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Os cursos de pedagogia da Universidade Estadual Paulista e a educação inclusiva

PID: S1413-65382013000300003 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2013
Autores: Fonseca- Janes Omote
A educação inclusiva é tida como uma educação de qualidade que deve ser oferecida pelo sistema educacional a todas as crianças, jovens e adultos. Para a efetivação de tal proposta, dentre várias necessidades, precisamos de recursos humanos qualificados para o enfrentamento desse desafio. Este trabalho tem por objetivo analisar as matrizes curriculares dos cursos de Pedagogia da Universidade Estadual Paulista para a formação em uma perspectiva inclusiva. Para isto, foram analisados os projetos político- pedagógicos dos seis cursos de Pedagogia, as Resoluções da UNESP que os regulamentam e trechos de entrevistas realizadas com os coordenadores dos respectivos cursos. Para análise das matrizes, as disciplinas obrigatórias foram distribuídas em um quadro com as seguintes categorias: 1) disciplinas específicas relacionadas com a Educação Inclusiva, 2) carga horária das disciplinas relacionadas com a Educação Inclusiva, 3) disciplinas específicas relacionadas com a Educação Especial e 4) carga horária das disciplinas relacionadas com a Educação Especial. Dos seis cursos de Pedagogia da UNESP, cinco possuem disciplinas voltadas para a questão da Educação Inclusiva, com as mais diversificadas cargas horárias, e quatro possuem disciplinas voltadas para questões específicas da Educação Especial.

Processos de escolarização de pessoas com deficiência visual

PID: S1413-65382013000100005 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2013
Autores: Vilaronga Caiado
No Brasil há singulares processos sobre o acesso à escolarização da pessoa com deficiência. Mesmo com políticas específicas e legislações definidas para a área nos últimos anos, estados e municípios se organizaram de diferentes formas e com distintas propostas educacionais para os alunos com deficiência. Com base nesse contexto, o objetivo dessa pesquisa foi descrever e analisar as trajetórias e expectativas de vida escolar de pessoas com deficiência visual, que frequentaram um curso comunitário preparatório para o vestibular e almejavam ingressar no ensino superior. Especificamente neste texto, o foco selecionado foi a trajetória escolar do aluno com deficiência visual, da educação infantil até o final do ensino fundamental. Participaram do estudo quatro pessoas com deficiência visual que concluiram o ensino médio, fizeram o curso comunitário preparatório para o vestibular em 2011 e almejavam ingressar no ensino superior. Optou-se, neste artigo, por trabalhar com a história de vida dos sujeitos pesquisados, pois a compreendemos como síntese do tempo histórico e lugar social. Um dos pontos discutidos neste estudo se refere às consequências das mudanças políticas da educação especial na história de vida escolar desses alunos, principalmente em relação à sala de recursos e sala comum. Relatos sobre a falta de preparo das escolas e professores para possibilitar o aprendizado dos conteúdos escolares se cruzam com memórias de professores e funcionários que buscaram suas próprias estratégias para ensinar esses alunos na década de 1990.

Recomendações da Wcag 2.0 (2008) e a acessibilidade de surdos em conteúdos da Web

PID: S1413-65382013000200002 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2013
Autores: Flor Vanzin Ulbricht
Este artigo apresenta uma discussão a respeito da comunicação de surdos no contexto dos padrões de acessibilidade na web. Primeiramente traz um estudo bibliográfico sobre a comunicação de surdos, o método linguístico adotado nas escolas e o reflexo na história da sua educação. Em seguida, discorre sobre o bilinguismo, as identidades surdas e as diretrizes de acessibilidade propostas pela WCAG 2.0 (2008). A partir de pesquisa bibliográfica, realizada em fontes primárias, selecionaram-se os critérios de sucesso relacionados à surdez a fim de verificar se a língua de sinais, tida como primeira língua dos surdos (L1) na filosofia do bilinguismo, é considerada na concepção dos princípios da WCAG 2.0 (2008). Por fim, o artigo enfatiza a comunicação bilíngue como necessária para que os conteúdos da web possam estabelecer uma uniformidade com a linguagem habitual da cultura surda.

Releitura de conceitos relacionados à astronomia presentes nos dicionários de Libras: implicações para interpretação/tradução

PID: S1413-65382013000400005 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2013
Autores: Alves Peixoto Lippe
Após 10 anos da promulgação da Lei nº 10.436/2002, constata-se que a presença de alunos surdos nas salas de aula comuns já é uma realidade. Com a regulamentação do Decreto Federal nº 5.626/2005, notam-se avanços no que concerne ao acesso e à inclusão dos alunos surdos nos ambientes educacionais, consolidando lutas históricas da comunidade surda. Nesse sentido, a busca por novas estratégias de ensino e de avaliação da aprendizagem faz-se necessária. No entanto, percebe-se que muitos tradutores/intérpretes de língua de sinais (TILS) possuem dificuldades para interpretar os conceitos científicos, muitas vezes distantes da sua formação. O objetivo deste trabalho é fornecer aos professores e TILS, das séries iniciais do Ensino Fundamental, subsídios para o ensino dos conceitos relacionados à astronomia. Para isso, foi realizada uma pesquisa de levantamento dos sinais relacionados à astronomia, indicados pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), presentes em dois principais dicionários de Libras em circulação no país e em um dicionário especializado em Astronomia. Por meio desse levantamento, foram analisados 49 conceitos e suas definições, fazendo uma releitura e indicando uma definição mais adequada para os TILS e professores. Constatouse que as definições de alguns sinais presentes nos dicionários possuem distorções, redundâncias e conteúdos que demandam uma formação mais específica para sua abordagem. A releitura permitiu a construção de uma redação mais simples e ofereceu a possibilidade da sugestão de conceitos ainda não constituídos na Libras.

Revisão de estudos sobre o picture exchange communication system (PECS) para o ensino de linguagem a indivíduos com autismo e outras dificuldades de fala

PID: S1413-65382013000400011 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2013
Autores: Mizael Aiello
O Picture Exchange Communication System (PECS) é um sistema de comunicação frequentemente utilizado em indivíduos com autismo e/ou pouca fala funcional. Até a data, nenhuma revisão sobre intervenções com o PECS foi publicada no Brasil. Assim, os objetivos deste estudo foram revisar as literaturas brasileira e estrangeira sobre o estado da arte do PECS como um instrumento de ensino de linguagem a indivíduos com autismo e dificuldades de fala, apontar o que tem sido pesquisado, os resultados mais encontrados e direções para novos estudos, principalmente para a literatura brasileira. Quatro artigos foram encontrados na literatura estrangeira e seis na literatura brasileira. Dados referentes ao número de participantes, delineamento de pesquisa, duração do estudo, setting, fases implementadas, resultados encontrados, fidedignidade inter-observador e de procedimento, validade social, manutenção e generalização foram sumarizados. Os estudos revisados mostraram que, em consonância com a literatura, o PECS parece ser efetivo no ensino da comunicação a indivíduos com autismo ou com pouca fala funcional, apesar de o pequeno número de participantes de cada estudo indicar que o PECS é uma estratégia de ensino individual.

Sexualidade da pessoa com cegueira: da percepção à expressão

PID: S1413-65382013000400008 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2013
Autores: França
Este estudo teve por objetivo apreender como as pessoas com cegueira congênita percebem e expressam sua sexualidade. Participaram 11 pessoas ambos os gêneros, com idades entre 22 e 54 anos com nível educacional desde o fundamental até o superior incompleto. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas e sessões de grupo focal, com uso de gravador. As entrevistas e as sessões de grupo focal foram transcritas na íntegra e analisadas qualitativamente, através da técnica de análise de conteúdo, buscando uma articulação entre os dados empíricos e os referenciais teóricos. Emergiram duas categorias: Sexualidade: percepção da pessoa com cegueira; Expressão da sexualidade da pessoa com cegueira: obstáculos e perspectivas. Os depoimentos e as sessões grupais evidenciaram que as pessoas com cegueira percebem a sexualidade como algo importante, que envolve doação, intimidade, afirmação de gênero, podendo propiciar situações positivas em suas vidas. Para expressá-la se utilizam, em primeira instância, da voz, da fala, seguidos do toque, do cheiro, entre outros. Porém, foram apontados obstáculos, como o preconceito e a falta de informação sobre sexualidade direcionada para os cegos. Alguns dos participantes demonstraram otimismo em relação às perspectivas de mudanças, porém outros não vislumbram muitas mudanças, principalmente em relação ao preconceito. Consideramos que as questões sociais são os principais obstáculos para as pessoas com cegueira manifestarem seus sentimentos em relação à sexualidade, e que através da educação sexual poderemos minimizar muitos dos preconceitos em relação à expressão da sexualidade dessas pessoas.

Softwares educativos para alunos com deficiência intelectual: estratégias utilizadas

PID: S1413-65382013000200005 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2013
Autores: Pedro Chacon
O computador está presente no cotidiano escolar e sua utilização, por meio de softwares educativos, deve ser mediado e planejado para que esse recurso contribua para a aprendizagem dos alunos, inclusive aqueles com deficiência intelectual (DI). Sendo assim, tivemos por objetivo propor atividades específicas de informática para alunos com DI, por meio de softwares educativos, além de quantificar e analisar as estratégias técnicas e pedagógicas utilizadas. Participaram da pesquisa seis alunos categorizados como DI, matriculados em duas escolas públicas. Para coletar informações utilizamos protocolos de observação e diário de campo. Os dados foram analisados de maneira quantitativa e qualitativa, sendo estes baseados nos conceitos de mediação e zona de desenvolvimento proximal da teoria histórico-cultural. Os resultados indicaram que se os conteúdos trabalhados nas aulas de informática convergirem com as atividades propostas em sala de aula, os alunos com DI têm oportunidades de experienciar atividades diferenciadas que lhes possibilitem o sucesso. Observamos que foram as estratégias de ensino que possibilitaram aos alunos participantes compreender e realizar corretamente as atividades propostas. Dessa maneira, consideramos que os conhecimentos técnicos a respeito dos softwares educativos e os conhecimentos pedagógicos sobre o conteúdo que está sendo trabalhado, não são suficientes para que a atividade proposta contribua para o desenvolvimento de alunos com DI.

Síndrome de Down versus alteração de linguagem: interação comunicativa entre pais e filhos

PID: S1413-65382013000300004 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2013
Autores: Mayer Almeida Lopes-Herrera
É preciso interagir com outros seres humanos como meio de sobrevivência, proteção e estimulação, sendo que a comunicação nasce desta necessidade. A comunicação pode ser realizada por meio de códigos linguísticos e não-linguísticos e envolvem, no mínimo, duas pessoas (interlocutores), que trocam entre si uma mensagem qualquer. O objetivo do presente estudo foi investigar a interação de mães de crianças com síndrome de Down e seus filhos e mães de crianças com alteração de linguagem e seus filhos. Foram participantes da pesquisa cinco díades de crianças com síndrome de Down e suas mães e cinco díades de crianças com atraso de linguagem e suas mães. Foram gravadas três sessões de interação espontânea de mãe e criança em ambiente domiciliar. Os resultados mostraram que mães de crianças com atraso de linguagem apresentaram comportamentos mais adequados na interação com seus filhos, tais como equilíbrio da atividade dialógica durante a interação, estrutura gramatical e complexidade do discurso adequado, mais paciência com a criança e adequada entonação da fala. Por outro lado, mães de crianças com síndrome de Down demonstraram mais interesse durante a interação comunicativa.

Uma revisão sistemática de comportamentos pré- linguísticos e primeiros comportamentos linguísticos em crianças cegas congênitas

PID: S1413-65382013000300011 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2013
Autores: Sella Chiodelli Mendes
A ausência do desenvolvimento da linguagem pode resultar em diversos problemas. Uma população a qual pode ser bastante afetada por déficits de linguagem é a população nascida cega. O objetivo desta revisão sistemática da literatura foi compilar estudos empíricos que tiveram por alvo descrever e/ou avaliar o desenvolvimento de comportamentos pré- linguísticos e linguísticos iniciais em crianças cegas congênitas. Foram encontrados 19 estudos que possuíam todos os critérios definidos para esta revisão bibliográfica. Os 19 estudos foram analisados em relação: a) a quais bases de dados e periódicos publicaram e arquivam tais artigos; b) ao número de estudos envolvendo: primeiras palavras, alcançar e buscar objetos, atenção conjunta, e outros comportamentos linguísticos; à presença ou ausência de definições operacionais dos comportamentos-alvo; d) aos objetivos dos estudos. Os estudos foram publicados em 11 periódicos diferentes. A maior parte dos estudos tinha como foco as primeiras palavras dos participantes. Em relação às definições operacionais, 15 estudos possuíam alguma informação acerca de tal definição. O presente artigo sintetiza diversos estudos que abordam o desenvolvimento da linguagem em crianças cegas congênitas e pode ser utilizado como um guia para pesquisas futuras na área.

A comunicação alternativa como procedimento de desenvolvimento de habilidades comunicativas

PID: S1413-65382012000400009 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: Moreschi Almeida
O estudo teve como objetivo planejar, aplicar e avaliar os efeitos de um programa de intervenção sobre Comunicação Alternativa para o desenvolvimento de habilidades comunicativas de uma adolescente com deficiência intelectual. Participaram da pesquisa uma menina de 14 anos, com diagnóstico de deficiência intelectual e déficits na comunicação verbal, a mãe e a educadora da adolescente. Para verificar os efeitos da intervenção, foi utilizado o delineamento de sujeito único, do modelo AB. Nos resultados da avaliação pragmática, por meio do teste ABFW, ao comparamos o desempenho da participante antes e após a intervenção, verificou-se um aumento dos atos comunicativos e melhora significativa do conteúdo dialógico. Na Avaliação de Linguagem Receptiva e Expressiva, a participante obteve êxito em todos os itens da seção não verbal (pré e pós teste). Na seção verbal, após o processo de intervenção, a participante adquiriu a habilidade de imitar sons e iniciar diálogos. Na análise dos questionários aplicados aos pais e professora da adolescente, foi possível perceber alguns pontos de divergência quanto a habilidade em comunicar desejos e sentimentos e na execução de ordens dadas. Com o início do processo de intervenção, e com a introdução do Sistema de Comunicação Alternativa - PECS verificou-se que a participante passou a utilizar as figuras pictográficas como recurso comunicativo durante situações da vida diária. Embora a participante apresentasse comunicação verbal antes do início do processo de intervenção, essa comunicação não era eficiente durante as interações. Assim, a participante utilizou o Sistema de Comunicação como alternativa para aprimorar suas habilidades linguísticas, além de complementar sua comunicação oral.

A desconstrução do conceito de deficiência mental e a construção do conceito de incapacidade intelectual: de uma perspectiva estática a uma perspectiva dinâmica da funcionalidade

PID: S1413-65382012000400002 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: Sanches-Ferreira Lopes-dos-Santos Santos
As questões em torno da deficiência, da incapacidade e da funcionalidade tornaram-se, nas últimas décadas, importante foco de discussão e de elaboração conceitual, com a produção de um corpo de saberes que confere legitimidade científica a uma visão mais positiva e dignificante das condições de deficiência e de incapacidade. A premissa base dessa produção de conhecimento é a assunção da reciprocidade das relações indivíduo/meio, enquanto unidade nuclear de análise, onde a incapacidade é encarada, não como característica intrínseca da pessoa, mas como o resultado do desajustamento entre as funcionalidades do indivíduo e as solicitações dos cenários onde ele é chamado a participar. É nesta base que, neste artigo, nos propomos examinar as implicações que tais posicionamentos tiveram na desconstrução do construto de deficiência mental (mental retardation) e subsequente mudança para a designação incapacidade intelectual (intellectual disability), pela American Association of Intellectual and Developmental Disabilities. Para atingir esse propósito discutiremos a evolução do conceito de deficiência mental, explorando o território conceitual que o instituiu e aquele que contribui para a sua desconstrução. Por último, a enunciação teórica deste artigo pretende contribuir para demonstrar a interdependência existente entre modos de pensamento e modos de ação, e que no caso da Educação Especial é corporizado na aceitação progressiva do paradigma da inclusão.

A mulher com altas habilidades/superdotação: à procura de uma identidade

PID: S1413-65382012000400010 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: Pérez Freitas
Este artigo teve como objetivo revisitar a história de duas mulheres com Altas Habilidades/Superdotação, com idades de 47 e 50 anos, que foram identificadas já adultas e que ainda relutavam para se reconhecer, como pessoas com Altas Habilidades/Superdotação (PAH/SD). Pensamos que, escavando a história de vida delas, possamos entender algumas das razões que fazem com que as mulheres com AH/SD sejam identificadas em menor número, não reconheçam ou escondam os indicadores de AH/SD e custem a construir essa identidade específica de PAH/SD. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, do tipo estudo de caso, numa perspectiva longitudinal. Os instrumentos utilizados foram o QIIAHSD-Adultos aplicado em 3 oportunidades distintas - 2008, 2009 e 2011 - e uma entrevista semiestruturada. Constatamos que, nas participantes desta pesquisa, houve, ao longo dos anos, uma progressiva aceitação dos indicadores de AH/SD depois da identificação formal e, portanto de sua identidade como PAH/SD. As respostas indicam um processo de construção positivo da identidade como mulher com AH/SD, visto que, muitos indicadores que em 2008 não eram percebidos, em 2011, passam a ser incorporados no discurso e nas atitudes. Parte desse processo está alicerçado na troca com pares com AH/SD e na crescente discussão do tema; porém, é evidente que a identificação foi um fator decisivo na aceitação e reconhecimento das AH/SD por parte dessas mulheres. Esse fato nos leva a defender que, além do atendimento educacional especializado para os estudantes com AH/SD, já previsto na legislação, deveríamos pensar ainda em estratégias específicas para o atendimento à mulher com AH/SD.

Acertando o passo! Falar de deficiência mental é um erro: deve falar-se de dificuldade intelectual e desenvolvimental (DID). Por quê?

PID: S1413-65382012000100002 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: Santos Morato
A nova concepção e terminologia adotada pela língua inglesa no contexto da ainda designada "deficiência mental" parece ter alcançado um consenso estável e satisfatório face às expectativas que a sociedade deve esperar das populações com esse diagnóstico, enfatizando agora o impacto que as exigências do envolvimento detém no desenvolvimento individual, reforçando-se, assim, a necessidade emergente da alteração de mentalidades e atitudes para com estas populações. Para este efeito, o presente artigo introduz uma nova proposta de alteração da terminologia em português de deficiência mental/intelectual para “dificuldade intelectual e desenvolvimental”, explicitando e fundamentando as razões para a mesma.

Avaliação da acessibilidade domiciliar de crianças com deficiência física

PID: S1413-65382012000200011 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: Gasparoto Alpino
A abordagem biopsicossocial de deficiência considera que a incapacidade resulta tanto da interação entre disfunção, limitação das atividades e restrição na participação social do indivíduo, quanto dos fatores ambientais. A ausência de adaptações ambientais apropriadas prejudica a acessibilidade, desempenho e participação de indivíduos com deficiência física (DF). O principal objetivo deste estudo consistiu em avaliar a acessibilidade domiciliar de crianças com DF. Foi utilizado um checklist construído pelas pesquisadoras, que investigou desde barreiras arquitetônicas e adaptações no domicílio até necessidades de apoio dessas crianças. O preenchimento do checklist se deu por meio de visitas nas residências de cinco crianças participantes que apresentavam dificuldade de locomoção e usavam cadeira de rodas ou andador. As avaliações duraram em média 50 minutos e permitiram conhecer as condições de acessibilidade e participação das crianças em casa. Identificou-se carência de mobiliário e/ou recursos adaptados para as crianças, apesar da frequente indicação de necessidade de auxílio para a locomoção, higiene e vestuário. Dentre as barreiras universais avaliadas, predominou desníveis, aclives e pisos lisos nas rotas de acesso, inadequação da largura de portas de banheiros e apenas em uma residência o espaço de circulação era adequado em todos os cômodos. O conhecimento das condições de acessibilidade e participação das crianças possibilitou às pesquisadoras propor modificações/adaptações ambientais pertinentes. Embora a literatura destaque a estreita relação entre acessibilidade, funcionalidade, participação e qualidade de vida de pessoas com deficiência física, o estudo identificou precariedade de pesquisas e de instrumentos específicos de avaliação relacionados à acessibilidade do ambiente domiciliar.

Competências escolares e sociais em crianças e adolescentes com Síndrome de Williams

PID: S1413-65382012000300003 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: Hayashiuchi Segin Schwartzman Carreiro Teixeira
A Síndrome de Williams (SW) é uma doença genética e neurocomportamental causada por uma deleção hemizigótica de múltiplos genes na região cromossômica 7q11-23. Caracteriza-se por alterações cognitivas e comportamentais que interferem no ajustamento psicossocial. O objetivo do estudo foi verificar indicadores comportamentais de habilidades nas áreas social, escolar e de realização de atividades de um grupo de crianças e adolescentes com SW e sinais de desatenção e hiperatividade. A amostra foi composta por 22 crianças e adolescentes com diagnóstico clínico e genético de SW entre sete e 18 anos, média de idade 11,6 (desvio padrão 3,7) e suas respectivas mães. Os instrumentos de coleta de dados foram a Escala de Inteligência Wechsler para Crianças, o Inventário dos Comportamentos de Crianças e Adolescentes de seis a 18 anos e um Questionário que avaliou presença de sinais de desatenção e hiperatividade baseado nos critérios clínicos para Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade do Manual de Classificação Estatística dos Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria. Os principais resultados apontaram para um elevado número de sinais de desatenção e hiperatividade (90% do total da amostra pontuaram positivamente nesses sinais). Também foram verificados prejuízos graves nas habilidades e competências de desempenho escolar do grupo, diferentemente dos resultados positivos obtidos nas escalas de socialização e prática de esportes. Conclui-se que os resultados positivos encontrados na área social podem agir como fatores protetores para o desenvolvimento de problemas afetivos como isolamento, tristeza, sentimentos de solidão e baixa autoestima.

Concepções de professores sobre a temática das chamadas dificuldades de aprendizagem

PID: S1413-65382012000100007 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: Oliveira Santos Aspilicueta Cruz
Este estudo teve como objetivo identificar as concepções de professores, atuantes em anos e séries iniciais do Ensino Fundamental, sobre a temática das chamadas dificuldades de aprendizagem. Participaram da pesquisa dezesseis professores, com média de idade de quarenta e um anos. Destes, apenas um não possuía ensino superior. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas, individualmente, nas próprias escolas, com o apoio de um roteiro, contendo questões sobre: aspectos do funcionamento das turmas das instituições nas quais os professores atuavam; como identificar um aluno com dificuldades de aprendizagem; causas das dificuldades de aprendizagem e como poderia auxiliar um escolar com dificuldades de aprendizagem. Cada entrevista durou em média 50 minutos. As entrevistas foram transcritas na íntegra e submetidas à análise temática. Em seguida, foram designadas quatro categorias: caracterização da proposta educacional das instituições; concepções sobre a identificação de um aluno com dificuldades de aprendizagem; concepções sobre as causas das dificuldades de aprendizagem e possibilidades de auxílio para os escolares com dificuldades de aprendizagem. Os resultados indicaram que os principais fatores relacionados à caracterização dos alunos com dificuldades de aprendizagem foram de origem cognitiva. Os dados apontaram também que esses profissionais tomaram como base, de modo marcante, os aspectos familiares para centrarem as causas das dificuldades de aprendizagem e, consequentemente, atribuíram à família a maior parcela de responsabilidade na resolução de tais situações. Os dados permitiram concluir, dentre outros aspectos, que as escolas participantes da pesquisa relataram uma prática contrária aos pressupostos da Educação Inclusiva, denotada pela tentativa de homogeneização das turmas.

Concepções de professores sobre inclusão escolar e interações em ambiente inclusivo: uma revisão da literatura

PID: S1413-65382012000400011 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: Silveira Enumo Rosa
A educação inclusiva tem sido um desafio para diferentes profissionais que trabalham na promoção do desenvolvimento de alunos com deficiência. Estes têm a escola como um espaço fundamental para promover o desenvolvimento social, emocional e acadêmico, a partir de oportunidades de vivências estimuladoras da interação e mediação para a aprendizagem de significados e sentidos e que contribuem para processos de resiliência. Este estudo analisou o conteúdo de publicações nacionais da última década (2000-2010) sobre concepções de professores a respeito da inclusão de alunos com alguma necessidade educativa especial (NEE) e interações no contexto educacional inclusivo, também identificando fatores facilitadores e impeditivos da efetivação das diretrizes educacionais existentes. Após busca sistemática na Biblioteca Virtual em Saúde - Psicologia (BVS-PSI), com as palavras-chave: professor, educação inclusiva, interação, educação especial, escola, aprendizagem, concepções, deficiência intelectual, mediação, desenvolvimento e relacionamento, 29 artigos foram recuperados e lidos na íntegra. Verificou-se um predomínio de autores da área da Psicologia e de coletas de dados realizadas via entrevista e questionário. Os estudos apresentaram concepções sobre deficiência ligadas a características individuais que causam limitações. A falta de apoio de equipe especializada, de materiais didáticos e assistivos, de formação e preparo foram apontados como principais fatores que dificultam a efetivação dos princípios inclusivos. A literatura mostra a necessidade de capacitação dos professores. Diante disso, sugerem-se novos estudos sobre a saúde do professor e suas concepções sobre a inclusão escolar, além da necessidade de intervenções escolares baseadas na problematização dos determinantes sociais e históricos associados às deficiências apresentadas e ao mal-estar docente.

Concepções maternas sobre o desenvolvimento da criança deficiente visual

PID: S1413-65382012000200008 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: Medeiros Salomão
Este estudo teve por objetivo apreender as concepções maternas sobre o desenvolvimento de crianças deficientes visuais (cegueira e baixa visão severa), na faixa etária dos dois aos sete anos de idade. Participaram dez mães, com idades entre 22 e 39 anos e com nível educacional igual ou superior ao ensino fundamental completo. Foram realizadas entrevistas estruturadas com uso de um gravador digital e de um roteiro de perguntas com questões sobre o desenvolvimento da criança bem como sobre a percepção materna a respeito do momento do diagnóstico e suas implicações. As entrevistas foram transcritas integralmente e analisadas à luz da análise de conteúdo categorial temática, com categorias que foram definidas a partir do objetivo do estudo e dos discursos maternos. Quatro categorias foram elaboradas: detecção da deficiência visual; reações frente à descoberta da deficiência visual; avaliação das características da criança, a partir das subcategorias: motor, linguística e das relações sociais e a percepção do desenvolvimento atual da criança deficiente visual. As verbalizações maternas evidenciaram que o atendimento especializado desde cedo é importante para lidar com as possíveis expectativas em relação ao desenvolvimento infantil. Considera-se, portanto, que o acesso às concepções maternas é relevante, haja vista que estas concepções podem revelar o modo como as mães interagem com os filhos. Sugere-se que novos estudos sejam realizados e que contemplem tanto as concepções maternas sobre o desenvolvimento infantil, mas que também analisem a interação mãe-criança com deficiência visual, para subsidiar a elaboração de programas de intervenção.

Contagem numérica em estudantes com síndromes de X-Frágil e Prader-Willi

PID: S1413-65382012000200005 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: Rosso Dorneles
As dificuldades de aprendizagem matemática constituem um campo bastante complexo e ainda relativamente pouco explorado. Pesquisas com síndromes associadas ao baixo desempenho matemático indicam que há diferentes perfis cognitivos subjacentes às dificuldades na matemática e nos mostram que nem toda dificuldade de aprendizagem matemática é originada da mesma maneira. Este estudo teve como objetivo investigar as características dos princípios da contagem numérica em dois estudantes: um com síndrome do X-Frágil (SXF) e outro com síndrome de Prader-Willi (SPW). Foram feitas observações em sala de aula e no espaço escolar e investigaram-se os princípios numéricos em cinco situações matemáticas diferentes com intenção de observar os seguintes princípios numéricos: correspondência um a um, ordem constante, cardinalidade, abstração e irrelevância da ordem. Concluiu-se que o princípio da correspondência um a um (termo a termo) mostra-se em desenvolvimento mais lento do que nas crianças da mesma faixa etária, enquanto que os princípios da abstração e irrelevância da ordem são os menos desenvolvidos nas duas crianças estudadas. Crianças com estas síndromes estão em salas de aulas regulares e o conhecimento sobre suas habilidades cognitivas e sua apropriação de conceitos e conteúdos matemáticos se torna necessário para garantir uma inclusão que favoreça o sucesso matemático.

Deficiência visual nas crianças indígenas em idade escolar das etnias Guarani e Kaiowá na região da Grande Dourados/MS: um estudo sobre a incidência e as necessidades específicas e educacionais especiais

PID: S1413-65382012000400007 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: Sá Bruno
Pesquisas sobre deficiência visual nas populações indígenas das etnias Guarani e Kaiowá são escassas. O objetivo geral deste estudo consistiu em mapear a deficiência visual entre os escolares indígenas da Região da Grande Dourados, MS. Os objetivos específicos foram: identificar os escolares indígenas com baixa visão e cegueira nas escolas indígenas; caracterizar as causas da deficiência visual nessa população; descrever as necessidades específicas e educacionais especiais dos escolares indígenas com deficiência visual. Os procedimentos para coleta de dados foram: observação de campo e triagem ocular de seis mil escolares; avaliação oftalmológica, funcional da visão, das necessidades específicas e educacionais especiais dos escolares identificados. Os resultados indicaram alta incidência de deficiência visual entre a população estudada: nove cegos, dos quais quatro não têm acesso à educação; dos sete com baixa visão, três estão fora da escola; um deles apresenta deficiência múltipla. As causas prevalentes foram atrofia óptica e alteração retiniana. As avaliações apontam adequações relativas: distância de discriminação de objetos, gravuras, obstáculos; compensação do campo visual para locomoção e atividades diárias; adaptação de materiais pedagógicos quanto aos contrastes, tamanho de letras, cores e o controle da iluminação; necessidades de recursos ópticos especiais e não ópticos. Conclui-se que a efetivação do direito à saúde e à educação entre os escolares indígenas é ignorada pelo poder público, observa-se múltipla negação de direitos: a combinação da pobreza com a deficiência, a falta de acesso à saúde ocular e ao Atendimento Educacional Especializado.
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