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O index para a inclusão como instrumento de pesquisa: uma análise crítica

PID: S1413-65382014000400485 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2014
Autores: Santos Nascimento Motta Carneiro
Quando nos propomos a realizar uma pesquisa acadêmica em qualquer área do conhecimento, a coerência com o embasamento teórico em que essa pesquisa está fundamentada constitui um dos principais fatores que respondem pela credibilidade dos resultados que pretendemos alcançar. O distanciamento desse embasamento teórico por qualquer motivo, bem como a tentativa forçada de lhe atribuir novos significados para atender aos objetivos do pesquisador, acaba por descaracterizar a pesquisa, ocasionando uma cisão entre a teoria e o que se pretende atingir na prática. É nessa perspectiva que este artigo apresenta uma análise crítica a um trabalho publicado na coletânea Preconceito e Educação Inclusiva, coordenada por José Leon Crochik e organizada pelo Laboratório de Estudos sobre o Preconceito da USP. O referido trabalho, intitulado Análise de formulário de avaliação de inclusão escolar, traz em si uma contradição entre a teoria em que está fundamentado e o que seus autores realmente pretendem alcançar com a pesquisa, fato que nos chamou a atenção, tendo em vista ser do nosso conhecimento o sentido original da proposta lançada pelo Index para Inclusão, de Booth e Ainscow, trabalho em que os autores se basearam para a realização dessa pesquisa. Nossa intenção é, portanto, assinalar os principais pontos do artigo em questão, que divergem da proposta original do Index para Inclusão, com o objetivo de contribuir para uma melhor compreensão do Index, importante trabalho destinado aos profissionais que se dedicam aos estudos e projetos voltados para a inclusão em educação.

Objeto virtual de aprendizagem incluir: recurso para a formação de professores visando à inclusão

PID: S1413-65382014000200006 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2014
Autores: Bisol Valentini
Muito tem se discutido a respeito dos desafios e dificuldades da inclusão de estudantes com necessidades educacionais especiais, tal como vem sendo proposta pela política educacional brasileira a partir dos anos 1990. A literatura científica mostra que as lacunas referentes à formação inicial e continuada de professores constituem um dos grandes obstáculos para que a inclusão se torne realidade. O presente trabalho parte de uma discussão a respeito da formação de professores para a inclusão e postula dois princípios como alicerces para essa formação: a ética da responsabilidade e a disponibilidade para o outro. Apresenta, em seguida, o objeto virtual de aprendizagem Incluir (OA Incluir), construído com o objetivo de criar um instrumento facilitador à formação de professores para a educação na perspectiva da inclusão. Dividido em quatro módulos (Limites, Diversidade, Docência e Surdez), este OA visa ultrapassar a transmissão de informação, propondo uma linha de reflexão que promova e mobilize novas práticas dentro de pressupostos interacionistas/construtivistas. As reflexões desenvolvidas ao longo do OA são relatadas e brevemente discutidas. Uma análise quantitativa e qualitativa está em andamento e deverá sinalizar se o OA atinge o objetivo para o qual foi construído.

Opinião de profissionais da educação e da saúde sobre o uso da prancha ortostática para o aluno com paralisia cerebral

PID: S1413-65382014000200009 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2014
Autores: Spiller Braccialli
Dentre os recursos de Tecnologia Assistiva existentes para a adequação postural na posição ortostática, para o aluno com paralisia cerebral que não pode experienciar a postura em pé, está a prancha ortostática. Em um ambiente escolar e terapêutico foram observadas dificuldades, em posicionar alunos com paralisia cerebral quadriplégica espástica, com um modelo tradicional de prancha existente no mercado. Sendo assim, estes alunos não tinham acesso adequado e não eram incluídos às atividades desenvolvidas naquele ambiente, por falta de um mobiliário de posicionamento adequado. Por isso, foi desenvolvida uma prancha ortostática a fim de favorecer a participação dos alunos nas atividades. O objetivo deste trabalho foi avaliar a efetividade de uso de uma prancha ortostática para o aluno com paralisia cerebral, por meio da opinião de profissionais da educação e da saúde. Os participantes foram quatro profissionais da Educação e da Saúde que atendiam alunos com paralisia cerebral. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com os participantes. O áudio das entrevistas foi transcrito na íntegra e, em seguida, procedeu-se à análise do conteúdo. Identificou-se um grande tema, Avaliação, e cinco subtemas: 1) Benefícios da prancha; 2) Segurança da prancha; 3) Manuseio da prancha; 4) Interações do aluno e 5) Modificações na prancha. Os resultados desta etapa indicaram que, segundo a opinião dos profissionais, a prancha: 1) proporcionou benefícios para os alunos e participantes; 2) é segura para o perfil de aluno selecionado; 3) é difícil de manusear; 4) favoreceu a atenção, comunicação, posicionamento e movimentação de cabeça dos alunos e 5) há necessidade de algumas modificações.

Percepções sobre pessoas com deficiências e o prognóstico para o atendimento educacional especializado

PID: S1413-65382014000100003 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2014
Autores: Oliveira Mendes
O presente estudo objetivou verificar se a atratividade física facial de alunos com deficiência auditiva poderia exercer influência nos prognósticos feitos por professores que atuam no atendimento educacional especializado - Salas de Recursos Multifuncionais (SRMs). Foram selecionados 20 professores que atuam em SRMs em um município do interior do estado de São Paulo. Os participantes realizaram uma atividade envolvendo a previsão de resultados para o atendimento educacional especializado de alunos com deficiência auditiva. Como estímulos utilizaram-se fotografias de crianças, de ambos os sexos, com diferentes níveis de atratividade física. Os prognósticos favoráveis para o atendimento especializado recaíram mais frequentemente sobre os alunos com alta atratividade física. Contudo, apenas para as fotografias das meninas foi encontrada significância estatística, evidenciando que a variável sexo teve efeito sobre os resultados. Conclui-se que a atratividade física é uma temática que deve ser problematizada no interior dos cursos de formação (inicial ou continuada) para professores e outros profissionais, intentando melhores atendimentos, relacionamentos e percursos de ensino e aprendizagem para os alunos que são o público alvo da área de Educação Especial.

Reformas, relatos de vida e identidades profesionales en educación especial: una aproximación a partir de las voces de educadores especiales en Medellín (Colombia), 1965-2002

PID: S1413-65382014000300002 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2014
Autores: Yarza De Los Ríos Ramírez Ramírez María Franco Catalina Vásquez
El artículo presenta los resultados de una investigación biográfico narrativo sobre las conexiones, relacionamientos y entrecruzamientos entre relatos de vida de maestros y maestras especiales y los procesos de reforma educativa a la educación especial en una ciudad de Colombia. Parte del reconocimiento de las historias de la educación especial en Colombia y América Latina, pero señalando la ausencia de investigaciones desde las voces y vivencias de los educadores especiales en el tiempo reciente, lo cual se corresponde con lo encontrado en el estado del arte. Posteriormente, se presentan parte de los resultados sobre el análisis de la identidad profesional docente especial y unas reflexiones para pensar el presente del educador especial/diferencial en América Latina.

Relatos de músicos cegos: subsídios para o ensino de música para alunos com deficiência visual

PID: S1413-65382014000300007 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2014
Autores: Oliveira Reily
Este estudo de natureza qualitativa teve como objetivo compreender as problemáticas enfrentadas por músicos com cegueira quanto ao acesso à aprendizagem da música. Em entrevistas semiestruturadas, procurou-se conhecer suas vivências e processos de formação no campo da música. Os resultados apontam o papel-chave da família na introdução ao mundo da música, além de mostrar que faltam, aos professores de música, conhecimentos básicos sobre as necessidades do aluno com cegueira. O artigo pretende evidenciar especificidades da aprendizagem musical do aluno com cegueira e subsidiar a prática profissional dos responsáveis pelo seu ensino no contexto da rede regular de ensino, servindo também para nortear a formação de professores de música que possam vir a ter alunos com deficiência visual.

Relações familiares na perspectiva de pais, irmãos e crianças com deficiência

PID: S1413-65382014000300008 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2014
Autores: Silva Dessen
O desenvolvimento das crianças com deficiência é influenciado pelas relações familiares, sobretudo pelo modo como os pais lidam com a criança e a deficiência. No entanto, apesar de sua importância, pouco é conhecido sobre o funcionamento global dessas famílias. Assim, este estudo teve como objetivo investigar as características das relações familiares de crianças com deficiência (auditiva, intelectual, física, múltipla e visual) na perspectiva das mães (n=16), dos pais (n=12), dos irmãos (n=10) e das próprias crianças com deficiência (n=16), priorizando as relações nos subsistemas parental, conjugal e fraterno. Foi realizada uma entrevista semiestruturada com cada um dos participantes, individualmente, em suas respectivas residências, e foi aplicado um questionário de caracterização do sistema familiar com um dos genitores. Os resultados mostram que as práticas parentais são percebidas como coercitivas, mesmo havendo harmonia, diálogo e compartilhamento nos cuidados com os filhos. As relações conjugais são vistas como predominantemente satisfatórias, embora existam conflitos. Já sobre as relações fraternas, foram frequentes os relatos sobre conflito, harmonia, cuidado/proteção e coesão/união entre os irmãos. A percepção das relações familiares varia em função do tipo de deficiência da criança no que tange às práticas educativas parentais, aos valores/crenças presentes na educação dos filhos e aos conflitos conjugais e entre irmãos. Os resultados indicam a necessidade urgente de investigar os padrões de comunicação em famílias com crianças com diferentes tipos de deficiência, visando à elaboração de propostas de educação e reeducação voltadas ao funcionamento típico de cada tipologia de família.

Revisão sistemática acerca das políticas de educação inclusiva para a formação de professores

PID: S1413-65382014000300011 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2014
Autores: Ingles Antoszczyszen Semkiv Oliveira
A análise das políticas públicas de formação docente é bastante referenciada nas discussões e pesquisas acadêmicas. Há muitas implicações destes estudos no processo de adaptação das políticas e de práticas pedagógicas, as quais são amplamente discutidas em forma de artigos, teses e dissertações. Este estudo apresenta uma análise bibliográfica sobre o tema, do ano de 2008 até os dias atuais, incluídos alguns estudos com datas anteriores, os quais julgamos imprescindíveis para a discussão. A busca foi realizada com critérios específicos, no site de periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Os descritores, bem como o número de artigos analisados a partir de cada um destes descritores foram: Políticas de formação docente (cinco artigos); Políticas da formação de professores (três artigos); Políticas de educação inclusiva (um artigo); Educação inclusiva (dois artigos); Formação docente (três artigos) e Legislação educacional (dois artigos). Após a seleção destes textos, foi realizada uma análise de conteúdo minuciosa, levando em consideração seus aspectos metodológicos, problemática discutida e implicações para a prática pedagógica como suporte para a educação inclusiva. Os resultados indicaram um total de 2146 artigos, dos quais foram selecionados, inicialmente pelos resumos, 140 artigos e, finalmente, tomados 16 para leitura e análise de conteúdo. Nessa análise observou-se a necessidade de disseminação desse tema perante a sociedade, com vistas à importância da atuação docente nessa busca de pressupostos para uma educação inclusiva. Isso confirmou afirmações contundentes de pesquisadores nacionais ao pontuarem que, embora as políticas públicas para essa educação estejam postas, elas ainda não conseguiram atingir as práticas pedagógicas e a formação de professores.

Surdos e acessibilidade: análise de um ambiente virtual de ensino e aprendizagem

PID: S1413-65382014000100011 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2014
Autores: Pivetta Saito Ulbricht
A Educação a Distância (EaD) possui potencial para ampliar o acesso à educação. No entanto, ela tem sido incipiente ao tratar das necessidades específicas do público surdo. Isso se deve em parte pela abordagem superficial em relação à acessibilidade nos Ambientes Virtuais de Ensino e Aprendizagem (AVEA). O presente artigo teve como objetivo avaliar a acessibilidade de um AVEA para usuários surdos, através de um estudo de caso. A avaliação foi realizada por uma ferramenta automática e por meio de avaliação subjetiva humana. Pelas evidências dos resultados das abordagens de avaliação, fica aparente a diferença entre os métodos em termos de efetividade, eficiência e utilidade. Visto suas características complementares, recomenda-se o uso concomitante das técnicas.

Tecnologias no ensino de crianças com paralisia cerebral

PID: S1413-65382014000100007 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2014
Autores: Oliveira Assis Garotti
A paralisia cerebral é uma patologia crônica, caracterizada por uma disfunção predominantemente sensório-motora, envolvendo distúrbios no tônus muscular, postura e movimentação voluntária. O objetivo do presente estudo foi investigar o efeito de procedimentos informatizados de ensino de relações condicionais com figuras e palavras impressas sobre a leitura recombinativa generalizada, em quatro crianças. Todas as etapas foram desenvolvidas utilizando a tecnologia assistiva, com o software Desenvolve®, para o ensino de pré-requisitos básicos. Em seguida, procederam-se as etapas de treino e testes de leitura com tecnologia derivada do paradigma de equivalência de estímulos. Os resultados obtidos apresentaram evidências de que o procedimento de ensino utilizado promoveu a leitura recombinativa generalizada de novas palavras. Os procedimentos utilizados sugerem que a manipulação sistemática das unidades menores do que a palavra pode ser uma estratégia promissora para o desenvolvimento da leitura recombinativa, aliando o paradigma de equivalência com exercícios e recursos de TA podendo contribuir e favorecer a educação inclusiva de alunos com PC, ampliando suas interações sociais e minimizando as dificuldades acadêmicas.

Tendências e perspectivas da produção acadêmica sobre a temática educação de surdos: mapeamento da produção

PID: S1413-65382014000200011 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2014
Autores: Ramos Zaniolo
Este estudo objetivou apresentar algumas tendências e perspectivas da produção acadêmica referente à temática educação de surdos, considerando-se as teses e dissertações constantes no Banco de Teses da CAPES segundo o ASSUNTO Educação de surdos e ANO BASE 2005 a 2009. Constituiu-se em uma investigação de caráter exploratório descritivo e de natureza bibliográfica. Por meio das informações bibliográficas e com base nos resumos das produções acadêmicas, pretendeu-se, a partir da catalogação dos dados, mapear o respectivo campo do conhecimento. Os dados coletados permitiram observar a distribuição anual e por modalidade da produção acadêmica, a distribuição geográfica e segundo as universidades, os níveis de financiamento e os programas de pós-graduação aos quais está vinculada essa produção. Os resultados obtidos corroboram os apontamentos de estudos que focalizaram semelhantes aspectos, como o crescimento constante no número de Mestrados e Doutorados no país, a prevalência de produções na modalidade Mestrado acadêmico, a distribuição geográfica e institucional dos estudos concentrada nas regiões Sudeste e Sul e a insuficiência de aportes financeiros, por meio da concessão de bolsas de estudos, destinados à produção científica. Ressalta-se também, o percentual expressivo de instituições privadas, a prevalência de estudos vinculados a programas em Educação, Letras e Linguística, bem como, a presença de programas comumente observados em diferentes áreas de investigação, como programas em Ciência da computação, Engenharia e Tecnologia. Por fim, evidencia-se a relevância de estudos que visem sistematizar e inventariar a produção acadêmico-científica em um determinado campo do conhecimento, contribuindo para o aprimoramento da área e de seus objetos de investigação.

A questão linguística na inclusão escolar de alunos surdos: ambiente regular inclusivo versus ambiente exclusivamente ouvinte

PID: S1413-65382013000300007 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2013
Autores: Aspilicueta Leite Rosa Cruz
Ao direcionarmos o olhar para as questões e implicações que a surdez suscita, um ponto que emerge imediatamente refere-se à linguagem. A pesquisa visa à descrição da linguagem utilizada por e com alunos surdos em contexto inclusivo, focalizando ambientes escolares distintos: um exclusivamente ouvinte, com presença de apenas uma aluna surda em toda a escola; e outro em que há concentração de alunos surdos na mesma escola. Os sujeitos focais da pesquisa são três meninas surdas que cursam o ensino fundamental em duas escolas municipais, assim como os professores e colegas que interagiram com elas ao longo da observação. Os sujeitos focais foram observados e filmados em sala de aula e durante situação de interação livre. O estudo permitiu observarmos comparativamente o que ocorreu em cada uma das escolas. Naquela em que há presença de vários surdos na escola, a proximidade com os professores do Centro de Atendimento Especializado, fluentes em LIBRAS, e os investimentos realizados na formação dos professores em língua de sinais, ainda que insuficientes, promoveram a presença da LIBRAS na escola. Embora utilizada de modo parcial, já que geralmente combinada a gestos e linguagem oral, a língua de sinais foi usada pelos surdos e ouvintes em suas interações. Em contrapartida, na escola em que não houve investimento na inclusão da LIBRAS e a escolarização segue princípios basicamente moralistas, a única aluna surda matriculada não fez uso nem de língua de sinais nem de linguagem oral de modo significativo.

Atendimento educacional especializado para alunos com surdocegueira: um estudo de caso no espaço da escola regular

PID: S1413-65382013000100004 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2013
Autores: Galvão Miranda
Este artigo tem como objetivo analisar e discutir as diferentes formas de Atendimento Educacional Especializado prestadas aos alunos com surdocegueira, matriculados na Educação Básica de escolas regulares da cidade de Salvador-Bahia, apontando aspectos significativos, as barreiras evidenciadas e possibilidades para o atendimento das necessidades especiais desses alunos. Ele é parte de uma pesquisa realizada no doutorado em educação e tem uma abordagem qualitativa, do tipo estudo de caso, tendo, como amostra, quatro alunos surdocegos, sendo três do ensino Fundamental II e um do Ensino Médio. O instrumento de coleta de dados foi uma entrevista realizada com profissionais que atuavam no AEE e os dados foram organizados considerando três categorias: a dinâmica do AEE, ação do profissional no desenvolvimento do AEE e a conexão entre o AEE e as necessidades especiais dos alunos com surdocegueira. Os resultados indicaram: ausência de uma ação planejada, gerando improvisação e fragmentação das ações do AEE; isolamento dos profissionais, decorrendo em ações pedagógicas desarticuladas entre os professores da sala regular e os especialistas; desconhecimento das necessidades educacionais especiais dos alunos com surdocegueira e consequente invisibilidade desses alunos no espaço escolar.

Avaliação de periódicos científicos: Revista Brasileira de Educação Especial

PID: S1413-65382013000100009 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2013
Autores: Manzini
A Revista Brasileira de Educação Especial foi criada em 1992 e tem sido constantemente avaliada, internamente, por pesquisadores da Associação Brasileira de Pesquisadores em Educação Especial, e, externamente, pela Capes e Anped, sendo que a avaliação Capes indicou um Qualis A2. O objetivo deste artigo é discutir essas avaliações para que se possa melhorar ainda mais a qualidade da revista. A avaliação proposta incidiu em parâmetros qualitativos, apresentados pela avaliação da Anped, e estatísticos, disponíveis pelo SciELO. O resultado dessa análise é que a Revista Brasileira de Educação Especial apresenta parâmetros semelhantes, e algumas vezes superiores, às revistas qualificadas em A1. A discussão sobre a melhoria da qualidade da revista indicou: 1) necessidade de recebimento de artigos via internet, por meio de plataforma própria; 2) designação de editores adjuntos ou coeditores de modo a garantir o fluxo de avaliação dos manuscritos recebidos; 3) investimento na infraestrutura, como compra de computadores e softwares para melhorar a editoração da revista.

Classe hospitalar: produção do conhecimento em saúde e educação

PID: S1413-65382013000400010 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2013
Autores: Xavier Araújo Reichert Collet
Realizamos uma revisão integrativa da literatura cujo objetivo foi analisar a produção científica sobre classe hospitalar, a fim de descrever a temática e os aspectos abordados nos estudos publicados. Realizou-se uma revisão referente à produção do conhecimento da saúde e da educação no campo da escolarização de crianças e adolescentes hospitalizados, em bases de dados indexadas utilizando as palavras chave: criança hospitalizada, educação especial, adolescente hospitalizado, classe hospitalar e educação e saúde. Posteriormente, foi feita leitura flutuante dos títulos, resumos e textos na íntegra, e os artigos que compreendiam o objeto do estudo foram selecionados totalizando 13 estudos. Para análise, primeiramente fez-se uma caracterização das publicações com a finalidade de identificar os autores, o ano, a área de atuação e o percurso metodológico. Posteriormente, realizou-se leituras exaustivas dos artigos de modo a abstrair seus conteúdos comuns e agrupá-los em três Abordagens Temáticas: Classe Hospitalar e Aspectos Administrativos Institucionais, Classe Hospitalar e Processo de Hospitalização, e Prática Pedagógica na Classe Hospitalar. Apesar da produção do conhecimento nesta área apresentar-se ainda tímida em periódicos indexados, as pesquisas confirmam que a classe hospitalar se configura numa estratégia pedagógica que possibilita o atendimento educacional especializado que contribui para o retorno e continuidade da escolarização formal e para o desenvolvimento infantil. Ainda são poucos os profissionais qualificados para atuar na classe hospitalar devido à inexistência de uma formação específica nesta área. Identificamos lacunas importantes em relação às informações oficiais sobre classes hospitalares, inviabilizando conhecer a real dimensão e distribuição dessas atividades no Brasil e no mundo.

Comunicação alternativa no contexto educacional: conhecimento de professores

PID: S1413-65382013000200008 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2013
Autores: Carnevale Berberian Moraes Krüger
Este estudo investigou a visão de profissionais da área pedagógica sobre a linguagem de crianças com paralisia cerebral sem fala oralizada e o conhecimento e/ou uso da Comunicação Alternativa (CA) nesses casos. Foram entrevistados vinte e três sujeitos atuantes numa escola especial situada no interior do Paraná e seis eixos de análise definidos a partir de seus depoimentos. Quanto aos resultados mais representativos predomina a visão de que a linguagem está presente através da gestualidade, da expressão facial e do olhar desses alunos. A fala é vista como instrumento expressivo da linguagem assumida como capacidade cognitiva de elaboração de conteúdos internos. Predomina o desconhecimento a respeito da CA e a ausência da utilização sistematizada de seus recursos impede que o aluno ocupe uma posição de “falante” e uma condição participativa no processo educativo. Os entrevistados reconhecem a necessidade de formação específica nessa área. Concluímos que há uma carência generalizada, por parte dos professores entrevistados, quanto ao conhecimento acerca da CA e das possibilidades de manifestação da linguagem de alunos com PC que não podem oralizar.

Construção e validação de um instrumento de avaliação do perfil desenvolvimental de crianças com perturbação do espectro do autismo

PID: S1413-65382013000200004 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2013
Autores: Reis Pereira Almeida
Nos últimos anos a investigação tem dado particular relevância às alterações do Processamento Sensorial nas crianças com perturbações do espectro do autismo (PEA) e a literatura refere que entre 42% a 88% das crianças com PEA apresentam este tipo de disfunção. Nesta linha foi definido um projeto de investigação centrado na construção de uma escala que avalie a tradicional tríade que caracteriza as crianças com PEA (Interação, Comunicação e Comportamento e interesses repetitivos e estereotipados), enriquecida pela inclusão de um novo domínio: o Processamento Sensorial. Com a construção e validação desta escala pretendemos que pais e profissionais utilizem colaborativamente um instrumento de avaliação da intervenção que lhes permita monitorizar o processo de apoio e adequar as suas práticas. Neste artigo descrevemos os procedimentos e os resultados das sucessivas fases de construção do instrumento, desde as análises iniciais mais qualitativas até aos estudos centrados na análise quantitativa dos itens.

Contribuições para a fisioterapia a partir dos pontos de vista das crianças

PID: S1413-65382013000200006 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2013
Autores: Santos Ferreira
Este relato de pesquisa teve como objetivo ouvir o que as crianças dizem sobre a fisioterapia. A pesquisa contou com a participação de sete crianças com doenças crônicas que faziam fisioterapia por tempo indeterminado, em um hospital e em um centro de fisioterapia. Essas crianças foram entrevistadas a partir de questionamentos relativos à doença, ao tratamento e sobre brincar durante a fisioterapia. Propôs-se pesquisar com as crianças e não sobre elas, tendo em vista que a infância é uma categoria social e que as doenças crônicas sugerem mais atenção quanto à qualidade de vida infantil. Este estudo demonstra a possibilidade de uma aproximação efetiva com a educação, por meio da Sociologia da Infância, e da Saúde no âmbito de humanizar a relação entre fisioterapeuta e criança. Com os resultados, foi possível identificar que essas crianças relacionam a doença ao problema e à melhora, traduzindo a trajetória que a doença impõe em suas vidas. A doença é a geradora da hospitalização e do motivo de realizarem a fisioterapia, que é considerada o tratamento que atua no seu problema e objetiva sua melhora. As crianças deixam claro que querem brincar mais, sendo, assim, o planejar do brincar terapêutico nas clínicas e hospitais necessário. Conclui-se, portanto, que é indispensável incluir a terapia lúdica, para que brincar na fisioterapia seja prazeroso, estimulante, na tentativa de objetivar o brincar terapêutico. Esse é o desafio. Por esse viés, pode-se dizer que reabilitar, também, requer conhecimento pedagógico.

Cronobiologia e inclusão educacional de pessoas cegas: do biológico a social

PID: S1413-65382013000400004 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2013
Autores: Squarcini Esteves
Estudos sobre inclusão educacional têm apontado alguns caminhos para garantir a inserção da pessoa com deficiência no espaço regular de ensino. Entretanto, pouco se tem falado a respeito das implicações do ritmo circadiano na inclusão da pessoa totalmente cega nesse espaço. Assim, o presente artigo teve como objetivo descrever como o ritmo circadiano pode influenciar na inclusão educacional do aluno com deficiência visual. A partir da revisão literária foram apresentadas as ideias fundamentais a respeito da cronobiologia, ciência que estuda a capacidade dos seres vivos em expressar de forma recorrente e periódica o seu comportamento e a sua fisiologia. Uma de suas expressões tem uma duração próxima há 24 horas, conhecido como ritmo circadiano. Esse ritmo é regido pelo relógio biológico que é controlado pela luz. Entretanto, na ausência da luz, caso de pessoas totalmente cegas, quem passa a reger os ritmos circadianos é apenas o relógio biológico. Nessa condição, conhecida como livrecurso, as pessoas totalmente cegas podem apresentar uma queda no desempenho acadêmico de tempos em tempos por causa da sonolência excessiva durante as horas de estudo, além de distúrbio no humor, no alerta e na atenção. Neste contexto, se faz necessário a divulgação desse conhecimento para que sejam reconhecidas as condições de déficit de atenção, irritabilidade, isolamento social e/ou sonolência excessiva durante o dia, oriundas do livre-curso a fim de respeitar a individualidade dos alunos totalmente cegos e garantir o acesso à inclusão educacional em sua completude.

Deficiência intelectual na perspectiva histórico-cultural: contribuições ao estudo do desenvolvimento adulto

PID: S1413-65382013000200003 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2013
Autores: Dias Oliveira
Conceitos e práticas atuais relacionados à condição de deficiência intelectual ainda são influenciados por compreensões normativas de desenvolvimento que, por vezes, restringem a pessoa com esse diagnóstico à categoria de eterna criança. O conjunto de ferramentas conceituais apresentado pela perspectiva histórico-cultural permite discussão crítica da deficiência intelectual sob um prisma complexo e dinâmico, no qual as capacidades são valorizadas, observando-se contínuo desenvolvimento da pessoa na relação com seu meio. No entrelaçamento das condições ambientais, histórico-culturais e subjetivas há ressignificação de si, da própria condição de deficiência e do mundo. Em meio a esse conjunto de fatores, a menoridade perene dá lugar à possibilidade de autonomia e visão crítica de si. Buscamos neste trabalho oferecer argumentos que possam gerar reflexões críticas sobre a condição a que se tem denominado deficiência intelectual. Discorremos sobre a construção histórico-social do fenômeno em questão; discutimos a relação entre os modelos médico e social vigentes na atualidade e a influência na construção de conceitos e crenças sobre a pessoa com deficiência; apresentamos a perspectiva histórico-cultural como alternativa à compreensão cristalizada de deficiência intelectual e, por fim, ressaltamos possibilidades de desenvolvimento adulto compatíveis com as condições contextuais dos indivíduos na atualidade.
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