Higienismo no Brasil Imperial e a Deficiência em Cena
PID: S1413-65382025000101006 |
Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) |
Ano: 2025
Autores: REILY SOFIATO
RESUMO: O movimento higienista impactou o Rio de Janeiro a partir do século XIX nas esferas pública e privada. Durante esse período, foram fundadas no país as duas primeiras instituições de instrução e assistência a crianças cegas e surdas (em 1854 e 1857, respectivamente), com o objetivo de “regenerá-las” e diminuir o risco de se tornarem um fardo para a sociedade. Além de gerar preocupação no âmbito econômico, de saúde e de educação, a questão da deficiência permeava também o campo da cultura. O objetivo deste estudo foi, então, compreender como as representações eurocêntricas de deficiência, em diálogo com o higienismo vigente, circulavam no teatro carioca, configurando estereótipos e mobilizando ações de ordenamento social. A abordagem desta pesquisa exploratória é documental e qualitativa. O corpus é constituído de peças teatrais listadas no inventário de “Os Exames Censórios do Conservatório Dramático Brasileiro”, encenadas no Rio de Janeiro no século XIX, cujos títulos se referem a personagens com deficiência, além de artigos de jornais e documentos oficiais. Os resultados apresentam um panorama sobre a deficiência retratada no teatro, exigindo dos atores uma vivência da alteridade, em um período marcado por perspectivas higienistas.