantação das classes hospitalares, um direito legal, mas ainda não efetivado no contexto pesquisado. Ao conhecer o processo pedagógico hospitalar também foi possível observar a necessidade de aproximação do hospital com as experiências escolares, buscando oportunizar para as crianças em tratamento o acesso às atividades típicas da infância.

Atitudes Sociais e Formação Inicial de Professores para a Educação Especial

PID: S1413-65382019000400765 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2019
Autores: TORRES MENDES
RESUMO Esta pesquisa propôs-se a verificar se, dentre três temáticas, comumente usadas em formações de professores para a Educação Especial, alguma apresentaria maior potencial para promover mudanças de atitudes sociais em estudantes de licenciaturas. Foi desenvolvido e implementado um programa de formação de professores com vistas a testar esse efeito nas seguintes temáticas: História, Políticas e Práticas Pedagógicas. O programa de formação foi desenvolvido no Moodle e dividido em três unidades, cada uma abordando uma das temáticas. Participaram do estudo 88 estudantes de licenciaturas distribuídos em três salas do Moodle. O ambiente do curso foi composto por três abas principais, concentrando as três temáticas a serem testadas, e foram criadas três salas virtuais separadas. Cada sala iniciou o curso por uma temática, as quais foram abordadas simultaneamente e intercaladas. Antes e após a participação dos cursistas na primeira unidade do curso, suas atitudes sociais foram mensuradas via Escala Likert de Atitudes Sociais em relação à inclusão (ELASI). Por meio de testes estatísticos, constatou-se que não houve diferença estatisticamente significante nas atitudes dos estudantes para cada uma das temáticas testadas entre as salas, bem como intrassalas. No entanto, há de considerar-se que a maioria dos cursistas já iniciou o curso com atitudes próximas ao extremo máximo da ELASI. Os resultados colocam para refletir que as temáticas abordadas em cursos de licenciatura apresentam certo potencial para promover mudanças de atitudes nos licenciandos, mas talvez seja o momento de repensar a abordagem e a significância dadas a essas disciplinas.

Autoeficácia Docente de Futuros Professores de Educação Física em Contextos de Inclusão no Ensino Básico

PID: S1413-65382019000200219 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2019
Autores: FERNANDES COSTA FILHO IAOCHITE
RESUMO: Este estudo investigou o nível de autoeficácia docente de futuros professores para a inclusão em aulas de Educação Física e sua relação com a fonte dos estados fisiológicos e afetivos e variáveis pessoais e contextuais. Participaram do estudo 188 estudantes de Licenciatura em Educação Física de duas universidades do interior de São Paulo. Os participantes tinham idade entre 18 e 38 anos (M = 22,6 anos) e 51,6% eram do sexo masculino. Os instrumentos de coleta de dados foram compostos por um questionário de caraterização, escala de autoeficácia para a inclusão de alunos com deficiência em aulas de Educação Física e escala de fontes de autoeficácia docente. Os dados, analisados por meio de estatística descritiva, revelaram que os participantes apresentaram níveis moderados de autoeficácia docente para inclusão em aulas de Educação Física, sendo a dimensão que obteve maior escore médio a da inclusão de alunos com deficiência física. Estados fisiológicos e afetivos relacionaram-se com maior força à inclusão de alunos com deficiência intelectual que a daqueles com deficiência física ou visual. Dada a relevância e a regularidade com que a inclusão está presente nas aulas de Educação Física, é fundamental que a formação inicial possa oferecer oportunidades para que licenciandos adquiram experiências que lhes sejam essenciais na construção, no fortalecimento e na confiança nas próprias competências, para promover a inclusão nas aulas regulares na escola.

Ações do Atendimento Pedagógico Domiciliar: Possibilidades e Desafios

PID: S1413-65382019000400587 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2019
Autores: GANEM SILVA
RESUMO Este estudo propõe a descrição e a análise das possibilidades e dos desafios na atuação com estudantes com deficiência inseridos no Atendimento Pedagógico Domiciliar, na cidade de Santos, estado de São Paulo, de acordo com a visão dos professores. Para tanto, optou-se pela metodologia qualitativa com a realização de entrevista semiestruturada com professoras que trabalham nesse contexto. Participaram oito professoras do Atendimento Pedagógico Domiciliar, com experiência superior a um ano no serviço e que atuam com crianças e adolescentes com deficiência. A análise dos dados permitiu a compreensão de significados, valores e atitudes que correspondem a processos da realidade. Literatura específica, documentos oficiais sobre Educação Inclusiva, Classes Hospitalares e Atendimento Pedagógico Domiciliar nortearam esta pesquisa e possibilitaram o amparo na legislação. Os resultados sinalizam ser imprescindível pensar na função e na (re)significação do papel do professor nesse processo. A pluralidade de saberes e a articulação da educação com a saúde despontam como fundamentais para uma construção coletiva que favoreça a atuação docente. Outro aspecto relevante foi a reflexão sobre a ressignificação do fazer docente no ambiente domiciliar, colaborando com a elaboração de propostas de ações mais eficazes na atuação com os alunos do Atendimento Pedagógico Domiciliar, assim como na possibilidade de estender essa prática para outras situações no âmbito escolar e a garantia da efetiva escolarização fora dos "muros da escola" para outros municípios.

Balanço das Dissertações e Teses sobre o Tema Educação de Surdos (2010-2014)

PID: S1413-65382019000100117 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2019
Autores: RAMOS HAYASHI
RESUMO: Nas últimas décadas, as discussões sobre a educação de surdos instituíram um terreno fértil para o desenvolvimento de pesquisas no campo. Diante disso, este trabalho tem como objetivo analisar o estado do conhecimento sobre a educação de surdos com base em pesquisas de Mestrado e Doutorado. Por meio de uma abordagem bibliométrica, foram analisadas, na íntegra, 62 dissertações e oito teses sobre o referido tema, disponíveis na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações, defendidas entre 2010 e 2014. Os resultados indicaram maior concentração de produções nas regiões Sudeste e Sul, em instituições de Ensino Superior públicas e nas áreas de conhecimento Ciências Humanas e Linguística, Letras e Artes. Verificou-se, ainda, um número sensível de surdos entre os autores das produções e a prevalência de uma concepção socioantropológica entre as dissertações e as teses. Entre os temas privilegiados nas investigações, destacaram-se aqueles voltados à inclusão, linguagem, intérprete educacional, formação de professores e escola/educação bilíngue. Por fim, a partir do panorama observado, espera-se que pesquisas futuras aprofundem os temas investigados, contemplem as lacunas observadas e, principalmente, continuem a indicar caminhos para transformações na realidade educacional de alunos surdos.

Brinquedos Educativos Associados à Contação de Histórias Aplicados a uma Criança com Deficiência Múltipla

PID: S1413-65382019000100067 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2019
Autores: FELÍCIO SEABRA JUNIOR RODRIGUES
RESUMO: Este estudo teve por objetivo analisar os efeitos dos brinquedos educativos associados à contação de histórias na interação de uma criança com deficiência múltipla. Participou do estudo uma criança de dez anos com diagnóstico de deficiência múltipla (paralisia cerebral e deficiência visual). Foi empregado o delineamento de sujeito único, no modelo AB, para verificar e avaliar as variáveis do estudo, sendo a variável dependente as habilidades de interação com os brinquedos educativos. A variável independente caracterizou-se pela aplicação de brinquedos educativos associados à contação de histórias e estratégias adicionais. Como materiais, foram selecionados oito brinquedos do kit da Instituição LARAMARA para cegos, que atendiam ao objetivo da pesquisa. O treinamento baseou-se na contação de histórias seguidas pelo uso de estratégias adaptadas em diferentes situações, totalizando seis sessões para cada brinquedo, divididas em duas etapas, linha de base (A) e intervenção (B). Todas as sessões foram filmadas, analisadas e pontuadas de acordo com a folha de registro, para mensurar a interação do participante com os brinquedos. Como resultados, pode-se demonstrar que, nas fases de linha de base, o participante não interagiu com o brinquedo. Entretanto, quando foi introduzida a intervenção, houve aumento no número de interações com os brinquedos educativos, pois o participante conseguiu manipulá-los e dar função a todos os brinquedos. Em síntese, o uso dos brinquedos educativos associados à contação de histórias pode ser uma possibilidade de intervenção para pessoas com deficiências múltiplas de modo a oferecer mais interação com o brinquedo.

Correlação entre o Relacionamento Conjugal, Rotina Familiar, Suporte Social, Necessidades e Qualidade de Vida de Pais e Mães de Crianças com Deficiência

PID: S1413-65382019000200205 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2019
Autores: AZEVEDO CIA SPINAZOLA
RESUMO: Considerando a importância das famílias para o desenvolvimento infantil e que pais e mães de crianças com deficiência podem vivenciar a experiência parental de forma diferenciada, esta pesquisa teve por objetivo correlacionar o relacionamento conjugal com a rotina familiar; qualidade de vida, necessidades parentais e satisfação com suporte social recebido. A pesquisa foi desenvolvida com 120 participantes, sendo 60 mães e 60 pais de crianças com deficiência intelectual, deficiência física, autismo e atraso no desenvolvimento infantil, com idade entre 0 a 6 anos. Para a coleta de dados, foram utilizados os seguintes instrumentos: Questionário de Relacionamento Conjugal, Inventário de recursos no ambiente familiar, Questionário sobre as necessidades das famílias, Questionário abreviado da qualidade de vida e Questionário de suporte social. Para a análise dos dados, utilizou-se o teste de correlação de Pearson. Os resultados demonstraram que, quanto maior era o recurso do ambiente familiar, melhores eram as relações conjugais entre os pais e menor era a aceitação das características negativas do cônjuge. Quanto às necessidades dos participantes, quanto melhor era a avaliação do cônjuge ao companheiro, menores eram as necessidades dos pais. Em relação ao suporte social e relacionamento conjugal, tem-se que, quanto mais os pais apresentavam características que não agradavam seu cônjuge, menores eram os suportes sociais disponíveis a eles. Este estudo pode contribuir para o conhecimento acerca da instituição familiar, que é pouco considerada nas políticas públicas e nos projetos sociais, que persistem no assistencialismo e não percebem a família como uma unidade.
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