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Educação a distância e formação continuada do professor

PID: S1413-65382012000400006 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: Rodrigues Capellini
Tem sido significativo o papel da Educação a Distância (EaD) na formação continuada de docentes. Assim, esta pesquisa teve como objetivo levantar e analisar dados em relação à sua utilização para formação continuada de professores quanto ao processo de inclusão da pessoa com deficiência. Construído e aplicado questionário semiestruturado, participaram da pesquisa 182 alunos do Curso a distância da Unesp-Bauru/SP, realizado em parceria com o Ministério da Educação. Os resultados indicam que a flexibilidade de horário e o atendimento a grande número de alunos, em diferentes áreas geográficas, destacam-se como pontos positivos desta modalidade, porém, para seu sucesso, é necessária a formação adequada dos formadores/tutores na utilização das novas ferramentas no processo de ensino-aprendizagem, sendo imprescindível que os alunos tenham a sensação de serem assistidos em todos os momentos, contribuindo para a construção da comunidade virtual e efetivando, na Educação a Distância, a formação de qualidade.

Eduquito: ferramentas de autoria e de colaboração acessíveis na perspectiva da web 2.0

PID: S1413-65382012000300007 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: Santarosa Conforto Basso
O Eduquito, ambiente digital/virtual de aprendizagem desenvolvido pela equipe de pesquisadores do NIEE/UFRGS, busca apoiar processos de inclusão sociodigital, por ser projetado em sintonia com os princípios de acessibilidade e de desenho universal, normatizados pela WAI/W3C. O desenvolvimento da plataforma digital/virtual acessível e os resultados da utilização por pessoas com deficiências são discutidos, revelando um processo permanente de verificação e de validação dos recursos e da funcionalidade do ambiente Eduquito junto a diversidade humana. Apresentamos e problematizamos duas ferramentas de autoria individual e coletiva - a Oficina Multimídia e o Bloguito, um blog acessível -, novos recursos do ambiente Eduquito que emergem da aplicabilidade do conceito de pervasividade, buscando instituir espaços de letramento e impulsionar práticas de mediação tecnológica para a inclusão sociodigital no contexto da Web 2.0.

Effect of practicum experiences on pre-professional physical education teachers’ intentions toward teaching students with disabilities in general physical education

PID: S1413-65382012000300002 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: Ellis Lepore Lieberman
O objetivo deste estudo foi examinar o efeito de experiências práticas nas intenções dos professores de educação física não capacitados com relação ao trabalho com pessoas com deficiência. Participaram da pesquisa professores de educação física matriulados como estudantes em programas de capacitação (PETE) em suas respectivas universidades, categorizados com base no nível de experiência prática. Num período de três anos, 596 alunos PETE preencheram o questionário PEITID - Physical Educators' Intention toward Teaching Individuals with Disabilities (Rizzo, 2007). Foram encontradas diferenças significativas entre os grupos que tinham a intenção de ensinar alunos com deficiência em turmas regulares de educação física. Além disso, as intenções mais positivas entre os professores não capacitados com mais experiência prática se relacionam com a maior Qualidade de Experiência e Competência por eles Percebida. Os resultados deste estudo indicaram que o nível e a qualidade da experiência prática influenciaram significativamente nas intenções dos professores não capacitados e na competência para o ensino de pessoas com deficiência.

Escolares com baixa visão: percepção sobre as dificuldades visuais, opinião sobre as relações com comunidade escolar e o uso de recursos de tecnologia assistiva nas atividades cotidianas

PID: S1413-65382012000200009 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: Ferroni Gasparetto
Este trabalho teve como objetivos conhecer a percepção de escolares com baixa visão (visão subnormal) em relação à suas dificuldades visuais, suas opiniões sobre a relação com a comunidade escolar e o uso de recursos de Tecnologia Assistiva nas atividades cotidianas. Realizou-se pesquisa quantitativa, tipo transversal, utilizandose roteiro estruturado aplicado por entrevista, no ano de 2010, a 19 escolares que situavam-se na faixa etária entre 12 e 17 anos, que eram frequentadores dos serviços de Habilitação e ou Reabilitação Visual nos municípios de Campinas e Ribeirão Preto e que estavam matriculados no Ensino Fundamental II e Médio. Verificou-se que 94,7% dos entrevistados apresentavam baixa visão congênita e 5,3% a adquirida, sendo 52,6% do sexo feminino e 47,4% do sexo masculino. Os resultados demonstraram que 94,7% declararam ter dificuldades visuais na escola destacando-se as dificuldades para enxergar a lousa (33,3%), ler dicionário (22,2%) e realizar leitura de livros (16,7%). Enfatizando as relações com a comunidade escolar, a maioria dos escolares (79,0%) afirmou ter bom relacionamento com os professores, 68,4% indicaram possuir boa relação colaborativa com os colegas de classe e 52,4% informaram não possuir relacionamento com a direção, coordenação e outros professores. Sobre o uso de recursos de Tecnologia Assistiva, prevaleceu a informática, sendo que 76,7% utilizam recursos específicos para baixa visão. Verificou-se que a maioria dos alunos possui bom relacionamento com professores e colegas de classe. Em relação a autopercepção das dificuldades visuais, sobressaíram as dificuldades acadêmicas, dificuldades de locomoção e de lazer como assistir televisão.

Estudo da independência funcional, motricidade e inserção escolar de crianças com paralisia cerebral

PID: S1413-65382012000400005 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: Rézio Cunha Formiga
A Paralisia Cerebral (PC) é uma condição clínica que gera alta prevalência de sequelas funcionais. As crianças com este diagnóstico podem apresentar diversos problemas nas atividades funcionais e no controle dos movimentos voluntários. O objetivo deste trabalho foi analisar o nível de independência funcional, motricidade e inserção escolar de crianças com PC. A amostra foi composta por 14 crianças com idade entre um a 11 anos que frequentam regularmente o Setor Clínico da Associação Pestalozzi de Goiânia, seus respectivos pais e/ou responsáveis e professores do ensino escolar. Os resultados mostraram que quanto maior o nível de independência funcional e melhor o desempenho na função motora grossa das crianças com Paralisia Cerebral, menor é a assistência fornecida pelos cuidadores e menos adaptações são necessárias para que essas crianças realizem as tarefas do ensino escolar. É importante uma parceria entre os profissionais da saúde com os professores, através de orientações e contribuições, no que for necessário para a inclusão escolar das crianças com deficiência.

Formação de professores por meio de pesquisa colaborativa com vistas à inclusão de alunos com deficiência intelectual

PID: S1413-65382012000200010 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: Toledo Vitaliano
Este estudo teve o objetivo de investigar a eficácia de um programa de formação de professores numa Escola Estadual de Ensino Fundamental II do Estado do Paraná, com vistas a favorecer o processo de inclusão de alunos com deficiência intelectual (DI). Os pressupostos teóricos se pautaram nos fundamentos do movimento de inclusão educacional, especialmente em relação às práticas pedagógicas inclusivas. O método utilizado seguiu a sistematização da pesquisa colaborativa. Foram participantes duas professoras, cada uma com um aluno com diagnóstico de DI, em uma das turmas em que lecionavam. Os procedimentos para coleta dos dados ocorreram em três fases: 1ª) levantamento junto às professoras participantes sobre seus conhecimentos acerca do processo de inclusão de alunos com DI e observações em sala de aula de suas práticas; 2ª) desenvolvimento de procedimentos de intervenção - ciclos de estudos sobre o processo de inclusão educacional, análises reflexivas sobre as práticas pedagógicas desenvolvidas durante as aulas e participação da pesquisadora em sala de aula, auxiliando no atendimento aos alunos com DI -, baseados na pesquisa colaborativa; 3ª) entrevista junto às participantes com o objetivo de avaliar os procedimentos desenvolvidos. Os resultados evidenciaram melhoria da qualidade do processo de inclusão dos alunos com DI e ampliação dos conhecimentos teóricos e práticos acerca da educação inclusiva pelos professores. Comprovou-se, também, que o trabalho colaborativo desenvolvido entre professores do ensino regular e professor especialista em Educação Especial é efetivo para favorecer o processo de inclusão de alunos com DI.

Inclusão de crianças com deficiência na escola regular numa região do município de São Paulo: conhecendo estratégias e ações

PID: S1413-65382012000100010 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: Briant Oliver
A inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais no ensino regular depende da preparação da comunidade escolar para promover a participação de todos os alunos. Foi objetivo deste estudo conhecer, do ponto de vista do professor do ensino fundamental da rede pública municipal, as estratégias pedagógicas que utilizavam para a inclusão de crianças com deficiência na classe comum. Para isso foram realizadas entrevistas semiestruturadas individuais e, posteriormente, grupais com 11 professores de cinco escolas, um representante do Centro de Formação e Acompanhamento à Inclusão e um coordenador pedagógico. As entrevistas foram gravadas e transcritas. Após diversas leituras foi possível identificar como temáticas principais: sentidos e imaginários do professor sobre a deficiência, formação do professor para efetivação do processo de inclusão, bem como a utilização de estratégias pedagógicas diferenciadas e formação de rede de apoio na escola. Os entrevistados utilizavam estratégias gerais como aula expositiva, debates, e específicas como: avaliação dos alunos, adaptação do material, atividades em duplas, parceria com o professor da sala de apoio e acompanhamento à inclusão. Parte dos entrevistados trouxe uma visão com relação aos alunos com deficiência permeada de possibilidades, acreditando no potencial de aprendizagem dos mesmos, enquanto para outros, o discurso centrou-se, sobretudo, na impossibilidade da aprendizagem. Os docentes identificaram a necessidade de apoio institucional para seu trabalho, incluindo possibilidades de formação a partir das demandas cotidianas. Responder às necessidades levantadas é parte dos desafios para implementar a Educação Inclusiva na perspectiva da Educação para Todos, para a efetivação dos direitos de crianças com necessidades educacionais especiais.

Inclusão escolar de crianças com síndrome de down: experiências contadas pelas famílias

PID: S1413-65382012000100009 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: Luiz Nascimento
Este trabalho teve como objetivo explorar as experiências de famílias no processo de inclusão de crianças com síndrome de Down na rede regular de ensino. O objetivo foi conhecer as potencialidades e limitações vividas por essa clientela, no período de transição da instituição especializada para a escola regular e, assim, levantar as necessidades de cuidado, com vistas à promoção de saúde dessas famílias. Trata-se de um estudo de casos múltiplos, de abordagem qualitativa. Participaram da pesquisa 11 mães e um pai de crianças com Síndrome de Down, cujas crianças frequentaram uma instituição especializada e foram encaminhadas para a rede regular de ensino de um município do interior paulista. Os resultados evidenciaram a necessidade de acompanhamento das famílias, antes, durante e após a inclusão propriamente dita, de modo a apoiá-las nos momentos de busca e escolha da escola, de adaptação da criança ao novo ambiente e de transição dos atendimentos oferecidos pela instituição especializada para outros setores. O conhecimento produzido neste estudo tem a intenção de tornar o processo de inclusão da criança com Síndrome de Down, na rede regular de ensino, uma etapa a ser vivida por ela e sua família da melhor forma possível, sentindo-se preparadas e acolhidas.

Interação de um aluno com paralisia cerebral com colegas de classe durante atividades lúdicas

PID: S1413-65382012000400004 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: Pasculli Baleotti Omote
Objetivou-se verificar a qualidade das relações interpessoais que se estabelecem entre uma criança com paralisia cerebral (PC) e seus colegas de classe durante atividades lúdicas em grupo realizadas em sala de aula e durante o recreio. Participaram deste estudo uma criança com diagnóstico clínico de PC quadriplégica, o professor e seus colegas de classe. A coleta de dados deu-se por meio de um roteiro de entrevista aplicado ao professor e por filmagens da criança com PC em atividades lúdicas com seus colegas. A análise de dados da entrevista foi feita de forma qualitativa e a análise da filmagem por meio de um sistema de categorias. Os resultados evidenciam que a professora tem a percepção de que a criança com PC tem interesse e participa de atividades lúdicas e interage satisfatoriamente não somente com parceiros habituais, mas com todos os colegas de classe. Por outro lado, a análise das filmagens evidencia que de fato a interação ocorre positivamente, porém a criança com PC permanece a maior parte do tempo mais como observadora das atividades do que como participante ativa, possivelmente em função da lacuna entre as possibilidades dessa criança e as demandas das atividades desenvolvidas no contexto escolar.

Interações familiares: observação de diferentes subsistemas em família com uma criança com Síndrome de Down

PID: S1413-65382012000200003 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: Grisante Aiello
Estudos sobre as interações familiares de crianças com Síndrome de Down (SD) são escassos e enfatizam, quase exclusivamente, interações da mãe com a criança, apesar de a literatura ressaltar a importância de se incluir vários subsistemas familiares para um entendimento mais amplo da dinâmica familiar. Adicionalmente, são diversos os fatores que podem alterar a dinâmica de funcionamento da família e a qualidade das interações entre seus membros ao se considerar o impacto gerado pela chegada de um membro com deficiência na família. Diante disso, esta pesquisa teve como objetivos: descrever os padrões da interação entre uma criança com SD e seus familiares (pai, mãe, avó materna, irmã) em função dos subsistemas diádicos, triádicos e poliádicos; e caracterizar alguns fatores que possivelmente têm influência sobre os padrões de interação: nível socioeconômico, níveis de estresse, rede de apoio e ajustamento marital. Foram utilizados instrumentos de relato e realizadas sessões de observação das interações entre os familiares em situações de livre escolha. Os resultados indicam que membros da família são as principais fontes de apoio social, os familiares possuem baixos índices de stress e um bom ajustamento marital. As interações ocorreram predominantemente em 'Grupo', com 'Amistosidade', 'Sincronia' e 'Supervisão', sendo a maior parte das atividades 'Lúdicas', seguidas por 'Conversar'.

Justaposições: o primeiro dicionário brasileiro de língua de sinais e a obra francesa que serviu de matriz

PID: S1413-65382012000400003 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: Sofiato Reily
Este estudo documental buscou investigar a constituição em 1875 do primeiro dicionário de língua de sinais do Brasil, a "Iconografia dos Signaes dos Surdos-Mudos", cujo autor, Flausino José da Costa Gama, fora aluno do Imperial Instituto dos Surdos-Mudos no Rio de Janeiro. Essa publicação foi analisada à luz da obra de Pierre Pélissier, surdo francês, que produziu uma obra anterior, a qual Flausino reproduziu na íntegra. A compreensão de como se constituiu a publicação deste dicionário exigiu a contextualização histórica da educação do surdo, e a pesquisa sobre a expansão dos processos de produção litográfica na segunda metade do século XIX. As duas obras foram analisadas quanto a aspectos gerais, forma de indexação lexical, verificação dos sinais que perduraram (38 entre 382), erros de tradução do francês para o português e o que estes verbetes nos dizem sobre os preceitos morais e religiosos subjacentes à educação do surdo à época. A conclusão destaca a importância da iniciativa de propagar da língua brasileira de sinais, com a primeira tentativa de registro há cento e trinta e sete anos atrás.

Necessidades especiais de escolares com diabetes mellitus tipo 1 identificadas por familiares

PID: S1413-65382012000300006 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: Braga Bomfim Sabbag Filho
É um desafio atender aos alunos, em suas diversas necessidades especiais. Diferentemente das deficiências, há poucas pesquisas no Brasil sobre estudantes com doenças crônicas e suas especificidades, na escola. O objetivo do presente estudo foi identificar as necessidades especiais de escolares com diabetes mellitus tipo 1. Participaram 37 familiares de escolares em tratamento ambulatorial de uma faculdade paulista, por meio de entrevista semiestruturada, gravada em áudio e transcrita para análise. Os resultados mostraram que todos comunicaram a escola a respeito da doença do filho, mas, mesmo assim, 29,7% relatam dificuldade de inclusão ou acesso à escola, como desconhecimento do professor para o controle do diabetes, merenda escolar inadequada, preconceito dos colegas e da diretora ou vergonha por parte do aluno. As faltas ocorrem com 70,3% dos alunos, principalmente devido às consultas médicas. Necessidades especiais foram identificadas por 32,4%, incluindo a alimentação, o desempenho escolar e a necessidade de profissionais da escola mais bem informados sobre a doença. Além disso, 72,9% referem algum tipo de apoio para enfrentar o diabetes, principalmente de profissionais de saúde. Dos familiares, 51,3% apresentam sugestões para um melhor desenvolvimento do filho na escola, incluindo alimentação escolar adequada e melhor preparo da escola para lidar com o diabetes, como palestras e treinamento aos professores. Sugerimos a aproximação entre a escola e a área da saúde, porém, o primeiro passo para a integração intersetorial é identificar as necessidades desses alunos com doenças crônicas, como foi possível com este trabalho, ao enfocar o diabetes mellitus e suas repercussões escolares.

O desenvolvimento de crianças cegas e de crianças videntes

PID: S1413-65382012000300010 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: França-Freitas Gil
O objetivo do presente estudo foi apresentar o desenvolvimento geral e o desenvolvimento em áreas específicas (cognição, linguagem, desenvolvimento motor, autocuidados e socialização) de uma criança cega que recebeu estimulação constante e especializada de outra criança cega que recebeu apenas estimulação assistemática e de crianças cegas com crianças videntes. Participaram deste estudo duas crianças cegas e duas crianças videntes do sexo masculino com até seis anos de idade, matriculadas em salas regulares de duas escolas públicas. O instrumento utilizado para coleta de dados foi o Inventário Portage Operacionalizado. Os dados foram analisados com base no cálculo da reta de regressão do desenvolvimento global e nas cinco áreas específicas. A partir dessas análises, verificou-se que recebendo estimulação constante e especializada a criança cega apresenta desempenhos semelhantes aos de uma criança vidente no ambiente escolar. Com base nas avaliações realizadas dos desempenhos das crianças cegas, ressalta-se que ao contrário da criança cega que recebeu estimulação constante e especializada e obteve desenvolvimento esperado para sua faixa-etária, a criança que recebeu apenas estimulação assistemática, apresentou acentuados atrasos de desenvolvimento em todas as áreas observadas. É possível supor que havendo apenas comprometimento visual, as crianças cegas devidamente estimuladas desde os primeiros anos de vida podem apresentar níveis de desenvolvimento esperados para a faixa etária. De modo geral, os resultados desse estudo, embora não permitam generalizações em função da pequena amostra, evidenciam importantes aspectos do desenvolvimento de crianças cegas e crianças videntes, contribuindo para enriquecer a literatura a respeito dessa temática.

O intérprete de língua de sinais no contexto da educação inclusiva: o pronunciado e o executado

PID: S1413-65382012000300004 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: Dorziat Araújo
Este estudo busca problematizar o papel do Tradutor-Intérprete de Língua de Sinais (TILS) no espaço de escolarização com estudantes surdos incluídos. A escolha deste tema é justificada pela importância deste profissional no contexto da atual política de inclusão de surdos, a qual é refletida no reconhecimento de sua profissão, a partir de lei específica. A pesquisa foi realizada em cinco escolas estaduais, sendo duas do Ensino Fundamental II e três do Ensino Médio, que contavam com a presença do nas salas de aula. Com o objetivo de analisar a atuação deste profissional, foram realizadas entrevistas com 13 intérpretes e feitas observações de suas atuações, durante três meses. Os dados obtidos mostraram que, apesar de este profissional já se fazer presente há alguns anos nas escolas pesquisadas, havia muita confusão em torno de seu papel e, em consequência, a sua atuação era descaracterizada. Isso ficou patente no confronto entre o pronunciado e o executado pelos TILS pesquisados. Enquanto parecia haver um discurso coeso e bem elaborado sobre a profissionalização do TILS, notamos, na prática, certo esvaziamento de pressupostos que dariam significado à educação de surdos. Entre eles, consideramos questionável o estabelecimento de uma configuração educacional que delegava ao TILS a responsabilidade pedagógica com os surdos, pois isso reforçava a condição de passividade dos surdos ante uma matriz curricular construída para os padrões ouvintes. Essa situação era agravada pelas lacunas existentes em termos de compromisso profissional dos TILS.

O ponto de vista de pais e professores a respeito das interações linguísticas de crianças surdas

PID: S1413-65382012000100003 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: Schemberg Guarinello Massi
Diversos estudos atuais têm revelado que a surdez deve ser reconhecida como diferença, especialmente no que diz respeito aos aspectos linguístico-discursivos. Contudo, crianças surdas vêm enfrentando, na família e na escola, barreiras linguísticas com implicações nas suas possibilidades de inclusão social. Nessa direção, o presente trabalho objetiva analisar o ponto de vista de pais e professores a respeito das interações lingüísticas de crianças surdas no âmbito familiar e escolar, considerando o contexto da inclusão. Foram entrevistados doze familiares (quatro pais e oito mães) de crianças surdas que frequentam o ensino regular e foi aplicado um questionário junto a doze professores dessas mesmas crianças. Os resultados apontam que nem os familiares nem os professores usam a língua de sinais para interagir com os surdos, gerando interações linguísticas restritas e pouco efetivas. Além disso, percebeu-se que familiares e professores apresentam um desconhecimento acerca da surdez, da língua de sinais e das consequências da surdez para o surdo.

Participação de crianças com paralisia cerebral nos ambientes da escola

PID: S1413-65382012000100004 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: Silva Martinez Santos
Diante do amplo debate acerca da inclusão do educando com necessidades especiais em escola regular, esta pesquisa teve como objetivo descrever a participação da criança com paralisia cerebral nas atividades funcionais nos diferentes ambientes da escola, a partir da percepção de seus professores. Participaram deste estudo 10 professores e seus respectivos alunos com paralisia cerebral do município de São Paulo. Foi realizada a aplicação da parte I da School Function Assessment junto aos professores, a fim de examinar o nível de participação do aluno em seis ambientes da escola: sala de aula, pátio/recreio, transporte para e da escola, banheiro, transições para/da sala de aula e hora da refeição/ lanche. O Teste de Friedman e o Teste de Wilcoxon para duas populações correlatas foram utilizados para identificar diferenças significativas entre os escores obtidos na participação nos ambientes. Os resultados apontaram diferenças significativas nos escores da participação nos ambientes Transporte e Pátio/Recreio, Transporte e Transições, Transporte e Classe, Transporte e Lanche, Banheiro e Classe, Banheiro e Lanche. As crianças tiveram boa participação na classe, porém, a presença de barreiras arquitetônicas interferiu no desempenho de tarefas no banheiro, como sentar-se no vaso sanitário e levantar-se dele, lavar as mãos, assim como o transporte não adaptado. Notou-se, ainda, que recursos para mobilidade, como andador ou muletas, consistiram em importantes facilitadores da participação no pátio/recreio e transições. Esta pesquisa evidenciou a necessidade de ações de esferas governamentais para implementação de adaptações ambientais nas escolas, especialmente aquelas relativas aos transportes e transições.

Percepção de conflito em uma família recasada constituída por um filho com paralisia cerebral

PID: S1413-65382012000100011 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: Freitas Silva Pontes
O aumento no número de separação/divórcio favorece o surgimento de novas estruturas familiares. Nesse sentido, o recasamento desponta como uma possibilidade de ordenamento do grupo familiar, que impõe à nova família uma reorganização, sobretudo nas vidas afetiva, social e econômica, assim como maior flexibilidade para negociar questões de associação, espaço, autoridade e tempo. O objetivo deste artigo foi descrever a estrutura e a dinâmica de uma família recasada, na qual há uma criança com paralisia cerebral, a partir de suas representações acerca de situações de conflito. Neste estudo de caso, foi pesquisada uma família, constituída, por três membros, mãe, filho e padrasto; foram aplicados um roteiro de entrevista semiestruturado e o Family System Test (FAST). Os escores obtidos no FAST demonstraram proximidade na díade mãe-filho e distanciamento na díade padrasto-enteado, com a hierarquia concentrada na mãe; quanto à flexibilidade das fronteiras, a percepção do casal indicou fronteiras rígidas tanto no sistema familiar quanto no parental, diferenciando-se da percepção do filho sobre o sistema familiar com uma fronteira difusa. Portanto, alguns fatores destacados na literatura e presentes nessa família como: diferença no ciclo de vida do casal; pouco tempo de união; bagagem emocional entre mãe e filho, associados às demandas de cuidado da criança, seus recursos biopsicológicos e disposições; configuraram um padrão rígido, com baixa flexibilidade, o que dificulta a inserção do padrasto no grupo e, consequente, assunção de co-paternidade nos cuidados e criação do enteado.

Programa informativo sobre deficiência mental e inclusão: mudanças nas atitudes socias de crianças sem deficiência

PID: S1413-65382012000200007 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: Vieira Denari
A educação inclusiva depende de um ambiente escolar acolhedor e adequado às necessidades de todos. Assim, as investigações das atitudes sociais na escola e das intervenções para modificá-las são fundamentais. Os objetivos desta pesquisa foram analisar concepções, sentimentos e atitudes de crianças não-deficientes sobre a deficiência mental e a inclusão e avaliar os efeitos de um programa informativo que trata da temática. Participaram do estudo quarenta crianças de duas salas de primeira série de uma escola estadual de Marília-SP. Uma das salas participou como grupo controle. Todas as crianças passaram por um pré e um pós-teste, na forma de entrevistas individuais sobre o tema e de aplicação de uma escala infantil de atitudes sociais em relação à inclusão. O grupo experimental participou do programa informativo, composto por treze encontros semanais, nos quais foram discutidas as limitações e as possibilidades das pessoas com deficiência mental, o atendimento especializado, sua escolarização e aspectos familiares e sociais, utilizando estratégias lúdicas e educacionais variadas. Os dados coletados nas entrevistas foram categorizados e analisados em seu conteúdo. Com a escala, foram obtidos escores individuais. Foram realizados cálculos estatísticos para verificar a significância das diferenças entre os grupos. Neste trabalho são discutidos os dados obtidos com a escala e o cruzamento destes com dados das entrevistas. Os resultados das entrevistas e da escala indicaram diversas mudanças nas atitudes das crianças em relação à inclusão, porém as relações entre vários destes dados não puderam ser afirmadas estatisticamente. Tendo em vista esses resultados, permanece a necessidade de ampliação das pesquisas sobre as relações entre os fenômenos apresentados.

Psicologia e inclusão escolar: novas possibilidades de intervir preventivamente sobre problemas comportamentais.

PID: S1413-65382012000100005 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: Silva Mendes
No contexto da inclusão educacional, um papel que parece promissor para o psicólogo escolar é o de prestar Consultoria Colaborativa Escolar, atuando em parceria com professores e familiares. O objetivo do estudo foi avaliar os efeitos de um programa de intervenção preventiva, baseado nos modelo de Consultoria Colaborativa Escolar e Suporte Comportamental Positivo, voltado para prevenir e minimizar problemas comportamentais. O estudo foi realizado em três salas de aula do primeiro ano de uma escola municipal de ensino fundamental, localizada no interior do estado de São Paulo, e contou com a participação das três professoras das salas e seus 55 alunos. O estudo foi conduzido em quatro etapas. Na Etapa 1, foram realizados os procedimentos éticos. Na Etapa 2, foi aplicado o Inventário dos Comportamentos de Crianças e Adolescentes 6-18 anos/Relatório para Professores (TRF), junto às professoras. Na Etapa 3, o programa de intervenção preventiva foi implementado e teve como alvo as professoras e os alunos. Por fim, na Etapa 4, o TRF foi reaplicado. Para avaliar o impacto da intervenção, foi aplicado o teste MANOVA nos resultados obtidos. Em relação ao comportamento dos alunos, houve diminuição estatisticamente significativa nos comportamentos do tipo internalizante, externalizante e nos problemas totais. Esse resultado, além de indicar que a aplicação dos modelos de Consultoria Colaborativa Escolar e de Suporte Comportamental Positivo pode ser efetiva, aponta para o fato de que tais modelos podem ser utilizados por psicólogos escolares em intervenções preventivas voltadas para prevenir e minimizar problemas de comportamento na escola.

Qualidade de vida de cuidadores de pessoas com necessidades especiais

PID: S1413-65382012000100008 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2012
Autores: Braccialli Bagagi Sankako Araújo
A qualidade de vida de cuidadores é algo que preocupa, pois afeta diretamente a qualidade de vida do indivíduo dependente desses cuidados. Este estudo teve como objetivo analisar e comparar a qualidade de vida em saúde de cuidadores de pessoas com necessidades especiais em atendimento em uma instituição de reabilitação. Participaram 90 cuidadores principais de pessoas com necessidades especiais em atendimento em uma instituição de reabilitação. Foram utilizados para a coleta de dados dois instrumentos: um questionário para verificar o perfil do cuidador e da pessoa com necessidades especiais e o questionário de medida de qualidade de vida WHOQOL-Bref. Os resultados demonstraram que houve significância, apenas, entre a qualidade de vida do cuidador no domínio físico e a idade da pessoa com necessidade especial, indicando que quanto mais velha a pessoa com necessidades especiais, mais difícil e penoso é o ato de cuidar. Os resultados podem indicar formas de orientação à família de pessoas com deficiência.
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