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Possibilidades da Tutoria de Pares para Estudantes com Deficiência Visual no Ensino Técnico e Superior

PID: S1413-65382015000100039 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2015
Autores: FERNANDES COSTA
a inclusão escolar pode trazer benefícios incontestáveis para o desenvolvimento da pessoa com deficiência, desde que sejam realizadas adequações e adaptações na dinâmica escolar e nas propostas pedagógicas a fim de atender as necessidades educacionais dos mesmos. Estudos sobre teorias e práticas que contribuam para uma educação inclusiva e de maior qualidade passaram a ser o desafio dos pesquisadores e profissionais da área. Desse modo, esse estudo objetivou analisar e descrever a percepção de estudantes com deficiência visual e sem deficiência (tutores) sobre a atividade de tutoria de pares. A pesquisa ocorreu em um Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do interior do Nordeste Brasileiro. Participaram do estudo sete estudantes com deficiência visual na condição de tutorados, seis na função de tutores e a coordenadora responsável pelas tutorias. Para a coleta de dados foi utilizado um roteiro de entrevista semiestruturada, versões para tutor, tutorado e coordenação. Os dados foram analisados por meio da categorização temática da análise de conteúdo com a utilização do software Atlas-Ti. Os resultados mostraram que as díades tutor-tutorado, na condição de colegas de mesma classe, apresentaram um maior grau de satisfação com relação à tutoria, tanto na visão dos tutorados, quanto na concepção dos próprios tutores. Concluiu-se, de acordo com os resultados, que a tutoria de pares se configura como uma estratégia promissora para dar apoio a inclusão de estudantes com deficiência visual no ensino técnico e superior.

Professores do Atendimento Educacional Especializado e a Organização do Ensino para o Aluno com Deficiência Intelectual

PID: S1413-65382015000100057 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2015
Autores: FANTACINI DIAS
a educação inclusiva é um processo em construção e diante desse novo cenário, são questionadas as condições de ensino organizadas nas escolas comuns para esses alunos, pois elas, em geral, não correspondem às especificidades que os mesmos apresentam. Este estudo teve como objetivo geral conhecer e refletir sobre a organização da educação inclusiva para o atendimento do aluno com deficiência intelectual nos diferentes espaços educacionais na rede municipal de uma cidade de pequeno porte do interior paulista; buscando-se conhecer a percepção de professores especialistas sobre as condições de ensino organizadas para os alunos com deficiência intelectual nas escolas comuns. Participaram desta pesquisa, as professoras que atuam na equipe de AEE no município. O método utilizado foi a aplicação de entrevistas semiestruturadas aos professores do AEE para conhecer as suas percepções sobre a educação de alunos com deficiência intelectual. A análise dos dados foi articulada com a fundamentação teórica a partir de estudos disponíveis na literatura da área. Os resultados apresentados indicam que é preciso conhecer como estão ocorrendo às práticas inclusivas. Conclui-se que este estudo é uma amostra de uma experiência que está caminhando e espera-se que possa contribuir para a organização do ensino dos alunos com deficiência intelectual.

Protocolo de Observação do Desempenho de Crianças com Deficiência Física: Construção, Aplicação e Análise de Dados

PID: S1413-65382015000100023 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2015
Autores: ZAFANI OMOTE BALEOTTI
o artigo descreve os procedimentos para a construção, aplicação e análise de dados de um instrumento de avaliação denominado Protocolo de Observação do Desempenho de Crianças com Deficiência Física na Realização de Atividades de Pintura e Colagem. Este protocolo visa a identificar a percepção dos pais e a dos professores acerca de dois aspectos do desempenho de crianças com deficiência física, a saber, capacidade ou incapacidade e independência ou dependência com que é executada uma atividade habitualmente realizada no contexto escolar. Participaram do estudo 11 professoras, sendo três da Educação Infantil e oito do Ensino Fundamental, e três juízes com experiência em Educação Especial. Foram utilizados dois questionários, um visava a avaliar, segundo a percepção das professoras, a adequação das atividades de pintura e colagem elaboradas para as crianças de quatro a nove anos de idade, e o outro, verificar a opinião dos juízes quanto à adequação do instrumento proposto, para o fim a que se destina. Uma série de procedimentos foi realizada até alcançar a versão final do instrumento. Finalizada a sua construção, foram sistematizados os procedimentos para a sua aplicação e análise de dados. As aplicações iniciais do instrumento têm revelado que este está cumprindo com o seu objetivo principal, que é o de mensurar a percepção que pais e professores têm do desempenho de crianças com deficiência física em uma atividade habitualmente realizada no contexto escolar. Os resultados sugerem também a sua adequação quanto à linguagem e formato para a população que faz o seu uso.

Práticas de Professores Frente ao Aluno com Deficiência Intelectual em Classe Regular

PID: S1413-65382015000300395 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2015
Autores: SANTOS MARTINS
RESUMO Este artigo detalha aspectos de uma pesquisa qualitativa, que teve por objetivo investigar práticas pedagógicas de professores em uma escola pública municipal de Natal/RN, frente a alunos com Deficiência Intelectual (DI), matriculados em anos iniciais do Ensino Fundamental. Foram utilizados como procedimentos a observação e a entrevista semiestruturada, com vistas à construção dos dados. Para análise dos dados utilizou-se o método de Análise de Conteúdo. Os resultados apontam práticas de docentes pautadas num fazer pedagógico tradicional, utilizando poucas estratégias que possibilitem avanços na aprendizagem desses alunos. Diante desta realidade, necessário se faz, entre outros aspectos: investimento na formação dos professores e de todos os que fazem a comunidade escolar, numa perspectiva inclusiva; utilização de procedimentos e de adequações curriculares em sala de aula, de maneira mais compatível com as necessidades dos educandos; um trabalho em parceria com docentes de Salas de Recursos Funcionais e com as famílias.

Realidade Virtual como Intervenção na Síndrome de Down: uma Perspectiva de Ação na Interface Saúde e Educação

PID: S1413-65382015000200259 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2015
Autores: Lorenzo Braccialli Araújo
O presente estudo teve por objetivo avaliar os resultados de intervenções com uso da Realidade Virtual perante as necessidades psicomotoras de uma criança com Síndrome de Down (SD). Para tanto, foram utilizados como instrumento de avaliação a Escala de Desenvolvimento Motor na forma de teste pré e pós-intervenção e como recurso de intervenção o videogame Xbox 360 com sensor kinect. Os resultados alcançados após 20 sessões de intervenção revelaram uma melhora nas habilidades de motricidade global, equilíbrio, esquema corporal e organização espacial, entretanto o desenvolvimento da motricidade fina e linguagem/organização temporal se mantiveram estáveis. Todas estas seis áreas básicas da motricidade humana são fundamentais para o processo de alfabetização e, consequentemente, para o ensino e aprendizagem de conteúdos escolares. As intervenções clínicas realizadas com o uso da Realidade Virtual, em uma abordagem na interface saúde e educação, contribuíram para o desenvolvimento psicomotor do participante da pesquisa, podendo-se inferir sobre os desdobramentos do aperfeiçoamento destas habilidades e seus respectivos benefícios para o desempenho escolar, sobretudo nas atividades de leitura e escrita.

Resiliência e Processos Protetivos de Adolescentes com Deficiência Física e Surdez Incluídos em Escolas Regulares

PID: S1413-65382015000200185 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2015
Autores: Libório Castro Ferro Souza
O artigo apresenta os resultados de uma pesquisa, realizada em duas cidades de médio porte do estado de São Paulo, cujo objetivo foi identificar e analisar processos protetivos associados à resiliência. Os participantes foram 16 adolescentes, de faixa etária entre 14 e 17 anos, expostos a adversidades. Neste trabalho são apresentados os resultados referentes a quatro adolescentes com deficiência física ou auditiva incluídos em escolas regulares. Foi realizado um estudo exploratório, incluindo entrevistas semiestruturadas e métodos visuais (fotografias e filmagens do cotidiano), os quais foram analisados segundo a Teoria Fundamentada nos Dados (TFD). Foram identificados diversos aspectos relativos: 1) aos processos de resiliência dos participantes, associados à qualidade dos relacionamentos interpessoais estabelecidos entre eles, colegas e profissionais da educação, com destaque para os professores intérpretes; 2) ao uso das tecnologias e mídias sociais no favorecimento da comunicação entre eles, amigos e familiares sem deficiência, e 2) às estratégias de enfrentamento da dor e das limitações físicas visando ao bem-estar a médio prazo. Ressalta-se a necessidade de trabalhar em prol do fortalecimento dos adolescentes com deficiência e de auxiliá-los na promoção de seu caminho em direção à inclusão escolar e social, por meio de reflexões sobre o lugar ocupado pelas escolas em suas vidas, o que pode favorecer os processos de resiliência.

Sistematização de um Programa de Capacitação ao Professor do Aluno Surdo

PID: S1413-65382015000300409 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2015
Autores: TENOR DELIBERATO
RESUMO O objetivo desse estudo foi sistematizar ações para a capacitação do professor do aluno surdo por meio da mediação do fonoaudiólogo. Participaram um pai, uma mãe e duas professoras de alunos surdos incluídos. O estudo foi realizado em três etapas: na primeira etapa os pais e professores foram entrevistados, em seguida foi utilizado um protocolo adaptado e foram realizadas observações em sala de aula sem intervenção. Os dados do protocolo, das observações e das entrevistas foram triangulados e em seguida realizou-se análise de conteúdo, que consistiu em classificação de unidades temáticas. A partir das temáticas identificadas na primeira etapa foi elaborado um programa de capacitação ao professor do aluno surdo que foi desenvolvido na segunda etapa da pesquisa. Concomitante ao grupo de capacitação, a pesquisadora realizou observações e intervenções na sala de aula dos professores. Os dados dos encontros de capacitação, os registros das observações e filmagens das intervenções foram triangulados, em seguida realizou-se análise de conteúdo identificando-se unidades temáticas. Na terceira etapa, foi feito o acompanhamento dos professores em sala de aula e identificada as suas opiniões a respeito do programa de capacitação por meio de entrevistas. Os dados das entrevistas foram analisados e classificados em categorias e subcategorias de análise. O programa de capacitação possibilitou aos professores compreenderem as especificidades linguísticas do aluno surdo, a necessidade de adaptação de recursos e estratégias e apontou a necessidade de capacitação das famílias para o uso de suporte a comunicação.

Síndrome Alcoólica Fetal: Implicações Educativas

PID: S1413-65382015000300335 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2015
Autores: RAMALHO SANTOS
RESUMO O presente artigo procura em primeiro lugar, demarcar os malefícios causados pelo álcool na mulher grávida, nomeadamente a Síndrome Alcoólica Fetal. O consumo de álcool durante o período de gravidez é muitas das vezes superior ao desejável, afectando o desenvolvimento feto, causando danos irreversíveis a nível cognitivo-comportamental, social e aprendizagem. São crianças com Necessidades Educativas Especiais que, em Portugal, deverão ser enquadradas no ensino especial ao abrigo do Decreto-Lei 3/2008. Deverão ser criados programas educativos e/ou profissionais adequados para um melhor desenvolvimento da criança para que possa tornar-se num adulto mais autónomo.

TECNOLOGIAS MÓVEIS NA INCLUSÃO ESCOLAR E DIGITAL DE ESTUDANTES COM TRANSTORNOS DE ESPECTRO AUTISTA

PID: S1413-65382015000400349 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2015
Autores: SANTAROSA CONFORTO
RESUMO Com foco nas políticas públicas inclusivas, a relação entre estudantes com Transtorno de Espectro Autista e dispositivos móveis foi problematizada para discutir os limites e as possibilidades da configuração tecnológica 1:1 em apoiar processos de inclusão escolar e digital na rede pública brasileira de ensino. Metodologicamente, caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa de enfoque exploratório e explicativo, epistemologicamente apoiada na teoria sócio-histórica e conduzida por dois grandes questionamentos: (i) Os dispositivos móveis apresentam interface acessível a sujeitos com Transtornos de Espectro Autista? (ii) Que movimentos foram desencadeados pela mediação dos dispositivos móveis para potencializar a inclusão sociodigital de sujeitos com Transtornos de Espectro Autista? A partir dos dados coletados foi possível analisar as fragilidades e as potencialidades da interação de três sujeitos de pesquisas, estudantes dos anos iniciais da Educação Básica em processo de alfabetização, pela interface da tecnologia móvel. O comportamento refratário dos sujeitos de pesquisa em relação ao laptop educacional pode ser justificado pelos problemas de acessibilidade tecnológica associada ao dispositivo móvel, muitos deles potencializados pelas especificidades do Transtorno de Espectro Autista: interface pouco amigável, de difícil compreensão pelo grau de abstração e pela complexidade do sistema operacional, com suas múltiplas escolhas e configurações. Na interação com o tablet foi possível constatar um manuseio amigável e intuitivo, pois a manipulação com o objeto ocorre de forma direta e natural, com o toque do dedo. A arquitetura dessa tecnologia permite seu uso em diferentes lugares e posições, uma resposta positiva à hiperatividade e para qualificar estratégias de mediação pedagógica.

Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação: uma Revisão de Literatura

PID: S1413-65382015000300433 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2015
Autores: PULZI RODRIGUES
RESUMO O movimento possui relação direta com a aprendizagem e com as relações sociais. Crianças que apresentam dificuldades de movimento podem possuir o transtorno do desenvolvimento da coordenação (TDC). O presente artigo trata-se de uma revisão bibliográfica sobre o assunto e teve por objetivo discutir o que foi publicado sobre o TDC entre os anos de 2002 e 2012, apresentando um panorama quanto ao histórico, prevalência, influências na vida cotidiana, acadêmica e social e possibilidades de intervenção. O termo TDC é usado para se referir às dificuldades nas habilidades motoras e que não é devido deficiências de ordem intelectual, sensorial primária ou neurológica. Esse problema afeta a vida das crianças no seu cotidiano, nas atividades de lazer, na escola e na vida social. Na escola, esse transtorno acarreta em baixo rendimento acadêmico, dificuldades de escrita e compreensão de conceitos matemáticos. Na vida social, pode ocorrer o isolamento e a dificuldade de pertencer a um grupo. Tanto os pais como os professores podem auxiliar no desenvolvimento global e social dessas crianças através de estratégias diferenciadas. Atualmente, destaca-se a necessidade de desenvolvimento de propostas que visem desenvolver e potencializar as habilidades dos escolares com dificuldades motoras.

USO DO PECS ASSOCIADO AO VIDEO MODELING NA CRIANÇA COM SÍNDROME DE DOWN

PID: S1413-65382015000400379 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2015
Autores: RODRIGUES CAMPOS ALMEIDA
RESUMO A Comunicação Suplementar e Alternativa (CSA) é uma área da tecnologia assistiva que busca facilitar a participação das pessoas nos vários contextos comunicativos. Há uma variedade de estratégias em CSA e uma delas é o Sistema de Comunicação por Troca de Figuras (PECS) que propõe desenvolver as habilidades de comunicação em pessoas com necessidades complexas de comunicação. Associado à aplicação do PECS, algumas pesquisas tem demonstrado os benefícios do uso do Video Modeling (VM) que consiste em uma técnica de ensino voltada às habilidades acadêmicas, sociais, de comunicação e vida diária para indivíduos das mais variadas deficiências. Este estudo teve por objetivo investigar os efeitos do PECS associado ao VM acerca do desenvolvimento das habilidades de comunicação de uma criança com síndrome de Down com necessidades complexas de comunicação. Neste sentido, para investigar os efeitos do PECS associado ao VM um delineamento AB foi empregado, sendo o PECS associado ao VM a variável independente, enquanto as habilidades de comunicação constituíram-se na variável dependente. Os dados foram analisados considerando alguns aspectos como o desempenho da participante, monitoramento do vocabulário, nível de independência nas etapas de linha de base, intervenção e manutenção. Os resultados indicaram que a participante aumentou as iniciações comunicativas, o vocabulário, além de demonstrar independência em utilizar o sistema PECS para se comunicar com diferentes pessoas. Dessa forma, o presente estudo mostrou uma possibilidade de intervenção que favoreceu o desenvolvimento das habilidades de comunicação da participante com síndrome de Down.

A ansiedade materna durante o diagnóstico da deficiência auditiva: contribuição da intervenção psicológica

PID: S1413-65382014000400569 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2014
Autores: Palamin Guilherme Motti Rafacho
O objetivo desse estudo foi avaliar o grau de ansiedade de mães de crianças com deficiência auditiva por meio da aplicação do Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE), antes e após os procedimentos de diagnóstico audiológico, aconselhamento e orientação psicológica realizados por uma equipe interdisciplinar. Participaram 164 mães de crianças menores de seis anos de idade. Durante os atendimentos da psicologia foi observado que o grupo proporcionou a troca de experiências e auxiliou as mães que vivenciavam os mesmos problemas. Os resultados indicaram que os níveis de Ansiedade Traço e Ansiedade Estado se apresentaram reduzidos com significância estatística na segunda aplicação do IDATE. Os maiores índices de redução foram constatados para as mães casadas, de 21 a 30 anos de idade, da classe socioeconômica baixa superior, com ensino fundamental incompleto e filhos de três e quatro anos de idade, com perda auditiva profunda bilateral.

A carência de formação sobre a superdotação nas licenciaturas da UFPEL: um estudo de caso

PID: S1413-65382014000200007 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2014
Autores: Ramalho Silveira Barros Brum
Apesar de muitos avanços no campo da educação especial, ainda há muito poucos trabalhos relativos ao tema das Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD), particularmente no interior do Brasil. Neste artigo são apresentados resultados de uma pesquisa objetivando investigar a conjectura de que há bastante desconhecimento sobre este assunto nas licenciaturas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Como estudo de caso, foram levantados dados com cerca de um terço dos estudantes dos cursos de Licenciatura em Matemática. Utilizou-se como instrumento de pesquisa um questionário que permitia avaliações quantitativas e qualitativas dos conhecimentos e concepções dos alunos acerca das AH/SD. Os resultados indicaram que a maioria deles não estudou o assunto e este não é abordado curricularmente no curso. Com isso, eles desconhecem a legislação pertinente e nem mesmo sabem que os termos "superdotação" e "altas habilidades" têm o mesmo significado. Como fruto da desinformação, as respostas deles continham diferentes concepções mitológicas segundo a literatura de referência. Apenas para exemplificar, a maioria vê os alunos com AH/SD como um grupo homogêneo e não imagina um superdotado apresentando baixo rendimento escolar.

A educação especial em Maceió/Alagoas e a implementação da política do atendimento educacional especializado

PID: S1413-65382014000200008 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2014
Autores: Calheiros Fumes
Esta pesquisa busca recuperar aspectos da História da Educação Especial do município de Maceió/Al e analisar o atual processo de implantação da política do atendimento educacional especializado (AEE) na rede municipal desta cidade alagoana. Além disso, procuramos também descrever algumas das condições geográficas, políticas, econômicas, sociais e educacionais da cidade de Maceió, em virtude de que estas características podem colaborar na compreensão de alguns dos resultados diagnosticados. Elegemos a análise documental como abordagem de pesquisa, a fim de diagnosticar a realidade estudada. Os resultados apontam que a Educação Especial, no município em questão, é bastante recente e que, apesar disso, há alguns esforços para responder a atual política de oferta do AEE em unidades escolares da rede municipal de educação. No entanto, diversas dificuldades foram encontradas, a saber: precária estrutura arquitetônica dos espaços escolares e ausência de profissionais habilitados. Estas dificuldades são consonantes com a realidade do município estudado que enfrenta sérios problemas de cunho econômico, político, social e educacional, os quais desfavorecem o desenvolvimento da Educação como um todo e da Educação Especial em particular. Diante disso, urge a necessidade de políticas/ações que promovam não somente a melhoria da formação profissional especializada para o AEE e das condições de infraestruturas do espaço escolar, mas principalmente a valorização e o fortalecimento de um sistema municipal de educação que, por muito tempo, vem sofrendo com o descaso de más administrações públicas.

A inclusão do aluno surdo no ensino médio e ensino profissionalizante: um olhar para os discursos dos educadores

PID: S1413-65382014000100010 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2014
Autores: Mallmann Conto Bagarollo França
O objetivo desse trabalho foi investigar, a partir do olhar da equipe educacional, as práticas pedagógicas no Ensino Médio e Ensino Profissionalizante quando tem em sala de aula alunos surdos. Foi realizada uma pesquisa de campo qualitativa e a coleta de informações ocorreu a partir de uma entrevista não estruturada com dois professores, dois pedagogos e um intérprete de Libras que atuam na educação de três alunos surdos do ensino regular. A pesquisa foi realizada em uma escola estadual, considerada referência para educação de surdos, de uma cidade de médio porte do interior do Paraná. O conjunto de dados foi dividido em eixos temáticos e analisados a partir do conteúdo. Os eixos temáticos norteadores da discussão são: aspectos positivos e negativos - inclusão do aluno surdo no ensino regular; metodologias de ensino usadas em sala de aula com o aluno surdo; o intérprete de Libras na escola regular. Conclui-se que a inclusão do aluno surdo está sendo realizada, mas que essa inclusão não está garantindo o acesso às aprendizagens, pois há dificuldades de comunicação entre professor e aluno surdo, falta de conhecimento sobre a surdez e adaptações metodológicas isoladas na sala de aula. Espera-se que esse estudo movimente discussões acerca da inclusão do aluno surdo no ensino regular, possibilitando a essa população um ensino que respeite a peculiaridade da surdez e dê condições para que esses sujeitos se desenvolvam e participem efetivamente do meio social em que vivem.

A percepção dos coordenadores de licenciaturas da UEL sobre altas habilidades/superdotação

PID: S1413-65382014000400591 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2014
Autores: Cianca Marquezine
O presente relato de pesquisa procura mostrar como a temática de altas habilidades/superdotação (AH/SD) foi vislumbrada por docentes do ensino superior, buscando conhecer, mais especificamente, qual percepção tinham os coordenadores dos colegiados dos cursos de licenciatura da Universidade Estadual de Londrina (UEL) acerca desse tema. Objetivou-se identificar a percepção dos coordenadores dos colegiados dos cursos de licenciatura da UEL a respeito de AH/SD. A pesquisa descritiva, de análise quali-quantitativa, teve como participantes 14 docentes, coordenadores dos colegiados das licenciaturas. A entrevista semiestruturada foi utilizada para a coleta de dados. Após a transcrição, as falas foram submetidas à análise de conteúdo. Os resultados indicaram que a percepção dos docentes sobre a temática AH/SD era ainda elementar, utilizaram do senso comum ao tratar da superdotação, não reconheciam seus estudantes com potencial de AH/SD; entretanto, apontavam diversos indicadores em alunos, dos cursos nos quais atuavam, condizentes com os elencados na literatura da área. Notou-se, portanto, que é preciso que pesquisas nesta área continuem sendo realizadas e que sejam ofertadas formações para que os docentes do ensino superior possam desvencilhar-se de ideias próprias do senso comum e dos mitos que envolvem a temática AH/SD.

Altas habilidades/superdotação no contexto escolar: percepções de professores e prática docente

PID: S1413-65382014000200004 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2014
Autores: Bahiense Rossetti
Esta pesquisa objetivou explorar as concepções de professores do Ensino Fundamental da rede pública de Vitória-ES sobre altas habilidades/superdotação (AH/SD), verificando as relações entre essas concepções e a prática docente dos participantes, avaliando também a concepção dos mesmos quanto à adequação de sua formação profissional para lidar com pessoas com AH/SD e investigando as principais estratégias de ensino e aprendizagem utilizadas pelos mesmos. Para a coleta de dados utilizou-se um roteiro de entrevista contendo cinco perguntas sobre alguns dados do participante, uma questão de evocação de palavras e quatro sobre a conceituação de AH/SD para os professores e sobre sua formação e prática profissional. Além disso, foram contadas quatro histórias sobre mitos relativos às AH/SD para eles julgarem e emitirem suas opiniões. A análise dos dados pareceu indicar que os participantes possuem uma concepção de que o aluno superdotado tem necessidades educativas específicas e que os professores não tiveram uma formação adequada para lidar com as pessoas com AH/SD. No que se refere as duas primeiras histórias, verificou-se que a maioria dos docentes não possue sua prática diária perpassada por tais mitos; quanto à terceira, 95% dos docentes concordaram que o aluno com AH/SD necessita ter atendimento especial, e quanto a quarta, enquanto uns participantes acreditavam que as pessoas com AH/SD sofrem isolamento, outros acreditavam que eles convivem muito bem com seus colegas. Espera-se que esta pesquisa possa contribuir para o avanço da discussão acerca dessa temática, oferecendo subsídios teóricos e metodológicos para embasar o trabalho docente na área.

Análise da estrutura organizacional e conceitual da educação especial brasileira (2008-2013)

PID: S1413-65382014000400497 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2014
Autores: Harlos Denari Orlando
Nesta pesquisa objetivou-se desvelar e analisar a estrutura organizacional e conceitual da Educação Especial brasileira, configurada nos documentos que orientam as políticas públicas relacionadas com esta modalidade de ensino e que foram publicados entre janeiro de 2008 e abril de 2013. Empregando-se pesquisa documental e análise categorial, efetuou-se a compilação e análise de trinta documentos apresentados no portal do Ministério de Educação como orientadores da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. A análise da estrutura organizacional e conceitual da Educação Especial revelou a perpetuação de tradicionais contradições dos discursos associados com esta modalidade de ensino.

Atividades de vida autônoma na escola de tempo integral: aluno com deficiência visual - perspectivas educacionais

PID: S1413-65382014000400581 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2014
Autores: Triñanes Arruda
Este estudo trata sobre percepções de professores e de alunos com deficiência visual (DV) na Escola de Tempo Integral (ETI) do Estado de São Paulo, e as atividades de vida autônoma (AVA) contextualizadas na inclusão educacional. Estes alunos requererem atenção às suas necessidades educacionais especiais (NEE) para a aquisição de conhecimentos e o desenvolvimento de competências e habilidades autônomas em sua escolarização. Objetivou-se conhecer as percepções dos professores para com a sua ação docente e à prática das AVA na ETI pelo aluno com DV. Realizaram-se 12 entrevistas com professores do ensino comum. A análise de conteúdo identificou atendimento às suas NEE; as experiências inclusivas dos professores da ETI. Os dados coletados refletiram os processos das ações pedagógicas inclusivas, sobre o atendimento educacional especializado e a formação integral do aluno com DV. Evidenciou-se o desenvolvimento das AVA como fonte de saberes; o despreparo docente em relação às especificidades desse aluno; e, a educação especial desvinculada do ensino comum. Conclui-se ser necessário redimensionar o ensino comum e a prática das AVA, para que não sejam objetos de resistência dos envolvidos, e para que, estas, qualifiquem este ensino e favoreçam a escolarização e o protagonismo dos alunos com DV na ETI.

Capacitação de agentes educacionais: proposta de desenvolvimento de estratégias inclusivas

PID: S1413-65382014000300005 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2014
Autores: Benitez Domeniconi
A inclusão escolar tem demonstrado a importância de criar condições para favorecer o envolvimento dos agentes educacionais (professor da sala de aula regular, professor de educação especial e os pais dos aprendizes), visando maximizar a aprendizagem acadêmica dos alunos. O presente estudo teve como objetivo operacionalizar e avaliar uma capacitação destinada aos professores da sala de aula regular, da educação especial e pais, de modo a criar condições que vislumbrassem o ensino compartilhado de leitura e escrita para alunos com deficiência intelectual e autismo, incluídos na escola regular. Participaram cinco mães, quatro professores da sala de aula e dois professores da Educação Especial. Todos os agentes educacionais participaram de uma capacitação geral baseada na orientação sobre a intervenção a ser aplicada em cada contexto de atuação (residência, sala de aula e sala de educação especial) e incluiu um tópico sobre as habilidades sociais educativas. Após a capacitação geral foram empregadas supervisões individualizadas, com cada agente, durante a qual era utilizado um protocolo de registros do comportamento de cada agente. A análise dos comportamentos previu três medidas: aplicação conforme planejamento, dicas fornecidas ao aprendiz e encaminhamentos. Ainda que principiante, a capacitação criou condições para desenvolver estratégias inclusivas, de modo a operacionalizar as orientações descritas nos documentos vigentes em relação à inclusão escolar, a partir do envolvimento de agentes educacionais.
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