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Avaliação de aspectos formais em quatro periódicos científicos na área de educação especial

PID: S1413-65382006000300006 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2006
Autores: Hayashi Hayashi Lima Silva Garrutti
A avaliação do periódico é de fundamental importância para medirmos a qualidade das pesquisas, assim como sua confiabilidade e rigor. O objetivo deste artigo é identificar os aspectos formais a serem aperfeiçoados e os aspectos que já se adequam às formalidades do universo das publicações científicas com base na aplicação de uma metodologia para análise de periódicos que possibilita a identificação destes aspectos formais da publicação. Foram avaliadas quatro publicações da área de Educação Especial, quais sejam, Benjamin Constant, Revista Brasileira de Educação Especial, Revista Educação Especial e Espaço em relação aos aspectos formais de um periódico. Conclui-se que os periódicos analisados já atingiram alguns quesitos, mas ainda precisam adequar-se a outros devidamente descritos no trabalho.

Avaliação dos benefícios proporcionados pelo AASI em crianças e jovens da faixa etária de 7 a 14 anos

PID: S1413-65382006000200008 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2006
Autores: Boscolo Costa Domingos Perez
A presença de perda auditiva pode acarretar sérias conseqüências no desenvolvimento de fala e aprendizagem. Um recurso importante para a reabilitação do deficiente auditivo é o AASI. Para estar bem adaptado, o AASI deve fornecer benefícios para os usuários. A avaliação do benefício proporcionado pelo AASI, por meio de questionários de auto-avaliação, é fundamental. O presente estudo procurou verificar os benefícios proporcionados pelo AASI por meio de um questionário aplicado às crianças e adolescentes usuários de AASI, na faixa etária de 7 a 14 anos. Foram avaliados 19 deficientes auditivos, de ambos os sexos. Verificamos que em relação ao uso do AASI, 12 (63%) deficientes auditivos utilizam o AASI em todos os lugares que vão, retirando-os apenas para tomar banho e dormir, 5 (23%) referem utilizar o AASI somente em casa e na terapia fonoaudiológica Em relação ao benefício proporcionado pelo AASI na rotina caseira, 14 (73%) ouvem melhor a televisão, 15 (78%) ouvem melhor o telefone ou campainha, 12 (63%) ouvem melhor os pais chamarem pelo nome. No ambiente escolar, verificou-se que o AASI promove uma melhor recepção da fala do professor estando ele próximo ao aluno. Em situações sociais, 15 sujeitos (78%) relataram que com o AASI brincam melhor com seus amigos, 12 (63%) ouvem melhor os amigos , 16 (84%) conseguem ouvir os carros na rua, e 9 (47%) referiram que conseguem ouvir uma pessoa falando em local de ruído. O uso desse instrumento possibilitou verificar os benefícios oferecidos pelo AASI às crianças e jovens deficientes auditivos.

Caracterização dos enunciados de um aluno não-falante usuário de recurso suplementar de comunicação durante a construção de histórias

PID: S1413-65382006000200009 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2006
Autores: Guarda Deliberato
A narrativa pode conectar elementos diversos e, assim, promover a construção de sentenças verticais e horizontais, frente à mediação de interlocutor. Esta pesquisa visou analisar a extensão e a organização sintática dos enunciados de narrativas construídas por um aluno não-falante usuário de recurso suplementar de comunicação. Previamente à construção das narrativas, selecionadas de acordo com os centros de interesse, idade, grau de escolaridade e temáticas trabalhadas na escola do aluno, símbolos gráficos do Picture Communication Symbols eram confeccionados e adaptados para que, por meio destes e dos recursos verbais e não-verbais inerentes à atividade discursiva, a história pudesse ser contada, por acesso visual e auditivo, pelo interlocutor e recontada pelo aluno, após a estruturação e organização dos múltiplos signos em sentenças. Todas as interações foram filmadas e complementadas com anotações de um diário de registro contínuo. Após a análise das transcrições das fitas e das anotações do diário, foi possível determinar três estágios de unidades significativas: 1) Caracterização ou natureza dos elementos constituintes dos enunciados das narrativas em: a) objeto; b) símbolo gráfico; c) escrita; d) vocalização; e) gesto representativo; 2) Extensão dos enunciados das narrativas de 1 a 6 elementos, linearmente, e 7 ou mais elementos; 3) Organização sintática dos elementos constituintes das narrativas em sujeito, verbo e objeto isolados, em sentenças verticais, e associados, em sentenças horizontais. Ressaltou-se, assim, a ampliação e aprimoramento da organização e da estrutura sintática dos enunciados das narrativas construídas pelo aluno mediado pelo interlocutor.

Deficiência mental, imaginação e mediação social: um estudo sobre o brincar

PID: S1413-65382006000100003 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2006
Autores: Pinto Góes
RESUMO Neste trabalho abordamos a importância da imaginação para o desenvolvimento e focalizamos o brincar como uma instância particularmente propícia a esse processo. O papel formativo atribuído a essa atividade é geralmente pequeno, e tende a ser tratada de maneira muito ambígua no trabalho educacional. Esse problema se intensifica quando a deficiência mental está envolvida, devido ao descrédito adicional em relação às possibilidades da criança. Com base na perspectiva histórico-cultural, realizamos um estudo sobre o brincar de doze sujeitos, na faixa etária de 4 a 6 anos, que freqüentavam uma instituição especial. A maioria deles tinha déficits nas áreas de cognição e linguagem; alguns enfrentavam também sérias limitações motoras. O objetivo foi investigar relações entre a mediação de outros - adultos e parceiros - e as ações imaginativas da criança, em termos da capacidade de transcender o campo perceptual imediato e compor seqüências de faz-de-conta. O trabalho de campo consistiu de sessões semanais de brincadeira livre, durante um período de sete meses. As atividades foram gravadas em vídeo, e as análises se guiaram por uma abordagem microgenética. Os achados mostram que, quando deixadas com seus próprios recursos, essas crianças apresentam uma baixa disposição a entrar em brincadeiras coletivas e a compartilhar de diálogos. No entanto, dependendo das formas de mediação dentro do grupo, elas podem engajar-se em situações imaginárias relativamente complexas, com características que sugerem contribuições para o desenvolvimento intelectual, na compreensão do contexto cultural, bem como para a emergência de elaborações criativas sobre o mundo.

Educação especial no município de São Paulo: acompanhamento da trajetória escolar de alunos no ensino regular

PID: S1413-65382006000200004 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2006
Autores: Prieto Sousa
O artigo apresenta resultados de pesquisa acerca da política de atendimento aos alunos com necessidades educacionais especiais da rede municipal de ensino de São Paulo, implementada a partir de 1993. Focaliza as ações direcionadas ao portador de deficiência mental, por meio das Salas de Atendimento aos Portadores de Necessidades Especiais (SAPNE). Tendo como propósito analisar eventuais contribuições desse atendimento para a integração escolar dos alunos, procedeu-se à caracterização das trajetórias escolares daqueles que freqüentavam as SAPNE no decorrer do segundo semestre de 1997 até 2001. As evidências acerca dessa trajetória escolar indicaram, dentre outras constatações, que a SAPNE nem sempre tem sido um recurso suficiente para viabilizar o atendimento integrado de parcela de alunos com deficiência mental na classe comum e a necessidade de maior investimento na garantia de condições políticas, técnicas e materiais para sua implementação.

Ensino de conceitos físicos de termologia para alunos com deficiência visual: dificuldades e alternativas encontradas por licenciandos para o planejamento de atividades

PID: S1413-65382006000200002 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2006
Autores: Camargo Nardi
Relatamos aqui resultados parciais de um estudo que analisou o desempenho de futuros professores quando, durante o desenvolvimento de uma disciplina de Prática de Ensino de Física, foram solicitados a planejar, elaborar e ministrar, em situações reais de sala de aula, tópicos de ensino de termologia a uma turma de estudantes, dentre os quais se incluíam alunos com deficiência visual. Os dados coletados mostram que as principais dificuldades apresentadas pelos futuros professores referem-se à abordagem do conhecer fenômenos físicos como dependente do ver. Por outro lado, como alternativas, os futuros professores mostraram criatividade em superar atitudes passivas relativas à problemática educacional considerada e a elaboração de estratégias metodológicas destituídas da relação conhecer/ver.

Formação acadêmica do fisioterapeuta: a utilização das atividades lúdicas nos atendimentos de criançasProfessional training in physiotherapy: the use of play activities in the treatment of children

PID: S1413-65382006000100006 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2006
Autores: Fujisawa Manzini
ABSTRACT Play activities frequently occur in child care. When using play in child care during physiotherapy intern training, it is important to assure the therapeutic purpose of such activities, since this experience will influence the physiotherapist's professional development. The aim of this study is, therefore, to describe the use of play activities in child physiotherapy sessions carried out by trainees during their academic internship. In view of the established aim, a descriptive study (case study) was carried out. Six senior year students in the fourth year of the physiotherapy university undergraduate course took part in this study. Information was collected through systematic observation recorded on camcorder. Data was analyzed according to three categories: the emergence of play activities in physiotherapy sessions; actual playing in physiotherapy; and the intern's behavior during play. In the first and next to last week of sessions, 187 and 158 play activities were observed respectively, often appropriate to the level of the child being treated. Several kinds of games and play activities were observed during the sessions, resulting in specific behaviors from the child: gaining the desired response; gaining partially desired response; lack of desired response and; inability to evaluate if the response obtained was desirable or not. The participants' behavior showed preparation, orientation, incentive, supervision, facilitation and demonstration of the play activity. The study showed that the participants did use play as a therapeutic resource. It is clear, however, that including the theme of games and playing in the theoretical academic disciplines as well as discussion and systematic orientation on play during supervised training will help enhance trainee repertoire.

Habilidades comunicativas receptivas em criança com bilingüismo português-japonês e paralisia cerebral: relato de caso

PID: S1413-65382006000300008 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2006
Autores: Yoshimura Kasama Rodrigues Lamônica
O objetivo do presente estudo foi descrever habilidades receptivas de uma criança com paralisia cerebral diplégica espástica, filha de brasileiros, nascida no Japão, exposta aos idiomas português e japonês. Método: Para a avaliação das habilidades receptivas foi realizada a observação do comportamento comunicativo por meio de atividades comunicativas, utilizando-se materiais lúdicos; provas de reconhecimento semântico, com o uso das figuras do ABFW e provas de discriminação auditiva. Nas atividades propostas utilizou-se dos idiomas português falado no Brasil e japonês. Também foi realizada a avaliação audiológica, que constou de imitânciometria e audiometria tonal liminar. Resultados: Na avaliação audiológica obteve resultados dentro dos padrões de normalidade. Nas atividades comunicativas demonstrou compreender ordens simples em contextos imediatos, com referenciais presentes e ausentes, em ambas as línguas. Apesar da gravidade do quadro motor e da criança não fazer uso de comunicação oral, a compreensão de conceitos nas duas línguas foi considerado satisfatória, demonstrando habilidades receptivas preservadas. A experimentação ambiental e a estimulação familiar permitiram o desenvolvimento da habilidade receptiva. Conclusões: Apesar da gravidade das alterações motoras, as capacidades intrínsecas desta criança, as possibilidades senso-perceptivas e estimulação ambiental favoreceram o desempenho receptivo nos idiomas japonês e português.

Inclusão do aluno com dismotria cerebral ontogenética: analise das práticas pedagógicas

PID: S1413-65382006000200003 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2006
Autores: Leão Garcia Yoshiura Ribeiro
Há poucas investigações quanto às práticas educativas escolas, ou seja, os procedimentos que são utilizados pelo educador para promover a aprendizagem de seus alunos. Deste modo, o objetivo deste trabalho é analisar as práticas educativas escolares, e verificar em que medida essas práticas contribuem para a inclusão do aluno com Necessidades Educacionais Especiais. O presente estudo optou pelo estudo exploratório contemplando observações em sala de aula, bem como, no ambiente escolar. As observações ocorriam semanalmente sem datas fixas, e em horários diferentes, a fim de que fosse possível observação num ambiente típico. Utilizou-se também a entrevista e a análise de documentos do aluno (redação, provas, atividades acadêmicas) e da escola. Participaram do presente estudo um aluno que apresenta dismotria cerebral ontogenética, sua mãe, bem como, as professoras que lecionaram à ele durante os anos de 2000 e 2001. Os dados coletados auxiliaram para definir a categoria que foi foco da presente pesquisa: desempenho e rendimento escolar e percepção do aluno sobre seu processo de aprendizagem. Como conclusão o presente estudo constatou que o processo de inclusão do aluno, no tocante à inclusão física social, responde até certo grau às suas necessidades. No entanto, do ponto de vista de aprendizagem, não houve inclusão educacional, as práticas educativas observadas não contemplavam a especificidade curricular e de aprendizagem a fim de atender às necessidades do aluno.

Inclusão escolar do portador de paralisia cerebral: atitudes de professores do ensino fundamental

PID: S1413-65382006000100007 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2006
Autores: Gomes Barbosa
RESUMO As atitudes em relação às pessoas com as necessidades especiais representam um dos mais importantes fatores para o sucesso da escola inclusiva. Para avaliar as atitudes do professor quanto à inclusão de portadores de paralisia cerebral (PPC), um questionário com uma escala de atitude foi aplicado em 68 professores de ensino fundamental. Foi evidenciada discordância com relação à inclusão de PPC na escola. A análise fatorial levou a seis fatores que podem explicar tais atitudes: como ensinar PPC em classes normais; sentimentos e emoções de professores na presença de PPC; contato com os PPC; o tipo de educação mais adequado para os PPC; rendimento escolar da sala de aula com a presença de um PPC; e preconceito na sala de aula. Dissonância entre as dimensões afetiva, cognitiva e denotativa das atitudes dos professores foi constatada, a discordância e a dissonância evidenciadas podem representar barreiras quanto à inclusão escolar de PPC

Inclusão nos Estados Unidos: filosofia, implementação e capacitação de professores.

PID: S1413-65382006000100002 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2006
Autores: Peterson
RESUMO A inclusão de alunos com deficiência em classes da educação geral é uma exigência importante das Leis para Indivíduos com Deficiência de 1975 e 1997 e da emenda da Lei para Indivíduos com Deficiência de 2004. Desde a promulgação dessas leis, as escolas públicas dos Estados Unidos têm sido obrigadas a incluir alunos com deficiência ao máximo possível em classes da educação geral onde eles possam estudar com pares não deficientes ao invés de passarem a maior parte de seu dia em classes segregadas com outros alunos com deficiência. Este trabalho discute a filosofia dos programas de inclusão e apresenta detalhes sobre programas de inclusão em um Estado específico dos Estados Unidos, o Estado do Arizona, Finalmente, descreve a necessidade de capacitação de professores para a área de educação geral e especial. Essa sessão demonstra porque os programas melhorados de capacitação de professores são necessários para aumentar o sucesso da inclusão nos Estados Unidos.

O faz-de-conta em crianças com deficiência visual: identificando habilidades

PID: S1413-65382006000300005 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2006
Autores: Hueara Souza Batista Melgaço Tavares
O presente trabalho tem por objetivo descrever modos de brincar de crianças com deficiência visual na situação de brincadeira faz-de-conta em pequenos grupos, enfocando a construção de conhecimentos. Participaram do projeto quatro crianças de quatro a sete anos, com diagnóstico de deficiência visual (baixa visão ou cegueira), algumas com outros problemas orgânicos associados. A maioria freqüentava pré-escola; e várias crianças eram caracterizadas por alterações no desenvolvimento e/ou apresentavam dificuldades escolares. Foram realizadas seis sessões com dois grupos de crianças, que duravam em média 25 minutos, nas quais eram oferecidos diferentes brinquedos propícios ao faz-de-conta (miniaturas de cozinha e quarto, bonecos e carrinhos). As sessões foram filmadas, transcritas e analisadas, buscando-se selecionar trechos representativos de capacidades das crianças, em suas várias manifestações. A análise das transcrições permitiu a identificação de capacidades das crianças, relativas a: a) reconhecimento de objetos e criação de cenas; b) criação de narrativas e faz-de-conta; c) exploração de objetos por criança que usualmente recusava qualquer tipo de contato; d) construção conjunta de significados. Considerou-se que as situações de brincadeira faz-de-conta proporcionaram o reconhecimento de habilidades que normalmente não seriam notadas em atividades cotidianas e/ou dirigidas. A interação entre parceiros e a situação de brincadeira relativamente livre, mediada por adultos, que buscavam principalmente facilitar e propiciar o brincar, proporcionou um ambiente favorável às múltiplas elaborações das crianças. Essa proposta, com foco no processo de construção de conhecimentos e habilidades permitiu descrever e promover o desenvolvimento das crianças com deficiência, mais do que caracterizá-las por suas incapacidades.

Operacionalização de escala para análise de padrão de mediação materna: um estudo com díades mãe-criança com deficiência visual

PID: S1413-65382006000300007 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2006
Autores: Cunha Enumo Canal
O desenvolvimento cognitivo da criança com necessidades especiais pode ser afetado por padrões inadequados de mediação materna, decorrente das baixas expectativas das mães acerca da capacidade cognitiva infantil, que se constroem a partir da compreensão inadequada acerca dos reais limites e possibilidades de aprendizagem da criança. Nesse sentido, faz-se relevante a avaliação do padrão de mediação materna por instrumentos que forneçam indicadores de análise da mediação presente na interação mãe-criança. Com esse objetivo foi operacionalizada a Mediated Learning Experience (MLE) Rate Scale (Escala de Avaliação de Experiência de Aprendizagem Mediada - Escala MLE), elaborada por Carol Lidz em 1991, com base na Teoria da Experiência de Aprendizagem Mediada. É uma proposta de avaliação da interação adulto-criança, na qual são avaliados os comportamentos mediadores do adulto. Esses comportamentos podem favorecer a construção de expectativas mais otimistas e de um padrão de mediação mais adequado de interação. Após a tradução da Escala MLE, elaboraram-se 36 categorias comportamentais para análise do padrão de mediação materna, organizadas em 4 níveis, para cada um dos 12 componentes da Escala: intencionalidade, significação, transcendência, atenção partilhada, experiência partilhada, regulação na tarefa, elogiar, desafio, diferenciação psicológica, responsividade contingente, envolvimento afetivo. Esta versão adaptada foi aplicada em 12 díades mãe-criança com deficiência visual (5-9 anos), filmadas em 3 sessões de jogos de dominó, com níveis crescentes de dificuldade. A versão operacionalizada da Escala MLE mostrou-se ferramenta útil à análise quantitativa e qualitativa da interação adulto-criança, em situação semi-estruturada de aprendizagem, corroborado por índice de concordância aceitável (77,2%).

Orientação sexual para jovens adultos com deficiência auditiva

PID: S1413-65382006000100004 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2006
Autores: Cursino Rodrigues Maia Palamin
RESUMO O estudo investigou o tema da sexualidade junto a 14 jovens adultos com deficiência auditiva de 18 a 35 anos de idade, no Centro de Distúrbios da Audição Linguagem e Visão (CEDALVI) que faz parte do HRAC-USP/Bauru. Os objetivos foram: identificar quais as necessidades de informação no que diz respeito à sexualidade; intervir, através de um programa de orientação sexual, informando e discutindo sobre temas referentes à sexualidade e verificar a aquisição de informação obtida com o programa de orientação sexual. Para tal, foi realizado um programa de orientação sexual, com três encontros abordando os seguintes temas: Órgãos sexuais e relações de gênero, Relacionamento afetivo e Gravidez, doenças sexualmente transmissíveis e auto-estima. Utilizou-se para a coleta dos dados um questionário inicial, questionários com questões fechadas, falso e verdadeiro, tipo pré e pós-teste no início e ao final de cada encontro e uma entrevista de avaliação processual, ao final do programa. Observou-se que o termo sexualidade continua sendo reduzido ao ato sexual ou as formas de prevenção de doenças ou métodos contraceptivos por grande parte dos jovens e a fonte de informação mais citada foi a mídia. O tema de maior número de acertos no pós-teste foi Órgãos sexuais e relações de gênero e todos, em geral, avaliaram positivamente a participação no programa. Concluiu-se que é necessário que a sexualidade seja cada vez mais incluída em programas de reabilitação, garantindo o acesso a informação e a discussão do tema, tão importante na vida desses jovens

Políticas para a educação especial e as formas organizativas do trabalho pedagógico

PID: S1413-65382006000300002 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2006
Autores: Garcia
O artigo apresenta reflexões acerca das proposições sobre formas organizativas do trabalho pedagógico nas políticas para a educação especial e referencia-se em análise documental, por meio da qual busca-se apreender os significados dos discursos políticos e as concepções que os sustentam. As fontes principais analisadas são aquelas representativas das Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica (Resolução CNE/CEB 2/2001 e Parecer CNE/CEB 17/2001). As ponderações possíveis acerca do tema remeteram para a compreensão segundo a qual as formas organizativas do trabalho pedagógico nas políticas vigentes para a educação especial apóiam-se em dois eixos: 1) uma abordagem educacional para a educação especial, cujo pilar é a concepção de necessidades educacionais especiais em contraposição ao trabalho pedagógico tradicional que tomava como referência o modelo médico-psicológico e 2) uma crítica à homogeneização da escola regular, na defesa de um trabalho pedagógico com referência na diversidade e no reconhecimento das diferenças. O estudo permitiu perceber a insuficiência das proposições inclusivas para as políticas de educação especial no Brasil no sentido da superação das desigualdades educacionais. Esta posição expressa, em grande medida, uma reprodução em relação às proposições internacionais, mas expressa também uma apropriação e preservação ativa de princípios conservadores na compreensão das relações sociais, as quais subordinam, em grande medida, as formas organizativas do trabalho pedagógico no campo em análise.

Processos cognitivos e plasticidade cerebral na Síndrome de Down

PID: S1413-65382006000100009 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2006
Autores:
RESUMO Muito tem se falado sobre a Síndrome de Down. Mas um ponto se destaca: suas dificuldades cognitivas. Quais as áreas mais afetadas? Como potencializá-las? Essas são perguntas que instigam muitos pesquisadores. Com a efetivação da inclusão escolar, ampliaram-se as buscas por respostas, uma vez que, nas últimas décadas, ficou evidente que pessoas com Síndrome de Down têm potencial cognitivo a desenvolver. Deixamos claro aqui que não estamos negando a constatação de lesões em função de alterações genéticas, mas a possibilidade de minimizá-las. Esse artigo tem o intuito de abordar e discutir algumas das descobertas relacionadas aos processos cognitivos na Síndrome de Down, procurando evidenciar a importância da plasticidade cerebral no desenvolvimento e na aquisição da aprendizagem. Assim, procuraremos fazer um apanhado dos processos cognitivos na Síndrome de Down, correlacionando-os com os conceitos gerais de plasticidade cerebral e verificar como esses conhecimentos podem favorecer a aprendizagem. Temos plena consciência de que não esgotaremos o tema, mas pretendemos iniciar uma reflexão. Para isso, faremos uma revisão de literatura, contemplando as pesquisas, desde as mais antigas até as mais recentes, numa tentativa de entender melhor como fazer uso dessas descobertas.

Produção científica dos alunos egressos do curso de especialização da Universidade Estadual de LondrinaScientific production of students who completed the specialist degree course in the State University of Londrina

PID: S1413-65382006000100008 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2006
Autores: Marquezine Tramontina
RESUMO Na década de 80, foi criado um curso de pós-graduação lato sensu, especialização em Educação Especial-Deficiência Mental na Universidade Estadual de Londrina-Pr, como uma alternativa para formação de professores de Educação Especial. Diante da necessidade de reformular o currículo do Curso, com base em fundamentos parâmetros científicos, percebeu-se que a avaliação da produção científica desenvolvida pelo corpo discente deveria ser uma das etapas do processo de reformulação. Por ter o Curso como um dos objetivos a formação do professor-pesquisador, foi estabelecido que o estudo deveria analisar a produção científica (monografias) e a sua administração (tema, formação do orientando, consonância com a proposta do curso, correlação na trajetória profissional do aluno ou mudança no desempenho de tarefas) tendo em vista os objetivos da pesquisa. A fonte de dados analisada foi a das monografias, referentes aos períodos de 1987 a 2002, elaborados pelos 143 alunos egressos do Curso. O instrumento utilizado para a coleta de dados foi uma ficha de registro que abordava dados de identificação da monografia, orientador, objetivo, temática, população-alvo, local de realização da monografia, tipo de pesquisa, tipo de referência bibliográfica utilizada na pesquisa e a data de publicação da obra utilizada. Os resultados mostraram que as pesquisas foram desenvolvidas em sua maioria, na escola, com alunos especiais, com quantidade equilibrada de pesquisas de levantamento e pesquisas de intervenção, cuja maior incidência de temas foi a de investigações relacionadas a procedimentos de ensino. Todos os resultados foram discutidos.

Programa de suporte comunitário: alternativa para o trabalho do adulto deficiente mental

PID: S1413-65382006000200006 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2006
Autores: Araújo Escobal Goyos
Este trabalho de pesquisa desenvolveu e avaliou um procedimento de formação de um grupo de planejamento de programa de suporte comunitário, visando atender a necessidade de preparação, encaminhamento, colocação e apoio ao jovem e adulto com deficiência mental no ambiente natural de trabalho. O procedimento procurou integrar as diferentes agências já existentes na comunidade para planejar, desenvolver, implementar e avaliar diversos serviços relativos à formação do deficiente mental para o trabalho, desde a transição da escola especial para o trabalho até a colocação e manutenção em uma ocupação remunerada. Foram convidados para participar no grupo, representantes de setores expressivos da comunidade local. Sete passos referentes à organização grupo foram implementados: 1) constituição da equipe; 2) identificação e descrição das necessidades da comunidade; 3) identificando os membros da equipe; 4) inicio do planejamento; 5) definição da missão do grupo; 6) avaliação de oportunidades de mudança e 7) estabelecimento de objetivos e atividades. Os resultados apontaram onze aspectos de conteúdo para análise do processo realizado. Observaram-se grandes dificuldades na manutenção do grupo, o que impediu que o procedimento fosse aplicado até o final do planejamento. Foi apresentado uma análise das possíveis razões dessas dificuldades, e proposto um curso para divulgar e discutir o conceito de planejamento de programa de suporte para o trabalho do deficiente mental adulto e estimular novos grupos em outras comunidades.

Quando alunos surdos escolhem palavras escritas para nomear figuras: paralexias ortográficas, semânticas e quirêmicas

PID: S1413-65382006000200005 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2006
Autores: Capovilla Capovilla Mazza Ameni Neves
O Teste de Nomeação de Figuras por Escolha (TNF2.1-Escolha) avalia a habilidade de escolher palavras escritas para nomear figuras, e analisa processos quirêmicos, ortográficos e semânticos envolvidos. Foi aplicado a 313 surdos de 6-34 anos, de 1ª.série do Ensino Fundamental a 1ª. do Médio de quatro escolas bilíngües paulistas (dos quais 77% com perda congênita, e 49%, congênita-profunda), junto com TNF1.1-Escolha, e testes de vocabulário receptivo de sinais (TVRSL), competência de leitura de palavras (TCLPP), compreensão de leitura de sentenças (TCLS), nomeação de figuras por escrita (TNF-Escrita), e de sinais por escolha e escrita (TNS-Escolha e TNS-Escrita). Foi gerada tabela normativa de nomeação por série escolar. O TNF2.1-Escolha manteve as seguintes inter-relações positivas significativas: correlação muito alta (r = 0,89) com TNF1.1-Escolha; alta (r = 0,77-0,80) com escrita do nome de figuras (TNF-Escrita) e leitura de sentenças (TCLS), média (r = 0,62-0,68) com nomeação de sinais por escolha e escrita (TNS-Escolha, TNS-Escrita) e competência de leitura (TCLPP); e baixa (r = 0,36) com vocabulário de sinais (TVRSL). De 1.507 paralexias, houve 583 ortográficas, 546 semânticas e 378 quirêmicas. Estas revelam que, ao escolher palavras para nomear figuras, surdos primeiro evocam o sinal da figura e, depois, a palavra do sinal, corroborando a hipótese de que o léxico quirêmico indexa o ortográfico ao pictorial. Corroborando a validade do TNF2.1-Escolha em induzir paralexias, quanto maior a competência de leitura no TCLPP, menos paralexias ortográficas no TNF-Escolha, e quanto maior o vocabulário de sinais no TVRSL, menos paralexias quirêmicas no TNF2.1-Escolha.

A construção de uma escala de atitudes sociais em relação à inclusão: notas preliminares

PID: S1413-65382005000100004 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2005
Autores: Omote
Este artigo relata parte das atividades desenvolvidas para a construção de uma escala de mensuração de atitudes sociais em relação à inclusão. A partir de temas e subtemas relacionados a inclusão, identificados em um corpus de textos, foi elaborada uma versão preliminar da escala com 100 itens, no formato Lickert com 5 alternativas que expressam diferentes graus de concordância ou discordância com relação ao enunciado. A versão preliminar foi aplicada a uma amostra heterogênea de 266 pessoas. A análise de itens, realizada com o t de Student e o qui-quadrado, revelou uma grande quantidade de itens com boa capacidade discriminativa, o que permitiu construir duas formas equivalentes da escala, com 30 itens em cada forma. Metade desses itens são positivos, isto é, a concordância com o enunciado expressa atitudes favoráveis, e a outra metade é constituída por itens negativos, nos quais a concordância com o enunciado expressa atitudes desfavoráveis. Em cada forma, foi incluída uma escala de mentira de cinco itens, a qual tem a função de identificar tendência a falsificar as respostas. São itens cujas respostas são previsíveis, pois, no estudo preliminar, quase a totalidade dos participantes concordou com o respectivo enunciado, independentemente do grau de favorabilidade ou desfavorabilidade das suas atitudes sociais em relação à inclusão. As duas versões da escala foram aplicadas a várias amostras para a verificação da sua fidedignidade e validade, o estabelecimento de parâmetros populacionais e análise da generalidade e estabilidade temporal do fenômeno mensurado. Os respectivos relatos se encontram em elaboração.
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