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Metas de Socialização e Estratégias de Ação de Mães de Crianças com Suspeita de Transtorno do Espectro Autista

PID: S1413-65382018000200293 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2018
Autores: CORREA SIMAS PORTES
RESUMO: A presente pesquisa teve como objetivo principal investigar as metas de socialização e estratégias de ação de mães de crianças com suspeita de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Participaram desta pesquisa 20 mães de crianças com TEA com idade de zero a seis anos, que recebem atendimento em um centro especializado. Para coleta de dados, utilizou-se uma entrevista de metas de socialização e um questionário sociodemográfico. Para o tratamento dos dados da entrevista, utilizou-se da técnica de Análise de Conteúdo. Os resultados indicaram que, como meta de socialização, a categoria de autoaperfeiçoamento, que está relacionada à autonomia e à independência, foi significativamente a mais almejada. Com relação às estratégias de ação, as mais utilizadas pelas mães foi à centrada em si, que se refere ao papel dos genitores como modelo. Dessa forma, os resultados contribuem com a literatura da área e corrobora com a importância de esclarecer sobre as características de desenvolvimento da criança com TEA para os pais e como eles podem agir em prol da autonomia da criança. Ao levar em conta a visão inexplorada atual da sociedade com relação ao TEA, este estudo tem o intuito de proporcionar o repensar sobre as estratégias que possibilitam qualidade de vida à criança.

Mudança na Destreza Manual do Aluno com Paralisia Cerebral Frente ao Mobiliário Escolar Adequado

PID: S1413-65382018000400501 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2018
Autores: CODGNO BRACCIALLI BRACCIALLI
RESUMO: Uma postura sentada adequada, principalmente quando se trata de alunos com paralisia cerebral, parece favorecer uma melhora funcional de membros superiores e, consequentemente, uma melhora no desempenho motor durante as atividades escolares e na aprendizagem. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo verificar a influência do mobiliário na destreza manual da criança com paralisia cerebral durante uma atividade de traçado. Participaram seis alunos com diagnóstico de paralisia cerebral. Para a coleta de dados, os participantes foram posicionados em mobiliário adaptado e realizaram uma atividade previamente elaborada de traçado. Essa atividade foi repetida 10 vezes em cada mobiliário utilizado: 1) no mobiliário sem adequação inicial (SAI); 2) no mobiliário com adequação (CA); e 3) novamente no mobiliário sem adequação final (SAF). A análise do traçado foi realizada por meio do programa MovAlyzeR 6.1. Para a análise dos dados, foi realizada a média do desempenho para cada variável em cada mobiliário utilizado. Em seguida, os dados foram tratados estatisticamente e analisadas as variáveis: pico de velocidade vertical, pico de aceleração vertical, jerk, stroke, tempo de execução da atividade, pressão da caneta no papel, erro linear e tamanho absoluto da atividade de traçado. Os resultados indicaram que todos os participantes apresentaram dificuldades na realização do traçado; no entanto, o mobiliário adequado às necessidades do usuário influenciou nas variáveis pico de velocidade vertical e tempo de execução da atividade. Conclui-se que o mobiliário adequado pode influenciar na destreza manual de alunos com paralisia cerebral.

O Lugar da Educação de Surdos nas Dissertações e Teses

PID: S1413-65382018000200247 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2018
Autores: RAMOS HAYASHI
RESUMO: A educação de surdos orienta-se, sobretudo, segundo uma política educacional inclusiva. No entanto, a proposta de inclusão de surdos em sistemas regulares de ensino tem sido fortemente contestada pela comunidade surda, que, em razão das particularidades linguísticas e culturais dos surdos, reivindica o direito de os surdos estudarem com seus pares, em escolas ou classes específicas para surdos, segundo uma perspectiva bilíngue. Observa-se uma tensão no campo, presente também nas políticas educacionais vigentes. O presente trabalho tem como objetivo identificar qual o lugar da educação de surdos defendido nas dissertações e nas teses sobre o tema educação de surdos. Assim, de natureza bibliométrica, elegeu-se como fonte de informação a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações. De acordo com os critérios de inclusão e exclusão estabelecidos, foram analisadas, na íntegra, 62 dissertações de Mestrado e oito teses de Doutorado. Os resultados indicaram um percentual análogo de estudos que apontaram, de um lado, a escola regular, e, de outro, a escola ou classe específica para surdos como o lugar mais apropriado para a sua escolarização, revelando que a questão do lugar da educação de surdos é ainda controversa e não consensual no campo.

O Olhar Social da Deficiência Intelectual em Escolas do Campo a Partir dos Conceitos de Identidade e de Diferença

PID: S1413-65382018000200161 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2018
Autores: PALMA CARNEIRO
RESUMO: Este estudo teve como objetivo discutir o olhar social em escolas do campo sobre a deficiência intelectual. Para tanto, a pesquisa realizada seguiu uma abordagem qualitativa e teve como procedimento metodológico o Estudo de Caso. Para coleta dos dados, utilizaram-se questionários, observações, registro fotográfico e análise de documentos escolares. Neste texto, apresentam-se os dados da análise de documentos e um recorte do questionário respondido pelos professores da sala regular. Participaram 31 professores das 3 escolas do campo analisadas. Os resultados apontam que o tipo de deficiência encontrado nas escolas é somente intelectual. Os dados dos questionários indicam a perspectiva de os professores considerar que outros alunos da sala de aula necessitariam de atendimento pedagógico diferenciado. A partir da análise das matrículas, realizadas sem laudo médico e tendo em vista a percepção dos professores, pode-se pressupor que, em algumas vezes, o ambiente escolar produz socialmente a deficiência intelectual, porque não considera a heterogeneidade dos indivíduos no tocante à aprendizagem e, também, dentro da perspectiva acadêmica, cria barreiras que limitam a participação das pessoas com deficiência nesse ambiente. Muitas vezes a limitação para aprendizagem de um aluno não é endógena, mas ocasionada por falta de estratégias adequadas do ambiente escolar. Assim sendo, não se deve determinar uma patologia aos alunos pelas suas dificuldades e especificidades de aprendizagem, porque isso é produzir socialmente a Deficiência Intelectual.

Pessoas com Deficiência e a Construção de Estratégias Comunitárias para Promover a Participação no Mundo do Trabalho

PID: S1413-65382018000400517 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2018
Autores: AOKI SILVA SOUTO OLIVER
RESUMO: Este artigo trata de um estudo retrospectivo sobre estratégias comunitárias para inclusão de Pessoas com Deficiência (PcD) no trabalho, realizadas por projeto de extensão universitária em parceria com a Unidade Básica de Saúde, entre 2012 e 2016. A pesquisa documental identificou o perfil dos atendidos e as ações compreenderam o apoio em grupo (34 encontros) e individual/familiar (172 atendimentos/20 visitas ao local de trabalho). Houve investimento na constituição de rede comunitária de suporte com atores públicos e privados. Dentre os 22 participantes, 10 iniciaram atividade remunerada, 6 estavam desempregados e 6 não iniciaram atividade remunerada nem tinham experiência prévia; tinham em média 29 anos e, majoritariamente, apresentavam deficiência intelectual, pouca escolaridade ou experiência de trabalho. O grupo possibilitou conhecer as necessidades dos participantes, abordar questões coletivas sobre o tema e compartilhar informações. Os apoios individuais foram essenciais para tratar necessidades singulares, considerando a inexistência de política de apoio à permanência de PcD nas empresas. A criação de rede entre os envolvidos possibilitou interlocução entre serviços para enfrentamento das questões. Houve diálogo com a proposta do Emprego Apoiado e Reabilitação Baseada na Comunidade. Esses aspectos facilitaram processos personalizados, demonstrando a importância e a viabilidade de iniciativas comunitárias que poderiam indicar políticas públicas de acesso a direitos.

Pessoas com Deficiências Motoras, Conhecimento e Usufruto dos seus Direitos Fundamentais

PID: S1413-65382018000300441 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2018
Autores: MARTINS GAIAD PRAT MORAIS
RESUMO: Existe, no Brasil, vasta legislação que evoca os direitos das pessoas com deficiência. No entanto, há carência de estudos sobre a real ciência dessas pessoas acerca de seus direitos. Compreender essa temática permitirá, dessa maneira, a formulação de propostas de intervenções futuras no sentido do efetivo acesso dessas pessoas ao usufruto de seus direitos fundamentais. Assim sendo, o objetivo deste artigo foi verificar se as pessoas com deficiência motora têm consciência e usufruem de seus direitos. Para isso, traçou-se um estudo transversal descritivo com uma amostra de conveniência composta por 39 pessoas com deficiência física. Como resultados, verificou-se que o grupo foi formado por adultos que deambulam, são desfavorecidos socioeconomicamente e de maioria feminina. A maioria parou de trabalhar após o evento/doença, recebe algum benefício do Governo e saem pouco de casa, exceto para tratamento de saúde. A acessibilidade em locais externos foi apontada como dificuldade pela maioria. O grupo demonstrou conhecer pouco sobre os seus direitos específicos, usufruindo daqueles mais propagados, como: benefícios previdenciários e atendimento prioritário. Dessa forma, é importante não apenas aprovação de leis, mas a educação de parte da sociedade, inclusive das próprias pessoas com deficiência, acerca dos seus direitos para que elas possam usufruir deles.

Psicologia Escolar e Educação Inclusiva: A Atuação Junto aos Professores

PID: S1413-65382018000300427 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2018
Autores: FONSECA FREITAS NEGREIROS
RESUMO: Esta pesquisa objetivou analisar a atuação do psicólogo escolar junto aos professores frente à Educação Inclusiva. A metodologia utilizada foi qualitativa do tipo exploratório-descritiva. Os participantes foram dez psicólogos escolares que atuavam em instituições privadas de ensino. O instrumento de coleta de dados foi um roteiro de entrevista semiestruturada. O procedimento de análise de dados utilizado foi a análise de conteúdo. Os resultados obtidos implicaram em três categorias: demandas inclusivas direcionadas ao psicólogo escolar; atividades desenvolvidas pelo psicólogo escolar junto aos professores; e resultados da atuação do psicólogo escolar junto aos professores. Os resultados evidenciaram a existência de demandas inclusivas comportamentais, acadêmicas e de manejo familiar direcionada pelo professor ao psicólogo escolar; o desenvolvimento de práticas profissionais tanto de cunho resolutivo como preventivo pelo psicólogo escolar; e a atuação do psicólogo escolar junto aos professores frente à Educação Inclusiva foi percebida como benéfica, principalmente no que se refere a aspectos de evolução do aluno, de mudanças atitudinais dos professores e de diminuição de demandas direcionadas ao Serviço de Psicologia Escolar.

Representações Sociais e Concepções Epistemológicas de Aprendizagem de Professores da Educação Especial

PID: S1413-65382018000300359 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2018
Autores: VARGAS PORTILHO
RESUMO: O propósito deste artigo foi investigar as concepções epistemológicas de aprendizagem de professores (n = 12) no decorrer do programa de formação continuada de uma Escola de Educação Básica Modalidade Especial de Curitiba/PR. A pesquisa qualitativa desenvolveu-se a partir da perspectiva fenomenológica hermenêutica, apoiando-se na Teoria das Representações Sociais como um recurso teórico e metodológico para a análise dos dados. Foi utilizado o software IRAMUTEQ para análise estatística dos dados obtidos por meio do protocolo de observação dos encontros. O programa de formação continuada aconteceu em oito encontros com duração de duas horas cada. A cada encontro, um pesquisador registrava as falas dos participantes (registro da temática), e outro, os movimentos do grupo (registro da dinâmica). Os registros das falas dos professores no decorrer dos encontros formaram um corpo textual que foi submetido à análise de similitude e a representação gráfica nuvem de palavras pelo software IRAMUTEQ, dando origem às categorias de análise. As concepções epistemológicas de aprendizagem inatista e empirista coexistiram nas representações sociais dos professores. As concepções estavam ancoradas na visão organicista da deficiência e em ideias que reforçam a falta e não as potencialidades das crianças com deficiência. Em consequência, os professores atuam no preparo da criança com deficiência para sua integração na sociedade, e não em ações educativas voltadas a sua inclusão efetiva na sociedade. Os resultados remetem à formação continuada do professor, ao fomento de discussões reflexivas junto à equipe pedagógica sobre o papel da escola especial e ao incentivo do trabalho interdisciplinar na instituição.

Resoluções do Estado de São Paulo e o Professor Interlocutor: Implicações para a Educação dos Surdos

PID: S1413-65382018000200277 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2018
Autores: SALVADOR LODI
RESUMO: Desde 2005, a presença de Tradutores e Intérpretes de Libras tornou-se obrigatória nos espaços escolares que possuem alunos surdos matriculados. No entanto, até hoje, esse cargo não foi criado pelo estado de São Paulo e essa função tem sido exercida pelo então denominado Professor Interlocutor (PI). Este artigo descreve uma pesquisa documental que teve como objetivo analisar as Resoluções da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo relativas à formação e à contratação desse profissional. Os resultados permitem afirmar que os dispositivos legais estaduais demonstram desconhecimento sobre a complexidade que envolve as atividades do PIs e, como consequência, mantém-se omissa às especificidades linguísticas, culturais e educacionais dos surdos, excluindo-os, dessa forma, do acesso à educação.

Tradução e Adaptação Transcultural da Escala de Avaliação de Autoeficácia de Professores de Alunos com Autismo: Autism Self-Efficacy Scale for Teachers (Asset)

PID: S1413-65382018000200229 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2018
Autores: CANABARRO TEIXEIRA SCHMIDT
RESUMO: A percepção de autoeficácia docente em relação à prática profissional pode interferir na escolarização de alunos com autismo e afetar a motivação e a atuação do professor frente às situações desafiantes do processo de inclusão desse alunado. A Autism Self-Efficacy Scale for Teachers (ASSET) avalia as crenças de autoeficácia dos professores em sua capacidade para desempenhar tarefas docentes no ensino de alunos com autismo. Nesse contexto, este estudo verificou indicadores de equivalência semântica resultantes do processo de tradução e adaptação transcultural da escala ASSET para a língua portuguesa do Brasil e verificou indicadores de clareza e compreensão dessa versão em português mediante estudo piloto. Os procedimentos metodológicos envolveram a tradução da escala para a língua portuguesa e retrotradução para a língua inglesa; análise de equivalência semântica, avaliação de especialistas das etapas anteriores e adaptação da escala de pontuação; verificação de clareza e compreensão da escala mediante estudo piloto para consolidação de versão final. A versão da escala ASSET em português mostrou indicadores adequados de equivalência denotativa e conotativa após as etapas de tradução, retrotradução e análise da equivalência semântica. Isso possibilitou a sistematização da versão síntese do instrumento com poucas modificações para atender tanto às adequações semânticas em relação à versão original quanto aos ajustes culturais, na etapa de avaliação dos especialistas e adaptação da pontuação. No estudo piloto, a versão síntese foi avaliada como adequada pela maioria dos professores. Na versão final da escala, foram incluídas sugestões dos participantes a partir do estudo piloto, considerando as adequações tanto de vocabulário coloquial quanto de manutenção do efeito de cada item na cultura brasileira. Sugerem-se novos estudos que avaliem outras propriedades psicométricas da ASSET.

Usabilidade de Aplicativos de Tecnologia Assistiva por Pessoas com Baixa Visão

PID: S1413-65382018000400483 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2018
Autores: BORGES MENDES
RESUMO: Os dispositivos de Tecnologia Assistiva (TA) são potencialmente benéficos para pessoas com baixa visão. Todavia, esse público não os utiliza na promoção de sua funcionalidade, em razão do desconhecimento, das barreiras econômicas e por esses recursos marcarem a deficiência. Paralelamente, os aplicativos de smartphone e tablets apresentam-se como novas possibilidades em TA e seu uso tem se popularizado entre as pessoas com baixa visão por apresentarem características menos estigmatizadoras e serem economicamente mais viáveis, quando comparados aos recursos convencionais. O presente estudo visou identificar e caracterizar funcionalmente, a partir do ponto de vista dos usuários, aplicativos de smartphones e/ou tablets que assumem função de recursos de TA e vêm sendo utilizados por pessoas com baixa visão. Participaram do estudo 28 pessoas com baixa visão, que são membros de um grupo já existente no aplicativo WhatsApp. A coleta de dados aconteceu no espaço virtual desse aplicativo, individualmente, por meio de entrevista semiestruturada. Os dados foram transcritos e organizados em duas categorias de análise: aplicativos utilizados e funcionalidade. Os participantes citaram 50 aplicativos e nove recursos de acessibilidade usados em smartphone e tablets. Em relação à funcionalidade, destacaram-se os aplicativos destinados ao acesso a conteúdos textuais, impressos ou digitais, e outros para realização de tarefas cotidianas, laborais, de estética e de navegação (orientação e mobilidade). A partir desse levantamento, foi possível identificar o potencial desses aplicativos na solução de dificuldades enfrentadas por pessoas com baixa visão. Desse modo, sugere-se mais pesquisas, investimentos, divulgação e programas de ensino para aumentar o seu uso.

A Concepção de Deficiência na Política de Educação Especial Brasileira (1973-2016)

PID: S1413-65382017000300329 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2017
Autores: KUHNEN
RESUMO: o estudo teve como objetivo principal identificar e analisar a concepção de deficiência e os fundamentos teóricos que embasam as políticas públicas de Educação Especial no Brasil (1973-2016) para os alunos do Ensino Fundamental. Analisamos os documentos normativos e orientadores das políticas de Educação Especial, identificando a forma como é definido o público-alvo nas políticas, bem como as justificativas técnicas, teóricas e políticas para essa definição. A investigação foi desenvolvida por meio de análise documental de fontes nacionais e internacionais e está sustentada nos pressupostos teóricos e metodológicos do materialismo histórico e dialético, explicitando os conflitos que representam as forças sociais em disputa num movimento de contradição dialética. Dessa análise, depreendemos que a concepção de deficiência presente nas políticas educacionais, desde a década de 1970 até os dias atuais, se mantém dentro de uma perspectiva tecnicista e funcionalista. Todavia, esse tecnicismo foi sendo reconfigurado com outros discursos nos períodos analisados. A análise permitiu perceber que não há ruptura com uma perspectiva baseada na dicotomia entre normal e patológico e não há mudança da racionalidade hegemônica da concepção de deficiência, mas há variações de estratégias para justifica-las. O princípio do normal e patológico, que estava presente na racionalidade moderna, foi redefinido numa perspectiva pós-moderna. Assim, temos, hoje, o normal e o patológico definidos em termos de diferença e diversidade ou multiplicidade cultural como algo que enriquece o ser humano.

A Epistemologia na Formação de Professores de Educação Especial: Ensaio sobre a Formação Docente

PID: S1413-65382017000200201 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2017
Autores: THESING COSTAS
RESUMO: este texto tem como objetivo apresentar considerações sobre as transformações dos processos de formação de professores de Educação Especial do Curso de Educação Especial Diurno da Universidade Federal de Santa Maria/UFSM/RS. A partir de uma pesquisa documental, com abordagem qualitativa, sobre as ementas curriculares do curso em diferentes períodos (1984, 1987, 2004 e 2008), observa-se uma significativa transformação nos modos de compreender a formação dos professores de educação especial, a partir da proposição de documentos e legislações referentes à Educação Especial na perspectiva da educação inclusiva. Há, na análise dos currículos do curso, uma significativa redução das disciplinas de caráter político-pedagógico e das disciplinas consideradas da área da saúde e, como contraponto, um acréscimo significativo de disciplinas de caráter metodológico na formação desses professores. Conclui-se que há uma reconfiguração na formação dos professores de Educação Especial que os habilita a atender às diferentes demandas do proposto sistema educacional inclusivo: em um contexto profissional alargado, com restrita formação político-pedagógica e entendidos como professores generalistas, com múltiplas práticas em contextos multifuncionais.

A Inclusão de Crianças com Necessidades Educativas Especiais no Ensino Regular em Portugal: a Opinião de Educadores de Infância e de Professores do 1º Ciclo do Ensino Público e Privado

PID: S1413-65382017000100037 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2017
Autores: VIEIRA-RODRIGUES SANCHES-FERREIRA
RESUMO: este artigo particulariza dados de uma pesquisa e teve como objetivo descrever a opinião dos docentes acerca da inclusão de alunos com Necessidades Educativas Especiais e conhecer os fatores que justificam essas opiniões, após seis anos da implementação de um decreto Português que teve o objetivo de promover a igualdade de oportunidades, valorizar a educação e promover a melhoria da qualidade do ensino. Foram inquiridos 244 docentes de escolas públicas e privadas do Porto, através de um instrumento constituído por cinco vinhetas que descreviam diferentes funcionamentos de crianças. Os resultados indicaram que as crianças descritas com funcionamentos compatíveis com Perturbação de Espetro de Autismo e Paralisia Cerebral foram as menos aceitos, sendo as justificações aduzidas a falta de formação, a impossibilidade de despender o tempo de ensino necessário e a exigência dos outros alunos obterem bons resultados acadêmicos. A formação em Educação Especial apenas estava associada à maior aceitação de alunos com Paralisia Cerebral, e ser docente-educador versus professor do 1º ciclo influencia a aceitação de alunos com Perturbação de Espetro de Autismo, Paralisia Cerebral e Atraso Global de Desenvolvimento/Dificuldades de Aprendizagem. Os docentes do ensino privado evidenciaram maior aceitação dos alunos descritos do que os do público.

A Tarefa de Casa na Inclusão Escolar: Alunos com Deficiencia Física

PID: S1413-65382017000200233 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2017
Autores: GREGORUTTI ZAFANI OMOTE BALEOTTI
RESUMO: a tarefa de casa (TC) pode contribuir para a realização de aprendizagem significativa e para complementar e reforçar as atividades realizadas em sala de aula. Objetivou-se identificar e analisar como as TC estão sendo propostas para alunos com deficiência física (DF) inseridos em classes de ensino comum, a partir da percepção de professoras e cuidadoras familiares. Participaram do estudo 15 professoras e 15 cuidadoras familiares de crianças com DF, inseridas em classes de ensino comum. Para a coleta de dados foram utilizados dois roteiros de entrevista semiestruturados, sendo um aplicado para as professoras e outro para as cuidadoras familiares. As verbalizações foram gravadas e transcritas na íntegra para posterior análise de conteúdo e categorização. Os resultados sugerem que o professor, em muitos casos, não adapta as TC para atender as demandas do aluno e, em outros, não oferece tarefa para o aluno com DF na mesma proporção que o faz para os demais alunos. Com relação às famílias, os resultados indicam que estas percebem as dificuldades da criança e, ao mesmo tempo, angustiam-se com a falta de comunicação com a escola nesse quesito, o que ocasiona questionamentos e dúvidas em relação ao desempenho do aluno. Os resultados deste estudo podem ser úteis no contexto da Educação Inclusiva, no sentido de a TC adquirir uma função particularmente interessante, pois, se bem gerenciada, pode funcionar como uma atividade mediadora da interlocução entre a escola e a família.

Acessibilidade, Gênero e Educação Superior: Indicativos Procedentes das Investigações Científicas

PID: S1413-65382017000400607 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2017
Autores: Silva González-Gil
RESUMO o presente artigo objetiva apresentar uma revisão de literatura da produção que articula acessibilidade, gênero e educação superior, publicada de 2013 ao período atual. Para situar o objeto de estudo dentro da ampla divulgação de trabalhos científicos, os pesquisadores necessitam eleger um método que contemple informações pertinentes e respalde o problema de pesquisa. Essa fase da investigação, portanto, envolve a escolha de critérios para a gestão de buscas e de procedimentos para comparação, tipificação e análise das publicações entre si e com a pesquisa que se pretende desenvolver. Nesse contexto, é propósito deste texto divulgar uma alternativa de desenho de revisão feita a partir da categorização e análise realizadas por meio do Programa NVivo 11 e da leitura pormenorizada de 72 pesquisas desenvolvidas em Brasil, Espanha, Colômbia, Chile, México e Canadá. Com o software de busca, a identificação das palavras mais frequentes permitiu a elaboração de um mosaico conceitual que guiou a discussão da pesquisa em questão. Já as palavras ausentes e que são importantes para o desenvolvimento da tese - como gênero, feminismo e mulher - revelam a emergência de introduzir estes termos em um trabalho investigativo. O resultado desta revisão de literatura mostra que o estudo sobre acessibilidade na educação superior é desenvolvido em predominância por mulheres e que a multidimensionalidade do sentido da acessibilidade faz com que os pesquisadores busquem respostas em outros campos, saindo assim, dos limites da hiperespecialização da Educação Especial. Esse aspecto pode contribuir para a inovação e avanço do conhecimento em foco.

Acesso Motor ao Recurso de Comunicação Alternativa: Opinião de Profissionais em Relação ao Layout de Figuras

PID: S1413-65382017000100067 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2017
Autores: SANKAKO BRACCIALLI
RESUMO: o uso de um tamanho e de uma disposição adequada de uma figura de comunicação alternativa tem sido dúvida frequente entre os professores e profissionais especializados que lidam com crianças com paralisia cerebral. Este estudo, portanto, teve como intuito verificar a opinião de profissionais que trabalham com comunicação alternativa em relação à adequação do tamanho e disposição de figuras de comunicação para crianças com paralisia cerebral. Para tanto, participaram seis profissionais com experiência em comunicação alternativa. Foi realizada uma entrevista semiestruturada. Os dados foram analisados por meio da análise de conteúdo. Foram identificadas três categorias e 11 subcategorias. A pesquisa permitiu identificar que não existe um tamanho padrão de figuras utilizadas na comunicação alternativa; a seleção do tamanho ideal das figuras e da melhor disposição é realizada por tentativa e erro e os participantes não conhecem um instrumento ou protocolo para esse fim; durante seleção do tamanho ideal de figura, são utilizados três tamanhos: pequeno, médio e grande; a melhor posição e a mais comumente utilizada é a central, na mesma ou um pouco acima da linha dos olhos; a pior posição e a menos usada é abaixo da linha dos olhos; a disposição das figuras na horizontal é a mais comumente usada.

Adaptações Curriculares nas Aulas de Educação Física Envolvendo Estudantes com Deficiência Visual

PID: S1413-65382017000300361 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2017
Autores: COSTA MUNSTER
RESUMO: enquanto componente curricular obrigatório do ensino básico, a Educação Física deve possibilitar aos estudantes com deficiência o acesso ao currículo comum. Esta pesquisa teve como objetivo analisar e descrever as adaptações nos elementos base do currículo comum, empregadas por professores de Educação Física, voltadas à participação de estudantes com deficiência visual. Sob a perspectiva qualitativa, trata-se de um estudo de campo desenvolvido em três escolas da rede regular de ensino em município localizado no interior do estado de São Paulo. A amostra foi constituída por três professores de Educação Física que atuavam no ensino fundamental e quatro estudantes com deficiência visual. Os dados foram coletados por meio das técnicas de observação sistemática e entrevista semiestruturada. O tratamento dos dados foi baseado em análise de conteúdo. Os resultados obtidos nessa pesquisa evidenciaram a escassez e até mesmo a inexistência de adaptações curriculares voltadas às necessidades dos estudantes com deficiência visual nas aulas de Educação Física. Conclui-se que a ausência de adaptações curriculares nas aulas de Educação Física implica em barreiras de acesso e constitui em impedimento para o aproveitamento da aprendizagem por parte dos estudantes com deficiência visual.

Análise de Atividades Gráficas para Crianças com Síndrome de Down

PID: S1413-65382017000400577 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2017
Autores: BORGES PELOSI NASCIMENTO MELO
RESUMO a educação inclusiva no Brasil é um direito da pessoa com deficiência e inclui o uso de recursos de Tecnologia Assistiva visando ampliar as habilidades funcionais dos estudantes, promover autonomia e participação. Dentre as áreas da Tecnologia Assistiva está o desenvolvimento de material escrito acessível, que tem papel fundamental na redução de barreiras à aprendizagem de pessoas com deficiência. Considerando a importância do tema, o objetivo deste estudo foi analisar a acessibilidade das atividades gráficas aplicadas às crianças com síndrome de Down nos atendimentos terapêuticos ocupacionais, que ocorreram em uma Brinquedoteca Terapêutica, no período de um semestre. Para isso, foi realizada pesquisa aplicada, descritiva, com abordagem quantitativa, em que foram avaliadas 278 atividades utilizadas com 24 sujeitos, com idades entre 2 e 13 anos, a partir da criação de um protocolo. Os dados quantitativos foram verificados pelo software Statistical Package for The Social Sciences - SPSS, versão 19.0. Os resultados mostraram que os materiais gráficos estavam de acordo com as orientações da literatura no que se refere à apresentação visual, à organização do conteúdo, ao nível de leitura e ao uso de elementos para transmitir informações, mas os textos escritos com o apoio de símbolos precisavam ser aprimorados, assim como a inclusão de elementos para direcionar o local da resposta e palavras-chave em destaque no enunciado. Concluiu-se que os materiais gráficos desenvolvidos pelos terapeutas ocupacionais estavam acessíveis para a população estudada, porém não foi possível verificar outros elementos referentes à aplicação da atividade que pudessem influenciar na acessibilidade.

Aplicação de um Programa de Ensino de Palavras em Libras Utilizando Tecnologia de Realidade Aumentada

PID: S1413-65382017000200215 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2017
Autores: CARVALHO MANZINI
RESUMO: a Língua Brasileira de Sinais (Libras) é uma língua gestual que abrange as necessidades da comunidade surda e, instituída no Brasil como língua oficial; é ensinada em instituições de atendimento a alunos com surdez. Em vista disso, objetivou-se verificar a eficácia na aplicação de um programa de ensino de um grupo de palavras em Libras por meio de um software com tecnologia de realidade aumentada, avaliando o repertório inicial e final de alunos com surdez. Participaram deste estudo oito alunos com idades entre sete e 16 anos com surdez. Estes foram submetidos a avaliações inicial e final, nas quais, pudemos obter um panorama geral das relações e conhecimento das palavras. A intervenção foi subdividida em cinco sessões para o ensino de 15 palavras, sendo três palavras em cada passo de ensino. Após o emprego do software, foram aplicadas avaliações de sondagem com o objetivo de acompanhar o ensino dessas palavras. Os resultados obtidos apontam para a dificuldade em selecionarem letras do alfabeto e construírem o nome de uma determinada palavra. Em relação ao sinal, foi observado que os participantes dominavam os sinais relacionados e apresentavam dificuldades em identificar seus correspondentes: figura e palavra escrita em Língua Portuguesa. Foi evidenciado a dificuldade dos participantes, de memorizar a sequência correta de letras que compõe uma palavra em Língua Portuguesa. A aplicação do recurso pode não só ensinar palavras e relações novas, como também ampliar a elaboração de estratégias para o ensino planejado em Educação Especial.
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