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Interação social de crianças com Síndrome de Down na educação infantil

PID: S1413-65382010000100004 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2010
Autores: Anhão Pfeifer Santos
A inclusão escolar na rede pública de ensino traz à tona discussões pertinentes e constituintes deste novo paradigma social, principalmente para as crianças com Síndrome de Down, as quais têm seu processo de desenvolvimento cada vez mais estudado. O objetivo desta pesquisa é verificar e analisar a interação social de crianças com Síndrome de Down e crianças com desenvolvimento típico, na rede regular de educação infantil em um município de médio porte no interior do estado de São Paulo. Participaram 6 crianças com Síndrome de Down, na faixa etária de três a seis anos (grupo de estudo), e 6 crianças com desenvolvimento típico que frequentavam as mesmas salas dos pares com Síndrome de Down, também na faixa etária de três a seis anos (grupo comparado). Cada criança foi analisada através de categorias que envolvem o processo de interação social em ambiente escolar. Os resultados apontam que, de maneira geral, não foram observadas diferenças significativamente relevantes entre os comportamentos apresentados pelo grupo de estudo e pelo grupo comparado. Os comportamentos que apresentaram diferença significativa foram: "Estabelece contato inicial com outras pessoas" (p=0,017), mais freqüente no grupo comparado e "Imita outras crianças" (p=0,030), mais freqüente no grupo de estudo. O estudo concluiu que nos comportamentos observados e de acordo com a faixa etária estudada, o grupo de crianças com Síndrome de Down abordado, não apresentou características de interação social muito diferentes das crianças com desenvolvimento típico estudadas. Reforçando a importância do processo de inclusão escolar desta população.

Intervenção com pais de crianças deficientes auditivas: elaboração e avaliação de um programa de orientação não presencial

PID: S1413-65382010000300009 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2010
Autores: Motti Pardo
As orientações aos pais favorecem a aceitação da deficiência auditiva e esclarecem possibilidades e condutas que viabilizam o desenvolvimento da criança. Devem ser cuidadosas, a fim de evitar insegurança, ansiedade, expectativas irreais ou reações inadequadas dos pais. Essas orientações são oferecidas no diagnóstico e no acompanhamento, mas as restrições de tempo e financeiras são dificuldades dos pais para o comparecimento freqüente a programas que forneçam um suporte contínuo. A proposta deste trabalho foi elaborar e avaliar um programa de orientação não presencial para pais de crianças com deficiência auditiva severa e profunda, de dois a seis anos de idade. O programa, estruturado em quatro unidades, foi aplicado a 30 pais atendidos no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da USP, em Bauru/SP. As unidades foram formuladas com base nas orientações que os especialistas de diferentes áreas transmitem durante o diagnóstico da deficiência auditiva e nas dificuldades e interesses dos pais, identificando-se o conhecimento sobre as avaliações e acompanhamentos, opiniões sobre desempenho e necessidades da criança, deles próprios e das famílias. Para avaliação do programa foram analisadas as respostas dos pais aos questionários das unidades e às entrevistas finais. As análises revelaram que o programa forneceu aos pais, como eles desejavam, informações claras e sugestões de atividades que pudessem ser adequadas ao contexto familiar e colaborassem para o desenvolvimento da criança. Alguns pais encontraram dificuldade em se expressar por escrito e realizar algumas atividades, mas nas entrevistas, foi verificado que tal fato não inviabilizou o entendimento e a participação no programa.

O momento da avaliação na intervenção precoce: o envolvimento da família estudo das qualidades psicométricas do ASQ-2 dos 30 aos 60 meses

PID: S1413-65382010000200003 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2010
Autores: Graça Teixeira Lopes Serrano Campos
A relação entre pais e profissionais de saúde e de educação é fundamental para o desenvolvimento da criança. Esta se torna ainda mais essencial em crianças que apresentam risco de desenvolvimento. Essa mesma relação é valorizada numa abordagem centrada na família tendo implicações significativas nas práticas nos diferentes contextos e na sua aplicabilidade, exigindo que os profissionais assumam novos papéis e que aprendam novas competências no trabalho com as famílias. Estas competências concretizam-se nos primeiros contactos com a família desde o momento da avaliação até à efetiva prestação de serviços. A realização deste estudo surgiu da necessidade constatada de envolver os pais desde o primeiro momento do processo em intervenção precoce através de um instrumento formal e de simples aplicação. O ASQ-2 é constituído por 19 questionários divididos por diferentes idades entre os quatro e os 60 meses. Cada questionário é composto por 30 itens divididos pelas áreas de desenvolvimento comunicação, motricidade global, motricidade fina, resolução de problemas e pessoal-social. Este trabalho constitui a análise dos questionários dos 30 aos 60 meses para observar as qualidades psicométricas do ASQ, tendo sido aplicados a uma amostra de conveniência de 127 famílias do distrito de Braga. Foi possível verificar que o ASQ-2 traduzido apresenta resultados atraentes o que significa que poderá vir a ser utilizado pela população portuguesa de pais e profissionais (de saúde e de educação) que pretendam concretizar as suas dúvidas através de um instrumento formal de rastreio e de monitorização do desenvolvimento da criança.

Percepção de professores de educação infantil sobre a inclusão da criança com deficiência

PID: S1413-65382010000300007 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2010
Autores: DE Vitta DE Vitta Monteiro
A educação infantil é importante para o desenvolvimento da criança com necessidades especiais. Nesse processo educacional, o professor e sua percepção de educação inclusiva são fatores primordiais. Este trabalho objetivou analisar a percepção de professores de educação infantil, que quanto à prática educativa atual, diferem em relação à presença de alunos com deficiências em seus ambientes de trabalho, sobre a educação da criança com deficiência na faixa etária de 3 a 6 anos. Foram sujeitos da pesquisa 12 professores de educação infantil divididos eqüitativamente em três grupos: de escolas especiais; de escolas comuns que trabalham com crianças com deficiências inseridas em suas classes e de escolas comuns que não possuem em suas classes crianças com deficiências. A coleta de dados foi realizada através de entrevistas semi-estruturadas, gravadas em fita cassete. Foi realizada análise de conteúdo e os dados mostraram que os professores vêem como a principal contribuição do processo de inclusão a socialização da criança com deficiências, restringindo-o, porém, a crianças com possibilidades de independência. Quanto à aprendizagem, acreditam que a criança com deficiência mental é a que encontra maiores dificuldades, contrariamente à com deficiência física. Ressaltam problemas com o espaço físico, recursos materiais e humanos e relativos à formação do professor. Pôde se concluir que é preciso possibilitar aos professores uma formação que abranja conhecimentos sobre as diferentes deficiências e as necessidades educacionais relativas a estas, propiciar a adequação do espaço físico e dos recursos materiais, além de assistência técnica específica.

Percurso desenvolvimental dos portadores da perturbação de hiperatividade com déficit de atenção

PID: S1413-65382010000200011 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2010
Autores: Ramalho
A Perturbação de Hiperatividade com Déficit de Atenção (PHDA) constitui uma perturbação com características desenvolvimentais de caráter crônico, que embora seja atenuada com o decorrer da idade, nomeadamente na sua componente hipercinética e impulsiva, a continuidade da presença de sintomatologia de desatenção afeta as capacidades de resposta ao meio ao longo de todo o ciclo vital. Estudos efetuados recentemente têm vindo a demonstrar que entre 50 e 80% dos sujeitos que manifestaram PHDA durante a infância, experimentam ainda dificuldades significativas relacionadas com esta perturbação durante a fase adulta. Desta forma, o presente artigo tem como objetivo apresentar o percurso desenvolvimental dos portadores desta perturbação, desde a primeira e segunda infância até à vida adulta, demonstrando como esta perturbação tem implicações cognitivas, emocionais e sociais e relevantes ao longo de todo o ciclo vital.

Propostas de acessibilidade para a inclusão de pessoas com deficiências no ensino superior

PID: S1413-65382010000100010 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2010
Autores: Siqueira Santana
Foi objetivo do estudo conhecer e descrever as ações contidas nas propostas contempladas pelo "Projeto Incluir/MEC-Acessibilidade na Educação Superior" nos anos 2005-2008. Trata-se de um estudo descritivo do tipo documental. Contou com as seguintes etapas de revisão de literatura, levantamento das propostas de acessibilidade submetidas por Instituições Federais de Ensino Superior-IFES, contato com os coordenadores dos programas e busca sistemática para acesso aos projetos na íntegra, leitura dos projetos obtidos, organização dos dados em categorias previamente estabelecidas a partir dos Fatores Contextuais da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde-CIF. Identificou-se 115 projetos envolvendo 58 IFES, porém apenas 11 projetos foram acessados na íntegra, constituindo a amostra deste estudo. As ações se enquadravam na Parte 2 da CIF - Fatores Contextuais Pessoais/ambientais, e descrevem ações voltadas à aquisição e desenvolvimento de produtos, incluídos no componente "Produtos e Tecnologias", ações no componente "Atitudes" visando conscientizar a comunidade acadêmica/não-acadêmica, e ações voltadas aos "Serviços, Sistemas e Políticas", objetivando a adequação do processo seletivo/vestibular, contratação de intérpretes, capacitação de funcionários/docentes, articulação com outras instâncias da comunidade. Conclui-se que as ações propostas mostram que a inclusão de pessoas com deficiência no ES diz respeito a tudo que envolve o sujeito em suas relações cotidianas e devem estar voltadas para as atitudes frente à pessoa com deficiência, às políticas de inclusão e aquisição de produtos e tecnologias assistivas.

Práticas educativas parentais de crianças com deficiência auditiva e de linguagem

PID: S1413-65382010000200008 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2010
Autores: Bolsoni-Silva Rodrigues Abramides Souza Loureiro
Comportamentos de pais e de filhos influenciam-se mutuamente. Crianças com alterações de linguagem relacionadas ou não à perda auditiva, podem apresentar dificuldades de relacionamento com os irmãos e seus pares. Assim, a investigação das práticas educativas parentais e do repertório comportamental infantil é fundamental para a busca de intervenções efetivas para essas crianças. O estudo tem como objetivos: (a) comparar o repertório positivo e negativo de mães e crianças com deficiência auditiva (DA) e distúrbio de linguagem (DL); (b) comparar cada uma das deficiências com grupo não clinico; (c) correlacionar comportamentos para cada uma das deficiências. Participaram deste estudo 72 mães, cujos filhos apresentavam DA (n = 27), DL (n = 19) ou compunha uma população não clínica (n = 26). O instrumento utilizado foi o Roteiro de Entrevista de Habilidades Sociais Educativas Parentais, que avalia a ocorrência de habilidades sociais aplicáveis às práticas educativas. Os resultados evidenciaram a associação entre práticas positivas e habilidades sociais, bem como entre práticas negativas e problemas de comportamento. O grupo de DL não apresentou mais problemas que as crianças não clínicas, sugerindo a participação de intervenções de caráter preventivo, facilitando a inclusão social. Por outro lado as crianças com DA apresentaram menos habilidades sociais, bem como suas mães, menos habilidades sociais educativas. Este estudo evidencia a importância da metodologia empregada na reabilitação de crianças com distúrbios da comunicação, sobretudo para aquelas com DA visando o beneficio de programas educativos de promoção do repertório parental positivo integrados aos objetivos da fonoterapia.

The development and provision of educational services for children with intellectual disabilities in Egypt

PID: S1413-65382010000100002 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2010
Autores: Abdelhameed
Este artigo visa fornecer uma visão geral do desenvolvimento e prestação de serviços educacionais para crianças com deficiência intelectual no Egito. Deficiência intelectual é um prejuízo significante do funcionamento intelectual, concomitantemente a déficits no comportamento adaptativo, e que se manifesta durante o período de desenvolvimento. A educação das crianças com deficiência intelectual é um direito garantido e legitimado pelo governo egípcio. O Ministério da Educação no Egito está empenhado em fornecer a essas crianças, que têm deficiência intelectual, junto com outras crianças com necessidades especiais, uma adequada educação que atenda as suas necessidades e lhes permita viver em sociedade utilizando todo o seu potencial, como crianças com desenvolvimento típico. Observações e entrevistas foram realizadas para coletar informações adicionais sobre os serviços educacionais destinados a crianças com deficiência mental no Egito. Os resultados deste estudo indicaram que, apesar dos esforços promovidos pelo Ministério da Educação, para proporcionar serviços novos e avançados para crianças com deficiência intelectual, a prestação ainda precisa de melhorias. Uma série de recomendações foi sugerida para melhorar os serviços que as crianças com deficiência intelectual recebem no Egito.

Utilização do brinquedo terapêutico na assistência à criança hospitalizada

PID: S1413-65382010000100008 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2010
Autores: Fontes Mondini Moraes Bachega Maximino
Estudo exploratório e descritivo, parte integrante de um projeto de parceria entre o Serviço de Enfermagem e de Terapia Ocupacional no preparo da criança para as cirurgias eletivas no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo. OBJETIVO: utilizar o brinquedo como recurso terapêutico no alívio das tensões reais e inconscientes da criança em relação à hospitalização. MÉTODO: Foi construído um instrumento de coleta dos dados em forma de roteiro observacional, e aplicado em dois momentos: o primeiro consiste no dia anterior à realização da cirurgia e o segundo momento no dia da cirurgia imediatamente antes de sua realização. Utilizamos a contação de história e a demonstração das intervenções de enfermagem nos brinquedos (bonecos) com equipamentos e materiais comumente utilizados na hospitalização (luvas, aventais cirúrgico, máscara facial e gorro cirúrgico). RESULTADOS: Dentre as 21 variáveis de comportamento observadas, oito obtiveram diferença estatisticamente significativa com teste de McNemar (p>0,05). CONCLUSÃO: brincar interativamente proporciona à criança hospitalizada interagir com o ambiente hospitalar, expressar os seus sentimentos e emoções e provê recursos para a assistência humanizada.

A inclusão nas escolas de 1º ciclo de ensino básico de Lisboa: algumas considerações

PID: S1413-65382009000200007 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2009
Autores: Dorziat
A inclusão nas escolas regulares de pessoas consideradas com necessidades educativas especiais tem sido contemplada nas políticas educacionais de vários países. Os estudos mostram que, no Brasil, as iniciativas acontecem de forma lenta e gradual, devido às mais variadas questões, como a ausência de condições físicas, materiais e humanas das escolas e a indefinição do papel da educação especial nesse processo. A partir dessa problemática, buscamos conhecer outra realidade - a portuguesa -, na expectativa de contribuir com reflexões mais amplas sobre o tema. Assim, desenvolvemos uma investigação, visando a analisar a materialidade das políticas de inclusão em algumas escolas públicas de 1º Ciclo do Ensino Básico da cidade de Lisboa/Portugal, a partir de informações prestadas pelos gestores, coordenadores e professores de ensino especial. Os dados mostraram que as escolas inclusivas de Lisboa, embora contem com a presença de professores de ensino especial em seus quadros, ainda não possuem, em termos físico e material, as condições ideais e, sobretudo, carecem de uma visão de educação e de inclusão mais ampla, que permita revisitar antigos conceitos, presentes na educação especial. No entanto, se, por um lado, a presença dos profissionais do ensino especial pode ser vista como a permanência, em novos espaços, de antigas práticas clínicas e de compartimentalização do fazer educacional; por outro, pode apresentar-se como uma possibilidade de dar visibilidade às diferenças, de enfrentamento de conflitos e de busca de alternativas aos desafios, colocados por uma nova realidade escolar.

Análise da flexão verbal de tempo na escrita de surdos sinalizadores

PID: S1413-65382009000200005 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2009
Autores: Crato Cárnio
A produção escrita de estudantes surdos tem sido objeto de estudos nacionais e internacionais devido às histórias recorrentes de fracassos escolares e as dificuldades de ensino por parte dos educadores em propiciar a significação da Língua Escrita para esta população especifica. Pesquisas nacionais enfatizam que os surdos apresentam dificuldades na escrita do português, principalmente no uso de verbos. Buscando compreender melhor este processo, o presente estudo teve por objetivo avaliar a flexão verbal de tempo na escrita de surdos sinalizadores e observar a presença de outros marcadores de tempo em suas frases. O estudo foi realizado com vinte e dois sujeitos, com idade entre 14 e 24 anos e escolaridade de 3ª a 7ª série do Ensino Fundamental. Estes indivíduos foram avaliados quanto ao conhecimento em Língua Brasileira de Sinais de seis verbos de ação (por meio de cartelas contendo figuras representando estas ações) e em seguida foram orientados a escrever três frases com cada verbo, sendo uma no tempo passado, uma no presente e uma no futuro. Os dados foram avaliados qualitativa e quantitativamente e demonstraram que os sujeitos apresentaram dificuldade na flexão verbal de tempo, havendo o predomínio do verbo na forma nominal do infinitivo. Quanto a outros marcadores de tempo utilizados nas frases, os advérbios de tempo foram os mais freqüentes. Os sujeitos que estavam matriculados em séries mais avançadas apresentaram melhor uso das flexões verbais de tempo e fizeram uso mais freqüente de outros marcadores de tempo. Conclui-se que apesar de um longo tempo de escolaridade, a maioria dos surdos do estudo não sabe realizar a flexão verbal de tempo da Língua Portuguesa. Este fato demonstra a necessidade de repensar as práticas de ensino da Língua Portuguesa, como segunda língua, para que os surdos tenham a oportunidade de apropriar-se cada vez mais cedo da escrita, e participar ativamente da sociedade.

Análise da percepção de competência física de crianças com deficiência mental

PID: S1413-65382009000300008 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2009
Autores: Strioto Vieira Vieira
O objetivo deste estudo descritivo foi analisar a percepção de competência física de crianças com deficiência mental (DM) moderada em relação a diferentes idades e gêneros, bem como comparar a percepção de competência física dos praticantes e não-praticantes de atividades físicas ou esportivas. Foram sujeitos 76 crianças. Como instrumento foi utilizada a Pictorial Scale of Perceived Physical Competence for Children with Mental Retardation, um questionário com questões referentes à prática de atividades físicas e/ou desportivas fora do ambiente escolar e outro com questões referentes às atividades realizadas dentro do ambiente escolar. Os resultados sugerem que: crianças com deficiência mental moderada apresentam alta percepção de competência; não houve diferença significativa entre gêneros; crianças com idade de 12 anos apresentaram níveis de percepção de competência física menor do que a das crianças de 7, 8 e 9 anos (p= 0,01); crianças que praticam exercícios físicos ou esportes têm percepção de competência física menor do que os não-praticantes. Assim conclui-se: a prática de exercícios físicos/esportivos evidencia-se como elemento interveniente na elaboração dos critérios de julgamento da percepção de competência das crianças, auxiliando na construção de parâmetros avaliativos mais precisos e realistas.

Análise das estratégias utilizadas em um grupo terapêutico pedagógico para auxiliar o desenvolvimento da linguagem escrita em crianças com deficiência auditiva

PID: S1413-65382009000300010 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2009
Autores: Duarte Brazorotto
O presente estudo teve como objetivos avaliar e acompanhar o desenvolvimento da linguagem escrita e analisar as estratégias utilizadas durante 01 ano de intervenção pedagógica em grupo para o desenvolvimento da linguagem escrita de quatro crianças com deficiência auditiva, usuárias de Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI) e/ou Implante Coclear (IC) com idades entre 05 e 07 anos, atendidas no Centro Educacional do Deficiente Auditivo do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo, em Bauru-SP. Para a consecução dos objetivos foram realizados os seguintes procedimentos: submissão do projeto de pesquisa ao Comitê de Ética em Pesquisa da instituição, revisão da literatura, análise das estratégias para a intervenção, categorização das habilidades de audição e de linguagem oral de cada criança após avaliações da percepção auditiva da fala e de linguagem oral realizadas por um fonoaudiólogo, bem como avaliação da linguagem escrita de acordo com protocolos específicos, no pré e pós-intervenção. As estratégias foram aplicadas na situação de grupo, mediadas pela pedagoga-pesquisadora e registradas com câmera fixa, instalada em tripé. Realizada a análise das estratégias por meio de transcrição e categorização das mesmas bem como a análise quantitativa e qualitativa das avaliações de cada criança, buscando situar seu nível de desenvolvimento de escrita de acordo com a literatura. Observou-se que as crianças avançaram nas fases de desenvolvimento da escrita e concluiu-se que as estratégias terapêuticas aplicadas despertaram maior envolvimento, confiança e habilidade das crianças em relação à linguagem escrita, mostrando assim, sua utilidade na intervenção pedagógica em grupo.

As atividades expressivas e recreativas em crianças com fissura labiopalatina hospitalizadas: visão dos familiares

PID: S1413-65382009000300009 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2009
Autores: Moraes Buffa Motti
Este estudo teve por objetivo verificar a visão dos familiares a respeito da importância das atividades expressivas e recreativas na hospitalização e recuperação cirúrgica de crianças com fissura labiopalatina (FLP), procurando identificar os benefícios dessas atividades nos períodos pré e pós-operatório. Foram entrevistados 138 familiares de crianças com FLP, na faixa etária de sete a 12 anos, hospitalizados no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/USP). Os resultados mostraram que a grande maioria dos entrevistados preferia desenvolver alguma atividade com a criança enquanto aguardava a cirurgia, tendo expressado sentimentos positivos durante esse período. Segundo os entrevistados, as atividades expressivas e recreativas no período pré-operatório deixam a criança mais calma, observando melhora na condição emocional da mesma. Essas atividades distraem, divertem, acalmam e contribuem para o desenvolvimento da criança, sendo importantes para a recuperação cirúrgica, amenizando os efeitos negativos da hospitalização. As atividades na brinquedoteca foram as preferidas pelas crianças e pelos familiares. Na visão dos familiares, as atividades expressivas e recreativas favorecem a criança e os pais, reduzindo o estresse, proporcionando sentimentos positivos a ambos e auxiliando a adaptação e o restabelecimento físico e emocional. Evidenciam a importância do brincar durante a hospitalização, contribuindo para um atendimento humanizado, principalmente no caso de crianças com fissura labiopalatina, sujeitas a um grande número de procedimentos cirúrgicos e hospitalizações.

As práticas de letramento na escola e na família no contexto da surdez: reflexões a partir do discurso dos pais e professores

PID: S1413-65382009000200006 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2009
Autores: Schemberg Santana Santana
As experiências com situações significativas de leitura e escrita desempenham um papel fundamental na constituição do sujeito enquanto leitor e autor. No caso das crianças surdas, a participação em práticas sociais de escrita é, desde cedo, restrita, deixando-as em desvantagem em relação às expectativas e hipóteses sobre esta modalidade. Considerando ser na família que se inicia o contato com textos escritos e que é função da escola oferecer o ensino e a diversidade da linguagem escrita, o presente artigo objetiva analisar e discutir as práticas de letramento que permeiam os meios familiar e escolar de um grupo de crianças surdas. A pesquisa foi desenvolvida com 12 professores do ensino regular e 12 pais, tendo como foco alunos surdos, que frequentam no contra turno, o Centro de Atendimento Especializado em Surdez (CAES) em município da região metropolitana de Curitiba. Com os pais foram desenvolvidas entrevistas enfatizando as práticas de leitura no âmbito familiar. Com os professores foram utilizados questionários (questões fechadas e abertas), enfocando aspectos referentes a práticas de leitura e escrita em sala de aula. Os resultados demonstram que as práticas de leitura são restritas no âmbito familiar, o que implica em refletir sobre como a criança surda está sendo inserida no mundo da escrita e constituindo-se (ou não) como sujeito letrado. Da mesma forma, no espaço escolar as práticas de leitura e escrita são constituídas, ainda, em grande parte a partir do uso do livro didático, o que revela a falta de diversidade de gênero textual em sala de aula.

Avaliação da relação entre o déficit de atenção e o desempenho grafo-motor em estudantes com Síndrome de Down

PID: S1413-65382009000300007 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2009
Autores: Macêdo Lima Cardoso Beresford
Este estudo teve como objetivo avaliar a relação existente entre o déficit de atenção e o desempenho de uma conduta grafo-motora necessária à aquisição da linguagem lecto-escrita em cinco estudantes com Síndrome de Down, de ambos os sexos, com idade compreendida entre 17 e 21 anos, matriculados na Escola Estadual Presidente Costa e Silva em Belém-PA. A metodologia de trabalho foi própria de uma avaliação de contexto que permitiu elaborar um estudo descritivo e correlacional. Como estratégia metodológica foram realizados dois testes: um de Processamento Mental para avaliar o tempo de reação a um estímulo programado e outro de avaliação das variáveis relacionadas à conduta grafo - motora. Os resultados indicaram uma estreita relação entre as duas variáveis pesquisadas, ou seja, estudantes que apresentaram um longo tempo de reação alcançaram um baixo escore no teste grafo motor e aqueles que tiveram rápido tempo de reação obtiveram um alto escore no teste grafo-motor.

Avaliação de políticas públicas: a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais no Ensino Fundamental das cidades-pólo do Estado de São Paulo

PID: S1413-65382009000100005 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2009
Autores: Marins Matsukura
Esta pesquisa fundamenta-se nas diretrizes políticas para a educação inclusiva no Brasil e suas estratégias de implementação que propõem, além da garantia do acesso, permanência e qualidade da educação para os alunos com necessidades especiais no ensino regular. A literatura nacional reporta inúmeros estudos sobre as questões legais e as diretrizes políticas. Não obstante, indica-se que pouco se conhece sobre as práticas em perspectivas locais, observando-se a possibilidade de um descompasso entre as práticas e as políticas públicas em educação especial. O governo federal apoiou-se nas ações de 144 cidades-pólo, visando a interação entre a gestão e as práticas educacionais desenvolvidas nas escolas dos municípios. O objetivo desta pesquisa é identificar, de acordo com a percepção dos gestores da área da Educação Especial de cidades-pólo do estado de São Paulo, quais as ações foram implementadas a partir das diretrizes nacionais para a educação inclusiva na rede regular - Ensino Fundamental. Participaram do estudo seis Secretarias Municipais de Educação - Educação Especial. O instrumento de coleta de dados foi um questionário com questões abertas e fechadas. Os resultados demonstram que na esfera municipal há o conhecimento da legislação acerca das diretrizes nacionais, há formação, capacitação continuada e apoio para professores, além de transporte, acessibilidade e alguns materiais para o atendimento da educação especial no ensino regular. No entanto, constata-se um número reduzido de alunos atendidos e a necessidade do levantamento da demanda total da educação especial, além da pouca atuação de equipes multiprofissionais e a falta de envolvimento da esfera estadual em ações para a Educação Especial.

Caracterização dos professores itinerantes, suas ações na área de tecnologia assistiva e seu papel como agente de inclusão escolar

PID: S1413-65382009000100010 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2009
Autores: Pelosi Nunes
O presente estudo discute o trabalho do professor itinerante dentro da Secretaria Municipal de Educação do município do Rio de Janeiro. Compara a ação desses profissionais junto aos alunos com necessidades educacionais especiais incluídos nas escolas regulares em 1998 e em 2005 e aponta soluções para favorecer a inclusão dos alunos com deficiência física. A metodologia utilizada foi um survey realizado por meio de questionário contendo perguntas abertas e fechadas. O estudo aponta para a manutenção do perfil e atividades desempenhadas pelo professor itinerante na comparação dos dois estudos e evidencia seu papel de mediação, sensibilização e mobilização em favor da inclusão. Diante da impossibilidade do professor itinerante em mediar o desenvolvimento pedagógico dos alunos com necessidades educacionais especiais, as autoras sugerem a inclusão do professor de apoio, por meio de parceria entre a Universidade e Secretaria Municipal de Educação, contribuindo para a inclusão dos alunos e melhorando a formação dos estudantes de pedagogia para o trabalho na diversidade.

Cultura escolar, cultura surda e construção de identidades na escola

PID: S1413-65382009000300005 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2009
Autores: De Paula
O presente trabalho se propõe a analisar a questão da relação da cultura escolar, cultura surda e a influência destas na construção da identidade da pessoa surda no contexto escolar. Pretende-se identificar os aspectos relevantes que conectam, regulam e norteiam as relações dentro da escola e o impacto destes na constituição do self do aluno surdo. Através do estudo de parâmetros teóricos que permeiam as culturas, escolar e surda, traça-se um paralelo com pressupostos socioculturais construtivistas, buscando apontar características essenciais para a constituição da noção de eu. O contexto escolar é de extrema importância para a pessoa surda, que em sua maioria, provem de famílias ouvintes. Os estudos sobre identidade surda sugerem que o outro indivíduo surdo é de fundamental importância para construção de uma identidade saudável, visto que entre surdos existe o uso comum de um sistema lingüístico-Libras, que não ocorre de forma natural quando da interação entre surdos e ouvintes.

Deficiência mental e inclusão escolar: produção científica em educação e psicologia

PID: S1413-65382009000200011 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2009
Autores: Barbosa Moreira
Para efetuar uma análise metacientífica nas áreas de Educação e Psicologia sobre a inclusão escolar de pessoas com deficiência mental, analisaram-se 103 resumos de artigos indexados nas bases de dados ERIC e PSYCInfo. Constatou-se que 40,48% dos 42 periódicos tabulados concentram 75,75% dos resumos e que 61,17% da produção científica está indexada principalmente na ERIC. Prevalecem artigos com autoria múltipla e que relatam pesquisas que tendem a ser descritivas com delineamento correlacional. O tema estratégias para a inclusão escolar foi o mais freqüente. Foram encontradas diferenças significantes entre as duas bases de dados somente nos casos do ano de publicação e dos periódicos que publicam artigos com o tema-alvo. Os resultados evidenciam que a produção científica sobre a inclusão escolar de pessoas com deficiência mental é bastante escassa e que, enquanto tema psicoeducacional, tem recebido mais atenção na área de Educação.
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